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sexta-feira, 12 de novembro de 2021

SÃO PAULO - DIA 2 - 31/10/2021 - B-DAY (DOMINGO) - PARTE 2

31/10/2021 - Já que estávamos no prédio do museu, após um belo almoço no Vista, era hora de dar um passeio pelos espaços expositivos para conferir o acervo e as exposições temporárias. Descemos o elevador até o térreo, pois não sabíamos se tinha que pagar entrada.

Ao chegar no térreo, uma segurança nos informou que a entrada era gratuita, que não precisava voltar na portaria, indicando os andares onde estavam as exposições: do 3º ao 7º. Fomos para o hall dos elevadores para subir. Um cartaz informava que era para entrar no elevador duas pessoas por vez. Não tínhamos visto isto antes. Ao chegar, o elevador é grande, achamos melhor ir nós quatro, mas um casal ainda entrou conosco, ignorando o aviso. Papo bem chato o deles. Descemos no sétimo andar para começar nossa visita de cima para baixo. Eu já conhecia o MAC, mas o visitei quando ainda era no Campus da USP, em local bem apertado. Agora está em um prédio enorme, bonito, com espaços amplos, fácil de se locomover, podendo abrigar vários tipos de exposições temporárias e fazer recortes temáticos do acervo para expô-los.

Em duas horas no museu, vimos as seguintes exposições:


1. Visões da arte no acervo do MAC USP 1900-2000 - ocupa uma ala do 7º e uma ala do 6º andar com mais de 100 obras de artistas importantes das artes plásticas do período abordado, tais como Di Cavalcanti, Picasso, Matisse, Modigliani, Tarsila do Amaral, Flávio de Carvalho, Anita Mafaltti, Victor Brecheret, Volpi, entre outros.

2. Muito Além das Aparências - A Imagem Crítica de Pedro Meyer - ocupa uma ala do 7º andar - são fotografias doadas pelo fotógrafo espanhol, radicado no México, ao museu.

3. Memorial do Desenho - ocupa uma ala do 6º andar com obras em papel do acervo do museu.

4. MAC USP no Século XXI - A Era dos Artistas - ocupa uma ala do 5º andar. Tem obras de Regina Silveira, Marina Abramovic (que eu adoro), entre outros.

5. Zona da Mata - ocupa uma ala do 5º andar com obras de artistas contemporâneos, como Cláudia Andujar, por exemplo.

6. Projetos para um cotidiano moderno no Brasil, 1920-1960 - ocupa uma ala do 4º andar com obras de Di Cavalcanti, Flávio de Carvalho e Antonio Gomide.

7. Vizinhos distantes: arte da América Latina no acervo do MAC USP - ocupa uma ala do 4º andar com obras de artistas importantes de toda a América Latina. 

8. Carma ideológico: Grupo EmpreZa - ocupa uma ala do 3º andar com instalações e performances do coletivo Grupo EmpreZa.

9. Regina Silveira: outros paradoxos - ocupa o anexo expositivo que se alcança por uma passarela do prédio principal para o enorme anexo. É uma retrospectiva da artista, reunindo cerca de 180 obras.

Gostei de quase tudo. A parte do Grupo EmpreZa não fez a minha cabeça (confesso que tenho restrições à vídeo instalações).

Com Emi já irritado por que estávamos demorando muito no museu, concluímos nossa visita, indo para a marquise com aquelas colunas em V, típicas de Niemeyer, onde ele e Gastón, para variar, acederam seus cigarros. Em seguida, pedimos um Uber, cada casal, para voltar ao hotel. O trajeto MAC USP até o Novotel Jaraguá ficou em R$ 14,99, bem menor do que o valor que pagamos para o caminho inverso.

Já combinamos de sair cedo para jantar, por volta de 19:00 horas, pois era domingo e muitos restaurantes estariam fechados ou encerrariam o expediente mais cedo.

Gastón tinha que procurar um laboratório que fizesse o exame PT-PCR com resultado rápido, pois iria para Buenos Aires na terça-feira, dia 02/11/2021, e era uma exigência para entrar na Argentina. Ficou pesquisando na internet e por telefone. O único que encontrou foi uma unidade do Laboratório Hermes Pardini, que é de Belo Horizonte, no bairro Santana. Em seis horas teria o resultado. Combinamos de ir no dia seguinte.

Quando cheguei no quarto, percebi que a mesma bandeja com restos de comida do quarto 2318 ainda estava no chão, acrescido de um saco de lixo com papel higiênico usado. Um saco de lixo semelhante estava no final do corredor de acesso aos elevadores. Tirei uma foto, retornando à recepção para reclamar. Apenas um recepcionista, de nome Vinícius (vi seu nome na lapela do uniforme), estava a postos. Fiz várias reclamações: o desleixo do hotel com a limpeza, a não arrumação dos quartos diariamente, o telefone do quarto que não funcionava e a maçaneta da porta do banheiro que tinha saído na minha mão naquele domingo. Ele ficou me olhando com cara de paisagem, respondendo que não poderia pedir a arrumação, pois tinha ordens expressas da gerente para não realizar limpeza diária, afirmando que eram medidas tomadas por causa da pandemia. Já tinha notado claramente que a verdade era que o hotel não repôs o quadro de empregados que tinha antes da pandemia, tendo tal dificuldade. Ele insistiu que não podia fazer nada. Pedi para falar com a gerente. Ela não estava. Perguntei quem respondia por ela. Era ele. Como uma pessoa fica responsável pelo hotel e não tem autonomia de atender o hóspede? Argumentei, já com raiva, que não tinham abatido nenhum centavo da diária para não ter limpeza todos os dias, que este era um serviço que eu pagava para não ter que limpar eu mesmo, como ele sugeriu que eu tirasse o saco de lixo do banheiro e colocasse do lado de fora do quarto para o pessoal da limpeza pegar. Acontece que o lixo do quarto 2318 já tinha mais de 24 horas no chão sem ninguém ter passado para recolher. O recepcionista disse que estava anotando tudo, mas não o vi com caneta, lápis ou mesmo teclando no computador. Fiz essa observação. Ele pegou o telefone e chamou a manutenção para verificar o telefone e a maçaneta. Perguntei quando a gerente estaria. No dia seguinte, respondeu ele. Ainda perguntei qual era o nome dela. Ele apontou para o display atrás dele, dizendo que o nome estava ali, mas o monitor estava desligado. Insisti no nome dela. Beatriz, sem mais, nem menos. E o sobrenome? Ele respondeu que não sabia. Aquilo me irritou muito. Ironicamente, perguntei se ele sabia o seu próprio sobrenome. Com cara de poucos amigos, ele respondeu que se chamava Vinícius, sem dar o sobrenome. Subi possesso.

Nem deu cinco minutos depois que entrei no quarto, o funcionário da manutenção bateu na porta. Consertou a maçaneta e trocou o aparelho de telefone, que voltou a funcionar. No dia seguinte, continuaria a reclamação com a gerente.

Tomei um banho relaxante, deitando para descansar um pouco, pois a jornada em pé no museu deixou minha lombar em frangalhos.

O telefone do quarto tocou. Uma mulher perguntou se era meu aniversário e se eu estava no quarto. Respondi que sim, ela deu uma risada, dizendo que o hotel enviaria um mimo. Após vinte minutos, bateram na porta com um mini bolo de chocolate com morangos frescos. Gastón comeu os morangos e um pequeno pedaço do bolo. Eu comi a maior parte. Mais tarde, Emi me disse que também recebeu o mimo.

Ao sair do quarto, vimos que o lixo do 2318 e o do final do corredor tinham sido retirados.

Às 19:30, todos na recepção. Começou a saga de chamar Uber com cancelamentos de motoristas seguidos. Havia um táxi na porta do hotel. Perguntamos se ele levava nós quatro até o Eataly SP. O motorista, Bruno, muito simpático, respondeu que levava e que a cobrança era no taxímetro. Fomos de táxi. Pelo trajeto, pagamos R$ 40,00, pagos no dinheiro (R$ 10,00 por pessoa). Como éramos quatro, ficou mais em conta do que pegar dois Uber.

Quando descemos do táxi, Bruno nos deu seu cartão, dizendo se precisássemos voltar, era só chamar uns vinte minutos antes, que ele nos buscaria.

