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sexta-feira, 27 de maio de 2011

CONTRA CORRENTE

Ainda sábado. Ainda em São Paulo. 21 horas. Eu e Ric chegamos ao Espaço Unibanco de Cinema (Rua Augusta, 1.470 e 1.471, Bela Vista) para assistir ao filme Contra Corrente (Contracorriente), co-produção de Peru, Colômbia, França e Alemanha do ano de 2009. Havia apenas um horário para o filme, às 22 horas. Com o cartão de crédito Itaúcard, pagamos meia entrada (R$ 10,50). Para passar o tempo, resolvemos fazer um pequeno lanche no café que existe no local. A atendente nos disse que a sala 5, onde o filme estava em cartaz, era pequena, com capacidade máxima para 51 pessoas, sendo aconselhável ir para frente da porta da sala uns vinte minutos antes, pois o filme estava com sessão sempre lotada. Ela foi tão gentil que nos avisou o momento certo de irmos para a fila. Fomos os primeiros a chegar na porta da sala. Logo começou a se formar a tal fila. Na hora da sessão, apenas duas poltronas ficaram vazias, confirmando o que a atendente nos havia dito. Dirigido por Javier Fuentes-León, tem como protagonistas um trio de excelentes atores: a peruana Tatiana Astengo (Mariela), vista em Panteleão e As Visitadoras, o colombiano Manolo Cardona (Santiago), mais conhecido como ator de televisão e o boliviano Christian Mercado (Miguel), também ator de Che 2 - A Guerrilha. A história lembra o clássico romance de Jorge Amado, Dona Flor e Seus Dois Maridos, transformado em filme, série de tv e peça teatral no Brasil. O diretor mostra que é um grande admirador do nosso país, pois além desta inspiração em Dona Flor, a novela Direito de Amar, veiculada na Rede Globo em 1987, é citada pelas personagens e uma cena com Lauro Corona e Cissa Guimarães, deitados na relva e dublados em espanhol, é mostrada, quando o casal Mariela e Miguel assistem a um de seus capítulos. É um triângulo amoroso que se passa em uma pequena cidade no litoral peruano, mas com um enfoque gay. A temática gay é tão importante no filme que a citação a Lauro Corona me pareceu proposital, afinal o personagem Miguel, másculo, pescador, bofe mesmo, casado, gosta da novela e gosta do ator. Miguel, o pescador, é casado com Mariela, que espera um filho dele. No entanto, Miguel tem uma relação com o fotógrafo Santiago, também pintor. Os encontros dos dois sempre são às escondidas em locais ermos e inusitados, como em uma caverna na beira da praia ou em escombros de uma construção abandonada. Miguel vive uma vida dupla até que ele se desentende com Santiago. A partir daí, a inspiração de Dona Flor é visível, com um personagem que morre, mas só é visto por quem ele amava, no caso Miguel. Belos atores, belas imagens, interpretações magníficas. Não é a toa que o Peru indicou este filme como seu representante em uma vaga para concorrer ao Oscar de melhor filme estrangeiro. A película ganhou mais de 15 prêmios em festivais internacionais. Filme carregado de emoção. Belo final de noite que tivemos em São Paulo no último final de semana na capital paulista. De lá, fomos a pé para a Pizzaria Veridiana (Rua José Maria Lisboa, 493, Jardim Paulistano), onde chegamos após meia-noite. O lugar é muito bem decorado, com pé direito alto e vários ambientes. Ficamos no que eles chamam de Praça da Pizza, mais próximo aos fornos a lenha que assam as redondas. Pedimos pizzas no tamanho individual, muito gostosas, por sinal. Quando saímos, muito além de uma hora da madrugada de domingo, a pizzaria já estava fechada. O hotel ficava a poucos passos do restaurante. Foi chegar e descansar. No domingo, retornamos para Brasília no início da tarde. Foi um proveitoso final de semana cultural.


