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domingo, 14 de dezembro de 2014

FÉRIAS EM BERGEN, NORUEGA



Durante meu giro pela Escandinávia nas férias de maio de 2014, dormi duas noites na simpática cidade de Bergen, na Noruega, onde cheguei após um cruzeiro de trem e barco por parte dos fiordes noruegueses. Eu, Dora, Cláudia, Vera e Bruno tivemos muita sorte, pois Bergen é famosa por sua constante chuva. Não choveu em nenhum momento durante nossa curta estadia por lá. Desembarcamos no porto, que fica na parte central da cidade, por volta de 20:40 horas. Estávamos com muita fome, pois o almoço tinha sido um desastre na cidade de Flam. O sol ainda brilhava forte no céu, apesar do adiantado da hora. Mesmo com bolsas e mochilas, saímos a procurar um local para comer. Nas anotações de Cláudia havia alguns restaurantes. Achamos o mais cotado, mas não havia lugar disponível para jantar. Fomos para uma espécie de praça de alimentação em um prédio histórico, mas era um bar de tapas, com pouco movimento. Resolvemos ir para o hotel. Tínhamos reserva no Radisson Blu Royal Hotel (Bryggen, 5). Era perto de onde estávamos. Fomos a pé, passando pelo casario medieval do Bryggen, onde estão instalados bares, restaurantes e lojas. Paramos em frente a um destes edifícios, onde estava localizado outro restaurante da lista de Cláudia. Fui o responsável por subir as escadas para checar se tinha vaga. Fiz uma reserva para 21:30 horas. Tempo suficiente para fazer o check in no hotel, pegar as malas que lá foram deixadas pela Fjords Tours (despachamos nossas malas desde Oslo), entrar no quarto, deixar as bolsas, e voltar para a rua, com luz do dia. No horário marcado, estávamos sendo acomodados em uma mesa para cinco pessoas no Enhjorningen, o restaurante especializado em peixes e frutos do mar mais antigo de Bergen. Ele fica no segundo piso de uma edificação medieval que está torta, como a maioria dos prédios do Bryggen. A sensação é engraçada ao sentar, pois a gente sente nitidamente a inclinação do piso do restaurante. Quando as taças de vinho branco foram preenchidas, notamos o desnível do líquido dentro delas. De entrada, pedi aspargo fresco, onipresente nas mesas escandinavas nesta época do ano. Seguiu-se um filé de turbot, peixe branco local, de carne tenra e saborosa. Cansados, voltamos para o hotel para descansar, pois o dia seguinte seria pesado em termos de caminhadas.
Acordamos cedo em 28 de maio para aproveitar bem o dia. Tomamos o café da manhã juntos no Filini Bar & Restaurant, restaurante do hotel, saindo em seguida para conhecer a cidade. Primeiro passeamos com calma pelo Bryggen, conhecendo e tirando fotos dos prédios medievais. Eles se orgulham de ter o conjunto de prédios medievais mais bem preservados da Europa. São doze prédios com arquitetura parecida, todos de madeira, pintados em cores fortes. Hoje são voltados para o turismo. Na enorme calçada em frente a eles são montadas mesas dos restaurantes, onde turistas e locais aproveitavam o raro sol que fazia na cidade. Uma competição de ciclismo acontecia na cidade e o ponto final era justamente em frente ao Bryggen.
Continuamos nosso passeio, parando em uma feira montada em frente ao Bryggen, do outro lado da rua. Nela eram vendidos produtos locais, especialmente os de origem no mar, como caviar, camarões e carne de baleia. A barraca maior e mais movimentada oferecia pequenos pedaços desta carne para experimentar. E os seus empregados falavam diversas línguas, incluindo o português. Provei um pedacinho. A carne é preta e dura. Gosto forte. Não vai figurar entre as minhas preferidas. Um pouco mais à frente fica o Mercado de Peixes, para onde Vera, Bruno e Cláudia foram comprar caviar. Eu e Dora ficamos sentados em