Pesquisar este blog

domingo, 13 de março de 2011

FÉRIAS - DIA 16 - DOMINGO - 13/03/2011 - CONHECENDO BRUXELAS

Nada de acordar cedo no domingo. Este foi meu pensamento quando deitei na noite de sábado. Dormi antes de 22:30 horas. Estava tão cansado que dormi direto, sem acordar nenhuma vez, até nove horas da manhã de domingo. Amanheci com o corpo dolorido. Acho que estranhei a cama. Depois de um excelente café da manhã no hotel, fomos conhecer um pouco da cidade. Primeiro a região da Estação Central de trens, a alguns metros do hotel, subindo um belo parque quando nos deparamos com o Musée des Instruments de Musique (Museu de Instrumentos Musicais). Decidimos entrar não só pelo inusitado de seu acervo, mas também pelo interessante prédio em ferro e vidro, no melhor estilo Art Nouveau. Uma senhora muito lerda atendia na bilheteria. Mesmo com uma enorme fila, ela não se importava em fazer o seu serviço bem devagar. Em minha vez, comprei o Brussels Card 24 horas por 24 euros a unidade, com livre acesso a mais de trinta museus, descontos em bares, restaurantes e outras atrações turísticas, além de um cartão válido para dois dias no transporte público da cidade. Não pode entrar com mochila e casaco, motivo pelo qual tivemos que passar na chapelaria antes. Logo na entrada, há um fone de ouvido oferecido gratuitamente para os visitantes do museu. Não é um áudio-guia, mas um dispositivo que toca música quando chegamos perto de um dos muitos instrumentos expostos no museu, cuja área expositiva ocupa o subsolo e os andares 1, 2 e 4. No terceiro andar funciona a loja do museu. O prédio tem dez andares. Vale a pena subir até o último andar, onde funciona um concorrido restaurante (não conseguimos almoçar nele porque não tínhamos reserva prévia) com uma bela vista da cidade, especialmente do centro histórico. O acervo do museu é muito legal. São instrumentos musicais de várias épocas e regiões do mundo, com destaque para os pianos e órgãos. Cada um mais interessante e bonito do que o outro. A parte de instrumentos antigos traz exemplares de cordas e de sopro da África, da Ásia e da Europa. Vi vários tipos de flautas, violões e tambores. Chegar perto do instrumento exposto e ouvir a música que dele se extrai é uma experiência incrível. Vale muito à pena conhecer este museu. Sair, continuamos a subir em direção à igreja Saint-Jacques-sur-Coudenberg, que se impõe na Place Royale. Ela lembra mais um templo romano do que uma igreja católica. Seguimos em direção ao Palácio da Justiça, passando em frente ao mais famoso museu da cidade, na verdade, um conjunto de museus chamado Musées Royaux des Beaux-Arts. Continuando nossa caminhada, chegamos à Place de Petit Sablon, onde há um interessante jardim com 48 estátuas de bronze representando as associações das profissões medievais (chamadas guildas em Bruxelas). Dominando a paisagem está a igreja Notre Dame du Sablon. Aqui, paramos para fotos. Continuamos a subir até chegar  em uma praça circular onde está o Palais de Justice (em reforma), um belvedere onde avistamos os telhados da cidade, um obelisco e uma parada de bonde. Com o Brussels Card, resolvemos pegar um bonde e ver a cidade. Descemos em frente ao Jardim Botânico, pois a fome já apertava. A ideia era almoçar na região da Rue Sainte Catherine, repleta de restaurantes especializados em comida belga, em frutos do mar e em comida asiática. Para chegar na tal rua, ao sair do bonde, entramos em uma estação de metrô e fizemos uma baldeação com um trem urbano, descendo na estação Bourse, a mais próxima de onde queríamos chegar. Andamos um pouco até a Place Sainte Catherine. Seguindo um conselho de uma colega de trabalho, procurei por um restaurante que estive bem cheio de gente, sinal de que o preço não é alto e a comida é boa (esta máxima não vale fast food!). Chegamos, então, ao excelente Le Pré Salé (Rue du Flandre / Vlaamsesteenweg 20). Só havia dois lugares vagos neste pequeno e aconchegante bistrô, especializado em mexilhões e cozidos belgas. Pedimos de entrada um croquete misto (são dois croquetes, um de camarão e um de queijo). Ambos com um tempero especial. Para o prato principal, escolhi uma carne cozida em um molho da casa (na carta constava ser uma das especialidades do restaurante). Todos os pratos pedidos vem acompanhados de batatas fritas. Parece que os franceses conhecem tal restaurante, pois estavam em peso na hora do almoço. O atendimento é cordial, mas distante. Quando da sobremesa, a maioria com sorvete ou chocolate, vi uma que me chamou a atenção pelo nome: "brésilienne". Perguntei do que se tratava. Era um sorvete de baunilha com calda quente de caramelo salpicada com castanhas-do-brasil (a conhecida castanha-do-pará). Preferi ficar com um café expresso, muito parecido com o nosso café e longe do italiano, o forte e curto. Com o corpo ainda dolorido, propus a Ric um city tour no estilo Hop On Hop Off. Ele aceitou. Pegamos então um trem urbano, fazendo conexão com o metrô, chegando na Estação Central, de onde saem os ônibus de dois andares que fazem este tipo de passeio pela cidade. No caso, devido à hora (15 horas), nossa decisão foi em fazer o trajeto completo sem descer em nenhuma das treze paradas do percurso. Neste trajeto, percebi que Bruxelas é muito mais interessante do que falam. Muitas pessoas no Brasil me disseram que dava para fazer a cidade toda em um único dia. Achei injusta esta afirmação (acabei me guiando por ela, deixando apenas um dia e meio na cidade), pois Bruxelas é espalhada. Além de seu centro histórico, ainda tem a parte moderna onde estão as sedes dos principais organismos europeus, além de ser a sede do Parlamento Europeu. Também há enormes parques, mais de quarenta museus, alguns com acervos diferentes (o já citado museu de instrumentos musicais, o de história em quadrinhos, o da cerveja, o do chocolate, o de figurinos criados para a estátua Manneken-Pis, entre outros) e a região onde fica o Atomium, uma enorme estrutura em forma de átomo criada quando a cidade sediou a Expo'58. No mesmo parque que fica esta estrutura, onde se pode subir e apreciar a vista de Bruxelas, ainda há outras atrações imperdíveis (que perdi!) como a mini-Europa, o planetário, a residência real de veraneio, o pavilhão chinês e a torre japonesa. O percurso todo dura noventa minutos. Paguei pelo trajeto 15 euros, utilizando o cupom de desconto que vem no livreto do Brussels Card. Normalmente, o preço de um tour válido para um dia são 20 euros. Cada vez mais cansado do ritmo desta viagem, resolvi voltar para o hotel, alternativa que logo agradou a Ric. Hora de descansar um pouco para só sair quando chegar a hora do jantar.
Depois de um bom descanso, era hora de sair para jantar. Quando chegamos no hall do hotel, percebemos que chovia, mas uma chuva bem fraca. Atravessamos a feira de artesanato em frente, resolvendo entrar na Galerie Saint Hubert, uma elegante galeria, uma das primeiras a serem criadas na Europa. Naã chega a ser chique como a de Milão, mas tem seu charme. Repleta de lojas de chocolate, incluindo uma da famosa Godiva. Percorremos todos os corredores da galeria, saindo do outro lado em uma rua onde uma divertida escultura de uma gata andando de bicicleta contrastava com a arquitetura austera do local. Andamos mais um pouco, chegando a ruelas repletas de restaurantes, um ao lado do outro. Resolvemos percorrer a rua de uma ponta a outra, acabando por escolher o simpático Le Marmiton (Rue des Bouchers, 43A - Galerie de la Reine, 38) para jantarmos. O local é pequeno, com ar decante, mas com elegância. Paredes revestidas de vermelho e guardanapos rasgados ou furados garantiam o ar decadente, enquanto a prataria, taças, copos e afins garantiam a elegância. Pedi um vinho tinto Beauvillage, safra 2008, pois queria algo mais leve para acompanhar as minhas escolhas da noite: salada caprese de entrada, que estava divina, e os onipresentes mexilhões fervidos em molho da casa. Este fruto do mar está presente em todos os menus da cidade. Pedi os moules (como chamados em francês) com molho à base de cenoura, aipo, cebola, manjericão e vinho branco. O prato foi servido em uma panela verde esmaltada que chegou fumegante, cuja tampa serviu de cemitério para as conchas vazias. Nao consegui comer tudo, pois o prato vem muito bem servido. Tinha uns cinquenta mexilhões dentro da panela. Encerrei a noite com uma grande xícara de café expresso descafeinado. Voltamos, ainda com chuva fina, para o hotel.

