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sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

CITY TOUR NA CIDADE DO CABO



Conforme combinado, nosso city tour começou às 14:30 horas, saindo de frente do hotel Victoria & Alfred, que fica no Waterfront. Contratamos o serviço junto à Samsara Africa no dia anterior. Tour privativo para nós três em uma van muito espaçosa, com guia e motorista. O motorista falava só inglês e se chamava Mark, enquanto a guia era Sofia, uma moçambicana residente em Cape Town. Quando entramos no carro, ela nos perguntou o que queríamos ver, onde queríamos ir. Considero este tipo de pergunta inadequada, pois o serviço contratado era um city tour de quatro horas. Era mais apropriado ela dizer o mais comum de se ver neste tempo, se estava bom para nós. Ninguém ali sabia direito quais eram os pontos mais importantes do ponto de vista turístico para se conhecer em quatro horas. Tínhamos uma noção apenas. Falamos que queríamos ver os pontos de interesse turístico, lembrando que o combinado era terminar, após quatro horas de city tour, ao pé da Table Mountain, onde ficaríamos por nossa conta. Sofia, então, disse, em linhas gerais, o que veríamos. A seguir, os locais por nós conhecidos naquela tarde de 01º de janeiro de 2014.
Castelo da Boa Esperança (Castle of Good Hope) - a construção mais antiga existente em Cape Town, onde funciona uma base militar do exército e um museu. Por ser feriado, estava fechado para visitação. Descemos da van para fazer algumas fotos de seu exterior. Na praça em frente, fica a prefeitura da cidade, cujo prédio é do início do Séc. XX. Da sacada deste prédio Nelson Mandela fez seu primeiro discurso à nação depois que foi solto da prisão, em 1990.
Distrito 6 (District Six) - é um bairro cuja população de origem escrava foi removida de suas casas na época do apartheid. As casas foram destruídas, mas nada foi levantado no lugar. Pouca coisa restou, como os templos religiosos, alguns prédios, uma escola técnica onde hoje funciona uma universidade. Há um museu neste bairro que conta esta história, mas como iríamos conhecer o Museu do Apartheid em Joahnnesburg, não quisemos parar. Hoje, o governo começa a devolver os terrenos para os antigos proprietários em um programa de construção de moradia popular.
Hospital Grote-Schurr - só passamos em frente a este hospital onde foi realizado o primeiro transplante de coração do mundo.
Jardins da Companhia Holandesa das Índias Orientais (Company's Gardens) - outro local onde só vimos de dentro do carro. Sofia disse que o local estava degradado e sem conservação, embora o movimento estivesse grande naquela tarde de sol quente. O jardim ocupa uma grande área em bairro próximo ao centro da cidade.
Bo-Kaap - uma das áreas residenciais mais antigas da Cidade do Cabo, também é conhecida como Malay Quarter. Suas casas são pintadas com cores fortes, vibrantes, lembrando as cores do Caminito, em Buenos Aires, ou as das construções do Pelourinho, em Salvador. Embora vivam pessoas de várias origens e credos, o bairro é associado à comunidade muçulmana da cidade, especialmente os descendentes dos escravos malaios. Ao passar em uma das ruas do bairro, notamos um movimento festivo. Era uma espécie de carnaval. Descemos para conferir a festa. Um bloco descia a rua com seus integrantes fantasiados de forma igual, com forte pintura no rosto e uma fanfarra tocando um som dançante. Na cabeça de muitos dos participantes do bloco uma sombrinha muito parecida com as utilizadas no carnaval de Recife/Olinda. Até a música lembrou o carnaval brasileiro. Dançamos um pouco, posamos para fotos, tiramos fotos com um integrante da velha guarda do bloco e seguimos adiante.
