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sábado, 18 de janeiro de 2014

BELUGA - GASTRONOMIA NA CIDADE DO CABO, ÁFRICA DO SUL

O restaurante Beluga é badalado na Cidade do Cabo, estando sempre repleto de gente. Foi o primeiro restaurante na viagem que vi a maioria das pessoas arrumada, bem vestida, o que não é muito comum em Cape Town. Eles não ligam muito para a roupa que vão usar. Há uma área externa enorme, localizada no pátio de acesso ao restaurante, que fica dentro de uma construção de tijolinho aparente chamada The Foundry. Tínhamos reserva para 20 horas. Fomos acomodados no enorme salão interno, que possui mais de um nível. Ficamos bem próximos de uma janela. O interior é bem escuro, com iluminação fraca, com focos nas mesas. Para ler o cardápio precisei usar a lanterna do meu celular. Enquanto tive uma experiência sensacional no almoço do dia 03 de janeiro, não posso falar o mesmo do jantar deste mesmo dia no Beluga. O serviço é muito bom. Fomos atendidos por uma garçonete eficiente, que tirou nossas dúvidas do imenso cardápio do restaurante. Até saciou nossa curiosidade em relação à mesa ao nosso lado. Um casal tinha pedido um vinho tinto, reclamou qualquer coisa e ela trouxe uma taça de um vinho branco. Eles colocaram um pouco do vinho branco no tinto para continuar a beber o vinho inicial. Ela explicou que eles acharam o vinho muito seco e queriam algo para torná-lo mais doce ao paladar. Ela trouxe uma taça de vinho de sobremesa e resolveu o problema. Um horror, um horror, um horror, como diria Emi. Beluga não tem uma especialidade definida. Seu menu traz opções de sushi, de dim sum (aqueles bolinhos chineses), de carnes grelhadas, de peixes e frutos do mar. É um local que agrada a muitos paladares. Pedimos uma água mineral com e sem gás Richeneau e o vinho branco Fleur du Cap unfiltered (não filtrado) da casta sauvignon blanc (R269 - R$ 58,30). Eu sentia um calor enorme dentro do salão e este vinho veio amenizar este sofrimento. Como couvert, trouxeram uma cesta de pães de cebola, servidos quentinhos. Muito saborosos. Depois começou meu martírio gastronômico. Pedimos uma entrada para compartilhar. Era um sprinkbok carpaccio (R78 - R$ 17), servido em redução de pimenta, folhas verdes precoces e crisp de parmesão. O gosto deste tipo de antílope é fortíssimo e fomos pedir de primeira a sua carne crua. O carpaccio não estava cortado em lâminas fininhas, como é de costume, o que potencializou ainda mais o gosto ruim na boca. Para piorar, não tinha tempero. Deixamos praticamente tudo no prato. Eu insisti neste tipo de carne, escolhendo como prato principal o filé de springbok (R165 - R$ 35,80), servido com purê de beterraba, batata rosti e redução do molho do próprio filé. Aqui o prato tinha bom tempero e o adocicado da beterraba ajudou no sabor, mas achei a carne dura. Não pedimos sobremesa. Pagamos a conta, que ficou no valor total de R900 (R$ 195), já incluída a gorjeta de 12,5%, e saímos. Na porta, havia uma fila de táxi, sinal de que o movimento no restaurante ainda ia longe. Fechamos a nossa noite em Cape Town com uma experiência gastronômica não muito boa. Ainda bem que o dia foi salvo pelo almoço no La Colombe. No hotel, certificamos que o café da manhã começava a ser servido às 6 horas, horário que combinamos de nos encontrar na manhã seguinte, já com as malas prontas para seguir viagem. Desta vez para fazer alguns safáris.


sprinkbok carpaccio


filé de springbok


Endereço: The Foundry, Prestiwich Street, Green Point, Cape Town, África do Sul.
www.beluga.co.za
Contatos: +27 21 418 2948 - infoe@beluga.co.za
Especialidade: cardápio variado, com destaque para sushi, dim sum, peixes e frutos do mar, além de carnes grelhadas.