sábado, 12 de março de 2011

FÉRIAS - DIA 15 - SÁBADO - 12/03/2011 - BRUXELAS

Depois de 12 dias na Itália, chegou a hora de deixar o país. Acordei muito cedo, antes de seis horas da manhã. Aproveitei para colocar as últimas coisas na mala, sempre com a preocupação de ela pesar até 30 quilos (ficou bem próximo, pois ao final, a minha mala pesou 29 quilos e a de Ric, 21 quilos), limite imposto pela Brussels Airlines para não pagar excesso para quem viaja de classe executiva, o nosso caso. Tomamos o café da manhã no hotel em Milão às 07:30 horas, descendo imediatamente para a recepção, onde fiz o check out. Aproveitando que tínhamos tempo, usei os 12 vouchers do A-Club para abater na conta do hotel. O total da conta da nossa estadia ficou em 853,50 euros, dos quais 480 foram pagos com os vouchers. O restante, paguei em dinheiro. Pedimos um táxi, que chegou em 4 minutos. Um carro enorme, confortável, do tipo van, era o nosso táxi. O motorista parecia sair dos filmes americanos pós-guerra no Vietnã, muito semelhante com os motoqueiros do filme Sem Destino. O trajeto hotel-aeroporto Milano Malpensa durou meia hora, custando 85 euros. No aeroporto, descobri que não adianta chegar cedo, pois o check in da companhia belga só abre duas horas antes do horário do voo. Como chegamos às 08:45 horas, tivemos que esperar meia hora em pé nas imediações do balcão do check in, pois o voo estava marcado para sair às 11:15 horas. No horário exato, às 09:15 horas, fomos os primeiros a despachar nossas bagagens e pegar o cartão de embarque. Somente nós dois éramos viajantes de classe executiva no voo. Passamos pelo controle de raio X, quando fizeram Ric voltar à esteira. Acostumado a não observar os cartazes, ele colocou tudo em uma única bandeja. Teve que retornar, pois o funcionário local disse que ele não podia fazer uma montanha. Ele voltou, separando as coisas em outras bandejas. Meu computador teve que ser aberto para checagem de possíveis resíduos. Quando liberados (foi muito rápido), fomos para a sala vip da Lufthansa, uma vez que a Brussels faz parte da Star Alliance (motivo pelo qual pontuaremos no programa de fidelidade da TAM), onde aguardamos o horário do embarque. Aproveitei para organizar as mais de duas mil fotos tiradas nestes dias de férias na Itália. Embarcamos remotamente no horário previsto, em uma rapidez de fazer inveja (fiquei só lembrando dos embarques nos aeroportos brasileiros, principalmente em Brasília e Congonhas-São Paulo, onde a Infraero insiste em ficar alterando os portões de embarque, causando transtornos aos passageiros, fato que não presenciei em nenhum aeroporto na Europa). O avião era pequeno, daqueles com duas turbinas de cada lado. A tal classe executiva é um engodo. Não há diferença nenhuma entre as poltronas. Todas no avião são idênticas. Apenas uma placa a partir da terceira fileira indica a separação das classes. O diferencial fica por conta do serviço de bordo, pois servem uma refeição (era hora do almoço) para os passageiros viajando em executiva (no caso, somente eu e Ric), enquanto para os demais passageiros há venda de lanches. Chegamos perto de 13 horas no aeroporto de Bruxelas. Anda-se muito dentro do aeroporto para pegar as bagagens e sair. Quando chegamos na esteira, vi o chef brasileiro Alex Atala, também esperando sua mala. Nossas bagagens logo apareceram. Assim que as tiramos da esteira, nos dirigimos à alfândega, onde passamos sem parar. Muito movimentado o aeroporto. Procuramos a fila do táxi, embora haja opções de trens saindo de hora em hora em direção à estação Midi, a principal da cidade. Preferimos o táxi, tendo em vista as malas grandes. Fila organizada do lado de fora para entrar no táxi. Foi rápido. Mostrei ao motorista o endereço do Novoltel Brussels off Grand'Place (120, Rue du Marché aux Herbes). O tempo estava ótimo, com um sol brilhando no céu. A temperatura estava em 12º C. Na chegada ao hotel, tivemos que descer afastados da sua porta, pois não há como estacionar nenhum carro na sua entrada. A praça em frente ao Novotel estava cheia de gente, com uma movimentada feira de artesanato. A corrida ficou em 40 euros. O check in foi o mais demorado até aqui, com funcionários secos fazendo o atendimento. Ficamos em um quarto no primeiro andar. O quarto do hotel segue a tradição francesa de ter o vaso sanitário em um cubículo separado do restante do banheiro. Odeio isto. Cansado, olhei a cama, deitei e dormi. Isto era pouco mais do que 14 horas. Só fomos sair após as 17 horas, resolvendo caminhar pelas proximidades. Obviamente que tinha curiosidade imediata de conhecer uma das praças mais bonitas do mundo, segundo vários guias de turismo. No caminho da Grand Place, percebemos o quanto a cidade está cheia de turistas, concentrados especialmente na região ao redor do nosso hotel. Também nas ruas, vimos muitas vitrines mostrando o que o país tem de mais famoso: chocolates, biscoitos, waffles (há uma loja em cada esquina), cristais, tapeçaria, cerveja. Enfim, é uma tentação para olhos, paladar e bolso. Chegamos na linda praça. Achei que realmente ela faz jus ao figurar entre as mais belas do mundo. A arquitetura dos prédios é o destaque. Elegantes bares e restaurantes estão nela instalados, assim como o prédio da prefeitura da cidade. Num canto da praça, em uma das paredes, vimos uma pequena multidão. Fomos até lá para checar. Era a estátua de bronze de Everard't Serclaes, que ali morreu em 1388, em resistência à ocupação flamenga. Diz a lenda que quem passar a mão na estátua terá sorte. Resolvi não desafiar a tradição, passando a mão na tal estátua. Seguimos andando pelas ruas em torno da praça. Parei para experimentar um waffle com nutella, já que vi várias pessoas comendo na rua com a mais das deliciosas caras. Por 2,50 euros, recebi um waffle bem quente. Bom o sabor, mas nada de excepcional. Estávamos ao lado da famosa fonte da criança que urina água, o símbolo da cidade, chamado Manneken-Pis. A estátua é bem pequena, mas atrai uma multidão para tirar fotos. Ainda percorremos outras ruas, passando em frente ao prédio da Bolsa de Valores (La Bourse), em estilo parecendo um templo grego. Muitos músicos de rua animavam o início de noite fria na cidade e ganhavam alguns trocados dos turistas. No meio da rua, casais homossexuais passavam de mãos dadas e jovens ascendiam baseados sem medo de repressão. As cervejarias pipocam em todo o canto e sempre estavam lotadas. Aproximando-se de 19 horas, resolvemos jantar. Fomos em mais um restaurante pesquisado na internet: Chez Patrick (6, Rue des Chapeliers), quase em uma das esquinas da Grand Place. O restaurante tem oitenta anos, sempre no mesmo endereço. Embora vazio quando chegamos, quase todas as mesas tinham placas de reservada, o que nos fez crer que encheria mais tarde, o que de fato ocorreu. Sentamo-nos em uma das poucas opções sem reserva. Atendimento simpático. Escolhemos um vinho tinto da região de Bordeaux. Para comer, uma salada de queijo de cabra quente com mel como entrada e uma das especialidades da casa como prato principal, coelho cozido ao molho de cerveja preta e ameixas. Ambos os pratos estavam muito bons. Ficamos por mais de uma hora e meia no restaurante. Resolvemos voltar para o hotel, pois o cansaço já gritava em nossos corpos. Esta viagem está servindo para eu rever futuras programações (vou ficar mais tempo em cada cidade, conhecendo melhor os lugares, evitando, assim, ficar o dia inteiro atrás das atrações turísticas de cada local. Também vou evitar pegar trem ou avião em horários muito cedo, pois não gosto de acordar antes de oito horas da manhã). Hora de atualizar o blog e deitar.

