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domingo, 24 de abril de 2022

BATMAN (THE BATMAN)

Batman (The Batman), 2022, 176 minutos.

Direção de Matt Reeves. No elenco estão Robert Pattinson (Bruce Wayne / Batman), Zoë Kravitz (Selina Kyle / Mulher Gato), Jeffrey Wrigth (Comissário James Gordon), Colin Farrell (Pinguim), Paul Dano (Charada), John Turturro (Falcone), Andy Serkis (Alfred), entre outros.

Sou fã desde criança de Batman. Sempre foi meu herói preferido. Adam West, o eterno Batman do seriado dos anos 1960, é meu favorito, mas Christian Bale na trilogia de Christopher Nolan arrasou na composição do personagem. Assim como muitos, fiquei com um pé atrás quando anunciaram Robert Pattinson como o novo Batman. Minha implicância com ele já tinha sido superada desde que vi O Farol, mas não o via como o vingador encapuzado. Minha resistência foi-se embora ainda nos primeiros minutos de projeção do novo filme. Pattinson está sensacional do papel, entregando uma performance espetacular. Há cenas em que ele transmite o sentimento de Batman somente com o mexer dos olhos. Já entrou, para mim, na galeria dos Batmans inesquecíveis.

Este novo Batman não segue nenhum dos filmes anteriores. Matt Reeves focou em um Batman ainda iniciante, mais para detetive do que para um herói. Um Batman odiado pelos policiais que o veem como um vigilante mascarado que age na contramão das técnicas da polícia. Batman ainda é violento, quebra na porrada os bandidos, praticando a justiça com as próprias mãos. Os laços com a polícia ainda são somente com Gordon, que ainda nem comissário era.

Muitas referências visuais ao cinema estão nas quase três horas de duração do filme. O lado detetive do Batman nos remete imediatamente aos filmes noir, enquanto a chuva constante em Gotham e o uso de cores como se fossem neon nos faz lembrar de Blade Runner. Uma das cenas mais evidentes em relação às referências é o batmóvel andando em chamas como em Chistine, O Carro Assassino.

Pinguim ainda não é o vilão conforme conhecemos, mais uma espécie de assistente de Carmine Falcone, o todo poderoso da máfia que comanda o crime organizado em Gotham. O Charada é o grande vilão da trama, inteligente, sabendo colocar o Batman em dúvidas. Há uma meteórica aparição do Coringa na cadeia, quando ele conhece o Charada. E ainda tem a Mulher Gato como par romântico do Batman, mais no papel de uma anti-heroína do que de uma vilã. Ela até ajuda o Batman, assim como o Pinguim o faz.

A opção pelo uso de cores sombrias faz deste Batman o mais escuro de todos, mas tal escolha é muito bem aplicada, pois demonstra o humor do herói que está em formação, cheio de dúvidas, traumas e angústias. O mesmo pode-se dizer da maquiagem, com grandes olheiras em Bruce Wayne. Ainda no quesito maquiagem, Colin Farrell está irreconhecível como Pinguim

Em síntese, Batman é um ótimo filme com uma sólida história. 

sexta-feira, 15 de abril de 2022

DOPESICK

Fiquei curioso quando li uma resenha sobre a minissérie Dopesick, disponível na plataforma Star+, resolvendo deixar de lado minha listinha de séries para assistir, passando-a na frente.

A minissérie me arrebatou. São oito episódios com duração média de uma hora cada um deles. Não conseguia parar de assistir. Vi tudo em duas noites, cinco episódios na primeira noite e três na noite seguinte.

É envolvente, tem excelentes atores, com destaque para Michael Keaton (Dr. Samuel Finnix) e Peter Sarsgaard (Rick Mountcastle), o drama é baseado em fatos reais, é muito bem dirigida. O roteiro tem como base o livro de Beth Macy. Na direção, quatro diretores se revezaram nos episódios: Barry Levinson, Michael Cuesta, Patricia Riggen e Danny Strong.

A trama consiste na luta de procuradores de uma pequena cidade de Virginia contra a Purdue Pharma, gigante farmacêutica controlada pela família Sackler, cujos donos eram filantropos, financiando e apoiando grandes museus pelo mundo, a exemplo do Metropolitan Museum of Art, em Nova York, que tinha uma ala chamada Sackler, e o Musée du Louvre, em Paris. A Purdue Pharma lançou um analgésico mais potente que a morfina, o Oxycontin, fazendo uma campanha agressiva sobre os médicos de pequenas cidades para que eles receitassem o novo remédio para qualquer tipo de dor.

Mentiras, corrupção, brigas entre os membros da família, frustrações dos procuradores, ameaças, ganância e ambição estão presentes enquanto presenciamos a dor de centenas de famílias que perderam pessoas queridas devido ao vício adquirido com o remédio. A situação ficou tão preocupante que até o Departamento de Estado Antidrogas do governo norte-americano entrou na luta contra a Purdue Pharma. E aqui destaco o papel de Rosario Dawson como uma diretora adjunta do DEA.

Um artifício interessante usado pelos diretores é o vai e vem no tempo, não contando a história de forma linear. Isto prende a atenção, permite uma melhor compreensão dos fatos futuros, deixando o espectador livre para refletir sobre o que realmente importa: o uso indiscriminado de remédios.

Ao terminar a série, tive uma sensação mista de raiva, de nojo e de preocupação em relação à indústria farmacêutica, com sua publicidade sempre mostrando gente feliz e ativa, mas cheia de falcatruas por trás de tudo.

Michael Keaton está perfeito como o médico de uma cidade que vive da extração do carvão, adorado por todos e que vê sua vida transformada depois que conhece o analgésico Oxycontin.

Para refletir.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

LANTERNA VERDE

Fui ver Lanterna Verde (Green Lantern), de Martin Campbell, na sessão das 21:10 horas do Kinoplex do Pátio Brasil Shopping na noite do feriado. Não havia muito movimento. Paguei R$ 10,00 (meia entrada usando o cartão de crédito Itaucard) para ver mais uma produção americana de super herói que ganha as telas grandes. Confesso que sabia pouco deste personagem vivido pelo ator Ryan Reynolds. O filme não me agradou. O roteiro pareceu-me idiota demais, meio infantiloide. Tem muito efeito especial, um vilão sem forma feito em computação gráfica, um herói sem carisma, uma mocinha que parecia estar esperando o herói aparecer a qualquer momento, mesmo não existindo nenhum sinal de que isto aconteceria. E ainda há o desperdício de atores do quilate de Tim Robbins, vivendo um senador, Angela Bassett, como uma doutora envolvida em um projeto secreto do governo americano, e Peter Sarsgaard, vivendo Hector, um arremedo de vilão, previsível demais. Todos em desempenho pífio se compararmos com seus trabalhos anteriores. O destaque da fita são os efeitos especiais, com a cor verde, por motivos óbvios, dominando. Não gostei.