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domingo, 24 de abril de 2022

LAÇOS DE AFETO (iL FILO INVISIBLE)

Laços de Afeto (Il Filo Invisible), 2022, 109 minutos. Direção de Marco Simon Puccioni, com Filippo Timi (Paolo), Francesco Scianna (Simone) e Francesco Gheghi (Leone).

Filme italiano com temática LGBTQIA+ que foge das tramas recentes para o cinema/streaming do mesmo gênero ao mostrar um casal gay, Paolo e Simone, às vésperas de completar 20 anos juntos, tendo um filho nascido de uma inseminação artificial com barriga de aluguel oferecida por uma amiga de Paolo. Leone, o filho adolescente, tem que fazer um trabalho de escola mostrando o quotidiano, usando como base o que a juventude publica em redes sociais. Na escola, ele conhece Giulia, uma garota francesa recém morando em Roma, se apaixonando imediatamente. Sua ideia, juntamente com Jacopo, seu melhor amigo, é contar a história feliz de sua família no vídeo a ser apresentado como trabalho de escola. Acontece que as coisas não são como parecem ser e haverá uma série de reviravoltas até a conclusão da história, com direito a teste de DNA, traição, segredos revelados, festas, drogas, natureza e consolidação de amizades. Ao final, mostra que todo casal, hetero ou homo, vive as mesmas situações dentro de um relacionamento.

Filme despretensioso, com roteiro interessante, justamente por não cair nos clichês mais comuns dos filmes LGBTQIA+, sendo uma comédia romântica bonitinha, não passando disso. É para relaxar, curtir sem pensar muito.

Disponível na Netflix.

sábado, 12 de março de 2022

LADRÕES DE BICICLETA (LADRI DI BICICLETTE)

Ladrões de Bicicleta
 (Ladri di Biciclette), 1948, 89 minutos.

Clássico do neorrealismo italiano dirigido por Vitorio De Sica, tendo como protagonistas Lamberto Maggiorani (Antonio Ricci) e Enzo Staiola (Bruno Ricci).

Revi o filme para o ciclo Cinema & Filosofia do Clube de Análise Fílmica, com aulas ministradas on-line pelo Prof. Alisson Gutemberg. E novamente uma explosão de emoções tomou conta de mim durante a projeção. Sentimentos de tristeza, raiva, compaixão, impotência, tudo junto e misturado.

Em uma Itália devastada no pós guerra, quando a miséria, a fome, o desemprego e o descaso com o ser humano imperavam, Antonio consegue um emprego de colador de cartazes nos muros da cidade, mas para ser admitido, ele precisava ter uma bicicleta. Ele tinha, mas a tinha penhorado para poder comprar comida para sua família. Maria (Lianella Carell), sua mulher, recolhe os lençóis da casa e os leva até a casa de penhor, onde conseguem o dinheiro para tirar a bicicleta, na mesma casa de penhor.

No primeiro dia de trabalho, após deixar Bruno, seu filho de uns 7/8 anos no trabalho (a criança era frentista em uma bomba de gasolina), começa a trabalhar, levando consigo uma escada e os cartazes para colar, tudo na bicicleta. Enquanto terminava de colar um cartaz de Rita Hayworth, sua bicicleta é roubada. Começa, então, um périplo de Antonio, acompanhado de seu filho Bruno, à procura do ladrão e da bicicleta. Passam pela delegacia de polícia, por um mercado de pulgas onde havia um grande comércio de peças de bicicletas, e até dentro de uma igreja, onde os pobres eram trancados para assistir à missa antes de serem alimentados por uma espécie de sopão. Ao final, desesperançado, Antonio luta contra si mesmo, em uma angustiante cena em que ele fica na dúvida se rouba ou não rouba uma bicicleta na saída de um jogo de futebol.

Alguns pontos levantados por De Sica são muito bons e atualíssimos: a precarização do trabalho, onde temos a situação de trabalho infantil e as condições para arrumar um emprego, pois tinha que ter a bicicleta para trabalhar, o que me fez transportar para os dias atuais, especialmente durante o auge da pandemia, quando trabalhadores ficaram desempregados e entraram para a informalidade no mercado de trabalho, muitos deles em serviços de entrega de comida, para os quais teriam que ter bicicleta ou moto. A chamada uberização, onde a pessoa nem é empregada, nem é autônoma, tendo que trabalhar em condições precárias, sem garantia de benefícios sociais e recebendo uma remuneração pífia.

De Sica, que era comunista e católico, mostra o poder manipulador e doutrinador da religião, especialmente naqueles que estão mais vulneráveis socialmente. A cena dentro da igreja, com as portas fechadas, impedindo as pessoas de ir e vir, tendo que ouvir a missa para depois poderem comer um prato de sopa, é um exemplo claro desta dominação.