sexta-feira, 11 de março de 2011

FÉRIAS - DIA 14 - SEXTA-FEIRA - 11/03/2011 - VERONA

Acordamos bem cedo, tomamos o café reforçado no hotel, pegamos o metrô em direção à estação de trens Milano Centrale para mais uma viagem bate e volta nesta temporada na Itália. Às 08:35 horas o trem partiu da estação em direção à Verona. Viajamos em primeira classe, com o vagão praticamente vazio. No horário correto, ou seja às 09:57 horas, chegamos a Verona. Ainda na estação, paguei um mico enorme. Com muita vontade de ir ao banheiro, pois minha bexiga estava muito cheia, corri para os toilettes da estação Verona Porta Nuova. Cancelas automáticas que se abrem após colocar 0,80 euros no local indicado. Não tinha moedas no valor correto e nem via máquina de trocar dinheiro por perto. Meti uma moeda de 1 euro, que foi devolvida, pois a máquina só aceitava moedas até 0,50 euros. Coloquei duas moedas, totalizando 1 euro, sem receber o troco. Quando passei a cancela automática, uma mulher me viu entrando e disse que eu estava no banheiro feminino. Que mico! Saí, fui até a porta certa, coloquei minhas últimas moedas de 0,50 euros e entrei. Gastei 2 euros nesta brincadeira. Com um mapa nas mãos, mas sabendo que andaríamos o dia todo, resolvemos comprar um bilhete para andar no ônibus local. Já sabia que na Itália não se vende passagem de ônibus coletivo urbano dentro dos veículos. Procurei dentro da estação o símbolo "T" que significa que o local vende tais bilhetes. Sempre se acha em lojas que vendem água e lanches rápidos. Entrei na loja localizada na saída da estação, comprando um bilhete válido por 24 horas, podendo andar em todos os ônibus que servem a cidade. Cada bilhete custou 3,50 euros. Na parada, conversando com Ric, um casal perguntou  se éramos brasileiros. Eles eram do Rio Grande do Sul e estavam fazendo intercâmbio em direito e filosofia na cidade, onde ficarão por um ano (chegaram havia apenas vinte dias). Eles nos deram informações e dicas preciosas sobre a cidade, inclusive sobre o Verona Card que dá acesso a 14 museus da cidade, além do próprio transporte coletivo, por um preço bem menor do que se pagássemos uma a uma as entradas dos locais que visitamos. Sabendo que queríamos começar nosso roteiro pela Arena, nos indicaram o local de descer: Piazza Bra. Quando desci do ônibus, já percebi que gostaria muito da cidade. Limpíssima, sem nenhuma pichação, com trânsito organizado, bem diferente das cidades italianas que visitamos até então. A Arena é a terceira maior arena romana do mundo, com capacidade para 20 mil pessoas. Muito bem conservada e com retoques/adaptações necessárias, hoje é palco para grandes óperas e shows, especialmente no verão. Na bilheteria da Arena compramos o Verona Card, válido para dois dias, ao preço unitário de 15 euros. Só a entrada individual da Arena custa 6 euros. Depois de um passeio pelo centro da arena, por suas arquibancadas e arcadas internas, fomos para o segundo local do roteiro, o Museo di Castelvecchio, que abriga uma exposição de pinturas e esculturas italianas medievais e do início do Renascimento. Muito bem montado, o museu nos permite andar por todo o castelo, assim, vemos ao mesmo tempo as peças do acervo permanente e os muros, interiores e cantinhos da edificação medieval, com direito a mirantes deslumbrantes para o Rio Adige. Para entrar, usamos o Verona Card (VC). Ingresso individual custa 6 euros. Do castelo, passamos pela Ponte Scaligero, construção medieval, para depois seguir, sem atravessar o rio, para o centro histórico, passando por ruas bem conservadas e estreitas. Chegamos à movimentada Piazza Erbe, centro nervoso da cidade, com uma feira permanente na praça, onde se vende desde artesanato até sanduíches. Também na praça está uma coluna com o leão, símbolo de Veneza, sinal do domínio daquele reinado em Verona em épocas passadas. Hoje o que domina a praça são as máscaras feitas em Veneza. Na mesma praça, há o acesso para Piazza dei Signori, quando passamos por um arco que tem uma costela de baleia nele pendurado. No centro da praça, uma imponente estátua de Dante, além do acesso à Torre dei Lamberti, cuja entrada custa 6 euros. Com o VC, nada se paga, desde que o turista suba os 368 degraus a pé. Caso o detentor do cartão quiser subir o elevador que nos poupa de 243 degraus, o ingresso custa 1 euro. Pagamos para subir. Bela vista da cidade. Ainda fomos "presenteados" com o badalar do sino bem embaixo de nossas cabeças. Eu subi os 125 degraus até o topo. Saindo da torre, era vez de conhecermos o local mais visitado da cidade, ou seja, a fictícia casa onde teria morado Giulietta, a famosa personagem da também famosa história de Shakespeare, Romeu e Julieta. Entrada custando 6 euros, mas com entrada livre para quem tem o VC. Uma foto obrigatória, com filas de turistas, é junto à estátua de bronze da donzela, mas o turista tem que colocar a mão em um dos seios da moça. Outra foto obrigatória é no balcão onde a moça era paparicada por Romeu. Dentro da casa, subimos vários degraus, vendo objetos que fazem alusão à época em que a história está situada, além da cama usada no filme homônimo dirigido por Franco Zefirelli. No corredor de acesso à casa, ainda antes de se exigir o ingresso, as duas paredes estão lotadas de nomes escritos pelos turistas que por ali passam. Deixamos nossas marcas. Era hora de almoçar. Com indicações do Guia Michelin, desta vez sem estrelas, mas comida com qualidade a um bom preço, fomos em direção à Osteria da Ugo (Vicolo Dietro San Andrea, 1/b). Decoração típica de cantina italiana, com cardápio enxuto com pratos da culinária local. Preferi o menu degustação, quando pude experimentar o melhor da gastronomia da região, incluindo uma seleção de salames, polenta grelhada, um ravioli recheado de carne com pitadas de trufas negras, um filé com molho de frutas do bosque, encerrando com um maravilhoso tiramissú. Voltamos a caminhar pelo centro histórico, passando pela insossa Piazza Viviani, chegando à imponente e em restauração Chiesa di Santa Anastasia. Paga-se para entrar, mas o VC tem entrada livre. Um primor de decoração, com afrescos medievais recentemente restaurados. Chegamos à beira do Rio Adige novamente, cruzando-o pela Ponte Pietra, onde não há trânsito de automóveis. Nos muros, a mesma simpatia encontrada em Florença, muitos cadeados presos entre si. Do outro lado do rio, era hora de entrar no Teatro Romano, construção do século 1 a.C., que também dá acesso ao Museo Archeologico (por escadas ou elevador, sem custo adicional), que funciona no alto, onde outrora foi um convento. Tal museu tem como acervo as peças encontradas no teatro. O ingresso custa 4,50 euros, mas o VC também garante a entrada livre. Voltamos para o centro, onde paramos na incrível catedral local, o Duomo, com entrada livre para quem tem o VC. Já pode-se perceber o quanto economizamos ao adquirir tal cartão! Nesta catedral, há uma impressionante pintura de Ticiano retratando a assunção de Nossa Senhora, um batistério que pertenceu a uma igreja medieval cuja pia batismal, toda em mármore, foi esculpida no ano de 1200, está no complexo da catedral. No seu claustro, pode-se ver ruínas de duas outras igrejas medievais. A passagem por tal catedral é obrigatória. Voltamos a pé até a Piazza Erbe, onde Ric comprou duas máscaras de Veneza. Ainda tivemos tempo para apreciar uma rua somente para pedestres, a Via Mazzini, onde estão as lojas mais chiques, incluindo algumas grifes famosas. Esta rua termina ao lado da Arena. Resolvemos procurar onde era a parada do ônibus para a estação ferroviária. Nosso trem saiu de Verona às 18:02 horas. Estávamos com bilhete para o vagão 1, assentos 45 e 46. Havia gente em nosso lugar. Era uma família de brasileiros. Eles estavam com passagem comprada para o dia 10/03. Ficamos com nossos lugares sem estresse. As duas filhas saíram, enquanto o casal permaneceu ali sentado à nossa frente, conversando conosco. Eram cariocas. Quando o funcionário da companhia de trens chegou para checar os bilhetes, eles tentaram explicar que não perceberam o erro ao comprar o bilhete na máquina automática, mas o jeitinho brasileiro não funcionou. Pagaram 300 euros pelas quatro passagens. Normalmente o preço das quatro ficaria em 96 euros. A viagem passou rápida, pois viemos batendo papo. Chegando em Milão, fomos direto para a estação do metrô, passando por uma ruidosa multidão. Era o início das vendas para o show de Laura Pausini. As filas eram enormes, bem diferentes das que vemos no Brasil, pois estavam muito bem organizadas. O detalhe é que o show em Milão acontecerá em dezembro deste ano. As entradas para o metrô estavam fechadas. Não ficamos sabendo o motivo. Com mapa nas mãos, fomos a pé para o hotel, quando gastamos exatos 13 minutos para chegar. Entramos no quarto, guardamos as mochilas e voltamos para a rua. Queríamos jantar logo para poder arrumar as malas, pois deixaremos a Itália na manhã deste sábado, quando iremos para a Bélgica. Fomos para a pizzaria indicada pelo hotel. Lotadíssima, com fila de espera de mais de meia hora. Demos meia volta e paramos no Oberdan Lounge Bar (Piazza Oberdan, 12), o restaurante do hotel onde estamos. Ambiente com decoração moderna e televisão ligada transmitindo o jogo de futebol do campeonato italiano. Ficou cheio de gente assistindo a partida entre Brescia e Internazionale. Comi um ritoto de abobrinha. Findo o jantar, voltamos para o quarto. Hora de arrumar as malas. Termino afirmando que Verona é uma cidade para ficar, pelo menos, uma noite, especialmente no verão.

