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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

INVERNO DA LUZ VERMELHA

 100,35




Primeiro ato: inverno, Amsterdã, um quarto de hotel, uma prostituta, um machão músico e um escritor nerd. Um triângulo amoroso inusitado. Interpretações explosivas, texto banal.
Segundo ato: verão chuvoso, São Paulo, uma quitinete, a mesma prostituta, o mesmo machão músico e o mesmo escritor nerd. Continua o triângulo amoroso inusitado, só que sem a presença dos três juntos em cena. Interpretações contidas, texto forte.
O texto acima reflete a minha impressão sobre a peça Inverno da Luz Vermelha em cartaz no Teatro I do CCBB de Brasília. Escrita por Adam Rapp, com tradução de Eduardo Muniz e Ricardo Ventura, a peça é encenada em dois atos em 120 minutos pelos atores André Frateschi (Davi), Marjorie Estiano (Cristine/Cristina/Ana)  e Rafael Primot ( Mateus). A direção é de Monique Gardenberg, cenários de Daniela Thomas e iluminação de Maneco Quinderé. A troca de cenários é feita entre os dois atos com as cortinas abertas e luzes acesas, em um coreografado trabalho das pessoas que ficam nos bastidores da cena. Daniela Thomas utilizou muito material de demolição para compor os dois ambientes onde se desenvolve a história. Há dois números musicais no primeiro ato para aproveitar os dotes de cantores de Estiano, que dança sensualmente enquanto canta uma música francesa, e de Frateschi, que toca guitarra e canta uma canção em língua inglesa.
O teatro tinha um bom público, embora não estivesse lotado. Percebi que um senhor sentado ao meu lado ficou incomodado com os diálogos do primeiro ato, recheados de palavrões, e com a cena de estrupro no segundo ato. Quando terminou, ele aplaudiu protocolarmente.
Os três personagens são densos e tem como caraterística comum o fracasso em seus desejos e planos de futuro.  O final é bem emblemático. Cada um acaba longe do outro, sem perspectivas na vida. Uma peça para refletir. A direção de Gardenberg é segura, especialmente quando altera a performance dos atores nos dois atos, deixando-se mais soltos na primeira parte do texto e mais contidos na parte final. Gostei muito.

domingo, 1 de agosto de 2010

TEMPO DE COMÉDIA


Continuando com minha agenda cultural, eu e Ric fomos conferir a peça Tempo de Comédia, em cartaz no Teatro I do CCBB de Brasília desde o dia 15 de julho de 2010. Ingresso, como sempre, a R$ 7,50 (meia entrada por ser correntista do BB). O texto original tem o nome Comic Potential que foi escrito pelo dramaturgo inglês Alan Ayckbourn. A tradução foi feita por Ricardo Ventura e Eduardo Muniz, ambos também atuando na peça. O elenco ainda conta com Julia Carrera, Luiz Damasceno, Malu Pessin, Adriano Paixão, Bia Borin, Luciano Gatti, Lívia Lisbôa e Lívia Guerra. São 110 minutos de texto, são 110 minutos de muita risada. Havia tempos que não ria tanto em um teatro. Cada cena é hilária. Os atores dão um show de interpretação. Não é uma comédia besteirol, destas que vem fazendo sucesso de público nos palcos brasileiros. O texto é inteligente, não perdoa as questões ligadas às relações humanas, mas mostra isto tudo de uma forma leve, vibrante, cativante, engraçada, com direito a gags típicas do cinema mudo. Aliás, o cinema mudo é homenageado no texto, com a citação do grande diretor/ator Buster Keaton. A história se concentra em um estúdio de gravação de tv, em um futuro incerto, onde os atores são andróides, chamados de actóides. O diretor com duas assistentes técnicas controlam as interpretações, colocando mais lágrimas, mais risos nos intérpretes robôs.. Os atores que fazem os actóides estão simplesmente ótimos. São "over" em gestos, caras e bocas. A malvada da história fica por conta da diretora-geral da emissora, vivida por Malu Bessin, que controla com mão de ferro a programação, de olho na audiência, que está em queda. O dono da emissora vive em uma cadeira de rodas, sem poder falar e se comunica atráves de uma outra pessoa. Ainda há o sobrinho não tão rico do dono da emissora que quer ser escritor e se apaixona por uma das actóides, que tem uma inteligência artificial além da média. Consegui identificar alguns filmes e séries de tv que, com certeza, foram fontes de inspiração para as cenas: A General, Os Três Patetas, AI - Inteligência Artificial, X-Men, Plantão Médico, Super Homem, Uma Noite na Ópera. Ao final, todo o elenco foi muito aplaudido. A peça é sucesso de público e ainda fica em cartaz em Brasília até o dia 08 de agosto, com duas sessões extra no final de semana. Vale a pena conferir. Saí do CCBB totalmente leve, feliz com a vida. Na saída, ouvimos um som vindo da parte de trás do teatro. Era o projeto Depois das Fronteiras, definido em seu folder como experiências sonoras e visuais no Planalto. Puffs coloridos espalhados no jardim escuro, barraca montada para vender bebidas e salgadinhos, várias pick-ups em linha para o show de djs, projeção na parede de concreto, um frio gostoso, noite estrelada, música nos convidando para a dança. Isto é Brasília!