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terça-feira, 31 de maio de 2022

MORTE NO NILO (DEATH ON THE NILE)


Morte no Nilo
(Death on the Nile), 2022, 127 minutos.

Lembro-me bem quando fui ver Morte Sobre o Nilo (Death on the Nile), versão cinematográfica dirigida por John Guillermin para o livro de Agatha Christie, no saudoso Cine Jaques, em Belo Horizonte. Era final da década de 1970. As sessões estavam sempre cheias para um cinema que comportava quase 1.000 pessoas por vez. Enquanto eu estava na fila para entrar, na calçada, as portas da saída se abriram e um bando de idiotas passou comentando em voz alta quem era o assassino. Eu não liguei muito porque desde sempre não me importei com spoilers, além de conhecer a história pois tinha lido o livro alguns meses antes. Mas foi um balde de água fria para muitos que estavam na fila. Saí muito satisfeito com o que vi após mais de duas horas de projeção. Nunca mais tive a oportunidade de revê-lo.

Pulamos para 2022. Uma nova versão da história de um assassinato em um cruzeiro sobre o Rio Nilo foi lançada nos cinemas. Desta vez dirigida e estrelada por Kenneth Branagh, que interpreta o famoso detetive Hercule Poirot. Esperei chegar no streaming para conferir.

Branagh contou com um elenco numeroso, com muitas carinhas conhecidas como Tom Bateman, Annette Bening, Michael Rouse, Letitia Wright, Armie Hammer e Gal Gadot.

Cores vibrantes dão o tom em todo o filme, com ótima reconstituição de época e belo figurino. Mas o ritmo não convence. O filme, em muitas tomadas, parece monótono, com elenco pouco inspirado e uma direção muito ortodoxa.

Mas o que mais incomoda no filme é o uso de efeitos especiais horrorosos, bem toscos mesmo. É visível o CGI mal utilizado. A cena que mais comprova este fato é quando Hercule Poirrot está sentado em uma cadeira de frente para uma das pirâmides do Cairo. Não é convincente que realmente ele esteja naquele lugar.

Uma pena que uma história tão boa tenha sido mal aproveitada nesta nova versão.

Continuo preferindo a versão de 1978.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

SHERLOCK HOLMES: O JOGO DE SOMBRAS

Uma das últimas aquisições para minha coleção de filmes foi Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras (Sherlock Holmes: A Game of  Shadows). Foi a versão em blu-ray. Resolvi ver sábado logo após chegar do almoço, em meio de tarde preguiçoso em Brasília. Deixei o quarto bem escuro, coloquei o BD no aparelho, aproveitando todos os recursos que a tecnologia me proporciona em casa em termos de imagem e som. Getúlio, meu cachorro, ficou assustado com as explosões e intrigado com os latidos de cães durante as duas horas que durou o filme. É o segundo filme da franquia Sherlock Holmes, repaginada pelo diretor britânico Guy Ritchie e estrelado pelos excelentes Robert Downey Jr. (Sherlock Holmes) e Jude Law (Dr. John Watson). A química dos dois atores é perfeita em ambos os filmes da franquia e a modernizada da história de Holmes foi feliz no sentido de atrair um público jovem para as peripécias de um detetive inglês nos idos de 1891, ano em que se passa a história do segundo filme. Rachel McAdams, vivendo Irene, uma detetive mal caráter que trabalha para quem lhe paga mais, é o grande amor de Holmes, mesmo trabalhando contra ele, volta à cena, em rápida aparição no início da história, tendo um final trágico, mas abrindo espaço para a nova heroína, a cigana Simza, interpretada por Noomi Rapace (como esta sueca tem conquistado os produtores hollywoodianos!). O inimigo desta vez é um conceituado professor (Jarred Harris) que vai se apoderando de uma indústria bélica e trama artimanhas para uma guerra se estabelecer entre a França e a Alemanha. Está dado o motivo para nossos heróis irem para Paris tentar impedir esta confusão. Antes, porém, há o casamento de Watson, sendo Holmes o padrinho que não aprecia muito o fato de perder a ajuda do médico em suas investigações. Há um sem número de insinuações que ambos são mais do que parceiros de trabalho, com direito a ciúmes e um boicote à lua de mel do doutor. No mais, a história é repetitiva, sem novidades em relação ao primeiro filme, recheada de ação, lutas e tiros em trem de ferro em movimento, no melhor estilo Agatha Christie, explosões, bandidos que erram os tiros e mocinhos que acertam todos. Ritchie não perde a oportunidade de filmar em close e em câmera lenta os tiros, desde armar o gatilho, passando pela saída da bala da arma, seja ela um revólver ou um canhão, até ela atingir um objeto qualquer, como um tronco de uma árvore. Esta técnica já deu o que tinha que dar e torna-se cansativa quando repetida à exaustão, como acontece neste segundo filmes de aventuras de Sherlock Holmes. Downey está muito inspirado, com ótima sacadas irônicas, assim como Law imprime charme, sensualidade e sagacidade ao seu personagem, mas ambos não conseguem salvar o filme da previsibilidade e da mesmice. Na minha opinião, a história já rendeu o que podia e mais um filme seria uma catástrofe total. Há poucas cenas inspiradas. Uma delas é o diálogo entre Mycroft Holmes, irmão de Sherlock, interpretado pelo ator britânico Stephen Fry (quando vejo este ator, sempre me lembro do cd de Zeca Baleiro, chamado Onde Andará Stephen Fry?) e Mary Watson (Kelly Reilly), a esposa de John Watson. Ele está nu quando entrega a ela um telegrama com notícias da dupla Homes-Watson. A cena é hilária. Esta segunda parte da franquia Holmes diverte, mas não empolga.

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