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sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

QUATRO DIAS EM COPENHAGUE, DINAMARCA



Minha última parada nas férias de maio de 2014, quando rodei pela Escandinávia, foi na capital da Dinamarca, Copenhague, onde cheguei na manhã do dia 29 de maio. Após pegar as malas, fizemos câmbio ainda no aeroporto e contratamos um transfer para cinco pessoas para nos levar até nosso hotel, o Radisson Blu Royal Hotel Copenhagen (Hammerichsgade 1). Hotel bem localizado, a poucos metros do famoso Tivoli e da estação central de trens, o que facilitou nossa vida para conhecer a cidade. Para uma melhor locomoção, compramos o Copenhagencard, com validade de 72 horas, o que nos garantiu livre circulação no transporte público, além de acesso a museus e desconto em passeio de barco. Compramos um chip para o roteador móvel de wi-fi em uma loja de telefonia na estação central. Em quatro dias, conhecemos os seguintes locais:
1. Restaurante Nimb - fica no elegante hotel de mesmo nome, cuja arquitetura lembra as construções árabes. Tal hotel dá acesso ao Tivoli, o principal ponto turístico de Copenhague. Aqui comemos, pela primeira vez, o famoso sanduíche smorrebrod. Com uma fatia de pão preto por baixo e muito recheio por cima, é uma verdadeira refeição.
2. Andersen Bakery - uma confeitaria/padaria acoplada ao Hotel Nimb, onde fomos mais de uma vez, não só para tomar um café, mas também para comer doce e experimentar o onipresente cachorro quente dinamarquês. Não aprecio este tipo de sanduíche, mas os doces valem a visita.
3. Restaurante Geranium (Per Henrik Lingd Allé, 4) - reserva feita pela internet com três meses de antecedência. Restaurante top, figurando na lista dos melhores do mundo. Fomos jantar. Menu degustação com mais de duas dezenas de pratos. Ao final, visita guiada pela cozinha e pose para fotos com os empregados da casa.
4. Stroget - rua de pedestres formada por uma sucessão de ruas. Ela começa na praça da Prefeitura, pela Frederiksberggade, terminando com a rua Ostergade, na praça Kongens Nytorv. Neste caminho, que fizemos por mais de uma vez, estão desde lojas de souvenir, de artigos de design, até lojas das mais famosas grifes mundiais. Também há prédios públicos, igrejas, pracinhas, restaurantes, bares, e muita agitação. Por ser um local de grande movimento, ficar atento às bolsas é sempre importante.
5. Noma (Strandgade 93) - o restaurante número 1 do mundo segundo a lista divulgada em abril de 2014 pela revista britânica The Restaurant. Fizemos a reserva pela internet com três meses de antecedência. Postagem específica sobre a minha experiência no Noma pode ser conferida aqui.
6. Tivoli - o parque de diversões com mais de um século que fica lotado de gente o tempo inteiro, especialmente nos finais de semana. Paga-se para entrar, cuja entrada utilizamos o Copenhagencard. Para ir nos brinquedos, há venda de ingressos em algumas bilheterias espalhadas pelo parque. Compramos para nos divertir na roda gigante e na flystar. Nesta última, enfrentamos uma fila de meia hora para rodar nas alturas e apreciar a cidade por cima. Ainda no parque, vimos um show de uma banda local. O público se acomodava no gramado em frente ao palco. Acontecia, ainda, uma apresentação de uma peça tipo Commedia dell'Arte, em um outro palco. Também vimos o pagode chinês, os lagos e algumas aves espalhadas pelos jardins, como um exuberante faisão branco. Ao cair da noite, milhares de luzes enfeitam o Tivoli, deixando-o com uma bela iluminação.
7. Groften - tradicional restaurante localizado dentro do Tivoli com mais de cem tipos de recheios para os smorrebrods.
8. Pequena Sereia - a famosa estátua de sereia, símbolo da cidade. Fica afastada. Fomos duas vezes, vendo-a de duas formas diferentes. Na primeira, pegamos um metrô, andamos um pouco e chegamos por terra, junto com uma miríade de turistas asiáticos. Foi difícil chegar perto e tirar uma foto sem ninguém enquadrado, além de mim e da sereia. Na segunda vez, fomos de barco, pois fazia parte do roteiro pelos canais da cidade. Assim, vimos a estátua a partir da água. Em terra, mais uma enorme quantidade de turistas.
9. Castelo de Christiansborg - passeio longo e muito interessante. Andamos pelo movimentado jardim que circunda o palácio antes de visitarmos as exposições permanentes.
10. Marmorkirken - a imponente igreja de mármore, que só tem mármore até a metade das paredes. É mais bonita por fora.
11. Alexander Nevskij Kirke - igreja ortodoxa russa. Belos mosaicos. A entrada é difícil de ser localizada. As suas cúpulas douradas dominam a paisagem de longe.
12. Kastellet - apenas passamos por uma de suas alas, mais precisamente no jardim externo, desta construção enorme e histórica.
13. Amalienborg - são quatro palácios que margeiam uma imponente e majestosa praça. Um dos palácios serve de residência oficial da monarquia dinamarquesa, enquanto o Palácio Christian VIII abriga a exposição da coleção real de jóias e trajes. Fizemos a visita, que é rápida. Também há cerimônia de troca de guarda nesta praça. Um passeio sem rumo pelas ruas ao redor da praça foi muito legal.
14. Canais de Copenhague - fizemos um passeio de barco pelos principais canais da cidade, com um guia falando em dinamarquês, inglês e italiano. Várias construções históricas, como o prédio da Bolsa e algumas igrejas e palácios, além de prédios modernos que abrigam a Ópera, a Biblioteca Real (um prédio conhecido como Diamante Negro por causa de sua arquitetura), um teatro e um condomínio residencial estão no caminho. O barco é baixo, pois ele passa por debaixo de pontes muito antigas, com rebuscados adornos.
15. Torre Redonda - subida sem elevador, seguindo uma rampa em espiral. No caminho, há uma providencial sala de exibição de exposições temporárias, o que nos permite recuperar o fôlego. No dia em que visitamos, havia uma mostra de chapéus, muito interessante. Do alto, tem-se uma bela vista da cidade, especialmente das muitas torres que formam a paisagem de Copenhague.
16. Nyhavn - que significa novo porto. É a parte do agito da cidade. Casas cujas construções datam de séculos atrás, multicoloridas, hoje abrigam bares, restaurantes, atelieres e inferninhos. Movimentada dia e noite.
17. Christiania - bairro da cidade que ficou famoso por concentrar uma população hippie. Aqui não se pode fotografar e nem filmar nada, pois a droga é vendida a céu aberto, embora em tendas que mais parecem abrigos de guerra, com os vendedores encapuzados como ninjas. Achei totalmente dispensável esta visita. O local é feio, mal cuidado e sujo.
18. Ny Calsberg Glyptotek - museu patrocinado pela cervejaria Calsberg. Tem um ótimo acervo, com peças de antiguidades do Egito, da Grécia, de Roma, pinturas de artistas dinamarqueses. Tem uma ótima coleção de pintores franceses, especialmente os impressionistas, como Monet. Infelizmente a ala dedicada à estatuária francesa, com peças de Rodin, estava fechada para visitação no domingo que fomos a este museu.
19. Lousiana - um museu de arte moderna que fica em uma cidade próxima a Copenhague. Pegamos um trem para ir até lá. Fica em Humlebaek. Visita obrigatória para quem aprecia arte moderna. Jardins impecáveis, com uma bela vista para o lago, adornados com estátuas de consagrados artistas, a exemplo de Miró, além de um acervo de pinturas, esculturas e instalações excepcional, com obras de Andy Warhol, Bruno Giacometti, entre outros. Almoçamos no café do local.
20. Salt - foi o restaurante que escolhemos para nos despedir da cidade. Razoável.
Na manhã do dia 02 de junho de 2014 chegava ao fim nosso giro pela Escandinávia. Fomos cedo para o aeroporto, onde pegamos o voo da Air France às 06:55 horas com destino a Paris, Aeroporto Charles de Gaulle, onde chegamos às 08:55 horas. Despedi-me de Dora, Vera e Cláudia, que ficariam alguns dias na capital francesa, e me dirigi ao terminal de onde sairia meu voo de volta para Brasília, o que ocorreu às 13:30 horas.
Cheguei a tempo de comer uma pizza com amigos em Brasília.
Fim de férias excelentes.

