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sexta-feira, 16 de maio de 2014

CHINA ARTE BRASIL

Estando em São Paulo, nunca deixo de ver uma exposição de artes. Na última vez, fui a mais de uma. Na Oca, no Parque do Ibirapuera, está em cartaz até domingo, dia 18/05/2014, a mostra China Arte Brasil, que traz para o Brasil obras dos principais artistas plásticos dos últimos trinta anos da China. A mostra tem entrada paga. Fui em uma ensolarada manhã de sábado. Tinha pouca gente. A mostra ocupa três pisos, com pinturas, fotografias, instalações, esculturas, vídeo-performances e projeções. O interessante é que as obras dialogam com qualquer obra feita em outras partes do mundo na mesma época, mas traz um ingrediente próprio que foi a abertura do regime chinês para o capital, o que aconteceu de forma gradual a partir dos anos oitenta. Um dos mais conhecidos artistas chineses contemporâneos, Ai Wei Wei, está presente com uma interessante instalação no segundo piso, com mais de quarenta bicicletas formando uma espécie de tóten. Uma parte da mostra é dedicada aos belos tapetes tecidos por hábeis artesãos, verdadeiros artistas do artesanato. Ao lado dos tapetes, releituras de artistas plásticos que lembram estas peças decorativas. O que mais gostei foi uma instalação no piso inferior, que me lembrou os famosos Guerreiros de Xian. Uma crítica do autor à abertura chinesa ao capitalismo, sem esquecer a tradição. Gostei de gastar uma hora vendo estas obras contemporâneas chinesas.

artes plásticas.

DAVID BOWIE

Quando a exposição sobre David Bowie entrou em cartaz, em janeiro, no Museu da Imagem e do Som - MIS em São Paulo, tentei ir algumas vezes, mas sem sucesso. Uma hora estava acompanhado de pessoas que não apreciam o trabalho do cantor/ator, enquanto outra não tive tempo suficiente para me dedicar à exposição, e em outra, fiquei desanimado com a fila de espera. Pois bem, na Sexta-Feira da Paixão, três dias antes da exposição chegar ao final, levantei cedo, tomei o café da manhã, aprontei, e peguei um táxi em direção ao MIS, com a decisão de esperar o tempo que fosse preciso para ver a mostra. O museu abria as portas às 10 horas. Cheguei por volta de 11:30 horas. A fila era enorme. Uma placa alertava que o tempo médio de espera para entrar era de duas horas. O tempo estava lindo, com um sol quente esquentando as nossas cabeças. Apesar da espera, a conversa com as pessoas que estavam na fila ajudou a passar o tempo. Era interessante ver o público com camisas, tatuagens e adereços que lembravam ou homenageavam este camaleão do mundo pop. Lembro-me que comecei a gostar de Bowie ao ver o filme Christiane F. Há uma cena no filme de um show dele em Berlim. Ali tive vontade de conhecer suas músicas. Depois, apreciei também suas performances como ator, como no ótimo filme Fome de Viver. Voltando à fila, um fato curioso que presenciei foi o diálogo entre um jovem casal. Ela, ao chegar e ver o tamanho da fila, virou para o marido dizendo que deveriam voltar em casa e pegar o Pedro. Fiquei a pensar quem seria o tal Pedro. Uns quarenta minutos depois, o casal retorna com o tal Pedro, um garoto com um ou dois anos de idade. Usaram o filho pequeno, que deveria saber tudo sobre David Bowie, para não enfrentar fila, entrando direito, como preferencial. No mínimo, um desrespeito para com aqueles que estavam na fila. Outros casais chegaram até com bebê de colo. Casos como estes demonstram que a sociedade brasileira ainda tem muito o que evoluir. Com duas horas exatas de fila, cheguei na bilheteria, comprei meu ingresso por R$ 20,00, guardei minha mochila na chapelaria e fui ver a exposição. Qual não foi minha surpresa ao ver que uma nova fila me aguardava na escada de acesso ao segundo piso, onde começava o circuito da mostra. Esta fila, em relação à primeira, foi muito rápida. Esperei mais vinte minutos para poder pegar o fone de ouvido, essencial para percorrer todos os espaços expositivos. Com o aparelho devidamente sintonizado, ao aproximar de determinado objeto, cartaz ou vídeo, uma música de Bowie, que tinha relação com que eu estava vendo, começava a tocar. A mostra segue, em ordem cronológica, a vida do astro. Começa com o primeiro sucesso, Space Oddity, passa por vários outros sucessos musicais, além de mostrar figurinos usados em shows e em filmes dos quais teve participação, como o emblemático Furyo, Em Nome da Honra, ou o já citado Fome de Viver, este com a estonteante Catherine Deneuve. Fotos eram permitidas, mas sem o uso de flash. Labirintos conduziam cada visitante aos vários mundos de Bowie. Vídeos mostravam clipes e entrevistas com o cantor ou com alguém falando sobre ele. A cenografia também é digna de destaque, valorizando as peças, especialmente os figurinos de shows, a maioria desenhado por estilistas famosos, como Yohji Yamamoto e Giorgio Armani.Vi tudo com calma, ouvindo as músicas, prestando atenção nos vídeos, lendo todos as informações ao lado de cada objeto. Mesmo com toda a atenção, gastei menos tempo dentro da mostra do que esperando na fila. Mas valeu a pena. Ao final passei na lojinha do museu e comprei o catálogo da exposição. Que venham novas mostras como esta!

quarta-feira, 16 de abril de 2014

BERÇO DO BARROCO BRASILEIRO E SEU APOGEU COM O ALEIJADINHO


Domingo, 13 de abril. Depois de um passeio pelo ParkShopping, resolvi dar uma passada na Caixa Cultural para conferir a exposição Berço do barroco brasileiro e o seu apogeu com o Aleijadinho, com curadoria de Marcelo Coimbra, em cartaz na Galeria Principal até o próximo dia 11 de maio. Como sempre acontece, a entrada é gratuita. Não é permitido entrar com mochilas, bolsas e sacolas nos espaços expositivos. Para guardar seus pertences, o local oferece uma série de armários cuja chave fica em nosso poder. A galeria estava com um público atento a todos os detalhes das peças e lendo todos os textos que contam um pouco sobre o barroco e sobre Aleijadinho. A cenografia é um caso à parte, com mobiliário da mesma época das peças, com móveis grandes elaborados com madeira pesada, como é o caso de uma arca que era usada para armazenar grãos. Tais móveis servem de apoio para as peças. Assim, tornam-se coadjuvantes para as esculturas sacras de beleza ímpar. Ao todo, são 140 itens expostos. Logo na entrada estão as imagens de santos datadas do início do barroco brasileiro, com obras de Frei Agostinho de Jesus. Há uma série de imagens que tem feições indígenas, mostrando que os religiosos ensinavam a arte de esculpir imagens sacras em sua catequização no Brasil. Mas a parte que chama mais a atenção são as 47 peças atribuídas a Aleijadinho. A maioria delas está colocada em pedestais que giram lentamente, permitindo ao visitante ver os muitos detalhes das imagens. As características imortalizadas em peças que hoje estão em Ouro Preto e Congonhas, ambas em Minas Gerais, possibilitaram a um especialista a atribuir a Aleijadinho a autoria destas imagens em exposição na Caixa Cultural. Ao fundo, uma reprodução de uma capela, com bancos de madeira, ajuda a manter o clima de reverência a este grande artista plástico brasileiro. Entre as imagens, duas delas são inéditas em exposições públicas, o Cristo Bailarino e a Nossa Senhora das Dores. É permitido fotografar, desde que sem uso do flash. Visita obrigatória para quem gosta de arte.

