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domingo, 19 de janeiro de 2014

LICORISH BISTRO - GASTRONOMIA EM JOAHNNESBURG

E chegou a nossa última noite na África do Sul. 07 de janeiro de 2014, terça-feira. Jantar reservado por e-mail no restaurante Licorish Bistro, do chef Jacques Fourie. Um pouco de tensão no ar porque ele era localizado em um shopping não muito perto do hotel chamado Nicolway Shopping Centre. Resolvemos pegar a mesma van do hotel, pois estávamos receosos de pegar um táxi que não soubesse o endereço exato. Cobraram pela corrida R350 (R$ 76), um absurdo pelo que tínhamos pago na noite anterior para o mesmo motorista. Vida de turista! Demorou para chegar ao shopping que já estava fechado, permanecendo abertos somente os restaurantes, que tem acesso separado para o restante do centro de compras. É um restaurante atrás do outro, a maioria com pouco movimento. No Licorish, o movimento era grande. Fomos acomodados em uma mesa encostada no biombo vermelho que servia de espaldar para quem sentasse no sofá. Atendimento primoroso, com garçons sempre atentos às mesas. Para finalizar nosso ótimo dia, nada como um bom vinho. Escolhemos um tinto na enxuta carta do restaurante. Nossa opção recaiu no Hannibal 2012 (R390 - R$ 84,60), elaborado com 39% de sangiovese, 35% de pinot noir, 10% de nebbiolo, 9% de shiraz, 4% de barbera e 3% de mourvèdre. Bem alcoólico, tendo 14,5 graus, é elaborado pela vinícola Bouchard Finlayson, na região de Walker Bay, em Western Cape. Vinho potente, pedindo uma boa carne vermelha. Foi o que fiz, ao escolher, no também enxuto menu de pratos, um filé de avestruz. Antes, porém, compartilhamos uma entrada, goats cheese samoosas with beeroot chutney, caramel onions, sundried figs and micro greens (R65 - R$ 14). Eram samosas, aqueles pasteis indianos, recheados com queijo de cabra, acompanhados de um delicioso chutney de beterraba, cebolas caramelizadas, figos secos e folhas verdes precoces. De comer rezando de tão bom. Em seguida, o prato principal, ostrich fillet (R145 - R$ 31,40), ou seja, filé de avestruz flambado e servido com um vol au vent com mostarda, croquete de batata doce e geleia de cebola roxa. Uma deliciosa explosão de sabores no paladar. O filé de avestruz estava muito macio, bem temperado e casou perfeitamente com os sabores doces dos acompanhamentos do prato. E a harmonização com o vinho foi primorosa. Não pedi sobremesa e nem café. Era chegada a hora de pedir a conta. Valor total, incluída a gorjeta de 12,5%, de R1.110 (R$ 241). Fechamos com chave de ouro a nossa viagem. Enquanto esperávamos o táxi pedido pelo restaurante, ficamos discutindo o porque do Licorish não estar em local mais exclusivo. Não chegamos a nenhuma resposta. Talvez seja por causa da segurança que o shopping proporciona, tendo em vista a tão falada violência na cidade. O táxi chegou. Era todo adesivado de zebra. Que ótima despedida esta nossa. O motorista era educado e gentil, nos entregando seu cartão caso necessitássemos de um táxi. O nome da empresa era Zebra Cabs. A corrida ficou em R150 (R$ 32,50), sinal de que realmente o hotel cobra um preço extorsivo para usar o seu serviço de táxi. No quarto, ainda tomei um banho, pois o sono não vinha. No dia seguinte, acordamos cedo, tivemos um leve estresse por causa da Akilanga que não chegou no horário marcado (atrasou meia hora), mas chegamos a tempo no aeroporto para as compras finais, onde achei uma pulseira igual a que tinha perdido no primeiro museu visitado durante nosso city tour em Joahnnesburg.
Fim de uma viagem sensacional. Já pensando na próxima...

goats cheese samoosas with beeroot chutney, caramel onions, sundried figs and micro greens


ostrich fillet

Endereço: Shop U 32, Nicolway Shopping Centre, Joahnnesburg, África do Sul.
www.licorish.co.za
Contatos: +27 11 706 0991 - jacques@licorish.co.za
Especialidade: cozinha contemporânea, com elementos de fusão, so o comando do chef Jacques Fourie.