LA COLOMBE - GASTRONOMIA NA CIDADE DO CABO, ÁFRICA DO SUL

O La Colombe fica na vinícola Constantia-Uitsig, dentro da Cidade do Cabo. É muito concorrido, necessitando fazer reserva. Atualmente é o número 1 dentre 760 restaurantes avaliados no Tripadvisor, com mais de setecentas avaliações. O restaurante e seu chef, Scot Kirton, vem acumulando prêmios e figurando em listas de melhores ao longo dos anos. Fica em uma agradável construção, com um salão interno e mesas espalhadas na varanda e no pátio de trás, sem arroubos na decoração. Fomos acomodados em uma mesa na varanda, em local ventilado e com muita iluminação natural. O atendimento é impecável. Garçons atenciosos, sorrindo o tempo inteiro e ajudando sempre que solicitados, não só na explicação dos pratos, mas também na indicação dos melhores vinhos para acompanhar os itens do menu. Não há um cardápio físico. Os pratos oferecidos no dia ficam escritos em lousas que os garçons colocam ao lado da mesa, explicando os ingredientes e a montagem de cada um deles. Era nosso último almoço em Cape Town. Começamos com uma taça do espumante G. Beck Rosé (R55 - R$ 12,00, cada uma). Durante todo o almoço, bebemos água mineral e com sem gás, customizada para o restaurante, garrafa de 750 ml (R26 - R$ 5,60, cada uma). O primeiro vinho que harmonizamos com nossas entradas foi o Karen Rosé 2011 (R170 - R$ 37). Leve, próprio para aquele dia calorento, mas sem grande intensidade. Diria que era mediano. O segundo vinho, indicado pelo garçom, foi um Crystallum 2012 (R360 - R$ 78), elaborado com a casta pinot noir. Sabor marcante, aromas frutados, com toques de torrefação. Gostei muito. Com relação aos pratos, eis a lista:
Couvert: três tipos de pães acompanhados por manteiga, que tinha uma pomba em alto relevo nela desenhada, pasta de berinjela, pasta de tomate e pasta de azeitona. O curioso é que as três pastas são servidas dentro de um único pote de vidro. Elas estão dispostas em camadas e ao tirá-las, necessariamente um pouco de cada vem na colher, o que dá uma mistura muito interessante no pão.


Amuse bouche: ceviche de atum, lula e polvo, picados de forma bem pequena, servidos com creme de abacate e tomate pelado. Prato de apresentação linda e com sabor muito leve, bem diferente dos ceviches clássicos. Aprovadíssimo, especialmente a introdução do abacate.


Entrada: sous vide duck egg (R115 - R$ 25) - ovo de pato feito em vácuo, servido com aspargos frescos, croutons, um creme espesso de legumes e uma pasta de queijo de cabra envolta em pó de trufas negras. Simplesmente divino. Especialmente a gema mole do ovo, por cima da qual também havia um pouco de trufa negra. A consistência do ovo é como se fosse frito, embora feito pelo método sous vide (em sacolas fechadas a vácuo).


Prato para limpar o paladar: smoothie watermelon sorbet (R28 - R$ 6) - um refrescante sorbet de melancia, com pedaços cristalizados da mesma fruta embebida em sakê. Realmente limpou o paladar para o próximo prato.


Prato principal: green pea risotto (R135 - R$ 30) - segui a sugestão do garçom e me dei muito bem. Prato com belíssima apresentação. Trata-se de um risoto servido em quatro montinhos  montados de forma separada em uma pedra ardósia, acompanhado de cenoura cozida levemente frita, com crosta crocante e um creme de abóbora moranga, além de algumas folhas precoces de agrião e uma espuma de cebola. Sensacional. Acho que nunca tinha comido um risoto tão bom em minha vida.


Sobremesa: cherry, pistache and cherry sorbet (R75 - R$ 16,30) - sugestão do garçom, não escrita na lousa, que pedimos uma porção para compartilhar. Era um misto de cerejas apresentadas por várias formas em um prato fundo, onde se destacava o sorvete cremoso com pedaços de pistache. Gostei, embora tenha preferido os pratos salgados.


Não quisemos café espresso, mas fizeram questão de nos trazer os mimos que acompanham esta bebida, todos eles servidos em uma simpática bandeja com grãos de café torrados como leito para os docinhos.


Realmente o restaurante merece seus prêmios e deve ser visitado. Sensacional. O melhor restaurante que visitamos em nossa viagem de dez dias pela África do Sul.

Endereço: Spaanschemat River Road, Constantia-Uitsig, Constantia, Cape Town, África do Sul.
www.constantia-uitsig.com
Contatos: +27 21 794 2390 - lacolombe@uitsig.co.za
Especialidade: culinária contemporânea, com toque franceses e asiáticos, so o comando do chef Scot Kirton.