artes plásticas

segunda-feira, 14 de abril de 2014

OBSESSÃO INFINITA - YAYOI KUSAMA

A exposição Obsessão Infinita segue firme e forte no CCBB de Brasília até dia 28 de abril. As obras da artista plástica japonesa Yayoi Kusama estão fazendo um super sucesso na capital brasileira, assim como já tinha acontecido quando passou pelo CCBB do Rio de Janeiro. Vi uma pequena parte no Rio e desde então me encantei com a obsessão que ela tinha por bolas de todos os tamanhos, assim como pelo sua compulsão por produzir. Conhecia quase nada de Kusama, o que me despertou o interesse de pesquisar. Ainda bem que estamos em época de internet, embora as pesquisas tem que ser bem feitas para não aprofundar em informações falsas ou superficiais. Depois que li sobre ela, fiquei mais interessado em conhecer suas obras. Por causa disto, já conferi a exposição no CCBB por três vezes e em todas eles me surpreendi. A atração que suas obras exerce nas pessoas é muito interessante. Fiquei a pensar se quando vemos seus quadros, instalações, vídeos, as bolas, os espelhos, estaríamos nos colocando no lugar dela, que deixou as amarras da sociedade de lado e colocou para fora suas inquietações, suas obsessões, sua compulsão por determinados temas, como as já citadas bolinhas e os objetos fálicos. As duas salas de espelhos ajudam nesta interação do público com a obra de arte, quando nos vemos inseridos no mundo que se repete como se fosse um moto contínuo. Não é a toa que as duas salas com as instalações com espelhos são as mais buscadas, chegando a ter fila para poder entrar literalmente na obra de Kusama. A japonesa se internou em 1977 em uma clínica psiquiátrica e lá vive até hoje, mas nunca deixou de produzir como podemos ver em uma das galerias do CCBB, onde estão expostas as pinturas mais recentes, datadas dos anos 2000, que repetem temas recorrentes na vasta produção da artista, sempre de forma compulsiva. E ainda há possibilidades de cada um viver seu momento Kusama em uma sala onde cada visitante recebe uma cartela com adesivos coloridos em formato de círculos para pregar no ambiente, decorado como se fosse um cômodo de uma casa. A cada minuto, o cômodo se transforma pela intervenção dos visitantes. Gostei muito e ainda penso em ir mais uma vez antes que ela saia de cartaz. Em uma das minhas visitas, fui quando a noite já dominava o céu da cidade. A lua estava cheia, como se quisesse também fazer parte daquele momento, como pode ser notado na fotografia que tirei. Até os astros conspiram a favor desta japonesa que foi uma precursora da arte moderna, com obras que anteciparam o movimento pop art, cuja expressão máxima é o também ótimo Andy Warhol, que, inclusive, conviveu com a artista quando ela morou em New York. Exposição impactante, apaixonante, imperdível.


terça-feira, 31 de dezembro de 2013

MESTRES DO RENASCIMENTO

Aproveitando que a sexta-feira, 27 de dezembro, estava tranquila, assim que terminamos de almoçar no Salim Sou Eu, eu e Karina fomos ao CCBB para conferir a exposição Mestres do Renascimento, em cartaz até o próximo dia 05 de janeiro de 2014. Karina já tinha visto, mas de forma bem rápida. Pensamos que teria fila, mas, para nossa surpresa, quando lá chegamos, por volta de 13:30 horas, não tinha ninguém esperando para entrar na Galeria I. Entramos direto. Dentro, a galeria recebia um bom público, mas não houve dificuldade para ler as informações sobre cada módulo da exposição, bem como aquelas colocadas ao lado de cada obra que integra a mostra. Os módulos foram divididos por regiões da Itália: Florença, Roma, e Urbino na parte de cima da galeria; Ferrara, Milão e Veneza no subsolo. Quando fomos descer as escadas de acesso ao piso inferior, um segurança nos informou que não poderíamos voltar a subir, a não ser que saíssemos da galeria e entrássemos novamente. Ou seja, para facilitar a visita e não tumultuar, o fluxo é em uma única direção. Quanto às obras, um verdadeiro deleite para os olhos. São 57 obras de mestres italianos, a maioria pinturas. Artistas importantíssimos para a cultura mundial estão representados nesta exposição. Rafael, Donatello, Leonardo Da Vinci, Tintoretto, Ticiano, Michelangelo, Verrocchio, Bellini, Boticelli, Fra Angelico, Perugino, Veronese, Lotto, entre outros. Sendo obras do Renascimento, o que domina são motivos religiosos ou mitológicos, com os retratados/desenhados sempre sóbrios, com semblante fechado. Karina me chamou a atenção para uma pintura de Dosso Dossi, chamada Retrato de bufão da corte, pois é a única em que aparece uma pessoa com um sorriso largo no rosto. Não era para menos, pois se trata de um bufão, mas é emblemático no meio de tantos rostos taciturnos e fechados. Uma das pinturas que mais chama a atenção do público, a única onde esperei um tempo para poder apreciá-la, é a Leda e O Cisne, atribuída a Leonardo Da Vinci. Novamente Karina observou que a mulher da pintura tem um sorriso parecido com o da Mona Lisa. O quadro que mais gostei é um dos primeiros da mostra. Está no módulo Florença, chama-se Cristo abençoado, pintado em 1506 por Rafael. Não por acaso, é a pintura que ilustra o catálogo da exposição, à venda na Livraria Quixote localizada no CCBB por R$ 130,00. Quando saímos, uma enorme fila se formava para entrar na Galeria I. Tivemos sorte de entrarmos sem fila. Claro que passei na livraria e comprei um catálogo. Ainda levei para casa um imã e um lápis alusivos à mostra. Grande exposição. Brasília entrou de vez no circuito das grandes mostras de artes plásticas do Brasil. Parabéns CCBB por esta iniciativa, quando oferece ao público a oportunidade de ver obras integrantes de acervos de museus espalhados pela Itália, assim como algumas pertencentes a coleções particulares. Vale muito a visita, até mesmo para aqueles que acham que já conhecem muita coisa do Renascimento. Afinal, não é todo dia que temos a chance de ver obras de tanta expressão e valor reunidas em um só lugar.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

O CASAL DE DEUS - LOURDES E WALDOMIRO


O Casal, 2013, quadro pintado pelo casal de artistas da exposição. À esquerda está a pintura de Lourdes de Deus e à direita, a de Waldomiro de Deus.

Aproveitando que eu estava no Museu Nacional dos Correios, onde fui conferir a exposição A Sagrada Família, resolvi ver as demais mostras temporárias que ocupavam os outros andares do museu. Assim, fui para o quarto andar, onde tinha lugar O Casal de Deus - Lourdes e Waldomiro. O casal tem em comum, além do sobrenome Deus e de serem casados, o gosto em pintar. Filiam-se à arte naif, utilizando os planos chapados, sem perspectivas de profundidade, e as cores vibrantes. Mas eles vão além disto e dão toques distintos às suas pinturas. Lourdes mostra as festas populares e a natureza florida, enquanto Waldomiro prefere retratar o cotidiano, com uma visão crítica bem interessante, o que fica evidente em um quadro  de 2007 chamado O Acidente no Metrô Pinheiro, quando ele retrata carros sendo engolidos pelo buraco que se formou quando da construção da linha amarela do metrô de São Paulo. O ambiente não era bem iluminado, o que prejudicou as fotos, permitidas desde que sem o uso do flash, uma vez que o foco não iluminava de forma uniforme os quadros. Não conhecia o casal e mesmo não sendo um estilo que eu curta, gostei dos quadros, especialmente os de Waldomiro.


Lourdes de Deus retrata a festa de Parintins. De um lado, o Boi Garantido, com sua característica cor vermelha. Do outro, o Boi Caprichoso, com o azul que lhe é característico.


