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quarta-feira, 25 de maio de 2022

TUDO EM TODO LUGAR AO MESMO TEMPO (EVERYTHING EVERYWHERE ALL AT ONCE)

Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo
(Everything Everywhere All At Once), 2022, 139 minutos. Roteiro e direção de Daniel Kwan e Daniel Scheinert. No elenco, Michelle Yeoh (Evelyn), Stephanie Hsu (Joy), Ke Huy Quan (Waymond), James Hong (Gong Gong), Jamie Lee Curtis (Deirdre) e Tallie Medel (Becky).

O hype em torno desse filme tem sido enorme, com muitas postagens nas redes sociais sobre ele. Não quis ver trailer, críticas, análises, nem mesmo ler a sua sinopse. Fui conferir sem saber nada sobre Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo. Ao final da projeção, estava impactado. É um filmaço.

Quem me conhece sabe que custo a dar nota 10 para um filme. Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo foi o oitavo filme que mereceu um 10 para mim dentre os quase 3 mil filmes que já vi ao longo de minha existência.

O filme é perfeito em todos os aspectos. Roteiro original, embora com a sensação de que já tinha visto um monte de coisas que estavam nele. Também pudera, pois os roteiristas-diretores misturaram vários gêneros em um mesmo filme. Tem aventura, tem kung fu, tem ficção científica, tem comédia, tem drama, tem suspense, tem sangue, tem porrada, tem melodrama, tem tudo. E essa mistura funciona muito bem. Tudo se conecta.

O elenco está fantástico, com destaque para Michelle Yeoh, que deve figurar nas listas de candidatas a melhor atriz nas premiações referentes aos filmes de 2022. Jamie Lee Curtis é uma coadjuvante de luxo, que funciona muito bem para aumentar o brilho de Yeoh nas cenas em que as duas estão juntas.

Figurino, maquiagem, cabelo, design de produção, trilha sonora, tudo se conecta formando um todo uniforme. Até os exageros no figurino de Joy tem uma razão de ser dentro do roteiro e não incomodam.

O roteiro ainda brinca com o tema recorrente neste ano nos filmes de grande bilheteria: o multiverso. A história se passa em vários universos paralelos, onde Evelyn assume diversas identidades, tais como uma chef de cozinha, uma cantora ou uma dona de lavanderia.

Também destaco a inserção da inclusão e da diversidade na história. Há imigrantes chineses que são pequenos empresários nos Estados Unidos, há personagens LGBTQIA+, há idosos, há empoderamento feminino, toca na questão da importância de se manter tradições culturais de um povo (há uma festa do ano novo chinês).

Os diretores mostram que entendem muito de cinema e que são cinéfilos apaixonados, pois identifiquei várias referências a filmes de sucesso, como Amor à Flor da Pele, de Kar-Wai, Kill Bill, de Tarantino, filmes atuais da Marvel, Ratatouille, de Brad Bird e Jan Pinkava, filmes B de kung fu rodados em Hong Kong, 2001 Uma Odisseia no Espaço, de Kubrick, Desejo Proibido (filme com três histórias sobre casais lésbicos), filmes B de terror, comédia pastelão, Halloween, de John Carpenter (só de ter Jamie Lee Curtis já é uma referência a esse clássico do terror), entre outros.

E o final me lembrou bastante o final de outro filme nota 10 em minha avaliação, Veludo Azul, de David Lynch, com um final feliz que pode ser interpretado como uma ironia dos diretores.

É um filme para ver e rever muitas vezes, pois há muitas camadas e nuances a serem descobertas.

domingo, 1 de setembro de 2013

007 - O AMANHÃ NUNCA MORRE

Mais um 007 no meu aparelho de dvd. Foi o 18º título da filmografia de James Bond: 007 - O Amanhã Nunca Morre (Tomorrow Never Dies), coprodução entre o Reino Unido e os Estados Unidos lançada nos cinemas em 1997, tendo como diretor estreante na série Roger Spottiswoode. Segundo filme em que Pierce Brosnan interpreta o agente secreto britânico. Judi Dench continua como M, desta vez aparecendo mais e sendo bem firme com os altos comandantes das forças armadas britânicas, com direito a piadinha antimachista em um de seus diálogos. Desmond Llewelyn continua firme com Q e desta vez aparece como se trabalhasse na locadora de carros Avis, quando aplica um questionário em Bond e o apresenta a um modelo BMW que será muito útil em uma das certeiras perseguições do filme que acontece dentro de um estacionamento em Hamburgo, Alemanha. As bondgirls são duas, Paris Carver, interpretada por Teri Hatcher, esposa do magnata das comunicações, o vilão Elliot Carver (Jonathan Price), mas uma antiga namorada de Bond, e a outra é a chinesa Wai Lin, vivida por Michelle Yeoh, que trabalha para o serviço secreto chinês. Em termos de performance, Yeoh é infinitamente superior que Hatcher. O roteiro é simples: o magnata quer dominar a comunicação mundial e se utiliza de aparatos tecnológicos para fazer com que britânicos e chineses iniciem uma guerra mundial. Ele faria a cobertura ao vivo da guerra e ainda se daria bem, tendo a concessão da comunicação chinesa por 100 anos, único país do mundo onde ele não tinha acesso. Bond tem que impedir isto. O de sempre está presente: perseguições (além da citada no estacionamento, ainda tem uma no ar com caças MIG e outra nas ruas de uma cidade vietnamita, quando Bond e Lin estão presos por uma algema e fogem em uma moto), festas recheadas de vips, champanhe (embora não apareça qual o rótulo que Paris Carver bebe), hotéis luxuosos, gadgets inovadores, cenas submarinas. Gostei das mensagens subliminares, como a preocupação com os chineses, que já dominavam o comércio mundial à época de lançamento da película nos cinemas, mas ao mesmo tempo mostrar que eles não são os inimigos do Ocidente. Um diálogo entre 007 e Lin, dentro de uma espécie de bunker tecnológico chinês, provoca um pouco os chineses, já que a frase dita por Bond tem duplo sentido. Ele mexe em alguns aparatos quando vê uma caixa com relógios. Pega um Ômega e diz que aquele era similar ao que conhecia. Lin ri e diz que fizeram no relógio alguns incrementos. Mensagem clara para as falsificações chinesas. No mais, Brosnan mantém a expressão única do início ao fim. A canção tema, interpretada por Sheryl Crow, é uma das que menos me empolga em toda a série. Nunca tinha visto este filme. Gostei.

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