Há muito que queria conhecer o Eataly de São Paulo, uma espécie de empório com uma variedade incrível da enogastronomia italiana, além de oferecer produtos brasileiros. Estava movimentado, mas não estava cheio. Os restaurantes, localizados nos três pisos, tinham movimento. São nove restaurantes ao todo. Demos um passeio pelas gôndolas, vendo os produtos, mas sem nada comprar. Fizemos assim nos dois pisos. Escolhemos o restaurante Brace, especializado em comida feito na brasa, que fica no terceiro piso. No acesso à escada rolante, no lado direito, havia uma fila grande de pessoas querendo uma mesa, mas não era para o Brace, mas sim para a pizzaria que ficava naquele piso. Noite de domingo é sinônimo de pizza!

Tinha um púlpito com o nome da Brace, mas não tinha ninguém nele. Esperamos, como o segundo da fila. Logo, uma recepcionista apareceu, perguntou para quantas pessoas era a mesa, nos levou até a escada rolante. Subimos e uma garçonete já nos esperava no topo da escada. Acomodou-nos em uma mesa no primeiro salão. Emi perguntou se era possível ficarmos no espaço da parte de trás, cheio de plantas. Mas, segundo ela, estava tudo cheio. Assim que começamos a nos ajeitar, ela voltou, dizendo que uma mesa tinha acabado de vagar no espaço que queríamos. Fomos para lá. A seguir, minhas impressões e minha experiência neste restaurante.

Restaurante: Brace Bar e Griglia.

Endereço: Avenida Presidente Juscelino Kubitscheck, 1.489, Vila Nova Conceição (fica no terceiro piso do Eataly SP).

Instagram: @eatalybr

Chef: há pratos com a assinatura da Chef Ligia Karazawa.

Especialidade: dedicado à arte do fogo, comida feita na brasa.

Ambiente: instalado no terceiro piso do Eataly SP, tem dois ambientes, ambos com iluminação baixa. O ambiente que ficamos é uma espécie de terraço, mas como fazia frio, estava todo protegido para não entrar vento. Muitas plantas penduradas nas paredes e no teto. Mesas e cadeiras de madeira, confortáveis. Não há toalhas nas mesas. Guardanapos de papel e talheres embalados em sacos de papel. Sacos de papel para guardar as máscaras. Cozinha aparente na divisão dos dois salões do restaurante.

Tempo no restaurante: cerca de uma hora e meia.

Conta: R$ 328,00 (valor para dois - eu e Gastón).

A experiência: pedi uma entrada para mim, e os demais pediram uma entrada para compartilhar (burrata al pesto e pinoli - R$ 69,00), cada um pediu um prato principal, sem sobremesas. Para beber, pedi uma soda italiana, Gastón pediu uma cerveja long neck, e, ao final, bebemos, cada um, uma xícara de café espresso.

Entrada: uova con funghi e tartufo (R$ 52,00) - meio ovo cozido a baixa temperatura, creme de cogumelos e trufas negras. O prato é muito bem servido, com um aroma sensacional. O tempero dos cogumelos estava divino. Ovo cozido como gosto, com a gema mais molinha.

Prato principal: guancia di maiale (R$ 64,00) - bochecha de porco preto cozida e finalizada na grelha, acompanhada de arroz negro (o acompanhamento pode ser escolhido entre seis opções). Arroz servido em uma panelinha à parte. A bochecha de porco é bem servida, com ótimo aroma, mas não apreciei a sua textura. Estava compacta, enquanto gosto dela mais desfiadinha, o que a deixa mais úmida. Também, para meu paladar, faltou um tempero para dar um punch ao prato, totalmente diferente da minha entrada. Gastón pediu um polpo all'erbe (R$ 109,00) - polvo marinado com ervas, cozido e finalizado na grelha. Ele escolheu polenta cremosa com provolone defumado como seu acompanhamento. O garçom trocou as panelas e serviu para Gastón o purê de batatas que tinha pedido Emi, mas os dois perceberam e fizeram a troca eles mesmos. Não experimentei o prato de Gastón, mas me pareceu bem apetitoso.

Eram 22:00 horas quando pedimos a conta. Pagamos com cartão de crédito a nossa parte. Gastón enviou uma mensagem por WhatsApp para Bruno, que confirmou que iria nos buscar. Descemos com calma, apreciando um pouco mais os caros produtos importados da Itália, saindo para a calçada, onde os fumantes fizeram a festa. Gastón recebeu uma mensagem de Bruno informando que atrasaria um pouco, pois o túnel por onde passaria estava fechado. Uns dez minutos depois, parou um táxi Spin branco, como o de Bruno, mas não sabíamos a placa. Fazia frio. Fomos até o carro e não era ele. Esperamos mais um pouco. Ele chegou, nos levando de volta para o hotel. O trajeto ficou no mesmo valor da ida, ou seja, R$ 40,00, pagos em dinheiro.

Eu estava bem cansado (os remédios que tomo me derrubam). Subimos para o quarto. Rogério e Emi nos avisaram que tomariam café da manhã conosco na manhã seguinte, pois ele havia se enganado quanto ao café da manhã incluído na diária.

Era hora de dormir.

Continua...


quinta-feira, 11 de novembro de 2021

SÃO PAULO - DIA 2 - 31/10/2021 - B-DAY (DOMINGO) - PARTE 1


31/10/2021 - Gosto de passar meu aniversário viajando. Lembro-me de todas as cidades onde já comemorei cada ano de vida: Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro, Manaus, Belém, Tiradentes, Buenos Aires, Cidade do México, Nova Iorque e Paris. Misturar arte e boa gastronomia no dia do meu aniversário é sempre prazeroso. Foi o que fizemos desta vez em São Paulo.

Acordei cedo, antes de 7:00 horas. O tempo estava nublado, garoava. Fiquei na cama, lendo notícias pelo celular e jogando Pokemon Go até às 09:00 horas. Levantamos para tomar café. A ideia era ir na Marajá Padaria (Rua Martins Fontes, 137, Centro), a poucos metros do hotel. Como Rogério me tinha falado que o café da manhã deles estava incluído na diária, nem me preocupei em chamá-lo para ir conosco. Coloquei bermuda, o que foi um erro, pois o dia estava friozinho.

Ao sair do quarto, vi que a bandeja com prato sujo de comida que o hóspede do quarto 2318 tinha colocado na noite anterior ainda estava no chão do corredor.

A Marajá, que existe desde 1967, está sempre cheia no café da manhã e no almoço. Na entrada, a gente aperta um botão na catraca, pega um cartão numerado que será nossa comanda, e passa a roleta. Só havia uma mesa livre quando chegamos, às 09:30 horas. Em cada mesa há um porta guardanapo com um código QR para acessar pelo celular o cardápio digital, mas para quem não gosta de usar tecnologia, eles têm cardápios físicos também. Álcool líquido em spray disponível nas mesas. Uma simpática garçonete nos atendeu. Escolhi suco de laranja (R$ 9,00) para beber e uma salada de frutas (R$ 15,00). Bem frugal, pois não queria comer muito, já que nossa reserva para almoçar era para 12:30 horas. Gastón pediu uma média de café com leite (R$ 5,00), ovo mexido (R$ 8,00), tapioca de queijo prato e mussarela (R$11,90) e um pão francês com manteiga na chapa (R$ 3,70). Tudo de Gastón chegou primeiro do que o que eu havia pedido. O suco de laranja veio como pedi, apenas com gelo, sem açúcar, é feito na hora, super fresco. A salada de frutas é bem servida, vem fria, com a banana picada pouco antes de servir para não escurecer. Tinha, além da banana, abacaxi, morango, mamão, melão e um pouco de suco de laranja. Experimentei um pedaço pequeno da tapioca de Gastón. Os queijos foram tostados na chapa antes de ir para dentro da tapioca, o que fez uma diferença enorme no sabor, para bem, claro. Terminamos nosso café da manhã, pegamos nossos cartões numerados, indo até o caixa para pagar. Total da conta para nós dois: R$ 52,90, pagos com cartão de crédito. Bem mais barato do que os R$ 90,00 que pagaríamos no hotel. Para sair, basta inserir o cartão na catraca, esperar a luz verde aparecer com a palavra siga e rodar a roleta. Voltamos para o hotel. Eram 10:30 horas.