uma grande mesa de madeira que ficava atrás da feira, com vista para o porto. Assim, enquanto esperávamos os outros, curtimos o movimento da feira, que foi crescendo na medida em que o relógio chegava perto de meio dia. Muita gente aproveita o sol para sair e comer na feira. Com o grupo refeito, caminhamos em direção ao funicular que nos levou para o Monte Floyen, de onde se tem um belíssima vista de toda a cidade. Havia uma fila para comprar o bilhete (compramos ida e volta) e outra para entrar no funicular. O local estava lotado de gente, mesmo sendo uma quarta-feira. De lá, avista-se o porto, os canais que cortam a cidade, a imponente catedral e muitos prédios antigos que dominam a paisagem. Além da vista, há um parque com trilhas para caminhadas no local. Um enorme boneco do troll, um simpático ser mítico da Noruega, com pés e nariz enormes, é parada obrigatória para fotos. Fizemos uma pequena caminhada, apreciando a vista. Passamos por uma área onde o cheiro que dominava o ar era insuportável. Algo ardido no nariz, como se alguma coisa estivesse podre. Uma placa pendurada em uma árvore solucionava o mistério. O cheiro vinha daquela árvore, chamada de bruxa por lá. A frase, em inglês, indicava que alguém tinha desagradado a bruxa, motivo do cheiro ruim no ar. Seguimos andando. Era hora de descer.
Assim que chegamos na parte baixa da cidade, entramos em uma farmácia, e , depois, fizemos uma caminhada pelas ruas do entorno, sem direção definida. Parei para tirar fotos de uma exposição de esculturas em madeira que tomava conta de algumas ruas e praças da cidade. O contraste do moderno expressado nas esculturas com as construções antigas era muito interessante.
Resolvi voltar para o hotel, enquanto Bruno seguia para almoçar. Cláudia, Vera e Dora foram passear em outras bandas. No caminho, como era dia internacional do hambúrguer, resolvi comer um sanduíche para matar a fome. Fomos nos encontrar novamente às 18 horas, pois tínhamos reserva no concorrido restaurante Cornelius confirmada para 19 horas. O restaurante fica na localidade de Breidvik e chega-se lá por barco. No preço do menu degustação está incluído o transporte desde Bergen. O barco sai de um cais em frente ao nosso hotel. O percurso demora cerca de quarenta minutos. O visual é bonito.O tempo estava lindo, com o sol brilhando e refletindo nas águas por onde o barco ia. O Cornelius Restaurant fica em um deck de madeira, como se fosse um pequeno cais, com paredes de vidro que nos permite apreciar a beleza do por do sol. Eles só trabalham com menu degustação com cinco pratos. Perguntam antes se há alguma restrição alimentar. Nossa permanência no restaurante foi longa, mais de três horas. Comemos bem, bebemos os vinhos sugeridos para a harmonização com os pratos, nos divertimos muito. O tal Cornelius, que dá nome ao restaurante, percorreu todas as mesas, desfilando simpatia. Ele parece o personagem Crocodilo Dundee do famoso filme australiano. Voltamos para Bergen no mesmo barco. A diferença é que o retorno é muito mais animado, com as pessoas falando alto, rindo e andando pelo barco. Efeitos do álcool...
Chegamos ao hotel depois das 23 horas. Todos fomos dormir, pois no dia seguinte tínhamos um voo cedo para Copenhague, dando seguimento ao nosso tour pela Escandinávia.
Acordamos cedo, tomamos café, fizemos o check out e pegamos o ônibus do hotel, cujo bilhete é pago diretamente ao motorista. O trajeto dura cerca de quarenta e cinco minutos. Chegamos ao aeroporto pouco antes das 9:00 horas de 29 de maio. Fizemos o check in nos totens de autoatendimento. Nosso voo era da SAS, O SK 2865, que saiu de Bergen às 09:55 horas, durando uma hora e vinte minutos até a capital da Dinamarca, última cidade destas minhas férias.