MEZEPOLI - GASTRONOMIA EM JOAHNNESBURG

Durante o city tour por Johannesburg, o guia João Freitas nos levou para almoçar no Melrose Arch, um shopping diferente, com ruas abertas, tendo várias opções de restaurantes. Para não atrasar nosso passeio, ele sugeriu almoçarmos em um local de comida rápida, indicando o Mezepoli, especializado na culinária árabe. Aceitamos. O restaurante tem duas áreas externas, além de um grande salão climatizado. Escolhemos uma mesa na área externa destinada aos não fumantes. O atendimento é mediano. Os pedidos chegaram rapidamente à mesa. Não queria nada de álcool, ficando apenas na lata de Coca Cola (R18 - R$ 3,90). Para comer, segui a indicação de João, pedindo um sanduíche no pão folha, o souvlaki beef with tomato and tzatziki (o clássico molho grego feito com iogurte, alho, pepino e endro) (R59 - R$ 12,80). Mas antes, veio a minha entrada, croquetes de feta e gruyère (R42 - R$ 9,10). A entrada estava muito saborosa. Os croquetes eram quentes, macios, chegavam a derreter na boca. Já o pão do sanduíche era borrachudo, difícil de partir, seja com os dentes, seja com o talher. Seu recheio dava para saborear. Ao final, pedimos café espresso duplo (R20 - R$ 4,30, cada xícara). Quando chegou a conta, no total de R720 (R$ 156), já incluída a gorjeta de 12,5%, não deixamos o guia pagar, dividindo-a entre nós três. Durante o almoço, um fato curioso nos chamou a atenção, fato este que presenciamos por mais de uma vez neste dia. Vera e Cláudia pediram uma taça de vinho branco cada uma. Serviram o vinho, já gelado, e colocaram na mesa uma vasilha cheia de gelo. João disse que era comum os locais beberem vinho branco com uma ou duas pedras de gelo, como se fosse uísque. Ao sair, observamos que em várias mesas as pessoas tomavam vinho branco com gelo. Vivendo e aprendendo.


croquetes de feta e gruyère


souvlaki beef with tomato and tzatziki


vinho branco e gelo!

Endereço: Shop SL 26, Whitley Road, Melrose Arch, Joahnnesburg, África do Sul.
www.mezepoli.co.za
Contatos: +27 11 684 1162 - melrose@mezepoli.co.za
Especialidade: culinária árabe.

CITY TOUR EM JOAHNNESBURG


Dia 07 de janeiro de 2014, terça-feira, último dia de nossa viagem. City tour de oito horas de duração programado para começar às 9 horas, contratado junto à Samsara Africa por U$ 380 (ao final pagamos U$ 420, com gorjeta). A Samsara, localizada em Cape Town, terceiriza o serviço para a Route 66 Escapade Tours, de Joahnnesburg. João Freitas foi nosso guia e motorista durante todo o dia. Ele é português, nascido em Moçambique, naturalizado sul-africano, casado com brasileira. Lutou na guerra da África do Sul contra Angola, ou seja, contra o comunismo. Visitamos vários locais durante o dia, dos quais destaco os seguintes:
01) Liliesleaf - um museu em uma chácara onde Nelson Mandela morava como empregado, enquanto tramava a resistência contra o apartheid. Foi nesta casa onde todos os seus companheiros foram presos, menos ele, que estava viajando e foi preso em uma estrada. A entrada do museu custa R60 (R$ 13), não incluída no nosso city tour. O museu é bem montado, moderno, com muita informação sobre o que se passava dentro daquela chácara na luta contra o racismo. Há muita informação, cujo interesse, acredito eu, é maior para os próprios sul-africanos e para quem estuda a história daquele país. Mas para nós, simples turistas, há fatos e coisas marcantes para se ver, como o quarto onde dormia Mandela, cheio de cartazes e mensagens em homenagem a ele, uma instalação ao ar livre que remete aos volumes do processo judicial contra Mandela e seus companheiros, e a interessante história sobre a adega que existia no local. Tecnologia de ponta é utilizada, o que me lembrou o Museu da Língua Portuguesa. Foi neste museu que perdi a minha pulseira de couro que havia comprado em Cape Town. Gostei da visita, apesar deste contratempo.

02) Bairro Houghton - bairro nobre da cidade onde Nelson Mandela tinha uma mansão, na qual veio a falecer no final de 2013. A casa fica em um terreno enorme, mas mal dá para vê-la, pois seu muro amarelo é alto. Nos canteiros ao longo do passeio que margeia a mansão as pessoas tem depositado flores e mensagens em homenagem a ele.

