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terça-feira, 30 de novembro de 2021

FERIDA (BRUISED)

Ferida (Bruised), 2020, 129 minutos.

Filme dirigido e protagonizado por Halle Berry, que estreia na direção.

Berry é uma lutadora de MMA que abandona o octógono durante uma luta, no auge da carreira. Alguns anos depois, ela vive uma relação tóxica com seu companheiro, também seu empresário, mergulhou de cabeça no alcoolismo, não consegue se fixar em emprego e precisa de grana. Para piorar, o filho de seis anos que ela havia abandonado, deixando-o com pai, fica órfão de pai e vai viver com ela. O menino não fala pelo trauma de ter visto o pai morrer. Ela, então, volta a treinar para encarar novamente o octógono e ganhar dinheiro.

História de superação, de redenção, de afirmação como mulher, negra, em um universo essencialmente masculino.

Este tipo de filme já vimos um montão de vezes. Não consigo deixar de fazer comparação com o filme Menina de Ouro, dirigido por Clint Eastwood.

Ferida é mais cru, menos sentimental, com ótima performance da atriz Halle Berry.

Embora não sejam os temas centrais, racismo e misoginia estão inseridos na trama.

A luta final é muito bem filmada, cheia de detalhes técnicos de uma luta livre (que não aprecio), mas é longa demais. A luta de disputa do título mundial é entre uma negra (Berry) e uma argentina, com uma bela mensagem, ao final, de união entre as mulheres, especialmente as mais discriminadas no território norte-americano: negras e latinas.

No mais, muitos clichês neste tipo de trama.

Vi, em 26/11/2021, na Netflix.  

segunda-feira, 29 de novembro de 2021

SPENCER

Spencer (Spencer), 2021, 117 minutos.

Direção de Pablo Larraín, roteiro de Steven Knight, estrelado por Kristen Stewart (Diana).

Primeiramente, até ver Spencer, tinha sérias restrições quanto ao trabalho de Stewart, especialmente por seu papel na saga Crepúsculo e como protagonista do horrível Branca de Neve e O Caçador. Mas minha percepção dela como atriz mudou totalmente depois de sua performance como a Diana-Spencer, a eterna Lady Di, no filme Spencer. Realmente é digna de indicações como melhor atriz como apontam as pré-listas e apostas para as premiações do cinema norte-americano de 2021, em especial o Oscar.

Nunca li nenhuma biografia sobre Lady Di, por isso não posso dizer se a história narrada em Spencer é fiel aos fatos ou se há muita licença poética do roteirista e do diretor. O que sei é que o filme é muito bom, com bela direção de arte, figurinos deslumbrantes e uma fotografia de encher os olhos.

A história se concentra nas festividades do Natal de 1991 em um castelo da família real inglesa.

Diana está completamente perdida mentalmente (na cena inicial, um indicativo deste transtorno, ela entra em uma lanchonete na beira da estrada e pergunta onde ela está), se sentindo um peixe fora do aquário dentro da família real. Seus problemas psíquicos se tornam um transtorno, tanto para ela, como para seus filhos e para a realeza. Sofre de bulimia, tem um pé na esquizofrenia, enxerga o fantasma de Ana Bolena, cuja biografia ela estava lendo. Fica apática, sem vontade de nada, ou melhor, sua vontade é se livrar do casamento, das amarras daquela família e ser livre (há uma metáfora interessante, quando ela conversa com um faisão que está prestes a ser morto, juntamente com vários outros da mesma espécie, em um tiro ao faisão, tradição da família real. Ela insiste para o faisão fugir, ir para longe dali).

Ela é vigiada o tempo todo, tanto pelos paparazzi, que ficam de tocaia nas imediações do castelo onde passa as festividades do Natal, quanto pelos empregados, todos fidelíssimos à rainha.

É um filme sobre a solidão. Mesmo cercada de empregados e de familiares, Diana sempre está cabisbaixa, com olhares parados, imersa em seus pensamentos e em seus devaneios, não podendo ser dona de seu próprio destino (até as roupas que ela vai vestir em cada refeição é ditada pelas regras da realeza).