sábado, 13 de dezembro de 2014

UM PASSEIO PELOS FIORDES NORUEGUESES



Passear pelos fiordes da Noruega sempre foi um dos meus objetivos de viagem. Tive esta oportunidade em maio de 2014, quando passei férias na Escandinávia, juntamente com as amigas Vera, Cláudia e Dora. Compramos o tour ainda no Brasil, diretamente com a empresa Fjords Tours, compra esta feita pela internet. Recebemos os vouchers por e-mail com a observação que deveríamos trocá-los pelos bilhetes nos guichês da companhia na estação de trens de Oslo, capital da Noruega. Aproveitamos que estávamos passeando pelas ruas da cidade no domingo, dia 25 de maio, para fazer esta troca. Cláudia foi a responsável pela compra, motivo pelo qual ela tinha que comparecer ao guichê. Ficamos esperando-a no saguão da estação, aproveitando o wi-fi gratuito. Optamos pelo tour Oslo-Bergen, cidade que estava em nosso roteiro de viagem. Bruno estava conosco. Nossa partida estava marcada para 08:05 horas da terça-feira, dia 27/05/2014.
Duas horas antes, já estávamos todos de pé, de banho tomado, no saguão do Radisson Blu Scandinavia Hotel (Holbergs gate 30), pois buscariam nossas malas às 06:30 horas ali mesmo no hotel. Para fazer o tour pelos fiordes noruegueses, saindo de Oslo de trem, fazendo uma baldeação para outro trem e, em seguida, uma baldeação para um barco, achamos complicado carregar as malas. A mesma empresa na qual compramos o pacote para o tour oferece o transporte de bagagem de Oslo para Bergen, nossa próxima parada. Não tivemos dúvidas em contratar este serviço. Assim, pegaram nossas malas no hotel em Oslo às 06:30 horas. Nós voltaríamos a vê-las em Bergen, assim que chegamos do tour pelos fiordes, por volta de 20 horas do mesmo dia.
Depois de despachar a bagagem, tomamos café, fizemos o check out, pegamos dois táxis e fomos para a estação central, de onde nosso trem partiu às 08:05 horas da manhã. Em ponto!
A primeira etapa da viagem foi em um trem da The Bergen Railway, trajeto Oslo-Myrdal, que durou quatro horas e trinta e quatro minutos. Não havia lugar marcado. Ficamos todos juntos, observando a bela paisagem do interior norueguês. O trem subiu uma serra. Na subida, um painel indicava a altitude em que estávamos, enquanto a paisagem se alterava rapidamente. Dos verdejantes campos para um cenário branco, dominado pela neve, emoldurado por um céu límpido, azul de doer os olhos. Em ambos os lados do trem se tem uma bela vista. Para passar o tempo, além de muitas fotos, os turistas iam e vinham do vagão restaurante. Às 12:39 horas, o trem chegava na estação de Myrdal. No meio do nada. De ambos os lados, montanhas nevadas e uma meia dúzia de casinhas de madeira. Nenhum sinal de cidade. Era hora da baldeação. Descemos. A maioria dos turistas carregava ou arrastava suas pesadas malas. Ficamos muito felizes com nossa decisão de despachar as malas diretamente para Bergen. Só tínhamos mochilas e bolsas. A espera foi relativamente rápida, cerca de quarenta e cinco minutos, para pegar outro trem, desta vez da The Flam Railway. Fazia frio, apesar do sol dominar o céu. Perto de 13:20 horas, o nosso trem chegou. Era um trem antigo, com vagões de madeira e cadeiras duras. Entramos em um dos últimos vagões. Novamente sem lugar marcado. Estava vazio, apesar de ter muita gente na estação. Um funcionário da empresa passou no vagão dizendo, em inglês, que estávamos no local errado. Os últimos vagões seriam ocupados por turistas chineses que entrariam na próxima parada. Os nossos vagões eram os da frente, que já estavam lotados. Cada um procurou um lugar para sentar. Ninguém conseguiu ficar junto. O trem partiu às 13:27 horas. O segundo trajeto foi de Myrdal para Flam, com duração de uma hora. É uma longa descida até a beira de um fiorde. Na descida, paisagens verdejantes, vacas pastando, cenário de filme romântico, pontes sobre precipícios, árvores floridas, cascatas caindo do alto das montanhas, rios límpidos serpenteando ao longo da ferrovia, e o fiorde, lindo, um pedaço de terra avançando na água, formando braços navegáveis. Além da estação na qual os chineses entraram, o trem parou em um local para fotos, pois a estrada ficava ao lado de uma caudalosa cachoeira. As pessoas saltavam do trem, paravam para fotos e voltavam rapidamente, pois a água respingava muito, molhando todo mundo. Também saí, tirei uma foto. Quando voltava, ouvi uma música alta que vinha de algum lugar do alto da cachoeira. Olhei para cima. Uma mulher com vestido esvoaçante fazia uma performance, como se fosse um ser místico saindo de uma fábula ou de um filme da saga O Senhor dos Anéis. Voltei para o trem. Seguimos montanha abaixo. Respeitadas as devidas proporções, estre trajeto me lembrou a descida de litorina na Serra de Paranaguá, no Paraná. Chegamos em Flam, uma cidade minúscula, encravada entre as montanhas e um fiorde, às 14:25 horas. Navios de cruzeiro, iates e pequenos barcos estavam atracados no porto local, que é ligado à estação de trens. O trem ficou vazio. Todo mundo desceu em Flam. Aproveitamos que tínhamos cerca de uma hora para almoçar em um restaurante do hotel que fica em frente ao porto. Self-service muito ruim. Vera e Bruno preferiram apenas lanchar. Assim que terminamos, fomos para a fila para embarcar em nosso barco, um express boat. É um barco baixo, com dois andares, todo revestido em vidro, o que permite ter uma ótima visão das paisagens durante o passeio, apesar da sujeira que estava o vidro. Às 15:15 horas embarcamos e o barco saiu no horário previsto, às 15:30 horas. Mais gente arrastando malas. Fiquei na parte de baixo, subindo de vez em quando para tirar algumas fotos. O tempo estava lindo, mas o frio, acrescido do vento provocado pelo movimento do barco, não me animava a ficar muito tempo na parte aberta do barco no segundo piso. Este foi o último trajeto, de Flam para Bergen. Também foi o mais longo, com cinco horas e dez minutos de duração. Foi um passeio por fiordes. No início, estava empolgado e achando tudo lindo, mas com uma hora, as paisagens começam a se tornar repetidas, o que tornou esta parte da viagem chata e lenta. Há algumas paradas no caminho, pois alguns turistas reservam hotéis nas pequenas cidades aos pés destes fiordes para fazer caminhadas até o alto das falésias, de onde se tem vistas fantásticas. Como tive a oportunidade de apreciar tais vistas quando estava no segundo trajeto do trem, dei-me por satisfeito. Chegamos em Bergen às 20:40 horas, com o sol ainda forte. A cidade é pequena, linda e aconchegante, especialmente sua parte antiga, com o conjunto de edificações medievais mais antigas do mundo.