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sábado, 26 de março de 2022

A SABIÁ SABIAZINHA (ROBIN ROBIN)

A Sabiá Sabiazinha (Robin Robin), 2021, 32 minutos.

Animação em curta metragem dirigida por Daniel Ojari e Michael Please que concorre ao Oscar 2022.

É daqueles desenhos animados com personagens fofinhos, com textura diferente nos traços dos desenhos, com mensagem sobre a importância de reconhecer a diversidade e promover a inclusão. Mas fica nisto.

O roteiro é batido, já explorado centenas de vezes em filmes e animações. Uma sabiá, ao sair do ovo, é acolhida por uma família de ratos, onde a presença materna não existe. Ela cresce acreditando ser uma ratinha. Ao sentir que atrapalhou os ratos na busca por comida, ela vai sozinha tentar mostrar que pode ser uma boa rata, encontrando obstáculos pelo caminho, como uma malvada gata, e faz amizade com um pássaro que não pode voar por ter a asa quebrada. Os humanos aparecem apenas como sombras.

Apesar da mensagem atual de saber conviver com os diferentes, há mensagens não muito positivas no curta.

A figura feminina é sempre vista pelo lado negativo: a sabiá é atrapalhada, faz tudo errado; a gata encarna a maldade, tem cara de poucos amigos, quer comer os ratos e os pássaros, e a sombra humana que identifica a bagunça da sabiá em sua casa é uma mulher que os personagens animais tratam como monstro. Até que os diretores tentam se redimir ao final, pois é a sabiá que salva todos da tal gata.

Outro ponto negativo, para mim, muito evidente, é a exaltação ao ato de roubar, praticado e enaltecido pela família de ratos, que sempre rouba migalhas e restos de comida nas casas dos humanos.

Enfim, não gostei.

Disponível na Netflix.

domingo, 20 de março de 2022

SNAKE (ZMIJA)

Snake (Zmija) - 2019, 20 minutos.

Zapeando os aplicativos de streaming que assino, parei no Belas Artes À La Carte porque fiquei curioso com uma mostra de filmes da Macedônia do Norte que está disponível de 10 a 23 de março de 2022. Li as sinopses, escolhendo o curta metragem Snake pelo tema que aborda, a descoberta da homossexualidade na infância.

Dirigido por Andrej I. Volkashin, o curta tem uma boa produção, mas peca por não conseguir empolgar. Gasta-se muito tempo com uma briga de crianças, pré-adolescentes, por causa de uma cobra, enquanto a história principal é Mario se descobrindo gay, e quem sabe, trans, ao se esconder na varanda de um vizinho gay que é chacota na cidade, onde os homens são, em sua maioria, homofóbicos. Mario apanha do pai porque foi encontrado vestido de mulher. É aquela história clássica de pai que não admite que seu filho seja gay, machista, que não deixa a mãe se manifestar.

Borche, o vizinho muito afeminado que o acolhe em seu quarto, quando Mario fica encantando com as plumas e paetês, em uma noite, quando retorna para sua casa, é atacado pelos pré-adolescentes com pedras, socos e pontapés. Mario está no meio, mas ao fugir com os amigos, resolve parar, retornando para ajudar Borche. Quando menos se espera, o curta termina.


segunda-feira, 7 de março de 2022

AUDIBLE

Audible
, 2021, 39 minutos.

Concorrente ao Oscar 2022 na categoria de documentário em curta metragem, tem direção de Matthew Ogens.

O filme acompanha Amaree, adolescente que joga em um time de futebol americano. O diferencial é que ele é surdo, assim como o técnico e todos os integrantes do time. A equipe disputa o campeonato nacional, jogando e ganhando de equipes com jogadores ouvintes. Uma derrota, após mais de 40 vitórias seguidas, fez todo o time se unir mais ainda em prol do objetivo comum, que era superar mais aquele obstáculo e ganhar o campeonato. 

O diretor Ogens intercala momentos da equipe com entrevistas com alguns jogadores, entre eles Amaree, com os pais adotivos de um jogador que se suicidou aos 15 anos devido ao bullying que sofria na escola de ouvintes, e com integrantes dos animadores de torcida, entre eles um adolescente gay, amigo de Amaree, que teve como seu primeiro amor justamente o garoto que se matou.

Embora seja um documentário, nos momentos em que os jogadores estão no vestiário ou em campo, as cenas me pareceram ensaiadas, roteirizadas, nada espontâneo. Era como se o diretor tivesse dirigindo uma ficção.

Essa falta de espontaneidade nas cenas dos times é um ponto que deixa o documentário sem sal, ele não decola, ficando na mesmice até sua conclusão.

O depoimento do técnico, ao final, é bem interessante, pois ele diz que juntos, os garotos superaram os desafios e obstáculos de uma pessoa surda no campo de futebol, mas tinha certeza que enfrentariam obstáculos e preconceitos maiores quando saíssem daquela bolha.

