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domingo, 22 de dezembro de 2013

A VOLTA DE LIMA PARA BRASILIA

Quinta-feira, 12 de dezembro de 2013. Um longo dia de viagem nos aguardava. Depois do café da manhã, era hora de acertar as contas com o Hotel Roosevelt. Minha estadia, com diárias, consumo de frigobar e traslados aeroporto-hotel-aeroporto, ficou por U$ 400,00. A van do hotel que nos transportou até o aeroporto encostou quinze minutos antes do horário combinado para sairmos. Eram 8:30 horas. A volta ficou U$ 2 mais barata por pessoa do que a chegada. Neste trecho, pagamos U$ 12,50 cada um, lançados diretamente na conta do quarto. Saímos mais cedo para o aeroporto. Carro confortável, motorista desatento e sem paciência com o trânsito. Ele fez uma curva tão fechada que subiu no meio-fio, fazendo um barulho enorme. O baque derrubou as malas, mas nem por isso ele se desculpou. Parecia que transportava gado. Demos muitas voltas, ora evitando o trânsito lento, ora desviando de obras nas ruas e avenidas. Chegamos ao aeroporto com bastante antecedência. O aeroporto de Lima é diferente de todos os outros que já passei, pois nele só é permitida a entrada na área de check in a quem tem passagem nas mãos. Ou seja, antes de entrar no edifício do aeroporto, tivemos que mostrar passaporte. Era a primeira de muitas que mostraríamos nosso passaporte naquele local. Não havia filas nos balcões da TAM. Fizemos um despacho rápido. Nem adiantou mostrar que tinha os cartões de embarque no meu celular. A despachante emitiu cartões físicos para mim. Desta vez, não estava na classe executiva. Poltrona 25C. Para sair da área de check in, mostramos novamente os passaportes, quando nos indicaram por onde embarcar. Subimos as escadas, passamos por uma movimentada área de lojas e praça de alimentação, entrando na fila do controle de raio X, onde mostramos o passaporte antes de sermos direcionados para o lado correto da fila. Andamos mais um pouco e nova apresentação de nosso documento para passarmos as malas no raio X. Depois, ainda passamos pela imigração, onde o atendimento parecia ser lento, mas quando chegou a minha vez, não fiquei nem três minutos no balcão, tempo suficiente para um carimbo no passaporte e recolhimento do formulário de imigração preenchido quando da entrada no país. Era hora de cada um por si, pois entramos na área de lojas. Acabei comprando uns artigos de viagem, balas, camisetas alusivas ao Peru e mais um anel de prata na loja da Ilaria. Com as compras feitas, fui para o portão de embarque, parando no caminho para comprar minha última Inca Kola. O horário do voo era 11:55 h, mas ao meio dia a aeronave ainda não tinha pousado. Atrasamos para embarcar e, consequentemente, atrasamos para decolar. Voo lotado. O comandante pediu desculpas pelo atraso, dizendo que o voo duraria quatro horas e meia até São Paulo e que seria possível tirar o atraso durante o voo. Enquanto voamos, comecei e terminei de ler um livro, A Confissão da Leoa, de Mia Couto. Pouca turbulência marcou o nosso voo. Perto de São Paulo, o comandante avisou que devido ao tráfico intenso de aeronaves na região de Guarulhos, nosso pouso fora autorizado para 20: 20 horas, ou seja, vinte minutos após o horário inicialmente previsto. Fiquei preocupado com nossa conexão, pois tudo em Guarulhos é lento, ainda mais quando se trata de esperar bagagens em voos operados pela TAM. Conseguimos sair do avião às 20:43 horas. Fila enorme na imigração, mas ainda bem que andava rápido. Tinha a intensão de passar na loja da Dufry, mas a fila para pagamento me desanimou, pois tinha ainda que passar pela alfândega, ir até o balcão de conexão da TAM para novo despacho de bagagem e fazer todo o procedimento de embarque naquele aeroporto sempre cheio. Não daria tempo. E nada da nossa mala sair. A primeira que deu as caras foi a de LH. Ele pegou sua mala e saiu correndo. Já passavam de 21:15 horas. E nada de mala aparecer. Às 21:40 horas, as três malas apareceram. Eu, Paula e Telma nem pensamos duas vezes, apressamos o passo, passamos pela alfândega torcendo para não nos pararmos, o que não aconteceu, e zunamos para o balcão da TAM, onde uma fila média estava formada. Já cheguei perguntando alto sobre o voo para Brasília. O funcionário TAM disse que era para aguardar na fila, pois o voo já estava fechado. Eu e Paula ficamos na fila, enquanto Telma foi questionar o motivo do fechamento do voo, pois nossas malas demoraram mais de uma hora para aparecer na esteira. Outros passageiros reclamavam o mesmo. O funcionário fez uma ligação interna e gritou para quem fosse para Brasília, São Luís e Aracaju correr e colocar as malas na esteira do despacho. Sem mais delongas, sem conferências, fomos os primeiros a jogar, literalmente, a nossa bagagem na esteira, saindo correndo para o portão de embarque, onde LH estava e nos avisava, por mensagem, que já chamavam para o embarque. Quase atropelei uma família que se despedia atrapalhando quem queria entrar na área reservada a quem tinha cartão de embarque. Nem vi se me xingaram ou não. Corri, passei pelo raio X, desci as escadas rente ao portão 1, encontramos com LH na fila para o embarque remoto. Embarcamos. Conseguimos. Ficou a dúvida se as malas chegariam. Voo lotado. Atraso para decolagem. Somente chegamos em Brasília na madrugada do dia 13. Malas demoraram muito para aparecer na esteira. Todas vieram. Estava de carro no aeroporto. Paguei pelos cinco dias de estacionamento (R$ 124,00) e dei carona para todo mundo, deixando, pela ordem, Paula, LH e Telma em seus respectivos apartamentos, chegando em casa depois de 2 horas da manhã. Ainda desfiz a mala, tomei um longo banho e relaxei. Amanheci com uma gripe fenomenal. Nem fui trabalhar. Vírus inca?