Gay Quarter - logo depois de Bo-Kaap, passamos pela área gay da cidade, quando Sofia nos disse que a Cidade do Cabo é a cidade mais gay-friendly do continente africano. Suas ruas são cheias de bares, restaurantes e lojinhas descolados.
Cape Town Stadium - paramos nas imediações do estádio construído para a Copa Fifa 2010, quando tiramos algumas fotos.
Praias - passamos novamente por algumas praias que já tínhamos visto na manhã do dia anterior. Na parte da tarde, com o sol bem mais forte, estavam lotadas. Continuei a achar graça na parede humana que se formava em frente ao mar. Mesmo com muito calor, era raro ver alguém se arriscar a nadar nas águas geladas do Oceano Atlântico. Outro fator que desestimula um mergulho é o vento forte que torna o mar bravio. Subindo em direção a Signal Hill, em uma espécie de belvedere, descemos da van para tirar algumas fotos, tendo os picos conhecidos com 12 Apóstolos como cenário.
Signal Hill - é uma colina de onde se tem uma das mais belas vistas da Table Mountain. Há, inclusive, uma moldura amarela enorme onde todo mundo faz pose para se enquadrar na foto tendo a famosa montanha como background. Na estrada que conduz a Signal Hill, vimos o acesso a um pico visto de várias partes da cidade chamado Lion's Head (Cabeça de Leão). Até hoje tento enxergar uma cabeça de leão nele e não consigo. Neste mesma estrada, em uma curva aberta, muitos carros param encostados ao alambrado, pois dali se sem uma excelente vista do estádio de futebol. Fizemos o mesmo, mas sem descer do carro.
Assim que terminou a visita a Signal Hill, fomos para a Table Mountain. Tínhamos apenas duas horas e meia de tour. Achamos estranho, mas nada dissemos. Não sei se a guia não tinha entendido que a Table Mountain não faria parte de nosso city tour. Na verdade, não estávamos gostando muito da nossa guia. Chegamos ao pé da Table Mountain perto de 17 horas. Já tínhamos ingresso comprado, via internet, ainda no Brasil. Pulamos, pois, a fila da bilheteria, seguindo direto para a que se formava para entrar no teleférico que nos conduziria ao topo da montanha. Sofia desceu, dizendo que daria toda a assistência até a nossa entrada no teleférico. Uma fila de táxi no local nos tranquilizou quanto a nossa volta. Pagamos a ela o preço combinado com Tiane pelo city tour, ou seja, U$ 250. Quando estávamos na fila, ela nos disse que poderia subornar um funcionário do local para a gente entrar como cadeirantes em uma acesso exclusivo para pessoas com deficiência. Fingi que não escutei aquilo. A partir deste momento, pouco falei com ela. O mesmo fizeram Cláudia e Vera. Pareceu uma coisa natural, que ela oferece sempre aos turistas que conduz. Achei um absurdo. Recusamos veementemente, permanecendo na fila como todos os demais turistas. Ela ficou conosco até entrarmos no teleférico, o que demorou apenas uns vinte minutos. Terminava ali um city tour de 4 horas que durou, com aquela espera na fila, apenas 3 horas. Às 17:30 horas subimos a Montanha Mesa. Achei interessante os pontos que visitamos, mas ficou aquele gostinho de quero mais.



segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

UM PASSEIO PELO LITORAL DA CIDADE DO CABO


Chapman's Bay

Acordei cedo no último dia de 2013. Abri as cortinas da janela do meu quarto no hotel Strand Tower e vi um céu limpo, azul, uma montanha verdejante à minha esquerda e o imponente Cape Town Stadium, construído para a Copa Fifa de 2010, na minha frente, bem ao fundo, com pedacinhos do mar aparecendo. Dia perfeito para um passeio pelo litoral da Cidade do Cabo. E era o nosso programa do dia. Descemos para o primeiro café da manhã da viagem às 7:15 horas. O restaurante, localizado no 2º andar do prédio, estava bem cheio. Já esperávamos, pois o hotel é favorito entre as agências de turismo que organizam grandes excursões de ônibus e, geralmente, é neste horário que a turma costuma tomar o café antes de sair para cumprir o roteiro de viagem. Procuramos um canto mais calmo, à esquerda de quem entra, longe das crianças que faziam muito barulho. Um pianista com uma roupa multicolorida, usando gravata, tocava para animar o ambiente. Era uma figura digna de programa do Chacrinha. Mas o repertório por ele escolhido não tinha nada de animado. O buffet é muito sortido, com variedade de frutas (nenhuma delas por nós desconhecida), pães, frios, ovos, linguiças e panquecas. Ainda havia uma seção só de iguarias asiáticas, além de feijão cozido, arroz, batatas coradas, tomates e outros legumes cozidos. E tem gente que enche o prato de manhã, como se estivesse almoçando. Ficamos no básico: pão, queijo, omelete, suco de laranja e café. Pouco antes das 8 horas já estávamos no hall do hotel, onde Vera reclamou do cheiro, reclamação que foi recorrente no restante dos dias que passamos em Cape Town. Ela achava que o cheiro era de esgoto, mas era o aroma dos produtos de limpeza que usavam no local. Para mim, muito parecido com o perfume masculino da Issey Miyake (que não suporto!). Perguntamos na recepção se a Akilanga tinha deixado alguma mensagem para nós em relação ao tour que eles no ofereceram por terem falhado no nosso traslado no dia anterior, mas nada havia. Tiane do Amaral, o guia que contratamos para o tour pelo litoral, chegou no horário marcado. Muito simpático, se apresentou e nos levou até a van. Ele seria nosso guia/motorista durante todo o dia. A van Hyundai era espaçosa e muito confortável. Como o tour era privativo, nós três, eu, Cláudia e Vera, tínhamos espaço de sobra. Assim que entramos, ele já entregou uma garrafa de água mineral para cada um, dizendo que estava muito quente, com previsão de fazer 38º C no meio do dia. Na maior parte do trajeto, não descemos do carro. Percorremos vias e estradas em direção ao Cabo da Boa Esperança, cujo trajeto durou em torno de duas horas. Ao longo do caminho passamos perto do Cape Town Stadium, hoje um elefante branco, pois o futebol não faz muito a cabeça dos sul-africanos, sendo preterido pelo rúgbi, esporte nacional, e pelo críquete, herança dos ingleses. Segundo Tiane, o que ocupa o estádio são grandes concertos musicais, como os do U2 e de Elton John, um habitué na cidade. A partir do estádio, e sempre à esquerda de quem está de frente para o mar, estão os bairros mais nobres da cidade, com poucos prédios. A maioria é casa e mansão. Venta muito na região, motivo pelo qual o mar parece sempre estar bravio. A água tem uma temperatura de 11 a 12º C no verão. Vimos neste passeio que as praias ficam lotadas de gente, muitas delas em pé junto à água, mas é raro ver alguém nadando. De longe, parece uma parede humana na borda do mar. Gente molhando apenas os pés na água gelada. A primeira praia que vimos foi Three Anchor Bay, onde há uma área de convívio gramada, com aparelhos para ginástica, pista de corrida e uma piscina pública com água do mar. Em seguida, passamos por Rocklands Bay, Boat Bay, Bantry Bay, todas praias com pedras no mar, o que conferia ao local um belo visual. Ao longe, algumas ilhas de pedras habitadas por dezenas de focas, o que significava que também havia tubarões por ali. Ao passar por Clifton Bay, Tiane nos disse que ali era um ótimo local para ver o por do sol, mas não era melhor do que vê-lo do alto da Table Mountain. A próxima praia, Camps Bay, é muito badalada na happy hour, com uma fila de restaurantes e bares na orla. Nesta altura, a vista que se tem dos doze picos conhecidos como Twelve Apostles (Doze Apóstolos) é sensacional. Este conjunto de picos é uma espécie de continuação da famosa Table Mountain. Seguimos em frente, sempre sem parar. Tiane deixou a via ao longo do mar para dar início a uma longa subida, mas, mesmo de longe, conseguimos apreciar a bela paisagem de Sandy Bay. Iniciávamos a subida para Chapman's Peak. Ao entrarmos na Chapman's Peak Drive, que tem uma extensão de nove quilômetros, Tiane nos explicou que aquela estrada é considerada uma das dez mais bonitas do mundo, sendo cenário para vários filmes de ação, como 007, e para comerciais de carros como Mercedes e Porsche. Há pedágio nesta estrada, que é muito bem conservada. Cheia de curvas sinuosas, a vista da direita da rodovia é de tirar o fôlego. Enfim, paramos em um belvedere, quando tiramos fotos da linda baía Chapman's Bay. Ao deixar a estrada, entramos em uma região vinícola chamada Cape Point Vineyards e vimos a primeira favela da África do Sul. Seguimos em frente em direção ao Cabo da Boa Esperança. O guia sempre alertava que tínhamos que chegar mais cedo ao nosso destino porque quanto mais perto da tarde, mais cheio fica o Parque Nacional da Montanha Mesa (Table Mountain National Park). Antes de entrar na estrada que conduzia à portaria do parque, Tiane fez mais uma parada. Desta vez na entrada de uma fazenda de criação de avestruz. Descemos para fotos e tirar a prova dos nove no que diz respeito a atração desta ave por coisas que brilham. Havia um casal de avestruz em um curral bem próximo da estrada. O macho é infinitamente mais emplumado e mais bonito do que a fêmea. Assim que posei para a foto, com meu braço perto da cerca, devidamente protegida por uma tela, a avestruz bicou meu relógio por mais de uma vez. Era a tal atração pelo brilhante. Ainda neste local, uma placa nos chamou a atenção. Ela alertava para o perigo de se alimentar os babuínos locais, chamados chacma baboons. Tiane nos contou que estes babuínos atacavam as casas da região em busca de comida e ficaram, ao longo dos anos, bem agressivos. Ele garantiu que veríamos alguns exemplares no parque. Depois de passar por paisagens deslumbrantes do litoral da cidade, chegamos, enfim, à portaria de acesso ao Cabo da Boa Esperança e ao Cape Point. Mas isto é assunto para outra postagem.