Nesta etapa de sua vida, o casamento com o Príncipe Charles já estava degringolado, sua relação com ele era meramente formal, o caso extraconjugal dele já era público. Há um ótimo diálogo entre Diana e Charles onde ele diz que todos eles deviam ser dois. Um tipo para ser visto pelo público e outro, entre paredes.

O filme mostra uma rainha má, um príncipe distante e uma Lady Di com sérios transtornos psicológicos. Até que ponto cada uma destas características é verdadeira é o grande nó da questão.

Vi, em 26/11/2021, no Stremio.


domingo, 28 de novembro de 2021

O DEMÔNIO DAS ONZE HORAS (PIERROT LE FOU)

O Demônio das Onze Horas (Pierrot le fou), 1965, 110 minutos.

Direção de Jean-Luc Godard. Protagonizado por Jean-Paul Belmondo (Ferdinand) e Anna Karina (Marianne).

Eu vi este filme no início dos anos 1980, quando era estudante de economia na UFMG. Na faculdade tinha um cine clube que eu costumava frequentar. Só passava filmes de cineastas cultuados, como é o caso de Godard.

Confesso que detestei o filme.

Quatro décadas depois, o revi, pois estou inscrito no Clube de Análise Fílmica, coordenado pelo Prof. Alisson Gutemberg, cujo tema das aulas de novembro é o cinema de Jean-Luc Godard.

Revi Pierrot le fou com outro olhar. Já tinha participado de duas aulas sobre o cineasta francês, adquirindo conhecimentos, não só do professor, mas também da galera que participa do clube, com intervenções, ao final da exposição de Alisson, muito enriquecedoras. Com tal bagagem, além de centenas de filmes assistidos neste intervalo entre o primeiro contato com o filme e este último, minhas impressões foram outras.

O filme é uma ode de amor, não só pelo próprio roteiro, com a fuga de Ferdinand, casado com uma burguesa fútil, com Marianne, uma mulher decidida, com bagagem cultural, mas também um amor às artes.

A obra cinematográfica de Godard é repleta de citações e isto não é diferente em Pierrot le fou. Citações explícitas, verbais, como no diálogo de Ferdinand com a esposa, quando ele afirma que deu folga para a empregada da casa três vezes naquela semana para ela ir ao cinema ver Johnny Guitar, de Nicholas Ray, ou quando ele lê diversos trechos de livros, que é o caso da cena inicial, na qual Ferdinand está em uma banheira lendo, em voz alta, trechos sobre o pintor espanhol Diego Velázquez para um menininha, que não presta atenção, mirando o infinito.

Também há citações visuais, com diversas reproduções de pinturas na parede dos quartos, a exemplo de Renoir, Modigliani, Chagall e Picasso.

Ao participar da análise do filme no Clube de Análise Fílmica, tomei conhecimento de que a maior citação de todas é a do poeta francês Arthur Rinbaud. Citações verbais, citações visuais (desde a formação do título no início do filme), características do próprio personagem Ferdinand, até um poema declamado em off na cena final.

Outro ponto a destacar é o uso das cores para ajudar a transmitir os momentos/sentimentos vividos por Ferdinand. Ainda casado, ele vai a uma festa de ricos. Na medida em que seu tédio vai aumentando, as cenas ficam monocromáticas, passando pelo vermelho, o azul, chegando ao verde pálido, cena em que ele trava um diálogo com o diretor norte-americano Samuel Fuller (neste diálogo, Fuller define o cinema como "emoção") e sai da festa.

Nesta mesma festa, o diretor mostra a diferença de Ferdinand para a maioria dos presentes. Enquanto ele buscava sempre cultura, os homens presentes discutiam qual carro era melhor: Alfa Romeo X Oldsmobile, e as mulheres debatiam sobre desodorantes e laquês. A futilidade X o conhecimento. 

Quando ele estava vivendo com Marianne em uma casa no litoral, a fotografia é vibrante, é solar.