sábado, 21 de dezembro de 2013

RAFAEL - GASTRONOMIA EM LIMA, PERU


Quarta-feira, 12 de dezembro de 2013, 20 horas. Todos prontos no saguão do hotel para irmos jantar no Rafael, mais um badalado restaurante de comida peruana, com toques contemporâneos, que ocupa o 13º lugar na lista dos 50 melhores restaurantes da América Latina. No comando das caçarolas, o chef Rafael Osterling, dono também do restaurante El Mercado, especializado em frutos do mar. Tínhamos feito reserva dois dias antes para uma mesa com seis pessoas: eu, Paula, Maria Cláudia, LH, Fernanda e Telma. Pedro Américo, Valéria e Karina voltaram para o Brasil naquela noite. Pedimos dois táxis na recepção do hotel. O mensageiro negociou o preço da corrida até Miraflores, onde fica o restaurante: s/. 10. Chegamos no horário marcado na reserva. O restaurante já estava lotado, com gente na fila de espera no seu aconchegante bar. Rafael ocupa uma casa de esquina, com dois salões. O maior deles é o utilizado para a refeição, enquanto o menor abriga o bar e uma pequena sala de espera. Muitos quadros e obras de arte ilustram as paredes do restaurante, até mesmo nos banheiros. Há uma enorme brigada de garçons, o que garante um bom atendimento, mesmo com todas as mesas completas. A noite de despedida de Lima merecia um vinho, motivo também para celebrar o sucesso de nosso trabalho na cidade. Com exceção de LH, compartilhamos duas garrafas do vinho tinto chileno Montes Selección Limitada 2011 (s/. 120 cada garrafa), elaborado com um corte de cabernet sauvignon e carmenère. Mostrou-se melhor ao longo da noite, na medida em que respirava nas taças. É melhor quando acompanhado de comida. Antes mesmo de nos sentarmos, a mesa já contava com um cesto de pães artesanais, quentes, elaborados com algumas sementes peruanas, acompanhados por três pastas: azeitona verde, ají amarillo e queijo de cabra, além de um azeite com gotas de redução de aceto balsâmico. Os pães estavam tão bons que pedimos para repor, o que fomos prontamente atendidos. A nova fornada chegou mais fresquinha e com muito mais aroma. Decidimos dividir duas entradas entre nós seis. As opções do cardápio são tantas, que tivemos dificuldades em escolher. Ao final, vieram um pulpo a la grilla, chimichurri de pimientos braseados, aceitunas pendiolo e ajos confitados (s/. 43), e gnocchis de queso de cabra y ricotta, pesto de corte a mano, alcachofas, zucchini, tomate cherry y fuego de mozarella de bufala (s/. 39). Enquanto esperava as entradas chegarem, pedi a senha do wi-fi. Os pratos do Rafael são muito aromáticos e como estávamos próximos à saída da cozinha, cheiros agradáveis instigavam nosso olfato a todo instante. Nossas entradas também eram bem perfumadas. Só experimentei o prato com polvo. Bonita apresentação, a carne estava macia, uma delícia, com um excelente tempero. Os acompanhamentos fizeram seu papel, sem tirar o brilho do polvo. Meu prato de fundo tinha que ser um típico do Peru que ainda não tinha experimentado nesta viagem. Pedi um lomo saltado a mi estilo en aromas de pisco y chicha de jora con huevo de codorniz (s/. 62). Sensacional. O filé mignon, cortado em tiras mais grossas, veio no ponto correto, macio, com um leve sabor de pisco. O detalhe dos ovos de codorna fritos por cima da batata cozida foi perfeito. Foi o melhor restaurante que visitei nesta minha estada em Lima. Não quis sobremesa, nem café. Aguardei os demais da mesa apreciarem seus pedidos doces para pagar a conta, que ficou em s/. 163 para cada um (R$ 137,00). Ao sairmos, pedimos que nos chamassem dois táxis. Rapidamente dois modernos carros estavam à nossa disposição, porém com preços salgados. O taxista queria nos cobrar s/. 30 pelo trajeto Miraflores-San Isidro, alegando que o carro era credenciado nos hotéis e restaurantes da região, que era confortável (realmente o era) e seguro. Conseguimos que ele baixasse o preço para s/. 25. No hotel, era hora de garantir um transporte para o aeroporto na manhã seguinte, o que fizemos na recepção, arrumar a mala e dormir.


