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segunda-feira, 7 de maio de 2012

GEOMETRIA DA TRANSFORMAÇÃO - ARTE CONSTRUTIVA BRASILEIRA NA COLEÇÃO FADEL

Em cartaz no Museu Nacional Honestino Guimarães (Complexo Cultural da República), em Brasília, com entrada franca até 24 de junho de 2012, a exposição Geometria da Transformação - Arte Construtiva Brasileira na Coleção Fadel. Tem curadoria de Max Perlingueiro que pinçou 142 obras da coleção de Sérgio Fadel dos artistas brasileiros que adotaram a vertente da arte construtiva, tendo como base de suas obras a geometria. São 155 artistas, entre os quais Hélio Oiticica, Lygia Pape, Lygia Clark, Alfredo Volpi, Milton Dacosta, Cícero Dias, Maria Leontina, Franz Weissman, entre outros. A exposição ocupa quase todo o piso térreo do museu, havendo nichos dedicados a grupos importantes do movimentos (Neoconcretismo, Grupo Ruptura) ou algumas fases/artistas. Ainda há um espaço dedicado à oficinas para crianças. Um fato que considerei interessante foi a mostra estar em um museu desenhado por Oscar Niemeyer, que usa e abusa da geometria em sua arquitetura. As linhas arredondadas do museu "conversaram" harmonicamente com os triângulos, quadrados, círculos, losangos, retângulos, retas e linhas presentes nos diversos quadros da coleção. Até a poesia concretista de Augusto de Campos está presente com Dias, dias, dias em um imenso quadro com palavras e letras difíceis de se ler à primeira vista. O diferencial é o áudio com Caetano Veloso recitando esta poesia, também de forma concreta!. Gostei da exposição, mas, infelizmente, a falta de preparo de alguns monitores estragou um pouco a minha visita ao museu no final de uma manhã ensolarada de sábado, dia 28 de abril. Levei meu irmão, minha cunhada e meus dois sobrinhos para conhecer o museu e percorrer as três exposições em cartaz no local. Na entrada, havia bastante gente no balcão onde fica o vigilante, mas como já conheço o lugar, passamos direto, uma vez que ninguém tinha bolsa/mochilas para deixar no guarda-volumes. Iniciamos nossa visita pelo mezanino, onde estavam quadros de Ziraldo, quando fotografamos à vontade sem usar o flash. O mesmo fizemos quando percorremos a segunda exposição sobre o Egito nos fundos do primeiro piso. A terceira mostra era a maior de todas. Fiquei com meu sobrinho mais novo mais demoradamente em um dos nichos da mostra, enquanto os demais fizeram uma leitura  mais dinâmica das obras expostas. Não fotografei nada da exposição. Quando estava vendo o Parangolé azul de Hélio Oiticica, explicando do que se tratava para meu sobrinho, um simpático monitor chegou perto e puxou conversa, perguntando se queríamos alguma explicação. Agradeci, seguindo em frente, parando para apreciar uma escultura de Amílcar de Castro. Em seguida, vi que duas pessoas com máquinas com lentes gigantes tiravam fotos de algumas outras esculturas. Decidi tirar uma foto do painel onde estão as informações da exposição, incluindo o nome dos 155 artistas com obras ali mostradas. Fiz a foto porque não havia nenhum folder sobre a exposição disponível no museu. Ninguém me abordou porque estava tirando esta foto (a que ilustra esta postagem). Terminada a visita, fui até onde meu irmão estava sentado, aproveitando o banco para