Pouco depois que chegamos no quarto, Rogério ligou no celular, pois o telefone fixo de nosso quarto não estava funcionando, para saber se poderiam subir para me dar um abraço. Dez minutos depois, ele e Emi entravam no quarto com dois presentes que adorei. Recebi os abraços e também dei um abraço forte em Emi pelos seus mesmos 58 anos. Ele é um pouco mais velho, pois nasceu no final da manhã e eu no final da tarde. O presente de Emi tinha comprado pela Amazon e ainda não tinha chegado quando viajamos. A entrega ficou para a nossa volta a BH, mas não lhe disse o que era. Abri os presentes recebidos. Sabendo que gosto de cinema e que estou fazendo dois cursos sobre o tema on-line, eles me deram o livro Hitchcock Truffaut Entrevistas - Edição Definitiva. Também me presentearam com um short da marca Shorts Co na cor fúcsia com estampa de pelicanos. Acertaram em cheio, minha cara! Aproveitamos para combinar o horário de sair. Acertamos às 11:50 horas na recepção. Eu atrasei um pouco para descer, tipo 10 minutos. Chuviscava bem fininho e fazia um friozinho gostoso. Todos agasalhados e de calças compridas. Chamamos, cada casal, um uber. Para o trajeto Novotel Jaraguá até o Museu de Arte Contemporânea - MAC-USP, onde fica o restaurante Vista (Avenida Pedro Álvares Cabral, 1.301, 8º andar, Vila Mariana), pagamos R$ 38,94. O motorista conhecia como entrar no museu, pois muitos erram a entrada, o que ocorreu com o uber em que estavam Emi e Rogério. Chegamos um pouco antes do horário de nossa reserva. Mediram nossa temperatura na entrada do museu, informaram-nos onde pegar o elevador para chegar na cobertura do prédio, onde fica o Vista. Na porta do restaurante informei que tínhamos uma reserva para 4 pessoas em nome de Emivaldo. A atendente procurou, procurou e não achou. Pediu a confirmação da reserva, mas ela estava com Emi, que ainda não havia chegado. Pediu, então, o número do celular dele. Quando disse, ela encontrou a reserva, que estava em nome de Emi. Ele deu o apelido e não o nome completo para fazer a reserva. Uma outra atendente nos acompanhou até a nossa mesa, que já estava pronta. Era uma mesa pequena para comportar todo o aparato de um almoço, mas providenciaram uma cadeira para colocarmos nossos pertences, a garrafa do vinho que Emi e Rogério beberam, além dos saquinhos de papel que estavam em cada mesa, junto aos talhares, para o comensal colocar a máscara. Um mimo que gostei muito. O restaurante é bem grande, com três ambientes, sendo o mais distante da porta, um bar com um enorme balcão de bebidas, fora o ambiente externo, que, por causa da chuva, não estava movimentado, mas, mesmo assim, as pessoas saíam dos salões internos para tirar fotos. Há uma brigada de cumins, garçons, atendentes, maitres e sommeliers para dar conta de todas as mesas, que logo ficaram lotadas. De onde estávamos, dava para ver a movimentação frenética da cozinha. A seguir, minhas impressões. Emi e Rogério chegaram e se juntaram a nós.

Restaurante: Vista.

Endereço: Avenida Pedro Álvares Cabral, 1.301, 8º andar, Vila Mariana (fica na cobertura do Museu de Arte Contemporânea da USP - MAC-USP).

Instagram: @vistaibirapuera

Chef: Marcelo Correa Bastos.

Especialidade: cozinha autoral com ingredientes brasileiros.

Ambiente: combinando com o local em que está inserido, um prédio projetado por Oscar Niemeyer, segue a linha moderna, com paredes de vidro, dando uma bela visão para o Parque do Ibirapuera e parte do skyline de São Paulo, além de ótima luminosidade interna. O teto é de concreto aparente. Música ambiente em bom volume, que não atrapalhava as conversas e um ótimo set list de música brasileira. Mesas com bom espaço entre elas (distanciamento é essencial em tempo de pandemia!). As mesas são quadradas, de madeira em duas cores envernizadas, com um pé central e base quadrada de ferro de cor escuro, sem toalhas, para deixar à mostra a bela composição das madeiras. Há um jogo americano de couro (me pareceu couro vegetal), em cor marrom com a logo do restaurante, talheres guardados em envelope de papel, guardanapo de papel também envolto em plástico fechado, um saco de papel branco para guardar as máscaras e um display ao centro com o código QR para acessar o cardápio digital. A logo do Vista está impressa em tudo, com exceção do saquinho para a máscara. Um vasinho com flores do cerrado compõe a decoração das mesas, mas quando sentamos, para liberar espaço, o vaso foi retirado.

Tempo no restaurante: cerca de duas horas.

Conta: R$ 324,00 (valor para dois - eu e Gastón, que não consumimos bebida alcóolica).

A experiência: pedimos duas entradas para compartilhar entre nós quatro, cada um pediu um prato principal, sem sobremesas. Para beber, pedi uma Coca Cola (R$ 9,00), Gastón foi de limonada suíça (R$ 10,00) e, ao final, bebemos, cada um, uma xícara de café espresso Três Corações (R$ 8,00 cada).

Entrada: pupunha assada na manteiga com cítricos e bottarga de vieira (R$ 42,00). Servida em um prato de cerâmica, vieram cinco pedaços de palmito pupunha assados com uma crosta de cor marrom. O palmito estava bem macio, sem nenhuma fibra dura. O sabor dos temperos cítricos que compunham a crosta fez a diferença, contrastando a acidez com a leve doçura do palmito. A bottarga de vieira nem precisava estar no prato, pois quase não aparece no sabor e não fez diferença alguma. Prato aprovado pelos quatro da mesa.

Entrada: torresmo com picles e mostarda Dijon - fatias de barriga de porco curadas e fritas, bem carnudas, com gordura na medida, acompanhadas de picles de rabanete, maxixe e mostarda (R$ 53,00). Vieram dez pedaços de torresmo de coloração rosada, servidos em uma tábua de madeira, com um papel manteiga por baixo para sugar a gordura existente (que era bem pouca). De um lado da tábua, um pedaço de limão e na outra extremidade diagonal, a mostarda de Dijon em boa quantidade. Entremeando os pedaços de carne, porções pequenas de picles de rabanete e de maxixe. Salsinha por cima para decorar (e para comer!). O torresmo vem praticamente sem tempero, o que nos motiou a comer nossos pedaços sempre com o picles ou com a mostarda ou com os dois juntos. Sem nada, era macio, mas sem um sabor que mexa com o paladar. No entanto, quando misturado com um pouquinho de mostarda de Dijon, tudo muda. O melhor do prato era o picles de maxixe. Deu vontade de pedir uma porção extra desse picles. Eu gostei do prato, mas nem todos da mesa o apreciaram. 

Prato principal: arroz de suã com vieiras - arroz cozido com caldo obtido do cozimento da espinha dorsal do porco, com pedacinhos de linguiça feitas no restaurante, coberto com vieiras levemente salteadas e aioli (R$ 105,00). O arroz veio servido em uma panela de ferro rasa bem quente com um sousplat de madeira redondo. Já iniciei a salivar com o aroma que vinha do prato e com a sua bela apresentação. Arroz com cozimento perfeito, molhadinho, muita suã desfiada, vieiras grelhadas bem macias e um aioli que casou perfeitamente com os ingredientes do prato. Pedida excelente para meu aniversário. Gastón pediu arroz de pato no tucupi e magret mal passado - arroz cozido em tucupi com lascas de pato, cogumelos, jambu e coentro, servido com o peito do pato grelhado mal passado (R$ 109,00). Ele gostou muito. Eu experimentei um pouco do arroz, pois adoro tucupi e jambu. Mesmo com uma pequena porção, a gostosa dormência provocada pelo jambu logo apareceu na ponta da língua.

Pagamos a conta com cartão de crédito e fomos para o terraço. Apesar da chuva fraca, conseguimos tirar fotos e apreciar a bela vista do Vista.

Continua...


quarta-feira, 10 de novembro de 2021

SÃO PAULO - DIA 1 - 30/10/2021 (SÁBADO) - PARTE 2

30/10/2021 - Gastón, quando decidimos a viagem para São Paulo, avisou nossos amigos Bruno e Jorge, que moram na capital paulista, para podermos sair para um encontro. Eles sugeriram um almoço no sábado, pois iriam viajar no dia seguinte. Propuseram um restaurante peruano. Gostamos da ideia. Gastón gostou muito do restaurante Lima, do chef Marco Espinoza, quando estivemos em São Paulo no ano de 2019. Ele sugeriu este restaurante.

