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segunda-feira, 30 de julho de 2012

GABY AMARANTOS


Saí correndo da Funarte, onde vi o ótimo espetáculo Luís Antônio-Gabriela, em direção à Praça do Museu Nacional da República, ponto de encontro do Cena Contemporânea e local do show de Gaby Amarantos. Ric já me esperava com as pulseiras de acesso à área próxima ao palco, cortesia de nossa amiga da produção do festival. Apenas esperamos Fabíola, uma amiga do trabalho, para entrarmos na área reservada. Uma multidão já se espremia na grade que separava a área em que ficamos do público. Quem ficou na grade estava muito próximo do palco. O show integrava a programação do Latinidades - Festival da Mulher Afro-Latina-Americana e Caribenha, em parceria com o Cena. Eram pouco mais do que 23:30 horas quando anunciaram a cantora paraense. No palco, sua banda, composta por cinco instrumentistas e duas backing vocals. Gaby entrou com figurino desenhado pelo estilista Walério Araújo, todo preto, com alguns detalhes em dourado, além dos penduricalhos de fibra ótica, comuns nos trajes da cantora. De longe, a roupa parecia ser toda negra, mas quem estava perto, percebia que a blusa, transformada em uma espécie de mini macacão, era uma destas camisetas de malha com estampa da banda de heavy metal Iron Maiden. Não foi à toa que algumas taxas douradas, típicas dos metaleiros, foram aplicadas nos ombros da camiseta. Uma saia com uma calda longa, na qual ela pisou algumas vezes, mas sem perder a pose em nenhum momento, ficava por cima da blusa. Na parte da frente da saia, que era mais curta, saíam fios de fibra ótica, com luzes nas pontas, como se fossem tentáculos de um polvo. Como colar, no estilo de figurinos dos filmes de ficção científica da década de sessenta, mais fios de fibra ótica. Meias pretas que cobriam as pernas por inteiro e uma sapatilha preta com detalhes dourados completavam o figurino. Ela entrou poderosa, cantando de cara uma canção que foi sucesso na voz de Clara Nunes, Canto das Três Raças. Tudo a ver com o tema do festival Latinidades. Depois desta canção, falou um pouco sobre sua origem, em Jurunas, bairro da periferia de Belém, de seu orgulho em ser negra e não ter o padrão de corpo esbelto ditado pela sociedade. Foi um delírio da plateia que já estava nas mãos de Gaby desde a sua entrada no palco. Em seguida, vieram os sucessos Faz o T, com a galera acompanhando na coreografia de braços, Xirlei, a canção que mais gosto, e Ela Tá Beba Doida, cujo refrão era cantado em plenos pulmões pelos milhares de fãs presentes, incluindo uma alegre e ruidosa turma de jovens paraenses que se espremiam na grade e gritavam o nome de Gaby a todo o instante. Muito solta, Amarantos deu seu recado, cantando o que gostava, tanto músicas de seu repertório, quanto sucessos nacionais e internacionais (estes em versões bem humoradas). Assim, ela cantou  Vem Dançar Com Tudo, tema de abertura da novela Avenida Brasil, dançando o kuduro no palco, Ainda Bem, sucesso de Marisa Monte, em versão dançante ao ritmo do tecnobrega, Tchê Tcherê Tchê Tchê, sucesso de Gusttavo Lima, Fogo e Paixão, mega hit de Wando, também cantada em uníssono pela plateia, e versões hilárias, entre outras, para Loka, de Shakira, e Ring My Bell, sucesso da era disco na voz de Anita Ward, onde o refrão "ring my bell" se transformou em "eu não vou pro céu". Quando chegou a hora de cantar seu maior hit, Ex-Mai Love, tema de abertura de Cheias de Charme, ela dedicou a canção a uma das atrizes da novela, Chandelly Braz, que estava presente na área reservada, juntamente com os atores Samuel Toledo e Igor Angelkorte, parceiros de elenco da peça (Des)conhecidos, além de músicos da banda brasiliense Móveis Coloniais de Acaju. A coreografia de  braços como folhas de palmeiras ao vento dominou o público durante a música Ex-Mai Love. Galera da Laje e Chuva, duas outras canções que estão no cd Treme, foram cantadas após insistentes pedidos da turma paraense que estava atrás de mim. Outro pedido atendido foi Hoje Eu Tô Solteira, versão para o sucesso Single Ladies (Put A Ring On It), de Beyoncé, quando ela disse que tinha muito orgulho de ser comparada à cantora americana, sendo chamada de Beyoncé do Pará, mas que ela era Gaby Amarantos do Pará. Nova explosão da galera. Antes de começar a cantá-la, Gaby tirou a saia, deixando à mostra seus atributos que fazem jus à comparação. Com quase duas horas de show, ela se despediu do público, dizendo que voltaria em uma semana para a estreia do projeto Invasão Paraense no CCBB, que seu disco estava à venda nas lojas especializadas, livrarias, no iTunes e na internet para quem quisesse baixar, mostrando que não se importa muito com os downloads gratuitos e piratas que imperam na rede. Ela afirmou que o importante era que as pessoas ouvissem sua música e ficassem felizes. Saiu do palco, mas logo voltou, calçada com uma sandália Crocs todo cheia de purpurina dourada, repetindo dois de seus sucessos: Ex-Mai Love e Xirlei. Foi um show alegre, alto astral. Diversão máxima.






