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segunda-feira, 7 de março de 2022

AUDIBLE

Audible
, 2021, 39 minutos.

Concorrente ao Oscar 2022 na categoria de documentário em curta metragem, tem direção de Matthew Ogens.

O filme acompanha Amaree, adolescente que joga em um time de futebol americano. O diferencial é que ele é surdo, assim como o técnico e todos os integrantes do time. A equipe disputa o campeonato nacional, jogando e ganhando de equipes com jogadores ouvintes. Uma derrota, após mais de 40 vitórias seguidas, fez todo o time se unir mais ainda em prol do objetivo comum, que era superar mais aquele obstáculo e ganhar o campeonato. 

O diretor Ogens intercala momentos da equipe com entrevistas com alguns jogadores, entre eles Amaree, com os pais adotivos de um jogador que se suicidou aos 15 anos devido ao bullying que sofria na escola de ouvintes, e com integrantes dos animadores de torcida, entre eles um adolescente gay, amigo de Amaree, que teve como seu primeiro amor justamente o garoto que se matou.

Embora seja um documentário, nos momentos em que os jogadores estão no vestiário ou em campo, as cenas me pareceram ensaiadas, roteirizadas, nada espontâneo. Era como se o diretor tivesse dirigindo uma ficção.

Essa falta de espontaneidade nas cenas dos times é um ponto que deixa o documentário sem sal, ele não decola, ficando na mesmice até sua conclusão.

O depoimento do técnico, ao final, é bem interessante, pois ele diz que juntos, os garotos superaram os desafios e obstáculos de uma pessoa surda no campo de futebol, mas tinha certeza que enfrentariam obstáculos e preconceitos maiores quando saíssem daquela bolha.

Disponível na Netflix.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

TRÊS CANÇÕES PARA BENAZIR (THREE SONGS FOR BENAZIR)

Três Canções para Benazir
(o título original é em afegão), 2021, 22 minutos.

Curta metragem afegão dirigido por Elizabeth Mirzaei e Gulistan Mirzaei, que concorre ao Oscar 2022 de melhor documentário em curta metragem.

Acompanha a história de Shaista, um jovem afegão, recém casado com Benazir, para quem canta algumas canções que relatam o dia a dia da mulher. Eles vivem em um acampamento precário de refugiados afegãos, em condições precárias. Shaista sonha em servir ao seu país se alistando no exército afegão, mas encontra dificuldades por ser semianalfabeto e ter que pedir que alguém da família preencha os formulários de alistamento, se responsabilizando por ele e por seus atos no exército. Ninguém da família concorda com o alistamento, pois têm medo de retaliações a todos da tribo por parte do Talibã. Ele é induzido por seu pai a ir trabalhar na colheita do ópio, onde ele acaba se viciando, pois come as sementes da papoula durante toda a colheita. O filme dá um salto de quatro anos. Shaista está em um casa de recuperação de viciados, onde recebe a visita de Benazir e seus dois filhos. Ali, ele canta mais uma canção para Benazir.

É um documentário triste, onde os sonhos de uma vida melhor para ele e sua família são frustrados por uma decisão de seus familiares. Apesar de todo o sufoco, de derrotas pessoais, o amor prevalece.

O documentário poderia explorar mais a história de Benazir, que serve apenas para dar nome ao filme.

Vi na Netflix.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

SUMMER OF SOUL (...OU QUANDO A REVOLUÇÃO NÃO PODE SER TELEVISIONADA) (SUMMER O SOUL (...OR, WHEN THE REVOLUTION COULD NOT BE TELEVISED)

Summer of Soul (...ou quando a revolução não pode ser televisionada) (Summer of Soul (...or, when the revolution could not be televised), 2021, 118 minutos.

Documentário dirigido por Questlove sobre o Summer of Soul, um festival de música preta, com tons fortemente políticos, que ocorreu no bairro do Harlem, em Nova York, em alguns finais de semana no verão de 1969, mesmo verão em que aconteceu o famoso Woodstock.

Ao contrário de Woodstock, Summer of Soul, produzido por pretos, com atrações da música preta e porto-riquenha, não teve nenhuma projeção posterior. Foi integralmente filmado, mas as filmagens ficaram esquecidas por 50 anos, até que Questlove resolveu fazer um documentário sobre ele.

O documentário, além de exibir apresentações de ícones da música preta para uma plateia de 50 mil pessoas, de forma gratuita, traz depoimentos de quem esteve no local, seja trabalhando, seja como atração musical, seja como frequentador. Pontua os depoimentos e as apresentações com a situação política dos Estados Unidos, com grandes fatos que ocorreram, especialmente que tiveram relação com a população preta, tais como o assassinato de Martin Luther King, a verve política do reverendo Jesse Jackson, a militância de Nina Simone, os Panteras Negras, a reeleição do prefeito de Nova York, um republicano que tinha simpatia da comunidade preta e da comunidade porto-riquenha, o homem pisando na Lua em contraste com a miséria que viviam os mais pobres no Harlem e no país, a questão das drogas e da violência no Harlem, e, especialmente, o racismo, que ainda insiste em existir em pleno 2022.

Dentre as atrações, números emocionantes de um jovem Steve Wonder, do grupo 5th Dimension, de B.B. King, de Sly, de Nina Simone, entre outros.

Forte candidato a ganhar o Oscar 2022 na categoria melhor documentário.

