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domingo, 5 de dezembro de 2010

MAM






Detalhes da exposição "Dengo", instalação de Ernesto Neto no MAM-SP

Ainda no MAM, depois do almoço, resolvemos ver as duas exposições individuais em cartaz no museu. Aos sábados, a entrada é gratuita, precisando apenas colar um adesivo na roupa. Este adesivo está disponível na bilheteria, em balcão na entrada do museu. A maior das individuais chama-se "Dengo" do artista contemporâneo Ernesto Neto. É uma instalação colorida, com grandes redes penduradas no teto de onde caem gotas do mesmo material das redes preenchidas nas extremidades com bolas coloridas. Também há gotas que envolvem instrumentos musicais de percussão, e assentos em forma de balanços. Em pontos estratégicos, finos postes chamados pelo artista de camelôs contém, pendurados, saquinhos de chocolates, balas, sal e ervas. Nas extremidades de algumas gotas que ficam nas laterais estão latinhas de cerveja amassadas ou cocos vazios, como se fosse uma representação do lixo urbano. Ao fundo, no fim da exposição, um vídeo mostra pipas no ar, enquanto no chão do espaço expositivo, abaixo do telão, estão caixas de isopor, cocos in natura e sacos de lixo pretos com cocos já usados. Voltando, perto da entrada/saída, há várias carteiras de sala de aula coloridas em formato de gato e um quadro negro estilizado com uma frase, em inglês, dizendo que não precisamos de guerra no Brasil. Com exceção dos postes "camelôs", toda a obra pode ser tocada, incluindo os instrumentos musicais. Há na parede, logo na entrada, as regras para visitar a exposição, onde se lê que pode-se tocar a obra, mas é necessário fazê-lo com dengo. O colorido e o formato da instalação são um convite para a interatividade. Adultos e crianças, sem exceção, acabam mexendo em tudo (até onde está escrito que não se pode tocar), tocando os tambores, o piano, sentando nos balanços e balançando as gotas que pendem do teto. No corredor de acesso ao espaço expositivo, um papel de parede chama a atenção. De longe parecem estrelas em cor bege com um fundo azul piscina. De perto, percebemos que as estrelas são formadas por pés de galinha. Fomos, em seguida, para o segundo espaço expositivo do museu, onde está a individual de Raymundo Colares. Pequeno, há obras coloridas espalhadas pelas paredes e nichos de vidro, onde as cores fortes são predominantes, especialmente o vermelho. Foi uma rápida passagem.


Individual de Raymundo Colares no MAM-SP

Saímos do MAM. Na lateral do museu acontecia um evento onde pessoas com deficiência mostravam os métodos que utilizavam para fazer pinturas. O evento chamava pintando com pés e boca. Muita gente parava para ver. Ao final do prédio do museu, já iniciando a famosa Marquise, centenas de pessoas, a maioria mulheres, estavam sentadas em mesas de plástico em um trabalho frenético, utilizando cola, tesoura, papel, linha, agulha, tecido, entre outros materiais. Era um aulão de scrap, a arte artesanal de enfeitar as coisas, especialmente álbuns de fotografia. Demos uma volta na Marquise, parando para ver dois dos nove jardins que integram a mostra Festival de Jardins do MAM no Ibirapuera. Artistas plásticos foram convidados a construírem jardins em nove locais do parque. Vimos o jardim da dupla Dimitri Xenakis (francês) & Maro Avrabou (grego), composto por estantes que lembram as gôndolas de supermercados. Ao percorrer os caminhos, notei que as plantas expostas estavam em vasos com imagens de legumes e verduras de nosso dia a dia. Salsa, berinjela, cenoura, rabanete, abobrinha, entre outras, estavam expostas neste interessante jardim. O outro jardim é de autoria de Christine (francesa) & Michel Péna (francês), com estrutura em forma de onda, com plantas rasteiras, incluindo grandes pratos com plantas comestíveis. Entramos, ainda, no Auditório Ibirapuera, onde no saguão há uma bonita escultura vermelha de Tomie Othake, enquanto em sua entrada há a escultura chamada "Labareda", de Oscar Niemeyer, o autor do projeto arquitetônico do prédio.


Aula de scrap na Marquise - Parque do Ibirapuera


Festival de Jardins do MAM do Ibirapuera - Dimitri Xenakis & Maro Avrabou


Festival de Jardins do MAM do Ibirapuera - Christine & Michel Péna


Escultura de Tomie Othake no saguão do Auditório Ibirapuera


Escultura "Labareda", de Oscar Niemeyer, na entrada do Auditório Ibirapuera



PRÊT NO MAM

Quando saímos do Prédio da Bienal, já passavam de 13 horas. A fome já nos atacava. Preferimos ficar no Parque do Ibirapuera para almoçar no restaurante do Museu de Arte Moderna (MAM), chamado Prêt no MAM. Já conhecia o local. Oferece um sistema de buffet livre, cujo preço é salgado (R$ 52,00), especialmente aos sábados e domingos, dias de maior movimento. Como sei que o local fica lotado a partir de uma hora da tarde, nos apressamos para entrar logo. Conseguimos uma mesa próximo ao buffet. É desconfortável, pois as pessoas fazem fila ao lado de sua cadeira e algumas delas não se importam de conversar alto, praticamente em cima de seu prato. A sorte que a mesa era para quatro pessoas, possibilitando que eu e Ric nos sentássemos nas posições que ficavam mais distantes da fila. Como previa, logo todas as mesas ficaram ocupadas e uma lista de espera teve que ser utilizada pela gerente. No buffet havia uma opção de quiche de brócolis com amêndoas, arroz branco, feijão preto temperado, frango à espanhola (peito de frango grelhado com molho de linguiça, tomate e grão de bico), torta de abobrinha, aspargos cozidos com mascarpone, salada de folhas verdes, carne assada, uma espécie de purê de siri, uma massa recheada com queijo crocante por fora e um canapé. São poucas as opções, mas os pratos são bem feitos e repostos imediatamente, sempre quentes. O senão fica com a falta de educação dos clientes. Quando estão se servindo, geralmente em grupos de amigos e/ou familiares, costumam conversar, rir e mexer nos cabelos. Há uma recomendação da Organização Mundial de Saúde para que, em serviços de buffet, as comidas estejam protegidas com vidros, que não se utilize os pratos sujos para se servir novamente e que haja avisos aos clientes para que evitem conversar enquanto se servem. Não há nada disso no restaurante. Incomodado com o que via, especialmente quando um homem gargalhou na fila e sua saliva pulou no ar, chamei a gerente e lhe questionei sobre este aspecto. Ela me disse que trabalha há dezoito anos no setor de restaurantes e que desconhecia esta orientação. Simpática, agradeceu, dizendo que falaria com o proprietário sobre o assunto. Disse a ela que em Brasília, todos os restaurantes que oferecem o serviço self-service, seja ela a quilo ou em buffet livre, são obrigados a protegerem o local onde fica a alimentação pronta a ser servida. Bebemos um café descafeinado, desta vez da marca Illy e pagamos a conta. Desde que estou em São Paulo, tenho pedido notas fiscais com meu CPF em todos os locais onde frequento, pois o programa Nota Fiscal Paulista atinge a todos os consumidores, não importando o estado em que morem. O melhor é que, diferente de Brasília, você pode optar por receber seus créditos em dinheiro, por intermédio de crédito em conta bancária. O cadastro é simples no sítio eletrônico da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo. No Prêt no MAM não foi diferente. Fui embora com o cupom fiscal com meu CPF registrado.