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sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

DE PERNAS PRO AR

Com a sequência nos cinemas tendo um bom público, resolvi assistir em casa o filme brasileiro que bombou nos cinemas em 2011: De Pernas Pro Ar. Tinha comprado o BD desde que ele foi lançado, mas ficou na estante. Agora, com a curiosidade de ver a segunda parte no cinema, era hora de conferir a primeira parte. Dirigido por Roberto Santucci, teve estreia nos cinemas brasileiros em 31 de dezembro de 2010. Encabeça o elenco a atriz Ingrid Guimarães, que interpreta a mulher de negócios Alice Segretto. Bruno Garcia é João Segretto, o marido de Alice. O filme começa mostrando a vida agitada de Alice, que é dedicada ao extremo ao trabalho, deixando de lado o marido, o filho e sua mãe, a quem  chama de Marion (Denise Weinberg). Diariamente ela se encontra no elevador com Marcela, interpretada por Maria Paula, uma vizinha gostosona. As atitudes de Marcela incomodam Alice. Numa reviravolta em sua vida, Alice perde o emprego em uma fábrica de brinquedos, vê seu marido ir embora e ainda tem que ficar ouvindo conselhos de sua mãe. Por ironia do destino, quem a ajuda é Marcela, dona de uma sex shop decadente. Alice vira sócia de Marcela e os negócios da sex shop explodem de tanto sucesso. O que acontece a partir desta guinada é recheado de ótimas cenas de comédia, com situações inusitadas vividas pela protagonista. Já li muito a respeito do cinema nacional e quando um filme como este chega às telas, muita gente faz inúmeras críticas negativas, afirmando que é o padrão Globo de televisão, que é comédia rasteira, sem nenhuma necessidade de pensar, que não temos condições de fazer filmes para concorrer ao Oscar, etc, etc, etc. Gosto do cinema brasileiro e fico irritado com tais afirmações. Em qualquer país do mundo, a indústria do cinema tem que ter filmes para fazer bilheteria, para render aos produtores uma soma suficiente para que sejam produzidos também filmes considerados mais difíceis de atingir uma grande parcela da população. Estas pessoas que fazem tais críticas talvez não conheçam todos os filmes que chegam aos cinemas na França, na Itália, nos Estados Unidos, no México ou na Índia. As pessoas não precisam de gostar destes filmes mais leves, mas desprezar o sucesso que eles fazem junto à população é ser muito preconceituoso. Será que gostariam de todos os filmes franceses ou italianos, ou do leste europeu, ou os iranianos? Em todos estes e mais em tantos outros países não listados, na maioria das vezes, o sucesso de bilheteria é para filmes mais acessíveis, mais leves, mais populares e assim a máquina cinematográfica pode funcionar, pode se movimentar. De Pernas Pro Ar é destes filmes leves, divertidos, com boa interpretação, especialmente do elenco feminino - Ingrid Guimarães, Maria Paula, Denise Weinberg, Cristina Pereira e Flávia Alessandra - e cenas hilárias, como o primeiro orgasmo de Alice, quando há uma comparação com uma descida de roda gigante. Alguns problemas de edição, como microfones que aparecem nas cenas iniciais, não atrapalham o todo. Ri muito e fiquei mais curioso para ver a sequência que acabou de estrear nos cinemas brasileiros.

filme
BD

terça-feira, 5 de junho de 2012

ISSO É O QUE ELA PENSA


Desde o último 17 de maio está em cartaz no Teatro I do CCBB de Brasília a peça Isso É O Que Ela Pensa. Comprei o ingresso por R$ 3,00, valor da meia entrada por ser correntista do Banco do Brasil. Sessão de 21 horas de uma quinta-feira. O teatro estava bem vazio. O texto é do britânico Alan Ayckbourn, o dramaturgo vivo mais encenado atualmente nos palcos ao redor do mundo, segundo informações do folder da peça. A direção coube a Alexandre Tenório, enquanto o elenco é composto pelos atores Denise Weinberg (Susan), Mário Borges (Bill), Clarissa Rockenbach (Lucy), Francisco Brêtas (Andy), José Roberto Jardim (Tony), Mário César Camargo (Gerald), Clara Carvalho (Muriel) e Eduardo Muniz (Rick). São quase duas horas de espetáculo, com toda a história se passando no jardim de uma casa. Susan cuida deste jardim e sofre um acidente, quando o ancinho bate em sua cabeça. Ela começa a ter alucinações. No início, ela acreditava ser real a alucinação, mas aos poucos vai conseguindo distinguir entre o imaginário e a realidade em que vive. Bill é o médico que a socorre e tenta convencê-la em ir ao hospital, pois uma batida na cabeça pode trazer consequências futuras. Susan prefere ficar em casa, achando que foi uma simples batida, mas em contraponto à vida que levava com Gerald, seu marido, e Muriel, sua cunhada, dá asas à sua imaginação criando uma família perfeita, onde Andy é seu marido afetuoso, sempre cheio de amor e elogios para com ela, ao contrário de Gerald, o marido real, que dedica todo o seu tempo a escrever um livro sobre a paróquia que frequenta. Na vida real, Rick é seu filho ausente, que volta para casa apenas para vender suas coisas, pois está de mudança para bem longe, e, em sua cabeça, Lucy é a filha perfeita, preparada para ajudar a mãe em tudo. Por fim, Susan substitui Muriel, sua cunhada ranzinza por Tony, o irmão que ela queria ter tido. Assim, entre imaginação e realidade, Susan passa sua vida a limpo, criando uma história onde era livre, realizada como escritora (na real, o marido é quem tem a pretensão de o ser), em meio a uma família feliz e perfeita. Mas aos poucos ela percebe que aquela felicidade, aquele mundo sem defeitos, também era sufocante, pior até do que a realidade. Bill, o médico, é um personagem interessante, que transita bem entre as duas histórias de Susan e lhe faz uma surpreendente revelação, fator primordial para ela querer se livrar dos personagens que criou em sua cabeça. Ao final, ficção e realidade se unem em uma bela cena, onde a linha entre a verdade e a mentira se torna bem tênue. Denise Weinberg, Mário César Camargo, Mário Borges e Clara Carvalho, justamente os atores mais velhos, são os destaques em interpretação. Os demais integrantes do elenco cumprem bem o papel de coadjuvantes, servindo de apoio para a performance de Weinberg. Gostei muito. Pena que o teatro não estava cheio, mesmo com um preço tão acessível. Para quem se interessar, a peça fica em cartaz até o dia 10 de junho.



