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segunda-feira, 12 de maio de 2014

CAMÉLIA


Na última vez em que estive no Rio de Janeiro, aproveitei a oportunidade para conferir a peça Camélia, que esteve em cartaz no início do ano em Brasília, mas não consegui ver. Trata-se de um texto vencedor da sexta edição do projeto do CCBB chamado Seleção Brasil em Cena. Este projeto premia textos novos para dramaturgos de Brasília e do Rio de Janeiro, havendo um vencedor para cada cidade. As peças escolhidas ficam em cartaz nos centros culturais que o Banco do Brasil mantém nestas duas cidades. Camélia se baseia em um relato de Freud sobre sua paciente homossexual. A peça narra a história de uma mulher que viveu 100 anos, praticamente o Século XX inteiro, quando viveu a experiência de duas guerras mundiais, era judia, fugiu da perseguição de Hitler, viajou o mundo, chegando até a morar no Brasil. Foi apaixonada por uma mulher casada e viveu intensamente este amor ao longo de sua vida. O texto é de Ronaldo Ventura e a direção de Luana Proença, que optou por utilizar somente atores novatos, gente pouco conhecida no meio teatral brasiliense. A vida da mulher não é contada de forma linear, o que exige do público uma atenção maior, sendo a protagonista a responsável por nos contar sua vida. A maior parte do tempo a atriz que interpreta a mulher centenária fica de costas para o público, trajando um vestido longo, com chapéu e um véu que cobre a parte de trás da cabeça. A roupa e acessórios indicam para nós que, embora de costas, é a frente da mulher que vemos e isto fica evidente com o gestual da atriz, que fica simulando que está fumando um cigarro enquanto narra sua vida. O trabalho de corpo da atriz é muito bom. Figurino, cenário e trilha sonora integram completamente ao enredo. Tais elementos ajudam a manter o clima, principalmente nas passagens de tempo. Ao final, um belo texto, com ótimas interpretações. Vida longa ao projeto que descobre novos talentos.

artes cênicas

domingo, 13 de janeiro de 2013

SEXTON


Minha primeira peça em 2013 foi Sexton, em cartaz no Teatro II do CCBB Brasília. Ingresso a R$3 (meia entrada). O texto é da dupla Helena Machado e Julianna Gandolfe, vencedor da edição número 5 da Seleção Brasil em Cena. Por causa do prêmio, elas ganharam a montagem no centro cultural de Brasília de 10 de janeiro a 03 de fevereiro, quando viajarão para o Rio de Janeiro, onde a peça ficará em cartaz no CCBB Rio. A direção de Sexton coube a Rodrigo Fischer. O elenco é integrado por Jessica Cardoso, que dá vida à personagem Anne Sexton, a poetisa americana; Gaivota Neves, Jeferson Alves, Karol Oliveira, Mário Luz e Paulo Wenceslau. Com exceção de Jessica, todos os demais interpretam mais de um personagem em cena. Além da presença física dos atores, a peça conta também com a participação de Adriana Lodi e Alneiza Faria em vídeo. O teatro estava com sua capacidade máxima, sinal que o brasiliense aprecia a prata da casa quando o espetáculo é bom. E o texto realmente é muito bom. Em cerca de 90 minutos, a vida de Sexton passa à nossa frente. Ela tinha problemas psiquiátricos e seu analista lhe sugeriu que escrevesse, o que ela não só o fez, como alcançou o sucesso com suas poesias, carregadas de fatos pessoais, um verdadeiro relato autobiográfico. Nos seus textos, ela não esconde suas angústias, seus desejos, seus conflitos com o marido, com as filhas, com os amigos, seus vários homens e mulheres e sua amizade com outros escritores que partilhavam dos mesmos hábitos, como o cigarro e a bebida. Em tom realista, a encenação chega a ser perturbadora, fazendo com que os espectadores se mexam nas cadeiras. Nunca tinha visto nenhum dos atores em cena e Jessica Cardoso me surpreendeu, com seu porte mignon, cabeça raspada, mas conseguindo passar muita verdade como a atormentada poetisa. Alguns efeitos cênicos são muito interessantes, especialmente a sincronização de projeção e encenação no palco. Como os personagens fumam demais, o diretor optou por uma simulação, quando nenhum cigarro realmente está aceso em cena, mas no diálogo entre Sexton e Sylvia Plath, quando as duas escrevem suas poesias na mesma mesa, elas acendem um cigarro atrás do outro, um vídeo de fumaça de cigarro preenchendo o ambiente fica a passar na parede branca por detrás da mesa onde acontece o diálogo. O efeito ficou tão bom que parecia que a fumaça dos cigarros estava a flutuar pelo palco. Sexton era ninfomaníaca e isto não podia deixar de aparecer no texto. Há uma bela cena, com os atores Jessica Cardoso e Paulo Wenceslau nus, com iluminação bem fraca, uma penumbra, quando simulam o ato sexual. Plasticamente bonito. Gostei muito.



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