Ainda coube no filme inserções/críticas contra a violência das guerras, pois ainda havia marcas da Guerra da Argélia nos franceses, e estava em curso a Guerra do Vietnã na época em que o filme foi feito.

Desta vez não achei chato, muito antes pelo contrário, pois fiquei entretido, observei vários aspectos que tinham passado despercebido quando o vi pela primeira vez. Gostei muito.

Vi, em 25/11/2021, no Telecine Play.

sexta-feira, 26 de novembro de 2021

O CASO COLLINI (DER FALL COLLINI)


O Caso Collini
(Der Fall Collini), 2019, 123 minutos.

Filme alemão dirigido por Marco Kreuzpaintner, estrelado por Elyas M'Barek (Caspar Leinen), Alexandra Maria Lara (Johanna Meyer), Manfred Zapatka (Hans Meyer) e Franco Nero (Fabrizio Collini).

Caspar Leinen, jovem defensor público, assume seu primeiro caso: defender Fabrizio Collini acusado de um assassinato, sem saber, inicialmente, que o morto era Hans Meyer, um senhor que praticamente o criou juntamente com seus dois netos. Ele tem um caso amoroso com Johanna, neta de Meyer. Ao saber que estaria defendendo o assassino de Meyer, ele tem conflitos internos entre defendê-lo, um desafio e tanto para se dar bem em sua carreira jurídica, e abandonar o caso porque tem um sentimento carinhoso por aquele que lhe ajudou a ter estudos. A coisa se complica porque Collini se recusa a falar qualquer palavra no tribunal. Não fala nem mesmo com Caspar, seu defensor público. Mas ao estudar o passado de Collini, Casper identifica que não se trata de um simples assassinato, pois na época da II Grande Guerra, Meyer cometeu crimes de guerra em uma cidade italiana. Muitas reviravoltas, com final surpreendente.

O diretor de fotografia optou por uma paleta de cores com tons amarelados, dando um visual de desgaste ao filme, situação que demonstra o que os personagens no tribunal vão sentindo ao longo do julgamento, que é interrompido várias vezes pela juíza que o preside.

Atuações convincentes de todo o elenco, com destaque para Franco Nero, que confere a Collini um ar de poucos amigos, de amargurado com o passado e atormentado por seu único objetivo de viver.

Vi, em 24/11/2021, na Netflix.

NO RITMO DO CORAÇÃO (CODA)

No Ritmo do Coração (CODA), 2021, 111 minutos.

Filme dirigido por Siân Heder, que também assina o roteiro, adaptado do filme francês La Famille Bélier ( Victoria Bedos, 2014).

Estrelado pelos atores surdos Marlee Matlin (Jackie Rossi), Troy Kotsur (Frank Rossi), Daniel Durant (Leo Rossi), além da atriz protagonista, que não é surda, Emilia Jones (Ruby Rossi).

Ruby é a única da família Rossi que não é surda, o que a faz intérprete da família em diversas situações. Ela ajuda o pai e o irmão em um basco pesqueiro e, mais tarde, também vai auxiliá-los na criação de uma cooperativa de pescadores. Ruby tem paixão pela música, entra no coral da escola, se destaca, recebe aulas particulares de seu professor de música e se inscreve para uma audição cujo objetivo é entrar em prestigiosa faculdade de música de Boston. Ela vai vivenciar conflitos com a família, especialmente com sua mãe, em relação a esta aspiração musical.

O roteiro é muito previsível, sem nenhuma surpresa ou reviravolta. O tema é sensível, agrada grande parcela dos expectadores, tanto é que sua nota é alta nos sites de avaliação de cinema e está presente em várias listas de possíveis indicações para os prêmios do cinema norte-americano de 2021/2022.

O roteiro é redondinho, mas sem algo que saia da zona de conforto.

Há cenas bem marcantes, especialmente quando na apresentação do coral da escola, em que Ruby canta no palco, seus pais estão na plateia, mas como não ouvem nada, conversa utilizando linguagem de sinais sobre o que irão comer.

