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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

AINDA SOBRE ELZA SOARES

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O Facebook relamente é um conchavo de amigos, onde todos só fazem elogiar uns aos outros. Utilizei esta rede social para escrever para uma das produtoras do Forró Bodó, que conheço há alguns anos e sei da sua competênica na área cultural.  Evento gratuito que ocorreu na Praça do Museu Nacional da República, em Brasília, elogiando a organização do evento, a alegria, o amplo espaço, a paz e tranquiliade que transcorreram durante os shows, e indiquei um link para este blog para ela ver o que escrevi. No blog, fiz alguns senões, com problemas que vem acontecendo em todos os eventos nesta praça, mas todos fora da responsabilidade da produção, uma vez se tratar de assuntos ligados ao Governo do Distrito Federal. Também expressei meu descontentamento com o show de Elza Soares, que ficou quase todo o tempo sentada (sei que ela tem quase 80 anos, que está com problemas no tornozelo) e que não conseguiu cantar nenhuma música inteira, se valendo do backing vocal da banda, que, diga-se de passagem, levou o show inteiro numa boa, não deixando ninguém ficar parado na praça. Uma pessoa deve ter lido o meu post e colocou no Facebook que tudo estava lindo e que algumas pessoas procuram defeito para desmerecer o espetáculo, aludindo a uma pesquisa (?) que não fiz. Acrescentou que quando não se tinha o que falar, era melhor ficar calado. Censura em pleno Século XXI? Ninguém pode expressar o que sente ou pensa? Não sou de ficar calado, respondi imediatamente, pois se não gostei de alguma coisa porque não posso me expressar? As pessoas tem medo de visões críticas. Só porque Elza Soares é uma diva, do alto de seus oitenta anos, não pode haver senões? Um show de forró tem que ter movimento. O cantor/cantora não pode ficar estático no palco. Cantar sentado em uma cadeira é bom para shows intimistas, o que não era o caso. Mas o ficar sentado poderia ser minimizado se Elza soubesse as letras das músicas eternizadas por Luiz Gonzaga, o que não foi o caso. Elza Soares pagou um mico desnecessário. Não fiquei sozinho nesta opinião. No Correio Braziliense de terça-feira, no caderno Diversão & Arte, Irlam Rocha Lima faz uma resenha do Forró Bodó e destaca o vexame do show de Elza Soares, mesmo que de forma indireta, quando coloca a opinião de algumas pessoas que estiveram no evento. No mesmo caderno, na coluna Fama, de Rosualdo Rodrigues, há uma chamada para o mesmo vexame. Repito que gosto muito de Elza Soares, já vi vários dos seus shows, tenho quase todos os cds lançados e que ela já tem lugar garantido no Olimpo das grandes cantoras brasileiras, porque não dizer também em âmbito mundial. Ela não precisava  pagar este mico todo. Foi uma pena!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

FORRÓ BODÓ

Depois de ficar o final de semana inteiro dentro de casa, recebi um telefonema de amigos me chamando para ir ao Forró Bodó, um espetáculo gratuito na Praça do Museu Nacional da República homenageando o Dia Nacional do Forró, comemorado em 13 de dezembro, data de nascimento de Luiz Gonzaga, o Gonzagão. A atração principal da noite era Elza Soares com o show "Elza Respeita Januários". Antes de Elza, bandas locais animaram o público presente, na maioria jovens. Cheguei depois das 20 horas, quando estava no palco a banda brasiliense Pé de Cerrado. A galera acompanhava entusiasmada o grupo. Maconha era uma constante durante toda a noite. Elza Soares entrou no paclo às 21:15 horas, amparada por duas pessoas, se sentando em uma cadeira de onde só se levantou para cantar uma única música, quase ao final de sua apresentação. O repertório do show era todo relacionado a Luiz Gonzaga, entre as músicas, as conhecidíssimas Vida de Viajante, Asa Branca, Vem Morena, Xote das Meninas, Respeita Januário, entre outras. O show durou uma hora e quarenta e cinco minutos. Neste tempo, aproveitei para dançar muito. O local era amplo e tinha uma cobertura, caso chovesse, o que não ocorreu. Pelo contrário, a noite estava linda e com um vento delicioso. Gosto muito de Elza Soares, sempre que posso vejo seus shows (este foi o terceiro que vi em 2010), tenho a maioria de seus discos, mas depois deste ano, conclui que não dá mais para assistí-la. Ela não canta mais, fica lendo as músicas, mesmo as mais conhecidas, como Asa Branca. Às vezes, ela se perde na leitura, talvez porque não consiga enxergar as letras e a vaidade não lhe permite usar óculos durante um show. Se não fosse o vocalista da banda que a acompanhou segurar em todas as músicas, o show poderia ter sido ruim. O cara mandou bem, cantando as músicas e colocando o público para dançar. Os dois outros shows de Elza que vi em Brasília em 2010 foram semelhantes, lendo  as letras, ou esquecendo tais letras quando se arriscava em cantá-las sem ler, como foi no espetáculo com músicas de jazz ou no show em homenagem à dupla João Bosco & Aldir Blanc. Ela é uma cantora reconhecida no Brasil e no mundo, não precisando passar por vexames como estes. Já garantiu seu lugar no Olimpo das divas da canção.
O Forró Bodó, enquanto entretenimento, foi ótimo, bem organizado, atraindo um público jovem, em local amplo, seguro e de fácil acesso. Porém, houve alguns senões, que creio serem de fácil solução para os anos vindouros. O primeiro é a livre venda de garrafas em vidro nas imediações do museu. Sei que não é da responsabilidade dos produtores do evento, mas como a área do show estava cercada, poderia haver uma proibição da entrada destas garrafas no local. Qualquer briga e uma garrafa destas vira arma mortal. O segundo senão ficou por conta das dezenas de barracas vendendo comida e bebida na praça, deixando uma sujeira grande no espaço, atrapalhando o ir e vir das pessoas que chegavam ou saíam do show. O terceiro senão fica para os carros destes vendedores ambulantes estacionados no concreto da Praça do Museu Nacional da República, fato que já vem acontecendo algum tempo nos eventos ali realizados, a exemplo do Cena Contemporânea. Quando a praça foi concebida com um imenso chão de concreto, não houve intensão de colocá-la como estacionamento, mas sim espaço de convívio das pessoas. O GDF deve olhar esta questão atentamente para não estragar o espaço e garantir uma livre circulação de quem participa e comparece aos eventos gratuitos no local.