Assim que nos acomodamos no quarto do Novotel Jaraguá, Gastón entrou em contato com Bruno. Ele disse que estava tentando falar no restaurante, mas ninguém atendia. Como Gastón tem o WhatsApp de Espinoza, enviou mensagem, recebendo a notícia que o Lima tinha fechado, mas que ela tinha acabado de abrir um novo restaurante em São Paulo, chamado Cantón, que mistura as culinárias chinesa e peruana, mas que não tinha mais vaga para o almoço.

Mais um contato com Bruno e ele sugeriu um restaurante de culinária libanesa que fica em Pinheiros chamado Mama Leila, avisando que o local era bem simples, que tinha sistema de buffet livre ou a quilo e que não fazia reserva. Consultamos Emi e Rogério, ambos toparam ir e combinamos 13:00 horas no restaurante. Vi no Uber que gastaríamos uns trinta minutos para chegar lá. Combinamos de sair da porta do hotel às 12:15 horas, horário em que eu, Gastón, Emi e Rogério encontramo-nos na recepção. Ao sair para chamar um Uber, fomos alertados pelo segurança do hotel para termos cuidado com os celulares, pois estavam roubando as pessoas mais desatentas que chamavam Uber na calçada do hotel. Ele até apontou para 3 jovens de bicicleta que passaram por nós e estavam na praça em frente nos observando. Voltamos para a recepção, de onde pedimos o Uber. Eram 12:16 horas quando um carro aceitou nossa corrida: R$ 17,98 o trajeto Novotel Jaraguá até o restaurante Mama Leila.

Novamente o trânsito estava tranquilo, fluindo bem. Chegamos primeiro que Emi e Rogério, que tinham saído antes de nós. Bruno e Jorge já estavam sentados. Juntaram três mesas para acomodar nós seis. Logo chegaram Emi e Rogério. Abaixo, minhas impressões e considerações sobre o restaurante.

Restaurante: Mama Leila
Endereço: Rua João Moura, 1.167, Pinheiros, São Paulo, SP
Instagram: @mamaleilarestaurante
Especialidade: culinária libanesa
Ambiente: simples, com um salão pequeno, fotos de locais turísticos nas paredes, mesas de madeira, cadeiras de madeira e de plástico, buffet com as iguarias quentes e frias, estufa com salgados árabes quentinhos, álcool 70% disponível nas mesas, copos de plástico. No dia em que fomos, tinham dois garçons atendendo as mesas. O local lota, motivo pelo qual é aconselhável chegar por volta de 12:30 horas, como fizemos.
Tempo no restaurante: cerca de uma hora e meia.
Conta: R$ 125,00 (duas pessoas - eu e Gastón).

A experiência: na mesa, a garçonete nos informou o sistema da casa: buffet no peso (R$ 92,00 o quilo aos sábados) ou rodízio, onde cada um se serve à vontade no buffet, quantas vezes quiser e aguentar. O preço do rodízio varia. Se for apenas uma pessoa que optar por esse serviço, sai a R$ 60,00, mais de quatro pessoas na mesma mesa, fica R$ 50,00 por pessoa o rodízio. Éramos seis pessoas. Todos escolheram o rodízio. Para beber, pedi uma água mineral com gás Crystal. No buffet, todos os pratos conhecidos da culinária árabe: coalhada seca, quibe cru, pasta de grão de bico (homus), tabule, babaganuche, chanclish, arroz marroquino, arroz com lentilha, falafel, quibe assado, kafta, pão árabe, abobrinha recheada com arroz e carne, berinjela assada recheada com arroz e carne, charuto, quibe labanie (quibe cozido na coalhada), quibe assado de abóbora moranga, quibe frito, esfihas, algumas delas abertas (ricota, carne moída com cebola, escarola, zatar), couve-flor com molho de tahine, berinjela cozida no molho de tomate e grão de bico, arroz branco. Todos tinham excelente aparência e me convidavam para uma orgia gastronômica. Experimentei muitos destes pratos, sendo os meus preferidos do almoço o falafel (estava sequinho por fora e úmido por dentro, frito na hora), o quibe frito, bem recheado e com excelente tempero, a kafta, uma das iguarias árabes que mais aprecio, o tabule, com acidez na medida certa, e a esfiha de escarola (esta eu repeti 3 vezes). Foi uma ótima indicação dos amigos Bruno e Jorge. Durante o almoço, conversamos bastante, colocando nosso papo com os amigos paulistas em dia.

Pagamos a conta, que foi dividida de maneira igual para os seis que estavam na mesa, indo para a calçada, onde Emi e Gastón acenderam um cigarro. Emi e Rogério resolveram andar a pé pelo bairro para conhecer melhor a região. Eu estava com muito sono, assim como Gastón. Resolvemos pedir um Uber para ir para o hotel. Ao ver que éramos apenas nós dois que voltaríamos, Gastón perguntou a Bruno, que mora bem perto do Novotel Jaraguá, se poderia nos dar uma carona. Resposta positiva. Deu tempo de cancelar o Uber dentro dos cinco minutos de tolerância para não pagar a taxa de cancelamento. O carro deles estava bem próximo do restaurante. Bruno é muito divertido e nos fez rir bastante no trajeto até o hotel, onde nos deixaram por volta de 14:45 horas.

Cansados, era hora de tirar uma soneca.

Já passavam das 17:30 horas quando acordei com Rogério ligando no celular para perguntar os nossos planos para a noite. Pensamos jantar no restaurante Cantón. Proposta aceita, Gastón enviou mensagem para Marco Espinoza verificando se era possível fazer uma reserva para o jantar para quatro pessoas. Ele respondeu que se chegássemos até às 19:30 horas, garantia uma mesa. Concordamos e combinamos de sair do hotel às 19:00 horas, pois o restaurante não ficava muito distante do hotel.

Antes de sair, eu e Gastón fomos ao Carrefour Express que fica bem perto do hotel para comprar água, suco e refrigerante para a nossa estadia: 2 garrafas de água mineral Crystal sem gás de 1,5 l cada uma, uma garrafa de suco de laranja de 1 litro e uma Coca Cola sem açúcar, garrafa pet de 1 litro, além de um pacote de balas de goma colorida em formato de ursinho. A conta ficou menos de R$ 30,00.

Neste tempo no quarto do hotel, tanto eu, quanto Emi, pesquisamos restaurantes para nosso almoço e jantar do domingo, dia de nosso aniversário. Emi reservou o Vista Ibirapuera para o almoço.

Desta vez, não foi fácil conseguir um Uber. Foram quatro cancelamentos, cada um com um valor mais alto que o outro, começando com R$ 25,00. Enfim, por R$ 40,96, conseguimos um carro para fazer o trajeto Novotel Jaraguá até o restaurante Cantón, que fica no bairro Pompéia. Fizemos o percurso em pouco mais do que vinte minutos, chegando no limite do horário marcado para nossa reserva. As minhas considerações estão a seguir.

Restaurante: Cantón
Endereço: Rua Padre Chico, 631, Pompeia, São Paulo, SP
Instagram: @canton_sp
Especialidade: fusão das culinárias chinesa e peruana.
Ambiente: a entrada do restaurante fica em uma esquina, tendo mesas de madeira encostadas nas paredes laterais da casa para quem quer e gosta de ficar na calçada. O salão interno é pequeno, com um bar dominando o seu fundo, de onde saem diversos drinques da casa. A decoração tem o vermelho como cor predominante com várias sombrinhas chinesas penduradas de cabeça para baixo no teto. Quatro dragões chineses também estão pendurados no teto, um em cada canto. A parede do banheiro masculino, que é bem pequeno, é coberta com um belo papel de parede estampado com carpas coloridas.
Tempo no restaurante: cerca de uma hora e meia.
Conta: R$ 183,50 (duas pessoas - eu e Gastón).