checar as fotos tiradas. Neste momento, uma mal humorada monitora se aproximou e disse que era proibido tirar fotos no local, que era a terceira vez que me abordavam neste sentido no museu, que eu podia ser processado por tirar fotos em local não permitido. Fiquei possesso. Argumentei que ninguém havia me abordado falando de tal proibição desde que tinha entrado no museu, que não tinha tirado nenhuma foto, a não ser a das informações da mostra, que tinha tirado fotos sem flash das duas outras exposições ali em cartaz, chegando a disponibilizar minha máquina para ela checar se havia alguma foto, uma sequer, da Geometria da Transformação. Em seu visível mal humor, repetiu que eu já havia sido abordado por três vezes e que estava me observando. Pedi a ela que me apontasse quem me abordara durante minha visita ao museu. Obviamente que ela não apontou ninguém. Como ela continuava a afirmar que eu tinha sido avisado por três vezes da proibição de tirar fotos, pedi para falar com o responsável pelo museu. Ela respondeu-me que eu poderia ir até a administração. Cheguei a ligar a máquina para apagar a foto com as informações da mostra na frente da monitora, mas estava tão nervoso que não apertava o botão correto. Chamei o pessoal para ir embora e ela me seguiu. O monitor simpático que conversara comigo se aproximou e eu disse a ela, em voz alta, que ele sabia lidar com o público, mas ela estava longe disto. Saí do museu, dei a volta por fora até a administração, quando falei com a responsável. Ela pediu-me desculpas, disse que os monitores eram temporários, que isto não podia acontecer, perguntando-me se o vigilante não havia me avisado sobre a proibição de tirar fotos das obras da Coleção Fadel. Respondi que tinha passado direto, sem parar no balcão onde ficava o vigilante. Ela pediu meu e-mail para passar para o diretor do museu, mas até a presente data ninguém me escreveu. Eu disse a ela que não importava para mim se os monitores eram permanentes ou temporários, o importante era que eles soubessem lidar com o público. Há maneiras educadas de abordar as pessoas, mesmo que para dizer algo de negativo, como a proibição das fotos na exposição. Se a monitora achava que eu havia tirado fotos, que fosse educada ao falar comigo (ou com qualquer outro visitante do museu) e não inventasse coisas. Disse também que havia gente tirando fotos com máquinas muito mais poderosas do que a minha e ninguém os incomodava. Que esta proibição em época de celulares, redes sociais e câmaras digitais portáteis era de uma burrice tremenda, citando exemplos de grandes museus do mundo, como o Louvre, onde fotos são tiradas a todo instante. Citei ainda a bela exposição Guerra e Paz de Portinari, em cartaz no Memorial da América Latina em São Paulo, onde fotos são permitidas, desde que sem flash. Ela deu a desculpa de que não era o museu que proibia, mas sim a curadoria ou os donos das obras. Ela foi muito gentil, pedindo para que eu não deixasse de visitar as exposições do museu, levando amigos e familiares. Respondi dizendo que meu apreço pela arte era maior do que qualquer mal humor de uma monitora, mas que situações como aquela arranhavam a imagem do museu e que todos os que trabalhavam nas exposições deveriam ter aulas de como tratar o público.