quinta-feira, 10 de março de 2011

FÉRIAS - DIA 13 - QUINTA-FEIRA - 10/03/2011 - SCALA

Quinta-feira de muito sol, clima frio e seco. Lábios rachados. Foi dia de um passeio a pé pelo centro histórico de Milão. Depois de um café da manhã no hotel, pedimos para lavar algumas peças de roupa, nos arrumamos e partimos para um grande roteiro. Fomos de metrô até perto da Pinacoteca Brera, para onde já tinha um voucher valendo dois ingressos adquirido em conjunto com a entrada para ver a obra de Leonardo Da Vinci, "A Última Ceia", ingressos comprados via internet. No mesmo prédio onde etá este museu funciona uma escola de belas artes, o que explica o número de galerias e lojas especializadas ao seu redor. O museu fica no segundo piso de um grande edifício. Para entrar, passamos pela loja da pinacoteca, indo para a bilheteria onde fizemos a troca necessária do voucher pelos dois bilhetes para entrar. O valor do ingresso para comprar no local é 5 euros. O museu é muito fácil de se andar, sem labirintos, permitindo ver todo o acervo em exposição seguindo um mapa disponível no balcão da bilheteria. A maioria dos quadros expostos são de artistas italianos, cobrindo um período que vai do século XII ao século XIX. Algumas salas (creio que três ou quatro) expõem algumas coleções particulares, onde pode-se ver obras de outros artistas como Braque e Picasso, por exemplo. Há uma sala pequena com pinturas dos holandeses, com um quadro atribuído a Rubens, além de um retrato feito por Van Dyck e outro por Rembrandt. O restante é o melhor da arte italiana. Tem obras de Bellini, Tintoretto, Mantegna (o famoso quadro "Cristo Morto"), Morandi (várias naturezas mortas), Modigliani, Rafaello, Caravaggio (um belíssimo "Ceia em Emaús"), Hayes, Veronese. Além de apreciar mais um quadro de Caravaggio, já postado aqui que é um dos meus artistas preferidos, também pude ver a obra "Fiumana", de Giuseppe Pellizza. Esta pintura foi reproduzida em uma cena do filme "1900", de Bernardo Bertolucci. Quando avistei a pintura, a tal cena veio logo à minha mente, embora não me lembrei, no momento, a que filme ela se referia. Fiquei admirando, tentando lembrar. Sabia que era um diretor italiano. Não saí da sala até me lembrar do filme de Bertolucci. Só este quadro já vale a visita ao museu. Saindo da pinacoteca, continuamos nossa caminhada pelo centro de Milão, chegando à Piazza della Scala, onde está o famoso Teatro alla Scala, também conhecido como Scala de Milão, considerado um dos melhores palcos do mundo para encenar óperas. Diga-se, de passagem, temos ingressos comprados via iternet e enviados pelo correio para meu endereço em Brasília, para ver na noite desta quinta-feira, o espetáculo "Morte em Veneza". Mais tarde colocarei minhas impressões aqui. No centro desta praça está um monumento com a estátua de Leonardo Da Vinci. O prédio que abriga a prefeitura da cidade também está nesta praça, assim como uma das quatro entradas para a chiquérrima Galleria Vittorio Emanuelle II. Na verdade, são duas ruas que se cruzam cobertas com uma cúpula de vidro, abrigando uma série de lojas de grifes e alguns restaurantes. Por ali, estão filiais da Prada, Louis Vuitton, Mercedes Benz, Tod's, Gucci, entre outras. Na loja da Gucci está o único café da grife existente no mundo. Claro que paramos para um café no local. Pedi um gran cappuccino. Veio um bowl enorme, cheio até a borda. Na outra ponta da galeria se situa a praça mais famosa da cidade, a Piazza Duomo, onde está a terceira maior catedral do mundo. Belíssima por fora, há um rigoroso controle de segurança na entrada desta igreja, onde minha mochila teve de ser aberta, além de passarem um detector de metais manual sobre o corpo. Entrada grátis. O interior é escuro e parte está em obras (como quase tudo na Itália!). Comprei um mapa da catedral por 1 euro para me situar melhor. Os vitrais são considerados os mais altos do mundo em igrejas. Pagamos mais 1 euro cada entrada para ver o tesouro da catedral. Desperdício de tempo e dinheiro. Nada do que já não tenhamos visto nos muitos tesouros de igrejas históricas europeias, além de ter um acervo minúsculo. Já do lado de fora da catedral, observamos o movimento da praça, onde uma multidão passa diariamente, entre turistas, vendedores ambulantes e locais. Ainda havia batalha de confete e serpentina entre crianças fantasiadas. Acontecia também uma apresentação de palhaços dentro da programação do Milano Clown Festival. Do lado esquerdo de quem sai da catedral está o Palazzo Reale, totalmente reformado e, hoje, é sede de exposições de arte temporárias. Como tínhamos reserva em mais um restaurante estrelado (duas estrelas) no Guia Michelin para 13:30 horas, decidimos ir em direção à Piazza della Scala, onde ele está localizado. Trata-se do Trussardi alla Scala, um sofisticado restaurante dentro da sofisticadíssima loja da grife Trussardi. No térreo, a loja e um café. Para o restaurante, pega-se um elevador, todo revestido de mosaico azul. Fomos os primeiros a chegar. Muito bem atendidos, ofereceram guardar nossos casacos antes