Vi, em 08/02/2022, no Telecine Play.

quarta-feira, 17 de novembro de 2021

TRANSVERSAIS


Transversais
, 2021, 84 minutos. Documentário dirigido por Émerson Maranhão.

Cinco pessoas: 2 trans homem, 2 trans mulher e 1 mãe militante pelos direitos de pessoas trans, cuja filha é trans mulher.

Samilla é funcionária pública, Érikah é professora de matemática, Caio José é enfermeiro do SAMU, Kaio Lemos é antropólogo e pesquisador acadêmico. Todos cearenses, todos trans.

Depoimentos sinceros, falando das dificuldades com família, sociedade, colegas de trabalho, mas todos com força e positividade para seguir em frente lutando por aceitação, por seus direitos como seres humanos iguais a qualquer pessoa, resistindo e dando, cada vez mais, voz a essa parcela da população, historicamente relegada aos guetos.

Comove, faz refletir, emociona.

O documentário integra o catálogo do 29º Festival Mix Brasil.

Vi on-line, em 13/11/2021, de forma gratuita, na plataforma Sesc Digital.

terça-feira, 16 de novembro de 2021

YELLOW IS FORBIDDEN


Yellow is Forbidden, 2018, 97 minutos. Documentário dirigido por Pietra Brettkelly sobre a estilista chinesa Guo Pei que ficou famosa no meio das celebridades quando Rihanna usou um deslumbrante e chamativo vestido amarelo no MET Gala 2015.

O documentário acompanha a trajetória de Guo Pei para entrar no seleto e fechado grupo da Alta Costura francesa. Ambiciosa e ciente de suas habilidades, muito autoconfiante, gasta milhões de euros em um desfile na Conciergerie dentro dos eventos da Semana da Moda de Paris, além de também gstar outros milhões na montagem de seu show room na capital francesa.

O título do documentário remete ao período imperial chinês onde os cidadãos comuns não podiam usar as cores dourado e amarelo, que eram exclusivas do imperador e seu séquito de nobres. Como seus vestidos têm preços caríssimos, alguns milhares de euros um único exemplar, justamente o vestido usado por Rihanna (que foi emprestado pela estilista, pois ela não o vende) remete a essa aura de produto exclusivo, de alto luxo acessível para poucas milionárias.

É interessante ver a trajetória da estilista, mesmo discordando de seus objetivos e ideologia muito capitalista.

Foi o filme de abertura do Feed Dog, festival de documentários de moda.

Vi, em 09/11/2021, de forma gratuita, na plataforma In-Edit TV.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

WADD - A VIDA E ÉPOCA DE JOHN C. HOLMES

Arrumando a estante de casa, acabei por deparar com um DVD que havia comprado, mas que ainda não tinha visto. Parei o que estava fazendo, fiz um café, preparei a televisão e coloquei para rodar o documentário Wadd - A Vida e Época de John C. Holmes (Wadd - The Life and Times of John C. Holmes), produção americana de 1999, dirigida pela dupla Wesley Emerson & Alan Smithee. Tem cerca de 105 minutos de duração. Com muitos depoimentos, a vida do famoso astro do cinema pornô mundial é contada, desde sua infância atribulada, com a perda do pai, as surras que levava do padastro, seu casamento com uma enfermeira, que dá um ótimo depoimento durante o filme, e sua entrada no mundo dos filmes pornográficos, onde o tamanho de seu pênis lhe garantiu fama e dinheiro, mas também lhe abriu as portas para o mundo das drogas e da bandidagem, levando-o, inclusive, aos tribunais, acusado de assassinato, quando foi absolvido por falta de provas contundentes contra ele. Em meio aos depoimentos, aparecem trechos de algumas entrevistas que ele concedeu quando famoso, quando dava informações sobre sua vida que não eram verdadeiras, como falaram os vários entrevistados para o documentário. Ele chegou a dizer que não era casado, enquanto ficou anos com a enfermeira. Ele morreu aos 43 anos vítima de AIDS. Quando descobriram que ele tinha a doença, parou de filmar nos Estados Unidos, mas aceitou a oferta de rodar alguns filmes na Itália, fazendo par com a famosa atriz Cicciolina, que teve relações sexuais com ele sem saber da doença. Ela também dá seu depoimento no filme. Alguns mitos sobre Holmes são desfeitos no documentário, como a máxima de que ele havia transado com mais de 14 mil mulheres ou que fazia programas fora das filmagens, com homens e mulheres. Já na fase decadente, após ser absolvido na justiça, e antes de contrair a doença, ele chegou a fazer um filme gay, mas ficou em apenas um, pois não conseguia ficar excitado com outros homens, conforme disse seu empresário. Dentre os que falam para as câmaras de Emerson & Smithee estão atrizes que contracenaram com ele (com depoimentos diversos sobre sua forma de tratar as pessoas, desde as que dizem que ele era um doce de pessoa, até uma que afirma que ele era bastante rude), diretores, atores do cinema pornô, fotógrafo, maquiador, produtores da indústria do sexo explícito, suas duas ex-mulheres, sua amante, sua afilhada. Paul Thomas Anderson, diretor de Magnólia e de Boogie Nights (que retrata um episódio da vida de Holmes), e Larry Flynt, dono de um império na indústria do sexo, também dão importantes depoimentos sobre este astro do cinema pornô. Pra quem pensar que o pênis dele aparece a todo instante no filme, são apenas dois rápidos takes extraídos de seus filmes. Gostei de conhecer a história dele.

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