domingo, 14 de dezembro de 2014

FÉRIAS EM BERGEN, NORUEGA



Durante meu giro pela Escandinávia nas férias de maio de 2014, dormi duas noites na simpática cidade de Bergen, na Noruega, onde cheguei após um cruzeiro de trem e barco por parte dos fiordes noruegueses. Eu, Dora, Cláudia, Vera e Bruno tivemos muita sorte, pois Bergen é famosa por sua constante chuva. Não choveu em nenhum momento durante nossa curta estadia por lá. Desembarcamos no porto, que fica na parte central da cidade, por volta de 20:40 horas. Estávamos com muita fome, pois o almoço tinha sido um desastre na cidade de Flam. O sol ainda brilhava forte no céu, apesar do adiantado da hora. Mesmo com bolsas e mochilas, saímos a procurar um local para comer. Nas anotações de Cláudia havia alguns restaurantes. Achamos o mais cotado, mas não havia lugar disponível para jantar. Fomos para uma espécie de praça de alimentação em um prédio histórico, mas era um bar de tapas, com pouco movimento. Resolvemos ir para o hotel. Tínhamos reserva no Radisson Blu Royal Hotel (Bryggen, 5). Era perto de onde estávamos. Fomos a pé, passando pelo casario medieval do Bryggen, onde estão instalados bares, restaurantes e lojas. Paramos em frente a um destes edifícios, onde estava localizado outro restaurante da lista de Cláudia. Fui o responsável por subir as escadas para checar se tinha vaga. Fiz uma reserva para 21:30 horas. Tempo suficiente para fazer o check in no hotel, pegar as malas que lá foram deixadas pela Fjords Tours (despachamos nossas malas desde Oslo), entrar no quarto, deixar as bolsas, e voltar para a rua, com luz do dia. No horário marcado, estávamos sendo acomodados em uma mesa para cinco pessoas no Enhjorningen, o restaurante especializado em peixes e frutos do mar mais antigo de Bergen. Ele fica no segundo piso de uma edificação medieval que está torta, como a maioria dos prédios do Bryggen. A sensação é engraçada ao sentar, pois a gente sente nitidamente a inclinação do piso do restaurante. Quando as taças de vinho branco foram preenchidas, notamos o desnível do líquido dentro delas. De entrada, pedi aspargo fresco, onipresente nas mesas escandinavas nesta época do ano. Seguiu-se um filé de turbot, peixe branco local, de carne tenra e saborosa. Cansados, voltamos para o hotel para descansar, pois o dia seguinte seria pesado em termos de caminhadas.
Acordamos cedo em 28 de maio para aproveitar bem o dia. Tomamos o café da manhã juntos no Filini Bar & Restaurant, restaurante do hotel, saindo em seguida para conhecer a cidade. Primeiro passeamos com calma pelo Bryggen, conhecendo e tirando fotos dos prédios medievais. Eles se orgulham de ter o conjunto de prédios medievais mais bem preservados da Europa. São doze prédios com arquitetura parecida, todos de madeira, pintados em cores fortes. Hoje são voltados para o turismo. Na enorme calçada em frente a eles são montadas mesas dos restaurantes, onde turistas e locais aproveitavam o raro sol que fazia na cidade. Uma competição de ciclismo acontecia na cidade e o ponto final era justamente em frente ao Bryggen.
Continuamos nosso passeio, parando em uma feira montada em frente ao Bryggen, do outro lado da rua. Nela eram vendidos produtos locais, especialmente os de origem no mar, como caviar, camarões e carne de baleia. A barraca maior e mais movimentada oferecia pequenos pedaços desta carne para experimentar. E os seus empregados falavam diversas línguas, incluindo o português. Provei um pedacinho. A carne é preta e dura. Gosto forte. Não vai figurar entre as minhas preferidas. Um pouco mais à frente fica o Mercado de Peixes, para onde Vera, Bruno e Cláudia foram comprar caviar. Eu e Dora ficamos sentados em uma grande mesa de madeira que ficava atrás da feira, com vista para o porto. Assim, enquanto esperávamos os outros, curtimos o movimento da feira, que foi crescendo na medida em que o relógio chegava perto de meio dia. Muita gente aproveita o sol para sair e comer na feira. Com o grupo refeito, caminhamos em direção ao funicular que nos levou para o Monte Floyen, de onde se tem um belíssima vista de toda a cidade. Havia uma fila para comprar o bilhete (compramos ida e volta) e outra para entrar no funicular. O local estava lotado de gente, mesmo sendo uma quarta-feira. De lá, avista-se o porto, os canais que cortam a cidade, a imponente catedral e muitos prédios antigos que dominam a paisagem. Além da vista, há um parque com trilhas para caminhadas no local. Um enorme boneco do troll, um simpático ser mítico da Noruega, com pés e nariz enormes, é parada obrigatória para fotos. Fizemos uma pequena caminhada, apreciando a vista. Passamos por uma área onde o cheiro que dominava o ar era insuportável. Algo ardido no nariz, como se alguma coisa estivesse podre. Uma placa pendurada em uma árvore solucionava o mistério. O cheiro vinha daquela árvore, chamada de bruxa por lá. A frase, em inglês, indicava que alguém tinha desagradado a bruxa, motivo do cheiro ruim no ar. Seguimos andando. Era hora de descer.
Assim que chegamos na parte baixa da cidade, entramos em uma farmácia, e , depois, fizemos uma caminhada pelas ruas do entorno, sem direção definida. Parei para tirar fotos de uma exposição de esculturas em madeira que tomava conta de algumas ruas e praças da cidade. O contraste do moderno expressado nas esculturas com as construções antigas era muito interessante.
Resolvi voltar para o hotel, enquanto Bruno seguia para almoçar. Cláudia, Vera e Dora foram passear em outras bandas. No caminho, como era dia internacional do hambúrguer, resolvi comer um sanduíche para matar a fome. Fomos nos encontrar novamente às 18 horas, pois tínhamos reserva no concorrido restaurante Cornelius confirmada para 19 horas. O restaurante fica na localidade de Breidvik e chega-se lá por barco. No preço do menu degustação está incluído o transporte desde Bergen. O barco sai de um cais em frente ao nosso hotel. O percurso demora cerca de quarenta minutos. O visual é bonito.O tempo estava lindo, com o sol brilhando e refletindo nas águas por onde o barco ia. O Cornelius Restaurant fica em um deck de madeira, como se fosse um pequeno cais, com paredes de vidro que nos permite apreciar a beleza do por do sol. Eles só trabalham com menu degustação com cinco pratos. Perguntam antes se há alguma restrição alimentar. Nossa permanência no restaurante foi longa, mais de três horas. Comemos bem, bebemos os vinhos sugeridos para a harmonização com os pratos, nos divertimos muito. O tal Cornelius, que dá nome ao restaurante, percorreu todas as mesas, desfilando simpatia. Ele parece o personagem Crocodilo Dundee do famoso filme australiano. Voltamos para Bergen no mesmo barco. A diferença é que o retorno é muito mais animado, com as pessoas falando alto, rindo e andando pelo barco. Efeitos do álcool...
Chegamos ao hotel depois das 23 horas. Todos fomos dormir, pois no dia seguinte tínhamos um voo cedo para Copenhague, dando seguimento ao nosso tour pela Escandinávia.
Acordamos cedo, tomamos café, fizemos o check out e pegamos o ônibus do hotel, cujo bilhete é pago diretamente ao motorista. O trajeto dura cerca de quarenta e cinco minutos. Chegamos ao aeroporto pouco antes das 9:00 horas de 29 de maio. Fizemos o check in nos totens de autoatendimento. Nosso voo era da SAS, O SK 2865, que saiu de Bergen às 09:55 horas, durando uma hora e vinte minutos até a capital da Dinamarca, última cidade destas minhas férias.

