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quarta-feira, 27 de junho de 2012

GASTRONOMIA EM PORTO ALEGRE (RS) - CALAMARES



Endereço
: Avenida Mercedes, 58, Moinhos de Vento, Porto Alegre, RS.

Especialidade: culinária portuguesa.

Quando fui: jantar do dia 14 de junho de 2012, quinta-feira. Cheguei por volta de 20:30 horas. Estava só.

Serviço: para entrar tive que bater campainha, pois pensei que a porta estava fechada (na verdade, estava emperrada). Atendimento simpático e cordial dos garçons. Os pratos não demoraram a chegar à mesa, mesmo porque o restaurante estava bem vazio.

O que bebi: meia garrafa do vinho tinto brasileiro Boscato Reserva Merlot 2007 (R$ 19,00),  produzido no Rio Grande do Sul. Tem aroma agradável e sem novidades no sabor. Vinho para beber despretensiosamente. Junto ao vinho, água mineral com gás Água da Pedra. Não há café descafeinado no restaurante, motivo pelo qual deixei de beber ao final do jantar.




O que comi: como estava em um restaurante de cozinha portuguesa, comecei com um bolinho de bacalhau frito (R$ 5,90). Sequinho, vem sem nenhum tipo de molho ou mesmo limão. Coloquei um fio de azeite extra virgem. Estava saboroso. Como prato principal, pedi o prato da boa lembrança, levando mais um souvenir de Porto Alegre para casa. O nome do prato é bacalhau da terra (R$ 76,00). O bacalhau é desfiado, misturado com cebola e palmito, envolto em açafrão da terra, o que lhe confere uma cor amarelada, sobre camada de batata palha. Acompanha brócolis cozido, cenoura baby cozida e palmito em conserva. O prato é bonito, bem perfumado, mas carece de personalidade no paladar. Ainda tem o agravante de eu ter achado bastante espinha do bacalhau, o que me irritou um pouco, pois o peixe é desfiado, motivo pelo qual deveria haver a preocupação de retirar as espinhas antes da elaboração do prato. E nem eram espinhas minúsculas, mas de tamanhos bem visíveis. Este detalhe foi crucial para eu não gostar do prato e de nem me animar a pedir sobremesa, embora os doces portugueses sejam sempre uma tentação para mim. Não gostei.



bolinho de bacalhau


bacalhau da terra


bacalhau da terra

Valor total da conta: R$ 117,04.

A avaliação a seguir leva em consideração a experiência por mim vivenciada durante a minha visita ao restaurante, desde o momento da reserva (quando há), passando pela recepção, acomodação na mesa, atendimento, tempo de chegada dos pedidos, até o pagamento da conta. Esta avaliação varia de um a cinco asteriscos, representados pelo símbolo (*), podendo ter a variação de meio asterisco, representada pelo formato (1/2).

Minha avaliação: * 1/2. O atendimento simpático e o bolinho de bacalhau, embora bem simples, salvaram a minha noite.

Gastronomia Porto Alegre (RS)

domingo, 24 de junho de 2012

GASTRONOMIA EM PORTO ALEGRE (RS) - PEPPO CUCINA



Endereço: Rua Dona Laura, 161, Rio Branco, Porto Alegre, RS.

Especialidade: culinária italiana.

Quando fui: almoço do dia 14 de junho de 2012, quinta-feira. Cheguei por volta de 13:30 horas. Estava só.


Serviço: atendimento simpático na recepção e durante a minha permanência no restaurante, embora em alguns momentos o salão onde estava ficou sem a presença de garçons. Serviram o couvert sem perguntar se eu queria. Há wi-fi mediante senha fornecida pelo garçom, mas não funcionou.

O que bebi: uma garrafa de vidro de Coca Cola Zero e um café expresso Café do Mercado ao final do almoço.