Em um certo momento, a diretora tira totalmente o som do filme para que nós, os expectadores, tenhamos uma noção do que é ser surdo, especialmente em uma sala de espetáculo musical. Mexe com o sentimento de quem está assistindo, como uma ligeira quebra da quarta parede. O expectador entra no clima dos personagens surdos, deixando de ser um mero expectador. Sacada interessante da diretora.

No mais, filme leve e sem maiores pretensões.

Fiquei curioso com o título original - CODA. É uma sigla para crianças filhas de adultos surdos (children of deaf adults). O título brasileiro tem uma relação grande com a protagonista e suas aspirações.

Esteve em cartaz nos cinemas de Belo Horizonte, mas já não está mais. Vi, em 24/11/2021, no Stremio.

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

NOITE PASSADA EM SOHO (LAST NIGHT IN SOHO)

Noite Passada em Soho (Last Night in Soho), 2021, 116 minutos.

Dirigido por Edgar Wright e estrelado por Thomasin McKenzie (Eloise), Anya Taylor-Joy (Sandie) Mat Smith (Jack), Diana Ring (Ms. Collins), Terence Stamp (homem idoso) e Rita Tushingham (avó de Eloise).

Garota do interior, Eloise é criada pela avó materna, pois não conheceu o pai e sua mãe se matou quando ela tinha 7 anos. Ela é fascinada com os anos 1960, adora moda, é aprovada para fazer curso de moda em uma faculdade de Londres, para onde se muda. Inicialmente foi dividir um quarto na moradia estudantil, mas não se deu bem com as colegas. Mudou-se para um quarto na parte de cima de um casarão antigo de Londres, tendo como senhoria uma senhora idosa, que dita as regras para a mocinha: nada de cigarros e homens depois das 20 horas no quarto. Ao dormir, ela se transporta para os anos 1960, ficando entusiasmada com o que vê, quando conhece Sandie. O que era no início fascinação e inspiração para suas aulas, suas "viagens" à década de 60 torna-se um suplício, um verdadeiro horror.

O filme tem paleta de cores fortes, com tons de vermelho determinando o momento de cada cena nos anos 60, e tons mais neutros/pastéis nos dias atuais quando vemos a sala de aula.

O diretor parece gostar dos anos 60, pois a trilha sonora é fantástica, o figurino e penteados estão perfeitos, com muito cigarro e charuto em cena.

O que mais me chamou a atenção é o uso constante do suspense psicológico, deixando-nos em dúvida se as idas ao passado são sonhos de Eloise ou é um início de uma esquizofrenia, doença que sua mãe tinha.

Wright homenageia filmes da década de 1960, como O Bebê de Rosemary (1968), quando usa o suspense psicológico implícito; A Bela da Tarde (1967), com várias mãos e braços masculinos pegando Eloise em seu quarto; A Noite dos Mortos Vivos (1968), quando aparecem para Eloise dezenas de homens com os rostos desfigurados.

Elementos característicos de Alfred Hitchcock, especialmente os de filmes de sua fase inglesa, também estão presentes. Mas as reviravoltas nestas apropriações de filmes clássicos é constante, pois há também uso de elementos dos filmes slasher (serial killer, faca como instrumento de assassinato, mulheres bonitas, o medo de dormir e sonhar - A Hora do Pesadelo) ou daqueles que exploravam os corpos femininos.

Para seguir nas homenagens, estão no elenco três atores idosos que fizeram sucesso em filmes ingleses e europeus nos anos 60: Terence Stamp, Diana Ring (a quem o filme é dedicado, pois veio a falecer em 2020 quando o filme estava em fase de finalização) e Rita Tushingham.

E, como todo bom suspense, uma reviravolta na parte final do filme existe e é sensacional.

Gostei muito da performance de todo o elenco, com destaque para Thomasin McKenzie e Anya Taylor-Joy.

Filme com potencial para figurar em várias indicações para os prêmios do cinema norte-americano de 2021/2022.

Vi, em 23/11/2021, no Stremio.

terça-feira, 23 de novembro de 2021

TICK, TICK... BOOM!

tick, tick…Boom!, 2021, 115 minutos.