sábado, 13 de dezembro de 2014

UM PASSEIO PELOS FIORDES NORUEGUESES



Passear pelos fiordes da Noruega sempre foi um dos meus objetivos de viagem. Tive esta oportunidade em maio de 2014, quando passei férias na Escandinávia, juntamente com as amigas Vera, Cláudia e Dora. Compramos o tour ainda no Brasil, diretamente com a empresa Fjords Tours, compra esta feita pela internet. Recebemos os vouchers por e-mail com a observação que deveríamos trocá-los pelos bilhetes nos guichês da companhia na estação de trens de Oslo, capital da Noruega. Aproveitamos que estávamos passeando pelas ruas da cidade no domingo, dia 25 de maio, para fazer esta troca. Cláudia foi a responsável pela compra, motivo pelo qual ela tinha que comparecer ao guichê. Ficamos esperando-a no saguão da estação, aproveitando o wi-fi gratuito. Optamos pelo tour Oslo-Bergen, cidade que estava em nosso roteiro de viagem. Bruno estava conosco. Nossa partida estava marcada para 08:05 horas da terça-feira, dia 27/05/2014.
Duas horas antes, já estávamos todos de pé, de banho tomado, no saguão do Radisson Blu Scandinavia Hotel (Holbergs gate 30), pois buscariam nossas malas às 06:30 horas ali mesmo no hotel. Para fazer o tour pelos fiordes noruegueses, saindo de Oslo de trem, fazendo uma baldeação para outro trem e, em seguida, uma baldeação para um barco, achamos complicado carregar as malas. A mesma empresa na qual compramos o pacote para o tour oferece o transporte de bagagem de Oslo para Bergen, nossa próxima parada. Não tivemos dúvidas em contratar este serviço. Assim, pegaram nossas malas no hotel em Oslo às 06:30 horas. Nós voltaríamos a vê-las em Bergen, assim que chegamos do tour pelos fiordes, por volta de 20 horas do mesmo dia.
Depois de despachar a bagagem, tomamos café, fizemos o check out, pegamos dois táxis e fomos para a estação central, de onde nosso trem partiu às 08:05 horas da manhã. Em ponto!
A primeira etapa da viagem foi em um trem da The Bergen Railway, trajeto Oslo-Myrdal, que durou quatro horas e trinta e quatro minutos. Não havia lugar marcado. Ficamos todos juntos, observando a bela paisagem do interior norueguês. O trem subiu uma serra. Na subida, um painel indicava a altitude em que estávamos, enquanto a paisagem se alterava rapidamente. Dos verdejantes campos para um cenário branco, dominado pela neve, emoldurado por um céu límpido, azul de doer os olhos. Em ambos os lados do trem se tem uma bela vista. Para passar o tempo, além de muitas fotos, os turistas iam e vinham do vagão restaurante. Às 12:39 horas, o trem chegava na estação de Myrdal. No meio do nada. De ambos os lados, montanhas nevadas e uma meia dúzia de casinhas de madeira. Nenhum sinal de cidade. Era hora da baldeação. Descemos. A maioria dos turistas carregava ou arrastava suas pesadas malas. Ficamos muito felizes com nossa decisão de despachar as malas diretamente para Bergen. Só tínhamos mochilas e bolsas. A espera foi relativamente rápida, cerca de quarenta e cinco minutos, para pegar outro trem, desta vez da The Flam Railway. Fazia frio, apesar do sol dominar o céu. Perto de 13:20 horas, o nosso trem chegou. Era um trem antigo, com vagões de madeira e cadeiras duras. Entramos em um dos últimos vagões. Novamente sem lugar marcado. Estava vazio, apesar de ter muita gente na estação. Um funcionário da empresa passou no vagão dizendo, em inglês, que estávamos no local errado. Os últimos vagões seriam ocupados por turistas chineses que entrariam na próxima parada. Os nossos vagões eram os da frente, que já estavam lotados. Cada um procurou um lugar para sentar. Ninguém conseguiu ficar junto. O trem partiu às 13:27 horas. O segundo trajeto foi de Myrdal para Flam, com duração de uma hora. É uma longa descida até a beira de um fiorde. Na descida, paisagens verdejantes, vacas pastando, cenário de filme romântico, pontes sobre precipícios, árvores floridas, cascatas caindo do alto das montanhas, rios límpidos serpenteando ao longo da ferrovia, e o fiorde, lindo, um pedaço de terra avançando na água, formando braços navegáveis. Além da estação na qual os chineses entraram, o trem parou em um local para fotos, pois a estrada ficava ao lado de uma caudalosa cachoeira. As pessoas saltavam do trem, paravam para fotos e voltavam rapidamente, pois a água respingava muito, molhando todo mundo. Também saí, tirei uma foto. Quando voltava, ouvi uma música alta que vinha de algum lugar do alto da cachoeira. Olhei para cima. Uma mulher com vestido esvoaçante fazia uma performance, como se fosse um ser místico saindo de uma fábula ou de um filme da saga O Senhor dos Anéis. Voltei para o trem. Seguimos montanha abaixo. Respeitadas as devidas proporções, estre trajeto me lembrou a descida de litorina na Serra de Paranaguá, no Paraná. Chegamos em Flam, uma cidade minúscula, encravada entre as montanhas e um fiorde, às 14:25 horas. Navios de cruzeiro, iates e pequenos barcos estavam atracados no porto local, que é ligado à estação de trens. O trem ficou vazio. Todo mundo desceu em Flam. Aproveitamos que tínhamos cerca de uma hora para almoçar em um restaurante do hotel que fica em frente ao porto. Self-service muito ruim. Vera e Bruno preferiram apenas lanchar. Assim que terminamos, fomos para a fila para embarcar em nosso barco, um express boat. É um barco baixo, com dois andares, todo revestido em vidro, o que permite ter uma ótima visão das paisagens durante o passeio, apesar da sujeira que estava o vidro. Às 15:15 horas embarcamos e o barco saiu no horário previsto, às 15:30 horas. Mais gente arrastando malas. Fiquei na parte de baixo, subindo de vez em quando para tirar algumas fotos. O tempo estava lindo, mas o frio, acrescido do vento provocado pelo movimento do barco, não me animava a ficar muito tempo na parte aberta do barco no segundo piso. Este foi o último trajeto, de Flam para Bergen. Também foi o mais longo, com cinco horas e dez minutos de duração. Foi um passeio por fiordes. No início, estava empolgado e achando tudo lindo, mas com uma hora, as paisagens começam a se tornar repetidas, o que tornou esta parte da viagem chata e lenta. Há algumas paradas no caminho, pois alguns turistas reservam hotéis nas pequenas cidades aos pés destes fiordes para fazer caminhadas até o alto das falésias, de onde se tem vistas fantásticas. Como tive a oportunidade de apreciar tais vistas quando estava no segundo trajeto do trem, dei-me por satisfeito. Chegamos em Bergen às 20:40 horas, com o sol ainda forte. A cidade é pequena, linda e aconchegante, especialmente sua parte antiga, com o conjunto de edificações medievais mais antigas do mundo.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

