Acordei com o barulho do vento. Eram cinco horas da manhã. Ventava muito, mas o sol já anunciava que a segunda-feira em Fortaleza seria quente. Depois de tomar o café da manhã no hotel, me preparei para ir ao encontro da categoria, pois eu estava na programação oficial do evento como o primeiro palestrante. Marcado para ter início às 10 horas, houve um pequeno atraso de quinze minutos. Auditório lotado e atento. Falei por uma hora, abrindo espaço, em seguida, para perguntas. Os organizadores do evento programaram uma hora de debates, mas durou um pouco mais. Todas as perguntas e intervenções foram pertinentes. Para todas, fiz comentários ou as respondia. Para o almoço, tinha duas opções: ou ficar no hotel onde o evento se realizava, com serviço de buffet, ou escolher um restaurante com opções a la carte. Fiquei com a segunda. Eu tive a companhia de mais três pessoas, colegas de trabalho. Fomos a pé ao restaurante Moana (Avenida Beira Mar, 4.260, Meireles), localizado no térreo do Golden Flat. Não estava cheio. Sentamos, a princípio, em uma mesa na lateral, mas logo mudamos para uma localizada com vista para a praia. A escolha não foi muito boa, pois o ar condicionado não chegava em sua total potência à mesa, tendo em vista que uma pilastra impedia a circulação homogênea do ar. Escolhemos um vinho tinto chileno e os pratos. Os pedidos foram feitos às 13:10 horas. Pedi um magret du canard com molho de figo caramelizado, acompanhado de purê de batatas. Outros colegas do mesmo evento também chegaram ao restaurante, sentaram em outras mesas e fizeram seus pedidos. Os pratos que eles pediram chegaram primeiro que os nossos. Questionamos sobre a demora e nos informaram que o prato que um dos colegas pedira, também um pato, era demorado. Perguntamos porque não nos foi avisado isto antes, mas não obtivemos resposta. O garçom se limitou a dizer que apressaria a montagem dos pratos. Uma hora depois do pedido e nada. O garçom disse que os pratos já estavam sendo montados. O colega ficou incomodado, pois sempre diziam que o prato por ele escolhido era demorado. Com quase uma hora e meia sem os pratos chegarem, o colega se levantou e foi até a cozinha, onde disse que se os pedidos não chegassem em cinco minutos ele começaria a quebrar o restaurante. Foi uma correria total dos garçons. As outras mesas já haviam pago as respectivas contas quando, enfim, nossos pratos chegaram à mesa. Os três que me acompanhavam elogiaram os pratos, mas reclamaram que as carnes estavam mornas, enquanto o meu prato estava muito quente. O meu pato estava muito bem feito, com a textura no ponto. Os garçons vinham à mesa perguntando se os pratos estavam a contento. Respondíamos que até urubu frito acharíamos bom, pois estávamos com fome e com horário para voltar aos nossos compromissos. O garçom tentou argumentar alegando que há pratos que demoram mesmo, exemplificando com um prato de cordeiro da casa que demora três horas para ficar pronto. Quando um prato tem sua elaboração demorada, o restaurante deve informar previamente ao cliente, seja com um aviso no próprio cardápio ou com o garçom informando o fato ao anotar o pedido. Pedimos a conta. Veio o chef, muito simpático, se desculpar pela demora, pela falha na informação sobre o tempo de elaboração do prato, afirmando que o magret de canard é um prato que tem pouca saída, precisando ser descongelado de uma forma que não prejudique a textura da carne. Descobrimos, então, que o prato responsável pela demora era o meu e não do colega que pedira outra opção de pato. Ainda como forma de se desculpar, o chef mandou servir para cada um de nós um prato da sobremesa chamada último desejo, uma mistura de biscoito de chocolate amargo queimado, creme zabaione e morangos, possibilitando uma harmonização que não agride o paladar. Agradecemos a deferência, pagamos a conta e pegamos um táxi para nosso hotel, pois estávamos atrasados para o que havíamos combinado: um passeio de veleiro pela orla da cidade. Só tivemos tempo de entrar no quarto, colocar uma roupa adequada e voltarmos para em frente ao flat onde almoçamos. A saída do veleiro se dá justamente ali. O passeio custou R$ 30,00 para cada um. Tivemos que colocar um colete salva-vidas para entrar numa espécie de jangada motorizada que faz o trajeto praia-veleiro. O barco se chama Philosophy e tem capacidade para 70 passageiros. Saímos por volta de 16:15 horas, passando pela Enseada do Mcuripe, Porto de Fortaleza, Praia Mansa, onde está um dos parques eólicos do Ceará, retornando em direção ao Marina Park Hotel. Velejamos por toda a orla da parte mais turística da cidade: Mucuripe, Volta da Jurema, Meireles, Iracema, Ponte dos Ingleses, tendo a oportunidade de ver, de longe, as torres da Catedral Metropolitana, as cúpulas do Centro Cultural Dragão do Mar, Mercado Central, Marina PArk Hotel e seu moderno estaleiro naval, onde foi feita uma parada de cinco minutos para banho de mar. Apenas nove pessoas se aventuraram a cair na água, nenhum de nosso grupo. Quando o barco começou a voltar, já estava acontecendo o por-do-sol. No retorno, tiramos a conclusão que o passeio é um grande mico, sem grandes atrativos. Para piorar, o barco bate muito na volta, quando fiquei um pouco enjoado pelo balanço do veleiro. Chegamos ao ponto de desembarque às 18 horas. Rapidamente colocamos os coletes e fomos um dos primeiros a pular para a jangada que nos levou até a praia. Enquanto esperava os amigos lavarem os pés, uma senhora que trabalha para a empresa que faz o passeio, me perguntou para onde iríamos e quantos éramos. Após respondê-la, ela sugeriu que todos fôssemos em um Doblò que estava estacionado em frente. Negociamos o preço. Foi cobrado R$ 15,00, mesmo valor que pagaríamos se tomássemos dois táxis. Negócio fechado. No meio do caminho, o motorista teve que parar em um posto de gasolina para abastecer, pois seu combustível já estava no final. Parada não planejada, mas que não nos prejudicou em nada, já que não tínhamos nenhum compromisso. Já no hotel, pausa para um descanso. Para mim, pausa também para arrumar as coisas que levarei para Brasília, pois retorno na madrugada de segunda para terça-feira, uma vez que tenho agenda a cumprir. Talvez ainda saia nesta noite para jantar com os amigos.
Um pouco de tudo do que curto: cinema, tv, teatro, artes plásticas, enogastronomia, música, literatura, turismo.
