Segunda-feira. Último dia de nossa estadia em Lima. Sempre o último dia de uma viagem para mim é chato, um tédio. Não tenho vontade de fazer nada, pensando na mala que deve ser arrumada e nos procedimentos de embarque. Hoje foi um pouco diferente. Depois do café da manhã conjunto com todo o grupo na mesma mesa, comendo alguns sabores peruanos, tais como tamalle, tuna, papaya doce, subi para o quarto. Enquanto o pessoal saía para compras em supermercado, fiquei assistindo televisão pela primeira vez nesta viagem. Sintonizei a Globo e vi as reportagens sobre a guerra contra o narcotráfico no Rio de Janeiro. Fiquei muito feliz com a atitude dos governos estadual e federal nesta cruzada contra os bandidos. A repercussão na mídia estrangeira, pelo que conferi por aqui, tem sido positiva para a imagem do Brasil. Voltamos a encontrar o grupo ao meio dia, quando saímos para mais compras na loja de departamentos Ripley (Calle Shell, 240, Miraflores), perto do hotel. Não tinha a intenção de comprar nada, mas acabei levando uma bermuda Polo Ralph Lauren, pois estava com um bom preço. Logo cedo, após o café da manhã, reservamos mesa para almoçarmos no badalado restaurante Astrid & Gastón (Calle Cantuarias, 175, Miraflores), de propriedade do chef Gastón Acurio. Da Ripley, fomos a pé para lá. Chegamos no horário marcado, às 14 horas. O restaurante fica em um casarão antigo, com pé direito alto, com decoração que mistura elementos da época da construção da casa, como as janelas, portais e teto, com decoração moderna, onde a cozinha é aparente, emoldurada por uma parede de vidro (ou acrícilico) vermelho. O piso do corredor de entrada é em ladrilho hidráulico. São dois ambientes com mesas, além da sala de espera e de um bar. Ficamos no primeiro salão em uma mesa redonda para as sete pessoas do grupo. Para me despedir de Lima, pedi um pisco sour, mas achei tanto o copo como o sabor bem simples. Bebi outros melhores nesta viagem. De entrada, pedimos dois pratos para compartilhar. Uma causa peruana com camarões e abacate, com toques da cozinha de fusão, que estava muito saboroso, embora a apresentação do prato deixava a desejar. A outra entrada foi um ceviche chamado Tres Ceviches, Tres Leches de Tigre. Em um belo prato de vidro, os três ceviches são vistosos ao olhar. No primeiro, um misto de ouriço e vieiras. No segundo, moluscos e lula. No terceiro, polvo. Este polvo estava mergulhado no molho clássico, com bastante cebola roxa e limão, além de dois pedaços da saborosa batata doce local. O molho que envolvia o segundo ceviche era alaranjado e picante, sinal de que tinha rocoto em sua composição. Já o primeiro, tinha um molho mais espesso, como se tivesse um óleo em sua receita. Gostei de todos os três, mas as vieiras estavam especiais. Mas antes de apreciarmos estas entradas, a casa ofereceu um mix com três amuse bouche deliciosos: um cone contendo uma massa de batata doce (camote) com uma terrine de peixe; uma causa com rocoto recheado de lomo (filé) e uma espécie de biscoito fino com massa de caranguejo e palmito. Como prato de fundo, escolhi um filé de congrio rosa grelhado, acompanhado de vongoles, um creme de choclo (milho branco), um pesto com ervas peruanas e uma massa recheada com queijo. Estava fantástico. Para finalizar, uma sobremesa da fruta da estação, a chirimoya, uma irmã da fruta do conde. Veio pedaços frescos da fruta misturados com um sorvete, calda de laranja e uma espécie de licor avermelhado. Gostei da fruta, mas achei os acompanhamentos fracos. Ainda pedi o primeiro café expresso em Lima. Dispensável. Logo que sentamos, uma seleção de pães feitos na casa foi colocada à mesa, para o qual destaco o feito com batata amarela. Pela primeira vez vi um restaurante oferecer um couvert que inclui comidinhas na entrada e na finalização, pois no momento em que pedimos a conta, veio um mini armário com gavetas de acrílico. Em cada gaveta, docinhos para alegrar o nosso paladar: macarron de camu camu, macarron de chocolate, trufas de chocolate amargo e balas de goma de abacaxi. O macarron de camu camu, uma fruta típica da Amazônia, tem sabor diferenciado, dando um azedinho na língua. Para toda esta orgia, pagamos o total de s/.973, cerca de R$ 630,00. Muito mais barato do que qualquer restaurante do mesmo nível em São Paulo, Rio de Janeiro ou Brasília. Quando saímos do restaurante, nossos amigos ainda queriam comprar mais artesanato. Antes passamos em uma loja de discos. Comprei os dois discos do Maná que ainda não tinha, além do novo cd de Alejandro Sanz. Voltei com Ric para o hotel. Chega de compras! Agora é arrumar as malas para a volta à Brasília. Contratamos uma van para nos levar do hotel ao aeroporto pelo custo de U$40. O voo da Lan está previsto para sair às 00:50 horas, mas marcamos nossa saída para 22 horas, pois temos que enfrentar fila para pagar a taxa aeroportuária, que não é inclusa na passagem aérea, despachar as bagagens e dar uma olhadinha no free shop do aeroporto, já que temos a informação de que vale a pena.
