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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

7 X RODAS


Mais uma noite dedicada ao teatro. Novamente eu e Ric estivemos no CCBB, desta vez no Pavilhão de Vidro, para ver a estreia da peça 7 X Rodas. Ingresso, como sempre, custou R$ 7,50 (meia entrada - correntista Banco do Brasil). O espetáculo conta com sete roteiros diferentes para encenação de Hugo Rodas. Para cada roteiro, uma direção distinta. Por ordem alfabética, como está no material de divulgação da peça, são os seguintes os diretores: Adriana Lagomarsino; Adriano e Fernando Guimarães; Alexandre Ribondi e Sérgio Sartório; Fernando Villar; Guilherme Reis; Míriam Virna; e Zé Celso Martinez Corrêa. O público compareceu em peso, lotando os cem lugares disponíveis. Há seis nichos nas laterais e extremidades do Pavilhão de Vidro, com puffs vermelhos espalhados em forma de vários círculos, um dentro do outro, no centro, e alguns deles colocados entre os nichos. Tais nichos são os cenários para cada um dos roteiros. A primeira encenação é uma volta em torno da plateia tocando um bumbo, uma ode à alegria. O espetáculo é uma celebração pelas sete décadas de vida de Hugo Rodas, um uruguaio radicado no Brasil, especialmente em Brasília, desde a década de setenta. Não há uma linearidade, nem uma ligação entre uma cena e outra. A música indica a mudança de roteiro e, portanto, de cena. Como são sete roteiros diferentes, a tendência é de fazermos uma avaliação isolada, estabelecendo qual que nós gostamos mais ou menos. Há uma constante "dança" de corpos da plateia, que se movimenta junto com o ator, sempre se posicionando de frente para onde ele está encenando. Ao final, a plateia, repleta de artistas de Brasília, aplaude, longamente, de pé o mestre de quase todos. Gostei da peça, muito pela celebração, pela emoção de estar vivo e de amar a vida que nos passou Rodas. O interessante é que esta celebração se dá com textos fortes e que nos remetem à morte (guerra, tortura, assassinato). Dentre os roteiros, fico com o que tem o cenário repleto de bonecas, quando Hugo Rodas demonstra seu lado dramático ao dizer um texto que nos remete aos horrores da guerra. Ajudou, e muito, para criar um clima soturno nesta encenação, tanto o som quanto a iluminação, ainda mais com a sombra das árvores balançando do lado de fora do pavilhão, dando um ar de tristeza ao ambiente. Não há identificação, durante o espetáculo, de quem é o roteiro e a direção de cada cena. Viva Hugo Rodas!


sábado, 15 de maio de 2010

ILHAR

Dez pessoas. Este foi o público presente na sessão da peça Ilhar, texto e direção de Paulo Russo, que assisti na noite de sexta-feira. Em cartaz no Espaço Cena (SCLN 205, Bloco C, loja 25 - Asa Norte), conta no elenco com Verônica Moreno (Tonha) e Wanderson Barros (Chico). Cenário de Adriano e Fernando Guimarães. O ingresso custou R$ 20,00 a inteira. O folheto da peça informa que o texto é resultado de pesquisa do diretor, cuja origem é o Nordeste brasileiro. Tonha é uma senhora que vive sozinha no sertão, levando uma vida simples. Enquanto soca o milho, conversa com as imagens de Jesus e de alguns santos para os quais reza todas as noites antes de se deitar. Nesta conversa, ela relembra seu passado; o menino cor de barro, seu amor impossível; a rigidez com que seus pais a criaram e espera pela chegada da chuva que nunca vem. Enquanto está nestas divagações, um menino aparece em sua casa pedindo um gole de água. Este menino representa tudo o que ela não teve: um filho para criar, uma pessoa para conversar, para ensinar as coisas. Os dois lembram a simplicidade e a sabedoria dos personagens criados por Ariano Suassuana, especialmente em O Auto da Compadecida. A performance de Verônica Moreno é um dos pontos fortes da peça. Ela faz uma Tonha amarga, moldada pela dureza do sertão, um barro difícil de se quebrar, mas que se rende à pureza do menino Chico. Outro destaque para mim é o cenário criado pelos irmãos Guimarães, com gaiolas fazendo as vezes de nichos e armários. Cenário e figurino, este de Cyntia Carla, conversam entre si, todos em tons que lembram a aspereza do sertão sem água. Belo espetáculo. Pena que poucos estavam na sessão. Merece ser mais conhecido.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

