Véspera de feriado em Brasília. Peça dirigida pelos irmãos Adriano e Fernando Guimarães em cartaz no Teatro Dulcina (Setor de Diversões Sul - CONIC), com entrada franca. Eu e Ric fomos conferir o único monólogo escrito por Nelson Rodrigues chamado Valsa nº. 6. Os Guimarães colocaram três atrizes para encenar o texto que foi escrito originalmente para apenas uma mulher. É a história da adolescente Sônia que busca saber quem é e onde está. A plateia, sentada no próprio palco, acompanha os pensamentos desta jovem voltando ao passado para reconstruir sua curta trajetória de vida, pois fora assinada quando tinha 14 ou 15 anos. As atrizes Karine Luiz, Clara Camarano e Wanessa Rainha se revezam no texto dando vida a Sônia, ao médico Dr. Junqueira, a mãe de Sônia, colegas de escola, fofoqueiras, todas personagens que vão aparecendo na mente da adolescente enquanto está reconstruindo seu passado. O texto é forte, bem escrito. O cenário, como todos dos Guimarães, também é marcante, com três cadeiras transformadas em vestidos de noiva, alguns baldes, uma cadeira de madeira, um scarpin azulado e um sapato masculino preto, além de um bouquet de flores no estilo noiva entrando na igreja e um vestido de calda, que tanto podia ser um vestido de debutante, quanto um vestido de noiva. Tais objetos, quando usados pelas atrizes, identificavam as personagens. Assim, quando uma das atrizes estava usando o sapato preto, era o Dr. Junqueira falando; os baldes na cabeça identificavam as colegas de escola, enquanto os mesmos baldes usados como megafones, eram as fofoqueiras. O vestido de calda foi usado pelas três atrizes ao longo da curta duração da peça. As três estão muito bem, com excelente postura em cena, além de boa projeção de voz. Destaco a performance de Karine Luiz, que tem uma beleza brejeira e uma ótima presença de palco. Esta moça vai longe. Gostei do que vi.
Um pouco de tudo do que curto: cinema, tv, teatro, artes plásticas, enogastronomia, música, literatura, turismo.
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quinta-feira, 1 de abril de 2010
sábado, 6 de março de 2010
O ANIVERSÁRIO DA INFANTA
Em cartaz no Teatro Dulcina de Moraes (Faculdade Dulcina de Moraes - Conic - Setor de Diversões Sul), o novo trabalho dirigido por Adriano e Fernando Guimarães. Trata-se de uma livre adaptação do conto de Oscar Wilde, O Aniversário da Infanta. Com ingresso custando R$ 20,00 a inteira, a peça tem cerca de 80 minutos. No elenco, atores de Brasília, quase todos ex-alunos dos irmãos Guimarães: André Reis, Eduardo Félix, Leandro Menezes, Lívia Bennet, Mateus Ferrari, Michelly Scanzi, Nathalia Mello, Natália Leite, Rodrigo Lélis, Tati Ramos e Valéria Rocha. Os Guimarães também são os responsáveis pela cenografia, de longe, o ponto alto da peça. Público pequeno na noite de sexta-feira, quando fui conferir o espetáculo. Cenografia e figurinos são um show à parte, muitos vezes suplantando algumas deficiências de interpretação e da narrativa. Já conhecia o texto de Wilde e nele há pouco diálogo. Para dar um ritmo na história, algumas atrizes fazem o papel de narradoras, o que cansa quem está assistindo, pois o tom da voz soa monocórdio. Interessante a colocação em cena de manipulador de bonecos. Na verdade, são duas bonecas que interpretam a infanta, embora também haja uma atriz neste papel. Destaco a encenação de Romeu e Julieta, de Shakespeare, durante a festa de aniversário da infanta. A peça é feita com bonecos, interpretados pelos atores, dando um caráter de comédia pastelão, mas lúdico e bem feito. Não gostei da interpretação do anão. Ficou uma coisa caricata, mais parecida com um macaco. Não passa a ideia de ser um homem rejeitado por todos pela sua feiúra. O diálogo entre as flores no jardim do palácio também é digno de nota, pois nos leva a refletir sobre a questão da beleza e da necessidade de sempre estarmos produzidos esteticamente perante a sociedade. Mais uma vez, os irmãos Guimarães mostram que sabem dirigir atores pouco experientes e com níveis diferentes de atuação. Como o espetáculo visual é deslumbrante, as deficiências nem sempre são notadas.
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