03) Corte Constitucional - um tribunal totalmente diferente dos que conheço. Foi construído onde era uma antiga prisão de presos políticos, cujas torres ainda estão lá presentes. Com arquitetura arrojada e moderna, alia tradição, como a disposição das colunas lembrando as árvores onde as tribos costumavam se reunir para solucionar conflitos, a austeridade de um tribunal e o mundo moderno. Pelos corredores e saguões há muitas obras de arte de artistas contemporâneos da África do Sul. Não há cobrança de ingresso para entrar. Gostei muito desta visita.
04) Centro - é um contraste ver o Centro, com prédios antigos, e a região de Sandton, onde estávamos hospedados, com imponentes construções modernas, ou com Houghton e suas mansões. O Centro vem sendo recuperado, principalmente com a ajuda das empresas mineradoras de ouro. Tem um comércio agitado e uma rua cheia de esculturas. Apenas Cláudia desceu para tirar fotos. O guia nos levou a um antigo clube inglês, mas eles são tão formais que não nos deixaram entrar, pois os quatros estavam de calça jeans e eu de sapatênis. Não achei ruim, pois estes lugares, invariavelmente, tem um ar de soberba decadente.

04) Melrose Arch - um shopping diferente que alia compras, lazer e moradia. Tem ruas internas pelas quais passa carro. É como se fosse um bairro. Foi onde almoçamos.

05) Museu do Apartheid - pagamos R65 (R$ 14) pelo ingresso individual. Foi o ponto alto do city tour. Conta a história do apartheid de forma direta, mas usando recursos tecnológicos e visuais que não cansam o visitante, muito antes pelo contrário, a gente tem vontade de passar o dia inteiro lá dentro, cujo interior não pode fotografar. Sua arquitetura e sua decoração interna nos dão uma noção do que era o apartheid. Logo na entrada, já sentimos isto, pois há duas portas, uma para brancos e outra para não brancos. Os bilhetes de entrada, impressos de forma aleatória, nos indicam por onde entrar. Eu e Cláudia tínhamos o ingresso para brancos, enquanto Vera recebeu o de não brancos. Claro que cada um pode entrar por onde quiser. Escolhi a porta para não brancos, que começa com um corredor opressor para terminar em um tribunal onde as pessoas podiam recorrer da sua classificação de cor. Um horror bem nazista. Para quem entra pela porta dos brancos, não passa por este tribunal. Mais à frente, a gente se encontra novamente para seguir juntos por todo o museu. Uma ala é toda dedicada a Nelson Mandela, com fotos, objetos pessoais, filmes, documentos e painéis com a linha do tempo. Há, inclusive, a reprodução da cela em que ele ficou preso em Robben Island, do tamanho exato, com a reprodução do barulho do mar que ele ouvia dia e noite e as duas fotos que ele mantinha na parede, uma de Winnie, sua então esposa, e a outra de uma negra nigeriana nua que tinha saído em uma revista Playboy. A outra ala do museu tem um impacto mais forte nas pessoas, com reprodução da câmara das forcas, dos nomes de todos os que morreram na luta contra o racismo. No museu, ainda há duas partes interativas. A primeira você lê várias frase de Mandela em um mural, escolhe a que mais gostou e pega uma haste de madeira na cor em que está escrita a frase, colocando-a em um dos vários recipientes que estão dispostos ao ar livre, formando um interessante mosaico colorido, numa alusão que todo mundo pode viver junto, de forma harmônica e integrada. A outra parte interativa é o fim da visita, onde há uma bandeira da África do Sul e um monte de pedras debaixo dela. Seguindo a orientação do guia, peguei uma pedra em um lado e a joguei no monte, repetindo um gesto dos locais quando passavam por mortos enterrados nos campos, em sinal de respeito e reconhecimento. Visita obrigatória. Fiquei emocionado por mais de uma vez durante meu passeio pelo museu.



06) Soccer City - o estádio palco da abertura e do encerramento da Copa Fifa 2010. Já era final de tarde e ele não estava aberto para visitação. Só o vimos por fora, parando no estacionamento para algumas fotos.



