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segunda-feira, 12 de maio de 2014

LAMPIÃO E LANCELOTE

Domingo, 16 de março de 2014. Eu estava passando o final de semana na casa de meus pais em Belo Horizonte e postei uma foto no Facebook. Logo meus amigos mineiros me enviaram mensagens perguntando porque eu não tinha avisado que estava na cidade. Emi protestou muito pelo fato de eu ficar recluso na casa de meus pais e acabou por me chamar para ir ao teatro na noite daquele domingo. Já havia comprado ingresso para ele e Rogério para ver o musical Lampião e Lancelote, que estava em cartaz no moderno Teatro Bradesco, localizado na sede I do tradicional Minas Tênis Clube. O espetáculo recebeu alguns prêmios, entre eles o Prêmio Bibi Ferreira de melhor musical de 2013. Acessei o site, escolhi um lugar perto de onde eles estavam sentados e os encontrei pouco antes do início do espetáculo. O teatro ficou quase lotado para ver a versão para o tablado de um cordel de Fernando Vilela. O texto, adaptação de Bráulio Tavares e dirigido por Débora Dubois, narra o inusitado e improvável encontro entre o cangaceiro Lampião, juntamente com seu bando e sua eterna companheira Maria Bonita, com Lancelote, eterno cavaleiro da Távola Redonda das histórias do Rei Arthur. A história é narrada por um espirituoso Cássio Scapin, que faz uma espécie de bobo da corte. Os atores estão muito bem, especialmente Daniel Infantini, que dá vida a Lampião. As coreografias são sensacionais, das quais destaco a que reproduz a batalha entre o bando de Lampião e o cavaleiro Lancelote com sua espada poderosa. As frases irônicas de Lampião são impagáveis, bem como sua imitação para os gestos elegantes do cavaleiro inglês. Mas o melhor de tudo é a música que embala toda a história. Afinal, é um musical. A trilha sonora foi composta por Zeca Baleiro, que usa e abusa de sua farta criatividade para contar esta história de forma bem humorada. Como a maior parte do enredo se passa no interior do Nordeste, Zeca se utiliza do repente para também concretizar o embate entre os dois cavaleiros. Sensacional.

artes cênicas

quinta-feira, 28 de junho de 2012

SHERLOCK HOLMES: O JOGO DE SOMBRAS

Uma das últimas aquisições para minha coleção de filmes foi Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras (Sherlock Holmes: A Game of  Shadows). Foi a versão em blu-ray. Resolvi ver sábado logo após chegar do almoço, em meio de tarde preguiçoso em Brasília. Deixei o quarto bem escuro, coloquei o BD no aparelho, aproveitando todos os recursos que a tecnologia me proporciona em casa em termos de imagem e som. Getúlio, meu cachorro, ficou assustado com as explosões e intrigado com os latidos de cães durante as duas horas que durou o filme. É o segundo filme da franquia Sherlock Holmes, repaginada pelo diretor britânico Guy Ritchie e estrelado pelos excelentes Robert Downey Jr. (Sherlock Holmes) e Jude Law (Dr. John Watson). A química dos dois atores é perfeita em ambos os filmes da franquia e a modernizada da história de Holmes foi feliz no sentido de atrair um público jovem para as peripécias de um detetive inglês nos idos de 1891, ano em que se passa a história do segundo filme. Rachel McAdams, vivendo Irene, uma detetive mal caráter que trabalha para quem lhe paga mais, é o grande amor de Holmes, mesmo trabalhando contra ele, volta à cena, em rápida aparição no início da história, tendo um final trágico, mas abrindo espaço para a nova heroína, a cigana Simza, interpretada por Noomi Rapace (como esta sueca tem conquistado os produtores hollywoodianos!). O inimigo desta vez é um conceituado professor (Jarred Harris) que vai se apoderando de uma indústria bélica e trama artimanhas para uma guerra se estabelecer entre a França e a Alemanha. Está dado o motivo para nossos heróis irem para Paris tentar impedir esta confusão. Antes, porém, há o casamento de Watson, sendo Holmes o padrinho que não aprecia muito o fato de perder a ajuda do médico em suas investigações. Há um sem número de insinuações que ambos são mais do que parceiros de trabalho, com direito a ciúmes e um boicote à lua de mel do doutor. No mais, a história é repetitiva, sem novidades em relação ao primeiro filme, recheada de ação, lutas e tiros em trem de ferro em movimento, no melhor estilo Agatha Christie, explosões, bandidos que erram os tiros e mocinhos que acertam todos. Ritchie não perde a oportunidade de filmar em close e em câmera lenta os tiros, desde armar o gatilho, passando pela saída da bala da arma, seja ela um revólver ou um canhão, até ela atingir um objeto qualquer, como um tronco de uma árvore. Esta técnica já deu o que tinha que dar e torna-se cansativa quando repetida à exaustão, como acontece neste segundo filmes de aventuras de Sherlock Holmes. Downey está muito inspirado, com ótima sacadas irônicas, assim como Law imprime charme, sensualidade e sagacidade ao seu personagem, mas ambos não conseguem salvar o filme da previsibilidade e da mesmice. Na minha opinião, a história já rendeu o que podia e mais um filme seria uma catástrofe total. Há poucas cenas inspiradas. Uma delas é o diálogo entre Mycroft Holmes, irmão de Sherlock, interpretado pelo ator britânico Stephen Fry (quando vejo este ator, sempre me lembro do cd de Zeca Baleiro, chamado Onde Andará Stephen Fry?) e Mary Watson (Kelly Reilly), a esposa de John Watson. Ele está nu quando entrega a ela um telegrama com notícias da dupla Homes-Watson. A cena é hilária. Esta segunda parte da franquia Holmes diverte, mas não empolga.