Filme dirigido por Lin-Manuel Miranda e estrelado por Andrew Garfield.

O ano de 2021 está profícuo em matéria de musicais, a maioria figurando nas pré-listas de indicados para os prêmios mais famosos do cinema norte-americano. Tick, tick…Boom! é um desses musicais.

É um musical sobre a concepção de um musical autobiográfico feito por Jonathan Larson (interpretado de forma magistral por Andrew Garfield).

Larson concebeu Rent, o grande sucesso da Broadway que ficou mais de uma década em cartaz e gerou um filme.

Interessante ver um astro dos musicais atuais - Lin-Manuel Miranda - prestando um tributo a um ícone dos musicais.

A trama se passa no início dos anos 1990, e muitos amigos de Larson estavam morrendo de Aids. Seguindo os conselhos de Stephen Sondheim para escrever sobre o que conhece, Larson traz para seu musical Rent o drama dos amigos soropositivos, embora o musical Rent seja citado apenas no finalzinho do filme.

Garfield é muito versátil, exprimindo bem os momentos de euforia, de tristeza, de ansiedade, de alegria do personagem.

Vi, em 21/11/2021, na Netflix. 

GOVERNANÇA (GOVERNANCE - IL PREZZO DEL POTERE)

Governança (Governance - il prezzo del potere), 2021, 89 minutos.

Filme dirigido por Michael Zampino e estrelado por Massimo Popolizio.

A trama trata de jogo sujo de empresa e governo em uma licitação de construção de postos de gasolina em uma nova estrada federal na Itália.

O poder do dinheiro, do capitalismo sem pudores, do ganhar a qualquer custo.

Embora seja um tema atual e que desperta interesse, o filme é lento, chato de acompanhar, apesar das excelentes atuações do elenco. Mas retrata a vida como ela é.

Filme integra o catálogo do 16º Festival do Cinema Italiano.

Vi, em 21/11/2021, de forma on-line e gratuita, na plataforma do Belas Artes À La Carte.

segunda-feira, 22 de novembro de 2021

A MORTE DO DEMÔNIO (EVIL DEAD) - 2013

A Morte do Demônio (Evil Dead), 2013, 91 minutos.

Baseado no roteiro de Sam Raimi para filme de mesmo nome lançado em 1981 que teria mais duas sequências, todas estreladas pelo canastrão Bruce Campbell.

Nesta versão de 2013, dirigida por Fede Alvarez, cinco jovens se isolam em uma casa no meio do mato, propriedade da família de 2 deles, com o objetivo de ajudar Mia a se livrar das drogas. São dois casais de namorados e Mia nesta cabana de madeira. Na casa, houve, no passado, um ritual para mandar o demônio de volta às trevas. O livro maldito é encontrado por um dos jovens, que acaba invocando o tal demônio. Aí começa uma verdadeira carnificina.

Ao contrário de 1981, agora uma mulher é protagonista, Mia, e a famosa cena do personagem de Bruce Campbell cortando sua própria mão com uma serra elétrica agora é homenageada em 2 momentos desta versão de 2013, ambas protagonizadas por personagens femininos.

Bons efeitos especiais e interpretações de filme B, como “exige” este tipo de produção.

Outros filmes homenageados: O Massacre da Serra Elétrica, Hellraiser e, obviamente, Helloween.

Vi, em 20/11/2021, na Star+ .

SHANG-CHI E A LENDA DOS DEZ ANÉIS (SHANG-CHI AND THE LEGEND OF THE TEN RINGS)


Shang-Chi e A Lenda dos Dez Anéis
(Shang-Chi and The Legend of The Ten Rings), 2021, 132 minutos.

Filme dirigido por Destin Daniel Cretton. Estrelado por Simu Liu (Shaun/Shang), Awkwarfina (Katy), Tony Leung (Xu Wenwu), Michelle Yeoh (Ying Nan) e um irreconhecível Ben Kingsley (Trevor).