O Acidente no Metrô Pinheiro, 2007


artes plásticas 

segunda-feira, 18 de março de 2013

CAI GUO-QIANG - DA VINCIS DO POVO


Pela primeira vez no Brasil uma exposição individual de Cai Guo-Qiang, artista chinês que já ganhou importantes prêmios internacionais no campo das artes plásticas. A mostra Cai Guo-Qiang - Da Vincis do Povo (Peasant Da Vincis) ocupa os espaços expositivos do Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília e dois andares do Museu Nacional dos Correios. Fui conferir esta exposição em uma tarde ensolarada de domingo. Entrada gratuita. Primeiro fui ao CCBB, onde está a maior parte da exposição. Minha visita se iniciou pelo pavilhão ao ar livre localizado no gramado da parte de trás do centro cultural. Lá estão protótipos de objetos voados, como aviões, asa-delta, helicópteros e disco-voadores, feitos a partir de sucata e material reciclado. Todos estes objetos voadores estão espalhados pelo pavilhão, alguns pendurados com fios que pendem do teto, ficando em alturas diversas, enquanto outros estão colocados em mesas de madeira ou mesmo no chão. Quando o pavilhão é visto de longe, temos uma leitura diferente de quando estamos dentro do pavilhão ou na escada de ferro montada ao lado. Esta visão à distância dá uma ideia de conjunto bem interessante, pois por cima do teto do pavilhão, montado na laje, está um protótipo de porta-aviões, cujos detalhes podem ser observados por quem sobe a escada de ferro. A leitura que fiz é que o porta-aviões flutuava no céu azul de Brasília, levando consigo todas as máquinas voadoras. Para subir, tive que esperar um pouco, pois apenas dez pessoas, por questões de segurança, podem ficar no alto da escada, onde há uma plataforma de observação. Do alto, além de poder ver os detalhes do porta-aviões, obra que recebeu o nome de Complexo (Complex), há ótima vista da Ponte JK, o que rende belas fotos. O navio foi encomendado por Cai a um chinês chamado Tao Xiangli, especializado em construir, de forma amadora, submarinos. Alguns submarinos estão colados no navio na sua parte lateral. Os objetos voadores que ficam no pavilhão também são encomendas de Cai a inventores chineses. A próxima parada foi na Galeria I. No piso principal, uma vídeo-instalação ocupa quase toda a sala, na qual 49 inventores chineses que colaboraram com Cai são homenageados. São 49 pipas brancas que ficam flanando no ar e em cada uma delas é projetado um vídeo de cruta duração sobre um dos artistas. A instalação exige que a sala fique às escuras. No mesmo piso, está uma homenagem a um outro inventor chinês que morreu pilotando um de seus aviões. O motor destroçado do avião é a parte principal da instalação feita por Cai. A sensação de leveza que a obra passa não combina com o pesado motor, parte principal da instalação. No subsolo da galeria estão dezenas de invenções, com robôs feitos de tudo quanto é material. Tais robôs foram confeccionados por camponeses da China. Não gostei desta parte. Achei sem graça e sem apelo artístico. Crianças e aficionados por robôs são os que devem mais gostar desta parte da exposição. Em seguida, fui para a Galeria II, onde está a parte mais interessante da exposição do CCBB. Três grandes painéis ocupam as três paredes da galeria. Todas elas são desenhos inéditos que Cai Guo-Qiang produziu no Brasil, no próprio centro cultural alguns dias antes da inauguração de sua exposição, quando muitos colaboradores da cidade puderam não só ver o artista em ação, mas também puderam ajudar. Os desenhos são únicos, pois são feitos a partir da utilização de pólvora, uma das invenções mais aclamadas da China. Um vídeo completa a exposição nesta galeria, onde o processo de produção dos desenhos ali expostos é mostrado. A série de desenhos recebeu o nome de Ensaio de Carnaval (Carnival Rehearsal). Os desenhos fazem alusão ao carnaval brasileiro e a discos voadores, numa mistura que combina com o imaginário que nos passa o desfile de escolas de samba do Rio de Janeiro. Da Galeria II fui para o Pavilhão de Vidro, onde apenas uma instalação está presente, chamada Em Espera (Waiting). O inventor Tao Xiangli, autor do porta-aviões que está no telhado do pavilhão ao ar livre, é o co-autor da obra juntamente com Li Yuming, uma vez que os submarinos da instalação foram construídos por eles. O que chama a atenção é que todos os submarinos estão presos em um bloco de gelo (o gelo da obra é real), como se esperassem o degelo para prosseguir o curso. Por fim, fui ver a exibição dos robôs que ficam no grande vão entre a bilheteria e o restaurante do local. As crianças ficam fascinadas pelos robôs quando eles estão em movimento. Monitores são os responsáveis por não deixar ninguém tocar nos robôs, por fazer as devidas explicações e por fazer os tais robôs funcionarem. Quando lá estive, três funcionavam: um cachorro de lata, um robô-criança que cuspia água e um robô-pintor que pintava um quadro com tinta azul. Terminado o recorrido no CCBB, peguei o carro e fui para o Museu Nacional dos Correios, onde há mais obras de Cai. Elas ocupam dois andares. Comecei pelo terceiro andar, onde estão oito vídeos sobre os trabalhos realizados pelo artista pelo mundo. Ele foi um dos responsáveis pelo belíssimo show de abertura das Olimpíadas de Pequim, em 2008. Um dos vídeos mostra este show, focando no trabalho do artista. A maioria dos vídeos mostra os trabalhos com fogos de artifício, quando Cai utiliza cores inusitadas para esta atração, como o preto. Nem sempre vejo os vídeos por completo, mas fiquei tão entretido com eles, que só não vi o da abertura das Olimpíadas. Assim que terminei de assistir os pequenos filmes, continuei a visita, descendo ao segundo andar, onde estão mais oito desenhos encomendados pelo Banco do Brasil especialmente para a mostra. São desenhos feitos com pólvora e um deles é colorido. São todos lindos e de uma leveza incrível. De longe, o que mais gostei foram os desenhos feitos com pólvora. As engenhocas de sucata e material reciclável são interessantes, mas não me cativaram.






artes plásticas

sábado, 12 de janeiro de 2013

RUMOR - ESPAÇO ENTRE - OCUPAÇÃO ARTÍSTICA



O CCBB Brasília inaugurou mais uma galeria no final de 2012. Chamada de Galeria 3, sua primeira exposição é uma ocupação artística, onde uma série de atividades acontecem desde novembro do ano passado. Encontros com pessoas ligadas às artes, oficinas, ciclo de leitura, exibição de filmes, demonstração de processos criativos e uma exposição. Quem inaugura o espaço é o Coletivo Irmãos Guimarães, que deu à ocupação artística o nome de Espaço Entre. A galeria fica no extremo oposto do cinema, em local que não pertencia às áreas expositivas do centro cultural. Fui conferir a ocupação neste sábado, mas infelizmente somente era possível ver a exposição Rumor, pois nenhuma outra atividade estava acontecendo (a próxima está marcada para 15 de janeiro, um novo encontro de debates sobre o tema "quando nos vimos pela última vez"). Rumor é uma instalação na qual uma espécie de altar lotado de objetos de vidro, todos usados em laboratórios, estão amontoados, numa ordem confusa propositalmente. Uma solitária cadeira de madeira está estrategicamente colocada a meia distância dos objetos, que configuram um palco. Uma luz direta ilumina a cadeira. Pode-se nela sentar e ouvir uma gravação, um convite à reflexão sobre o espaço, sobre a transparência do vidro que fica à nossa frente, que recebe uma iluminação crescente, mas que nunca chega à claridade total. O ator Luiz Melo faz a narração a partir de fragmentos de "O Inominável", de Samuel Beckett. Segundo o folder da exposição, texto e obra se relacionam com os pensamentos de Samuel Beckett e Manoel de Barros. A pergunta que se faz, e está posta no folder, diz muito sobre o que vemos, e sobre o que vivemos no dia a dia: É possível, o silêncio? Para refletir...



artes plásticas

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

ANTONY GOMRLEY: CORPOS PRESENTES (STILL BEING)