filme

segunda-feira, 25 de junho de 2012

TODOS OS SONS DOMINGO CCBB - ANDRÉ ABUJAMRA, PATUBATÊ E BANDA WATSON

No domingo dia 17 de junho de 2012 aconteceu a segunda edição da temporada 2012 do projeto Todos os Sons - Domingo CCBB, com entrada gratuita. Cheguei cedo no centro cultural, pois queria um bom lugar para estacionar o carro e aproveitei para ver a exposição Índia!, em cartaz no CCBB de Brasília até 29 de julho. O primeiro show estava marcado para ter início às 17 horas. Às 15:20 horas eu já estava lá. Gastei uma hora e meia percorrendo a exposição, cuja visita terminei na noite de terça-feira. Faltando dez minutos para as 17 horas, decidi comer alguma coisa, pois não tinha almoçado. O Bistrô Bom Demais estava lotado, assim como o Café Cristina Roberto, sem lugar para sentar. Em dias de show ao ar livre, o Bistrô Bom Demais monta uma barraca nas proximidades do palco, posicionado no gramado atrás do prédio principal. Antes que as filas ficassem grandes para comprar ficha, passei no caixa para adquirir fichas suficientes para comer antes do show começar e pegar alguma bebida durante os intervalos dos três shows programados. O movimento ainda era pequeno, muito diferente da primeira edição de 2012, quando se apresentou o cantor Criolo. Até cadeiras de plástico foram colocadas em frente ao palco, sinal de que o público seria menor e mais tranquilo. Como sempre acontece nos eventos no gramado do centro cultural, muita gente prefere sentar em cangas e esteiras colocadas sobre a grama, fazendo um lanche na companhia de amigos, família, namorados e afins. O clima estava agradável, com um friozinho chegando no final da tarde. Comi duas salteñas de carne e me sentei na primeira fila de cadeiras, em posição central em relação ao palco. Entre este e as cadeiras havia um espaço grande. Com cerca de meia hora de atraso, foi chamada ao palco a banda Watson, composta por quatro músicos de Brasília, que toca um rock simples, mas eficiente. Do meu lado direito havia uma concentração de familiares e amigos dos integrantes da banda, com câmeras filmadoras e fotográficas em funcionamento. Eles sabiam as músicas de cor. Na lateral do palco, uma banquinha vendia cd e camisetas da banda. Era a primeira vez que eu escutava alguma coisa deste grupo. O público ficou sentado, embora eles tenham tentado fazer com que a plateia se levantasse e dançasse por umas duas ou três vezes. No entanto, pareceu-me que eles agradaram a quem lá estava, pois todos balançavam corpo, cabeça, pés e mãos, mesmo sentados, ao som do rock da Watson. Eu gostei do som do grupo. O show terminou com uma interessante música chamada As Abelhas, atendendo a alguns gritos vindos do público. O primeiro show durou cerca de uma hora. O intervalo foi longo, pois precisaram retirar todos os instrumentos da banda e montar o palco para a segunda atração da noite, o grupo de percussão brasiliense Patubatê. Eles  foram chamados ao palco por volta de 19 horas e fizeram um show ótimo. Já tinha ouvido falar sobre o grupo, com fama internacional, mas nunca o tinha visto ao vivo. São cinco integrantes, sendo um DJ e quatro percussionistas que utilizam os mais variados materiais para construir seus instrumentos musicais, como tambores de ferro, carcaça de motocicletas, baldes de alumínio, vasilhas de ágata, cabine de telefone público, entre outros. O