de nos dirigirmos à mesa, posicionada em um canto com ampla visão para o teatro e a praça. O restaurante só tem três opções no cardápio: dois menus fixos (130 euros e 145 euros cada um, com exigência de todos na mesa pedirem o mesmo menu) e um menu do dia, mais simplificado, ao custo de 55 euros. O atendimento é de primeira. Em nenhum momento ficamos sem assistência e explicações sobre os pratos que chegavam. Logo que sentamos, colocaram uma vasilha com mandiopãs coloridos. Deliciosos. Logo vieram os pães da casa. Resolvi recusar todos, pois não queria me empanturrar de pão em detrimento ao menu escolhido. Ficamos no menu de 130 euros cada um. O sommelier da casa nos ofereceu três opções de taças de espumantes (na verdade, um champagne e dois espumantes) para começarmos. Chutei o balde. Escolhi um espumante italiano sensacional. Além disto, escolhi na enorme carta de vinhos, um autêntico Barolo para acompanhar nosso menu. As boas vindas do chef Andrea Berton chegaram à mesa, com cebola caramelizada, um drink feito de sprite e cerveja, um bombom de queijo e uma espécie de tronco com canela. Tudo muito leve, mas com explosões (literalmente) de sabores na boca. Em seguida, foi uma sequência de quatro pratos salgados, cada um melhor do que o outro, com destaque para o último, uma tenra carne de vitelo. Antes da sobremesa, novo mimo do chef, desta vez uma combinação de sorbet de queijo com creme de manga. A sobremesa, o quinto prato do menu, foi uma versão atualizada do tiramissú. A apresentação dos pratos é um caso à parte. Alegria para olhos e paladar. Junto com a sobremesa, vários mini docinhos, como uma degustação em proporções diminutas das delícias doces da casa. Finalizamos com o sempre forte café expresso. Intrigados com as fotos que tirávamos dos pratos, um dos garçons me perguntou o motivo de tais fotos. Disse que era para eu colocar no blog que escrevo sobre minhas impressões de viagem. Aproveitei e pedi para trazerem a garrafa do Barolo para uma foto. Fui prontamente atendido. Ainda perguntaram se eu queria levar o rótulo, pois muitos clientes pediam isto. Disse que não. Para mim bastava a foto. Perguntaram, então, de onde éramos. Quando falei Brasil, surpreendentemente perguntaram-me se conhecia algum restaurante do chef Alex Atala. Disse que conhecia tanto o D.O.M. quanto o Dalva & Dito. Paguei a conta mais cara desde o início da viagem (468 euros), mas valeu a pena. Na saída, ao entregar nossos casacos, o gerente nos presenteou com as edições 2011 de dois importantes guias gastronômicos: "Les Grandes Tables du Monde" e o "Le Soste" (um guia centrado na gastronomia italiana). Na saída, nova caminhada pelas redondezas. Desta vez, no quadrilátero de ouro, ou Fashion District. São quatro ruas: Via A Mazoni, Via della Spiga, Via S. Andrea e Via Montenapoleone. Só lojas de grifes famosas e caras: Pucci, Prada, Trussardi, Armani, Ermenegildo Zegna, Dior, Chanel, Louis Vuitton, Cacharel, Kenzo, Roberto Cavalli, Moschino, Fendi, Ferré, Hermès, Dolce & Gabbana, Krizia e por aí vai. O povo circulando nestas ruas é de uma elegância ímpar, além de termos visto algumas excentricidades também. Quando terminamos este passeio, fomos para a útlima atração programada para a tarde, uma caminhada dentro dos muros do Castello Sforzesco. Lá, o movimento é intenso. Existem quatro museus. Para visitá-los, basta adquirir um único bilhete. Estávamos cansado e lembramos da ópera da noite, com duração de duas horas e cinquenta e cinco minutos. Preferimos apenas conhecer o castelo, sem entrar nos museus. Voltamos para o hotel de metrô para um merecido descanso antes da programação noturna.
Depois do descanso, colocamos o paletó e fomos para o Teatro alla Scala conferir a ópera "Morte em Veneza" (Death in Venice), de Benjamin Britten, a partir da obra de Thomas Mann. No papel principal John Graham Hall. A ópera é dirigida por Edward Gardner. Confesso que fiquei decepcionado com o teatro, que estava lotado, especialmente de público mais velho, impecavelmente vestido, a maioria de terno, alguns com gravata borboleta. A decepção ficou por conta do desconforto das poltronas, do pouco espaço para as pernas (fiquei com saudades do aperto do Teatro Nacional de Brasília), além de ficar desapontado com a decoração. O Teatro San Carlo, em Nápoles, é muito mais suntuoso. Além do mais, achei a ópera chata, muito longa. Prefiro mil vezes a versão para cinema dirigida magistralmente por Luchino Visconti. Saímos tarde, não achando nenhum restaurante na região aberto para jantarmos. Resolvemos pegar o metrô, que fecha por volta de meia noite, e ficar por perto do hotel. Chegamos a entrar em uma pizzaria, mas fomos informados que a cozinha já estava encerrada. A única opção por perto foi o McDonald's. Ao sentar, fiquei rindo da contradição do dia. Um almoço em restaurante estrelado, cuja conta ficou em 468 euros, e um fim de noite no McDonald's, cuja conta ficou em 12 euros. Voltamos para o hotel e as roupas que mandamos lavar já estavam disponíveis na recepção, limpas, cheirosas e passadas. Hora de dormir.