teatro

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

QUANTO TEMPO DA VIDA EU LEVO PRA SER FELIZ


Depois de um breve hiato, voltei ao circuito cultural da cidade, assistindo a primeira peça neste ano. Em cartaz no Teatro I do CCBB, com ingresso a R$ 7,50 (meia entrada), Quanto Tempo da Vida Eu Levo Pra Ser Feliz. Lendo o título, fiquei curioso. Um amigo me chamou para ir na estreia, na noite de quinta-feira, só para convidados, mas apressado como sou, já tinha comprado ingresso para o primeiro dia do espetáculo com vendas ao público. Texto e direção são de Sílvio Guindane. No elenco, os veteranos Camilla Amado, Denise Weinberg e Luiz Carlos de Moraes, além dos jovens Isabel Guéron e Fernando Dolabella. O teatro estava quase completamente cheio. Como já de costume, as cortinas se abriram com quinze minutos de atraso. Cenário todo em madeira, servindo para duas casas diferentes. Duas famílias de classe média dão o tom do enredo, com relações entre os personagens dignas de roteiro de televisão. O texto não acha um rumo certo, resvalando na comédia, a cargo da personagem escritora-bêbeda-dona de casa abandonada pelo marido para ficar com a sua melhor amiga, e pelo drama, onde as neuroses do mundo atual estão presentes, como assaltos, drogas, discurso universitário revolucionário, o comércio da religião, troca de casais, bebida, trânsito que mutila. A peça não tem ritmo. Embora com 75 minutos de duração, parece uma eternidade. A diferença interpretativa também é grande, destacando-se as atrizes. Fernando Dolabella não convence como o cadeirante, especialmente quando atende um telefonema do pai que não vê desde pequeno. A diversão fica por conta das inúmeras cartas que Gabriela, a personagem de Camilla Amado, escreve para um cantor para o qual escreve uma biografia por longos dois anos e não entende o porque ele não quer falar de seu passado. O mesmo amigo que me chamara para a estreia me ligou para dizer sua impressão da peça e uma frase dele ficou na minha cabeça: é uma história de novela das 21 horas. Vou mais além, parece demais com os enredos de Manoel Carlos, só faltando uma Helena entre as personagens. Como nunca gostei das histórias deste escritor de novelas, e com uma semelhança tão grande no seu enredo, também não gostei da peça. No fim, com tanta desgraça na vida das personagens, a única resposta para o título da peça é: UMA ETERNIDADE. Na balança, achei mais pontos negativos do que positivos. Não gostei.


segunda-feira, 26 de outubro de 2009

SALVE GERAL



Com as dores devidamente controladas pelos medicamentos, acordei melhor disposto nesta segunda-feira, último dia de folga antes da volta ao trabalho. Consulta marcada com oftalmologista, grau aumentado para hipermetropia. Amoço com meus pais e saio para conferir o filme Salve Geral, de Sérgio Rezende, produção brasileira indicada como representante do Brasil na corrida pelas cinco indicações de melhor filme estrangeiro no Oscar 2010. Gostei do filme. Roteiro bem feito, com excelentes interpretações do elenco de apoio, quase todos figuras do teatro paulistano. Eucir de Souza, um dos artistas preferidos de Pek (blog Insensatez), está ótimo, fazendo um dos "capos" dos bandidos. Já li várias críticas sobre o filme, algumas falando bem e outras criticando ser mais um a explorar a violência urbana brasileira. O filme é bem feito, com ótimas cenas de ação, com um roteiro adequado para uma ficção que tem fortes elementos da realidade, pois trata de um episódio recente da violência ambientada em São Paulo, quando uma facção criminosa paralisou a maior cidade brasileira no Dias das Mães em 2006. Andrea Beltrão é o nome mais conhecido do elenco. Ela interpreta uma mãe de classe média que faz de tudo para tirar seu filho da prisão, inclusive flertando, em ambos os sentidos, com o crime organizado. Achei interessante ver Andrea Beltrão em papel dramático, pois tenho ela associada a comédias televisivas. Sei que ela fez um filme recente, Verônica, também em papel dramático, mas este eu não assisti. O ator Lee Thalor é ótimo. Já o tinha visto em uma peça, Quaderna, no Cena Contemporânea, festival de teatro de Brasília, na qual ele fazia o papel principal e arrasava. Futuro promissor no cinema. Juliano Cazarré é outro ator que considero com grandes possibilidades de estourar no cinema nacional. Em Salve Geral, faz um papel pequeno, mas marcante, especialmente na composição visual da personagem. E Denise Weinberg dá um show como a "advogada" dos criminosos. Creio que o filme seja um bom concorrente a uma das cinco vagas para estar na festa de entrega do maior prêmio do cinema americano em 2010 e na onda de ventos a favor para o Brasil, quem sabe vem aí nosso primeiro Oscar?