NOBU AT ONE & ONLY - GASTRONOMIA NA CIDADE DO CABO, ÁFRICA DO SUL

Noite de 02 de janeiro de 2014. Prontos no hall do Strand Tower Hotel às 21:40 horas para pegarmos um táxi até o hotel One & Only, localizado na vizinhança do Waterfront, onde tínhamos reserva feita duas horas antes para jantar no Nobu at One & Only, do famoso chef Nobuyuki Matshuhisa. Já havia um táxi no ponto. O carro era engraçado, pois estava adesivado com uma propaganda de um novo sanduíche do McDonald's com inspiração mexicana. No capô do táxi havia um sombrero mexicano. O preço da corrida, R50 (R$ 10,80), foi anunciado pelo taxista assim que entramos no carro. O trajeto é curto, algo em torno de dez minutos. Da velocidade em que estava, o motorista entrou na porte-cochère do hotel One & Only sem notar que havia um quebra-molas. Quase voamos e ele fez brincadeira disto. Descemos do carro. Notei que estava sem minha máquina fotográfica e sai gritando atrás do táxi. Ele parou já dizendo "não roubei nada!". Disse que achava que tinha deixado cair minha máquina quando ele passou voando pelo quebra-molas, mas não a encontrei. Mais tarde, vi que a tinha esquecido na mesa do quarto do hotel. O acesso ao restaurante fica no mesmo piso da entrada. Ele tem dois andares. Assim que nos apresentamos, fomos conduzidos para a parte de cima, uma espécie de lounge onde um bar faz sucesso. São poucas mesas neste andar, todas elas em fila encostada no parapeito com ampla visão para o salão principal do restaurante. O pé direito deste principal salão é digno de nota. A decoração é moderna, com luz em tom amarelado. Decidimos que aquela noite não seria de vinhos. Todos escolhemos drinques no cardápio de bebidas. Para começar, pedi um copo de Coca Cola (R22 - R$ 4,80) e, depois, compartilhei com Vera e Cláudia uma garrafa de 750 ml da água mineral sem gás Panna (R70 - R$ 15,20). Meu drinque foi um Nobu Mojito (R95 - R$ 20,60), feito com rum Havana Blanco, Grand Marnier, limão fresco, menta, servido em copo alto. Estava muito bom. Para o jantar, escolhemos o Chef's Special Omakase (R895 - R$ 195), o principal menu degustação, com oito pratos, sendo um deles a sobremesa. Não anotei os nomes dos pratos, o que me impede de descrevê-los pormenorizadamente aqui. Começamos com um trio de ceviches, dos quais gostei muito do feito com salmão. Depois foi servido um carpaccio de carne de boi com gergelim preto e branco, além de chips de batata doce. Não apreciei. Em seguida, bacalhau servido em pequenos pedaços junto com uma salada de folhas verdes. Achei saboroso, mas sem grande impacto no paladar. Depois veio um stinco de cordeiro, servido com vagem e uma massa de batatas. Bem temperado, cozido no ponto. O próximo prato foi uma sopa clara, que estava rala e sem sabor. Dei apenas uma colherada, deixando o restante no prato. Vegetais no vapor foi o prato em sequência, para depois vir o último prato salgado, cinco unidades de sushi. Para mim, o melhor da noite. Simples, sem invencionices, muito bom. Não quis a sobremesa. Sempre tive vontade de conhecer a comida do Nobu e fiquei um pouco decepcionado. Estávamos muito cansados do dia intenso que tivemos visitando as regiões de Stellenbosch e de Franschhoek. Solicitamos a conta, sem café. Total de R3.600 (R$ 780,60), incluída a gorjeta de 12,5%. Na saída, pedimos um táxi na portaria do hotel. Mais uma corrida sem taxímetro, quando pagamos os mesmos R50 (R$ 10,80) da ida. Era hora de descansar para desfrutarmos, no dia seguinte, de nosso último dia em Cape Town.


ceviche de salmão


sushis sortidos

Endereço: Dock Road, One & Only Hotel, Victoria & Alfred Waterfront, Cape Town, África do Sul.
http://capetown.oneandonlyresorts.com/
Contatos: +27 21 431 4511 - restaurant.reservations@oneandonlycapetown.com
Especialidade: culinária japonesa, com toques de fusion cuisine, especialmente com pratos peruanos, sob o comando do chef Nobuyuki Matshuhisa.


sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

TASCA - GASTRONOMIA NA CIDADE DO CABO, ÁFRICA DO SUL

Percorrendo a alameda de restaurantes que ficam do lado externo do shopping V&A Waterfront para escolher um local para jantar, achamos interessante a proposta do Tasca, especializado na culinária portuguesa com um toque turco. Como todos os outros restaurantes, ele estava bem cheio. Parece que somente ali havia lugares abertos para comer naquela primeira noite de 2014. A opção inicial era sentar em uma mesa na área externa, em uma esplanada em frente ao restaurante, mas não havia lugar. Até mesmo internamente estava complicado conseguir mesa. No momento em que ainda conversávamos com a hostess, uma mesa pequena ficou vazia bem na entrada. Fomos nela acomodados. Logo veio o garçom, muito simpático, nos entregar o cardápio. Era nascido no Congo, portanto, falava francês, motivo fácil para mais uma interação de Cláudia. Pedimos água mineral com e sem gás, ambas da marca Vie de Luc, sendo a primeira uma garrafa pequena (R18 - R$ 4), e a com gás com 750 ml (R38 - R$ 8,20). Mais um vinho, desta vez um tinto, elaborado com a casta shyrah, o The Ridge 2011 (R450 - R$ 98). Aroma agradável, com pouca madeira, sabor marcante, perfeito com o filé de avestruz que escolhi. Começamos com um pão típico da Ilha da Madeira, chamado no restaurante de Madeira bread (R79 - R$ 17). Veio servido quente dividido em dois grandes pedaços achatados, um com queijo de cabra e outro com manteiga de alho. Feito com farinha de trigo e batata doce, o pão era muito macio e com um sabor levemente adocicado. Muito bom. Como prato principal, escolhi um ostrich fillet steak (R209 - R$ 45,30), ou seja, um filé de avestruz com alho e folhas de louro, servido com um ovo frito, com se fosse um filé a cavalo, e batatas fritas. Dentre as opções de molho, pago à parte, escolhi o de cogumelos (R25 - R$ 5,40), totalmente dispensável para o meu gosto. Filé macio, bem temperado, no ponto certo. Uma maravilha, muito melhor sem o molho. Antes e pedir a conta, bebemos uma xícara de café espresso duplo (R28 - R$ 6,00, cada uma). Estávamos bem cansados. Assim, pedimos logo a conta, que ficou no total de R1.500 (R$ 325), já incluída a gorjeta de 12,5%. Do restaurante fomos direto para o ponto de táxi, onde conseguimos um rapidamente. Pela corrida até o hotel, o taxista nos cobrou R80 (R$ 17,30). No quarto, depois de um banho, fui navegar na internet, mas nosso roteador de wi-fi, que ficava no quarto de Vera e Cláudia, não estava funcionando. Pela primeira vez na viagem utilizei a fraca internet gratuita do hotel. Desisti por causa da lentidão. Já era hora de dormir.


Madeira bread


ostrich fillet steak

Endereço: Shop 154, V&A Waterfront, Cape Town, África do Sul.
www.tascadebelem.co.za
Contatos: +27 21 419 3009 - dine@tascadebelem.co.za
Especialidade: culinária portuguesa com toques turcos.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