Herói asiático do universo Marvel que eu nada conhecia. Lutas super bem coreografadas, quase um balé, cor em abundância, interpretações convincentes.

Foi legal ver Michelle Yeoh em luta coreografada que remeteu ao filme O Tigre e o Dragão, de 1993, dirigido por Ang Lee, que ela protagonizou. Por falar nesse filme, as lutas são bem parecidas.

Também percebi uma “chupada” de cenas de Jurassic Park, quando os carros andam em uma savana repleta de animais exóticos.

Por fim, tenho uma certa atração por Tony Leung, desde os filmes de Wong Kar-Wai, e adorei vê-lo super bem com seus 59 anos de idade.

Vi, em 20/11/2021, na Disney+. 

IDENTIDADE (PASSING)

Identidade (Passing), 2021, 98 minutos.

Estreia na direção de Rebecca Hall, que também assina o roteiro. Estrelado por Tessa Thompson (Irene) e Ruth Negga (Clare).

Nova Iorque, 1920, Irene passa uma tarde calorenta no centro de Nova Iorque, longe do Harlen, onde nasceu, cresceu e ainda vive. Ela usa um chapéu grande que esconde boa parte de seu rosto. Ela é negra fingindo ser branca. Encontra, por acaso, uma amiga de infância, que há anos finge ser branca. Embora a questão do racismo esteja presente, o foco da trama é a relação reavivada pelo encontro de Irene e Clara. Ambas casadas, ambas mães, ambas com inseguranças em relação à raça, identidade, casamento, maternidade.

Há um clima homoerótico no ar sempre quando as duas amigas se encontram.

Filme sensível, com interpretações contidas, de forma excepcional.

Fotografia em preto e branco com coloração que lembra uma foto antiga de documentos. A fotografia é elemento essencial para o desenrolar da trama.

O figurino também tem esse condão de ajudar a narrar cada cena do filme.

Vi, em 20/11/2021, na Netflix. 

domingo, 21 de novembro de 2021

OS OLHOS DE TAMMY FAYE (THE EYES OF TAMMY FAYE)

Os Olhos de Tammy Faye (The Eyes of Tammy Faye), 2021, 126 minutos.

Filme dirigido por Michael Showalter, estrelado por Jessica Chastain (Tammy Faye) e Andrew Garfield (Jim Bakker).

Baseado em fatos reais.

Tammy Faye e seu marido, Jim Bakker, são cristãos, evangélicos, e constroem um império televisivo para difundir a palavra de Deus.

O filme acompanha os bastidores deste crescimento, cheio de falcatruas, manipulações e maracutaias. Tudo o que pregavam, não seguiam.

Interpretação de Jessica Chastain impressiona, pela qual já ganhou dois prêmios de melhor atriz e deve figurar em várias outras indicações de atuação 2021.

Cada vez que vejo um filme destes, relatando fatos reais sobre religião, fico com mais raiva da insensibilidade dos “capos” destas religiões, explorando fiéis inocentes, para enriquecer. Um horror, um horror, um horror.

Vi, em 19/11/2021, on-line, no Stremio.

O PÁSSARO DAS PLUMAS DE CRISTAL (L'UCCELLO DALLE PIUME DI CRISTALLO)

O Pássaro das Plumas de Cristal (L’uccello dalle piume di cristallo), 1970, 96 minutos.

Filme de estreia na direção de Dario Argento.

Dalmas, escritor americano em Roma, testemunha uma tentativa de assassinato em uma galeria de arte, torna-se suspeito do assassinato em série de mulheres na cidade, resolve investigar por conta própria e acaba tornando-se o principal alvo do serial killer.

Filme do subgênero giallo, o diretor brinca com esta classificação com várias cenas em que o amarelo é a cor de destaque, em especial o uniforme usado por uma associação de ex-pugilistas em uma convenção.

O clima de tensão está sempre presente. Música, iluminação, closes e enquadramentos garantem o clima de horror sem a necessidade de mostrar muito sangue.

A melhor sequência: a tentativa do serial killer em atacar a namorada do escritor. Deu vontade de entrar no filme para ajudar a moça.