gnocchis de queso de cabra y ricotta, pesto de corte a mano, alcachofas, zucchini, tomate cherry y fuego de mozarella de bufala


pulpo a la grilla, chimichurri de pimientos braseados, aceitunas pendiolo e ajos confitados


lomo saltado a mi estilo en aromas de pisco y chicha de jora con huevo de codorniz

Endereço: Calle San Martín, 300, Miraflores, Lima, Peru.
Contatos: +51 1 242 4149.
Especialidade: culinária peruana moderna.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

MIRAFLORES - LIMA

Assim que terminamos o almoço no Tanta Larcomar, a turma se dispersou no shopping. Fui um dos últimos a sair do restaurante. Quando estava tirando a máquina fotográfica da bolsa, Karina apareceu chamando-me para ver umas peças em prata na Ilaria, uma famosa joalheria peruana especializada em artigos neste metal. Ela me levou direto para a vitrine com anéis, pulseiras e cordões masculinos. Gostei de três anéis, mas somente um deles coube em meu dedo. Não havia outros tamanhos e nem eles alargavam as peças existentes. Gostei também de uma pulseira em couro e prata, cujo fecho eram duas cabeças de um animal, mas Karina me chochou de cara, dizendo que era horrível. Comprei apenas um anel por s/. 220. Já saí com ele no dedo. Continuei a percorrer os corredores do shopping, vendo vitrines, mas com o firme propósito de nada mais comprar. Telma queria conhecer um pouco a região. Resolvi acompanhá-la. Nós dois saímos do shopping, pegando a calçada da esquerda, margeando, bem no alto, o litoral limenho. Para a esquerda, tivemos uma excelente noção de parte da chamada La Costa Verde. No mar, um bando de jovens buscava as melhores ondas para surfar. Uma bem cuidada calçada, bastante arborizada, era o nosso caminho. Paramos várias vezes para tirar fotos. Telma me perguntou o que era uma construção na cor azul que avançava no mar em presença marcante na região. Era o restaurante Rosa Náutica, que já tinha tido a oportunidade de almoçar por duas ocasiões e nenhuma deles fiquei satisfeito com o serviço e os pratos do menu. Seguimos adiante. De um lado, sempre o mar. Do outro, modernos edifícios. Miraflores bem cuidada. Pequenos trechos de verde são parques com nomes diferentes, mas todos estão unidos pelo mesmo caminho. Paramos em um belvedere, onde há uma escultura enorme chamada Intihuatana, obra do artista Fernando de Szyszlo, cuja percepção varia dependendo do ângulo que nós a vemos. Mais fotos. Atravessamos a simpática Puente E. Villena Rey, alcançando o mais famoso parque da região, o Parque del Amor, cujos bancos de mosaico de pedaços de azulejos lembram muito a obra de Gaudí no Park Guell em Barcelona. A vista que se tem dali é deslumbrante. Os jardins estavam floridos, cenário perfeito para fotos de tudo quanto é evento. Na ocasião, duas senhoras com roupas típicas faziam uma espécie de ensaio fotográfico. Mas o que mais chama a atenção neste parque é a escultura El Beso, do artista peruano Victor Delfin. Ela é grande, em cor de terra, retratando um casal com feições bem indígenas deitado se beijando. Dois policiais fazem a segurança do local. O dia já ia embora. Ventava muito. Era hora de voltar para o hotel. Pegamos um táxi que estava estacionado ali perto. O motorista queria cobrar s/. 20, mas acabamos negociando para pagar s/. 12. Ele fez uma longa volta pelos bairros Miraflores e San Isidro, escapando do infernal engarrafamento de final de tarde em dia útil em Lima. Foi bom que conhecemos mais um pedaço da cidade, pois ele passou por dentro do Bosque El Olivar de San Isidro, reduto de mansões limenhas e declarado como monumento nacional desde 1959. No hotel, tínhamos umas duas horas até sairmos novamente para nosso jantar de despedida da cidade.