Pesquisar este blog
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
FORTALEZA - DIA 2: NOITE DE EVENTO E BOTECO
No início da noite deste domingo, eu, Ro e Marcelo fomos para a abertura do encontro nacional da nossa categoria. Eu me senti desconfortável tendo que usar um blaser, pois o calor que faz em Fortaleza é muito forte. O local é enorme, com excelente infra-estrutura para grandes festas e eventos. Chegamos no momento em que a mestre de cerimônias anunciava a abertura do evento. Como já esperava, tinha lugar reservado logo à frente. Fui chamado para compor a mesa, junto com mais oito pessoas. Houve uma criativa apresentação das 27 unidades da Federação, sendo lido um parágrafo enaltecendo os destaques de cada uma, ao som da banda de aprendizes da Marinha. Ao término desta apresentação, o Hino Nacional e os discursos de praxe. A abertura durou quase uma hora e meia. Uma luz forte incomodava os integrantes da mesa. Com o fim da solenidade de abertura, todos foram convidados para um jantar no salão lateral, que estava muito bem decorado. O jantar seria ao som de sanfonas. Preferimos não ficar, pois tínhamos combinado de ir para o Boteco Praia (Avenida Beira Mar, 1.680, Meireles) onde encontraríamos com Emi, Ric e Cris. Chegamos primeiro no bar. O local faz parte da rede de mesmo nome com estabelecimentos em Recife, Belém e Brasília. O cardápio é o mesmo em todos os estabelecimentos. O forte são os petiscos, especialmente as empadas e coxinhas. Experimentei a famosa coxinha de caranguejo. Vale a pena. Ali ficamos jogando conversa fora até o início da madrugada, quando voltamos a pé para o hotel.
domingo, 7 de novembro de 2010
FORTALEZA - DIA 2: PASSEATA, CAMINHADA E PICANHA
06:50 horas, horário local. O telefone do apartamento toca. Ro nos chama para caminhar na praia, pois o sol já está a pino, forte. Preferi dormir mais um pouco, afinal estamos no domingo. Ele foi correr. Depois de tomar café da manhã, saí, sozinho, para fazer uma caminhada de uma hora no calçadão da Avenida Beira Mar. Já tinham passado quinze minutos que eu andava em direção à Praia de Mucuripe quando encontrei com Marcelo e Cris vindo na direção contrária. Mudei o rumo. Fomos em direção à Praia de Iracema, em passo acelerado. No início da Avenida Beira Mar, em frente ao Boteco Praia, demos de frente com a largada da passeata Outubro Rosa. Nome do mês que já passou. Embalados por um trio elétrico, todos que dela participavam estavam com camisas e boné da mesma cor, ou seja, cor-de-rosa. A passeata era para marcar a luta contra o câncer de mama. Filipetas e leques eram distribuídos pelo caminho. Fomos até o ponto de entrega do material, mas não havia possibilidade de ganhar a camisa, pois necessitava um cupom para retirar o kit. Continuamos nossa caminhada até o final do aterro da Praia de Iracema, em frente ao moderno monumento em homenagem à eterna personagem de José de Alencar. Demos meia volta em direção à Praia de Meireles. Passamos novamente pela passeata, quando meus amigos se despediram de mim, voltando para o hotel. Segui caminhando até chegar em frente ao Hotel Gran Marquise, já na Praia de Mucuripe. No caminho, vários conhecidos do meu trabalho me cumprimentavam. Voltei em direção ao meu hotel, passeando pela terceira vez pela passeata. Cheguei no hotel depois de uma hora e dez minutos de caminhada em passos acelerados. Cheguei morto, ofegante, afinal estou sem fazer atividades físicas há mais de dez meses. Belo começo para um retorno à prática de exercícios físicos. Minha roupa estava ensopada de suor. No quarto, fiquei descansando um pouco, quando Emi chegou para tentarmos decifrar o seu Macbook Air. Também decidimos onde almoçar. Ao meio dia, conforme combinado, todos os seis nos encontramos no lobby do hotel. Pegamos dois táxis para o Picanha do Cowboy (Avenida Dom Luís, 685, Aldeota). O local estava ainda vazio, cheio de mesas para escolhermos. Ficamos na varanda. Nossa amiga Vera, também em Fortaleza, nos ligou para almoçar conosco. Ela propôs que trocássemos de lugar, indo para a área com ar condicionado. Mudamos de mesa, mas não conseguimos lugar no interior do restaurante. Ficamos na fila de espera em uma mesa redonda do lado de fora. Ventava, mas estava muito quente. Vera e sua filha se juntaram a nós. Pouco depois, nos passaram para o lado de dentro, já que uma mesa vagara. O restaurante ficou lotado em questões de minutos. Sorte a nossa ter chegado mais cedo. É sucesso em Fortaleza, especialmente sua picanha assada. Fizemos um pedido variado. Para petiscar, 600 gramas de picanha de cordeiro e macaxeira frita. Para o almoço, 600 gramas de carne de sol, 800 gramas de picanha, 400 gramas de coxa de frango e 300 gramas de pernil de cordeiro, acompanhados de feijão verde com nata e queijo coalho (magnífico!), paçoca de pilão, baião-de-dois e batata frita. Foi uma fartura total, sobrando carne. Tudo muito bem feito, bem temperado. Para beber, escolhi uma caipiroska de seriguela, fruta da época. Estava ótima. Saciados, pedimos a conta. Também pedi um cartão de visitas do restaurante. O garçom demorou a retornar com ele. Chegou dizendo que o cartão tinha acabado, mas me entregou duas cortesias de lavagem de carro como compensação. Entreguei as duas cortesias para a filha de Vera, pois ela mora na cidade e tem carro. O grupo se separou na saída do restaurante. Vera, a filha, Ro e Marcelo foram de carro para o Gran Marquise, onde os dois pegariam os documentos referentes à inscrição no encontro nacional que viemos participar. Emi pegou um táxi de volta para o hotel. Eu, Ric e Cris fomos ao Aldeota Shopping (Praça Portugal, Aldeota), a uma quadra de onde estávamos. Lá, Cris e Ric fizeram compras de roupas esportivas. Sempre quis tirar uma foto do monumento no centro desta praça, mas nunca tive oportunidade, já que sempre passei por lá de carro. Aproveitei a ocasião para tirar a tal foto. Voltamos a pé para o hotel, onde os outros já nos aguardavam para sair novamente. Ro me entregou os documentos de minha participação no evento, incluindo um convite para a abertura, seguida de jantar e baile, na noite deste domingo. Havia um convite para Ric também, mas achei que não era conveniente ele ir, pois o evento é destinado a integrantes de uma carreira específica no serviço público, além de Emi e Cris não terem convites. Resolvi ficar no hotel, pois precisava dormir um pouco e fazer a barba. Os demais foram passear. São 20 horas, quase na hora de ir para a abertura do evento com Marcelo e Ro.