Quanto ao título do filme: apenas uma breve aparição do pássaro que é fundamental na trama.

Trilha sonora sensacional de Ennio Morricone.

Um dos meus filmes de terror favoritos.

Vi em 19/11/2021, on-line e de forma gratuita, na plataforma Belas Artes À La Carte, por ocasião do 16º Festival do Cinema Italiano.

sábado, 20 de novembro de 2021

PRIMAVERA / GIRA - GRUPO CORPO

Acompanho o Grupo Corpo há muitos anos. Fiquei apaixonado com o que vi na Praça do Papa, local onde tomei contato, pela primeira vez, com o grupo, no início dos anos 1980. Era o espetáculo O Último Trem, que depois, tive a oportunidade de rever no Palácio das Artes. De lá pra cá, fui várias vezes aos teatros - BH, São Paulo e Brasília - para ver os espetáculos de dança do Corpo. Ainda não conheço tudo, mas as obras de 1990 para os dias de hoje, conferi todas.

Quando vi no Instagram que uma nova obra estrearia em São Paulo, no mês de outubro (eu estava lá, mas preferi comprar ingresso para a temporada de Belo Horizonte), fiquei atento para o início das vendas de entradas para BH. Quando vi, já tinha bastante ingresso vendido. Como o melhor dia para Gastón me acompanhar é o domingo, comprei 2 entradas para o dia 14/11/2021, às 19:00 horas. Havia pouco ingresso. Comprei dois assentos na penúltima fileira da plateia - MM29 e MM31. Cada ingresso custou R$100,00. Como comprei pelo App Eventim, ainda paguei mais R$ 10,00 por ingresso pela taxa de administração. Meio sem grana, adorei a opção de dividir a compra em três parcelas iguais. Até o dia em que comprei, ainda vigorava decisão da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte de não poder ter 100% da ocupação dos teatros. No entanto, esta vedação foi revogada na sexta-feira, dia 12/11, ainda durante as vendas de ingressos. Obviamente que mais entradas foram postas à venda.

Seria a primeira vez que iria ao teatro com ocupação 100% desde o início da pandemia da Covid 19.

Saímos de casa por volta de 18:30 horas. Fomos de carro. Não gosto de estacionar na Avenida Afonso Pena, em frente ao Palácio das Artes, pois é tumultuado na hora de sair e ainda tem sempre flanelinhas pedindo dinheiro. Estacionamos muito próximo, no quarteirão da Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem. Caminhamos duas quadras e vimos a fila enorme que se formava na calçada, ao longo do Palácio das Artes. Todo mundo usando máscaras.

Gastón entrou na fila, enquanto eu fui verificar se estávamos na fila correta, ou se teria outras filas, muito comum ali. Era, até então, uma única fila. Andava devagar, mas andava. Quando chegamos na calçada da entrada, tocou o primeiro sinal. Eram 18:55 horas. Os funcionários do teatro direcionavam o público para outras filas. Tem gente que demora muito para mostrar os tíquetes, principalmente quem paga meia entrada de estudante. Ao invés de já ficar na mão com o ingresso e o comprovante da meia entrada, deixam para procurar na bolsa/carteira junto ao funcionário que checa as entradas.

Quando entramos, tocava o segundo sinal. Diferente das outras vezes que estive no Palácio das Artes, as pessoas estavam entrando direto, sem parar no café que é armado em dias de espetáculos. Poucos lanchavam.

Acomodamo-nos em nossos assentos. Teatro totalmente lotado. No telão, vídeos dos patrocinadores e informes sobre o programa da noite. Primeiro, seria apresentado o novo espetáculo, Primavera, e, após o intervalo, mostrariam Gira, que já tinha visto, inclusive com postagem aqui neste blog. Às 19:20 horas, soou o terceiro sinal, as luzes se apagaram, as cortinas se abriram e os primeiros acordes da música chegaram aos nossos ouvidos.

Primavera tem coreografia de Rodrigo Pederneiras, música do duo Palavra Cantada, cenografia de Paulo Pederneiras, figurino de Freusa Zechmeister, iluminação de Paulo Pederneiras e Gabriel Pederneiras.