Intihuatana, de Fernando de Szyszlo


El Beso, de Victor Delfin

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

TANTA LARCOMAR - GASTRONOMIA EM LIMA, PERU


Os trabalhos na Organização Internacional do Trabalho terminaram por volta de 13 horas da quarta-feira, dia 11 de dezembro de 2013. Após um encerramento formal, momento de descontração: foto de todos os participantes na área externa do prédio. Muitos abraços, sorrisos, apertos de mãos e a certeza que estávamos no rumo certo. Agora era arregaçar as mangas e trabalhar em cooperação para atingirmos o objetivo maior: a erradicação do trabalho infantil na América Latina e no Caribe. A delegação brasileira decidiu despedir-se de Lima almoçando em um local agradável, com vistas para o Oceano Pacífico. Nossa escolha recaiu sobre a filial do Tanta no shopping Larcomar. O Tanta é um dos muitos restaurantes do badalado chef Gastón Acurio e tem como lema "comida casera peruana en un ambiente familiar y acogedor". A grafia moderna e colorida do nome do restaurante não deixa dúvida sobre sua real vocação, um restaurante estilo bistrô, com clássicos da cozinha peruana, mas com opções de sanduíches e pratos mais rápidos também. Não é a toa que possui sete unidades somente em Lima. Foram necessários três táxis para levar todo mundo: eu, Karina, LH, Paula, Telma, Maria Cláudia, Fernanda, Valéria, Pedro Américo e Selim, este último trabalha pela OIT no Haiti. Cada grupo negociou o valor da corrida diretamente com o motorista de táxi. No caso, a corrida para meu grupo ficou em s/. 15 desde a sede da OIT, em San Isidro, até a entrada do Larcomar, um shopping construído respeitando a geografia das falésias de Miraflores. Assim, sua arquitetura é sinuosa e, aproveitando o fato de praticamente não chover na cidade, tem grandes áreas abertas. O Tanta Larcomar está em local de fácil visualização, com uma ótima vista para o mar. Quando chegamos, já perto de 14 horas, estava cheio, sem possibilidades de acomodar o grupo grande nas mesas disponíveis no salão interno. Ficamos no terraço, em mesa localizada próxima à parede de vidro que impede o vento constante do local atrapalhar quem está comendo. Assim que sentamos, dois garçons já nos entregaram os cardápios. Antes de mais nada, pedi uma garrafa de Inca Kola (s/. 6,50), pois estava com muita sede e aquele seria meu último almoço nesta temporada no Peru, tendo que tomar, mais uma vez, este refrigerante doce, muito apreciado pelos peruanos. Resolvi compartilhar uma entrada com alguns da mesa. Pedimos las croquetas triunfadoras (s/. 28). Não houve demora na chegada deste prato. São oito unidades de um bolinho frito feito com batata, recheado com ají de gallina, acompanhando um creme de rocoto à parte. Quando os bolinhos passaram perfumados pela mesa, todos quiseram experimentar. Como os pratos principais já haviam sido comandados, resolvemos partir os bolinhos ao meio, cabendo um pequeno pedaço a cada um da mesa. Muito saboroso. Quanto ao meu prato principal, li e reli o cardápio algumas vezes, mas o que eu queria comer não estava relacionado. Ao perguntar o garçom se eles tinham arroz chaufa, ele respondeu que podiam preparar se eu quisesse. E ainda me ofereceu três tipos deles. Escolhi o que ele chamou de arroz chaufa especial (s/. 38), um arroz com influências chinesas com filé mignon em tiras, frango cortado em cubos e camarões, além de muita cebolinha. Prato simples e rico em sabor. Muito bom. Ainda teve a sobremesa, quando pedi uma copita de suspiro limeño (s/. 12). Doce à base de doce de leite com suspiro. Era bonita, mas estava excessivamente doce. Para finalizar, café espresso. Devolvemos por duas vezes o bendito café, pois chegava frio à mesa, além do sabor não ser dos melhores. É melhor pular o cafezinho no Tanta, pois há uma cafeteria colombiana no mesmo shopping com várias opções de café. Pedimos a conta, dividindo-a por igual. Cada um pagou s/. 71 pelo almoço. Bom lugar para uma refeição rápida.




Endereço: Calle Malecón de la Reserva, 610, Larcomar Shopping, Miraflores, Lima, Peru.
Contatos: +51 1 446 9357. larcomar@tanta.com.pe
Especialidade: culinária peruana em clima de bistrô.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

PASSEANDO PELAS GÔNDOLAS DE UM SUPERMERCADO LIMENHO

Depois de muita discussão, de trabalho em grupos e de decisões importantes durante a manhã de terça-feira, dia 10 de dezembro de 2013, quando do segundo dia de trabalho da Iniciativa 2030: América Latina Livre de Trabalho Infantil, evento na OIT em Lima, tivemos uma pausa para almoçar. Diferente do primeiro dia, não tínhamos nenhuma local reservado pela organização do evento. No início da manhã, eles entregaram para cada participante uma lista de restaurantes da região. Cada um ficou livre para escolher o que quisesse fazer e onde almoçar. Eu, Paula e Valéria decidimos fazer uma coisa diferente. Nada de restaurantes badalados e chefes premiados. Fomos para um supermercado. O Wong ficava a seis quadras de onde estávamos. Caminhamos até ele, que fica na esquina de Avenida Dos de Mayo com Calle Alamos. No caminho, vimos vários idosos com jalecos informando que faziam câmbio. Algo comum em Lima. Queríamos ver as gôndolas do supermercado, especialmente as que tinham temperos e produtos da culinária peruana. Percorremos boa parte do local, nos detendo nas estantes de temperos. Eu não quis comprar nada disso, pois não cozinho. Peguei apenas alguns tabletes de chocolate peruano. Quando terminamos nossa escolha e com fome, optamos por almoçar ali mesmo, caso houvesse uma lanchonete ou um café. Vimos a padaria e um setor onde as pessoas compravam comida servida em vasilhame de plástico. Não havia local para sentar. Fomos para o setor de caixa, já com a ideia de procurar algum restaurante na redondeza para comer algo, quando Paula perguntou a um funcionário se havia algum café no supermercado. Ele apontou para a escada rolante, dizendo que o café ficava no segundo piso. Pegamos a nossa compra e subimos. O local estava lotado. Muita gente compra a comida na parte de baixo e sobre para almoçar sentada nas mesas do café. Como não podem entrar sem consumir, compram algum tipo de bebida para acompanhar o rápido almoço. Achamos uma mesa para duas pessoas e nela sentamos. Paula colocou uma terceira cadeira na mesa. Eu fiquei tomando conta do lugar e das coisas, enquanto elas foram comprar a refeição de cada uma. Um funcionário do café veio limpar a mesa e retirou a cadeira, dizendo que naquele local ela atrapalhava a fila do caixa. E era verdade. As duas chegaram com seus respectivos lanches. Foi a minha vez de levantar e fazer meu pedido no caixa. Escolhi duas empanadas, uma de carne e outra de ají de gallina. Para beber, um copo de chicha morada, um refresco de milho roxo, muito consumido pelos peruanos. Tudo estava bem feito e com bom tempero, especialmente a empanada de ají de gallina. Na hora de me sentar, vi alguns sofás vazios, para onde nós fomos.Terminado o lanche, passamos as compras no caixa no piso térreo e voltamos para a OIT. Trabalhamos a tarde toda até por volta de 18:30 horas. Tínhamos um jantar oferecido pela Ministra do Trabalho do Peru em salão reservado no Delfines Hotel & Casino para 20:30 horas. Antes de voltar ao hotel, eu, Paula, LH, Fernanda e Maria Cláudia pegamos dois táxis e fomos para a loja Casa & Ideas, uma loja chilena especializada em artigos de casa, nos moldes de Tok & Stok ou Etna. O trânsito que enfrentamos foi um inferno. Tudo estava parado. Custamos a percorrer um percurso de pouco mais de dois quilômetros. Na loja, comprei uns pratinhos para servir pizza e pregadores coloridos para pendurar roupa no varal. Paula, LH e eu terminamos rapidamente nossas compras, pagamos e pegamos um táxi para o hotel, onde tivemos tempo de apenas tomar um banho rápido, aprontar e sair para o jantar oficial. Fomos de táxi. Por compromisso de última hora, a Ministra que oferecia o jantar não se fez presente. Da culinária peruana, apenas as bebidas (pisco souer e Inca Kola) e o salgadinho servido antes do jantar, tequeño recheado de ají de gallina. No mais, pratos da culinária internacional. Terminado o compromisso, alguns resolveram esticar a noite em um bar, enquanto eu retornei para o hotel. Queria dormir um pouco mais naquela noite.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