FÉRIAS EM OSLO, NORUEGA


Nosso voo saiu no horário de Estocolmo, Suécia. Chegamos em Oslo, capital da Noruega, na manhã de sábado, 24 de maio de 2014. Mais uma cidade em nosso giro pela Escandinávia. O aeroporto de Oslo fica bem afastado da cidade. No próprio aeroporto, tentamos comprar um chip para nosso roteador móvel de wi-fi, mas não conseguimos. Fizemos câmbio, já que a Noruega também não adotou o euro como moeda oficial. Contratamos um táxi na saída do aeroporto para nos levar até o hotel. O valor da corrida seria aquele indicado no taxímetro. Pegamos um carro bem grande, com muito espaço para nós quatro - eu, Vera, Dora e Cláudia. Fui no banco da frente. Na medida em que o carro avançava pela autoestrada, o taxímetro corria em alta velocidade. O valor que aumentava cada vez mais foi o assunto entre a gente no caminho até o hotel. Assim que entramos em um túnel, o motorista travou o taxímetro. Estávamos entrando na cidade. O dia estava bem nublado. Tinha chovido um pouco. Enfim, chegamos ao hotel, quando pagamos cerca de 1.900 coroas norueguesas pela corrida, algo em torno de R$ 680,00!
Como nas cidades anteriores, escolhemos um hotel da cadeia Radisson, o Radisson Blu Scandinavia Hotel (Holbergs gate 30). Fizemos o check in e subimos para guardar nossas malas. Cláudia e Vera não gostaram do quarto que lhes deram. Era muito pequeno e com aspecto de velho. Reclamaram e conseguiram mudar para um quarto melhor. Assim que descemos para o hall do hotel, encontramo-nos com Bruno, que se integraria ao grupo a partir daquele dia. Nossa estadia em Oslo foi de 24 a 27 de maio de 2014, quando conhecemos:
Feira anual da Hegdehaugsveien - Bruno tinha nos falado sobre esta feira, pois ele já tinha passado bem cedo pela rua na qual ela estava sendo montada. Como o restaurante que tínhamos escolhido não abria para almoço, caminhamos até a rua na qual a feira estava funcionando. Antes de entrarmos na tal feira, paramos para almoçar no Cafe Lorry (Parkveien 12). Após o sofrível almoço, fomos conhecer a feira. As lojas ao longo da rua colocam barracas e tendas do lado de fora e fazem promoções. Isto acontece uma vez ao ano e atrai um imenso público. Estava lotado, com muito casal novo com seus filhos em carrinhos de bebê. Sem cerimônias, eles empurram os carrinhos pra cima das pessoas, sem se importar se machucam ou não quem está na frente. Um horror. Ninguém do nosso grupo se interessou em comprar as mercadorias oferecidas. Continuamos nosso caminho até pararmos em uma centenária padaria, a Baker Hansen, onde uma bandinha de velhinhos tocava do lado de fora. Pausa para um café. Em seguida, ainda na rua da feira, entramos em um supermercado para Vera comprar um sal laminado. Quando saímos, Bruno resolveu retornar para o hotel e nós seguimos nossa caminhada em direção ao Parque de Esculturas Vigeland.
Vigelands Skulpturpark - é a principal atração turística da Noruega. Por ser sábado, com tarde sem chuva, estava bem cheio. São mais de duzentas esculturas espalhadas pelo parque. Todas feitas pelo mesmo artista plástico, Gustav Vigeland. Visita obrigatória. Demoramos mais de duas horas neste parque, apreciando todas as esculturas e o bem cuidado jardim. Voltamos a pé para o hotel, passando por caminho diverso ao da ida, o que nos permitiu conhecer mais um pouco da cidade.
Aker Brygge - é o local mais animado da cidade. Fica em um cais movimentado, todo recuperado, no qual prédios de design moderno convivem com as construções antigas. No local estão lojas descoladas, bares agitados, restaurantes para todos os gostos e bolsos, escritórios, prédios residenciais de luxo, museus. Passamos neste cais todos os dias de nossa estadia em Oslo. Na entrada do cais está o Centro Nobel da Paz. Já mais para o final, a arquitetura do Museu de Arte Moderna Astrup Fearnley se destaca. Quando chegamos ao museu, ele já estava fechado. Vimos apenas as enormes esculturas que o rodeiam e onde vários noruegueses tomavam sol e se banhavam. Na primeira noite na cidade, jantamos neste cais, no restaurante envidraçado Lofoten Fiskerestaurant, especializado em frutos do mar. Noite agradável.
Prefeitura de Oslo - o prédio se destaca na paisagem com sua cor avermelhada como tom dominante e tem uma monumental praça ao fundo, com a história do país contada em amplos painéis em alto relevo. Esculturas de profissões importantes na construção do país estão voltadas para o cais.
Parque do Palácio e Palácio Real - ficam bem próximos do hotel e como andávamos muito a pé, fazia parte de nossa rota passar por este bem cuidado parque no qual se destaca o palácio real. Não fizemos visita ao palácio, limitando-nos a conhecê-lo por fora.
Spikersuppa - é um pequeno parque com cara de praça que dá início ao Parque do Palácio, onde fica a Universidade de Oslo, o Teatro Nacional e alguns prédios antigos, todos muito bem conservados. Aqui parei para comprar um pin na loja do Hard Rock Cafe.
Galeria Nacional - em norueguês, Nasjonalgalleriet, é um museu onde estão obras de arte norueguesas anteriores a 1945, além de exemplares do impressionismo francês, como Monet e cia. Mas o que leva mais público ao museu é a ala dedicada ao pintor Edvard Munch, principalmente porque é neste museu, e não no Museu Munch, que está o famoso quadro O Grito, aquele que foi roubado e recuperado. A sala onde ele está exposto é a única em que não se permitem fotografias e há um segurança apenas para o quadro. Dá para ver o corte que os ladrões fizeram na tela para levá-la do Museu Munch. No dia em que fomos, um domingo, a entrada era gratuita.