Disponível na Netflix.

sexta-feira, 4 de março de 2022

ONDE EU MORO (LEAD ME HOME)

Onde Eu Moro
(Lead Me Home), 2021, 39 minutos. Direção de Pedro Kos e Jon Shenk.

Filme indicado ao Oscar 2022 na categoria documentário em curta metragem.

Rodado nas cidades de Los Angeles, San Francisco e Seattle, o documentário traz relatos de pessoas sem teto que vivem nas ruas ou em abrigos públicos. Intercalando as entrevistas com alguns destes moradores, imagens de construções de edifícios modernos, cujo metro quadrado nos leva a crer ser caríssimo, pois não se faz menção o valor ou mesmo a destinação destes prédios. É um contraste entre a crise habitacional que atinge tais cidades, fato comum a milhares de outras cidades espalhadas pelo mundo, com a indústria da construção focada em construir para uma parcela rica da sociedade.

O documentário falha ao não mostrar alternativas existentes, tanto nas cidades retratadas, que não são identificadas nas imagens, quanto em outras cidades pelo mundo afora, para resolver esta crise habitacional. Também falha em não entrevistar assistentes sociais, psicólogos, educadores, médicos, entre outros profissionais, que atende os moradores de rua. Fica apenas focado em mostrar a realidade de cada um, mostrando seus anseios (a maioria quer arranjar um teto para morar) e suas preocupações.

Poderia ter diminuído o número de sem teto entrevistados para colocar, por exemplo, a visão do poder público sobre o problema.

É bem filmado, provoca indignação e comove. Mas fica nisso.

Disponível na Netflix.

quinta-feira, 3 de março de 2022

SALOMÉ

Salomé, 1978, 12 minutos.

Antes de rodar seu primeiro longa metragem, Pedro Almodóvar fez 13 curtas. Resolvi procurá-los para assistir e só encontrei Salomé, justamente o último deles antes dos primeiros longas.

Salomé é baseado em peça de Oscar Wilde e trata da figura bíblica que pede a cabeça de João Batista em uma bandeja de prata por ter dançado a dança dos sete véus.

No entanto, no curta, Almodóvar mistura os personagens bíblicos do Velho Testamento, colocando Abraão (Fernando Hilbeck) como pai de Isaac (Agustín Almodóvar). Ambos estão em uma colina, quando Abraão encontra com Salomé (Isabel Mestres), ficando hipnotizado por sua beleza. Ele a pede para dançar e ela impõe a condição de se o fizer, Abraão terá que cumprir o seu desejo. Ela dança e pede o sacrifício de Isaac. Abraão, cumpridor de sua promessa, se prepara para o sacrifício, quando uma fogueira se ascende do nada e dela sai a voz de Deus (voz de Juan Lombardero), tendo Salomé desaparecido. Era um teste de honradez para com Abraão. Isaac é poupado da morte. Salomé, a fogueira e Deus são a mesma coisa. Almodóvar sempre provocando: a trindade divina de forma diferente e a figura feminina como divindade máxima.

Apesar do roteiro ser bem interessante, a execução é muito rudimentar. Faltou recurso, com certeza. Nem de longe lembra o Almodóvar de filmes icônicos como Tudo Sobre Minha Mãe (meu preferido), ou Fale com Ela. Mas os elementos de provocação e a figura feminina empoderada já estão presentes.

Disponível, em cópia ruim, no YouTube.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

TRÊS CANÇÕES PARA BENAZIR (THREE SONGS FOR BENAZIR)

Três Canções para Benazir
(o título original é em afegão), 2021, 22 minutos.

Curta metragem afegão dirigido por Elizabeth Mirzaei e Gulistan Mirzaei, que concorre ao Oscar 2022 de melhor documentário em curta metragem.

Acompanha a história de Shaista, um jovem afegão, recém casado com Benazir, para quem canta algumas canções que relatam o dia a dia da mulher. Eles vivem em um acampamento precário de refugiados afegãos, em condições precárias. Shaista sonha em servir ao seu país se alistando no exército afegão, mas encontra dificuldades por ser semianalfabeto e ter que pedir que alguém da família preencha os formulários de alistamento, se responsabilizando por ele e por seus atos no exército. Ninguém da família concorda com o alistamento, pois têm medo de retaliações a todos da tribo por parte do Talibã. Ele é induzido por seu pai a ir trabalhar na colheita do ópio, onde ele acaba se viciando, pois come as sementes da papoula durante toda a colheita. O filme dá um salto de quatro anos. Shaista está em um casa de recuperação de viciados, onde recebe a visita de Benazir e seus dois filhos. Ali, ele canta mais uma canção para Benazir.

É um documentário triste, onde os sonhos de uma vida melhor para ele e sua família são frustrados por uma decisão de seus familiares. Apesar de todo o sufoco, de derrotas pessoais, o amor prevalece.

O documentário poderia explorar mais a história de Benazir, que serve apenas para dar nome ao filme.