Em abril de 2010 estive em New York e quando estava fazendo um city tour pela cidade, observei que uma série de estátuas estavam colocadas no alto dos edifícios, dando a impressão, ao longe, de que um homem estava em pé nas alturas. Assim que cheguei ao hotel, procurei na internet do que se tratava. Era a exposição do artista inglês Antony Gomrley chamada Event Horizon. As imagens pareciam estar em posição  prontas para se jogar, como se fossem cometer um suicídio. Ao final de 2012, passando de carro pela via que dá acesso à plataforma superior da rodoviária, vi uma mesma imagem do tamanho de um homem em pé, mirando fixamente para a Esplanada dos Ministérios. Era sinal de Gomrley tinha aportado em Brasília. Passados quase três anos do meu primeiro contato com a obra do inglês, fui conferir a sua mostra que ficou em cartaz no CCBB de Brasília até o último dia 06 de janeiro, onde as galerias foram ocupadas por obras deste artista plástico. Corpos Presentes (Still Being) era o nome da exposição. No Pavilhão de Vidro estavam algumas obras feitas com diversos materiais, como concreto, aço, ferro fundido, borracha e até mesmo pão de forma, todas elas tendo o corpo humano, mais precisamente o corpo do artista, como elemento comum. A que chama mais a atenção é Flesh (Corpo), uma cruz de concreto no meio do pavilhão, com a marca dos pés do artista em sua base, como se seus pés sustentassem todo o peso da cruz (uma alusão a Cristo?). Por estar na parede, a obra feita com fatias de pão de forma não é a primeira a ser vista, mas todos que entravam paravam para se certificar que era mesmo um pão. Em forma de quadro, chama-se Mother's Pride (Orgulho de Mãe), nome dado a um pão de forma existente na Inglaterra. A imagem que aparece é a de um corpo em posição fetal, esculpida a partir de dentadas do artista nas fatias do pão de forma. A figura que vemos é formada pelo vazio deixado pela ausência do pedaço de pão. O feto brinca com o nome do pão de forma, pois ambos são o orgulho da mãe. Pena que não podia fotografar, mas digitalizei o folder do programa educativo para quem não teve a oportunidade de ver entender o que aqui escrevo (imagem que ilustra o canto direito do início desta postagem). Saindo do pavilhão de vidro, fui para a Galeria 2, onde uma escuridão me esperava. Somente podia entrar pela direita. Fui quase tateando a parede, seguindo a orientação verbal de uma monitora, que conduzia com a voz as pessoas que entravam. O impacto visual que se tem ao terminar o corredor escuro é incrível. A galeria toda é ocupada por uma única obra, chamada Breathing Room (Sala de Respiração). Uma escultura feita com tubos de alumínio e encaixes de plástico que formam paralelepípedos e cubos ocos, onde todos podiam interagir com os espaços vazios que dentro dela se formavam. Não era permitido tocar a obra, nem pisar em suas partes que ficavam no chão. A cor que se via das linhas que contornam as figuras geométricas era um azul fosforescente. Quando menos se esperava, toda a sala ficou iluminada, quando tive uma nova perspectiva da escultura, aquela altura toda branca, mas o vazio que permitia que os corpos nela ingressassem continuava presente, mas de forma menos leve. Voltamos para a escuridão e os corpos pareciam flutuar no espaço. Bela experiência. Dali, fui para a Galeria 1, onde no seu primeiro piso estavam expostos moldes e modelos em escala menor que serviram de estudo para grandes obras instaladas em ambientes abertos, muitas delas em situação permanente. Fotografias com as obras originais possibilitavam ao visitante ver o impacto e a interação destas obras com o meio ambiente. No subsolo da galeria, estava a instalação Amazonian Field (Campo Amazônico), que provocava expressões de espanto dos visitantes. Eram 24 mil figuras de barro em tamanho diminuto representando seres humanos dispostas em pé, num amontoado de gente, formando uma grande massa, algo único, que ocupava uma grande extensão da sala. Foram 60 pessoas de Porto Velho, Rondônia, que ajudaram Gomrley a modelar as figuras em argila. Fotos destes co-autores da obra estavam expostas na parede da sala. Por fim, fui para a mais nova galeria do centro cultural, localizada no jardim, aos fundos do prédio do CCBB. A galeria é aberta, não tendo paredes, apenas chão e teto sustentados por algumas pilastras. Nela, o artista instalou Critical Mass (Massa Crítica). Eram sessenta figuras em tamanho real, em ferro fundido, modeladas segundo o corpo do próprio artista. Tais figuras estavam representadas em várias posições e colocadas em todos os espaços da galeria. Algumas em pé, outras deitadas, penduradas no teto, agachadas e uma série delas amontoadas no meio do salão. Como podia fotografar, era o espaço onde os visitantes mais interagiam com as estátuas. Alguns sentavam ao lado das imagens, outros agachavam imitando a posição em que elas foram moldadas, enquanto outros apenas fotografavam. Ainda bem que não deixei passar em branco esta exposição. Gostei muito.
Tirei 42 fotos da exposição, das quais duas estão logo abaixo e o restante pode ser conferido no flickr


Critical Mass (detalhe)


Amazonian Field (detalhe)


