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domingo, 16 de maio de 2010

FILMOTECA ESSENCIAL - BRASIL (03)

Sinhá Moça, décimo primeiro filme feito pela Companhia Cinematográfica Vera Cruz, produzido em 1952/1953 e lançado em maio de 1953. No elenco, a estrela Eliane Lage (Sinhá Moça), Anselmo Duarte (Dr. Rodolfo Pontes), Ruth de Souza (Sabina), Renato Consorte, Marina Freire, Eugênio Kusnet, entre outros. Dirigida pelo anglo-argentino Tom Payne, então marido de Eliane Lage, tendo como co-diretor Oswaldo Sampaio, foi uma superprodução dos anos cinquenta, com sucesso de público e crítica, colecionando prêmios nacionais e internacionais. Versão para a telona do romance de Maria Dezzone Pacheco Fernandes, que colaborou também no roteiro. A história, transposta anos depois para a TV, em novela da Rede Globo com o mesmo nome, é um romance abolicionista. Sinhá Moça (Lage) volta ao interior de São Paulo, depois de estudar na capital, para morar na fazenda de seu pai, um escravocrata convicto. No trem que a leva para a cidade do interior paulista, conhece o jovem advogado Rodolfo (Duarte). Ambos tem uma imediata empatia. Ela chega com ideais abolicionistas, contrastando com a prática de seu pai, que está às voltas com escravos fujões. Às vésperas da abolição da escravatura no Brasil, o romance entre Sinhá Moça e Rodolfo vai se moldando tendo como pano de fundo uma rebelião de escravos, castigos no pelourinho, incêndio, festa em homenagem a São Benedito, caçada dos capitães do mato aos escravos fugitivos, mortes e um julgamento de um negro que se transforma num libelo em favor da liberdade e da igualdade entre todos os seres humanos. Eliane Lage, com uma beleza brejeira, faz uma heroína contida, usando apenas movimentos dos olhos ou da boca para demonstrar seus sentimentos. Já Anselmo Duarte também dá um show, especialmente na cena do julgamento, em que faz o papel do advogado de defesa. Vale destacar uma jovem Ruth de Souza, com poucas falas, mas de uma expressividade facial que nos revela grande emoção. É uma forte interpretação que lhe valeu o prêmio Saci conferido pelo Estado de S. Paulo como melhor atriz coadjuvante. Lage também levou o mesmo prêmio como melhor atriz. Mesmo sabendo como a história termina, há como se emocionar neste excelente filme brasileiro. A cópia disponível em dvd tem problemas no áudio e não há legendas em português, o que pode dificultar entender alguns diálogos, mas não impede a compreensão do enredo.
Para mim, que revi este filme neste domingo, foi mais interessante tê-lo visto depois de ter lido o livro de memórias de Eliane Lage, pois ela dedica um dos capítulos para contar os bastidores da gravação do filme. Cito, como exemplo, a informação de que ela estava grávida de três meses quando rodou o filme, sentindo enjoos frequentes, mas a produção, sem saber o real motivo, creditava tal mal estar ao cheiro do óleo que queimava da locomotiva.
Filme necessário em qualquer coleção de películas nacionais.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

CAIÇARA

Noite de sexta-feira quente no Rio de Janeiro. Cansado, decido assistir ao filme Caiçara (Caiçara), de Adolfo Celi. Produção brasileira de 1950, considerada o primeiro clássico da Companhia Vera Cruz. Estrelada pela bela atriz Eliane Lage, o filme conta a história de uma mulher órfã que vivia em um asilo onde foi buscada por um estranho para se casar. Ela se casa, muda-se para a ilha onde ele morava, mas não se dá bem com o marido, autoritário e com hábitos rústicos. Ela desperta desejo em alguns moradores da ilha, especialmente do sócio de seu marido em um pequeno estaleiro. Ainda há uma preta velha misteriosa que lida com o sobrenatural. A cópia do filme no dvd está muito ruim, com péssima qualidade de som. Há cenas inteiras em que eu não entendia nada. No dvd não há a opção de assistir com legendas, o que poderia ajudar na compreensão dos diálogos. De qualquer forma, foi interessante conhecer este trabalho de 1950, considerado por alguns críticos como a inserção do cinema brasileiro no cenário internacional. Eliane Lage era estreante e levou bem o papel da mulher infeliz no casamento. É claro que ela consegue um grande amor ao longo do filme. O cenário escolhido para o fim pode soar estranho, mas a mensagem que o diretor quis passar de fim e começo de uma vida me pareceu convincente. A melhor cena para mim é um tapa na cara que Marina (Eliane Lage) leva do marido com a câmera focando apenas o rosto da atriz. Não aparece o tapa, mas a expressão facial e o movimento do rosto transmitem para nós, espectadores, a sensação de que houve um tapa. Também gostei muito da cena seguinte ao tapa, quando Marina, com um dos ombros descobertos, se vê no espelho, revelando toda a beleza de Eliane Lage. Apesar dos problemas técnicos do dvd e de certa ingenuidade do roteiro, gostei de conhecer este clássico do cinema nacional.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

ENCONTRO COM UMA ESTRELA DO CINEMA

Há muito tempo sabia que a estrela do cinema nacional da época de ouro dos estúdios Vera Cruz, Eliane Lage, mora em Pirenópolis. Ela fez os filmes Caiçara, Sinhá Moça, Ângela, Ravina e Terra É Sempre Terra. Desta vez, Ric foi a campo para descobrir onde Eliane Lage mora e não foi difícil chegar ao seu endereço. Ele conseguiu o telefone da filha dela, ligou, marcou um encontro no coreto da praça, onde ocorre uma feira de artesanato e lá a filha lhe deu o endereço. Nesta segunda-feira de calor intenso em Piri, depois de uma tentativa de dormir na parte da tarde, nós quatro fomos até a casa da atriz, bem próxima à pousada onde estávamos. A casa estava toda fechada, mas tocamos campainha. Uma simpática e elegante senhora, do alto de seus oitenta anos, abriu a porta. Era a própria. Ela nos convidou a entrar, conversamos um pouco. Perguntamos sobre o livro que escrevera. Falamos da nossa intenção em comprar. Ela disse que escreveu para os filhos e netos, mas que foi bem recebido. Uma editora se interessou e ele foi publicado. O livro é autobiográfico, datado de 2005. Chama-se "Ilhas, Veredas e Buritis". Cada exemplar custou R$ 80,00 (compramos dois). Ela explicou que é caro, pois há muitas fotografias. A capa tem uma linda foto da atriz quando jovem. Ela fez duas singelas dedicatórias nos dois exemplares que adquirimos, um deles para meu amigo Pek. Batemos um breve papo com a presença de uma amiga dela, mineira de Conselheiro Lafayete. Há mais de trinta anos, Eliane Lage mora na pacata Pirenópolis. Antes de deixarmos o papo, registramos o momento em máquina digital.