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sábado, 12 de outubro de 2013

TOTALMENTE INOCENTES

Quando o filme Totalmente Inocentes foi lançado nos cinemas brasileiros, passei batido. Como faço coleção de filmes nacionais, assim que ele foi lançado no formato de dvd, comprei, mas o esqueci largado na estante. Neste sábado, foi o filme escolhido para rodar no meu player. Produção de 2012 dirigida por Rodrigo Bittencourt, tem como uma das produtoras Mariza Leão, a responsável pelos dois filmes De Pernas Para o Ar, sucessos de público quando lançados. Totalmente Inocentes aproveita a esteira dos chamados "favela movies", concentrando sua história em um morro fictício, o DDC, onde a comunidade convive com a guerra para o controle do tráfico de drogas. Mas o filme não segue a violência de Cidade de Deus ou de Tropa de Elite 2, embora se utilize de elementos destes filmes em algumas cenas, uma verdadeira homenagem do diretor a estes dois filmes da recente cinematografia brasileira que fizeram sucesso no Brasil e no exterior. Cartazes de ambos decoram as paredes de casas do DDC. Chupados de Cidade de Deus temos o traveling circular que começa em câmara lenta e termina acelerado, e a perseguição de uma galinha, em uma hilária tentativa frustrada de um roubo desta galinácea. De Tropa de Elite 2 fica o cerco à casa da chefe do tráfico, a invasão do morro pelo BOPE e a utilização de seu subtítulo "o inimigo agora é outro" em uma conversa ao telefone, quando o cartaz do filme de José Padilha é enquadrado ao término da ligação. Também há citações e referências a outros filmes e programas de televisão, como o garoto que anuncia o que acontece no morro em um programa transmitido via internet, em linguagem muito parecida com a saudosa série Armação Ilimitada. A roupa e o andar da Diaba Loura lembram muito as características do personagem do ator espanhol Antonio Banderas no filme A Balada do Pistoleiro. Além de todas estas referências, os efeitos gráficos utilizados com incursões de imagens animadas dão um toque jovial, moderno e leve à história. Mesmo se tratando de um filme que toca em temas pesados como o tráfico de drogas e a violência em torno dele, é uma deliciosa comédia onde se destacam as participações especiais de Ingrid Guimarães, como Raquel, a diretora da revista Taras e Tiros, e de Fábio Assunção, como Wanderlei, o repórter fotográfico desta mesma revista. Ainda na esteira de Cidade de Deus, a participação de Leandro Firmino como o policial Tranquilo, é um contraponto ao seu papel de bandido no filme de Fernando Meirelles. Como seu parceiro, Fábio Lago vive Nervoso. No melhor estilo comédia pastelão, Tranquilo é o nervoso da dupla, enquanto Nervoso é só tranquilidade. Quanto à história, Do Morro (Fábio Porchat, em ótima caracterização) traí a Diaba Loura (Kiko Mascarenhas) e assuma o controle do tráfico no Morro DDC, onde vive Dafé (Lucas D'Jesus) e seu irmão Torrado (Cauê Campos). Dafé gosta de Gildinha (Mariana Rios), que vai trabalhar como estagiária na revista Taras e Tiros e acaba por ajudar Wanderlei. Do Morro também tem uma queda por Gildinha, irmã de Bracinho (Gleison Silva), amigo de Dafé. Pensando que Gildinha tem uma queda por Do Morro, Dafé decide se tornar traficante, pedindo ajuda a Bracinho. Porém, nenhum dos dois leva jeito para a bandidagem e a confusão acaba sendo armada. Diversão garantida, embora o final seja bem previsível.