O que comi: aceitei o couvert, chamado de coperto (R$ 9,90). Simples, composto de uma vasilha com pães levemente adocicados e manteiga enfeitada com um raminho de alecrim. O restaurante oferece uma extensa carta de pratos da culinária italiana, com a predominância de massas, mas resolvi pedir o prato da boa lembrança chamado medaglioni alla crema (R$68,40), ou seja, medalhões de filé acompanhados de tortelloni com recheio de espinafre, ricota e amêndoas, ao molho de creme de leite e parmesão. Não gosto de espinafre, mas como a massa já era recheada previamente, resolvi encarar. Ainda bem que o recheio tinha a predominância da ricota, sendo espinafre e amêndoas mero coadjuvantes. Vem três unidades no prato, junto com dois medalhões. A carne estava macia, vindo ao ponto, conforme havia pedido quando solicitei o prato. O molho vem em quantidade adequada, sem mascarar o sabor da carne. Dispensei o parmesão ralado. Prato bem feito, sem grandes arroubos.



coperto


medaglioni alla crema
Valor total da conta: R$ 84,48.

A avaliação a seguir leva em consideração a experiência por mim vivenciada durante a minha visita ao restaurante, desde o momento da reserva (quando há), passando pela recepção, acomodação na mesa, atendimento, tempo de chegada dos pedidos, até o pagamento da conta. Esta avaliação varia de um a cinco asteriscos, representados pelo símbolo (*), podendo ter a variação de meio asterisco, representada pelo formato (1/2).

Minha avaliação: * * *. O ambiente é bonito, aconchegante. Foi a segunda vez que fui ao Peppo e acho um interessante local para almoçar.

Gastronomia Porto Alegre (RS)

