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quarta-feira, 30 de março de 2022

ASCENSÃO (ASCENSION)

Ascensão (Ascension), 97 minutos.

Documentário que concorreu ao Oscar 2022 dirigido por Jessica Kingdon, uma americana de origem chinesa.

O filme difere dos muitos documentários recentes, pois não tem aquelas entrevistas com as pessoas sentadas olhando para a câmara, tampouco tem narrador para conduzir a história. A câmera da diretora apenas observa, às vezes de longe, outras de perto, o cotidiano de trabalhadores na pungente economia chinesa.

Em nome da produtividade, tudo vale, principalmente exploração da mão de obra. É quase incompreensível para mim ver um recrutamento de trabalhadores por grandes indústrias chinesas informando que o trabalho pode ser feito sentado ou que não é exigido exame de saúde para entrar. Outros gritam que o trabalho é feito 100% em pé, exigem altura máxima do trabalhador, que os trabalhadores dormirão em cômodos com até oito pessoas no mesmo quarto, ou ouvir que quem decide se a jornada que o trabalhador laborou no dia é o seu chefe.

Talvez por sua origem, ao final, a diretora tenta glamourizar a dureza que ela mostrou, colocando na tela momentos de descontração de centenas de chineses em um parque aquático, como se quisesse passar a mensagem: "o trabalho sem limites compensa".

Por quase não ter falas, e quando tem, são diálogos entre os trabalhadores, com cenas longas, o documentário fica monótono a partir da metade.

De qualquer forma, foi válido para conhecer a realidade dos trabalhadores chineses.

quarta-feira, 17 de novembro de 2021

NO PASSO DE CHRISTIAN LOUBOUTIN (SUR LE PAS DE CHRISTIAN LOUBOUTIN)


No Passo de Christian Louboutin
(Sur le pas de Christian Louboutin), 2020, 52 minutos. Documentário dirigido por Olivier Garouste.

O documentário é dinâmico, mostrando o dia a dia do famoso desenhador de sapatos francês Louboutin, que, mesmo após atingir a fama e os  pés de milhares de mulheres pelo mundo afora, continua em um ritmo frenético de trabalho.

O foco do filme é o seu trabalho, seus momento de criação (em sua casa de veraneio, em um lugar paradisíaco em Portugal), a interação com a equipe de criação, a fábrica, a participação em desfiles. Nada de sua vida pessoal é abordado.

Interessante como veio a ideia da sola vermelha: ele trabalhava anteriormente com solas de sapatos pretas, mas em uma busca por ser mais fiel a seu desenho, ele pediu o vidro de esmalte vermelho que sua modelo experimentadora de sapatos estava usando para pintar as unhas, pintou a sola e voilà, a sola vermelha que tornou-se, juntamente com os saltos altíssimos, as mais reconhecidas características de suas criações.

Quando ele fala sobre conforto, solta uma ótima: se todos os sapatos fossem confortáveis, só teríamos no mercado pantufas e Dr. Scholl, o que me remeteu a um diálogo do filme A Casa Amaldiçoada (The Haunting), 1999, dirigido com Jan de Bon, quando a personagem interpretada por Catherine Zeta-Jones usava uma bolsa preta de cano alto e reclamava que ela machucava, e outro personagem diz que achava que eram confortáveis, Jones solta: é uma Prada!. Ou seja, o que vale é o design, o luxo, a marca, a posse e ostentar um sapato deste tipo.

O filme integrou o catálogo do Feed Dog Brasil, festival de documentários de moda.

Assisti, em 14/11/2021, de forma gratuita e on-line, na plataforma In-Edit TV.