filme 

quinta-feira, 24 de maio de 2012

BELLINI E O DEMÔNIO

Mais uma noite fria em Brasília. Ótima oportunidade para colocar um filme no aparelho de DVD, se enfiar debaixo das cobertas, deixando uma garrafa de espumante e alguns petiscos estrategicamente colocados no sofá. Foi o que fiz. O filme escolhido foi o brasileiro Bellini e O Demônio, baseado em livro homônimo do guitarrista da banda Titãs, Tony Bellotto. É a segunda história do detetive Remo Bellini convertida para as telas de cinema, ambas adaptadas de livros de Bellotto. Em 2002, chegou às telonas Bellini e A Esfinge e, seis anos depois, Fábio Assunção volta ao papel do detetive paulistano criado por Bellotto. Coube a Marcelo Galvão fazer o roteiro e dirigir este segundo filme. No elenco ainda estão Rosanne Mulholland (Gala), Nill Marcondes (Zanqueta), Caroline Abras (Sílvia), Christiano Cochrane (Malta) e Marília Gabriela (Letícia). Nesta sequência, Bellini está afundado em dívidas, sem clientes, viciado em remédios para aplacar suas dores, quando recebe a missão de investigar o desaparecimento de um livro. As informações lhe vão sendo entregues em envelopes nos locais mais inusitados. Ele acaba por descobrir que o sumiço do tal livro está ligado a uma seita satânica, cujos praticantes estavam sendo assassinados. Gala, uma antiga paixão de Bellini, é uma jornalista policial que cobre a morte brutal de Sílvia, uma estudante no banheiro do colégio. Claro que uma conexão entre as duas investigações é feita. Além da dupla, a polícia destacou a dupla Zaqueta e Malta para também descobrir o autor das violentas mortes. Rituais que cultuam o demônio, rodadas de chá de ayahuasca, consumo de crack e terreiro de macumba fazem parte da rota dos investigadores. As cenas que mostram o submundo são muito bem feitas, com alto grau de realismo. Na medida em que a história se desenvolve, Bellini vai piorando na dependência de remédios e, na ausência deles, começa a ter alucinações (podemos também pensar que tais alucinações são fruto de seu mergulho no mundo da magia negra). Um dos assassinados é um colecionador de livros, marido de Letícia, a chefe da redação do jornal onde trabalha Gala. Está formado o círculo que une todos os personagens. Fábio Assunção faz um Bellini consumido pelos remédios e drogas, em excelente composição. Ele se destaca entre todos os demais atores, que estão bem, mas muito longe de terem suas interpretações como excepcionais. Marília Gabriela aparece mais para o final, fazendo uma mulher elegante, fria, enigmática. O final é surpreendente, podendo ter mais de uma leitura. Gostei do filme porque havia lido o livro e o enredo já me era familiar. Para quem nunca leu as histórias de Bellini, pode achar o roteiro truncado, confuso, querendo largar o filme no meio, embora ele tenha apenas 86 minutos de duração. O filme pode ser classificado como um policial com toques do cinema fantástico. Para apreciadores do gênero.

filme
DVD

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

DO COMEÇO AO FIM


Início de noite, decidimos ir ao cinema. Cine Bombril (Conjunto Nacional), próximo de nosso hotel. Lugar marcado, sala ampla e muito confortável. O filme é Do Começo Ao Fim, de Aluizio Abranches, produção brasileira de 2009. No elenco Fábio Assunção, Júlia Lemmertz, Gabriel Kaufmann, Jean Pierre Noher, Mausi Martínez, Louise Cardoso, Lucas Cotrim, Rafael Cardoso e João Gabriel Vasconcellos. História de amor entre dois irmãos filhos da mesma mãe e de pais diferentes. Dois temas fortes, ou seja, incesto e homossexualismo. O filme causou furor na internet no início deste ano, especialmente com as tórridas cenas de amor entre os dois protagonistas. Filmado no Rio de Janeiro e em Buenos Aires, a fita tem bela fotografia, um bom elenco, trilha sonora divina (André Abujamra), bonitas cenas de sexo, um par de protagonistas muito bonito (Rafael Cardoso e João Gabriel Vasconcellos), mas é totalmente inverossímel. Os dois temas são de difícil aceitação na sociedade. No filme, situado no fim do governo Collor e início dos anos 2000, tudo é lindo e maravilhoso. Não há nenhuma forma de preconceito retratada, muito antes pelo contrário. A mãe (Júlia Lemmertz) acha lindo, o pai e padastro (Fábio Assunção) dá a maior força, o professor de natação acha normal. Há furos no roteiro. Não há informação suficiente sobre quem é Rosa (Louise Cardoso). Da forma que entra no filme, ela sai. O diretor gastou muito tempo mostrando a infância dos meio irmãos. O grau de intimidade das crianças é assombroso e não há nenhuma reação da mãe para modificar isto. A maioria das personagens sai do filme ainda na metade da história, incluindo a mãe. A segunda metade mostra o dia a dia dos irmãos que passam a morar sozinhos na bela mansão onde cresceram juntos. As cenas mais bonitas estão reservadas para um tango em Buenos Aires. O filme passa uma ideia que a vida é cor de rosa, que tudo é permitido, enfim, que o amor entre dois homens é visto pela sociedade brasileira como normal. O diretor tinha um excelente tema nas mãos e o desperdiçou. Esperava mais. Não gostei.