Marcadores:
Aldeota Shopping,
Boteco Praia,
Fortaleza,
Gran Marquise,
Outubro Rosa,
Picanha do Cowboy,
Praça Portugal,
Praia de Iracema,
Praia de Meireles,
Praia de Mucuripe
sábado, 6 de novembro de 2010
FORTALEZA - DIA 1: JANTAR ESTRELADO
Não esperamos o amigo que faltava chegar de Brasília, pois tivemos informações de que seu voo estava atrasado. Resolvemos pegar dois táxis para jantar no restaurante Colher de Pau, no bairro Varjota. Ao chegar, deparamos com um local lotado, com música ao vivo em volume alto. Queríamos jantar e ali o clima era de bar. Lembramos que na região fica o único restaurante estrelado no Guia Quatro Rodas 2011 na cidade. Pedimos informação para uma mulher que entregava filipetas na calçada. Ela nos indicou a direção, exatamente a duas quadras de onde estávamos. Chegamos cedo no restaurante Vojnilô (Rua Frederico Borges, 409, Varjota). Mesa para cinco. Apenas uma mesa estava ocupada. Para matar a fome e o mau humor de um dos integrantes do grupo, pedimos duas entradas: um polvo assado na brasa com pimentões, cebola, alho e azeite, e dois brochettes de sirigado. Ambos estavam divinos. Como prato principal, a maioria pediu a especialidade da casa, a Paella Vojnilô, ou seja, uma paella com lagostas, camarões, mexilhão e arroz com açafrão (cúrcuma, na verdade). Como não estou podendo comer crustáceos, pedi a Paella Madri, sem nenhum frutos do mar ou peixe. Frango, linguiça e costela de porco eram os ingredientes da minha paella. Bem molhada, ela estava maravilhosa. Para acompanhar os pratos, vinho branco. Primeiro foi um sauvignon blanc chileno chamado Leyda e depois um português Esporão. Deixei ambos os vinhos nas taças, provando mais uma vez que tenho certa aversão a vinho branco. Com relação às taças, o amigo estressado, ao ver o tamanho das taças que colocaram em nossa mesa, logo perguntou se havia taça maior, pois não gostava de beber vinho branco em taças pequenas e de boca mais fechada. Prontamente o garçom trocou todas as taças colocadas na mesa por modelos maiores. Depois de 21 horas, todas as mesas do restaurante estavam ocupadas. Era fácil notar quem era turista e quem era da cidade. Os turistas estavam vestidos mais à vontade, muitos com bermudas e chinelos (quatro de nós cinco estavam assim), enquanto os locais estavam com roupas mais sóbrias. O serviço é muito bom, com atendimento caprichado. O mesmo vale para a composição dos pratos, todos individuais, que são muito bem servidos. O forte da casa são os frutos do mar. O cardápio é enxuto, mas com opções para quem não gosta ou está enjoado de comer peixes. Corroborando o bom serviço, foram rápidos ao solicitar dois táxis para nos levar de volta ao hotel. Ótima primeira noite em Fortaleza. Hora de dormir.
FORTALEZA - DIA 1: CALOR E DESCANSO
Fomos de carro para o Aeroporto de Brasília. O preço do estacionamento empata com a corrida de táxi casa-aeroporto-casa. Optei, então, pelo mais cômodo e prático. Check in rápido no balcão da TAM. Salas de embarque lotadas. A chuva caía devagar e continuamente na cidade. Embarcamos às 11 horas, horário previsto para a decolagem. No avião, após meia hora do término do embarque, o comandante informa que haveria um atraso de mais meia hora. Dito e feito. Decolamos uma hora depois do previsto. O voo transcorreu normal. Como estou tomando remédio para regular a pressão arterial (ela insistiu em ficar alta nos últimos dias), a ida ao banheiro do avião por mais de uma vez foi inevitável. Durante o trajeto, devorei mais de cem páginas do livro O Símbolo Perdido, de Dan Brown. Já em solo cearense, as nossa malas foram uma das primeiras a aparecer na esteira. O aeroporto estava cheio de colegas de trabalho, uma vez que o encontro anual da categoria acontece em Fortaleza a partir deste domingo. Comprei uma corrida de táxi até o bairro de Meireles, onde está situado o hotel onde estou hospedado: Mercure Meireles (Rua Joaquim Nabuco, 166, Meireles). Pedi e nos concederam um apartamento em andar alto, no décimo oitavo andar, com vista parcial e lateral do mar. Desfizemos as malas rapidamente, pois a fome apertava. O restaurante do hotel fechava às 15 horas e o relógio já apontava para mais de 14 horas. Eu e Ric fomos os primeiros a chegar no hotel, por isso decidimos almoçar no restaurante do próprio hotel, o Cemoara. Escolhemos uma mesa perto das paredes envidraçadas, o que possibilitava ver quem chegava ao hotel. Só havia nós dois no restaurante. Logo nos ofereceram o couvert, que aceitamos de bom grado para enganar a fome. Fiquei com a sugestão do chefe, um prato chamado Encontro com as Estrelas: filé de pescada, camarões e cauda de lagosta, todos grelhados, em uma cama de tomate seco, com arroz branco de acompanhamento. Enquanto aguardávamos os pratos, um dos amigos chegou ao hotel. Ele já estava no Ceará desde a última segunda-feira, no interior, em casa de parentes. Ele se juntou a nós para almoçar. Os três pratos chegaram à mesa ao mesmo tempo. Meu prato veio bem montado, ao estilo nouvelle cuisine, com uma boa aparência. Terminei o prato com a certeza de que realmente carne de lagosta não me atrai muito. O melhor de todos era o filé alto de pescada grelhado. O tomate seco não era tão ácido como de costume. O prato é caro para o que oferece. Terminado o almoço, resolvemos ir ao supermercado Pão de Açúcar para abastecer os quartos com água e snacks. Quando estávamos no lobby do hotel, resolvi ligar para dois amigos que estavam atrasados. Eles atenderam, dizendo terem acabado de chegar, depois de um atraso considerável de mais de uma hora para a partida de Brasília. Pediram para esperar. Ficamos mais de meia hora na espera. Eles chegaram foribundos com a volta que o taxista deu do aeroporto até o hotel. Pegaram um táxi comum para economizar e acabaram pagando mais caro pela corrida. Enquanto paguei o peço de tabela - R$ 36,00, eles pagaram R$ 42,00 no taxímetro. Um deles estava fora de si, xingando até a última geração do motorista que os levara até ao hotel. Esperamos eles fazerem o check in, deixarem as bagagens no apartamento e descerem para irmos ao supermercado. Fomos a pé, já sem sol, no final de uma bela tarde. Como sabíamos o que compraríamos, gastamos pouco tempo para comprar água, biscoitos, iogurtes e alguns snacks para a hora da fome. Voltamos para descansar um pouco. Ainda falta chegar um amigo. À noite, nos reuniremos para um jantar na Terra do Sol.