07) Soweto - o bairro onde vivem três milhões de pessoas e onde Mandela morou, cuja casa hoje é um museu. Quando chegamos, já passavam de 18 horas, estando fechada a casa-museu Mandela's House. Nem descemos do carro, mesmo porque achamos o guia tenso em estar ali naquele horário. Ele estava tão nervoso que nem parou na frente da casa onde mora o bispo Desmond Tutu. Só mostrou, depois de passar por ela, onde era. Diminuiu a velocidade em frente à Mandela's House, sem parar o carro, para tirarmos foto. Cláudia até pensou em descer, mas foi desencorajada. Mais acima, ele parou em frente a uma outra casa para contar a história de uma garoto que tinha sido assassinado no bairro. Dali, demos meia volta e voltamos para o hotel. De qualquer forma, foi bom conhecer este famoso bairro, que alguns dizem ser uma favela. Cheguei à conclusão de que este passeio em Soweto é totalmente dispensável.
O dia foi longo, mas bastante proveitoso. De volta ao hotel, arrumei a mala para nosso regresso ao Brasil no dia seguinte. Ainda tínhamos um jantar de despedida da cidade e da África do Sul.

WOMBLES - GASTRONOMIA EM JOAHNNESBURG

Não tínhamos muitas referências para restaurantes em Joahnnesburg, ao contrário do que tínhamos para Cidade do Cabo. Depois de algumas pesquisas, Cláudia achou o Wombles, uma steak house bem avaliada no Tripadvisor. Ela providenciou a reserva ainda no Brasil. Pedimos um táxi no concierge do Radisson Blu e este nos encaminhou para uma van do próprio hotel. Cobraram R250 (R$ 54) para nos levar até o restaurante, cujo endereço nenhum dos funcionários do hotel que estava na entrada do prédio sabia chegar. Depois de conversarem entre eles, lá fomos nós. O trajeto foi longo. Chegamos na 3rd Avenue, local onde há um restaurante atrás do outro. O motorista diminuiu a velocidade para procurar o Wombles. Quando o vimos, pedimos para parar o carro, mas ele preferiu nos deixar na porta, dando uma pequena volta para fazer o retorno. Passou pela frente do restaurante, parando mais adiante, alegando que ali era por onde se entrava. Na verdade, ele confundiu Wombles com um supermercado cujo nome é parecido. De toda sorte, o erro foi bom, porque lá havia um caixa automático e Cláudia precisava sacar dinheiro, já que no aeroporto houve um problema de conexão com a rede de seu banco. Caminhamos até a entrada do Wombles, onde um homem abriu os portões para nós. Portas fechadas, sinal de que realmente a questão da violência da cidade é um fator preocupante. Com a reserva confirmada, levaram-nos até nossa mesa. A casa tem decoração pesada, remetendo a interiores de casas inglesas, com vários salões. Estava lotada. Quem nos pareceu o maitre veio dar as boas vindas e explicar o cardápio, mas pouco entendi de seu inglês. O serviço é ótimo, com garçons atenciosos, atentos e muito prestativos. Os pratos não demoram a chegar e quando são mais lentos para ficar prontos, eles avisam no ato do pedido. Começamos com água mineral com e sem gás da marca Natura, garrafas de 750 ml (R28 - R$ 6,00, cada garrafa), para acompanhar o vinho tinto Le Riche 2011, produzido em Stellenbosch com a casta cabernet sauvignon (R375 - R$ 81,30). Depois de beber este vinho, tirei a conclusão que os vinhos brancos sul-africanos são bem melhores do que os tintos. Como cortesia da casa, serviram um cesto de pães com três tipos de manteiga: normal, com achovas e com alho. Sinceramente não percebi quase nenhuma diferença entre elas.

De entrada, repeti um prato que tinha comido em Cape Town, o avocado ritz (R90 - R$ 19,50), ou seja, pedaços de abacate cortados em lâminas com camarões grelhados e molho rosé por cima. Nada mais do que uma releitura simples da cascata de camarões, iguaria que teve seu auge no Brasil e que hoje é considerada brega. Estava digno, não mais do que isto. Como prato principal, já que estava em uma casa especializada em carnes na brasa, pedi 350 gramas de sirloin (R150 - R$ 32,50), acompanhado de cogumelos frescos fritos (R30 - R$ 6,50). Uma carne macia, assada no ponto certo, aquele rosado por dentro com um pouco de sangue derramando no prato. Os cogumelos eram sensacionais.