Ópera de Bjorvika - a monumental casa da ópera norueguesa é um ponto turístico obrigatório em Oslo. Sua construção em formas retilíneas coberta por mármore branco, cheia de rampas com acesso ao teto, chama a atenção. Ela fica à beira de um canal que banha a cidade. Chovia, mas não era forte, não nos impedindo de "escalar" as rampas brancas. Depois de muitas poses para fotos, resolvemos visitar o interior da casa de espetáculos, onde além de ópera, montagens de balé fazem parte da sua programação. Infelizmente, chegamos tarde demais para comprar um ingresso para a visita guiada daquele dia. Contentamo-nos em conhecer o hall e seu arrojado design em madeira e ferro, além de uma pausa para um refresco no café local.
Estação Central de Oslo - como tínhamos que trocar nosso voucher pelos bilhetes para o tour pelos fiordes noruegueses, fomos até a estação central de trens para fazê-lo, aproveitando para conhecer a região.
Catedral de Oslo - entramos rapidamente no principal templo católico da cidade. Não me surpreendeu em nada.
Castelo e Fortaleza de Akershus - fomos no final de tarde neste castelo medieval. No dia acontecia um festival medieval, com barracas e tendas vendendo produtos artesanais feitos à maneira que se fazia em épocas remotas. Muita gente estava vestida a caráter. Aconteciam demonstrações de lutas. Paramos para ver uma delas, onde todos gritavam, em norueguês, "mais sangue, mais sangue". Cláudia participou ativamente da torcida. Esta fortaleza nos deu uma noção de como era a vida na Idade Média. Passeando por suas ruas, vimos casas, a igreja, o castelo, enfim, tivemos uma ideia de como aquele povo vivia.
Bygdoy - é o bairro onde ficam alguns museus interessantes. Chega-se mais rápido pegando um barco no cais. Foi o que fizemos.
Museu Fram - interessante museu sobre um navio, o Fram, usado para explorações ao pólo.
Museu Marítimo da Noruega - mostra a história da navegação do país por meio de instrumentos de navegação, maquetes de barcos, cartografia, entre outros. Para quem gosta do tema. Fiz uma "leitura dinâmica" do acervo do museu.
Museu Norueguês do Folclore - enorme museu ao ar livre, com dezenas de construções antigas da Noruega, todas trazidas para este local para termos uma noção de como o país evoluiu ao longo dos anos. A mais interessante construção é uma igreja datada do Séc. XIII, chamada Gol. Ela é toda em madeira negra, com interior pequeno e sombrio. Durante a visita ao museu, os turistas cruzam com pessoas vestidas como se saídas de uma máquina do tempo.
Museu do Navio Viking - chamado de Vikingskipshuset, é outro ponto turístico de visita obrigatória. Ele é pequeno e abriga três navios vikings em madeira, construídos no Séc. IX. Sensacional. O museu é feito de forma que o visitante possa apreciar os navios tanto no nível em que estão, quanto por cima, com torres de observação estrategicamente colocadas no espaço expositivo.
Olaf Ryes Plass - esta é uma praça que não estava nos nossos planos conhecê-la. Na início da noite de domingo, dia 25 de maio de 2014, Bruno nos convenceu a ir a um show de jazz, já que Oslo é famosa por ter excelentes músicos que militam neste ritmo. Bruno nos disse que eram dez minutos de caminhada a partir do hotel. Lá fomos nós. E andamos, e andamos, e atravessamos ruas, subimos, descemos, e andamos. Nada de chegar. Além disto, todos estavam famintos. Na verdade, todo mundo queria comer e voltar para o hotel. Nem fã de jazz eu sou. Quando já tínhamos caminhado quase quarenta minutos e nada de chegar às casas de jazz, isto perto de 21 horas, decidimos limar o jazz da noite. Os restaurantes fechavam cedo na cidade, ainda mais aos domingos. Consultamos o Google Maps. Estávamos perto de uma praça que era citada em nosso texto que indicava o que ver na cidade. Não tivemos dúvidas, comunicamos ao Bruno que queríamos parar para jantar. Em cinco minutos estávamos em frente aos restaurantes que rodeiam esta praça. Alguns quase sem movimento, com mesas e cadeiras sendo arrumadas pelos garçons. Na esquina havia uma pizzaria, Villa Paradiso, onde entramos e comemos uma boa pizza. Ao sair, Bruno ainda queria ir ao show de jazz. Nós resolvemos voltar a pé para o hotel, deixando ele para trás.
Na manhã do dia 27 de maio de 2014, acordamos bem cedo, antes de 06:15 horas, pois buscariam nossas malas às 06:30 horas ali mesmo no hotel. Para fazer o tour pelos fiordes noruegueses, saindo de Oslo de trem, fazendo uma baldeação para outro trem e, em seguida, uma baldeação para um barco, achamos complicado carregar as malas. A mesma empresa na qual compramos o pacote para o tour oferece o transporte de bagagem de Oslo para Bergen, nossa próxima parada. Não tivemos dúvidas em contratar este serviço. Assim, pegaram nossas malas no hotel em Oslo às 06:30 horas. Nós voltaríamos a vê-las em Bergen, assim que chegamos do tour pelos fiordes, por volta de 20 horas do mesmo dia.
Depois de despachar a bagagem, tomamos café, fizemos o check out, pegamos dois táxis e fomos para a estação central, de onde nosso trem partiu às 08:05 horas da manhã. Em ponto!

