Convidei uma amiga e colega de trabalho de Minas Gerais que está em Brasília participando de uma capacitação gerencial para assistirmos a um filme na noite de terça-feira. Ela pouco conhece de Brasília. Resolvi, portanto, levá-la ao CasaPark Shopping e conferir o ganhador do Oscar 2010 de melhor filme, Guerra ao Terror. Chegamos uma hora antes do início do filme. Resolvemos lanchar e encontramos amigos fazendo o mesmo. Sentamo-nos juntos até que eles se retiraram, pois a sessão do filme deles inciava antes do nosso. Tínhamos ainda um tempinho para passar na Livraria Cultura. Checando as novidades de filmes lançados em dvd, vi que o filme por nós escolhido já estava disponível. Tenho todos os filmes até então lançados em dvd que já ganharam o Oscar na categoria melhor filme. Assim, decidi comprar Guerra ao Terror. Já na bilheteria do cinema, decidimos ver outro filme, O Livro de Eli (The Book of Eli), dos irmãos Hughes, produção americana de 2010, com Denzel Washington como ator principal. A fotografia da película é impactante, preto e branco, retratando um mundo dilacerado pós guerra com consequências horríveis. Neste mundo, onde não há dinheiro e a áuga é um bem para lá de precioso, está um andarilho solitário, Eli (Washington), com uma inseparável mochila. Ele caminha em direção ao oeste, ação que ele desenrola há trinta anos, sempre guiado por uma voz interior. No seu caminho, muitos baderneiros, no melhor estilo Mad Max. Há muita morte durante o filme, com Eli enfrentando dezenas de pessoas ao mesmo tempo sem nunca se ferir. Ele tem o corpo fechado. Em um povoado devastado, está o fascista vivido por Gary Oldman que aparece lendo a biografia de Mussolini e está em busca do livro que o ajudará a comandar o que restou do mundo. Logicamente, quem tem este livro é Eli e ao ser descoberto, o embate está travado. O filme faz referências explícitas ao já mencionado Mad Max, mas também há elementos de Waterland, fracassso de bilheteria na década de oitenta. Também é veículo para mostrar que marcas como Motorola, Apple (iPod), GMC e Ray Ban sobrevivem ao apocalipse. Previsível, o filme fica chato depois da primeira meia hora e envereda por um caminho, digamos, messiânico. Termina de forma conservadora e enaltece a religião, mesmo a criticando veladamente quando Oldman diz que no passado quem dominava o texto do livro, dominava a multidão e que isto poderia perfeitamente acontecer novamente. Os irmãos Hughes, depois de um sombrio Do Inferno, conseguiram fazer uma espécie de Do Paraíso, sem as belezas a ele associadas, mas que com fé e perseverança, mesmo usando da violência, todos chegamos onde queremos. Risível. Obviamente, não gostei.