O Palavra Cantada tem como foco o público infantil. Usou suas músicas, vertendo-as para o instrumental, casando muito bem com a proposta do novo espetáculo. Figurinos com cores vibrantes, coreografia transmitindo alto astral, e uma projeção com imagens captadas na hora do próprio grupo se apresentando, em tamanho gigante. Em muitas partes da coreografia, vi nitidamente a representação de brincadeiras infantis. A ideia de movimento constante, de alegria e de perspectivas de um futuro melhor está presente durante os 40 minutos que durou a apresentação. Para mim foi um retorno aos palcos com fé e esperança de que esta pandemia vai passar e a cultura seguirá firme sua trajetória. Como sempre, final triunfal, com aplausos entusiásticos do público. Era hora da pausa para troca de cenários e figurinos.

Foram vinte minutos de intervalo. Não saí de minha cadeira, só fiquei um pouco de pé para esticar minhas costas. Evitei aglomerações desnecessárias. Às 20:20 horas as luzes se apagaram, dando início ao espetáculo Gira.

Gira tem coreografia de Rodrigo Pederneiras, música do grupo Metá Metá, cenografia de Paulo Pederneiras, figurino de Freusa Zechmeister, iluminação de Paulo Pederneiras e Gabriel Pederneiras.

O Metá Metá é um grupo de jazz de São Paulo. Fez uma trilha sonora pujante para um espetáculo também pujante.

A escolha de Gira foi bem apropriada para o momento em que vivemos, pois traz elementos de religiões de matriz africana para o palco, especialmente perto do Dia da Consciência Negra. Além da cultura negra em destaque, tem também a questão de gênero, pois todos os bailarinos usam o mesmo figurino, com saias brancas esvoaçantes, tendo a parte de cima dos torsos dando a impressão de que não estão usando nada (as bailarinas usavam uma malha cor da pele quase transparente, que deixava o torso delas parecido com os torsos masculinos). A música é poderosa. O astral é lá em cima. Novamente, 40 minutos de espetáculo em que eu não desgrudei os olhos do palco. Aplausos de pé.

Para evitar aglomeração, assim que os aplausos se iniciaram, eu e Gastón saímos logo, aproveitando que estávamos na ponta da fileira e bem próximos da porta. Caminhamos até o carro, voltando para casa satisfeitos com o que vimos.

Vida longa ao Grupo Corpo. Viva a cultura mineira! Viva a cultura brasileira!


TEMPERO DO CHEF (QUANTO BASTA)

Tempero do Chef (Quanto Basta), 2018, 92 minutos. Filme italiano dirigido por Francesco Falaschi e estrelado por Vinicio Marchione (Arturo), Valeria Solarino (Anna) e Luigi Fedele (Guido).

Integra o catálogo do 16º Festival do Cinema Italiano.

Arturo é um chef de cozinha que acabou de sair da prisão e vai cumprir pena social de prestação de serviços em uma escola de alunos com deficiência intelectual. Guido, que tem Síndrome de Asperger, se destaca por sua excelente memória e por saber reproduzir, de cor, as receitas. Guido se inscreve em um concurso culinário para jovens chefs, indicando Arturo como seu tutor. Anna, a professora, incentiva Arturo a aceitar, pois ele estava resistente. Ele aceita, viaja com Guido para a cidade onde ocorreria a competição em um carro velho do avô do jovem. Ao chegar no local, Arturo descobre que o presidente do júri é um desafeto seu. Lógico que rola um romance entre Arturo e Anna.

História de superação, de força de vontade, de afeto e amizade.

Algumas cenas são muito óbvias, previsíveis, mas o final surpreende um pouco.

O título brasileiro não significa muito, totalmente diferente do italiano - Quanto Basta (algo como “o necessário”) é bem mais representativo da trama do filme.

Bom entretenimento.

Vi em 16/11/2021, on-line e de forma gratuita, na plataforma do Belas Artes À La Carte.