quarta-feira, 9 de março de 2011

FÉRIAS - DIA 12 - QUARTA-FEIRA - 09/03/2011 - MILÃO

Como sempre acontece comigo em dias de viagem, acordei antes do despertador tocar. Uma hora antes, ou seja, eram 05:15 horas da manhã! Fiquei enrolando na cama, pois a mala já estava pronta desde a noite anterior. Às 06:50 horas, já de banho tomado e pronto para mais um deslocamento, tomei meu último café da manhã nesta estadia em Nápoles. Antes de 07:30 horas, estávamos com as malas na recepção para fazer o check out. Resolvi pagar parte da conta com cinco vouchers do A-Club da Accor, portanto, tinha 200 euros em vouchers. O check out foi demorado, pois pelas regras do cartão fidelidade da Accor, cada voucher deve ser checado pela recepção do hotel. Como os números de identificação são grandes e eles devem ser digitados um por um, quanto mais voucher se usa, mais tempo se gasta. Um agravante na hora de pagar foi que cobraram o café da manhã em dobro em dois dias, pois ele já estava incluído no preço da diária desde a minha reserva, feita pela internet, ainda no Brasil. Depois de tudo resolvido e um insistente pedido de desculpas pelo lançamento errado, liquidei a fatura. Pedi que nos chamasse um táxi. Prontamente atendidos, o táxi não demorou nem três minutos para chegar. O trânsito estava parado, devido a um acidente nas proximidades do hotel. O motorista nos avisou que daria uma pequena volta para sair do engarrafamento. Sem problemas, pois tínhamos tempo e a estação central era perto. Chegamos à Napoli-Garibaldi às 08:10 horas, quarenta minutos antes da partida de nosso trem para Milão, nossa próxima parada nesta viagem de férias. A corrida ficou em 10 euros, embora o taxímetro marcasse bem menos. Ainda não acostumei com viagens de trem, sempre penso que estou em aeroporto e devo chegar com uma hora de antecedência. Para viagens de trem, quinze minutos antes da partida é mais do que suficiente. Um senhor se aproximou querendo nos ajudar, perguntando para onde iríamos. Percebi logo que queria ganhar uns trocados para carregar nossas malas. Agradeci e o dispensei logo. Ainda não aparecia a plataforma de embarque nos paineis da estação em relação ao trem 9516 com destino a Milão. Fui até o balcão de informações da companhia de trens e um mau humorado funcionário me informou que eu devia esperar a indicação no painel, mas que geralmente o trem partia da plataforma número 18. Com tempo de sobra, Ric ficou tomando conta das malas, enquanto eu fui à bilheteria central para comprar passagens para o dia 11 de março, quando faremos o percurso Milão-Verona-Milão. Uma fila grande me aguardava. Na verdade tinha duas filas, uma para bilhetes para trens regionais e outra para trem rápido. A maior era a que eu devia enfrentar: a de trem rápido. Havia uns dez guichês, mas apenas dois estavam abertos. Logo um barraco se armou na fila, pois um africano queria ser atendido, não sabia falar italiano, tinha algo escrito em um papel e o senhor do guichê gritava que não era ele que atendia. Depois de muita gritaria, uma senhora ajudou o africano, que estava na fila errada. Logo chegou minha vez. Um outro senhor mau humorado me atendeu, achando estranho eu querer comprar um bilhete em Nápoles no percurso que saía e chegava em Milão. Ele achava isto estranho porque tinha internet e máquinas automáticas para esta compra. Disse apenas que preferia comprar ali. Ele me atendeu rapidamente, emitindo os dois bilhetes, ida e volta, conforme eu indiquei: Milão-Verona-Milão, dia 11/03/2011, ida às 08:35 horas e volta às 18:02 horas, primeira classe, assentos individuais, um de frente para o outro, na janela. Total da compra: 96 euros. Voltei para onde Ric me aguardava. A plataforma de embarque só apareceu faltando quinze minutos para a partida. Plataforma 18. Tínhamos bilhete em primeira classe, portanto nosso vagão era o de número 3, o que nos fez percorrer toda a extensão da plataforma, já que o vagão mais próximo era o de número 12. Os assentos eram os de número 51 e 52. Devidamente instalados, peguei uma revista das várias que trouxe comigo para ler. Em toda a viagem li três revistas. Três volumes a menos na bagagem. O trem partiu na hora: 08:50 horas. Faríamos três paradas antes de chegarmos a Milão: Roma, Florença e Bologna. A hora prevista para nossa chegada à segunda maior cidade italiana era 13:45 horas, Portanto, seria uma longa viagem. No trecho Nápoles-Roma, foi-nos oferecido o serviço de bordo, quando preferi um snack salgado e água mineral San Pellegrino. Nos demais trechos, fomos ignorados pelas duas moças que ofereciam as bebidas e snacks. No segundo trecho, Roma-Florença, ainda consegui arrancar um suco de laranja vermelha delas, mas depois elas passavam qual um foguete por nós. Fiz uma reclamação quando fui ao banheiro, e recebi a resposta de que o serviço de bordo era gratuito apenas uma vez em todo o trecho, mas que eu podia entrar no site da companhia e fazer uma reclamação formal. Vou ainda fazer isto, pois em nenhum lugar na passagem ou no envelope que a envolve isto está escrito. Durante a viagem, o tempo estava firme, com o sol querendo espantar o inverno europeu. Chegamos em Milão às 13:55 horas, portanto dez minutos depois do previsto. A estação Milano Centrale é grande e muito bonita. Anda-se muito para sair dela. Há conexão dela com o aeroporto, com táxi, ônibus e metrô. Preferimos pegar um táxi, em abundância do lado de fora, sem tumulto como em Roma ou em Nápoles. Pegamos um táxi enorme em direção ao hotel, no qual ficaremos três noites: Mercure Milano Centro (Piazza Oberdan, 12). A corrida ficou em 10 euros. O check in foi o mais rápido que já fiz em toda a minha vida. Em menos de cinco minutos já estávamos dentro do quarto. Foi só tirar algumas coisas da mochila, colocar no cofre e sair correndo para almoçar. Diferente de Roma ou Nápoles, em Milão encontramos restaurantes abertos até mais tarde para almoçar. Já tinha previsto almoçar em um bistrô a poucos quarteirões de distância de nosso hotel. Apenas chequei na recepção como chegar até lá, tendo um mapa da cidade nas mãos. Com o caminho desenhado no mapa, caminhamos por quinze minutos até chegarmos ao restaurante Gold (Piazza Risorgimento, ala norte). Com fachada toda dourada, fazendo jus ao nome, é um café-restaurante bem grande. Ao entrarmos, senti que fomos analisados pelas duas moças da recepção dos pés à cabeça. Eram mais de 15 horas. Uma simpática e elegante hostess me perguntou se tínhamos reserva. Perguntei qual lado ficava o bistrô, pois à direita estava vazio e à esquerda, apenas duas mesas ocupadas em um amplo espaço. Ela respondeu que o café ficava à nossa direita e o bistrô ficava à nossa esquerda. Então respondi que uma reserva seria desnecessária para aquele horário, pois havia mais de vinte mesas vazias. Ela trocou algumas palavras com sua colega, perguntou se queríamos guardar as blusas na chapelaria, o que fizemos, e nos levou até um garçom, também muito bem vestido. Duas coisas aprendi naquele momento: em Milão, terra de estilistas famosos, a maneira de vestir sempre é levada em consideração e, no inverno, a calefação é no talo, para que todos possam mostrar o modelito. Acomodaram-nos em uma mesa já preparada, pois a maioria delas estava vazia. O atendimento foi cortês, embora, em alguns momentos, fomos literalmente abandonados no salão onde o dourado e o bege predominam na decoração. Parece que houve uma troca de turnos de garçons no momento que lá estávamos, provocando uma espécie de apagão no atendimento. Pedi uma água com gás e Ric uma