MALABAR - GASTRONOMIA EM LIMA, PERU


Durante toda a segunda-feira, dia 09 de dezembro de 2013, tentamos fazer reserva em alguns badalados restaurantes de Lima. Conseguimos mesa para nove pessoas no Malabar, do chef peruano Pedro Miguel Schiaffino, para 20:30 horas daquele mesmo dia. Terminamos os trabalhos na OIT por volta de 19 horas. Decidimos ir direto, sem passar no hotel. Segundo nos informaram, a caminhada da OIT (Calle de Las Flores, 275, San Isidro) até o restaurante durava, no máximo, meia hora. Ficamos checando e-mails no escritório até 19:45 horas, quando resolvemos ir a pé para o restaurante. LH, Maria Cláudia e Fernanda foram antes ao hotel. Assim, eu, Paula, Karina, Valéria, Telma e Pedro Américo caminhamos a passos lentos pela Avenida Jorge Basadre Grohmann, algo em torno de 1,5 quilômetros. Fazia um tempo agradável. Nem calor, nem frio. O trânsito era uma loucura àquela hora. Nem percebemos o tempo passar, pois fomos trocando ideias até lá. Quando chegamos, nossa mesa já estava preparada. Ao fundo do salão à esquerda de quem entra, a última mesa. É o preço que se paga para reservas para grupos grandes, sempre o grupo é acomodado nos piores lugares. O mesmo vale quando se está sozinho. O Malabar está badalado atualmente, pois figura no 76º lugar na edição 2013 da lista dos melhores restaurantes do mundo, organizada pela revista britânica The Restaurant, e ocupa o 7º lugar na lista 2013 dos 50 melhores restaurantes da América Latina, divulgada em setembro durante o festival Mistura, em Lima, Peru. Para beber, continuei no tradicional drinque peruano, o pisco souer. Este estava mais refrescante, pois tinha mais limão e estava gelado. Para hidratar, água com gás Badoit. A decoração do local utiliza elementos indígenas da Amazônia, incluindo pratos e sous-plats. Logo que chegou a minha bebida, pedi a senha do wi-fi, no que fui prontamente atendido. A senha é complicada de guardar. O garçom teve que ditar bem devagar, por mais de uma vez, para quem se interessou na mesa. Quando já tínhamos brindado, chegou o restante do grupo: Maria Cláudia, Fernanda e LH. Antes de tirar os pedidos, o garçom colocou na mesa o couvert da casa: cesto de pães artesanais, feitos com sementes amazônicas, manteiga bem salgada e um ótimo mandiopã, seco e crocante, além de uma fina lâmina de massa de batata doce assada. Também chegou à mesa o mimo do chef, ou seja, bolinhos fritos de milho (choclo) recheados com queijo andino e molho ají. Sensacional. Gosto levemente ácido e picante, quente, com o queijo derretendo por dentro do bolinho. Massa leve e bem temperada. Fiquei em dúvida do que pedir como prato de fundo, pois o cardápio tem várias opções interessantes e diferentes. Foi perguntando ao garçom que cheguei à minha decisão: espalda de cordeiro y piedras del camino (s/. 72). O prato demorou uns vinte minutos para chegar à mesa. Estava curioso para saber o que eram as tais pedras do caminho. Prato com bela apresentação, com a carne de cordeiro cortada em pequenos pedaços, todos eles tostados por fora e bem rosados por dentro, em ponto perfeito. Estava bem macia e saborosa. As curiosas pedras nada mais eram do que três tipos diferentes de batatas selvagens, uma delas doce. Realmente a aparência delas era de pedras, especialmente a de cor mais clara. Estavam apenas cozidas, sem tempero algum. O sabor de cada uma delas era diferente e muito sui generis. Realmente a culinária peruana é surpreendente. Pulei a sobremesa e o café espresso. Depois de quase três horas no restaurante, que esteve lotado o tempo inteiro em que lá estivemos, era hora de pagar a conta. Dividimos por oito, já que Telma não ficou para jantar. Apenas nos acompanhou até o restaurante e foi embora dormir. Cada um pagou a quantia de s/. 130 (R$ 106,00). Gostei muito da experiência amazônica. Pedimos ao garçom que nos chamasse dois táxis. Ele foi gentil, mas disse que os táxis demorariam em torno de meia hora para chegar. Resolvemos ir para a rua. Logo paramos dois carros. Por s/. 10 cada um, voltamos para o hotel. Já passava da meia noite. Mais trabalho de grupo nos aguardava na terça-feria. Hora de dormir.