VALSA Nº. 6



Véspera de feriado em Brasília. Peça dirigida pelos irmãos Adriano e Fernando Guimarães em cartaz no Teatro Dulcina (Setor de Diversões Sul - CONIC), com entrada franca. Eu e Ric fomos conferir o único monólogo escrito por Nelson Rodrigues chamado Valsa nº. 6. Os Guimarães colocaram três atrizes para encenar o texto que foi escrito originalmente para apenas uma mulher. É a história da adolescente Sônia que busca saber quem é e onde está. A plateia, sentada no próprio palco, acompanha os pensamentos desta jovem voltando ao passado para reconstruir sua curta trajetória de vida, pois fora assinada quando tinha 14 ou 15 anos. As atrizes Karine Luiz, Clara Camarano e Wanessa Rainha se revezam no texto dando vida a Sônia, ao médico Dr. Junqueira, a mãe de Sônia, colegas de escola, fofoqueiras, todas personagens que vão aparecendo na mente da adolescente enquanto está reconstruindo seu passado. O texto é forte, bem escrito. O cenário, como todos dos Guimarães, também é marcante, com três cadeiras transformadas em vestidos de noiva, alguns baldes, uma cadeira de madeira, um scarpin azulado e um sapato masculino preto, além de um bouquet de flores no estilo noiva entrando na igreja e um vestido de calda, que tanto podia ser um vestido de debutante, quanto um vestido de noiva. Tais objetos, quando usados pelas atrizes, identificavam as personagens. Assim, quando uma das atrizes estava usando o sapato preto, era o Dr. Junqueira falando; os baldes na cabeça identificavam as colegas de escola, enquanto os mesmos baldes usados como megafones, eram as fofoqueiras. O vestido de calda foi usado pelas três atrizes ao longo da curta duração da peça. As três estão muito bem, com excelente postura em cena, além de boa projeção de voz. Destaco a performance de Karine Luiz, que tem uma beleza brejeira e uma ótima presença de palco. Esta moça vai longe. Gostei do que vi.

sábado, 6 de março de 2010

O ANIVERSÁRIO DA INFANTA

Em cartaz no Teatro Dulcina de Moraes (Faculdade Dulcina de Moraes - Conic - Setor de Diversões Sul), o novo trabalho dirigido por Adriano e Fernando Guimarães. Trata-se de uma livre adaptação do conto de Oscar Wilde, O Aniversário da Infanta. Com ingresso custando R$ 20,00 a inteira, a peça tem cerca de 80 minutos. No elenco, atores de Brasília, quase todos ex-alunos dos irmãos GuimarãesAndré Reis, Eduardo Félix, Leandro Menezes, Lívia Bennet, Mateus Ferrari, Michelly Scanzi, Nathalia Mello, Natália Leite, Rodrigo Lélis, Tati Ramos e Valéria Rocha. Os Guimarães também são os responsáveis pela cenografia, de longe, o ponto alto da peça. Público pequeno na noite de sexta-feira, quando fui conferir o espetáculo. Cenografia e figurinos são um show à parte, muitos vezes suplantando algumas deficiências de interpretação e da narrativa. Já conhecia o texto de Wilde e nele há pouco diálogo. Para dar um ritmo na história, algumas atrizes fazem o papel de narradoras, o que cansa quem está assistindo, pois o tom da voz soa monocórdio. Interessante a colocação em cena de manipulador de bonecos. Na verdade, são duas bonecas que interpretam a infanta, embora também haja uma atriz neste papel. Destaco a encenação de Romeu e Julieta, de Shakespeare, durante a festa de aniversário da infanta. A peça é feita com bonecos, interpretados pelos atores, dando um caráter de comédia pastelão, mas lúdico e bem feito. Não gostei da interpretação do anão. Ficou uma coisa caricata, mais parecida com um macaco. Não passa a ideia de ser um homem rejeitado por todos pela sua feiúra. O diálogo entre as flores no jardim do palácio também é digno de nota, pois nos leva a refletir sobre a questão da beleza e da necessidade de sempre estarmos produzidos esteticamente perante a sociedade. Mais uma vez, os irmãos Guimarães mostram que sabem dirigir atores pouco experientes e com níveis diferentes de atuação. Como o espetáculo visual é deslumbrante, as deficiências nem sempre são notadas.