Durante o jantar, dois fatos que ocorreram perto de nossa mesa nos chamaram a atenção. O primeiro foi um homem lavar suas mãos com a água do balde de gelo e ainda fazer o mesmo com as mãos da sua companheira. O outro foi um casal pedir para levar para casa o que sobrou no prato. Até aí, tudo bem, porque a maioria das mesas fazia o mesmo e as carnes são muito bem servidas. O inusitado foi o embrulho que fizeram. Parecia ser um stinco de cordeiro. Eles levaram o prato e retornaram com o que restou embrulhado em um papel alumínio. De longe, era igual a uma coxa de peru. E o casal da mesa saiu sem levar o embrulho. Mas logo o cara voltou e o pegou. Ficou a dúvida se a mulher não pegou o embrulho para não pagar mico, deixando a incumbência para seu marido. Pedimos a conta e um táxi. Valor total de R1350 (R$ 293). A máquina de cartão de crédito não funcionava na mesa. Tivemos que passá-la no caixa. Um táxi já nos esperava. O trajeto que o motorista fez foi muito mais curto do que a van do hotel, ficando a corrida em R155 (R$ 33,60). Foi chegar no quarto, trocar de roupa, deitar e apagar.

Endereço: 17 3rd Avenue, Parktown North, Joahnnesburg, África do Sul.
Contatos: +27 11 880 2470 - wombles@wombles.co.za
Especialidade: steak house.

DE HOEDSPRUIT PARA JOAHNNESBURG

Nosso voo para Joahnnesburg estava marcado para 06 de janeiro de 2014, às 13:50 horas. Chegamos bem mais cedo no aeroporto de Hoedspruit, antes de meio dia. Aquele aeroporto nada se parece com um aeroporto. O local do check in mais parece uma agência apertado dos Correios, com um monte de bagagens amontoadas do lado de trás do balcão. Os atendentes são bem rápidos, nem verificam peso das malas. Não há um local de espera somente para os passageiros. Há salas de espera, com sofás, poltronas, bancos de madeira, além de um amplo pátio interno, cheio de árvores e mesas com ombrelones, onde as pessoas comem, bebem, fumam, conversam, enquanto esperam seus respectivos voos. Ainda há uma lanchonete, uma loja de souvenir e uma casa de câmbio, mais procurada por quem chega ao local. Estava tudo lotado. Foi difícil arrumar um local para sentar. Era o pessoal do voo das 10:30 horas que ainda não tinha embarcado. Sinal de que nosso voo também atrasaria. Dito e feito. Saímos após as 15 horas. Assim que chamaram para o embarque, sem sistema de som, passamos por uma revista de bolsas no método antigo, ou seja, nada de passá-las em máquina de raio X. Tive que abrir minha bolsa para uma olhada meia boca do funcionário da segurança do aeroporto, que se limitou a dar uma olhadela por cima do primeiro fecho que abri, perguntando-me se tinha arma de fogo ou objeto perfuro-cortante comigo. Resposta negativa, segui em frente com minha mala de mão, que, como na vinda, foi recolhida na porta do avião. Voo tranquilo, sem turbulências, com uma hora de duração. No enorme e bonito aeroporto de Joahnnesburg, o desembarque foi remoto devido ao tamanho da aeronave. Antes de entrarmos no ônibus esperamos a mala de mão que logo nos foi entregue ao pé da escada do avião. Esperamos pouco na esteira a saída de nossas malas, que vieram praticamente juntas. Tínhamos um temor quanto ao nosso traslado, pois seria feito mais uma vez pela Akilanga, que nos dera um bolo na chegada em Cape Town, mas a placa com o nome de Vera estava visível quando deixamos a área de entrega de bagagens. Eu precisava fazer câmbio. Tive que sair do Terminal 2, onde chegamos, e ir até o Terminal 1, local dos voos internacionais e onde estão as casas de câmbio. Troquei apenas U$ 100, recebendo R928,32. Cláudia e Vera ficaram no Terminal 2, onde sacaram dinheiro no caixa automático. Enquanto isto, o motorista, que tinha cara de poucos amigos, foi buscar o carro que nos levaria até o hotel Radisson Blu. Encontrei as amigas e saímos do aeroporto, esperando o traslado do lado de fora. Qual foi nossa surpresa negativa quando o motorista encostou em carro de passeio para nos transportar. Mais uma falha da Akilanga. No porta malas não coube tudo. Uma mala de mão teve que ir atravessada no assento de trás entre eu e Cláudia. O trajeto do aeroporto até o hotel foi feito em torno de quarenta minutos. O motorista ia em alta velocidade pela via expressa, ao mesmo tempo em que discava e falava ao celular. Chegamos sãos e salvos ao hotel. Ele fica no bairro de Sandton (corner of Rivonia Road and Daisy Street). No térreo nos informaram que a recepção ficava no 13º andar. Elevadores modernos, daqueles que tem que apertar o andar que se quer ir do lado de fora, sendo indicado no painel o elevador que irá nos levar. Dentro da cabine, nenhum painel com botões para apertar. O hotel tem decoração moderna, com móveis de design arrojado. O check in foi rápido. Ficamos no 18º andar. Eu no 1830, Cláudia e Vera no 1802. Entre nós, apenas um quarto. Mesmo com uma distância maior, o sinal do roteador funcionava bem. Se não pegasse, não tinha problema, pois o wi-fi do hotel é gratuito, podendo ser utilizado o mesmo login e senha em até quatro dispositivos por apartamento. O quarto é bem grande, com amenities com um forte aroma cítrico, o que me deu tosse rapidamente. Não pude usá-las. Já era final de tarde. Não dava para nem ir ao maior shopping da África, que ficava bem próximo do hotel, pois o comércio em Joahnnesburg fecha às 18 horas. Combinamos de sair apenas para nosso jantar, marcado para 20:30 horas no Wombles, uma steak house.