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

QUATRO DIAS EM ESTOCOLMO, SUÉCIA


De Helsinque para Estocolmo, o voo da SAS durou uma hora. Por causa do fuso horário, saímos da capital finlandesa às 09:25 horas e chegamos às 09:25 horas na capital sueca. Ainda no aeroporto, fizemos câmbio, já que a Suécia não adotou o euro como moeda, compramos um chip para nosso roteador móvel de wi-fi e adquirimos o Stockholm Card, o que nos garantiu acesso a vários museus, ao transporte público e a descontos em lojas. Contratamos um táxi no próprio aeroporto que nos levou para o Radisson Blu Royal Viking (Vasagatan 1), nosso hotel em Estocolmo por quatro noites (20 a 24 de maio de 2014). O ponto do hotel é excelente, encostado na estação central de trens, além de ser próximo a várias atrações turísticas da cidade, bem como da área comercial. Tudo em distância para percorrer a pé.
Estocolmo me surpreendeu em vários aspectos. Cidade organizada, limpa, cheia de museus, bons restaurantes (tem para todos os gostos, embora os preços sejam salgados). Fomos no meio da Primavera, época em que os moradores da cidade saem muito, aproveitando o pouco de sol que eles tem por ano. Os bares no final das tardes em que lá estivemos estavam sempre cheios, com muitos de pé nas calçadas fumando e com copos de cerveja nas mãos. Para nós, fazia um friozinho gostoso, quando durante o dia usávamos blusas de manga comprida e cachecol. Fazia uns 15º C. Para eles, era como se vivessem o alto verão: camisetas, shorts e sandálias havaianas nos pés.
Os suecos utilizam muito o transporte público (ônibus, barcos, bondes, metrô), mas o principal meio de locomoção da cidade é a bicicleta. Em frente à estação de trens ficavam estacionadas centenas delas.
Claro que em quatro dias não havia possibilidade de conhecer/visitar tudo o que a cidade oferece. Tivemos que escolher. A seguir, uma breve descrição dos locais que eu, Cláudia, Dora e Vera conhecemos em Estocolmo.
Câmara Municipal de Estocolmo - fomos a pé desde o hotel. O prédio é lindo por fora, em tom de tijolo. Para entrar, utilizamos o Stockholm Card. Somente com visita guiada. Preferimos a visita em inglês. Há folheto com informações em português sobre o prédio. A visita vale a pena. A primeira parada é no Salão Azul, que de azul não tem nada, pois o arquiteto mudou de ideia ao ver que o vermelho dos tijolos tinham uma beleza singular. É neste salão que ocorre a festa anual do Prêmio Nobel. Há uma interessante sala com tapeçaria de Tureholm, tecida na França no Século XVII. A visita termina na magnífica Sala Dourada, onde há um imenso mosaico de vidro e ouro formando a figura de Estocolmo, Rainha do Malaren, homenageada pelo Leste e pelo Oeste. Pausa para muitas fotos. Ao sair do prédio, fomos para a praça que fica atrás dele, de onde tiramos mais fotos das suas colunas. Na lojinha localizada no local, comprei um Dala. É um cavalinho de madeira, artigo muito vendido como souvenir da Suécia.
Palácio Real em Estocolmo - para entrar utilizamos o Stockholm Card. Fica em Gamla Stan, a parte antiga da cidade. É a sede oficial da monarquia sueca. Em exposição nos vários cômodos do palácio estão móveis e objetos de decoração dos Séculos XVIII e XIX. Ao sair, por porta distinta da que entramos, notamos uma movimentação intensa em frente ao palácio. Estava na hora da troca da guarda. Ficamos para ver a cerimônia. É um pouco demorada e cansativa.
Tyska Kyrkan - uma das igrejas localizadas na parte antiga da cidade. Muito utilizada para concertos musicais. Seu interior não me chamou a atenção, a não ser o seu órgão de tubos.
Gamla Stan - é a chamada Cidade Velha, onde se concentram os prédios históricos. As praças são aconchegantes, com muitos restaurantes pequenos ao seu redor. Há ruas dominadas pelo comércio, com muita loja de souvenires e artesanato local. Foi ótimo passear por suas ruas e becos.
Museu Nobel - também fica em Gamla Stan, perto do Palácio Real. Utilizamos o Stockholm Card para entrar. É um museu com muito texto, o que torna a visita um pouco demorada. E como não conhecíamos a maioria dos laureados com o Nobel (os que ganharam o Prêmio Nobel da Paz tem um museu próprio, que fica em Oslo, Noruega), tornou-se enfadonho rapidamente. Há uma parte interativa interessante que simula, a partir de respostas que o visitante dá, futuros prêmios. A lojinha do museu é tentadora.
Museu Nórdico (Nordiska Museet) - entramos com o Stockholm Card. Fica em uma área cheia de museus. A visita é muito educativa, pois conta a história da Suécia, por meio de objetos de decoração, no qual o design assume uma grande importância, do artesanato rústico, além de uma parte dedicada aos povos nórdicos, com suas tradições e costumes. Um módulo só com bonecas e brinquedos infantis e outro com mesas de jantar postas me chamaram a atenção. Fizemos a visita com um áudio-guia, disponibilizado gratuitamente na entrada do museu. Além da exposição permanente, que ocupa dois pisos do museu, havia uma mostra temporária no hall sobre a utilização de listras no design mundial.