artes plásticas

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

RETROSPECTIVA ARTES PLÁSTICAS - MUSEUS E EXPOSIÇÕES VISITADOS EM 2012


42 - Memorial dos Governadores Republicanos da Bahia - Palácio Rio Branco - Praça Tomé de Souza - Salvador - BA - gratuito - 22/11/2012
41 - Acervo - Convento e Igreja São Francisco - Pelourinho - Salvador - BA - R$ 5,00 - 22/11/2012
40 - Impressionismo: Paris e A Modernidade - Obras-primas do Musée d'Orsay - Curadoria: Guy Gogeval, Caroline Mathieu e Pablo Jimenez Burillo - Centro Cultural Banco do Brasil - Rio de Janeiro - RJ - gratuito - 09/11/2012
39 - Debret - Viagem ao Sul do Brasil - Jean-Baptiste Debret - Galerias Piccola I e II - Caixa Cultural - Brasília - DF - gratuito - 04/11/2012
38 - Pneumática - Paulo Paes - Galeria Vitrine - Caixa Cultural - Brasília - DF - gratuito - 04/11/2012
37 - O Olhar Que Ouve - Carlinhos Brown - Galeria Acervo - Caixa Cultural - Brasília - DF - gratuito - 04/11/2012
36 - Transit - Sindika Dokolo Coleção Africana de Arte Contemporânea - Curadoria: Daniel Rangel e Fernando Alvim - Galeria Principal - Caixa Cultural - Brasília - DF - gratuito - 04/11/2012
35 - Roberto Burle Marx - A Figura Humana na Obra em Desenho - Roberto Burle Marx - Museu Nacional dos Correios - Brasília - DF - gratuito - 04/11/2012
34 - Museu de Dubai - Dubai - Emirados Árabes Unidos - DHS 3 - 25/09/2012
33 - Acervo - Museu de Arte TangBo - Xi'An - China - gratuito - 14/09/2012
32 - Acervo - Museu Paraense Emílio Goeldi - Belém - Pará - R$ 2,00 - 19/08/2012
31 - Acervo - Museu do Forte do Presépio - Núcleo Cultural Feliz Lusitânia - Belém - Pará - R$ 2,00 - 18/08/2012
30 - Acervo - Museu de Arte Sacra - Núcleo Cultural Feliz Lusitânia - Belém - Pará - R$ 4,00 - 18/08/2012
29 - Acervo - Memorial Amazônico da Navegação - Mangal das Garças - Belém - Pará - R$ 3,00 - 17/08/2012
28 - De Chirico o sentimento da arquitetura - Casa Fiat de Cultura - Nova Lima - MG - grátis - 01/07/2012
27 - Caravaggio e seus seguidores - Casa Fiat de Cultura - Nova Lima - MG - grátis - 01/07/2012
26 - Índia! - CCBB - Brasília - DF - grátis - 17/06/2012 e 19/06/2012
25 - Geometria da Transformação: Arte Construtiva Brasileira na Coleção Fadel - Curadoria: Max Perlingueiro - Museu Nacional Honestino Guimarães - Complexo Cultural da República - Brasília - DF - grátis - 28/04/2012
24 - O Egito Sob O Olhar de Napoleão, na Coleção Itaú - Curadoria: Vagner Carvalheiro Porto - Museu Nacional Honestino Guimarães - Complexo Cultural da República - Brasília - DF - grátis - 28/04/2012
23 - Zeróis: Ziraldo na Tela Grande - Museu Nacional Honestino Guimarães - Complexo Cultural da República - Brasília - DF - grátis - 28/04/2012
22 - Acervo - Museu da Resistência (Campo de Concentração de Tarrafal) - Chão Bom - Tarrafal - Cabo Verde - 100$00 - 21/04/2012
21 - Fotografias de Juan Pratginestós - Galeria do Espaço Cena - Brasília - DF - grátis - 25/03/2012
20 - "Pixinguinha" - Curadoria: Lu Araújo - Galeria II e Galeria de Vidro - CCBB - Brasília - DF - grátis - 25/03/2012
19 - "Flávio de Carvalho - A Revolução Modernista no Brasil" - Curadoria: Luzia Portinari Greggio - Galeria Principal e Espaço Multi-uso - CCBB - Brasília - DF - grátis - 25/03/2012
18 - "Daquilo Que Me Habita", de Carla Barth, Tom Lisboa, Studio Public, Eduardo Srur, Lia Chaia, Isabel Caccia, Matias Monteiro e Cabeça Nuvem - Curadoria: Maíra Endo e Samantha Moreira - Jardins e áreas externas do CCBB - CCBB - Brasília - DF - grátis - 25/03/2012
17 - "Guerra e Paz", de Cândido Portinari - Direção e realização: Projeto Portinari - Memorial da América Latina - São Paulo - SP - grátis - 04/03/2012
16 - Acervo - Museu do Futebol - Estádio do Pacaembu - São Paulo - SP - R$ 6,00 - 03/03/2012
15 - "Vestiário", de Felipe Barbosa, Gilberto Perin, VJ Spetto - Curadoria: Leonel Kaz e equipe do Museu do Futebol - Museu do Futebol - Estádio do Pacaembu - São Paulo - SP - R$ 6,00 - 03/03/2012
14 - De Volta a Los 80 II - Museo de La Moda - Santiago - Chile - $ 3.500 - 17/02/2012
13 - Acervo - Casa Museo La Chascona - Santiago - Chile - $ 3.500 - 16/02/2012
12 - Efímero - Maria Angelica Echaverri - Museo Nacional de Bellas Artes - Santiago - Chile - $ 600 - 15/02/2012
11 - Matta 100 - Roberto Matta - Museo Nacional de Bellas Artes - Santiago - Chile - $ 600 - 15/02/2012
10 - Acervo - Museo Nacional de Bellas Artes - Santiago - Chile - $ 600 - 15/02/2012
09 - X Bienal de Videos Y Artes Mediales - Museo Nacional de Bellas Artes - Santiago - Chile - $ 600 - 15/02/2012
08 - Pinturas Recientes - Patricia Vargas Y Rodrigo Verga - Museo Nacional de Bellas Artes - Santiago - Chile - $ 600 - 15/02/2012
07 - Individual de Palolo Valdés - Museo Nacional de Bellas Artes - Santiago - Chile - $ 600 - 15/02/2012
06 - Acervo - Museo Colonial de San Francisco - Santiago - Chile - $ 1.000 - 14/02/2012 -
05 - Color & Vibración - Centro Cultural La Moneda - Santiago - Chile - grátis - 14/02/2012
04 - Matta - Centenário 11.11.11 - Roberto Matta - Centro Cultural La Moneda - Santiago - Chile - grátis - 14/02/2012
03 - Brincar com Arte - O Brinquedo Popular do Nordeste - Museu Afro-Brasil - Parque do Ibirapuera - São Paulo - SP - grátis - 07/01/2012
02 - O Sertão: da Caatinga, dos Santos, dos Beatos e dos Cabras da Peste - Museu Afro-Brasil - Parque do Ibirapuera - São Paulo - SP - grátis - 07/01/2012
01 - Acervo - Museu Afro-Brasil - Parque do Ibirapuera - São Paulo - SP - grátis - 07/01/2012

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domingo, 11 de novembro de 2012

IMPRESSIONISMO: PARIS E A MODERNIDADE

Estive no Rio de Janeiro e aproveitei para conferir a exposição Impressionismo: Paris e A Modernidade na galeria do primeiro andar do Centro Cultural do Banco do Brasil. A mostra tem entrada gratuita, sendo muito concorrida. O bom é chegar cedo, quando a fila para pegar a senha de entrada é menor. Há uma entrada apenas para a exposição. Cheguei às 11:20 horas, entrando logo na fila. Idosos, gestantes e pessoas com deficiência tem fila separada e prioridade para pegar a tal senha. Enquanto esperava, observava o público. Todas as idades, todas as classe sociais. Todos com paciência para esperar. Logo a fila aumentou e ocupou a calçada do lado de fora da rua. Era sexta-feira, portanto, dia útil. Após aguardar cinquenta e cinco minutos, chegou a minha vez de pegar a senha. Em seguida, fui até a chapelaria do primeiro andar, pois não é permitido entrar com mochilas e bolsas grandes nos espaços da galeria. Assim, comecei a visita à exposição após uma espera de uma hora. Antes de entrar, uma monitora informou as regras, tais como nada de fotos, comida ou bebida no interior da galeria. A exposição traz 85 pinturas do acervo do Musée d'Orsay, localizado em Paris. É a primeira vez que obras deste importante museu francês vem ao Brasil. A mostra já esteve em exibição no CCBB de São Paulo e desde o final de outubro chegou ao Rio de Janeiro, onde permanece até 13 de janeiro de 2013. A curadoria é de responsabilidade de Guy Gogeval, Caroline Mathieu e Pablo Jimenez Burillo. Eles selecionaram pinturas que cobrem o período da segunda metade do Século XIX e o início do Século XX, mostrando o cotidiano de uma Paris que caminhava a passos largos para a modernidade. A mostra tem seis módulos temáticos, com obras de importantes pintores da história da arte mundial, todos eles com características do impressionismo. Obras de Manet, Monet, Van Gogh, Cézanne, Gauguin, Sisley, Toulouse-Lautrec, Renoir, Pissaro, Degas, entre outros, vieram para deleite do público brasileiro. Logo na primeira sala da exposição, um vídeo curto conta em imagens a história do Musée d'Orsay. Como a entrada é limitada nas salas, não há aquela multidão que nos impede de apreciar cuidadosamente os quadros, possibilitando-nos ler todas as informações sobre cada um deles, sem precisar ficar achando um espaço em frente aos quadros. Além das notas ao lado de cada pintura, contextualizando cada módulo, existe um texto nas paredes das salas que abrigam a mostra. Por falar em paredes, elas estão pintadas em cores fortes, escuras, seguindo uma tendência mundial de valorização das pinturas expostas. E realmente os quadros ficam mais evidentes, com mais realce. Li todos os textos, o que me permitiu melhor situar o pintor e o seu quadro. Todas as obras são muito bonitas, sendo difícil indicar as mais mais. A pintura de um garoto do exército tocando flauta, pintada por Edouard Manet em 1866, chamada "Le Fifre", está em local de destaque, além de ser a escolhida para estampar os folhetos, cartazes e alguns souvenirs da exposição. Talvez, por isso, ela tenha ficado mais presente em minha memória, mas o quadro de Van Gogh retratando um interior de uma casa de dança, chamado "La Salle de Danse à Arles", também chamou minha atenção, pois foge um pouco dos traços impressionistas e tem um quê de pintura japonesa. Também destaco as pinturas de Pissaro, um dos meus pintores favoritos da vertente impressionista. Ao final, uma loja com vários produtos inspirados na exposição, além de outros ligados ao mudo das artes. Comprei um lápis alusivo à mostra e uma capa para iPhone com a estampa da obra "Le Fifre", de Manet. Ainda há uma continuação da exposição no segundo andar, onde podemos ver a cronologia do impressionismo e um vídeo sobre esta vertente das artes. Percorri todo o primeiro andar com calma, lendo todos as notas informativas, incluindo os textos nas paredes, não deixando nenhum quadro sem a devida apreciação. Ao todo, permaneci por lá cerca de uma hora e meia. Não cansou, muito antes pelo contrário, pois além de poder apreciar obras de importância incalculável para a humanidade, aprendi mais um pouco sobre o impressionismo, e me diverti. Para aqueles que já foram ao Musée d'Orsay e acham que já conhecem as obras, motivo pelo qual entendem que não precisam ir à exposição, tenho opinião contrária. Já visitei o museu francês quatro vezes e esta minha visita à exposição no CCBB do Rio de Janeiro não foi ver mais do mesmo. Algumas obras não me recordo de as ter visto antes e aquelas já conhecidas, estavam em uma montagem diferente, em contexto específico, o que deu a elas um novo significado. Sempre vale a pena ver os impressionistas. E valeu muito a pena ter esperado uma hora na fila para percorrer a exposição  Impressionismo: Paris e A Modernidade.