CEARÁ
Sábado com chuva em Brasília. Vou para Fortaleza, Ceará. Malas prontas. Já almoço na Terra do Sol.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
MAIS ANIVERSÁRIO
E não acabaram as comemorações. Na noite de quinta-feira, uma festa surpresa me aguardava em casa. Comida árabe, vinho tinto, refrigerante, suco, bolo decorado. Foi ótima surpresa, com a casa florida e cheia de amigos. Um belo presente dado por Ric.
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
AINDA MEU ANIVERSÁRIO
Hoje teve comemoração no meu trabalho. Houve uma pequena festa para celebrar os 47 anos que completei no último domingo. Fanta Uva foi a sensação. Lembrei-me da minha infância, onde reinava nas festas de crianças o Guaraná Alterosa.
O marasmo pós-eleitoral imperou hoje em Brasília.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
MANAUS - DIA 4: OUTRO QUARTO
Depois de reclamar por mais de uma vez, esperando duas horas e meia para ser atendido, um empregado da manutenção do hotel foi até o quarto verificar o vazamento do ar condicionado. Demorou uns vinte minutos, conseguindo parar a goteira. Fomos nos reunir com todos do grupo no quarto ao lado para troca das fotos. Como todos trouxeram seus notebooks, já baixamos as fotos tiradas nas diversas máquinas para cada um de nossos computadores. Ficamos com preguiça de sair para lanchar. Decidimos comer um sanduíche no bar do lobby do hotel mesmo. Enquanto esperávamos o lanche ficar pronto, a conversa girou sobre política e o governo da presidente eleita, Dilma Rousseff, além de temas que envolviam amizade e ficar pobre. Dois amigos iriam voltar para Belo Horizonte no início da manhã do feriado de Finados. Assim, já nos despedimos quando voltamos para os respectivos quartos. Ao chegar no meu quarto, verificamos que o ar condicionado não refrigerava, apenas ventilava. Ligamos para reclamar novamente. A opção nos oferecida foi a troca de quartos, pois já não havia ninguém da manutenção no hotel (um hotel deste nível deve ter alguém para eventuais problemas durante as 24 horas do dia). Dissemos que seria um transtorno muito grande trocar de quarto, pois nossa saída se daria no final da manhã desta terça-feira. Não queríamos colocar tudo nas malas, levá-las para o novo quarto, para lá se instalar. Disse que um desconto na diária seria mais viável. Em minutos, ligaram novamente dizendo que encontraram uma solução. Nos dariam a chave do quarto ao lado, que estava vazio e com o ar funcionando, para dormir, sem necessidade de levar nossos pertences. Ficamos com as chaves dos dois apartamentos. Não levamos nada, apenas nossos corpos para dormir. O ar funcionava normalmente. Por volta de oito horas da manhã, a porta de nosso quarto se abre. Era a camareira que estava checando os quartos vazios. Levantamos e voltamos para o quarto inicial, onde estavam nossas coisas. A camareira ainda estava no corredor. Ela nos pediu desculpas, dizendo que na sua planilha constava a informação de que o quarto estava livre. Contei o que havia acontecido e ela nos pediu novas desculpas. Disse a ela que o quarto estava liberado a partir daquele momento. Resolveram nosso problema com o ar, mas esqueceram de lançar no sistema que o quarto fora ocupado. Mais uma falha do hotel Park Suites Manaus. Uma sucessão de erros tem ocorrido desde que chegamos. Fica a pergunta: é assim que Manaus recebe os seus turistas, nacionais e estrangeiros? É assim que o Amazonas está se preparando para ser uma das sedes da Copa do Mundo de 2014? Falta muito ainda para chegar em um nível razoável.
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
MANAUS - DIA 3: TEATRO AMAZONAS
Conforme combinado, todos se encontraram no restaurante do hotel para o café da manhã. Mais um passeio estava contratado: city tour em Manaus. Depois do café, já no lobby do hotel, hora de negociar o preço do passeio do dia. Inicialmente com valor de R$ 80,00 por pessoa, o preço baixou para R$ 65,00. Os amigos responsáveis pela negociação alegaram que o passeio do domingo não foi completo, pois pagamos para ver três coisas e só vimos duas. Negócio fechado, entramos na van. O guia era o mesmo do dia anterior. Ele nos levou direto até o Teatro Amazonas, inaugurado em 31 de dezembro de 1896. Já conhecia este teatro, mas me surpreendi com a restauração que foi feita no entorno. As casas de construção histórica estão preservadas, todas pintadas com cores fortes. A Praça São Sebastião está recuperada, com sua famosa fonte representando os continentes que negociavam a borracha na época de ouro da cidade de Manaus. Tal fonte está sendo reformada. O piso da praça é feito de pedras portuguesas com desenho semelhante ao do Calçadão de Copacabana, no Rio de Janeiro. Enquanto aqui o contraste do preto com o branco simboliza o encontro das águas do Rio Negro com o Rio Solimões, no Rio de Janeiro, simboliza as ondas do mar de Copacabana. O desenho de Manaus é mais antigo do que o do Rio de Janeiro. Conhecemos a estrutura do teatro pelo lado de fora, dando a volta completa ao redor da construção, com pausa para tirar fotos do prédio que fica nos fundos do teatro, o Centro Cultural Palácio da Justiça. As visitas ao interior do teatro são guiadas. O valor da entrada já estava incluído em nosso pacote. Eram 10:20 horas e a próxima visita estava marcada para 11 horas. Aproveitamos o tempo para entrar na Catedral de São Sebastião na praça de mesmo nome. É uma catedral de duas torres, mas só possui uma delas. As torres foram construídas fora da cidade, sendo transportadas de barco até Manaus. O barco que carregava uma das torres afundou, levando para o fundo do rio a segunda torre. A melhor foto do Teatro Amazonas é tirada da esquina da catedral. Pausa para entrar em uma loja de souvenir, tomando uma providencial água. O tempo estava abafado. Na hora marcada, voltamos ao teatro para a visita interna. Esta visita durou em torno de quarenta minutos. Começamos conhecendo a plateia, com cadeiras forradas de veludo. Tais cadeiras são da década de setenta, época em que o sistema de ar condicionado foi instalado no interior do teatro. Antes eram usadas cadeiras com encosto e assento de palhinha. Há um exemplar desta antiga cadeira