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quinta-feira, 18 de novembro de 2021

O DESPREZO (LE MÉPRIS)

O Desprezo (Le Mépris), 1963, 103 minutos. Dirigido por Jean-Luc Godard, o filme é baseado no livro il Disprezo, de Alberto Moravia.

Estrelado por Brigitte Bardot (Camille), Michel Piccoli (Paul), Jack Palance (Jeremy Prolosch), Fritz Lang (ele mesmo) e Giorgia Moll (Francesca Vanini).

O casamento de Camille e Paul se desmorona durante as conturbadas filmagens de Odisséia, dirigido por Lang. Paul é um dramaturgo sem emprego em Roma que é contratado por Jeremy, um produtor inescrupuloso, para reescrever o roteiro que está sendo rodado por Lang. Francesca é a secretária de Jeremy, que ele explora ao máximo, servindo de tradutora para as línguas que cada personagem fala no filme: francês, inglês, italiano e alemão. Jeremy se interessa por Camille, enquanto Paul fica inseguro, não só em relação ao seu relacionamento, mas também em relação ao trabalho para o qual foi contratado.

Como em Acossado, o filme tem nitidamente três partes. A primeira, rodada na Cinecittà, Roma, quando Paul é contratado por Jeremy. Nesta sequência, há várias citações de cineastas e filmes em cartaz na época. A segunda parte, também como em Acossado, é toda feita dentro de um apartamento, quando há uma longa DR. No apartamento, as cores vivas aparecem sempre quando Bardot está em cena. Quando Piccoli está só, tudo é predominantemente branco. A terceira parte é em Capri, com fotografia deslumbrante, em uma villa de propriedade de Jeremy, onde está sendo rodado o filme Odisséia e onde ocorre o ápice do desmoronamento da relação entre Camille e Michel.

Parece que Godard queria mostrar ao público os rumos de sua cinebiografia, pois claramente há um embate entre rodar Odisseia como um filme de arte (assim queria Lang no filme), ou partir para algo mais popular (como queria o produtor Jeremy que aspirava uma Odisseia com heróis, tipo Hércules). 

Lang também dá uma estocada no Cinemascope (o filme foi feito com esta tecnologia) ao dizer que ele só servia para cobras e caixões.

Enfim, meandros do cinema de Godard.

Vi, em 18/11/2021, no Stremio. 

terça-feira, 15 de maio de 2012

UM RETRATO DE MULHER

Sábado, dia 12 de maio, final de tarde. Estava sem vontade de sair. Escolhi um filme na estante para ver. Queria alguma coisa antiga e que ainda não conhecesse. A decisão foi por um filme em preto e branco, dirigido por Fritz Lang que recebeu o título em português de Um Retrato de Mulher (The Woman in The Window). Confesso que a versão brasileira para o título tem mais ligação com o roteiro do que o original. No elenco estão Edward G. Robinson, Joan Bennett e Raymond Massey. O professor Richard Wanley (Robinson) e dois amigos se encantam por um quadro na vitrine do clube que frequentam em New York. A pintura é de um retrato de uma mulher, desconhecida para eles, mas muito bonita. Wanley, ao sair do clube sozinho, conhece a misteriosa mulher retratada, Alice (Bennett), e acaba se envolvendo em uma trama complicada que envolve o assassinato do amante de Alice, um empresário muito rico, e todas as artimanhas dos dois para se livrar do corpo do homem e ficarem longe de possíveis suspeitas. Eles não contavam com a existência de um inescrupuloso segurança contratado pela empresa do amante para seguí-lo, que passa a chantagear Alice, pedindo dinheiro para manter o bico calado. Para piorar a situação, Frank Loler (Massey), um dos amigos de Wanley, é promotor, encarregado do caso, com uma mente rápida para tentar solucionar casos de homicídios. Ele leva o professor para ver como a polícia estava agindo para descobrir pistas sobre o assassino. Robinson e Bennett estão muito bem em seus papéis, dando veracidade aos fatos, especialmente nos momentos de grande aflição e ansiedade de seus personagens. Fritz Lang foi um grande diretor e consegue manter o suspense até o final da trama, com algumas interessantes reviravoltas e um final inesperado. Gostei também de ver os efeitos especiais utilizados na década de 1940, especialmente quando as cenas são dentro do carro em movimento. É claro que depois de ter contato com toda a tecnologia hoje existente, fica patético constatar que o carro está parado e o que se move é o cenário visto pelas suas janelas, mas, para a época, imagino que tais tomadas eram o melhor que havia em efeitos especiais. Boa diversão.

filme
dvd

domingo, 30 de agosto de 2009

DOMINGO DE MOLHO EM CASA

Ric saiu logo cedo para curtir o domingo com os familiares. Eu fiquei com minha mãe em casa. O cateter tem incomodado muito. Não consigo ficar muito tempo sentado. Aproveitei a disposição e arrumei gavetas do escritório. Ótima terapia é rasgar papeis. Recebi a visita de Rose na parte da tarde e jogamos conversa fora assistindo futebol na tv. Para não sair da rotina, assisti ao filme classificado em 25º lugar pela revista Bravo! 100 Filmes Essenciais, Metrópolis (Metropolis), de Fritz Lang, filme alemão de 1926. Duas horas e quinze minutos de filme mudo com uma história futurista. Revendo este filme hoje, notei vários elementos e cenas que foram inspiração para inúmeros filmes que assisti ao longo destes últimos anos, especialmente os de ficção científica. O filme é um clássico e, embora a cópia em dvd não seja boa, gostei muito de revê-lo. Lembro-me que vi uma versão colorizada e com músicas de rock no extinto Cine Pathé, em Belo Horizonte. Prefiro a versão original.