domingo, 12 de janeiro de 2014

DE BRASÍLIA PARA CIDADE DO CABO, ÁFRICA DO SUL

Em junho de 2013, em um jantar no Rubaiyat de Brasília, Vera perguntou-me se eu não queria passar o réveillon com ela e Cláudia na África do Sul. Sem pensar, aceitei. No final de julho, fechamos o pacote com a Descubra Turismo, agência de viagens localizada em São Paulo. Nenhum de nós tinha viajado com tal empresa e não tínhamos nenhuma referência, mas eles foram muito atenciosos durante toda a negociação, alterando partes do pacote e acrescentando outras. O pacote incluía todos os trechos aéreos, internacionais e internos, voando em classe econômica pela South African Airways, os traslados aeroportos-hotéis-aeroportos, e as estadias nos hotéis Strand Tower na Cidade do Cabo (cinco noites, com café da manhã incluído na diária), Imbali Safari Lodge em Hoedspruit, dentro do Kruger Park (duas noites, com pensão completa e quatro safáris incluídos), e Radisson Blu em Joahnnesburg (duas noites, com café da manhã incluído na diária), além do seguro saúde GTA (Global Travel Assistance), plano bronze, para todo o período. Tudo por R$ 8.115,72. Saída de Brasília marcada para domingo, 29 de dezembro de 2013, com retorno dia 08 de janeiro de 2014, quarta-feira, chegando em Brasília na noite desta mesma data. Como o voo TAM JJ 3578 de Brasília para Guarulhos sairia às 12:36 do aeroporto de Brasília, arrumei a minha mala na tarde de sábado, com tempo suficiente para fazer uma lista de tudo o que deveria levar. Embora viajaríamos no verão, por leituras de blogs e guias de viagem, coloquei três tipos de blusas de frio na bagagem por causa dos safáris noturnos. Sem lembrar que meu pacote já incluía o seguro saúde, comprei um pela internet da Travel Ace, categoria Master 2013, por R$ 239,12. No domingo pela manhã, depois de um bom banho, fiz a última checagem das duas malas, sendo uma delas de bordo, fechei, coloquei uma roupa bem confortável para aguentar as muitas horas de viagem que teria pela frente, e esperei Karina dar notícias, já que ela, gentilmente, tinha se oferecido para me levar ao aeroporto. Por volta de 9:30 horas, ela me enviou uma mensagem por whatsapp informando que estava saindo de casa. Antes de 10 horas, ela parava o carro na porta do meu prédio. Seguimos para o aeroporto, cujo percurso levou menos de vinte minutos, pois era domingo, com pouco trânsito. Karina queria descer e me esperar, mas as obras do aeroporto estão muito confusas. Achei melhor ela me deixar na área de embarque e ir embora. Sempre prestativa esta Karina! Segui direto para o balcão destinado aos clientes que possuem o cartão fidelidade vermelho. Apenas uma pessoa na minha frente, em contraste com as enormes filas nos balcões de despacho de bagagens para quem tinha feito o check in pela internet e nos balcões de quem ainda nada tinha feito. A mala que despachei pesou 17 quilos. Segundo o funcionário da TAM, a mala iria direto para Cidade do Cabo (Cape Town), mas eu teria que passar no balcão da South African no aeroporto de Guarulhos para troca dos cartões de embarque dos trechos Guarulhos-Joahnnesburg e Joahnnesburg-Cape Town. Pedi a ele que colocasse o meu número fidelidade TAM para pontuar em todos os trechos, no que fui prontamente atendido. Assim que saí do balcão, sentei ainda na área de despacho para enviar uma mensagem para Cláudia e para Vera alertando sobre o tamanho das filas da TAM. Em seguida, passei pelo controle de cartão de embarque, pelo controle de raio X, ficando sentado em frente ao portão 9 onde se daria o nosso embarque. Logo as minhas amigas chegaram. Cada um de nós tinha uma bagagem de mão e uma bolsa. No horário correto, chamaram para o embarque. Voo completamente lotado. Este é um voo onde a maioria dos passageiros faz conexão em Guarulhos para voos internacionais, portanto, sempre sai