show
música

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

AINDA SOBRE ELZA SOARES

 99,65

O Facebook relamente é um conchavo de amigos, onde todos só fazem elogiar uns aos outros. Utilizei esta rede social para escrever para uma das produtoras do Forró Bodó, que conheço há alguns anos e sei da sua competênica na área cultural.  Evento gratuito que ocorreu na Praça do Museu Nacional da República, em Brasília, elogiando a organização do evento, a alegria, o amplo espaço, a paz e tranquiliade que transcorreram durante os shows, e indiquei um link para este blog para ela ver o que escrevi. No blog, fiz alguns senões, com problemas que vem acontecendo em todos os eventos nesta praça, mas todos fora da responsabilidade da produção, uma vez se tratar de assuntos ligados ao Governo do Distrito Federal. Também expressei meu descontentamento com o show de Elza Soares, que ficou quase todo o tempo sentada (sei que ela tem quase 80 anos, que está com problemas no tornozelo) e que não conseguiu cantar nenhuma música inteira, se valendo do backing vocal da banda, que, diga-se de passagem, levou o show inteiro numa boa, não deixando ninguém ficar parado na praça. Uma pessoa deve ter lido o meu post e colocou no Facebook que tudo estava lindo e que algumas pessoas procuram defeito para desmerecer o espetáculo, aludindo a uma pesquisa (?) que não fiz. Acrescentou que quando não se tinha o que falar, era melhor ficar calado. Censura em pleno Século XXI? Ninguém pode expressar o que sente ou pensa? Não sou de ficar calado, respondi imediatamente, pois se não gostei de alguma coisa porque não posso me expressar? As pessoas tem medo de visões críticas. Só porque Elza Soares é uma diva, do alto de seus oitenta anos, não pode haver senões? Um show de forró tem que ter movimento. O cantor/cantora não pode ficar estático no palco. Cantar sentado em uma cadeira é bom para shows intimistas, o que não era o caso. Mas o ficar sentado poderia ser minimizado se Elza soubesse as letras das músicas eternizadas por Luiz Gonzaga, o que não foi o caso. Elza Soares pagou um mico desnecessário. Não fiquei sozinho nesta opinião. No Correio Braziliense de terça-feira, no caderno Diversão & Arte, Irlam Rocha Lima faz uma resenha do Forró Bodó e destaca o vexame do show de Elza Soares, mesmo que de forma indireta, quando coloca a opinião de algumas pessoas que estiveram no evento. No mesmo caderno, na coluna Fama, de Rosualdo Rodrigues, há uma chamada para o mesmo vexame. Repito que gosto muito de Elza Soares, já vi vários dos seus shows, tenho quase todos os cds lançados e que ela já tem lugar garantido no Olimpo das grandes cantoras brasileiras, porque não dizer também em âmbito mundial. Ela não precisava  pagar este mico todo. Foi uma pena!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