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sábado, 10 de novembro de 2012

DEBRET - VIAGEM AO SUL DO BRASIL


As Galerias Piccola I e II da Caixa Cultural em Brasília abrigam a exposição Debret - Viagem ao Sul do Brasil, em cartaz desde o dia 06 de outubro, permanecendo aberta à visitação pública até o próximo dia 18 de novembro. Entrada gratuita. Gosto muito das obras produzidas pelos artistas europeus que vieram ao Brasil em expedição patrocinada pelo Império. Tais obras, muitas delas em formato de desenho ou aquarela, não só são arte, mas também servem como uma espécie de enciclopédia visual, pois nos permitem ver e saber como era a vida no nosso país naquela época. Os artistas não se preocupavam só em produzir um belo desenho. Eles queriam mostrar para o mundo as paisagens, costumes, vestimentas, alimentos, o dia a dia da população. O francês Jean-Baptiste Debret foi um destes artistas. Na mostra em cartaz na Caixa Cultural, o foco é a viagem que ele fez ao sul do Brasil, em 1827, quando pintou e desenhou as paisagens ainda pouco habitadas da região. São trinta aquarelas e desenhos que mostram cenas de cidades do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Além delas, há mais dez obras que mostram o cotidiano na Corte, no Rio de Janeiro, tanto dos nobres quanto dos escravos. São cenas de barbearia, crianças sendo levadas para a escola, venda de produtos agrícolas nas ruas da cidade, escravas lavadeiras na beira do rio lavando as roupas dos nobres, entre outras. Cada obra exposta tem um pequeno texto que identifica a cena e contextualiza o momento. Não é chato de ler e não cansa. Como a exposição é curta, vale a pena ler cada informação apresentada, pois, desta forma, aprendemos um pouco mais da história de nosso país. As obras pertencem ao acervo dos Museus Castro Maya. Um belo espetáculo visual e histórico. Gostei muito.

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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

PNEUMÁTICA


Mais uma exposição na Caixa Cultural que visitei no último domingo. Inaugurada em 06 de outubro, as obras do artista plástico Paulo Paes que integram a mostra Pneumática seguem em exibição até o dia 25 de novembro na Galeria Vitrine do espaço cultural. É uma exposição rápida de se ver, pois todas as obras possuem o mesmo foco, o mesmo elemento. O artista pesquisou, no Rio de Janeiro, como mestre baloeiros constroem os balões, especialmente no que diz respeito ao seu preenchimento, para compor obras bonitas, de formatos longilíneos, usando muita cor e as técnicas para inflar as estruturas. Pelas formas de cada uma das obras expostas, fica claro que o objetivo do artista não era fazer balões para voar, mas sim obras para embelezar, embora possam ter uma curta vida, devido à fragilidade do material utilizado na sua confecção. Em algumas delas há uma comparação entre a obra sem ar, chapada na parede, com sua plena forma, devidamente inflada. Nesta exposição é permitido fotografar, desde que sem o uso do flash. Gostei.

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quinta-feira, 8 de novembro de 2012

CARLINHOS BROWN - O OLHAR QUE OUVE


Em cartaz na Galeria Acervo da Caixa Cultural em Brasília a exposição O Olhar Que Ouve. São telas e instalações do músico Carlinhos Brown. A mostra foi inaugurada em 06 de outubro e permanecerá aberta ao público, com entrada gratuita, até o próximo dia 02 de dezembro. Na entrada já há uma instalação, uma espécie de portal para a alegria. Assim que entrei, uma música em volume baixo saía da maior instalação da exposição. Eram marchinhas carnavalescas em performance instrumental. Tal obra se chama Caetanave e traz uma visão do artista sobre o carnaval baiano. Tem música, tem iluminação, parece a traseira de um trio elétrico, tem rede de pescador que para mim simboliza a corda que separa os foliões com abadá daqueles da pipoca, tem latinhas de alumínio em profusão, o que remete ao pessoal que coleta as latinhas de cerveja e refrigerante consumidos no corredor da folia, e tem serpentina. A instalação tem um toque de nostalgia, pois é de seus alto-falantes que saem as marchinhas, além do monte de serpentina que relembra os antigos carnavais pelo país afora. Também tem um toque de final de festa, com a rede percorrendo o mar de gente pelas ruas da cidade, levando consigo as latas de alumínio e as serpentinas caídas no chão. Dá para se sentir em meio ao turbilhão de gente que fervilha nas ruas de Salvador durante os dias de Carnaval. Outra instalação interessante está logo à frente de quem entra. Trata-se de uma pirâmide maia de vidro ou acrílico (não sei direito), com degraus em seus quatro lados. Em cada degrau estão duas plaquinhas brancas com o nome de um ritmo musical escrito nelas. Assim, temos jazz, samba, axé, rumba, choro, forró, reggae, entre outros, que reverenciam um único ritmo, o silêncio, que reina absoluto no topo da pirâmide, em forma de um CD. Crítica ou reverência? Fica a dúvida. As telas não deixam dúvidas de que o autor é Carlinhos Brown, pois a profusão de cores e movimentos está presente em todas elas. São telas abstratas, mas que transmitem um sentimento de alegria, de ritmo, de carnaval. Em um nicho na parede da direita de quem entra está a instalação que mais me chamou a atenção, pois nos faz refletir sobre a importância da água para o planeta. Parece ser o interior de uma casinha pobre, típica do interior do Nordeste, com terra vermelha nas paredes, com poucos móveis, bem rústicos. Mas ao centro, a religiosidade é forte com a presença de um oratório de madeira. No interior do oratório não há nenhuma imagem de santo, mas um copo de água que reverencia a imagem que passa ao fundo. Imagem projetada em uma tela de televisão, onde a água é a única estrela. É um filme curto, que passa desde a gota d'água até a formação de um imenso lago, oceano ou rio. Mais um momento de reflexão. Saí da exposição leve, como se a alegria contida naquelas obras tivesse me contagiado. Gostei muito e fiquei mais fã do artista Carlinhos Brown.