Museu Vasa (Vasa Museet) - entramos também com o Stockholm Card. Fica quase ao lado do Museu Nórdico. Um dos mais interessantes museus que já visitei, pois construíram um prédio ao redor de um navio de guerra real que afundou nas águas que banham a cidade. Ele data de 1628, ficou mais de trezentos anos no fundo do mar, sendo resgatado por uma operação que exigiu tempo e dinheiro. É um dos museus mais visitados da cidade. O navio reina absoluto, com várias esculturas de madeira que o adornam. Algumas reproduções destas esculturas estão expostas para que o visitante tenha a noção de como eram suas cores. Visita muito interessante.
Museu Abba (Abba The Museum) - entrada paga. Chegamos de bonde ao local. Sensacional. Foi uma tarde muito gostosa. Divertimos muito em todos os setores do museu. Ele conta a história do grupo de música pop sueco que estourou em todo o mundo na década de setenta. Até hoje seus discos são muito comercializados e o grupo tem seguidores fiéis. No museu, cantamos em um karaokê, dançamos ao som de Dancing Queen, Vera cantou e dançou com o grupo em um palco, acompanhando as figuras em holograma, curtimos as músicas, vimos roupas, adereços, capas de todos os discos, instrumentos musicais e até a reprodução do estúdio de gravação. Ainda no museu há um hall da fama sueca, com fotos e objetos de grupos e cantores do país que fazem sucesso, como Roxette. Para sair, passamos, necessariamente, pela loja do museu, repleta de artigos que lembram o grupo.
Palácio Drottingholm - mais um que entramos com o Stockholm Card. Ele fica em local afastado, em frente a um lago, e tem um bem cuidado jardim à sua volta. Para chegar até ele, pegamos metrô e depois um ônibus, tudo com o Stockholm Card. É a residência oficial da família real sueca desde 1981. Percorremos as alamedas do parque por detrás do palácio e fizemos um visita guiada ao Slottsteater, um teatro pequeno, construído em 1766, ainda em atividade. A visita é somente guiada, feita por uma moça vestida com roupas da época da inauguração do teatro. Todo o palco é de madeira, com paredes decoradas pintadas à mão. O maquinário é também em madeira, operado a mão. Lindo.
Icebar by Icehotel - o primeiro e maior bar de gelo do mundo. Paga-se para entrar. O ingresso dá direito a um drinque. A permanência máxima é de vinte e cinco minutos. Antes de entrar, vestimos um pesado casaco, estilo poncho, sem mangas, e calçamos luvas de couro forradas com pele. O capuz também tinha pele. Tudo é feito de gelo no bar, desde bancos, paredes e o balcão, onde são servidas as bebidas à base de vodca, únicas que não congelam na temperatura do local. Música eletrônica ajuda a animar os frequentadores. Pedi um drinque de frutas vermelhas feito com vodca. Estava tão frio que nem senti o álcool. Parecia que estava tomando um suco. Obviamente que todo mundo que entra no bar quer registrar em fotos o momento. Para tirar as fotos, tive que tirar uma das luvas, o que fez minha mão ficar dura e doendo. Vi muita gente passar pela mesma situação. Ficamos apenas 18 minutos, pois ninguém aguentou mais. Afinal, o frio era de -7º C. Ao sair, fiquei sentado um tempo no saguão do hotel onde fica o bar esfregando as mãos uma na outra para que o sangue voltasse a circular normalmente. Cláudia e Dora foram ao banheiro para enfiar suas mãos debaixo de água quente. Gostei da experiência.
Além de conhecer todos estes locais, percorremos as ruas exclusivas para pedestres, onde concentra o comércio da cidade. Claro que aproveitamos que estávamos na terra da grife de fast fashion H&M para entrar em uma das suas muitas unidades na cidade.
Também fizemos um passeio de barco pelos canais que banham Estocolmo. Para o passeio, utilizamos o Stockholm Card. Neste tour aquático, vimos vários prédios históricos, como o que abriga a Ópera, o Teatro Real e alguns hotéis de luxo.
Ainda tentamos subir um famoso elevador que liga a parte baixa da parte alta da cidade, mas ele estava em reforma. A tal parte alta não tem atrativos, apenas uma agitada rua comercial, cheia de bares. Como fomos no final da tarde, estes bares já estavam com um bom público, majoritariamente jovens, bebendo cerveja. Ficamos em um bar/restaurante bem transado de comida japonesa.
Gostei muito de Estocolmo. Provavelmente retornarei um dia.
Deixamos a capital sueca na manhã de sábado, 24 de maio, quando pegamos um voo da SAS rumo à Oslo, capital da Noruega, prosseguindo nossas férias na Escandinávia.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