BELTHAZAR - GASTRONOMIA NA CIDADE DO CABO, ÁFRICA DO SUL

Como o restaurante Bahia, uma indicação unânime de várias publicações sobre a Cidade do Cabo, estava fechado para o almoço do primeiro dia de 2014, percorremos a alameda de restaurantes externos ao shopping V&A Waterfront e escolhemos o Belthazar, um restaurante e bar de vinho especializado em carnes grelhadas, peixes e frutos do mar. É o maior bar de vinho em taça do mundo. Todos os restaurantes desta alameda tem mesas na esplanada, sem ar condicionado, com ampla visão do porto e arredores, e um salão interno, com ar condicionado. A maioria das pessoas prefere a esplanada, enquanto nós queríamos fugir do calor que fazia. A hostess perguntou onde sentaríamos. Indicamos o interior do restaurante e ela nos conduziu para uma mesa encostada na parede, perto de uma das portas de acesso, o que permitia a luz natural iluminar o nosso lugar, já que o salão interno é bem escuro. Chama a atenção a adega localizada à direita de quem entra. Mas é o bar que é agrande atração da casa. Com uma parede repleta de garrafas de vinho em enomatics, aquelas máquinas que permitem servir uma taça da garrafa sem deixar o ar entrar e estragar o vinho. Uma luz azul dava um toque moderno e futurista ao bar. Eles prezam tanto aquela parte do restaurante que não permitem tirar fotos da parede com os vinhos. Só soube disto quando me levantei para tirar uma foto e o segurança me disse que só poderia focar o barman trabalhando, sem colocar a parede de vinhos como destaque. De volta à mesa, recebemos o cardápio e a lista de vinhos. Esta última é enorme, já que há cerca de duzentos rótulos apenas no quesito vinho em taça. Tem o formato e o tamanho de um jornal, o que dificulta um pouco o seu manuseio Um sommelier nos ajudou a escolher as taças que bebemos, todas elas de vinhos procedentes da África do Sul. Para matar minha sede, comecei com uma garrafa de 300 ml de Coca Cola (R17 - R$ 3,70). Segui a recomendação, pedindo uma taça de sauvingon blanc Iola 2013, produzido na região de Elgin (R79 - R$ 17). Cláudia também escolheu um branco, só que da casta semillion, o Cape of Goodhope, da região de Laing (R90 - R$ 19,40), enquanto Vera preferiu experimentar um pinot noir Wintersdrift 2012 (R70 - R$ 15). Acompanharam os vinhos a água mineral sem gás La Vie de Luc (R17 - R$ 3,70, a garrafa de 300 ml). Eu achei o meu vinho bem refrescante e harmonizou legal com meu prato principal, um peixe local. Para abrir os trabalhos, uma tábua com pão, manteiga e linguiça. O pão era adocicado e estava quentinho. Ficou muito bom com a manteiga. A linguiça tinha sabor intenso, bem temperado. Um ótimo abre apetite. Em seguida, compartilhamos uma onion blossom (R55 - R$ 12), aquela cebola gigante comum no menu do restaurante Outback. No entanto, as suas pétalas não soltavam facilmente como as do restaurante australiano. Tivemos que ficar partindo as pétalas com garfo e faca, o que desestimulou o prazer de comer uma típica finger food. Pedi uma entrada, o avocato ritz (R85 - R$ 18,40). Trata-se de uma salada fria com camarões grelhados, abacate e tomate com uma molho rosé. Estava boa, não mais do que isso. Já como prato de fundo, pedi um kingklip (R145 - R$ 31,30), o peixe mais famoso da culinária sul-africana. Veio grelhado com molho de limão e manteiga. No Belthazar, os acompanhamentos são cobrados à parte. Segui a tradição inglesa, pedindo batatas fritas (R25 - R$ 5,40) para escoltar meu peixe. Prato saboroso, leve e delicado. O peixe, de carne branca e macia, é muito gostoso. Aprovei este prato. Não quisemos sobremesa, indo direto para uma xícara de café espresso duplo da marca Illy (R25 - R$ 5,40). A conta veio em seguida. Total de R1.140 (R$ 246,30), incluída por nós a gorjeta de 12,5%.


tábua com pão, manteiga e linguiça


onion blossom


avocato ritz


kingklip


Endereço: V&A Waterfront, Cape Town, África do Sul.
www.belthazar.co.za
Contatos: +27 21 421 3753 - info@slickrestaurants.com
Especialidade: carnes grelhadas, peixes e frutos do mar.