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terça-feira, 6 de novembro de 2012

TRANSIT

Nas galerias da Caixa Cultural, em Brasília, há quatro exposições. Uma delas, a que ocupa o maior espaço, é Transit - Sindika Dokolo Coleção Africana de Arte Contemporânea. Está em exibição desde 06 de outubro, ficando até 18 de novembro, com entrada gratuita. As obras, todas de artistas africanos, pertencem à Fundação Sindika Dokolo, sediada em Angola. O recorte do acervo desta fundação que chega a Brasília já passou por Salvador, Bahia, onde esteve em exibição no MAM de março a abril deste ano. São vídeos, instalações, fotografias e vestimentas que não só nos mostram beleza, mas também nos fazem refletir sobre o mundo globalizado. A maioria das obras é concentrada nos vídeos, dispostos em duas paredes, frente a frente, onde uma série de monitores de televisão nos convida para colocar o fone de ouvido e apreciar a obra em movimento. Alguns possuem estética de desenho animado, muito interessantes. Mas o que me chamou mais a atenção foram três obras. A primeira delas é "L'Initiation", de 2004, do artista de Mali, Abdoulaye Konate. Trata-se de um grande painel de tecido onde, em retângulos verticais, há uma silhueta humana. Dentro de cada silhueta, uma visão particular do artista sobre alguns países do mundo e abaixo desta figura, alguns símbolos que traduzem esta visão. A visão para a China é provocativa, pois a silhueta está dividida ao meio, enquanto a bandeira chinesa preenche o espaço das duas metades. Soma-se a isto o fato de que os chineses invadiram, comercialmente falando, o continente africano. Fiz a leitura de que o artista vê a China dividida entre os mundo capitalista e o comunista, ainda mais quando levamos em consideração que entre os países retratados na obra estão os Estados Unidos, o Japão e Israel. Este último, em um visão bem sombria, com a cor negra preenchendo toda a silhueta. A segunda obra a me chamar a atenção foi o tríptico fotográfico "Le Principe de La Faim Nº 4", 1997, do artista de camaronês Bili Bidjocka. As fotografias retratam um monte de bananas em forma de um elegante vestido longo. Na primeira foto, as bananas estão maduras, amarelas, prontas para o consumo, mas não o são, passando por um estágio de decomposição, retratadas nas fotos 2 e 3, quando elas ficam totalmente negras. Uma dura crítica à falta de perspectivas para a fome na África, representando que com o valor de um vestido de grife, pode-se comprar uma quantidade grande de bananas. Uma imagem metafórica que dá um soco no estômago da gente. Momento reflexão total durante a minha passagem pela exposição. A terceira obra que chamou minha atenção ocupa toda a parede do fundo da sala, à direita de quem entra. De longe, vemos uma sombra na parede branca que nos faz lembrar o skyline de New York. A sombra é proveniente de dezenas de caixas de som, de variados tamanhos, que estão colocadas um pouco à frente da parede. Uma luz branca posicionada em frente das caixas é a responsável pela projeção da sombra atrás delas. Para completar, sons das ruas de Manhattan saem destas caixas de som. Assim, ouvimos barulho do trânsito, do metrô, entre outros. A vídeo-som instalação data de 2006, cuja autoria é do marroquino Mounir Fatmi, que deu a ela o sugestivo nome de "Save Manhatten 03". O curioso é que a obra foi feita após o atentado de 11 de setembro, mas a sombra das torres gêmeas ainda permanece intacta. Ao todo são dezesseis artistas africanos que representam os países Mali, África do Sul, Camarões, Angola, Quênia, Marrocos, Nigéria e Argélia. Conhecia poucas obras de artistas africanos. Acho que os vi apenas representados em exposições em uma ou duas Bienais de São Paulo. Achei providencial esta oportunidade de ver obras de artistas contemporâneos africanos em Brasília, especialmente para ver e entender o que cada um vem produzindo, mostrando que a linguagem da arte atual segue a globalização, mas tem um toque especial, um toque regional, uma necessidade de manter uma tradição, um olhar diferenciado sobre todo um continente. Gostei muito e recomendo.

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segunda-feira, 5 de novembro de 2012

ROBERTO BURLE MARX - A FIGURA HUMANA NA OBRA EM DESENHO

Enfim tive um tempo para conhecer o Museu Nacional dos Correios, localizado no Setor Comercial Sul, em Brasília. Perdi algumas exposições interessantes que tiveram lugar nas salas do museu. E quase perdi mais uma, pois neste domingo, dia em que o conheci, era o último dia da exposição Roberto Burle Marx - A Figura Humana na Obra em Desenho, que estava em cartaz desde o dia 16 de agosto. O movimento era bem pequeno no final de tarde de um domingo com tempo firme. A exposição ocupava o 2º e o 3º andares do local. Eram 120 desenhos, a maioria em nanquim ou carvão. Para mim, foi a primeira vez que vi tanta obra de Burle Marx juntas. Quando ouço o nome dele, o que primeiro vem a minha mente são os jardins por ele projetados. Brasília tem alguns famosos, como o do Palácio do Itamaraty, o da Praça das Fontes no Parque das Cidades, o da Praça dos Cristais, e no Setor Militar Urbano. Também é dele o projeto paisagístico do Centro de Arte Contemporânea Inhotim, em Brumadinho, MG. Já tive oportunidade de ver uma obra dele aqui, outra ali, mas um acervo de mais de cem peças, era inédito para mim. Gostei muito. A mostra no terceiro andar focou nos retratos, incluindo um autorretrato feito quando ele era jovem. São homens e mulheres, alguns de corpo inteiro, com traços perfeitos. Os retratos de nus masculinos me pareceram bem acadêmicos, destes que um modelo fica horas em uma mesma posição, posando para o artista. Há também uma variação de um mesmo retrato de uma negra bem interessante, pois ele vai colocando traços mais fortes, favorecendo, em primeiro plano, o rosto da modelo em uma sequência de três desenhos. No segundo andar, a presença humana continua, mesmo porque é o tema da exposição, mas desta vez integrada com cenas do cotidiano, com forte presença de mesas de bares. De todos os desenhos, apenas um tinha cor, os demais eram traços negros sobre uma folha de papel.
Gastei quase uma hora para ver, com calma, todos os desenhos expostos. Já que estava com tempo e a sala de exposição era praticamente minha, tive tempo de sobra para observar muitos detalhes destas obras.
Gostei do espaço cultural também. Amplo, moderno, com boas instalações. Falta público apenas, pois ao assinar a lista de presença, observei as presenças de dias anteriores. Raramente chegava a vinte pessoas em um dia inteiro. Espero que o Museu Nacional dos Correios se consolide no cenário cultural brasiliense, assim como o fizeram o Centro Cultural Banco do Brasil, a Caixa Cultural e o Museu Nacional da República.
Em tempo: os desenhos pertencem ao acervo do Sítio Roberto Burle Marx, unidade especial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

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segunda-feira, 9 de julho de 2012