sem gás. Na Itália, todos os restaurantes lhe servem água em garrafas de, no mínimo, 750 ml. Assim, devido ao pedido, tínhamos à mesa 1,5 litros de água. Uma cesta de pães feitos na casa chegou à mesa logo que fizemos os pedidos dos pratos. Como primo piatto, escolhi uma salada de polvo em cama de purê de batatas, que chegou rápido. O polvo estava em cozimento adequado e bem temperado, mas o purê de batatas deixou a desejar. O secondo piatto demorou muito a chegar. Pedi um golden burger, ou seja, um hamburger grelhado. O diferencial do prato era o toque dourado, pois o hamburger veio em cima de um pão de abóbora levemente tostado, conferindo uma coloração amarelada no fundo do  prato. Em cima da carne, dois pedaços de foie gras envolvidos em uma fina lâmina de ouro comestível. Luxo e sofisticação, como diria meu amigo que acaba de se mudar para Belo Horizonte. Ainda no prato, batatas fritas (deixei tudo no prato, pois estavam ruins), rodelas de tomate (muito doce) e rodelas de pepino. O prato de Ric também teve seu toque dourado, pois ele pediu um risoto aromatizado com abóbora moranga, com ragu de pato e cogumelos frescos grelhados. O tempo voava. Ficamos sem a sobremesa, mesmo porque a comida pesou no estômago. Apenas dois expressos para espantar o sono e a conta. Mas para fazer este pedido, era o momento do apagão, tive que me levantar e ir até quase à recepção, quando um outro garçom veio nos atender. Muito simpático, perguntou de onde éramos. Ao descobrir que éramos brasileiros, disse que torcia pela Internazionale, time do craque Leonardo e ainda trouxe uma cortesia da casa para acompanhar o forte café (que já vem com uma barrinha de chocolate amargo), um doce típico da Itália, preparado durante o Carnaval, chamado carnavale. Trata-se de uma massa assada, com leve toque de creme e ricota. É bem sequinha. Gostei e ainda vi várias delas nas vitrines das docerias da cidade. Não sei o motivo, mas o tratamento que nos foi dispensado na saída pela mesma moça da recepção foi totalmente diferente, com um sorriso aberto, nos falou para voltarmos, especialmente à noite, quando a casa fica lotada de gente interessante, de gente que vai para o bistrô ou para o café para ver e ser visto. Afinal, os donos do restaurante são os famosos estilistas da marca Dolce & Gabbana. Tirei a conclusão que o que menos importa ali é a comida. De qualquer forma, saímos satisfeitos. Andamos em direção à estação de metrô mais próxima: Santa Babila. Na estação, não há bilheteria, mas somente máquinas de venda automática. Escolhi um bilhete para quatro viagens (há uma variedade enorme de opções, mas não tínhamos muito tempo para pensar qual era a melhor) ao custo de 4 euros. Enfiei uma nota de dez euros na máquina e aguardei a impressão de dois bilhetes e do troco de 2 euros. Tudo certo, verificamos a direção correta e pegamos o primeiro trem que passou. Descemos na estação Conciliazone. Nosso destino era a igreja Santa Maria delle Grazie. Anexo a esta igreja está a principal razão de nossa visita ao local: a pintura "A Última Ceia", de Leonardo Da Vinci. Para entrar, é uma dificuldade, pois é exigida uma reserva antecipada, há horário marcado para entrar e sair, com entrada de vinte pessoas por vez. Quando lembrei-em disto, ainda no Brasil, me apressei para tentar uma reserva. No site do local, já não havia mais disponibilidade para as datas em que estaria em Milão. Enviei um e-mail na esperança de ter outro site que fizesse a reserva. Responderam-me rapidamente que havia um site em inglês que vendia ingressos conjugados para museus na Itália - The Italian Museuns, mas alertaram-me que era mais caro o ingresso neste site. Tentei e consegui uma única vaga, justamente para o dia 09/03/2011, às 17:15 horas. Comprei o ingresso para Il Cenacolo Vinciano, como eles chamam a obra em Milão, conjugado com a entrada para a Pinacoteca Brera, para a manhã do dia 10/03/2011. Recebi, após três dias, um e-mail com o voucher que deve ser trocado na recepção onde fica a obra-prima de Da Vinci. Chegamos com quarenta minutos de folga. Tempo suficiente para trocar o voucher pelos ingressos, para visitar o interior da igreja Santa Maria delle Grazie (o seu acesso é gratuito, independente de se ter o ingresso para ver a "A Última Ceia") e ainda ler sobre a obra, em escritos colocados no pequeno corredor que dá acesso à pintura. O interior da igreja impressiona. Ela está em reforma, não sendo possível ver seu altar. Mas pude ver suas capelas restauradas, todas com indicações da autoria de cada quadro, escultura ou lápide funerária. Em uma das capelas, um belo exemplar de Caravaggio. Ainda pudemos ver o trabalho de restauração de pinturas na primeira capela à esquerda de quem entra. Faltando dez minutos para nosso horário, voltamos para a sala de espera. No horário exato, fomos convidados a entrar. A segurança do local é gritante. Em grupos de aproximadamente sete pessoas, aguardamos em frente a uma porta de vidro, que se abre automaticamente, dando acesso a uma outra sala de espera. Quando todos do horário já estão nesta sala de espera, muito quente, por sinal, nova porta de vidro se abre. Um funcionário do local avisa de imediato sobre a proibição de filmagens e fotografias. Entramos, então, no antigo refeitório dos dominicanos, onde na parede à esquerda está a famosa pintura de Leonardo Da Vinci, executada diretamente na parede entre os anos 1494-1498. Ao longo destes mais de quinhentos anos, ela sofreu muitas avarias, incluindo um inusitado aumento da porta que dava acesso à cozinha, quando foi destruída parte da pintura onde ficavam os pés de Jesus. O local foi depósito e quartel, quando também não se importaram com a obra, fora o bombardeio que o prédio sofreu quando da Segunda Guerra Mundial. A última restauração durou vinte anos, concluída em 1999. Ao ver a pintura, fiquei emocionado. Estar ali era um desejo desde 1995, quando estive em Milão pela primeira vez (e única até então) e não consegui entrar porque já se exigia uma reserva prévia (na época, apenas por telefone). Diferente de outras obras famosas ("Mona Lisa", do próprio Leonardo Da Vinci ou "A Criação de Adão", de Michelangelo), que são pequenas (em tamanho, obviamente), frustrando muita gente que espera encontrar algo de grandes proporções, "A Última Ceia" é enorme, dominando toda a parte superior de uma parede. Mesmo com todo o esmero da restauração, percebe-se que a deterioração da pintura é algo irreversível. Há vários pontos onde não se distingue mais as cores ou mesmo a forma dos objetos. Na face de Simão, o apóstolo que está na ponta da mesa à direita, já não se nota mais seus olhos. Por este detalhes, a emoção se tornou maior ainda, pois ninguém sabe quanto tempo ainda resistirá a pintura. Todos os olhos ficam paralisados e concentrados na parede à direita de quem entra, mas um lindo afresco, mostrando a crucifixação de Cristo, também feito na mesma época da obra de Da Vinci, pelo artista Donato Montorfano, está na parede oposta. Quinze minutos passam voando. Uma mensagem nos lembra que a visita terminou. Era hora de sair. Estávamos muito cansados. Pegamos o metrô de volta, descendo na estação Porta Venezia, cuja saída é bem em frente à entrada do nosso hotel. Tomei um banho relaxante, deitei e dormi um pouco. Acordei sem fome. Resolvi não mais sair. Ric saiu, disse que ia procurar alguma coisa para comer (enquanto escrevo este post, ele me ligou dizendo que todos os restaurantes nas imediações já estavam fechados, o que o motivou a comer no próprio restaurante do hotel).