som contagia logo e não deixa ninguém ficar parado. Muita gente se levantou, inclusive eu, para dançar, ocupando o gramado entre as cadeiras e o palco, fato que não agradou a quem queria ficar sentado. No entanto, não era um show para ficar acomodado nas cadeiras. O batuque convidada para mexer o corpo todo. Show vibrante, fazendo com que muita gente fosse à banquinha montada ao lado esquerdo do palco para adquirir cd, dvd e camisetas do Patubatê. Durante o show, dois convidados do grupo subiram ao palco para participar de duas músicas. Eles anunciaram o lançamento de um novo dvd para setembro que foi gravado nas obras do Estádio Nacional de Brasília. Nem vimos o tempo passar neste show marcante. Nesta altura, muita gente já circulava pelo CCBB na espera do show principal, o do paulista André Abujamra. Mais um intervalo longo, quando aproveitei para pegar uma Coca Cola Zero e ir ao banheiro. Quando voltei, minha cadeira já estava ocupada, já que eu tinha ido sozinho. Não me importei, pois tinha acesso garantido à pequena área vip que fizeram, mas acabei por não usar este benefício, ficando sentado na grama em frente à grade, junto ao público. O show de Abujamra se chama Mafaro, mesmo título de seu último trabalho gravado. Na verdade, não é um show, é um showfilme, como foi apresentado. Um filme é projetado em dois telões ao fundo do palco, com algumas cenas projetadas, simultaneamente, em um pequeno banner na sua lateral esquerda. Abujamra disse que aquele show poderia ser montado de acordo com o orçamento dos produtores. Assim, ele já tinha feito o show com vinte músicos em cena, mas também com só duas pessoas. No caso de Brasília, estavam no palco o cantor, um baterista, um guitarrista e quatro músicos nos instrumentos de sopro. Estes músicos do sopro eram integrantes da banda brasiliense Móveis Coloniais de Acaju. Foram muito aplaudidos pelo público quando anunciados. O showfilme é sensacional, com as músicas estilosos de Abujamra, com muito suingue, lembrando Os Mulheres Negras e Karkak, dois grupos que ele participou. Mafaro, o cd, é recheado de participações especiais, e todas elas se fizeram presentes em Mafaro, o show, pois o filme possibilitou isto. Desta forma, Zeca Baleiro faz um duo com Abujamra em Lexotan; Evandro Mesquita aparece em O Amor é Difícil; Clarice Abujamra também dá as caras durante a projeção, quando a música A Pedra Tem Vida é executada. O inusitado é ver Luiz Caldas em performance cantando com Abujamra a música Tem Luz na Cauda da Flecha. O final do show é hilário, com os créditos do filme passando, aparecendo alguém ao final afirmando que não haveria bis e que todos poderiam ir embora. Ninguém arredou o pé. O senhor voltou, perguntando porque ninguém o escutava. Que não haveria bis, que o pessoal precisava desmontar o palco, varrer o local e pegar ônibus para ir embora. Em seguida, André Abujamra retornou para apresentar seu maior sucesso, falando que embora gostasse muito de Zeca Baleiro, aquela música não era do maranhense e sim dele. Era a ótima Alma Não Tem Cor. Ainda cantou Juvenar, a pedido da plateia. Ótimo show. Já estou esperando a terceira edição do Todos os Sons - Domingo CCBB, que acontecerá dia 29 de julho, na Praça do Museu Nacional da República, quando acontecerá, simultaneamente, o encerramento do festival de teatro Cena Contemporânea.