A experiência: por causa da pandemia, seguindo a tendência de todos os restaurantes, o cardápio está disponível por QR code. Depois de algumas tentativas frustradas dos quatro na mesa, conseguimos acessar o cardápio digital. Não é extenso, tendo os clássicos da culinária chifa (fusão das cozinhas chinesa e peruana). Pedimos duas entradas para compartilhar, recebemos uma cortesia da casa, e cada um pediu um prato principal. Vou relatar apenas o que experimentei.
Entrada: wontos fritos recheados com frango e porco, com toque cantonês e molho de tamarindo (há opções com seis e doze unidades. Pedimos a maior - R$ 49,00). Deliciosa massa, apresentada sem escorrer gordura, recheio bem temperado, sobressaindo a acidez do tamarindo. Para comer com as mãos e de uma só bocada para sentir todas as texturas e sabores do wonton.
Entrada: ceviche clássico (R$ 36,00) - 130 gramas de peixe branco, leite de tigre, cebola roxa crua, milho frito e chips de batata doce. Já tinha comido este ceviche no restaurante Taypá, em Brasília, conduzido pelo mesmo chef Marco Espinosa. É de comer rezando de tão bom. Para uma entrada compartilhada, serve bem duas pessoas.
Cortesia: mini sanduíche com pão bun (pão chinês cozido no vapor) recheado com picles de cebola, maionese de alho, saladinha de alface e cenoura e um pedaço de frango frito empanado. Mais uma iguaria deliciosa.
Prato principal: arroz chaufa diabo (R$ 64,00) - arroz frito na panela wok com frango, camarão, ovo, legumes e toque de pimenta. Aqui me arrependi um pouco da minha escolha. Não que estava ruim, muito antes pelo contrário, mas porque prefiro o chaufa mais clássico, somente com frango, sem camarões.

Saímos do restaurante satisfeitos. Eram 21:00 horas. Hora de esticar na noite paulistana. Decidimos ir para o Edifício Copan, na região central de São Paulo. Mais um Uber. Valor para o percurso Restaurante Cantón até o Copan: R$ 26,95. No caminho, percebi que as ruas de São Paulo estavam lotadas, cheias de pessoas sem máscaras e fantasiadas comemorando o Halloween. Nas cercanias do Edifício Copam, o trânsito estava parado. Conseguimos descer do carro na esquina da Rua Araújo com Avenida Ipiranga. A ideia era ir em um bar que Vera, amiga de Brasília, tinha indicado. Chama-se Fel, que fica no térreo do Edifício Copan, nº 69. Não tem nenhuma placa, mas logo o identificamos pelo número e pela fila de espera na porta. O lugar é bem pequeno. Ao lado, está o Paloma Bar, inaugurado em setembro de 2021, um bar de vinhos, que contrasta totalmente com o Fel, pois enquanto este tem iluminação baixa e escura, o Paloma é super claro, com paredes de azulejos brancos e quadro preto com letras amarelas que lembram os botecos antigos. No centro do pequeno salão, uma grande estante ovalada com os vinhos da carta, todos eles de safras recentes. Para comer, poucas opções, todas elas presentes no quadro que citei. Tinha um único lugar, uma mesa alta, que cabem umas seis pessoas. O atendente foi super simpático, indicando e falando sobre alguns vinhos. Eu não estou podendo beber nada de álcool e como tinha jantado bem, só pedi uma garrafa de água mineral com gás Prata, enquanto os demais dividiram uma garrafa de um vinho tinto orgânico. Fomos avisados que a casa encerra o expediente à meia noite, horário em que pedimos a conta. Enquanto estávamos no Paloma, Sérgio, um amigo argentino que mora em São Paulo, convidou a mim a a Gastón para encontrá-lo em um restaurante perto dali, mas eu declinei do convite, pois estava cansado. Gastón foi encontrar com ele. Eu voltei a pé para o Novotel Jaraguá, passando pelos outros bares do Copan que estavam lotados. Emi e Rogério voltaram comigo. Uma caminhada de uns 15 minutos até o hotel.

Era hora de dormir.

Já estava dormindo quando Gastón chegou, por volta de 2:30 horas. Ele me acordou para me felicitar pelos meus 58 anos, que na verdade seriam cumpridos somente às 15:50 horas do domingo 31/10/2021, horário em que nasci (o horário certo é 16:50 horas, mas tinha horário de verão na época).

Continua...





SÃO PAULO - DIA 1 - 30/10/2021 (SÁBADO) - PARTE 1


30/10/2021, sábado - Às 06:50 horas, eu já estava de pé e pronto, quando Rogério me ligou para dizer que estava a caminho de minha casa. Ele e Emi iriam para São Paulo comigo e Gastón, onde fomos comemorar nossos aniversários: 58 anos (eu e Emi nascemos no mesmo dia, mês e ano: 31/10/1963). Eu tinha uma mala de mão e uma mochila pequena. Gastón estava com uma mala de mão e também com uma mochila de médio porte. Fizemos nosso check in na quinta-feira, dia 28/10/2021, para o voo G3 1305, com horário de partida às 09:20 horas, utilizando o aplicativo para celular da Gol. 

Emitimos o bilhete em 21/09/2021, utilizando 102.800 milhas para duas pessoas no trecho CNF-CGH-CNF, incluindo as taxas de embarque. Eu e Gastón, com passagens no mesmo localizador, marcamos assentos conforto sem ter que pagar nada por eu ainda ter o status Diamante, que perderei em breve, no programa Smiles.

Deixamos os nossos cachorros na cobertura até que a diarista chegasse para ficar com os dois enquanto estivéssemos fora. Foi a conta de chegar na portaria do prédio para ver Emi estacionando o carro.  Eram 07:00 horas. Colocamos nossas malas no bagageiro e fomos para o aeroporto, em Confins, demorando cerca de 45 minutos.

Para quatro pessoas, é muito mais barato ir de carro, mesmo computando o combustível que se gasta no trajeto ida e volta, deixando-o em um dos vários estacionamentos nas redondezas do BH Airport (não gosto deste nome pós privatização) do que pegar um Uber, 99 ou táxi. Escolhemos o Estapar Estacionamento (Rodovia MG 10, Km 03, s/n), que fica antes da Localiza, à direita de quem segue para o aeroporto. Lá, a semana custa R$120,00, todas as vagas são cobertas, oferecem serviços de lavagem e limpeza (pagos à parte) e tem transporte gratuito, ida e volta, para o terminal de embarque. O estacionamento estava quase lotado, devido ao feriado do dia 02/11/2021. Conseguimos uma vaga bem no final da pista à direita de quem entra. O motorista da van, ao ver a movimentação de passageiros com malas saindo dos carros, se aproximou, evitando que fizéssemos a caminhada até a portaria do local. A van ficou cheia, ficando passageiros para a próxima, que já estava a postos. O ponto de desembarque é na ponta do aeroporto, onde ficam os balcões de check in da Azul e da Itapemirim. Rogério tinha uma mala grande, motivo pelo qual caminhamos até o balcão da Gol para ele despachá-la. Emi, apesar de estar com mala de mão, também a despachou.

Enquanto Emi foi fumar na parte externa do terminal, eu, Gastón e Rogério resolvemos ir para a sala de embarque. Não havia fila no primeiro controle, hoje automatizado. Coloquei a tela do meu celular com o QR Code virado para o leitor da máquina e a catraca foi liberada. Desde o início da pandemia, ninguém mais tem que apertar o botão que, aleatoriamente, escolhe pessoas para uma verificação mais minuciosa pela segurança do Raio X (luz verde ou vermelha).

Fui direto para a máquina de Raio X que estava à minha frente. Sem ninguém na fila, coloquei os meus pertences na bandeja azul e passei pelo portal, sem acionar o alarme. Costumei viajar com calça que não precisa de cinto e com sapatos que não precisam desamarrar. Do outro lado, peguei minhas coisas e esperei Gastón e Rogério passarem pelo mesmo procedimento.

Caminhamos para o Portão 18, à direita de quem entra, onde seria nosso embarque. Sentei em uma das cadeiras perto do portão, enquanto Gastón foi comer alguma coisa. Emi chegou e se juntou a nós. Uma funcionária da Gol solicitou que passageiros despachassem, de forma gratuita, suas bagagens de mão, tendo em vista que o avião estava cheio. Como teríamos que esperar as bagagens de Rogério e Emi na esteira em São Paulo, eu e Gastón resolvemos despachar as nossas malas de mão ali no portão de embarque. Rapidamente fizeram o procedimento e nos entregaram os comprovantes de despacho de bagagem. Menos peso para carregar e para acomodar nos apertados compartimentos internos de bagagem da aeronave.