domingo, 14 de junho de 2009

DE REPENTE CALIFÓRNIA






Como contei no post anterior, tínhamos combinado de nos encontrar a noite. No entanto, não houve o encontro com Vera, que, inclusive, antecipou seu voo para domingo de manhã, pois seu olho estava coçando muito e incomodando-a. Já Juarez não atendeu e nem retornou nossas ligações. Eu, Ric, Muca e Emi decidimos ir ao cinema. O filme escolhido é De Repente Califórnia (Shelter), de Jonah Markowitz. Produção americana de 2007, já havia passado no Brasil no Mix Brasil Festival de Cinema da Diversidade. Agora, aproveitando a data oportuna, ou seja, a semana dos vários eventos voltados para o público LGBT em São Paulo, o filme, com temática gay, entra no circuito comercial. Em São Paulo entrou em cartaz em duas salas. Fomos ao Espaço Unibanco de Cinema (Rua Augusta, 1.475, Bela Vista). Como era perto do hotel, fomos a pé, bem encapotados por causa do frio. A sessão escolhida foi a das 22 horas. Valor da entrada: R$16,00 a inteira. Logo entramos na fila e uma mulher, ao ver o público, soltou a seguinte pérola: "será que o filme é proibido para mulheres, só tem homem na fila". Obviamente a grande maioria da fila parecia ser gay. O Espaço Unibanco não passa muito trailer ou comerciais antes de iniciar o filme, como os grandes complexos de cinema tem feito ultimamente.

O filme é uma história de amor entre dois homens, um deles se descobrindo homossexual, com todos os clichês já amplamente explorados em outros filmes românticos, inclusive utilizando a temática gay. Há falhas grandes no roteiro. O filme não tem ritmo. Os dramas internos das personagens são mostrados superficialmente e resolvidos em tempo recorde. As personagens, ao serem informadas de alguma coisa, sempre usam a frase "eu já sabia". O incômodo com a frase é notado quando provoca risos na plateia na enésima vez em que é pronunciada, mesmo a cena sendo dramática. Maneira simplista de encurtar as coisas. O diretor quis fazer um filme de surfistas, gastando muito tempo na fita em mostrar manobras nas ondas da Califórnia, sem ser feliz. Não conseguiu mostrar a "química" entre o tema e o surf. Por falar em Califórnia, o título dado pela distribuidora brasileira é muito infeliz. O título em inglês - Shelter - também não ajuda muito, pois se refere apenas a condição de o personagem principal ser o esteio de uma família desestruturada. Faltou aprofundar alguns temas. Filme fraco.
Para o público a que se destina vai ser bem recebido, pois os protagonistas, Brad Rowe e Trevor Wrigth, são bonitos, há cenas de beijos, mas é comportado ao não mostrar nenhum personagem nu (apenas troncos descamisados são mostrados).
Para ilustrar bem o que disse, todos que estavam comigo amaram o filme.



Depois do filme, descemos a pé para os Jardins, onde escolhemos o restaurante Paris 6 (Rua Haddock Lobo, 1.240, Jardins) para jantarmos e fecharmos a noite de sábado (já na madrugada de domingo). Mesmo perto de meia noite, enfrentamos uma fila de espera de vinte minutos, quando fomos acomodados na parte interna do restaurante, completamente lotado. O local é uma boa opção para quem quer comer alguma coisa, mesmo tarde da noite, pois funciona 24 horas. Bistrô com cardápio focado nos pratos franceses, muitos deles em releitura, sem respeitar as receitas clássicas (o caso do Coquelette au Vin, que tem apenas o molho de vinho tinto, não sendo o frango cozido no vinho). Bebemos um vinho francês. Muca preferiu uma caipiroska de lima da pérsia. O prato que escolhi foi polvo crocante acompanhado de tomate recheado de amêndoas e espaguete puxado na manteiga. O polvo estava delicioso, o mesmo valendo para o tomate. Já a massa, deixava a desejar. Finalizamos com café descafeinado. Pela primeira vez na viagem, não dividmos a conta por igual. Cada um pagou exatamente o que consumiu. Os valores não diferiram muito se fosse dividido igualmente.



Subimos a pé para o hotel. Hora de deitar e descansar para a parada de domingo.