espalda de cordeiro y piedras del camino

Endereço: Avenida Camino Real, 101, San Isidro, Lima, Peru. (www.malabar.com.pe)
Contatos: +51 1 440 5200. restaurante@malabar.com.pe
Especialidade: culinária amazônica com toques contemporâneos. No site, ele é classificado como de fusão amazônica.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

DELPHOS BISTRÓ - GASTRONOMIA EM LIMA, PERU

Terminada a programação oficial da primeira manhã da oficina de trabalho organizada pela OIT, era hora de almoçar. A organização do evento tinha reservado uma mesa para todos os participantes no restaurante Delphos Bistró, que fica no Delfines Hotel & Casino, a poucas quadras de distância de onde estávamos. Um tímido sol, algo não muito comum em Lima, insistia em esquentar o início de tarde. Fomos caminhando até o restaurante, onde chegamos em menos de quinze minutos. Uma mesa enorme, parecendo com as de uma churrascaria, já estava preparada para nos receber, localizada na parte mais ao fundo do restaurante, à esquerda de quem entra. Lembro-me bem de quando estive hospedado naquele hotel em 1999, quando tomava café da manhã no mesmo restaurante onde agora estava, tendo como atração matinal um show de dois golfinhos em piscina localizada à esquerda. A tal piscina ainda está lá, mas encontra-se em reforma. Sem os golfinhos, portanto. O garçom nos avisou que poderíamos nos servir à vontade do buffet de frios e no buffet de sobremesa. Além disto, chegaria à mesa uma salada de entrada e um prato quente. Tudo isto a um preço fechado de s/. 60 (R$ 48,80) por pessoa, incluindo uma bebida não alcoólica. Quem quisesse outras coisas, poderia pedir, desde que pagasse a diferença. Os brasileiros se sentaram todos juntos, no lugar mais ao fundo da mesa. No meu caso, fiquei na última cadeira, encostado no vidro que dá visão para a piscina. Por causa das obras, o vidro tinha um adesivo fosco. Para beber, não poderia ser diferente. Pedi uma garrafa de Inca Kola. Logo a salada chegou à mesa. Era um bonito prato com alface, palmito, broto de alfafa, tangerina, morango, abacaxi, uva, melão, laranja, tudo regado com um leve molho de maracujá com mel. Quando terminei de comer esta entrada, ainda me servi de alguns frios, pois não resisto ao choclo (milho branco cozido) e à camote (a batata doce deles, com uma cor laranja bem forte, parecendo abóbora moranga). Todos na mesa elogiaram uma copa de polvo em gaspacho de salsa com azeite. Peguei uma copita. Estava excelente. Os garçons começaram a servir o prato quente. Muito tradicionais, serviram todas as mulheres da mesa primeiro. Em seguida, os homens da outra ponta foram servidos. Fui ficando para trás. Tinha gente já se servindo de sobremesa quando meu prato principal chegou. Não houve escolha. Todos comeram o mesmo prato. E para não ter erro, a opção foi servir espetinho de frango, cebola e pimentão vermelho, regado com molho de linguiça e pimenta rosa, acompanhado por purê de batatas. Prato digno, com destaque para o sabor do molho. Era chegada a hora da sobremesa. Fui ávido por um doce típico, mas não tinha nenhum deles. Experimentei uma copa de maçãs caramelizadas cortadas em pequenos cubos, além de um pequeno pedaço de cheesecake com pralinê de avelã. Nenhum deles me chamou a atenção. Pagamos a conta e voltamos, também a pé, para a OIT, onde passamos a tarde inteira em mais dinâmicas de grupo para ajudar a definir estratégias para a Iniciativa 2030: América Latina Livre de Trabalho Infantil




Endereço: Calle Los Eucaliptos, 555, San Isidro, Lima, Peru.
(http://www.losdelfineshotel.com/restaurants-lima-peru-es.html).
Contatos: +51 1 215 7000.
Especialidade: culinária internacional, com alguns pratos mais tradicionais da cozinha peruana.