Vi na Netflix.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

UMA PACIÊNCIA SELVAGEM ME TROUXE ATÉ AQUI

Uma Paciência Selvagem Me Trouxe Até Aqui
, 2021, 25 minutos.

Meu amigo Adilson me indicou o curta metragem Uma Paciência Selvagem Me Trouxe Até Aqui no ano passado, mas não consegui ver na data em que ele estava disponível. Eis que ele me envia uma mensagem na manhã de quinta-feira, 27/01/2022, dizendo que o curta metragem estava disponível por 24 horas na grade da 25ª Mostra de Tiradentes.

Não tive dúvidas e fui conferir na tarde da mesma quinta-feira, em um breve intervalo das tarefas do trabalho remoto. Vi pelo computador na página da mostra. Gratuitamente.

Roteiro e direção de Érica Sarmet, com participação da cantora Zélia Duncan (Vange) e de Bruna Linsmeyer (Rô), entre outras atrizes.

É uma história simples, mas cheia de significados e posicionamentos afirmativos de empoderamento feminino lésbico. Vange vive sozinha em um pequeno apartamento com um gato em Niterói. Ela resolve sair uma noite, senta sozinha em uma mesa de bar na cidade do Rio de Janeiro para ver o mundo passar. Depois vai para uma balada, onde conhece Rô e suas amigas. Rola um clima entre Vange e Rô. Rô é direta, pede carona para voltar para Niterói, subindo na moto de Vange. Enquanto a câmera filma este retorno, toca a música Noite Preta, sucesso de Vange Leonel regravada por Zélia Duncan. Em Niterói, as amigas se juntam a Rô para uma saideira na casa delas, convidando Vange.

Entre uma cena e outra, depoimentos de todas as atrizes que atuam no curta sobre as suas vivências e memórias enquanto lésbicas.

As cenas mais íntimas são de uma leveza e uma plasticidade lindas.

Boa indicação de meu amigo Adilson.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

SEGUINDO TODOS OS PROTOCOLOS

Seguindo Todos os Protocolos, 2022, 74 minutos.

Tinha planejado para estar presente durante toda a 25ª Mostra Tiradentes, inclusive com reserva de hotel confirmada. No entanto, por causa da variante ômicron da Covid 19, com aumento dos casos de pessoas em hospitais, a mostra, que completa seu jubileu de prata em 2022 , tornou-se, como em 2021, 100% on-line.

A mostra começou no dia 21/01/2022 e vai até o dia 29/01/2022. São 169 filmes, entre curtas e longas, divididos em mostras temáticas, que podem ser acessados de forma gratuita. Cada filme fica 24 horas no ar. Todos os filmes estão no site da mostra.

O primeiro que conferi foi Seguindo Todos os Protocolos, longa metragem produzido, escrito, dirigido e interpretado por Fábio Leal. O roteiro trata exatamente da Covid 19 e a necessidade de isolamento social.

Chico está há dez meses recluso, tendo um namoro à distância com um baiano. O diálogo entre os dois desanda, e Chico resolve traçar estratégias para ter sexo, que não faz desde o início da pandemia. Seguindo todos os protocolos indicados por autoridades nacionais e internacionais, ele chama um ex peguete para transar. A partir daí, sua paranoia somente piora, com direito a remédios psiquiátricos (iniciados durante a quarentena) e muitas medos. O interessante é que ele apavora quando o peguete tira a máscara, mas não dá a mínima para o fato de ele o ter penetrado sem camisinha.

Gostei do filme, pois trouxe para reflexão as neuras, paranoias e traumas que a necessidade de distanciamento social, uso de máscaras e de higienização constante das mãos, correta, diga-se de passagem, tem causado às pessoas.

Conheço muita gente que começou a tomar ansiolíticos e antidepressivos durante a pandemia, eu inclusive, mas que continuam seguindo todos os protocolos, só que com o acréscimo de pílulas diárias para aguentar a escassa vida social.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

CURTAS DIRIGIDOS POR STANLEY KUBRICK

Stanley Kubrick é um gênio do cinema, mas os três únicos curtas que dirigiu ficam bem abaixo da média de seus longas.

Os três curtas são documentários, sendo os dois primeiros em preto e branco. Todos eles rodados na década de 1950.



O Padre Voador (The Flying Padre), 1951, 9 minutos - mostra a rotina do Pe. Fred Stadtmuller para atender os fiéis de sua paróquia no Novo México, cujas longas distâncias ele pilotava um avião para chegar.






Dia da Luta (Day of The Fight), 1951, 16 minutos. Narra um dia na vida do lutador de boxe Walter Cartier. Narrativa muito formal.






Os Marinheiros (The Seafarers), 1953, 29 minutos. Primeiro trabalho que Kubrick usa as cores. Ele também é o responsável pela fotografia. É um filme promocional sobre o Sindicato dos Marinheiros norte-americano. Ficou mais de 40 anos  perdido. É muito machista. Vale apenas como registro histórico.




Disponíveis no YouTube.