Ney Matogrosso é meu cantor preferido. Tenho todos os discos que ele lançou, incluindo aqueles com o Secos & Molhados. É um cantor que se aprimorou com o tempo. Sua voz continua firme e linda. Ele não tem medo de ousar, de gravar e cantar com a nova geração. São muitos os discos dos quais gosto, mas seu trabalho de 2008, lançado pela EMI, Inclassificáveis, é sensacional. Deve constar em qualquer discoteca básica da música brasileira. E tão bom quanto o disco é o dvd, reflexo do ótimo show de mesmo nome. Neste disco, Ney grava os compositores consagrados Chico Buarque e Edu Lobo (Ode aos Ratos), Cazuza (O Tempo Não Para e Porque Que A Gente É Assim), Caetano Veloso e Gilberto Gil (Divino Maravilhoso), Itamar Assumpção (Ouça-Me e Existem Coisas Na Vida)), e Arnaldo Antunes (Inclassificáveis). Apresenta sua versão para as músicas de compositores estrangeiros Sea (Jorge Drexler, uruguaio) e Lema (Lokua Kanza, nascido no Congo). E como sua marca registrada, não se esquece da nova geração, gravando Mal Necessário (Mauro Kwitko), Fraterno (Pedro Luís), Um Pouco de Calor (Dan Nakagawa) e Veja Bem Meu Bem (Marcelo Camelo). Ainda há as gravações bem particulares de Leve (Iara Rennó e Alice Ruiz) e Coração Coragem (Cláudio Monjope e Carlos Rennó). E regrava a música Mente, Mente, de Robinson Borba, presente em seu disco Bugre, de 1986. Esta mesma música, Ney a gravou em dueto com Arrigo Barnabé para a trilha sonora do filme Cidade Oculta, produção brasileira de 1986 dirigida por Chico Botelho. Não bastasse a beleza da interpretação de Ney Matogrosso, o cd tem uma inspirada capa em tom azulado.
INCLASSIFICÁVEIS - NEY MATOGROSSO - 2008