No horário indicado no display do portão 18, anunciaram o embarque para as prioridades por lei. Em seguida, aqueles, entre outras modalidades, que tinham status Ouro e Diamante no Smiles. Eu e Gastón embarcamos nessa leva. Meu assento era o 3D e o de Gastón 3C, ambos no corredor, lado a lado. Preferimos viajar assim, com mais espaço para nos dois, que temos corpos avantajados. Coloquei minha pequena mochila azul berrante Havaianas no compartimento acima do assento, sentando, em seguida. Logo chegou a pessoa que estava na janela na minha fileira. Levantei-me para ele entrar. Ele quis puxar conversa, mas eu estava com sono, sem muita vontade de falar, não dando pelotas para o que ele dizia. Enquanto esperava a partida, fiquei jogando Pokemon Go no celular.

As portas se fecharam antes do previsto, discurso que a Gol adora anunciar, coloquei meu celular no modo avião, me acomodei e dormi. Nem vi o voo passar, significando que não teve muita turbulência. Só acordei quando o avião já se aproximava do pouso no Aeroporto de Congonhas, onde pousamos antes do horário, às 09:35 horas.

Adoro o novo sistema de desembarque pós pandemia, e espero que assim continue, pois é mais célere e sem ninguém te empurrando ou apressando para sair. Agora a Gol chama de três em três fileiras para o desembarque, enquanto as pessoas nas demais fileiras devem permanecer sentadas até a autorização de sua fileira para o desembarque. Eu e Gastón saímos na primeira turma, caminhando direto para o local das esteiras. Olhei no display que as bagagens do voo Gol 1305 estariam disponíveis na esteira 4. Enquanto Gastón ia ao banheiro, fui esperar as malas. Fiquei surpreso com a rapidez com que as nossas malas chegaram na esteira. Peguei as quatro malas, enquanto Gastón, Emi e Rogério chegavam na esteira.

Com as malas nas mãos, saímos da área de desembarque, resolvendo chamar dois Uber, pois, com a pandemia, os motoristas carregavam, no máximo, 3 passageiros. Faziam quase dois anos que não ia a São Paulo. Da última vez que fui, os carros de aplicativos ficavam na parte superior do aeroporto e os táxis na parte inferior, que é coberta. Saímos sem perguntar onde tomar um Uber, andando em direção à área de check in do aeroporto. Fomos pelo lado de fora para que Emi e Gastón exercessem o vício de fumar. Não vimos nenhuma sinalização de onde os carros pegavam os passageiros. Fomos até a parte central do aeroporto, quando vi um Uber. Perguntei ao motorista onde ficava o embarque dos passageiros, e ele, titubeando, me disse que era na parte inferior. Voltamos caminhando, desta vez por dentro, quando vimos um segurança e confirmamos que os carros por aplicativo agora ficavam no piso inferior, descendo a rampa que fica em frente à saída do desembarque. Os carros estão onde antes ficavam os táxis da Rádio Táxi Vermelho e Branco. Um homem se aproximou de nós perguntando se precisávamos de um Uber e que ele levava quatro passageiros. Disse a ele que não queríamos ir juntos, mesmo sendo amigos, para não apertar e também por respeitar as regras em relação à Covid. Ele riu argumentado que se éramos amigos e vacinados, não tinha problema nenhum. Olhei bem nos olhos dele e lasquei: você está sem máscara, não iríamos de nenhuma forma contigo. Chamei um Uber, colocando como destino o Novotel Jaraguá (Rua Martins Fontes, 71), não demorando nem 3 minutos para confirmar a viagem. Eram 10:57 horas. Valor: R$ 27,92, pagos com cartão de crédito direto no aplicativo. Quando estávamos saindo, Rogério e Emi também estavam entrando no Uber que eles chamaram.

O trânsito fluiu bem, sem congestionamentos. Chegamos ao hotel por volta de 11:15 horas, passamos pelo controle de temperatura (aqueles termômetros que sempre marcam 35º e alguma coisa, medidos no pulso), indo, em seguida, para o balcão para pegar as chaves, pois tinha feito o check in on-line no dia anterior, após receber um e-mail do próprio hotel sugerindo esta modalidade para agilizar nossa entrada. Mas não adiantou muito, demorando o mesmo tempo se não tivéssemos feito o check in previamente.

Eu tinha uma reserva paga para três noites no Novotel Jaraguá para o mês de junho de 2020. Quando estourou a pandemia da Covid 19, a reserva, embora não reembolsável, foi cancelada, e eu recebi o crédito para utilizar até o final de dezembro daquele ano. Depois, a utilização desse crédito foi prorrogada para junho de 2021. Quando decidimos viajar para São Paulo, em setembro, enviei um e-mail para o Novotel Jaraguá perguntando se ainda era possível utilizar o crédito. A resposta foi positiva. Adicionei mais uma diária, ficando a diferença de R$ 127,77 para ser paga no check in.

Assinamos os formulários de hospedagem, preenchemos um outro formulário que trazia perguntas relativas à Covid 19 (se estávamos com sintomas, se tivemos contato, nos últimos 14 dias, com pessoas com a doença, entre outras), pagamos a diferença em cartão de crédito. No check in on-line, eu tinha solicitado um quarto em andar alto, mas pronto para entrada, só tinha quarto disponível no 7º andar. Aceitei, pois do contrário, teria que esperar até às 14 horas para poder entrar no quarto. Ao lançar no sistema o nosso quarto, a atendente constatou que tenho status Ouro no programa de fidelidade da Accor, o que me dava direito a um upgrade de acomodação, caso disponível. Tinha disponibilidade, e fomos agraciados com um quarto superior no 23º andar: 2316.

Recebemos as duas chaves magnéticas, informações sobre o acesso à rede wi-fi do hotel, incluído na diária, que nossa diária não tinha café da manhã incluído, que cada café da manhã custava R$ 45,00 por pessoa, que, devido à pandemia, o frigobar do quarto estava vazio, mas que podíamos solicitar bebidas pelo room service, que, também por causa da pandemia, a arrumação dos quartos se dava a cada 3 dias, mas que poderíamos solicitar troca de toalhas e amenities a qualquer dia, e que tínhamos como drinque de boas vindas uma água, uma cerveja long neck ou um refrigerante. Eu escolhi uma garrafa de água mineral sem gás de 350 ml e Gastón pediu uma Heineken. Recebemos as bebidas ali mesmo, no balcão. Rogério e Emi estavam atrás de nós. Deixamos os dois fazendo o check in e subimos para nosso quarto, onde desfiz, parcialmente, minha mala. E, enfim, retirei a máscara que usava desde que saí de casa, às 07:00 horas da manhã. O celular tocou. Era Rogério informando que estavam no quarto 2216, bem abaixo do nosso.

Era hora de decidirmos nosso almoço.

Continua...


ACOSSADO (À BOUT DE SOUFFLE)

Estou participando do Clube da Análise Fílmica conduzido por Allisson Gutemberg. Entrei em novembro de 2021. Cheguei ao clube vendo uma publicação do perfil Cinema com Teoria (@cinema.com.teoria) no Instagram referente a uma aula gratuita sobre o filme O Gabinete do Dr. Caligari.

Gostei tanto que me inscrevi nas aulas de novembro. São quatro aulas com o tema "O Cinema de Jean-Luc Godard: A Fase da Nouvelle Vague". Para um esquenta antes de começar estas aulas, o que ocorreu em 04/11/2021, recebi um vídeo gravado sobre o filme Acossado. Depois de ver tal aula, resolvi rever o filme, do qual lembrava muito pouco, pois o vi em VHS na década de 1980 e nunca mais assisti. 

Acossado (À Bout de Souffle), 1960, 90 minutos. P&B. Filme francês dirigido por Jean-Luc Goddard e estrelado por Jean-Paul Belmondo, que interpreta Michel Poiccard, e Jean Seberg, fazendo o papel de Patricia Franchini. Filme longa metragem de estreia do diretor.

Pelo filme, Godard ganhou os prêmios Urso de Prata em Berlim 1960, melhor filme no Prêmio da Crítica do Sindicato Francês de Críticos de Cinema 1961, Globo de Ouro Itália 1961 e Prêmio Jean Vigo 1960.