show

sábado, 14 de abril de 2012

CALMA AÍ, CORAÇÃO - ZECA BALEIRO


Vi a propaganda do show de Zeca Baleiro no jornal na segunda-feira, dia 09 de abril. Seriam duas apresentações na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional Cláudio Santoro nas noites de 12 e 13 de abril. Fui à bilheteria na mesma segunda-feira em que li o anúncio, mas sem muita expectativa de conseguir ingresso, pois os shows de Baleiro em Brasília sempre são muito concorridos. Antes de sair, imprimi o cupom Sempre Você por ser assinante do Correio Braziliense, garantindo-me pagar meia entrada. Cheguei na bilheteria do teatro e achei que estava tudo esgotado, pois não havia fila e era hora do almoço. Para minha surpresa, havia muito local disponível para ambas as noites. Paguei R$ 80,00 pelo ingresso, escolhendo um ótimo assento, centralizado, no setor 2 da plateia, para o primeiro dia de espetáculo, 12 de abril. Por volta de 20 horas eu já estava no foyer da Sala Villa-Lobos. Foi muito fácil achar vaga para estacionar, mesmo com metade do estacionamento impedido por montagem de tendas que darão o suporte à I Bienal Brasil do Livro e da Literatura. O movimento era pequeno. Algumas pessoas chegaram na bilheteria e conseguiram comprar ingressos ainda no setor 2. Estranhei, mas realmente o teatro não ficou cheio. Diria que tinha pouco mais da metade de suas poltronas ocupadas. Com vinte minutos de atraso, os cinco músicos da banda de Zeca Baleiro entraram no palco, sendo seguidos pelo cantor maranhense. Ele não se dirigiu ao público, cantando de pronto um rap que está em seu mais novo trabalho, O Disco do Ano, chamado O Desejo. A receptividade da plateia foi morna, sinal de que poucos conheciam a música. Esta sintonia morna predominou na primeira hora do show. Predominou no set list o repertório do novo cd. Dois momentos de maior empolgação do público nesta primeira parte do show foram: a interpretação para Disritmia (Martinho da Vila), em um arranjo diferente da já diferente gravação de Baleiro, e a interpretação do sucesso Maresia (Ai Se Eu Fosse Marinheiro), de Adriana Calcanhoto. Quando o show já chegava perto de uma hora de duração, a banda se posicionou na frente do palco, todos sentados em banquinhos, com Zeca Baleiro ao centro. Neste momento, ele, enfim, conversou com a plateia. Disse estar muito feliz em iniciar a turnê do show Calma Aí, Coração por Brasília, reafirmando sua posição de estrear seus shows em cidades fora do eixo Rio-São Paulo. Por ser o primeiro show, ele pediu desculpas pelos erros que cometeu em relação às letras das músicas novas. Brincou com a plateia dizendo que em seis meses voltaria à Brasília, quando o espetáculo já estaria bem azeitado. Apresentou a banda de forma divertida. Argumentou que o brasileiro gosta de músicas com coreografia, citando Michel Teló, provocando gargalhadas dos presentes. Por causa disto, ele fez uma música para a turnê com coreografia. Um dos integrantes da banda acionou o computador e uma base pré-gravada rodou. Baleiro e banda cantaram, dançaram, com direito a passos e muita coreografia de mãos e quadris, para delírio da plateia. A letra da música é hilária, rimando, por exemplo, Palocci com Padre Marcelo Rossi. A música termina com o cantor e seus músicos saindo do palco dançando em fila indiana. Era o final do show. Depois de alguns minutos de pedidos de bis, ele retorna com outra roupa, para cantar alguns de seus sucessos, entre eles Telegrama, cantada em gritos pela mulherada presente, e Alma Não Tem Cor, sucesso do grupo Karnak, que Baleiro também já gravou. Nesta música, um casal do público deu um pequeno show de dança de salão na lateral do palco. O cantor chegou a agradecer aquela participação especial espontânea. Alguns chatos insistiam em gritar "Toca Raul!". Claro que ele tocou, Maçã, lendo a letra colado ao chão. Uma das músicas mais interessantes da nova safra é Meu Amigo Enock, cantada no palco enquanto um filmete rolava no telão ao fundo. Era uma animação de uma conversa no Facebook, tema da música. O figurino é um ponto alto do espetáculo. Os cinco integrantes da banda usam roupas e calçados monocromáticos, cada um com uma cor diferente: como tenho dificuldades de distinguir cores de longe, arrisco dizer que havia músico de roxo, de azul, de verde, de marrom e de um tom atijolado. O cantor seguiu sua característica peculiar de se vestir, com um calça com grafismos preto e branco, camisa amarela, colete escuro e paletó com madras grandes, com tons amarelados e preto. Quando terminou a segunda parte, que na verdade foi o bis, o clip da ótima O Disco do Ano começou a passar no telão, enquanto a galera deixava o teatro. Durante o show, Tuco Marcondes, um dos músicos puxou um Parabéns Pra Você, pois Zeca tinha feito aniversário no dia anterior, 11 de abril. Não gostei do cenário, ou melhor das projeções no telão. As cores são em tons pasteis e achei que não havia uma sincronicidade com as músicas, salvo poucas exceções. Em algumas canções, não há nada sendo projetado no telão. No frigir dos ovos, foi um  show morno, sem muita empolgação. Quem sabe daqui a seis meses ele melhore...

música
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