FORK - GASTRONOMIA NA CIDADE DO CABO, ÁFRICA DO SUL


Tínhamos reserva no Fork, um restaurante de tapas, para 20:30 horas do dia 31 de dezembro de 2013. Chegamos no horário. Estava bem cheio, com algumas pessoas na fila de espera. Cláudia se apresentou a um homem que parecia o encarregado de checar as reservas. Ele conferiu, confirmou que tínhamos uma mesa, pedindo para esperarmos dois minutos. Ficamos na entrada, pois não havia lugar para ficar no estreito salão da entrada. O restaurante funciona em dois pisos, ambos com salões pequenos. Dois grupos foram acomodados antes de nós. Quando vagou três bancos na bancada onde ficava quem esperava mesa, fomos lá sentar, mas nem bem arredamos um banco, fomos conduzidos ao segundo piso, onde uma mesa minúscula, que mal cabiam duas pessoas, estava preparada para nós três. Todas as demais mesas estavam ocupadas e com grupos grandes. Ao nosso lado, treze pessoas faziam uma espécie de esquenta para a festa de réveillon, com uma peruca, um bigode postiço e alguns adereços que me lembraram o carnaval passando de mão em mão. Eles colocavam estes objetos, tiravam uma foto e passavam adiante. Logo que sentamos, uma simpática garçonete nos entregou o enxuto cardápio, dividido por preços (R30, R40, R45, R50 e R60), informou o esquema da casa, que funcionava com pequenos pratos para compartilhar, sugerindo, no mínimo, nove pratos para nossa mesa. Ainda disse para pedirmos todos de uma só vez, pois estavam com muitos pedidos na cozinha, mas que eles chegariam em pares na medida em que ficassem prontos. Pedimos a carta de vinhos. Também é enxuta, apresentando somente vinhos sul-africanos. Queríamos brindar a noite com algum espumante local, mas ao ver uma champanhe Tattinger por R600 (R$ 130), não tivemos dúvidas que o brinde seria com ela. Era o único item na lista de vinhos que não era sul-africano. Pedimos também água mineral sem e com gás, ambas customizadas para o Fork (R24 - R$ 5,20 cada garrafa de 750 ml). O champanhe demorou um pouco a chegar e quando veio, estava quente. Colocaram em um balde com gelo, mas na segunda vez que serviram, ainda estava quente. Vera se levantou e foi ver o balde, colocado no balcão do bar do segundo piso, bem próximo de nossa mesa. Só tinha água e até a metade. Ela chamou um garçom, pediu muito gelo, além de outra garrafa do mesmo champanhe, para ela já ficar na temperatura correta quando fosse aberta. Atenderam tudo de imediato. Rapidamente, a primeira garrafa ficou no ponto. E a segunda, quando aberta, estava estupenda. Maravilha. Quanto aos pratos, pedimos sete deles, sendo que de alguns mais de uma porção. A seguir, a descrição de cada um. Antes dos pratos chegarem, serviram um pratinho com bruschettas.
Amuse bouche: bruschettas de tomate fresco e de pasta de atum. A primeira, a clássica, estava muito boa. Não gostei da invencione com pasta de atum.
Smoked salmon rolls with goats cheese, dill and salmon caviar on crostini (R50 - R$ 11) - embora esperássemos rolinhos de salmão, tipo sushi, vieram filetes do mesmo peixe com crosta crocante, servidos sob uma pasta de queijo de cabra, molho dill em gotas redondas em frente de cada pedaço do salmão. O cappellini (ovas de salmão), se esteve presente, não senti. Pedimos duas porções deste prato. Gostei, mas não foi sensacional.
Deep fried goats cheese with sun-dried tomato biscuits and port and onion marmalade (R50 - R$ 11). O melhor prato que degustamos, motivo pelo qual pedimos três porções dele. São bolinhos de queijo de cabra fritos que, quando colocados na boca, se desmanchavam em um sabor intenso. Eles vieram servidos sob um biscoitinho de tomate seco e uma conserva de cebola roxa. Delicioso.
Marinated sardines with rocket and crostini (R45 - R$ 9,70) - filetes de sardinha marinados, servidos com rúculas bem picantes e pães. Prato com inspiração ibérica, posto que o local é especializado em tapas. Gosto comum, nada de excepcional.
Grilled tiger prawns wrapped with pancetta (R60 - R$ 13) - camarões-tigre grelhados envolvidos com bacon. Servido praticamente sem tempero, para que o sabor do camarão se integre com o do bacon. Diferente, não agradou muito ao meu paladar.
Roast pork belly with a mustard and parsley crust (R40 - R$ 8,60) - barriga de porco com mostarda e salsinha crocante. Carne de porco muito macia e com capa levemente crocante. Muito bom.
Mini kudu fillets with chilli potato purée and garlic spinach with citrus reduction (R60 - R$ 13) - eram pedaços de carne de kudu, um tipo de antílope, servida com purê de batatas levemente picante e espinafre passado no alho, tudo com uma redução de frutas cítricas. Como odeio espinafre, deixei de lado ele e o purê que teve contato com tal verdura. Só experimentei a carne. Achei o sabor mais forte que uma carne de boi ou de porco, mas dura, mesmo sendo filé.
Aubergine, sweet potato and chickpea coconut curry (R40 - R$ 8,60) - servido em uma cumbuca individual (porção com quatro), trata-se de berinjela cozida, chips de batata doce e uma pasta de grão de bico, coco e curry. Estava muito picante, motivo pelo qual Cláudia só deu uma garfada e Vera nem experimentou. Gostei tanto que comi as quatros cumbucas.

Quando já terminávamos nosso jantar, a garçonete veio nos perguntar se pediríamos mais alguma coisa, pois fechariam o restaurante às 23 horas. Faltavam vinte minutos para eles encerrarem o expediente. As mesas já começavam a esvaziar. Satisfeitos, pedimos a conta, ainda bebendo nosso champanhe. A conta veio logo, ficando em um montante total de R2.010 (R$ 434), com a gorjeta de 12,5%, por nós incluída. Não foi o restaurante dos sonhos, mas tivemos uma boa experiência. Quando saímos, o movimento na rua era mais intenso do que quando chegamos. Descemos a pé para o hotel. Decidimos ver os fogos e o show da virada no Waterfront.