A trama: Michel é um golpista que se aproveita do círculo de amizades para conseguir dinheiro, incluindo as mulheres com quem dorme, não se importando nada com os eventuais danos que pode causar a tais pessoas. Com a ajuda de uma mulher, ele rouba um carro e segue para Paris para encontrar Patricia, com quem quer ir para Roma. Na estrada, ele é perseguido por dois policiais de moto e acaba matando um deles. A partir daí, ele é perseguido pela Polícia, com direito a foto estampada na capa dos jornais diários. Em Paris, encontra Patricia, uma jovem americana que estuda na cidade e tem chances de ser uma promissora jornalista, com quem tem um caso amoroso. Após um longo período no quarto de um hotel, cada um tem uma trilha em Paris, mas voltam a se encontrar, com uma mudança de postura de Patricia em relação a Michel. Não escrevo mais para não dar spoiler.

O roteiro era de Truffaut, que o vendeu para Godard, seu colega de Cahiers du Cinema. O roteiro era baseado em um fato real. Godard o alterou completamente, mantendo a característica do fato. O filme claramente tem três partes (olha o reflexo da aula aí!). A primeira e a terceira são mais movimentadas, com a perseguição policial, a maioria das cenas rodadas em externas e com um tom de reportagem. A parte do meio se passa inteiramente em um quarto de hotel, onde há um longo diálogo entre os dois protagonistas (poderia ser menor essa parte, pois torna-se um pouco cansativa).

Belmondo está excelente, imprimindo um ar cool para um personagem naturalmente idiota. Seberg esbanja juventude e beleza. A sua cena entrevistando um famoso no balcão de um hotel, onde ela o domina apenas com sua mirada é muito boa.

Época em que ter personagens fumantes era o ápice e o modo como Michel coloca o cigarro na boca, deixando-o meio caído de lado, seria copiado em vários filmes posteriores, até chegar a era do banimento do cigarro das cenas cinematográficas.

Vi no Telecine Play.

LOVELY BOY

 

Lovely Boy (Lovely Boy), 2021, 105 minutos. Filme italiano dirigido por Francesco Lettieri.

Venceu o prêmio S.I.A.E. por talento promissor de melhor filme no Festival de Veneza 2021.

Nic (Andrea Carpenzano), um jovem talentoso cantor do gênero trap, se envolve cada vez mais com drogas, atrapalhando sua vida social e dificultando sua promissora carreira. Sua família o interna em uma clínica de recuperação de viciados em drogas, onde seu tédio e sua falta de emoções só crescem.

O filme é confuso, pois há passagens no tempo, um ir e vir repetidas vezes, mesclando cenas antes e durante a internação de Nic na clínica. Como o personagem sempre carrega uma expressão de apatia e sem emoções, há que estar atento para as tatuagens no seu rosto e na coloração do cabelo para se situar no tempo da história. Se não prestar atenção, pode-se pensar que Nic entra e sai da clínica sempre.

O roteiro nos deixa a sensação que um viciado em drogas nunca consegue se livrar de seus vícios.

Há várias cenas que incomodam devido ao consumo excessivo de drogas pesadas, incluindo um cãozinho que toma um ácido e fica totalmente pirado.

Filme integra o catálogo do 16º Festival do Cinema Italiano.

Vi on-line, gratuitamente, no Belas Artes À La Carte.

JOSEP

 

Josep (Josep), 2020, 71 minutos. Animação vencedora do César 2021 de melhor do gênero, dirigida por Aruel.

Um idoso, em seu leito de morte, narra, para seu neto, fatos ocorridos em fevereiro de 1939, antes de a França entrar na 2ª Guerra Mundial, quando ele era um soldado que vigiava um campo de concentração com refugiados da Guerra Espanhola (período em que o fascista Franco governava a Espanha). Ali, ele conheceu e fez uma bela amizade com o artista desenhista catalão Josep Bartolí.

Gostei de conhecer essa parte da história que pouco sabia. Os traços da animação remetem a desenhos do tipo que Bartolí fazia, e são muito bonitos. Vi no Prime Vídeo.

domingo, 7 de novembro de 2021

DEIXE-ME IR (LASCIAMI ANDARE)

 

Deixe-me Ir (Lasciami Andare), 2020, 98 minutos. Filme italiano dirigido por Stefano Mordini e estrelado por Stefano Accorsi, Serena Ross, Maya Sansa e Valeria Golino. Marco (Accorsi) e Anita (Ross) estão juntos e grávidos, mas ele perdeu seu filho Leo em um acidente doméstico quando ainda era casado com Clara (Sansa). Ele frequenta o AA, não se perdoa pelo ocorrido com o filho, estando sempre em um estado perto da depressão. Perla (Golino) é a moradora de sua antiga casa e afirma que o menino Leo aparece para seu filho Giacomo, mandando que eles saiam da casa para a volta de seus pais. Marco reencontra Clara e juntos começam a acreditar na possibilidade de Leo realmente aparecer na casa. O filme se perde em tentar mostrar o espiritismo, sem se aprofundar, tendo uma reviravolta em relação à Perla no terço final. Parece que as ideias acabaram e o roteirista apressou para por um ponto final na história. No frigir dos ovos, o roteiro ficou pobre e sem rumo. Vi gratuitamente on-line na plataforma Belas Artes À La Carte dentro do 16º Festival do Cinema Italiano.

VINGANÇA & CASTIGO (THE HARDER THEY FALL)

 

Vingança & Castigo (The Harder They Fall), 2021, 130 minutos. Filme dirigido por Jeymes Samuel, com um super elenco: Jonathan Majors, Mary Fields, Jim Beckworth, Bill Pickett, Danielle Deadwyler, Regina King, Lakeith Stanfield, Idris Elba, Delroy Lindo, entre outros.

O filme já começa informando que se trata de uma história de ficção, mas as pessoas nele retratadas existiram realmente. É um faroeste no qual todos os personagens são negros, fazendo um resgate da história americana, já que nos faroestes clássicos de Hollywood a presença do negro era quase inexistente. Em Vingança & Castigo, o branco vai aparecer pouco, como coadjuvante, em um cidade na qual alguns negros assaltam um banco. O diretor, estreante em longas, quis contrapor bem os cenários onde a história se passa com a cidade dominada por brancos. Enquanto cores vibrantes dominam a cena nos primeiros, o branco é praticamente a única cor na cidade do assalto ao banco.

Mais um diretor que vai na linha de Tarantino, com belas cenas de tiros e sangue jorrando pela tela, espetacularizando os assassinatos. Em comparação com os faroestes de sucesso hollywoodianos, em Vingança & Castigo há cenas em câmera lenta dos tiroteios, do sangue saindo dos corpos das vítimas, e das lutas corporais. Outra diferença: as mulheres aqui são fortes, determinadas, participam das lutas, são certeiras em tiros. Nada de fragilidade, sofrendo e esperando o mocinho para resgatá-las como no passado.

Outro ponto a destacar é a trilha sonora. Moderna, recheada de hip hop e rap (Jay-Z é um dos produtores do filme e está na trilha).

O elenco está formidável. É como se fosse um único corpo a atuar. Estão afinados, protagonistas e coadjuvantes, entregando performances muito boas. Como há muitos personagens, cria-se o problema de não conseguir, mesmo em pouco mais de duas horas, aprofundar na história de cada um deles. O elenco ganhou o prêmio de Melhor Elenco no Gotham Awards 2021.

Achei muito interessante o cenário da luta entre as mulheres Mary Fields (Beetz) e Trudy Smith (King): uma tinturaria de tecidos com utilização de cores muito fortes, sinalizando o empoderamento feminino, pois as mulheres não estão na tinturaria para trabalhar nos tecidos, mas sim para lutar como os demais personagens masculinos. Os tecidos coloridos pendurados secando fez com que eu me lembrasse dos filmes do chinês Zhang Yimou da década de 1990.

A trama é muito simplória: uma vingança de Nat Love (Majors) contra Rufus Buck (Elba), que matou seus pais quando era criança e o marcou na testa com uma navalha o sinal da cruz. São dois bandos de bandidos lutando para ver quem leva a melhor.

Apesar da modernidade, muitos elementos clichês do faroeste estão presentes: assaltos a banco, assaltos a trens de ferro, cavalgadas por cenários ermos, ecos de balas de espingarda nas montanhas, saloon, entre outros. A cena final é típica de faroestes: personagens montam seus cavalos e saem cavalgando com a câmara abrindo, descortinando todo o vazio do oeste americano.