em uma das salas visitadas no segundo piso. No momento de nossa visita, a Orquestra de Câmara local estava ensaiando, motivo pelo qual as explicações do interior foram dadas posteriormente. As fotos são permitidas, desde que sem uso do flash. O pano de boca do teatro tem 15 metros de altura e sua pintura retrata a mudança do Império para a República no Brasil. Para não prejudicar a sua pintura, o pano sobe reto sem ser dobrado ou enrolado. Há 22 máscaras idênticas nas colunas internas do teatro, representando as artes dramáticas. Abaixo de cada máscara, nomes de compositores, escritores e dramaturgos famosos, tais como Verdi, Shakespeare, Racine, Bethoveen e Mozart. No teto, uma curiosa pintura da base da Torre Eiffel. Se olhamos de baixo para cima, é como se estivéssemos embaixo da famosa torre de Paris. O tour continua no segundo piso, quando podemos conhecer os diversos camarotes do teatro. A capacidade deste teatro é de 701 pessoas. Seguimos para o Salão Nobre, onde não se entra com sapatos. Pode-se ficar descalço ou usar as pantufas que o teatro disponibiliza. O salão é pequeno e era usado pelos barões da borracha para festas e bailes entre os atos das óperas. O seu piso é todo em marchetaria, com colunas de gesso com pinturas imitando o mármore. Mármore de carrara apenas na base das colunas e mármore rosa francês nos portais de entrada para o salão. Há dois espelhos localizados nas paredes laterais que dão sensação de profundidade infinita ao espaço. Há dois pequenos espelhos na base que eram usados para os cavalheiros verem os calcanhares das damas quando rodopiavam nos bailes da época. Era a única parte do corpo feminino que conseguiam ver de relance. Há pinturas que enaltecem as riquezas da Amazônia nas paredes. Uma pintura representa um dos atos da ópera O Guarani, de Carlos Gomes. Diga-se de passagem, embora haja um busto de Gomes no teatro, ele morreu antes da sua inauguração. Saindo do Salão Nobre, fomos para as duas salas laterais. A direita era utilizada pelo público masculino. Uma bela escada de ferro era usada pelos homens para dar uma escapada nos intervalos das óperas, indo aos cabarés localizados perto do teatro. Enquanto isto acontecia, o público feminino ficava na sala da esquerda, onde há uma linha histórica do teatro, além de alguns objetos e figurinos de óperas encenadas no teatro. Não há escada nesta sala. Às mulheres, restava ficar olhando pela janela. Em frente, a catedral. O sagrado e o profano se encontravam nos intervalos das óperas. Com a derrocada da borracha, as óperas cessaram em 1925, com o fechamento do teatro. Ele viria a ser reaberto trinta anos depois, mas as óperas só voltaram a ser encenadas no Teatro Amazonas em 1997, quando o Festival de Ópera do Amazonas teve seu início. Hoje, treze anos depois, este festival está totalmente consolidado nacional e internacionalmente. Além dele, outros quatro festivais acontecem anualmente no teatro: de jazz, de dança, de artes cênicas e de cinema. Este último começa neste mês de novembro. A guia do teatro é segura, bem informada e muito solícita ao responder dúvidas e questões dos visitantes. Há uma lojinha de souvenir que poderia ser mais sortida, ter mais opções, mas já é um avanço, pois vários locais de interesse turístico no Brasil não possuem este tipo de loja. Turista adora comprar lembranças dos locais visitados. Voltamos para o carro, indo para o Porto de Manaus. Parada rápida, apenas para seguir a passagem até o local onde há um restaurante e ver o porto flutuante. Muita sujeira embaixo. Com a seca, esta sujeira fica mais evidente. Do alto, vemos as ruas nas proximidades do porto inundadas de barracas de camelô. Um verdadeiro shopping popular a céu aberto. De volta ao carro, fomos para o mercado da cidade. Passamos em frente à Feira da Banana e paramos na entrada onde estão as bancas que vendem os peixes amazônicos. O cheiro não é dos mais agradáveis, nem há um primor de limpeza, mas foi interessante ver alguns peixes sendo limpos para venda, como o pirarucu, o tambaqui, a piranha, o tucunaré e o cará. Saímos do local, passamos perto da antiga construção do mercado toda em ferro vindo da Europa, que está fechado para reformas. Todos os feirantes estão com suas barracas montadas do lado de fora da construção de ferro. Não vimos as frutas locais. Continuo sem gostar de mercados e feiras. A próxima parada foi o Palácio Rio Negro, hoje convertido em um centro cultural do Estado do Amazonas. Estava fechado para visitação, uma vez que hoje é ponto facultativo para os servidores públicos estaduais. Ficamos apenas na rampa de acesso, mesmo com o vigia dizendo que não podíamos ficar ali. O guia deu algumas explicações sobre a construção do início do século passado, hoje em cor amarela. No jardim, um exemplar do pau-brasil. Vimos também um antigo igarapé transformado em um belo jardim ao lado do Palácio Rio Negro. Esta foi a última parada de nosso city tour. Tínhamos acertado que o pacote incluiria a parada em um restaurante para, só depois do almoço, a van nos levar de volta ao hotel. Paramos na indicação da responsável pela empresa de turismo onde compramos todos os passeios: a Churrascaria Búfalo (Rua Pará, 490, Conjunto Vieira Alves - Nossa Senhora das Graças). Duas entradas, duas opções: um self service, mais simples e mais barato, e um rodízio, em local mais aprazível. Ficamos com a segunda opção. Cortes de carnes como em qualquer churrascaria. O diferencial foi o tambaqui na brasa, além do pirarucu à casaca, disponível no buffet. Pedi um tiramissú de sobremesa. Apenas correto, faltando um toque mais molhado na massa. Como em qualquer churrascaria, a conta foi salgada. Voltamos para o hotel, passando ao lado da construção da Arena da Amazônia, um dos estádios em construção para a Copa do Mundo de 2014. Também passamos em frente ao sambódromo da cidade. No quarto, encontramos o chão alagado, devido a um vazamento no ar condicionado. Reclamação feita, veio uma camareira trocar as toalhas. Não entenderam a reclamação. Um balde foi colocado para evitar que a água escorresse pelo chão, mas o barulho da goteira ficou irritante. Desligamos o ar, esperando que alguém da manutenção aparecesse.