E não deixa de ser até contraditório, mas também um amor ao cinema, fazendo um filme realista, com grande parte do elenco de não atores, nada de filmagem em estúdios, com baixo orçamento, De Sica incorpora na história vários cartazes de filmes hollywoodianos afixados nas paredes da empresa onde Antonio conseguiu seu emprego, mas, especialmente, a figura da atriz Rita Hayworth no cartaz colado pelo personagem principal quando teve sua bicicleta roubada.

Também vi muitas semelhanças nas cenas com o garoto Bruno, especialmente na que ele senta na calçada, com o filme O Garoto (1921), de Charles Chaplin.

Filme necessário para qualquer pessoa amante do cinema.

Disponível no Telecine Play e no YouTube (gratuito)

segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

A MÃO DE DEUS (È STATA LA MANO DI DIO)

A Mão de Deus (È Stata La Mano Di Dio), 2021, 130 minutos.

Direção de Paolo Sorrentino, tendo no elenco Filippo Scotti (Fabietto), Toni Servillo (Saverio) e Teresa Saponangelo (Maria).

Logo após terminar de ver A Mão de Deus, na Netflix, apareceu, como sugestão, um pequeno documentário feito com o diretor a respeito do filme. Nele, constatei que é bem autoral, com lembranças do passado de Sorrentino quando vivia em Nápoles, sua cidade natal.

A história se desenvolve na década de 1980, quando Maradona foi contratado pelo time Nápoles e o levou ao título do campeonato italiano. Mas o futebol, uma paixão napolitana, é apenas um coadjuvante no filme, um pano de fundo para os acontecimentos que envolvem Fabietto e sua família.

Fabietto é um menino tímido, sem muitos amigos, vivendo em uma família numerosa e ruidosa, que tem que lidar com uma perda inesperada, com o amor, com o sexo, com suas aspirações em ser cineasta, embora tenha visto uns três ou quatro filmes até então, com sua vontade de sair de Nápoles e ir para Roma.

O diretor de fotografia usa cores fortes em belas tomadas da cidade italiana.

Homenagens explícitas aos diretores italianos Federico Fellini (o irmão de Fabietto faz um teste para ser figurante em um filme do diretor, mas não passa porque tem uma cara muito normal, enquanto na sala de espera desfilam vários personagens da fauna e flora felliniana), Franco Zeffirelli e a Antonio Capuano (que é um personagem neste filme). As figuras da família de Fabietto paracem saídas de um filme de Fellini.

O título faz referência ao gol que Maradona fez de mão contra a Inglaterra na Copa do Mundo de 1986. Quando questionado, Maradona disse que foi a mão de Deus.

Faz mais sentido o título original para a analogia ao gol de Maradona, pois o título está no passado: Foi a Mão de Deus. Quem assistir, entenderá.

Filme indicado pela Itália para ser seu representante na categoria de filme internacional e figura na lista encurtada de apenas 15 filmes, de onde sairão os cinco concorrentes.

Vi, em 21/01/2022, na Netflix.

terça-feira, 23 de novembro de 2021

GOVERNANÇA (GOVERNANCE - IL PREZZO DEL POTERE)

Governança (Governance - il prezzo del potere), 2021, 89 minutos.

Filme dirigido por Michael Zampino e estrelado por Massimo Popolizio.

A trama trata de jogo sujo de empresa e governo em uma licitação de construção de postos de gasolina em uma nova estrada federal na Itália.

O poder do dinheiro, do capitalismo sem pudores, do ganhar a qualquer custo.

Embora seja um tema atual e que desperta interesse, o filme é lento, chato de acompanhar, apesar das excelentes atuações do elenco. Mas retrata a vida como ela é.

Filme integra o catálogo do 16º Festival do Cinema Italiano.

Vi, em 21/11/2021, de forma on-line e gratuita, na plataforma do Belas Artes À La Carte.

domingo, 21 de novembro de 2021

O PÁSSARO DAS PLUMAS DE CRISTAL (L'UCCELLO DALLE PIUME DI CRISTALLO)

O Pássaro das Plumas de Cristal (L’uccello dalle piume di cristallo), 1970, 96 minutos.

Filme de estreia na direção de Dario Argento.

Dalmas, escritor americano em Roma, testemunha uma tentativa de assassinato em uma galeria de arte, torna-se suspeito do assassinato em série de mulheres na cidade, resolve investigar por conta própria e acaba tornando-se o principal alvo do serial killer.

Filme do subgênero giallo, o diretor brinca com esta classificação com várias cenas em que o amarelo é a cor de destaque, em especial o uniforme usado por uma associação de ex-pugilistas em uma convenção.