ALGUMAS HORAS EM TALLINN, ESTÔNIA


Quando planejamos nossa viagem para a Escandinávia, Cláudia propôs irmos também à Tallinn, capital da Estônia, pois era muito perto de Helsinque, sendo possível um bate e volta no mesmo dia. Concordamos com a proposta. Compramos o bilhete de navio pela internet pela Viking Line, empresa que faz pequenos cruzeiros pelo Mar Báltico. A viagem dura cerca de duas horas e meia, motivo pelo qual não quisemos o bilhete com direito a quarto. Como a hora de saída do porto da capital finlandesa era às 11:30 h, optamos por almoçar no próprio navio. Assim, não precisávamos procurar restaurante em Tallinn, sobrando mais tempo para conhecer a cidade. No ato da compra da passagem, é necessário escolher o horário do almoço. Escolhemos almoçar às 12:30 horas.
Chegamos ao porto de Helsinque uma hora antes do embarque. Fomos direto para a bilheteria, onde tivemos que trocar o nosso voucher pelos bilhetes. Embora com muita gente, o atendimento foi bem rápido, pois havia muitos guichês para atender a todos. Assim que liberaram o embarque, ao entrar no navio, pegamos o elevador e fomos direto para o último andar, escolhendo um lugar à sombra para ficar. A maioria das pessoas escolhia ficar no sol. Realmente o pessoal daquelas bandas adora aproveitar ao máximo o pouco de sol que tem por ano.
Não ficamos muito por lá, pois a sombra também era o lugar dos fumantes. Resolvemos conhecer as áreas comuns do navio, passando por lanchonetes, bares e cassino, parando na sua loja duty free, onde olhamos os produtos à venda, pesquisamos preços para eventuais compras. Obviamente que não compramos nada na ida, pois seria muito incômodo carregar compras durante nossa caminhada em Tallinn.
No horário marcado, fomos para o restaurante. Na recepção, apresentamos nosso bilhete. Uma garçonete nos conduziu até a mesa que estava reservada para nós quatro: eu, Vera, Dora e Cláudia. A mesa comportava oito pessoas, motivo pelo qual a compartilhamos com outras turistas.
O restaurante era bem grande, com quatro horários distintos de servir o almoço. Acomoda todo mundo. Parece que todos os passageiros tiveram a mesma ideia que a nossa, pois o fluxo de gente era muito grande para almoçar.
O sistema do restaurante é o self service, com ilhas espalhadas em locais estratégicos, embora a comida quente, especialmente as carnes, estavam ao fundo. Atrás de nossa mesa estava uma ilha somente com pratos frios. Havia uma quantidade enorme de caviar, além do onipresente gravlax (aquela fatia fina de salmão cru marinado em uma mistura de endro, açúcar e sal grosso, muito comum na Escandinávia). Cláudia e Vera, fanáticas por estas iguarias, adoraram. O caviar era apresentado em diversas cores e tamanhos, todos frescos.
Fiquei observando o prato das pessoas que passavam. Os jovens se serviam das mesmas coisas: batata frita, croquetes de carne, tudo regado a ketchup em quantidades absurdas. Eles ignoravam totalmente as verduras, legumes, pães e queijos que estavam disponíveis em profusão.
Assim que terminamos de almoçar, cujo prazo é de uma hora para cada turma, faltava meia hora para atracarmos na capital da Estônia.
Sem malas, o desembarque é muito rápido. Passar na imigração foi mais rápido ainda. Já do lado de fora do porto, consultamos o mapa da cidade no celular e vimos que a cidade antiga, que é a parte mais turística do local, não ficava longe. Resolvemos ir a pé. Arrependemos no meio do caminho, pois o calor que fazia naquela segunda-feira, 19 de maio de 2014, não era normal para a época do ano. Faziam 32º C. Mas como já estávamos no caminho, assim como a maioria das pessoas que desceu do navio, continuamos nossa caminhada. Entramos pela parte sul da área murada.
A parte antiga de Tallinn é toda envolvida por uma muralha. O seu interior apresenta uma das mais preservadas áreas medievais do norte da Europa. Por causa desta bela arquitetura e de sua preservação, o centro histórico de Tallinn foi considerado pela Unesco, em 1997, como Patrimônio Mundial da Humanidade.
O amarelo é o tom dominante nas paredes das casas e edificações. Caminhamos sem rumo definido pelas ruas do centro, apreciando as construções, entrando onde era possível entrar, como em igrejas e galerias de arte. Por falar em galerias, a capital da Estônia tem uma expressiva quantidade de museus e galerias de arte. Quando entramos em um beco, chamado Borsi Kaik, demos de cara com uma exposição de esculturas modernas. Uma placa indicava o nome do local: Suurgildi Hoone Sisehoov (Sisehoov Courtyard). Pausa para fotos.
Ao sair do beco, seguindo a torre branca vista de vários pontos da cidade, chegamos na Igreja Oleviste. Pagamos um euro, moeda adotada pela Estônia, para conhecer o interior do templo. Nada de excepcional.
Chegamos à parte principal da parte baixa da Cidade Velha (Old Town), a Praça do Mercado (Raekoja Plats). Nesta praça há uma variedade de restaurantes com garçons vestidos com roupas antigas, preservando o clima medieval do local. Além destes restaurantes, a maioria com comida típica do país, oferecendo, inclusive, carne de urso em seus cardápios, a praça também abriga a prefeitura e uma antiga farmácia, em funcionamento desde 1422. O museu da farmácia estava fechado. Da praça, tem-se acesso à parte alta da cidade, chamada de Toompea. Antes de subir, resolvemos parar em algum lugar para refrescar do calor. Queríamos sorvete, mas não encontramos uma sorveteria nas imediações. Paramos, então, em um café que servia sorvete. Foi também o momento de hidratar e ir ao banheiro.
Saindo do café, decidimos nos perder pelas ruelas, chegando ao portão principal de acesso à parte murada da cidade. Demos meia volta, entramos em outra ruela, seguindo novamente sem rumo. Paramos em uma das muitas lojas de artesanato onde comprei uma matryoshka, aquelas bonequinhas russas que guardam outras bonequinhas menores dentro delas. Elas são artigos típicos da Rússia e como a Estônia fez parte da ex-União Soviética, esta bonequinha também faz parte do rico artesanato estoniano. Pedi à vendedora a boneca mais típica da Estônia, aquela que trazia as cores mais utilizadas no país. Comprei uma vermelha.
Nossa caminhada chegou novamente na Praça do Mercado. Resolvemos subir a encosta para conhecer a catedral ortodoxa russa Alexander Nevsky, cuja cúpula arredondada se destaca no horizonte. Seguimos o mapa, entrando em uma rua para a esquerda e não conseguimos descobrir o acesso para Toompea. Quando vimos, já estávamos novamente próximos da Praça do Mercado. Olhamos o relógio. Já era perto de 17 horas. Era hora de voltarmos para o porto. Desta vez, pegamos um táxi, quando vimos uma pequena parte dos edifícios modernos que ficam do lado de fora da parte murada de Tallinn.
No porto, quis comer algo, mas a fila era grande na única lanchonete aberta e o atendimento era muito lento. Havia apenas uma mulher para receber o pedido, prepará-lo, cobrar, receber o dinheiro, entregar o pedido e o troco. Desisti, resolvendo comer alguma coisa no bar do navio. Novamente o embarque foi no horário e sem tumultos. Procuramos uma mesa vazia no andar da lanchonete e lá nos instalamos. O navio saiu no horário, 18 horas, rumo a Helsinque.
Para passar o tempo, resolvemos comprar no duty free. Fizemos duas turmas para não perdermos a mesa. Na primeira, Vera e Cláudia foram às compras. Quando elas retornaram, foi minha vez, que fui acompanhado de Dora.
Para pagar com cartão de crédito, é exigida a apresentação do passaporte. Fiquei impressionado com o tanto de gente na loja. Todos comprando bebidas alcoólicas. Achei o que queria e ainda comprei uma caixa de um delicioso chocolate finlandês que tínhamos provado em Helsinque. O navio atracou às 20:30 horas na capital finlandesa. O desembarque não é por partes, como nos cruzeiros. Assim, todo mundo deixa o navio no mesmo instante. Ninguém de mãos vazias. Era incrível a quantidade de bebidas que as pessoas desembarcavam consigo. Depois ficamos sabendo que a venda de bebidas alcoólicas na Finlândia é controlada, com incidência de altos impostos. Muitos finlandeses fazem esta viagem para Tallinn com o objetivo de comprar as bebidas, especialmente vodca e cerveja, no duty free do navio. Há uma cota, que todo mundo preenche.
Do porto, seguimos a pé para jantar. Tínhamos uma reserva em um restaurante próximo ao porto.