Endereço: 84 Long Street, Cape Town, África do Sul.
www.fork-restaurants.co.za
Contatos: +27 21 424 6334 - tapas@fork-restaurants.co.za
Especialidade: tapas com toques contemporâneos.

domingo, 12 de janeiro de 2014

THE POT LUCK CLUB - GASTRONOMIA NA CIDADE DO CABO, ÁFRICA DO SUL

Como ninguém tinha dormido, resolvemos nos aprontar um pouco antes do horário combinado e conhecer a loja de vinhos Caroline, antes de irmos para o restaurante The Pot Luck Club. A loja fica a menos de cem metros da entrada do nosso hotel, o Strand Tower Hotel. Chegamos faltando cinco minutos para ela fechar. Tínhamos a indicação de Caroline ser a melhor loja de vinhos de Cape Town. Demos uma rápida olhada e como já eram 17:30 horas, as portas se fechavam. Pegamos um cartão com o horário de funcionamento da loja e saímos. Na esquina, vimos um táxi livre. Entramos nele e indicamos o endereço do restaurante. O motorista não ligou o taxímetro. Perguntei quanto custaria a viagem, obtendo a resposta que a corrida sairia por R70 (R$ 15,50). Aprendemos ali que teríamos que perguntar o preço da corrida sempre ao entrar no táxi. Em cerca de vinte minutos chegamos a uma construção que me pareceu uma antiga fábrica. O táxi entrou no estacionamento interno para nos deixar. Era uma espécie de shopping com lojas descoladas de design. O local chama-se The Old Biscuit Mill. Perguntamos ao vigilante onde ficava o restaurante e ele nos apontou para o último andar de uma torre. Na verdade, era onde funcionava um silo, já que estávamos na zona portuária da cidade. Pegamos um elevador panorâmico, muito quente, por sinal, e descemos no sexto e último piso, onde estava o The Pot Luck Club. Uma simpática loura nos atendeu, conferiu o nome de Cláudia na reserva e nos conduziu para uma mesa ao centro do salão. O local é cercado com janelões de vidro, permitindo que toda a luz do dia ilumine o seu interior, além de oferecer uma deslumbrante vista da Cidade do Cabo e de parte da sua famosa Table Mountain. Mesas de madeira, bar e cozinha totalmente abertos e luminárias diferentes pendendo do teto fazem da decoração um misto de rústico e moderno. Na verdade, não tínhamos nenhuma referência deste restaurante. Ao tentar reservar uma mesa para jantar no restaurante The Test Kitchen, classificado como número 61 do mundo pela revista britânica The Restaurant, em sua edição 2013, Cláudia recebeu a resposta que estavam completos, podendo colocar o nome na lista de espera, em posição não muito confortável, lá pelo 27º lugar. No mesmo e-mail, eles indicaram o The Pot Luck Club, situado no mesmo prédio, e do mesmo chef Luke-Dale Roberts. Sarah foi a nossa garçonete durante toda a noite (na verdade, como ficamos no local de 18:30 às 20:30 horas, tivemos praticamente luz do sol durante todo o nosso jantar). Ela nos explicou a proposta do restaurante. Não havia pratos grandes, mas apenas pequenas porções para compartilhar com todos da mesa, o que garantia um melhor convívio entre as pessoas. O cardápio era dividido por sabores: doce, amargo, azedo, salgado e umami, além de extra doce, específico para as propostas de sobremesa. Como éramos três pessoas, sugeriu que pedíssemos, no mínimo, nove pratos. Os pratos não chegariam na ordem do pedido, mas sim na medida em que os subchefes os preparassem. De onde ficamos, dava para ver todo o trabalho na cozinha. Uma lousa indicava as sugestões do dia, a maioria delas incluída no menu. Recebemos uma folha para anotarmos nosso pedido com as respectivas quantidades. Durante o jantar, escolhemos nove pratos, sendo três deles em dobro. Nestes pratos, estava incluída uma sobremesa. Também escolhemos um espumante sul-africano para iniciar os trabalhos e brindar o início de nossa viagem. O espumante foi o Sterhuis Blanc de Blanc 2010 (R285 - R$ 63,20), produzido na região de Stellenbosch. Boa perlage, refrescante, foi uma certada escolha para os pratos mais leves. Em seguida, bebemos um vinho branco, também sul-africano, produzido em Western Cape, na região do Cabo da Boa Esperança. Era o Yardstick 2012 (R330 - R$ 73,20), elaborado com a casta chardonnay. Outro vinho refrescante, que foi uma ótima companhia para o calor que fazia naquele início de noite. E uma surpresa para as amigas por eu estar apreciando um vinho branco! Por fim, Vera e Cláudia acompanharam a sobremesa com o Port-style Catherine Marshall Myriad 2008, cuja taça custou R45 (R$ 10). Eis os pratos do jantar, apresentados sem ser na ordem de chegada à mesa:
01) Pot Luck Club fish tacos (R50 - R$ 11,10) - pedimos dois deles por causa das indicações de Sarah. É uma releitura de tradicional prato da culinária mexicana, mas recheado com peixe fresco. Estava sensacional. Tacos crocantes e peixe bem molhado.
02) Foie gras "au torchon" with apple and cramberry chutney and brioche (R150 - R$ 33,30) - outro prato que pedimos duas porções. Cerejas defumadas deram um toque esquisito ao sabor deste prato. Os brioches estavam muito bons. Até pedimos mais deles para comer com o foie gras, que estavam muito leve, bem pastoso. O chutney de cramberry ajudou a tirar o sabor residual de gordura próprio desta iguaria francesa.
03) Salmon trout with lemon oil dressing, thinnly sliced turnip (R75 - R$ 16,60) - prato que não estava no menu, sendo a indicação da noite do chef. Releitura de ceviche, com o salmão cortado mais fino do que um sashimi, deitado em cama de finas lâminas de nabo cru. O sabor do limão estava bem acentuado, o que matou a delicadeza do salmão no paladar. Sem dúvida, foi o prato com a mais bela apresentação do jantar.
04) Spring salad, sesame sushi rice ball with tamarind and tahini dressing (R40 - R$ 8,90) - salada de folhas e releitura de prato chinês, com ótimos bolinhos de arroz, com toques da culinária japonesa e árabe, ou seja, cozinha de fusão em sua melhor definição. Estava muito bom. Vera e Cláudia não gostaram do prato.
05) Smoked beef fillet with black pepper and truffle café au lait (R90 - R$ 19,90) - mais um prato que pedimos duas porções. Tiras de filé mignon defumado servido com pimenta preta em calda de café com leite trufado. Mais uma mistura inusitada e de excelente resultado no paladar.
06) Wood fired scallops with yuzu dressing and foie gras butter (R125 - R$ 27,70) - vieiras feitas na brasa com um molho a base de cítricos envoltas em uma manteiga de foie gras. Gordura e acidez misturados. Inusitado. Agradou, mas não me empolgou.
07) Blood orange and gin sorbet, sake compressed watermelon and bitter jellies (R30 - R$ 6,60) - este prato foi servido antes das carnes gordas, lavando as papilas gustativas dos sabores ácido e amargo que degustamos até então. Além disto, foi altamente refrescante. A gelatina de melancia com sakê estava sensacional, mas Cláudia passou, pois não aprecia esta fruta.
08) Selection of south african cheese (R85 - R$ 18,80) - cinco tipos de queijo em uma tábua de madeira, acompanhados por pães artesanais. Todos os queijos produzidos no país. Sou suspeito para falar, pois como bom mineiro, gosto muito de queijo, de qualquer tipo.
09) Nectarine and almond tart with malted pop corn ice cream (R50 - R$ 11,10) - já estava satisfeito a esta altura, não provando desta sobremesa. Ela foi aprovada por minhas amigas.
Antes da conta, pedimos um café espresso duplo, cuja xícara saiu por R20 (R$ 4,40) cada uma. Ainda fomos na pequena varanda externa, próxima ao bar, para tirar algumas fotos tendo a Table Mountain ao fundo. O bar já estava cheio de gente do segundo turno do jantar, que começaria às 21 horas. Pelo fausto jantar, pagamos o total de R1.950 (R$ 431,60), já incluída a gorjeta, que no caso, é 12,5% do valor da conta. Pedimos para chamarem um táxi para nós, mas acabamos descendo antes do carro chegar para conhecer o local. As lojas já estavam fechadas (o comércio em Cape Town fecha por volta de 21 horas). Vimos dois restaurantes abertos e completamente lotados. Burrata, de cozinha italiana, e o The Test Kitchen, onde fomos ver, "in loco", se conseguíamos uma mesa para as noites seguintes (tínhamos nome na lista de espera para jantar nos dias 01, 02 e 03 de janeiro). Nada feito, ainda permanecíamos nos mesmos longínquos lugares na tal lista. A hostess nos tirou a esperança, dizendo-nos que dificilmente havia desistência, principalmente em alta temporada, como a que estávamos. Pegamos o primeiro táxi que chegou no local. Nosso destino: Waterfront.

Endereço: Silo Top Floor, The Old Biscuit Mill - 373-375 Albert Road Woodstock, Cape Town.
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Contatos: +27 21 447 0804 - e.reservations@thepotluckclub.co.za
Especialidade: cozinha de fusão, sob o comando do chef Luke-Dale Roberts.