artes plásticas

quinta-feira, 3 de maio de 2012

O EGITO SOB O OLHAR DE NAPOLEÃO, NA COLEÇÃO ITAÚ

Nos fundos do piso térreo do Museu Nacional Honestino Guimarães, no Complexo Cultural da República em Brasília, está em cartaz até o dia 27 de maio de 2012, com entrada franca, a exposição O Egito Sob O Olhar de Napoleão, na Coleção Itaú. A mostra é pequena, mas muito rica e pode-se gastar um bom tempo apreciando parte dos livros expostos. Estes livros, pertencentes à coleção de artes do Banco Itaú, faze  parte da publicação Description de l'Égypte, fruto do trabalho de cientistas e artistas franceses que participaram da campanha de Napoleão Bonaparte em terras egípcias no final do séc. XVIII, quando ele saiu derrotado, mas deixou para o mundo um belíssimo estudo sobre o Egito. Estes estudos foram publicados em forma de volumes e a exposição traz uma seleção de 13 deles. Logo na entrada, uma vitrine mostra alguns dos volumes fechados, em formato grande, com capa vermelha, e em uma de suas laterais está um texto escrito pelo curador Vagner Porto, situando-nos sobre a época em que os trabalhos foram feitos. Em uma vitrine em forma de U, estão expostas algumas gravuras de 13 volumes da obra Description de l'Égypte,  além de uma das obras do artista Dominique Denon, participante da expedição científico-cultural de Napoleão. Junto a cada um dos exemplares estão cópias fotográficas das matrizes de cobre das gravuras da mostra, cujos originais pertencem ao Museu do Louvre, em Paris. Neste giro pelo U podemos ver desenhos da flora, da fauna, dos costumes, da arquitetura, da religião do Egito, além de mapas daquele país, todos feitos no final do séc. XVIII. Na parede que fecharia o U está uma cronologia da cruzada napoleônica em terras egípcias. No centro da sala, monitores garantem a interatividade da exposição, quando as imagens dos livros podem ser visualizadas com um simples aproximar das mãos nas suas extremidades. Com um gesto de passar uma folha de um livro feito no ar, próximo à borda do monitor, trocamos de página e com um outro gesto, a imagem é aproximada, mostrando-nos detalhes do desenho. Todas as gravuras originais expostas também estão reproduzidas digitalmente nestas telas. Aula de história. Aula de cultura. Fácil, simples e ótimo de se ver. É permitido tirar fotos, desde que sem flash.





artes plásticas

quarta-feira, 2 de maio de 2012

ZERÓIS: ZIRALDO NA TELA GRANDE


Aproveitei que meu irmão, sua esposa e meus dois sobrinhos eram meus hóspedes no último final de semana  para levá-los ao Museu Nacional Honestino Guimarães onde esteve em cartaz até o último domingo a exposição Zeróis: Ziraldo na Tela Grande, com entrada franca. Os desenhos de Ziraldo fizeram parte de minha infância/adolescência, uma vez que adorava ler os gibis da Turma do Pererê, sua criação. Não só lia as histórias em quadrinhos, como também colecionava as revistas. Na medida em que cresci, fui conhecendo a outra faceta deste artista, o irônico, o sarcástico, o crítico, especialmente suas charges estampadas em jornais e revistas do Brasil. A exposição Zeróis mostra um lado que não conhecia de Ziraldo, seu lado pintor de telas grandes. No caso, ele misturou heróis conhecidos, como Batman, Super Homem, Mulher Maravilha, Fantasma, Tarzan e Capitão América, com pinturas famosas de grandes pintores da história da arte, como Salvador Dalí, Goya, Andy Warhol, Liechtenstein, Pablo PicassoVelázquez. Assim, o conhecido retrato de Marylin Monroe repetido em cores diversas por Warhol, teve uma releitura de Ziraldo com o rosto da Mulher Maravilha e outra com o do Super Homem, por exemplo. Há outras pinturas originais, sem se basear em nenhuma obra de arte existente, como aquela na qual os heróis são retratados em idade avançada, com barriga, bengala, urinol, remédios, cadeira de balanço, cajado e com muitas rugas nos rostos. Divertido e mordaz ao mesmo tempo, chamando a nossa atenção que o tempo é inexorável para todos, mesmo na condição de heróis. Outra pintura interessante é o Super Homem negro, apropriadamente chamada Super Homem Afro-Americano. Além dos quadros expostos, duas vitrines montadas no meio do espaço expositivo, situado no mezanino do museu, mostravam esboços, desenhos originais, páginas dos gibis da Turma do Pererê, anotações do artista para melhorar seus desenhos e o hilário desenho de Tarzan pendurado em um cipó com a Jane pendurada em seu pênis (há o quadro em tamanho grande, mas ele não fazia parte da exposição). Podia tirar fotos sem flash, motivo pelo qual muitos faziam poses ao lado dos quadros. Registrei algumas delas conforme se pode ver abaixo. Gostei do que vi e meus sobrinhos se divertiram muito.









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