MANAUS - DIA 2: RIO NEGRO
O domingo foi quente, calor úmido, com sol castigando nossos corpos. Compramos um passeio de dia inteiro pelo Rio Negro, incluindo uma van para levar o grupo a um local de votação para que fizéssemos a devida justificativa de ausência em nossas zonas eleitorais. Logo cedo, todos já estavam a postos no lobby do hotel, onde já nos esperava um guia e o motorista da van. Justificamos nossa ausência eleitoral em um colégio público. Foi muito rápido, pois já tínhamos os formulários preenchidos previamente, embora três tiveram que preencher novo formulário no ato da justificativa. Do tal colégio, paramos em uma agência do Banco do Brasil para alguns efetuarem saque, já que o passeio somente poderia ser pago em dinheiro. Foi o bastante para uma brincadeira que partiu daqueles que não sacaram dinheiro: nós precisamos sacar, pois deixávamos o dinheiro em conta corrente para fazer saldo médio. Hilária esta observação, que nos remeteu em épocas de inflação galopante no país. Voltamos ao hotel, pois o nosso barco tinha como ponto de partida o pier do decadente Hotel Tropical Manaus. O barco era tipo as voadeiras que navegam no Rio Preguiças, nos Lençóis Maranhenses. Era pequeno com lugar para dez pessoas: nosso grupo de oito, o guia e o barqueiro. O barco tinha o singelo nome de Lady Sylvia. O passeio, que custou R$ 300,00 por pessoa, incluía três visitas: o arquipélago fluvial de Anavilhanas, nadar com botos cor-de-rosa e conhecer o hotel de selva Ariaú Amazon Towers. Gastamos quase uma hora e meia para chegarmos a uma pequena balsa flutuante no Rio Negro que estava lotada de turistas nadando e tirando fotos com os sempre mansos botos cor-de-rosa. Nosso guia achou melhor deixar os botos para depois. Ali, fizemos uma rápida troca de barco, pois o nível da água não permitia que o barco em que estávamos seguisse até o hotel. Entramos em uma canoa pequena, com um motor controlado por um barqueiro do hotel. Fomos em direção à margem para pegar um canal entre a floresta. Chegando perto do canal, encalhamos. Pediram para que balançássemos o barco de um lado para o outro. Fizemos, inicialmente, totalmente sem sincronia. Foi preciso um comando de um dos amigos, que gritava esquerda e direita, para que o barco se balançasse. Foi em vão nosso esforço. O barqueiro teve que entrar na água e empurrar a canoa até que ela ficasse livre novamente. Entramos no canal do Rio Ariaú. A água estava muito barrenta e era bem raso. A canoa teve que subir vagarosamente para não encalhar novamente. No caminho, apreciando a paisagem, vimos onde a água costuma atingir em época de cheia. É impressionante a altura que a água chega. Muitas árvores enormes ficam totalmente submersas. Vimos muitos pássaros no caminho, com plumagens coloridas e tamanhos diversificados. Gavião, pato selvagem, pica-pau, canarinho, entre outros, voavam entre as árvores da floresta, exuberante, à nossa frente. O sol castigava. Fiquei, em alguns momentos, refletindo sobre aquele domingo, especial para mim, por ser meu aniversário. Nunca tinha passado um aniversário tão diferente. O trajeto até a escada de madeira que dá acesso ao hotel durou cerca de quarenta e cinco minutos. Desembarcamos em um pequeno pier flutuante. Subimos as escadas, ávidos por uma sombra. Logo ao final da escada, a entrada para a primeira torre de madeira, onde ficam os quartos do hotel. Fomos recebidos por um bando de macacos pequenos. Entre as torres de madeira, várias passarelas, na altura da copa de algumas árvores, fazem a ligação entre as torres e as atrações do hotel. Nestas passarelas, vimos macacos maiores nos galhos das árvores. Chegamos na área da piscina. Achei decepcionante. A piscina é pequena, com uma escultura de cobra gigante e dois botos de gosto duvidoso. Esta piscina é de fibra de vidro. O calor era intenso. Quase todos tomaram uma chuveirada e entraram na tal piscina. Chegamos na hora do almoço. Assim, tivemos um tempo curto para descansar. Pedimos toalhas na recepção do hotel, nos enxugamos, subindo, em seguida, para almoçar. O almoço já estava incluído no pacote, com exceção das bebidas. Era um bem montado buffet, com comida simples para agradar a todos. O prato da culinária local era o pirarucu. O ambiente é bem rústico, com grandes mesas em madeira e bancos as ladeando. Saciamos nossa fome, mas a comida não tinha nada de excepcional. Terminado o almoço, voltamos para a área da piscina, onde tiramos fotos com tucano, papagaio e arara. Fomos levados a um quarto standard recentemente reformado. O cheiro da madeira era muito forte, parecia o que chamamos de pau-bosta. O quarto é simples, sem televisão. É para ficar totalmente em sintonia com a natureza. Do quarto, foi a vez de conhecermos a boate do hotel, onde há um aquário com peixes da região, como o tambaqui e o pirarucu. Para chegar à boate, passamos por uma passarela para conhecermos o local de desembarque dos hóspedes e visitantes em época de cheia, além de vermos o heliponto. Continuamos a andar pelas passarelas até uma escada que nos levava para a copa de uma árvore enorme. Era uma das suites, chamadas de Casa do Tarzan. Apenas quatro subiram as escadas. Eu fui um deles. O quarto é maior, com televisão. Também não gostei. Em outra árvore está uma suite presidencial, batizada com o nome de Luís Inácio Lula da Silva. Ao final da passarela, chegamos ao local de embarcar novamente na canoa. Tivemos que descer um barranco, o que foi ruim para um dos amigos que está usando uma bota ortopédica (ele teve um dos ligamentos do tornozelo rompido antes da viagem). Quando chegamos no pier flutuante, tivemos a surpresa de não haver barqueiro para nos levar. O nosso guia telefonou pedindo ajuda. Subimos novamente as escadas de madeira para esperar na sombra. Enquanto aguardávamos, vários barqueiros apareceram, mas diziam que não podiam nos levar. Mais um sinal da qualidade da prestação de serviços por aqui. Não há um compromisso com a qualidade desta prestação de serviços. Mesmo com toda beleza e exuberância da natureza, um serviço ruim acaba comprometendo o turismo. Enquanto nós estávamos esperando, o guia pegou uma vara de pescar e, em segundos, já pescava uma piranha. Passada meia hora, um grupo de estrangeiros desceu as escadas, nos cumprimentou amavelmente, e foram para o pier. Neste momento, o barqueiro que nos levara atracou a canoa. Nosso guia nos chamou. Entramos no barco. Uma breve discussão foi travada no local entre nosso grupo e o grupo de estrangeiros. Eles queriam a canoa para eles. Dissemos que estávamos esperando há mais tempo. Pediram para quatro pessoas também seguirem em nossa canoa. Dissemos que a canoa já havia encalhado quando da nossa ida ao hotel, que não havia colete salva-vidas para as novas pessoas e que a segurança vinha em primeiro lugar. Achei interessante a reação do grupo estrangeiro, pois não ficaram satisfeitos, insistindo na tal "carona". Já não eram tão amáveis quanto nas escadas. Não cedemos e pedimos para o barqueiro seguir rio abaixo. Nosso guia ficou calado o tempo inteiro. Deixou a decisão e a discussão para nós. Este bate-boca, em inglês, diga-se de passagem, me fez fazer uma reflexão: caso déssemos a carona pedida e houvesse um acidente que machucasse alguém, os estrangeiros seriam os primeiros a irem para a imprensa internacional se queixar da segurança nos serviços de turismo no Brasil. Não é só brasileiro que tenta dar um jeitinho... Quanto ao hotel, coloquei um X. Tinha curiosidade em conhecê-lo, mas não me agradou. Achei feio, além de desconfortável. Também tive a impressão de que a natureza é constantemente agredida com a sua presença. Sentimos forte cheiro de esgoto, por exemplo, enquanto ficamos à espera de uma canoa. A volta foi mais rápida, não só porque estávamos a favor da correnteza, mas também porque o motor utilizado era um com hélice menor, facilitando a sua retirada da água quando em águas rasas ou no encontro de troncos de árvores e outros obstáculos. Ao sairmos do canal, encalhamos novamente, mas, desta vez, o balançar dos nossos corpos foi suficiente para a canoa voltar a se mover. No entanto, o combustível terminou, mas já estávamos em uma posição no Rio Negro que permitiu que nossa voadeira encostasse na canoa, possibilitando nossa passagem de um barco para o outro. Já na voadeira, fomos para o pier flutuante, onde se nada com os botos. Um funcionário do Ariaú nos acompanhou o tempo todo. Ele joga peixes para atrair os botos cor-de-rosa. Em questões de segundos, os tais botos já chegam no local. Primeiro um, depois mais dois, ao final, contei seis botos. Na água, junto com o empregado do hotel, somente entram de três em três. Preferi não entrar no rio. Fiquei na borda do pier, vendo os botos se contorcerem no ar para pegar os peixes. Ficamos apenas vinte minutos no local. Já passava das três horas da tarde. Hora de voltar, pois as Anavilhanas não poderiam ser vistas de perto porque o nível do rio estava muito baixo. Vimo-nas, de muito longe, quando iniciamos o passeio. A volta durou uma hora e quinze minutos. A voadeira ia rápido, o que facilitava o balançar mais frequente. Chegamos no hotel no final do dia, vendo o belo por-do-sol no Rio Negro de dentro da sua piscina de borda infinita. A piscina estava lotada e assim ficou enquanto lá estivemos. Subimos para os quartos já de noite. Foi tempo para um banho relaxante, arrumar e descer para o lobby, onde, depois de muito tempo e sugestões, optamos por uma pizzaria para encerrar o domingo e, mais uma vez, comemorarmos o meu aniversário. Seguindo recomendações dos recepcionistas do hotel, fomos para a Pizzaria Carluccio (Estrada Ponta Negra, 6.089 - Ponta Negra). Pedimos dois táxis, mas antes perguntamos o valor da corrida. O motorista que lá estava disse que cobrava o valor do taxímetro. Esperamos o outro táxi chegar para irmos juntos. Entrei no primeiro táxi. Logo um amigo do outro carro nos liga e diz para não esperarmos, pois trocariam de táxi. O outro motorista não quis ligar o taxímetro, dizendo que o valor da corrida era fixo, ou seja, R$ 49,00. Eles não aceitaram e pediram paro o hotel chamar um táxi que ligasse o taxímetro. O valor correto da corrida era R$ 26,00. É a ganância de querer tirar proveito dos turistas. A pizzaria é grande, com pé direito alto, mas peca por ter um telão passando a programação da Globo. Todos pediram esfihas de entrada e três calzones para oito pessoas. Os calzones chegaram primeiro que as entradas. Ponto negativo para o serviço. Ainda não comi em Manaus nenhum prato que pudesse merecer grandes elogios. O calzone estava correto, mas faltava tempero em seu recheio. Faltava personalidade. Nesta pizzaria, o serviço é um pouco melhor do que nos outros locais que já visitamos. Para voltar ao hotel, telefonamos para o motorista que nos levou. Ele nos atendeu prontamente, levando consigo um outro táxi. No hotel, ficamos no lobby conversando, quando pedimos sorvete para refrescar do calor. Pedi sorvete de tucumã. Achei ótimo. Fim do domingo. Fim de um aniversário diferente: nada de lugares sofisticados, restaurantes de primeira e conforto da vida urbana moderna. Foi natureza, simplicidade e muita alegria compartilhada com queridos amigos. A sofisticação deixei para Brasília. No quarto, antes de deitar, fiquei com a sensação de que o chão balançava, reflexo do passeio de barco durante o dia.
domingo, 31 de outubro de 2010
MANAUS - DIA 2: ANIVERSÁRIO NA FLORESTA
Acordei cedo no dia do meu aniversário. Eram antes de seis horas da manhã. 47 anos completados na Floresta Amazônica. Diferente. Estou muito bem. Acordei feliz. Vou fazer mais um passeio pelo Rio Negro, com parada para nadar com botos cor-de-rosa, ver vitória-régia, mais um hotel de selva, desta vez um em construção mais rústica. O calor promete, como sempre.
MANAUS - DIA 1: ENCONTRO DAS ÁGUAS
Acordei cedo no sábado, antes de sete horas da manhã. Aproveitei para ver o Rio Negro da varanda de meu apartamento. Com a seca que assola a região, o rio está em nível muito baixo, deixando uma larga faixa de areia descoberta. Bonita paisagem. Tivemos que tomar café da manhã correndo, pois decidimos fazer o passeio para ver o encontro das águas do Rio Negro com o Rio Solimões. Às 9 horas da manhã a van iria nos pegar no hotel. Para o passeio, que também inclui almoço sem bebidas no Amazon Jungle Palace e visita a uma comunidade indígena chamada Tupé, o preço é de R$ 200,00 por pessoa, mas conseguimos fechar por R$ 180,00. A van atrasou quinze minutos. O trajeto entre o hotel e a marina de onde sai o catamarã Júlio César I é curto. Na entrada do barco, copo de água de cortesia. Ficamos, inicialmente, no andar superior no sol, mas o calor intenso nos fez mudar de ideia e procurar sombra, também no andar superior. O interior do barco é confortável, climatizado, com bar vendendo bebidas. A navegação sobre o Rio Negro, margeando a costa de Manaus, é agradável. Depois de mais de uma hora, chegamos no famoso encontro das águas. É muito bonito ver as águas escutas do Rio Negro não se misturarem com as águas barrentas do Rio Solimões para formar, mais à frente, o Rio Amazonas. Parada para muitas fotos. O nível do rio está 27 metros mais baixo do seu normal. Fizemos a volta e navegamos em direção ao hotel de selva Amazon Jungle Palace. Com o nível baixo da água, tivemos que desembarcar em barcos a motor e caminhar um pequeno trecho até o hotel. Em época de cheia, o catamarã chega até lá. Este hotel tem estrutura moderna e é montada em balsas flutuantes, permitindo que ele suba ou desça ao sabor do volume de água do rio. Havia um jacaré dormindo na margem ao longo do hotel. Almoçamos no restaurante do local. Serviço self service em buffet. Da comida local, apenas farinha e pirarucu grelhado. Nada de excepcional. O serviço de reposição é muito