O clima de tensão está sempre presente. Música, iluminação, closes e enquadramentos garantem o clima de horror sem a necessidade de mostrar muito sangue.

A melhor sequência: a tentativa do serial killer em atacar a namorada do escritor. Deu vontade de entrar no filme para ajudar a moça.

Quanto ao título do filme: apenas uma breve aparição do pássaro que é fundamental na trama.

Trilha sonora sensacional de Ennio Morricone.

Um dos meus filmes de terror favoritos.

Vi em 19/11/2021, on-line e de forma gratuita, na plataforma Belas Artes À La Carte, por ocasião do 16º Festival do Cinema Italiano.

terça-feira, 16 de novembro de 2021

A TERRA DOS FILHOS (LA TERRA DEI FIGLI)

A Terra dos Filhos (La Terra dei Figli), 2021, 122 minutos. Filme italiano dirigido por Claudio Cupellini e estrelado por Leon de La Vallé (o filho), Paolo Pierobon (o pai), Maria Rorevan (Maria). Tem participação especial de Valeria Golino (a bruxa).

Em um cenário pós apocalipse, um garoto luta por comida com seu pai. Casa precária e um rio para desbravar. Ele é proibido de passar a barreira do rio que o protege do "mal" que existe do outro lado. Ele sempre quis saber o que seu pai tanto escrevia em um caderno, pois os jovens não sabem ler no pós apocalipse. Com a morte do pai, ele pega o caderno e o barco a motor, passa a barreira e vai procurar alguém que possa ler as anotações de seu pai. Vai sofrer, vai descobrir a maldade do ser humano, vai, enfim, descobrir a realidade da vida pós apocalipse.

Há algumas questões que o roteiro não responde, como, por exemplo, onde eles conseguem combustível para o barco e o que causou o apocalipse.

Neste filme, apesar do cenário desolador para os humanos, a natureza sobreviveu.

Filme integra o catálogo do 16º Festival do Cinema Italiano.

Vi on-line, em 09/11/2021, gratuitamente, no Belas Artes À La Carte.

quarta-feira, 10 de novembro de 2021

LOVELY BOY

 

Lovely Boy (Lovely Boy), 2021, 105 minutos. Filme italiano dirigido por Francesco Lettieri.

Venceu o prêmio S.I.A.E. por talento promissor de melhor filme no Festival de Veneza 2021.

Nic (Andrea Carpenzano), um jovem talentoso cantor do gênero trap, se envolve cada vez mais com drogas, atrapalhando sua vida social e dificultando sua promissora carreira. Sua família o interna em uma clínica de recuperação de viciados em drogas, onde seu tédio e sua falta de emoções só crescem.

O filme é confuso, pois há passagens no tempo, um ir e vir repetidas vezes, mesclando cenas antes e durante a internação de Nic na clínica. Como o personagem sempre carrega uma expressão de apatia e sem emoções, há que estar atento para as tatuagens no seu rosto e na coloração do cabelo para se situar no tempo da história. Se não prestar atenção, pode-se pensar que Nic entra e sai da clínica sempre.

O roteiro nos deixa a sensação que um viciado em drogas nunca consegue se livrar de seus vícios.

Há várias cenas que incomodam devido ao consumo excessivo de drogas pesadas, incluindo um cãozinho que toma um ácido e fica totalmente pirado.

Filme integra o catálogo do 16º Festival do Cinema Italiano.

Vi on-line, gratuitamente, no Belas Artes À La Carte.

domingo, 7 de novembro de 2021

DEIXE-ME IR (LASCIAMI ANDARE)

 

Deixe-me Ir (Lasciami Andare), 2020, 98 minutos. Filme italiano dirigido por Stefano Mordini e estrelado por Stefano Accorsi, Serena Ross, Maya Sansa e Valeria Golino. Marco (Accorsi) e Anita (Ross) estão juntos e grávidos, mas ele perdeu seu filho Leo em um acidente doméstico quando ainda era casado com Clara (Sansa). Ele frequenta o AA, não se perdoa pelo ocorrido com o filho, estando sempre em um estado perto da depressão. Perla (Golino) é a moradora de sua antiga casa e afirma que o menino Leo aparece para seu filho Giacomo, mandando que eles saiam da casa para a volta de seus pais. Marco reencontra Clara e juntos começam a acreditar na possibilidade de Leo realmente aparecer na casa. O filme se perde em tentar mostrar o espiritismo, sem se aprofundar, tendo uma reviravolta em relação à Perla no terço final. Parece que as ideias acabaram e o roteirista apressou para por um ponto final na história. No frigir dos ovos, o roteiro ficou pobre e sem rumo. Vi gratuitamente on-line na plataforma Belas Artes À La Carte dentro do 16º Festival do Cinema Italiano.