Li uma entrevista de Kirsten Dunst na qual ela diz que interpretar Justine no filme Melancolia (Melancholia), de Lars von Trier, foi seu melhor papel no cinema até então. Realmente ela está fantástica como uma melancólica publicitária que não consegue ficar feliz nem mesmo na super festa de casamento que sua irmã Claire (Charlotte Gainsbourg), e seu cunhado John (Kiefer Sutherland) lhe oferecem em um castelo situado em local paradisíaco. Não é a toa que ela ganhou o prêmio de melhor atriz no último Festival de Cannes. A produção de 2011 envolve quatro países: Dinamarca, Suécia, França e Alemanha. Apesar de quatro países de línguas distintas, a língua falada no filme é o inglês, sinal de que a película tem pretensões de carreira internacional. O filme concorreu em Cannes, quando seu diretor foi considerado pernona non grata no festival, após uma infeliz declaração pró nazismo. Polêmicas à parte, fui conferir o filme com uma amiga no Cine Belas Artes, em Belo Horizonte, pagando R$ 15,00 pelo ingresso. A sala 1 não estava lotada. A maioria dos presentes eram pessoas maduras, sinal de que o diretor não chama a atenção da juventude. O filme é lento, fato que ajuda a afastar público, especialmente os que estão acostumados com o ritmo frenético dos filmes produzidos por Hollywood. Melancolia, o título da fita, é um planeta que se aproxima da Terra e cujos prognósticos dos cientistas são desanimadores. O prólogo já mostra o que veremos em 136 minutos de projeção. Dividido em duas partes, uma foca a personagem Justine (Kirsten Dunst) e a outra foca a personagem Claire (Charlotte Gainsbourg). A aproximação do planeta mexe com o meio ambiente, com os animais e com as pessoas. A melancolia toma conta do filme, inclusive na trilha sonora, o que facilita alguns roncos na sala de projeção, fato que presenciei quando assisti à película. Nem sempre gosto dos filmes de Trier, especialmente quando ele se utiliza da câmara na mão, quando as imagens ficam balançando, marca registrada do movimento Dogma e presente em poucos momentos no filme. A fotografia é um primor, assim como a cenografia. A atuação do elenco é muito boa, mostrando que Lars von Trier é um bom diretor de atores. Charlotte Gainsbourg (Claire) está bem diferente de sua atuação no último filme do diretor dinamarquês, o polêmico Anticristo, de 2009. Charlotte Rampling, em papel pequeno, mas marcante, interpreta Gaby, a mãe de Justine e Claire, uma ateia que não acredita em casamentos, já separada de Dexter, um bonachão e brincalhão, interpretado por um envelhecido John Hurt. Na medida em que o planeta Melancolia se aproxima da Terra, as reações de Justine e Claire ficam totalmente distintas. A primeira fica enlouquecida com a possibilidade de morrer, enquanto a segunda vê na morte a possibilidade de sua libertação da melancolia da sua vida. Há uma infinidade de referências no filme, como a falência da instituição casamento, a destruição do meio ambiente, a futilidade do consumismo, entre outras. Não esperava gostar, mas saí satisfeito do filme.
Um pouco de tudo do que curto: cinema, tv, teatro, artes plásticas, enogastronomia, música, literatura, turismo.
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quarta-feira, 10 de agosto de 2011
MELANCOLIA
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terça-feira, 4 de janeiro de 2011
FILMOTECA ESSENCIAL - INTERNACIONAL (10)
Ficção científica de primeira. Alien, O Oitavo Passageiro (Alien), produção americana de 1979 e dirigida por Ridley Scott. Estrelada por Sigourney Weaver (Tenente Ripley), Ian Holm (Ash), John Hurt (Kane), Yaphet Kotto (Parker), Verônica Cartwright (Lambert), Harry Dean Stanton (Brett), Tom Skerritt (Dallas). Uma nave de serviço em retorno à Terra é desviada de sua rota para verificar sinais que vinham de um planeta. Neste planeta encontram uma espécie de ovo e Kane, um dos tripulantes, é atacado. Retornam à nave com Kane sufocado por um alienígena. De repente, este alien some e Kane volta ao convívio com os demais tripulantes. À mesa, enquanto comem, ele passa mal, entrando em um ataque epilético, se contorcendo sobre a mesa até sua barriga explodir e dela nascer um pequeno alien que se agigantará ao longo do filme. A partir daí, um a um dos tripulantes vai morrendo, só sobrando a Tenente Ripley e um gato. Mesmo decorrido mais de trinta anos de seu lançamento, o filme não se perdeu com o tempo, não ficou datado, apesar dos instrumentos utilizados na nave hoje pareçam brinquedos de criança. A caneca em que Ripley bebe alguma coisa é da Tupperware e fazia parte de seu catálogo na década de oitenta. Filme obrigatório em qualquer coleção internacional.
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
FILMOTECA ESSENCIAL - INTERNACIONAL (09)
Revi, em dvd, o grande filme O Expresso da Meia-Noite (Midnight Express), produção americana de 1978, dirigida por Alan Parker. No elenco o saudoso Brad Davis e o sempre camaleônico John Hurt. Brad Davis é William Hayes, jovem que é preso no aeroporto de Istambul, Turquia, quando tentava levar alguns pacotes de haxixe pregados em seu corpo. É condenado à prisão, inicialmente por posse e depois por tráfico de drogas. A prisão é um verdadeiro inferno na terra, onde a crueldade e o desrespeito aos direitos humanos são rotineiros. Durante sua estada na prisão, ele conhece alguns estrangeiros, entre eles Max, vivido por Hurt, um eterno drogado. É neste convívio que o jovem Hayes vai se transformar, se revoltando com as atrocidades do dirigente da cadeia, bem como com a prática de denunciar as pessoas que um dos presos faz questão de perpetuar, ganhando regalias dos guardas. O ápice desta revolta se dá quando ele deixa o tal preso dedo duro literalmente sem fala. Há um pulo abrupto na história, com a passagem de sete meses no tempo, quando encontramos Hayes numa ala de doentes mentais. Já estamos perto do fim do filme. Se o filme não fosse baseado em um fato real, diria que o final da fita é quase inverossímel. Nos extras do dvd há um documentário curto no qual aparece o verdadeiro William Hayes dando um depoimento sobre os anos vividos na prisão turca. Gosto muito deste filme. Alan Parker mostra que é firme na direção, mas ao mesmo tempo busca inspiração em outros filmes de sucesso, como é o caso do banho que um dos prisioneiros estrangeiros dá em Hayes, cena visivelmente inspirada em Spartacus. Grande filme que deve figurar em qualquer coleção essencial da filmoteca internacional.
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