Um pouco de tudo do que curto: cinema, tv, teatro, artes plásticas, enogastronomia, música, literatura, turismo.
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segunda-feira, 29 de novembro de 2010
sábado, 27 de novembro de 2010
LIMA - DIA 3
Dormi pouco a madrugada de sábado. Descemos para o café da manhã às 9:30 horas. Todos estavam com cara de ressaca. Não tínhamos programado nada para o dia. Resolvemos conhecer o maior shopping da cidade, o Jockey Plaza (Javier Prado Este, 4200 - Surco). Negociamos um táxi por s/.15. Cruzamos a cidade de leste a oeste. Trânsito confuso perto do shopping. Entramos pela loja de departamentos Saga Falabella, onde combinamos de nos encontrar às 13:30 horas. Eram 11:45 horas. Os dois que estavam com ideia de fazer compras foram para um lado e os outros quatro que nada queriam foram para outro. O sétimo foi visitar familiares na cidade. Percorremos os dois pisos do shopping, vendo as vitrinas e os peruanos que faziam compras. Um dos amigos estava de chinelos havaianas, fazendo-o virar o centro das atenções dos locais. Ninguém costuma ir de chinelos ao shopping...
Pausa para café no Starbucks. Continuamos até o lado oposto de onde entramos, em outra grande loja de departamentos, a Ripley. As duas lojas concorrentes tem corners de algumas grifes populares nos Estados Unidos, como Polo Ralph Loren, Arrow, Calvin Klein, Espirit, entre outras. Os preços estavam compensando comprar, bem mais baratos do que no Brasil. Entramos em uma loja parecida com a Camicado chamada Casa & Idea. Lá, eu e Ric escolhemos alguns objetos de uso diário em cozinha e banheiro. Pegamos alguns objetos com preços reduzidos. Na saída, voltamos para o ponto de encontro, onde os outros dois não estavam. Enquanto esperávamos, nossa amiga resolveu comprar um relógio. Neste meio tempo, o amigo que não fora conosco chegou ao shopping, entrando justamente pela loja de departamentos onde nos encontrávamos. Ric o viu e ele se juntou a nós. Voltamos para as vitrinas do shopping. Paramos na Lacoste, onde compramos camisas, muito mais baratas do que no Brasil. Uma mensagem chegou no celular e fomos nos encontrar com os dois que faltavam. Eles estavam com poucas sacolas. Para quem queria comprar, não tinham muito nas mãos. Era hora de negociar novo táxi para o restaurante que já estava reservado em Miraflores. Reserva na varanda. O valor do percurso foi s/18. Chegamos no Restaurant Huaca Pucllana (Calle Gral. Borgoño Cdra 8 - Huaca Pucllana - Miraflores) às 15:10 horas. Estava cheio. O restaurante é muito bonito e sua varanda está ao lado das ruínas de Pucllana, daí o seu nome. Almoçamos com vistas para as paredes de tijolos de uma civilização pré-incaica, com coloração acinzentada. Para beber, apenas Inca Kola e Coca Cola. Para picar, como dizem os peruanos, alguns piqueos: papas rellenas, causa com abacate, pedaços de cuy (um roedor) fritos, ceviche limeño, vieiras gratinadas e polvo na brasa com batatas e milho branco cozido. Todos estavam deliciosos e vale a pena experimentá-los. Como prato principal, escolhi um filé de chita (peixe) grelhado sob uma cama de vegetais feitos à moda chinesa, com arroz de gengibre para acompanhar. O arroz estava muito bom, com o gengibre dando o leve toque que lhe é característico. O peixe é muito macio, leve, uma boa pedida para quem quer fazer dieta. Experimentei as batatas amarelas fritas que acompanharam o prato de Ric. Não há esta batata no Brasil. Gostei muito. Não quis sobremesa. Pedimos a conta, que ficou em um montante de s/.782. Tiramos algumas fotos na saída do restaurante, resolvendo voltar a pé para o hotel, um caminho de um quilômetro. No meio da caminhada, chegamos ao Parque Kennedy, onde fizemos câmbio em uma doleira de rua. É muito comum na região, peruanos identificados com um colete verde trocarem dinheiro na rua. A tia de nosso amigo recomendou uma mulher para um câmbio confiável, pois há dinheiro falso no mercado. Aproveitamos para dar mais um passeio no parque, onde acontecia um baile para a terceira idade no pequeno teatro de arena local. Ficamos sabendo que esta tarde dançante já virou tradição nos finais de semana. Foi revigorante ver os idosos felizes se divertindo de maneira gratuita em praça pública. É muito legal. A música começa, os senhores vão para a pista, olham as senhoras sentadas nas escadas do teatro, escolhem uma delas e as tiram para dançar. Quando a música acaba, todos voltam a se sentar, esperando nova música, quando o ritual começa novamente. Continuamos nosso caminho, chegando ao hotel antes das 18 horas. Para a noite, conheceremos uma peña, uma espécie de gafieira local, onde se dançam músicas peruanas. Já temos reserva em uma conhecida peña frequentada por peruanos, a Peña del Carajo (Calle Catalino Miranda, 158 - Barranco). Hora de descansar para aguentar outra agitada noite limenha.
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