DE CHIRICO, O SENTIMENTO DA ARQUITETURA

Depois de contemplar as obras de Caravaggio e seus seguidores na Casa Fiat de Cultura, fui para a segunda galeria do espaço cultural onde está a exposição De Chirico, O Sentimento da Arquitetura, com curadoria de Maddalena d'Alfonso. Tal mostra já havia sido exposta no MASP e está em cartaz em Nova Lima (MG) desde o dia 29 de maio, onde fica aberta para visitação pública, com entrada gratuita, até 29 de julho de 2012. Como as pinturas de Caravaggio atraem um público grande, para ver as obras de De Chirico é necessário enfrentar uma fila de, no mínimo, uma hora nos finais de semana para pegar os ingressos. Ainda no hall do espaço cultural, uma grande escultura do artista greco-italiano recebe os visitantes. É a única obra que se permite fotografar, desde que sem uso do flash. Ao descer as escadas e entrar na galeria, vemos outras esculturas de menor porte, sendo que algumas delas podem ser tocadas por deficientes visuais, uma série de litografias e muitas pinturas. São cerca de 120 obras pertencentes à Fondazione Giorgio e Isa de Chirico, localizada em Roma. As obras estão distribuídas em salas. Na primeira sala à direita de quem entra ficam as litografias, com desenhos muito similares entre si e algumas esculturas protegidas por uma caixa de vidro. Eu estava sob o impacto do barroco de Caravaggio e achei as litografias sem graça. As esculturas me chamaram a atenção, pois as figuras humanas não tinham rosto definido. Assim que passei para a próxima sala, uma série de pinturas mostravam as mesmas figuras humanas sem rosto. Alguns elementos do surrealismo podem ser identificados nestas pinturas, mas li nos textos da exposição que De Chirico não gostava de ser identificado como surrealista. Ele dizia que sua pintura era metafísica, ela questionava o significado da existência do mundo. Não sou filósofo e nem estava afim de ficar procurando o sentido da vida nas pinturas ali expostas. Há um tema recorrente e alguns quadros parecem iguais porque o pintor utiliza alguns elementos recorrentemente, como os manequins sem rosto, a chaminé de uma fábrica, uma praça, estátuas e colunas greco-romanas. A cor é forte, com o amarelo predominando. Embora com seis vezes mais obras do que Caravaggio e Seus Seguidores, percorri toda a exposição de De Chirico em vinte minutos, pois as pinturas são muito parecidas e não me chamaram muito a atenção. Talvez eu tenha que me aprofundar mais na história deste pintor para poder captar melhor o significado de suas obras, mas, por ora, De Chirico não me cativou. Valeu a experiência!

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quarta-feira, 4 de julho de 2012

CARAVAGGIO E SEUS SEGUIDORES

No primeiro domingo de julho, em dia ensolarado no inverno na região metropolitana de Belo Horizonte, eu,  Ric, Emi e Rogério, logo após um excelente almoço no restaurante Mello Mercearia, fomos para Nova Lima conferir Caravaggio e Seus Seguidores. Esta exposição está em cartaz na Casa Fiat de Cultura desde o dia 22 de maio, permanecendo aberta para visitação pública até 15 de julho, quando será desmontada e seguirá para o MASP em São Paulo. Em terras mineiras, a entrada é gratuita, mediante a retirada do ingresso na bilheteria do espaço cultural, localizada logo à esquerda de quem entra. A visita aos domingos tem início às 14 horas. Chegamos às 14:39 horas. O local já estava bem concorrido com uma longa fila que subia a rua. Embora o sol estivesse forte, todos esperavam pacientemente. Até que a fila andava, o que dava uma sensação de que logo chegaríamos ao ponto inicial. Decorridos 40 minutos na fila, conseguimos chegar na bilheteria, pegando os ingressos e folders das duas exposições em cartaz na Casa Fiat de Cultura: Caravaggio e Seus Seguidores e De Chirico, O Sentimento da Arquitetura. Nova fila, desta feita para ter acesso ao saguão do local, onde há um café e as entradas para as duas galerias, além do cinema, chapelaria e banheiros. A quantidade de pessoas na galeria onde as pinturas barrocas de Caravaggio estão expostas é limitada, motivo pelo qual entra o mesmo número de pessoas que deixam o ambiente. Assim que entregamos os ingressos, recebemos orientações básicas, como a proibição de fotografar, filmar e entrar com alimentos/bebidas nas galerias, além de ter que deixar mochilas, bolsas grandes e chapéu no guarda-volumes. Era o meu caso, já que usava um chapéu. Respeitadas as regras, fomos para a última fila que se formava em frente à galeria da direita. Cinquenta e cinco minutos depois de nossa chegada, adentramos o espaço expositivo. O ambiente é escuro, com spots iluminando os quadros. Faz frio por causa do ar condicionado. Um alarme é disparado constantemente, pois para proteção das valiosas obras em exposição, um sensor capta qualquer movimento que ultrapasse a linha preta pintada no chão. Um simples movimento de braço pode acionar o alarme. Vigilantes atentos alertam os visitantes sobre o sensor. Caravaggio é meu pintor favorito. Já andei muito só para ver um único quadro dele em Nápoles, além de já ter pedido para ter acesso a locais restritos em uma igreja para também ver uma pintura cuja autoria é atribuída a ele. Assim que tive conhecimento desta exposição, fiz de tudo para conciliar agendas para poder conferí-la. São apenas seis quadros de Caravaggio e quatorze pinturas de alguns de seus seguidores. Ao lado de cada obra, um breve histórico sobre o artista, a pintura, quando foi feita e a que instituição ela pertence. Três ambientes compõem a mostra. No primeiro, assim que se entra, estão as obras de Caravaggio. No segundo, estão expostas as pinturas dos seus seguidores, como Orazio Gentileschi, Giovanni Baglione, Guido Cagnacci, Jusepe de Ribera, Mattia Preti e Orazio Borgianni. No terceiro, o ambiente mais iluminado, estão painéis que fazem uma comparação entre dois quadros muito semelhantes retratando São Francisco, de um total de quatro existentes. Uma pintura tem-se a certeza de ser de Caravaggio, enquanto o outro acredita-se que também seja do mestre da pintura barroca. Comecei pelas pinturas de Caravaggio. A primeira, São Jerônimo que Escreve já impressiona pela luminosidade, traço característico do pintor, e a presença da caveira, um símbolo iconoclasta cristão representando a morte e a mortalidade dos homens, uma constante nas pinturas religiosas barrocas.  Em seguida, o primeiro exemplar de São Francisco: São Francisco em Meditação, com a presença do crânio novamente. O terceiro quadro colocado na mesma parede é um retrato, com iluminação esplendorosa na parte esquerda do rosto de um cardeal. A pintura tem o nome de Retrato do Cardeal (supõe-se que o retratado seja o Cardeal Benedetto Giustiniani). A quarta pintura é a mais concorrida, escolhida para estampar o material gráfico da exposição, a Medusa Murtola, pintada em uma tela de linho aplicada sobre um escudo de madeira de álamo. Um primor. A luz no rosto assustado deste ser mitológico com as cobras no lugar de seu cabelo é fantástica. Quadro para se admirar por um longo tempo. Passei para o quinto quadro, chamado São Januário Degolado ou Santo Agapito. A força da pintura está na morte estampada no rosto do santo, enquanto a posição em que ele se encontra transmite uma serenidade incomum para a situação. Por fim, o segundo exemplar de São Francisco em Meditação. Momento de tentar verificar as diferenças entre as duas pinturas com o mesmo santo. Quase que um jogo dos sete erros. Fiquei em torno de meia hora para apreciar estas seis pinturas, passando para o segundo ambiente, onde fui mais rápido para ver os quatorze quadros, todos com características bem próximas das técnicas utilizadas  por Caravaggio. Todas as pinturas são muito bonitas, mas uma delas me chamou a atenção: Madalena Desmaia, de Guido Cagnacci, pois trata-se de um quadro com cunho religioso, mas retrata Madalena com os seios desnudos (a foto desta pintura está reproduzida abaixo e não foi tirada na exposição, onde não é permitido fotografar, mas sim baixada da internet). Por fim, li todos os painéis que trazem informações sobre duas pinturas de São Francisco e os debates que ocorreram sobre a autoria de ambos. Esta parte da mostra tem o nome de Os Duplos de Caravaggio: As duas versões de São Francisco em Meditação. As técnicas utilizadas para o estudo das duas pinturas (uma delas não está  na exposição) foram bem variadas, como a radiografia, a microfotografia, a macrofotografia, técnicas com infravermelho e fotografia com fluorescência induzida pela luz ultravioleta. Nem todo mundo lê todas as informações e acaba acreditando que as comparações foram feitas com os dois exemplares presentes na exposição. Fiquei em torno de uma hora em Caravaggio e Seus Seguidores. Uma bela exposição. Gostei muito.


Madalena Desmaia, de Guido Cagnacci


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