Lars von Trier tinha dito logo após o lançamento de Anticristo, quando ainda comentava sobres seus filmes, que um de seus próximos lançamentos seria um filme pornográfico. O lançamento seguinte foi Melancolia, um filme profundo e triste que tratava dos últimos dias da Terra, sem nenhuma cena que pudesse ser considerada pornográfica. Muitos acharam que era uma bravata do diretor dinamarquês. Mas eis que chega seu mais novo filme, Ninfomaníaca (Nymphomaniac), produção de 2013, recheado de cenas típicas de um filme pornô. Vi o filme duas vezes, em dois cinemas diferentes em Brasília, em um espaço de uma semana entre um e outro. A primeira vez foi no Espaço Itaú no shopping CasaPark, enquanto a segunda vez foi no Cine Liberty. Como foi diferente a reação do público. No Itaú, vi muita gente levantando para ir embora, ouvi comentários negativos e muita gente se movendo de forma incomodada em suas poltronas. Já no Liberty, o público ficou até o fim, prestando muita atenção aos quase 120 minutos de projeção. Lars von Trier fez um filme de cinco horas e meia, deixando a cargo dos produtores a tarefa de fazer a edição. Para que o filme fosse viável economicamente e até mesmo por estratégia de lançamento e marketing, eles dividiram o filme em duas partes, com cerca de duas horas cada uma. Neste primeiro filme, conhecemos Joe, interpretada por Charlotte Gaisnbourg e Stacy Martin, esta última a grande surpresa do filme, por ser seu primeiro filme e protagonizar cenas ousadas de sexo explícito. Joe narra para Seligman (Stellan Skarsgård) sua vida e seu vício em sexo, desde a mais tenra idade. O que mais chama a atenção é a falta de qualquer tipo de emoção quando ela põe em prática seu vício. Algumas partes de sua história nos parecem inverossímeis, mas isto o próprio Seligman trata de pontuar com Joe, especialmente seus encontros com Jerôme (Shia LaBeouf). As comparações ao longo da história são muito interessantes, especialmente a última delas quando as imagens comparam três cenas de sexo com um movimento de toca piano. A parte que mais gostei do filme é a que não tem nenhuma cena de sexo. É quando aparece a Sra H, interpretada magnificamente por Uma Thurman. A cena é surreal, cheia de ironias e divertida. Ao final, a constatação de que quando o amor aparece na sua vida, o prazer não veio junto. Muitas perguntas ficam sem respostas nesta primeira parte, o que nos faz querer que o Ninfomaníaca 2 estreie logo nos cinemas. Gostei, mas não morri de amores. Acho que faltou emoção!
Um pouco de tudo do que curto: cinema, tv, teatro, artes plásticas, enogastronomia, música, literatura, turismo.
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sábado, 1 de fevereiro de 2014
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
MELANCOLIA
Li uma entrevista de Kirsten Dunst na qual ela diz que interpretar Justine no filme Melancolia (Melancholia), de Lars von Trier, foi seu melhor papel no cinema até então. Realmente ela está fantástica como uma melancólica publicitária que não consegue ficar feliz nem mesmo na super festa de casamento que sua irmã Claire (Charlotte Gainsbourg), e seu cunhado John (Kiefer Sutherland) lhe oferecem em um castelo situado em local paradisíaco. Não é a toa que ela ganhou o prêmio de melhor atriz no último Festival de Cannes. A produção de 2011 envolve quatro países: Dinamarca, Suécia, França e Alemanha. Apesar de quatro países de línguas distintas, a língua falada no filme é o inglês, sinal de que a película tem pretensões de carreira internacional. O filme concorreu em Cannes, quando seu diretor foi considerado pernona non grata no festival, após uma infeliz declaração pró nazismo. Polêmicas à parte, fui conferir o filme com uma amiga no Cine Belas Artes, em Belo Horizonte, pagando R$ 15,00 pelo ingresso. A sala 1 não estava lotada. A maioria dos presentes eram pessoas maduras, sinal de que o diretor não chama a atenção da juventude. O filme é lento, fato que ajuda a afastar público, especialmente os que estão acostumados com o ritmo frenético dos filmes produzidos por Hollywood. Melancolia, o título da fita, é um planeta que se aproxima da Terra e cujos prognósticos dos cientistas são desanimadores. O prólogo já mostra o que veremos em 136 minutos de projeção. Dividido em duas partes, uma foca a personagem Justine (Kirsten Dunst) e a outra foca a personagem Claire (Charlotte Gainsbourg). A aproximação do planeta mexe com o meio ambiente, com os animais e com as pessoas. A melancolia toma conta do filme, inclusive na trilha sonora, o que facilita alguns roncos na sala de projeção, fato que presenciei quando assisti à película. Nem sempre gosto dos filmes de Trier, especialmente quando ele se utiliza da câmara na mão, quando as imagens ficam balançando, marca registrada do movimento Dogma e presente em poucos momentos no filme. A fotografia é um primor, assim como a cenografia. A atuação do elenco é muito boa, mostrando que Lars von Trier é um bom diretor de atores. Charlotte Gainsbourg (Claire) está bem diferente de sua atuação no último filme do diretor dinamarquês, o polêmico Anticristo, de 2009. Charlotte Rampling, em papel pequeno, mas marcante, interpreta Gaby, a mãe de Justine e Claire, uma ateia que não acredita em casamentos, já separada de Dexter, um bonachão e brincalhão, interpretado por um envelhecido John Hurt. Na medida em que o planeta Melancolia se aproxima da Terra, as reações de Justine e Claire ficam totalmente distintas. A primeira fica enlouquecida com a possibilidade de morrer, enquanto a segunda vê na morte a possibilidade de sua libertação da melancolia da sua vida. Há uma infinidade de referências no filme, como a falência da instituição casamento, a destruição do meio ambiente, a futilidade do consumismo, entre outras. Não esperava gostar, mas saí satisfeito do filme.
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