domingo, 15 de dezembro de 2013

MERCADO ÍNDIO

Pegamos dois táxis na porta do restaurante Pescados Capitales (Avenida La Mar, 1.337, Miraflores) em direção à rua onde ficam os mercados de artesanato peruano. No primeiro carro foram Telma, Paula e Valéria. Eu, LH e Karina esperamos mais um pouco até que uma SUV encostou. Era um táxi sem identificação, mas com credencial do restaurante. O taxista quis nos cobrar s/. 20, alegando que o carro era blindado e seguro. Negociamos o preço, argumentando que nossas amigas tinham saído naquele instante para o mesmo local e pagariam s/. 10, até ele concordar em fazer por s/. 15. Fiquei a pensar quem me provava que o carro era blindado e qual seria a minha necessidade de andar em um carro com tal característica. O trânsito fluiu bem. Ele nos deixou na esquina da Calle General Vidal Flores com Calle Suarez, onde havia uma entrada para o Mercado Indio. Demos uma volta. Não era o que eu conhecia e nem achamos as que foram na frente. O mercado estava vazio, com os vendedores nos chamando para ver seus produtos. Resolvemos sair para a rua principal, a Avenida Petit Thouars, onde há outros mercados e shoppings que vendem artesanato e artigos de prata, muito apreciados pelos turistas por causa da qualidade e dos preços. Reconheci a rua, apontando para a esquerda, onde estava o mercado maior, o que eu tinha estado da outra vez em que visitei Lima. Enquanto andávamos, recebi um SMS de Telma informando que elas estavam no Miraflores Indian Market (Avenida Petit Thouars, 5.321). Era para onde estávamos indo. Este mercado é bem maior, com corredores em várias direções cheio de lojas com os produtos típicos do Peru. Assim, vimos muita prataria, artigos de cerâmica, com destaque para as peças natalinas, já que a época favorecia as vendas destes produtos, instrumentos musicais de madeira, daqueles que a gente vê quando topamos com peruanos tocando El Condor Pasa em ruas das maiores cidades do mundo, tecidos coloridos, souvenir com alguns símbolos peruanos, como a lhama e o touro com chifres dourados, chamado torito de pukara, além de camisetas, chaveiros, marcadores de livros, badges para mochilas, imãs, entre outros itens. Eu não tenho muita paciência para rodar e pesquisar preços, ainda mais que tudo me parecia mais do mesmo, até os vendedores. Dei duas voltas completas pelos corredores, comprei um avental com um desenho de uma receita de ceviche e três velas decoradas, típicas de Cusco. Karina também decidiu rapidamente suas compras. Confesso que artesanato custa a me chamar a atenção. Tem que ser muito diferente e original. Como tudo ali parecia ser produzido em série, perdi o interesse rapidamente. LH e Paula também fizeram suas compras. Nós quatros ficamos um bom tempo na praça central do centro de artesanato aguardando Telma e Valéria, que tinham desaparecido entre as lojas. LH tentou achá-las, indo até nos outros centros comerciais vizinhos, mas não as encontrou. Esperamos mais um tempo. Em uma última tentativa e já com o dia terminando, LH encontrou as duas em uma loja de artigos de prata. Comunicou a elas que estávamos indo embora para o hotel, que não ficava distante do mercado. Resolvemos ir a pé. Saímos para a direita, na própria Avenida Petit Thouars, caminhando até a movimentada Avenida Angamos Este, onde viramos à esquerda. Em um quarteirão, ao atravessar a Avenida Arequipa, ela troca de nome para Avenida Angamos Oeste. Caminhamos sem pressa por esta via até a Avenida Comandante Espinar, onde viramos à direita, para andar duas quadras, alcançando a Plaza Agustín Gutierrez, onde há uma série de restaurantes de rede conhecidos como TGI's Friday, Chilli's, Starbucks, McDonald's, e Bembos, além de um movimentado centro comercial com salas de cinema. O combinado era sair mais tarde para jantar, mas como a maioria dos restaurantes interessantes limenhos não abre aos domingos de noite, identificamos ali um local para um plano B. Na praça, viramos à esquerda na Avenida Emilio Cavenecia, indo em direção à Calle Miguel Dasso. Mais duas quadras e chegamos à Calle Alvarez Calderón, onde ficava nosso hotel. Eram 18:45 horas. Combinamos de nos encontrar no saguão do hotel às 20 horas, horário em que nosso amigo Pedro Américo chegaria da Suíça, para jantarmos. Cheguei no quarto, tomei uma rápida chuveirada e deitei. Nada mais ouvi. Nem telefone, nem campainha. Acordei às 02:00 horas da madrugada. Um bilhete debaixo da porta informava o horário que deveria estar na recepção do hotel na manhã daquela segunda-feira, quando os táxis estariam nos esperando para nos levar para a oficina de trabalho na OIT. Voltei para a cama. Já de manhã, durante o café, descobri que ninguém tinha saído para jantar. O domingo fora puxado para todos nós.