no horário. O voo transcorreu tranquilo. Aproveitei para dormir um pouco. Aterrissamos conforme previsto, por volta de 14:20 horas. Como o aeroporto de Guarulhos também está em obras, demoramos para chegar ao portão de desembarque. O movimento de passageiros era muito menor do que imaginei que seria. Depois me dei conta de que a maior parte dos voos internacionais é programada para sair durante a noite. Estávamos com fome, mas fomos primeiro no balcão da South African, onde uma fila já estava formada, embora não houvesse ninguém atendendo. Procurei um funcionário da companhia aérea e fui informado que o check in abriria às 14:45 horas, mas que eu podia já ficar na fila, pois faltava faltava pouco para começar o despacho. Enquanto Vera e Cláudia foram para a fila, peguei os passaportes e cartões de embarque de ambas, seguindo para o balcão destinado aos passageiros com status Gold na Star Alliance. O cartão vermelho da TAM ainda possui este status até 31 de março de 2014. Era o primeiro da fila. Fui atendido às 15:30 horas. A atendente, muito simpática, pegou todos os cartões de embarque, conferiu nossos nomes, colocando à caneta o portão de embarque. Depois, foi a vez de conferir os três passaportes. Para minha surpresa, ela conferiu cada cartão de vacinação, verificando se a vacina contra a febre amarela estava no prazo de validade. Fiquei surpreso porque ninguém nos alertara para tal necessidade. A sorte é que nós três temos o costume de deixar nossos respectivos cartões de vacinação junto aos nossos passaportes. Ao meu lado começava um drama de uma mulher jovem, pois ela tinha tomado a vacina na semana anterior. O atendente lhe informou que ela só poderia entrar na África do Sul a partir de 05 de janeiro de 2014, já que era nesta data que se completaria o prazo de dez dias para a vacina começar a ter validade a partir de quando ela foi tomada. A moça foi às lágrimas e chamaram o gerente para resolver o problema. Enquanto isto, com Cláudia e Vera já do meu lado, minha atendente me informava que eu teria que retirar as malas em Joahnnesburg para passar pela alfândega daquele país, mesmo as etiquetas indicarem o destino final como Cape Town. Concluída a checagem dos nossos documentos, era hora de escolher um local para almoçar. Optamos pelo On The Rocks, um misto de bar e restaurante. Estava cheio, mas havia mesa disponível no salão interno, com ar condicionado. Nas telas de televisão passava o dvd do show Elas Cantam Roberto Carlos. Depois do almoço, uma rápida passagem na farmácia para compras de última hora, seguindo para a área de embarque do Terminal 2. Sem filas, passamos rapidamente pelo raio X e pela imigração. Demos uma parada na loja Dufry, onde Vera comprou uma garrafa de champanhe Moet Chandon Rosé para nosso brinde de virada de ano. Tinha a ideia de comprar os produtos da Biotherm Homme que uso diariamente, mas tinha apenas um. Temendo não ter tempo suficiente para tal compra quando de nossa volta, comprei o pote de creme hidratante. A esta altura, tínhamos pouco mais de uma hora para o início de nosso embarque, marcado para 17:30 horas pelo portão 27. Os três tem cartão Mastercard Black. Resolvemos passar este tempo no conforto da sala vip deste cartão. Andamos bastante para chegar nela, pois fica localizada no Terminal 1. Estava bem cheia, em espaço bem menor do que eu estive quando da última vez que a utilizei. Aproveitamos para carregar os nossos celulares, tomar algo gelado. Não há anúncio de partida de voos na sala. Assim, cada um fica atento para não perder o voo. Ficamos menos de uma hora por lá, seguindo para o portão 27. Quando já estávamos no Terminal 2, Vera, ao ver uma mulher com um chapéu, percebeu que tinha esquecido o seu na sala Mastercard Black, voltando correndo para pegá-lo. Eu e Cláudia seguimos para o nosso portão. Passados dez