segunda-feira, 18 de junho de 2012

A VINGANÇA DO ESPELHO: A HISTÓRIA DE ZEZÉ MACEDO



Cumpri agenda de trabalho em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, durante a sexta-feira, dia 15 de junho. Antes de sair do hotel, chequei a programação cultural da cidade para a noite, já que voltaria para Brasília no sábado pela manhã. Estreava naquela noite a curta temporada da peça carioca A Vingança do Espelho: A História de Zezé Macedo. Já tinha lido críticas favoráveis a esta montagem quando esteve em cartaz no Rio de Janeiro. Se tivesse ingresso para a noite, seria minha agenda cultural na capital gaúcha. A peça estava em cartaz no histórico Theatro São Pedro, uma chance para eu conhecê-lo por dentro, desejo antigo. Como meu compromisso de trabalho era no Centro, após o almoço fui até a bilheteria do teatro, próximo de onde eu almoçara. Por sorte, havia ingresso e em ótimo local. Paguei R$ 60,00 pela entrada, sessão das 21 horas. Com uma hora de antecedência, saí do hotel Ibis Moinhos de Vento, pagando R$ 15,00 a corrida até o teatro. O hall de entrada é pequeno e estava ocupado por banners que reproduziam algumas críticas publicadas em jornais e revistas sobre a peça, além de promotores da operadora de telefonia Vivo que patrocinava a montagem. Ganhei uma caneta dos promotores. Com tempo e fome, subi as escadas para comer um pão de queijo (iguaria mineira que dominou o Brasil de norte a sul!) com um bem tirado café expresso no Café do Theatro, um espaço gostoso, com ares estilosos, pois fica em prédio que está completando 154 anos neste mês de junho de 2012. As pessoas que chegavam para o espetáculo subiam direto para o café. Um local de encontro e bate papo. Quando foi liberada a entrada para a sala onde seria encenada a peça, entrei logo. A sala tem formato circular, muito bem conservada, com poltronas em tecido vermelho, com ótimo espaço entre as fileiras. Há dois andares de galerias, com cadeiras com assento que imita palhinha. O teto é lindo, com detalhes discretos, mas marcantes. Há um lustre redondo ao centro. O palco já estava descortinado, deixando à mostra o cenário, nada mais do que uma coxia de teatro preparada para o ensaio de uma peça. Ao centro, equipamentos modernos, com um notebook da Apple e um monitor de televisão em LCD. Monitores idênticos estavam colocados na primeira galeria de ambos os lados do teatro. A trilha sonora executada era de canções brasileiras antigas, sucessos das décadas de 40 e 50. O público foi chegando devagar, em sua maioria pessoas idosas. Na bilheteria, quando comprava os ingressos, fiquei sabendo que a maioria dos ingressos para as estreias são destinadas à associação dos amigos do teatro. Achei interessante, pois garante a quem ajuda a manter o teatro ingressos para os espetáculos que ali ocorrem. Com dez minutos de atraso, o terceiro sinal tocou. Era o início do espetáculo. Os atores entram pela plateia, como se estivessem chegando atrasados ao início do ensaio de uma peça que a companhia de teatro montaria. Assim começa a encenação do texto de Flávio Marinho para A Vingança do Espelho: A História de Zezé Macedo. A direção é de Amir Haddad. Em quase duas horas de apresentação, a história da atriz Zezé Macedo é contada, em ordem não cronológica, mas de maneira bem didática, relatando fatos revelantes da atriz, começando pela sua fase de maior visibilidade popular, quando fez a Dona Bela da Escolinha do Professor Raymundo na Rede Globo, passando por sua infância na cidade de Silva Jardim, seu primeiro casamento, o relacionamento com a sogra, a perda do filho ainda bebê, a mudança para a cidade do Rio de Janeiro, sua estreia no cinema pelas mãos do diretor Watson Macedo, seu trabalho na rádio quando era secretária de Dias Gomes, como conseguiu um papel na mesma rádio e de lá para a televisão, que ainda engatinhava no Brasil. Ainda há espaço para seus maiores sucessos no cinema, quando trabalhou com grandes nomes da telona, como Oscarito, Adelaide Chiozo, Carlos Manga, entre outros. Também seu segundo e duradouro casamento é encenado, assim como suas inúmeras plásticas (fazia uma a cada dois anos), e sua relação com a questão da beleza, atributo pelo qual não era conhecida definitivamente. Uma das cenas, quando Zezé Macedo, vivida magistralmente por Betty Gofman, faz um papel em um teatro de revista, eu fui a "vítima", sendo escolhido por Gofman para ser o seu par. Não precisei sair da poltrona, pois a atriz veio até a fileira onde eu estava (segunda fileira, bem no centro) e ali fez a cena. Hilário. Meus óculos acabaram ficando na mão da atriz. Toda a história é contada como se os atores estivessem ensaiando uma peça sobre a Zezé Macedo. A escolha da atriz da companhia, Stella (Gofman), para viver Zezé foi motivo para ela desistir de fazer o papel, pois poderia ser estigmatizada como uma atriz feia. A plateia é instada a pedir que ela aceite e volte. A vida de Zezé mostra que ela foi muito mais do que a Dona Bela, papel pelo qual ficou conhecida. Ela fez mais de cem filmes, tendo começado com 38 anos a fazer cinema, escreveu livros de poesia, algumas delas declamadas em cena, inteiramente autobiográficas, além de ter tido alguns empregos burocráticos até sua estreia no rádio. Brigas internas na companhia revelam alguns pontos interessantes da vida dos atores, como a loura burra, atriz de novelas, interpretada por Marta Paret, que quer provar que é mais do que um rostinho bonito, a reclamação do ator que se acha o eterno coadjuvante, ou aquele que sempre faz o mesmo tipo, caso de Tadeu Mello, que faz um ator homossexual. Os efeitos cênicos são pontos fortes durante a peça, pois com objetos simples o diretor consegue passar a mensagem perfeita para o público. Assim, uma garrafa vazia com um aplique de flor amarela se torna o Kikito, prêmio que Zezé Macedo ganhou em Gramado por sua participação no filme As Sete Vampiras, sucesso de Ivan Cardoso na década de 80, ou uma rosa de tecido se fazer de sangue na mão de Gofman. A troca de figurino é outro ponto de destaque. Tocante a homenagem que eles fazem aos atores que ajudaram a Atlântida ser um sucesso na história do cinema nacional. As fotos destes atores e atrizes vão passando no monitor de LCD, enquanto os integrantes da peça vão dizendo seus nomes. Entre outros, são exibidas fotos de Grande Otelo, Sônia Mamede, Renata Fronzi, Oscarito e Ankito. Embora longa, a história prende a gente. Confesso que nem vi o tempo passar. Completam o ótimo elenco os atores Eduardo Reyes e Alexandre Barbalho. O grande destaque para mim é Betty Gofman, que consegue uma performance maravilhosa para viver Zezé Macedo. Sem praticamente maquiagem nenhuma, ela se transforma, e, muitas vezes, nos faz crer que Zezé está no palco. A cena que mais ilustra esta encarnação é no discurso de agradecimento que Zezé faz ao receber o prêmio em Gramado. Lindo, lindo! Gostei muito de conhecer o teatro, com ótima peça, em noite fantástica. Peguei um táxi na lateral do teatro e voltei para o hotel, contente pelo que vi.



teatro