sábado, 14 de dezembro de 2013

PESCADOS CAPITALES - GASTRONOMIA EM LIMA, PERU


Chegamos de táxi no Pescados Capitales, restaurante especializado em pescados e frutos do mar que já tinha tido a oportunidade de conhecer da última vez em que estive em Lima, Peru. Desta feita, não tínhamos reserva e por ser domingo, o restaurante estava bem cheio. Chegamos por volta de 13:30 horas. Ao descer do táxi, um empregado do restaurante já nos recebeu sorridente perguntando se havia uma reserva. Como não a fizemos, nos conduziu até uma recepcionista. Cruzamos a área externa do Pescados Capitales, local agradável para uma happy hour. A recepcionista, excessivamente maquiada, também abriu um sorriso no rosto, conferindo seu mapa de assentos. Indicou o salão interno, em mesa para seis pessoas, localizada mais ao fundo, perto da parede decorada com estatuária indígena peruana. Assim que nos sentamos, Jorge, o garçom responsável pelas bebidas e pela sobremesa, se apresentou como aquele que iria nos atender juntamente com Carlos, o colega responsável pela comida. Em seguida, colocou interessante jogo americano de papel representando os sete pecados capitais na mesa. No meu caso, o pecado foi apropriado: gula. Pedi a senha para acessar a rede wi-fi do restaurante, sendo prontamente atendido. Para beber, escolhi uma Inca Kola (s/. 6), refrigerante muito popular no Peru, com cor amarelo ouro, feita com a erva lúcia-lima, também conhecida como limonete. Estando no Peru, não podia deixar de pedir o drinque mais clássico deles, o pisco souer (s/. 28), feito com limão, clara de ovo batida, pisco (bebida alcoólica destilada feita a partir da uva) e uma pitada de angustura. Com exceção de LH, que não bebe, os demais seguiram o meu pedido do drinque. Todos de tamanho duplo. Enquanto esperávamos as bebidas, colocaram ao centro da mesa dois potinhos com um milho frito salgadinho. Parece um peruá, aquelo milho de pipoca que não estoura, mas é mais alongado. Crocante, é muito gostoso, daqueles que é impossível comer um só. Durante nossa permanência no restaurante, os potinhos foram repostos algumas vezes. Com o cardápio nas mãos, era difícil escolher entre tantas delícias. Optamos por pedir os pratos principais imediatamente, sem passar por entradas e afins. No Peru, tais pratos chão chamados de platos de fondo. Um frase de James Joyce introduzia bem a página com os pecados: "Dios ha hecho los alimentos y el diablo, la sal y las salsas". Cada pecado descreve um prato. Há os sete pecados, bem como aqueles denominados como os novos pecados, tais como infidelidade, impaciência e intolerância. O predomínio é para pratos elaborados com peixes e frutos do mar. Depois de idas e vindas, decidi pelo prato chamado de avarizia (s/. 59) (avareza): pescado Rockfeller, ou seja, um filé de peixe empanado, recheado com manteiga aromatizada e mostarda Dijón, acompanhado de picante de abobrinha e arroz com choclo, um milho com grão maior e branco. Este pedido foi tirado por Carlos. Ele foi e voltou com um mimo da casa, uma colher de porcelana com uma pequena porção de ceviche de mariscos. De uma bocada só, apreciei esta delícia peruana. Muito bom, dando vontade de pedir um ceviche como entrada. Mas resisti. Os pratos demoraram cerca de vinte minutos para chegar à mesa e quando foram colocados em nossa frente, uma mistura de aromas tomou conta da mesa. Todos são bem servidos e com bonita apresentação. Assim que o meu prato foi colocado em minha frente, Carlos, utilizando uma faca, partiu o peixe empanado ao meio, deixando escorrer um perfumado caldo de manteiga e mostarda pelo prato. Comecei experimentando o peixe, cuja carne era bem branca e firme, com sabor adocicado, leve, casando bem como a manteiga aromatizada com ervas e a mostarda. O guisado de abobrinha era bem consistente, amarelado por causa da pimenta utilizada, o que deixava um sabor picante no paladar. O arroz com choclo completou bem o prato. Terminado a avareza, era chegada a vez da sobremesa. Gosto muito de lúcuma e como esta fruta é difícil de encontrar no Brasil, escolhi a opção que levava a fruta em sua receita: tarta de lúcuma (s/. 21), encoberta por uma capa de chocolate peruano, biscoito de baunilha, tendo a fruta e queijo Philadelphia em seu recheio. O prato chegou decorado com pedaços bem vermelhos de morango fresco e chantilly. Achei que o chocolate e o queijo mascararam o sabor da fruta. Terminei com um bem tirado café espresso (s/. 6). Para acompanhar o doce, pedi uma garrafa de 350 ml de água mineral com gás San Mateo (s/. 6). Já passavam das 15 horas quando pedimos a conta. Todos muito satisfeitos com o restaurante. Antes, pedi a Jorge um set do jogo americano retratando os sete pecados capitais. Atencioso, ele trouxe um set para cada um dos seis da mesa, todos já devidamente enrolados e presos com uma gominha. Dividimos a conta por igual, cabendo a cada pessoa o montante de s/. 115, algo em torno de R$ 93,50. Na saída, pedimos dois táxis. Nosso destino era o Mercado Índio. Hora de conhecer/comprar artesanato peruano.






Endereço: Avenida La Mar, 1.337, Miraflores, Lima, Peru.
Contatos: +51 1 421 8808.
Especialidade: peixes e frutos do mar da culinária peruana.