lento, assim também o é o serviço nas mesas. Um simples refrigerante demorava para chegar ao solicitante. Depois do almoço, ficamos perto de meia hora no hotel. Tempo suficiente para conhecer as áreas externas, uma suíte master e tirar algumas fotos. Voltamos caminhando até o local de entrar nos pequenos barcos que nos transportaram para o catamarã. O próximo ponto do passeio era a parada na comunidade indígena Tupé, um pequeno grupo de índios de cinco etnias diferentes que vivem, com autorização, em uma Área de Proteção Ambiental - APA. A visita à comunidade nos permite conhecer um ritual indígena. Por causa da seca, os índios montaram um local provisório para a apresentação mais próxima ao local onde desembarcamos, novamente utilizando pequenos barcos a motor para pisar terra firme. No caminho, um índio e sua filha Melissa (isto não é nome de índio!), devidamente paramentados, nos recebe. A parada para foto é inevitável. Mais uma pequena caminhada, com um clima muito úmido e quente, chegamos suados ao local da apresentação. Duas mulheres da excursão faziam aniversário. Receberam de presente uma saudação indígena. Em seguida, cinco homens e cinco mulheres, todos com vestimentas indígenas, leia-se penas na cabeça, pinturas nos corpos, chocalhos nas pernas, saias de rafta, ramagens nos corpos (e uma sunga cor da pele usada pelos homens), apresentaram a dança das etnias e uma dança de confraternização com os visitantes (alguns são chamados para dançar com eles, mas nenhum do nosso grupo foi agraciado). Ao final, uma pequena feira de artesanato com peças por eles confeccionadas. Embora acredite que tais índios vivam na comunidade, achei meio forçado o uso de roupas que acostumamos a ver nos filmes nacionais, como fantasia de carnaval, pois vi, no próprio local, shorts e saias de uso rotineiro do "homem branco", além de panelas, talheres e caixas de isopor para manter gelada as garrafas de água que vendiam no local. Pareceu-me algo para turista estrangeiro apreciar. Voltamos para o barco para navegação de retorno ao hotel. Pegamos um maravilhoso por do sol no Rio Negro e uma brisa morna que soprava em nossos rostos ao longo do caminho. Chegamos cansados quando o relógio marcava 19 horas. Decidimos ficar um tempo na piscina de borda infinita do hotel (considerada a maior piscina de borda infinita do Norte do Brasil). A água estava morna. A piscina estava cheia. Ficamos por lá por mais de uma hora. Todos decidimos jantar no próprio hotel, pois estávamos cansados para sair e procurar um restaurante. Aproveitaram para abrir um espumante em minha homenagem, já que meu aniversário é neste domingo, Dia das Bruxas e de segundo turno das eleições brasileiras. Mais uma vez, o serviço era buffet em self service. Caro (R$ 55,00) para o que oferece em qualidade e opções. Quatro, entre eles eu, optaram pelo buffet e quatro pediram alguma opção do cardápio. Ao final, nova comemoração, com direito a parabéns pra você, com torta doce e uma velinha para eu soprar. Comemoração simples, mas repleta de sinceridade e de carinho. Obrigado a Ric e a todos os amigos que partilham comigo esta viagem e esta celebração. Hora de voltar para o quarto, pois o domingo será também longo, com justificativa de ausência para votar e novo passeio de dia inteiro pelo universo ecológico da Amazônia.
sábado, 30 de outubro de 2010
CHEGADA EM MANAUS - AMAZONAS
Nosso voo estava marcado para sair de Brasília às 21:45 horas. Fizemos o check in pela internet, dando-nos possibilidade de chegar um pouco mais tarde ao aeroporto. Resolvemos ir de carro e deixá-lo no estacionamento local, pois o custo de quatro noites compensa, uma vez que táxi em Brasília é caro e ruim. Encontramo-nos com os amigos que estão conosco nesta viagem. Todos com apenas bagagens de mão e sentados na mesma fileira. Segundo as telas de informações do aeroporto, o voo da Gol estava no horário. Para minha surpresa, a sala de embarque estava menos cheia do que imaginava, mas a fila para embarcar em nosso voo estava imensa. Usei da prerrogativa de embarque prioritário tendo em vista meu cartão Smiles ser da categoria gold. O avião ficou lotado. O atraso na decolagem levou cinquenta minutos. Estava com fome, mas o serviço de bordo só foi servido após uma hora e quarenta de voo. Batatas fritas e refrigerante. Voo tranquilo, com muita conversa colocada em dia, inclusive sobre o nosso reveillon e a viagem de férias de 2011. O desembarque em Manaus foi rápido. Logo estávamos no saguão do Aeroporto Eduardo Gomes comprando, por R$ 49,00, uma corrida de táxi para o hotel Park Suites Manaus (Avenida Coronel Teixeira, 1.320 A), onde tínhamos uma reserva para o período de 29/10 a 02/11. Precisamos de dois táxis, pois cada um levava, no máximo, quatro pessoas. Éramos seis. Não gosto de vidro escurecido quase 100% nos carros, especialmente em táxi. O carro que pegamos tinha o vidro para lá de escuro, sem quase nenhuma visibilidade. No lado externo, tudo parecia mergulhado nas trevas. A corrida levou uns vinte minutos. No lobby do hotel, check in lento e com problemas, pois localizaram minha reserva apenas para uma pessoa, além de me entregarem uma ficha cadastral previamente preenchida, o que poderia ser útil, se a ficha contivesse meus dados. Eram dados de outra pessoa com o mesmo nome. A recepcionista disse que era só consertar o que estava errado, rabiscando o pré-impresso. Discordei no ato, pois não havia erro em relação aos meus dados pessoais. Eram dados de outra pessoa. Exigi uma ficha em branco para preenchimento no balcão, enquanto ela arrumava minha reserva, nos moldes que estava na confirmação enviada pelo grupo que controla o hotel. Disse que, além do e-mail impresso, eu havia ligado mais cedo para confirmar tudo, obtendo resposta positiva com o setor de reservas do hotel. Feito o check in, malas no quarto, descemos para jantar. Triste ilusão, pois já passava de meia noite. Todos os restaurantes da cidade, incluindo o do hotel, já estavam fechados. Entre o room service e o bar do lobby, preferimos o segundo. Pedimos nosso drink cortesia, recebido no ato do check in, e seis sanduíches. Depois de uma longa espera, quatro enormes sanduíches chegaram à mesa. O garçom entendeu mal, anotando apenas quatro pedidos. Foi melhor o erro, pois os sanduíches beirutes eram enormes, possibilitando a todos saciarem a fome e ainda sobrar. Depois de quase duas horas no lobby do hotel, subimos para os quartos. Era hora de dormir, pois um longo sábado nos aguardava, quando nos encontraríamos com mais dois amigos, completando o grupo de oito pessoas em passeio por Manaus. No quarto, ainda tive um contratempo, pois o vaso sanitário estava entupido, não dando vasão à água. Eu mesmo desentupi, jogando baldes de água, até a vasão ficar normal. Utilizei como balde o próprio cesto de lixo do banheiro. Cansado, foi deitar na cama e dormir.
Assinar:
Postagens (Atom)