minutos, Vera chegou com o chapéu na cabeça. Embarcamos no horário marcado. Nossos assentos eram na fileira 51. Eu estava no corredor, no bloco do meio da fileira, enquanto as duas ocupavam os dois assentos da minha esquerda, no bloco da janela. Ao meu lado, sentou um homem magro, o que dei graças a Deus. O avião ficou bem cheio, mas havia poucas poltronas vazias. A decolagem atrasou cerca de quarenta minutos, com o avião levantando voo às 19:15 horas. O comandante anunciou, já no ar, que o voo duraria oito horas e meia até Joahnnesburg. Tentei ler um pouco, mas logo cansei. Resolvi ver filmes. Vi dois: Blue Jasmine (Woody Allen) e Jobs (Joshua Michael Stern). O homem ao meu lado também via filmes e foi se esparramando na poltrona. Esparramou tanto que invadiu meu espaço. Tive que cutucá-lo, alertando que aquela era minha poltrona. Com cara de poucos amigos, ele se virou para o outro lado, onde a poltrona estava vazia. No mais, foi um voo tranquilo, sem muita turbulência. Dormi picado, mas dormi, sem necessidade de tomar remédio, embora estivesse com Melatonina, caso necessário. Pousamos em Joahnnesburg às 7:10 horas, horário local, quatro horas a mais do que no Brasil. O desembarque foi demorado. O aeroporto local é grande, arejado, limpo e muito bonito, com corredores amplos e muitas esteiras rolantes pelo caminho. Nossas malas estariam disponíveis na esteira 8, mas antes teríamos que passar pela imigração. Na fila para checagem de passaporte, vimos a jovem que teve problemas com o seu cartão de vacinação quando do check in em Guarulhos. Ela conseguira vencer uma etapa. No guichê da imigração, eles conferem o passaporte e o cartão de vacinas. No meu caso, ainda tenho o cartão antigo, aquele de cor amarela. Neste cartão não há a informação da data de validade da vacina, mas sim a data em que ela foi ministrada. A minha última dose contra febre amarela foi tomada em 2010, valendo, portanto, até 2020. Tive que explicar isto para o cara que me atendia, enquanto Vera e Cláudia já tinham passado e me aguardavam sair do guichê. Carimbo no passaporte e rumei para a esteira 8, onde nossas malas já rodavam. Pegamos a mala, dirigindo-nos para o balcão de conexão para voos locais. Lá, tentei despachar as malas de nós três no balcão destinado ao status Gold da Star Alliance, mas a atendente estava de mau humor, só permitindo a minha bagagem. Vera e Cláudia ficaram na outra fila, que andou rápido. Era hora de sair do terminal internacional. Tínhamos a informação que o melhor câmbio era neste aeroporto. Paramos em uma das casas de câmbio localizadas à esquerda da saída do terminal. Troquei U$ 400, recebendo, em rands, moeda local, o montante de R3.764,45. Caminhamos até o terminal de voos locais, sempre com alguém tentando nos ajudar. Há várias pessoas que não são funcionários do aeroporto e chegam nos passageiros com muita amabilidade oferecendo ajuda. Ao final, sempre cobram pelas informações dadas. Ignoramos todos e seguimos as placas indicativas. Nova passagem pelo controle de cartão de embarque, pelo raio X, onde tive que retirar meu iPad da bolsa, seguindo para o portão de embarque E1, de onde partiria nosso voo para Cape Town. Passei pelo banheiro, onde dei muitas risadas, pois, ao entrar, o encarregado pela limpeza do local, sorriu e disse "bem vindo ao meu escritório". Bom humor e alto astral lá nas alturas! Como ainda faltava mais de uma hora para o embarque, resolvemos sentar no Vida e Caffè, onde todo o cardápio é escrito em português, para um merecido café espresso. O embarque aconteceu na hora prevista. O avião era enorme, bem maior que aquele em que fizemos o trecho Guarulhos-Joahnnesburg. Voo completamente lotado. Decolamos no horário, às 10:05 horas, chegando em Cape Town às 12:15 horas. Esperamos quase meia hora por nossas malas. Chegávamos ao nosso destino.