A estética do filme - cores, cenários, trilha sonora, enquadramentos, fotografia, direção de arte - é sensacional. Já o roteiro peca pela simplicidade.

Disponível na Netflix.

TITANE

 

Titane (Titane), 2021, 108 minutos. Dirigido por Julia Ducournau, que também tem participação no roteiro. Estrelado por Agatha Rousselle e Vincent Lindon.
Filme que ganhou a Palm D’Or em Cannes 2021 e é o indicado da França para a categoria de Melhor Filme Internacional no Oscar 2022.
Depois de ver, foi difícil acreditar na vitória em Cannes, pois é um terror, algo inédito para tal premiação, que transita em alguns dos seus subgêneros: primeiro vem o slasher, com assassinatos em série quando a protagonista utiliza objetos perfurocortantes para matar suas vítimas; depois vem o body horror, com a protagonista mutilando e tendo seu corpo mutilado; e o psicológico, com a estranha relação de Alexia/Adrien (Rousselle) com Vincent (Lindon).
A trama: uma menina  sofre um acidente de carro e tem que implantar uma placa de titânio (de onde vem o título) na cabeça. Ao sair do hospital, ignora seus pais e vai abraçar e beijar o carro no qual se acidentou. Alguns anos depois, ela é uma dançarina que se apresenta sensualmente em exposições de carros.
Ela tem dúvidas quanto à sua sexualidade, só alcançando o orgasmo “transando” com um carro, torna-se uma serial killer, é procurada pela polícia, disfarça de homem e se apresenta como o filho desaparecido do comandante do Corpo de Bombeiros da cidade.
O filme é recheado de situações absurdas, e de cenas que lembram filmes de terror, como Christine, O Carro Assassino; O Bebê de Rosemary; Carrie, A Estranha; e Halloween.
Também tem uma estética, com espetacularização dos assassinatos, que lembra os filmes de Tarantino. Trilha sonora muito bem escolhida, toda ela disponível no Deezer.
Filme que integrou a programação da 45ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.
Vai agradar somente a uma parcela do público.

quinta-feira, 4 de novembro de 2021

MISSA DA MEIA NOITE (MIDNIGHT MASS)

 

8️⃣ - Missa da Meia Noite (Midnight Mass), 2021, minissérie em 10 episódios, cada um com cerca de uma hora de duração. Criação e direção de Mike Flanagan. 

Em uma ilha isolada, a população se vê às voltas com um padre misterioso, carismático e operador de milagres, o que faz crescer a presença de fiéis católicos nas missas de domingo. Porém, moradores da ilha começam a desaparecer, forçando o xerife local, um mulçumano praticante do islamismo, a investigar o padre e seus auxiliares mais próximos. A partir de uma boa trama psicológica, com muito drama vivenciado pelos habitantes da ilha, a minissérie apresenta elementos sobrenaturais, tais como um ser que é a mistura de anjo, demônio e vampiro, com quem o tal padre tem uma espécie de pacto. Temas importantes são tratados nos 10 episódios: finitude da vida, vida além da morte, fundamentalismo religioso e suas consequências para a sociedade (no caso, para toda a comunidade que habita a ilha), ceticismo, a limitação de mobilidade para cadeirantes e idosos, fanatismo, intolerância religiosa, entre outros. Os episódios têm um ritmo lento, quase sempre passados no período da noite, o que pode cansar à primeira vista, mas é uma série que surpreende sempre. Eu vi em dez dias, um episódio por dia. Terminei de ver em 29/10/2021. Disponível na Netflix.

quarta-feira, 3 de novembro de 2021

BAIXO CENTRO

Baixo Centro (Baixo Centro), 2018, 8 minutos - filme rodado em Belo Horizonte, dirigido por Ewerton Belico e Samuel Marotta.
Um final de noite nas ruas vazias do Centrão de BH, onde vagam personagens sem muitas perspectivas de futuro. Depressivos, tristes e sem rumo, eles vivem o momento.
Os diretores optaram por mostrar uma BH pichada, fria, vazia, com zero de glamour. Chega a incomodar a vida dura que, mesmo sem mostrar os moradores de rua que habitam o Centro, eles se fazem presente nos diálogos, nas esquinas e praças vazias.

sexta-feira, 29 de outubro de 2021

BERGMAN ISLAND

Bergman Island (Bergman Island), 2021, 112' - filme dirigido por Mia Hansen-Love e estrelado por Vicky
Kieps (Chris), Tim Roth (Tony), Mia Wasikowska (Amy) e Anders Danielsen Lie (Joseph). Um casal de cineastas, apaixonados por Ingmar Bergman, se estabelece na ilha que Bergman usou como inspiração e cenário de seus últimos filmes. Na ilha, tudo gira em torno de Bergman: Safari Bergman, Museu, Fundação, Cine Clube, por exemplo. Chris, com bloqueio criativo, não consegue desenvolver seu roteiro, fica confusa entre o gênio Bergman enquanto cineasta e suas atitudes como ser humano, enquanto Tony participa de uma conferência sobre Bergman e exibe seu último filme. A partir da metade do filme, realidade e ficção (o roteiro de Chris) começam a se fundir. Alguns elementos característicos dos filmes de Bergman estão presentes: a contemplação de paisagens sem ninguém, as angústias dos personagens, a busca por um sentido na vida. Ótimo roteiro com excelentes performances dos atores e atrizes principais. Faz parte do catálogo da 45ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Gostei muito. Nota 7. Vi no Filmes On-Line.

OLGA

 

Olga (Olga), 2021, 85' - filme indicado pela Suíça para concorrer ao Oscar de Melhor Filme Internacional. Dirigido por Elie Grappe e protagonizado por Anastasia Budiashkina (Olga).
Olga é uma ginasta ucraniana, atleta de ponta, que treina com a equipe para o campeonato europeu. Sua mãe é uma jornalista que publica artigos na internet contra o governo local. Em uma noite, uma perseguição de carro, uma tentativa de assassinato de mãe e filha, Olga, que tem pai suíço ausente, se muda para a Suíça, integra a equipe local, se nacionaliza suíça, e disputa, impecavelmente, o campeonato europeu.
A câmera da diretora sempre persegue Olga, seja em casa, seja nos treinos, seja nas ruas.
Ela é determinada, colocando seu objetivo de ser campeã europeia sempre à frente de suas questões pessoais, inclusive com a mãe distante, sofrendo mais um atentado, e sendo hospitalizada.
A trama trata de temas importantes: adaptação de imigrantes em países com língua e cultura distintos, liberdade de pensamentos, a pressão nas atletas de rendimento para entregar performances espetaculares, a disputa entre as atletas para ser a estrela dentro da equipe esportiva.
Algumas cenas surpreendem: o protesto da principal atleta ucraniana, Sasha, melhor amiga de Olga, durante a competição europeia; e o retorno de Olga a Kiev e seu engajamento na formação de novos atletas.
Gostei muito. Nota 7. Este filme integra a 45ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Vi on-line na Mostra Play (R$ 12,00).

quinta-feira, 28 de outubro de 2021

CIDADE DE DEUS

🔟 - Cidade de Deus (Cidade de Deus), 2002, 130' - filme dirigido por Fernando Meirelles e Kátia Lund. Revi este filme 19 anos depois que o assisti no cinema. Continua atual, forte, sem glamour, mostrando a formação e o crescimento da milícia dentro da comunidade Cidade de Deus. Elenco de novatos, muitos deles vindos de comunidades carentes, super afiados, entregando excelentes performances. Tem participações especiais e sensacionais de Matheus Nachtergaele (Sandro Cenoura) e Seu Jorge (Zé Galinha). É o primeiro longa metragem de Alice Braga (Angélica), que depois faria carreira de sucesso em Hollywood. A escolha das cores, sempre com a predominância de tons amarelados, tem relação profunda com as cenas, desde a mais inocente, quando os bandidos ainda eram bem bobinhos, até a mais vibrante, forte, exalando calor, nas cenas das brigas de quadrilhas para dominarem o tráfico de drogas na comunidade. A questão da ausência do Estado faz com que Zé Pequeno (Leandro Firmino), o chefe de um bando, seja adorado pelos moradores da comunidade, pois ele os protege de roubos, assaltos, e outros crimes. Aborda, ainda, a simbiose entre a polícia e o tráfico. Como disse, mais atual do que nunca, mesmo passados quase 20 anos. Vi no Telecine.