FORRÓ BODÓ

Depois de ficar o final de semana inteiro dentro de casa, recebi um telefonema de amigos me chamando para ir ao Forró Bodó, um espetáculo gratuito na Praça do Museu Nacional da República homenageando o Dia Nacional do Forró, comemorado em 13 de dezembro, data de nascimento de Luiz Gonzaga, o Gonzagão. A atração principal da noite era Elza Soares com o show "Elza Respeita Januários". Antes de Elza, bandas locais animaram o público presente, na maioria jovens. Cheguei depois das 20 horas, quando estava no palco a banda brasiliense Pé de Cerrado. A galera acompanhava entusiasmada o grupo. Maconha era uma constante durante toda a noite. Elza Soares entrou no paclo às 21:15 horas, amparada por duas pessoas, se sentando em uma cadeira de onde só se levantou para cantar uma única música, quase ao final de sua apresentação. O repertório do show era todo relacionado a Luiz Gonzaga, entre as músicas, as conhecidíssimas Vida de Viajante, Asa Branca, Vem Morena, Xote das Meninas, Respeita Januário, entre outras. O show durou uma hora e quarenta e cinco minutos. Neste tempo, aproveitei para dançar muito. O local era amplo e tinha uma cobertura, caso chovesse, o que não ocorreu. Pelo contrário, a noite estava linda e com um vento delicioso. Gosto muito de Elza Soares, sempre que posso vejo seus shows (este foi o terceiro que vi em 2010), tenho a maioria de seus discos, mas depois deste ano, conclui que não dá mais para assistí-la. Ela não canta mais, fica lendo as músicas, mesmo as mais conhecidas, como Asa Branca. Às vezes, ela se perde na leitura, talvez porque não consiga enxergar as letras e a vaidade não lhe permite usar óculos durante um show. Se não fosse o vocalista da banda que a acompanhou segurar em todas as músicas, o show poderia ter sido ruim. O cara mandou bem, cantando as músicas e colocando o público para dançar. Os dois outros shows de Elza que vi em Brasília em 2010 foram semelhantes, lendo  as letras, ou esquecendo tais letras quando se arriscava em cantá-las sem ler, como foi no espetáculo com músicas de jazz ou no show em homenagem à dupla João Bosco & Aldir Blanc. Ela é uma cantora reconhecida no Brasil e no mundo, não precisando passar por vexames como estes. Já garantiu seu lugar no Olimpo das divas da canção.
O Forró Bodó, enquanto entretenimento, foi ótimo, bem organizado, atraindo um público jovem, em local amplo, seguro e de fácil acesso. Porém, houve alguns senões, que creio serem de fácil solução para os anos vindouros. O primeiro é a livre venda de garrafas em vidro nas imediações do museu. Sei que não é da responsabilidade dos produtores do evento, mas como a área do show estava cercada, poderia haver uma proibição da entrada destas garrafas no local. Qualquer briga e uma garrafa destas vira arma mortal. O segundo senão ficou por conta das dezenas de barracas vendendo comida e bebida na praça, deixando uma sujeira grande no espaço, atrapalhando o ir e vir das pessoas que chegavam ou saíam do show. O terceiro senão fica para os carros destes vendedores ambulantes estacionados no concreto da Praça do Museu Nacional da República, fato que já vem acontecendo algum tempo nos eventos ali realizados, a exemplo do Cena Contemporânea. Quando a praça foi concebida com um imenso chão de concreto, não houve intensão de colocá-la como estacionamento, mas sim espaço de convívio das pessoas. O GDF deve olhar esta questão atentamente para não estragar o espaço e garantir uma livre circulação de quem participa e comparece aos eventos gratuitos no local.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

TILL - A SAGA DE UM HERÓI TORTO

Noite de terça-feira com céu estrelado e uma bela lua. Fazia um frio suportável. Muita gente procurava um lugar para se sentar na Praça do Museu Nacional da República. Nas paredes curvas do museu havia uma projeção com imagens das peças que integram a programação do Cena Contemporânea 2010, festival de teatro que tem a sua décima primeira edição em Brasília. Um palco foi montado na praça com uma arquibancada de madeira em frente. Também haviam cadeiras de plástico mais próximas ao palco. Sentei-me nestas cadeiras, pois cheguei com antecedência de quarenta minutos. A peça de abertura estava marcada para começar às 20 horas. Espetáculo gratuito. Nada melhor que um excelente começo. Grupo Galpão, de Belo Horizonte, com anos de estrada, foi o escolhido. A peça é Till - A Saga de Um Herói Torto. Texto de Luís Alberto de Abreu e direção de Júlio Maciel. O grupo conta com Antônio Edson (Barromeu/Povo/Anão), Arildo de Barros (Parteira/Juiz/Camponês/Carrasco/Padre/Miserável), Beto Franco (Parteira/Português/Padre/Camponês/Miserável), Chico Pelúcio (Demônio/Camponês/Voz do Soldado), Eduardo Moreira (Doroteu/Povo), Inês Peixoto (Till), Lydia del Picchia (Parteira/Consciência/Cozinheira/Menino), Simone Ordones (Alceu/Povo) e Teuda Bara (Mãe/Miserável). A história tem lugar na Alemanha medieval onde nasce Till, um sujeito desprovido de inteligência útil, fruto de uma aposta do demônio com Deus. Como o subtítulo da peça diz, é uma saga de um anti-herói. Inês Peixoto arrasa (usei a expressão de Pek) como Till. Está perfeita, fazendo um aparente bobo que é, na verdade, muito esperto. Ao longo da história, onde temos julgamentos, enforcamento, fogueira, padres perversos, travessuras, há também três cegos em busca das torres de Jerusalém. Hilários, mas mordazes. O elenco todo está em sintonia perfeita. Chico Pelúcio faz um demônio debochado, com alguns trejeitos e maneirismos. Alguns recursos cênicos são fantásticos, especialmente o nascimento de Till, logo no início da trama. É um dos pontos altos da peça. Valeu ter visto o Grupo Galpão voltar às origens, fazendo teatro de rua na rua. Uma maravilha. Vida eterna ao Grupo Galpão. Vida eterna ao Cena Contemporânea.