terça-feira, 8 de março de 2011

FÉRIAS - DIA 11 - TERÇA-FEIRA - 08/03/2011 - SOL E FRIO

O dia amanheceu lindo em Nápoles, com céu claro, azul, sol a pino, mas um frio de lascar. Desistimos de ir para o Monte Vesúvio, pois sentiríamos muito frio, não aproveitando a viagem. Preferimos, então, conhecer o que ainda não tínhamos visto na cidade. Após mais um café da manhã reforçado, colocamo-nos a caminhar pelo Centro Histórico em direção à igreja Monte della Misericordia na Via dei Tribunale. No caminho, paramos para conhecer outra igreja, a Chiesa di San Severo al Pendino na Via Duomo. Na verdade, hoje o complexo que outrora foi uma igreja é uma galeria de arte, onde estava em cartaz a obra de David Ambrosio. Não gostei. Ainda restam alguns detalhes das antigas capelas e um belo altar em pedra. A próxima parada foi a Pio Monte della Misericordia, que abre apenas no horário de 9:00 às 14:30 horas (fecha às quartas-feiras), onde está um belíssimo e grande quadro de Caravaggio, "As Obras da Misericórdia". Paga-se para entrar, 6 euros cada ingresso. Com o ingresso, pode-se visitar a pequena igreja em forma octogonal, onde no altar principal está a obra de Caravaggio, um artista que aprecio muito. O quadro é maravilhoso. Nas sete capelas que circundam a igreja, há obras de importantes pintores italianos, todos com temas religiosos. Saindo da igreja, sobre-se dois lances de escadas para visitar, com o mesmo ingresso, a Pinacoteca deste convento. A quantidade de quadros impressiona, assim como o mobiliário, vestimentas de padres e objetos de decoração. Mas o melhor deste museu é ter uma nova visão do quadro de Caravaggio, desta vez, sob o ângulo de um pequeno balcão superior, postado bem em frente ao altar principal. Uma beleza de vista! Subimos pela enésima vez a Via dei Tribunale, parando para conhecer a igreja San Lorenzo Maggiore (no primeiro dia, quando visitamos todo o complexo, a igreja estava fechada), com interior bem sóbrio; a igreja onde está o sugestivo Purgatorio ad Arco; uma igreja que virou local de apresentação de concertos de música sacra; a igreja San Pietro a Maiella, com um interior também muito sóbrio; a igreja Gesù Nuovo, construída pelos jesuítas com uma decoração soberba em mármore e muitas esculturas representando expressões de compaixão e dor, além de um crucifixo em madeira datado de 1350, onde Cristo aparece com uma proeminente barriga. Do lado de fora desta igreja acontecia uma manifestação pelo direito à saúde das mulheres, lembrando que nesta terça-feira, dia 08/03/2011, comemora-se o Dia Internacional da Mulher, a quem presto minhas homenagens. Seguimos caminhando por várias ruas que ainda não conhecíamos, chegando à Piazza Municipio. Era hora de procurar um restaurante para almoçarmos. Seguimos em frente, em direção ao mar. O vento frio aumentou. Com o céu claro, o Monte Vesúvio dominava o horizonte à nossa esquerda. Tiramos fotos interessantes: mar, barcos, sol e totalmente encapotados devido ao vento gelado. Nesta região, estão alguns dos melhores hoteis e restaurantes da cidade. Passamos por uma bela fonte chamada Fontana dell'Imacolata, chegando à via de acesso ao Castel dell'Ovo. No local, uma pequena ilha, funcionava o mercado de peixes da cidade. Hoje, é uma marina rodeado de restaurantes. Imagino que no verão, o local deve ferver dia e noite. Nossa opção foi almoçar ali mesmo. Demos uma volta, vendo cada um dos restaurantes até escolhermos o Ciro (Via Luculliana, 29/30 - Borgo Marinari). Foi o melhor serviço que tivemos na cidade. Garçom atencioso, explicando as opções da carta. Embora presente no cardápio, fugimos de pizzas. Ficamos com uma salada de polvo regado ao vinagre e limão que estava sensacional. Em seguida, comi um risoto de frutos do mar fantástico. A especialidade de todos os restaurantes do local são os frutos do mar e peixes, como não podia deixar de ser. Embora os puristas vão torcer o nariz, escolhi um Chianti Classico Galo Nero para acompanhar os pratos. Após um forte café expresso, seguimos nosso tour turístico, entrando no Castel dell'Ovo, cuja construção data de 1154. O castelo tem a entrada gratuita. Quando chegamos em uma espécie de belvedere, minhas mãos quase congelaram. Imaginei como seria se tivesse ido para o Monte Vesúvio. Sábia decisão tomamos. Retornamos a caminhada até a Piazza Plebiscito, onde conhecemos os jardins do Palazzo Reale, além dos seus amplos espaços. Uma grande parte do edifício hoje abriga a Biblioteca Nazionale. Ao lado deste palácio, como já escrevi aqui, está o Teatro San Carlo, construído em 1737, especializado em óperas. Entramos e demos sorte, pois a visita guiada acabara de começar. Pagamos o ingresso no valor unitário de 5 euros para ouvir, em italiano, a história do teatro, sua construção, o incêndio que o destruiu, o bombardeio sofrido durante a Segunda Guerra Mundial, as restaurações, visitando os principais espaços. A sala principal é uma beleza. As explicações eram fáceis de entender. Fiquei imaginando ver um espetáculo ali dentro, mas, infelizmente, a temporada 2011 começa justamente no dia de hoje, com ingressos esgotados há algumas semanas. Terá lugar a ópera Carmen, de Bizet. Saindo do teatro, mais um museu em nosso caminho, o Museo Civico, que fica dentro do Castel Nuovo. O ingresso custou 5 euros. A construção do castelo me impressionou mais do que o acervo de pinturas do museu. Também há mostras temporárias nos amplos espaços do edifício. Voltamos para o hotel, bem próximo do castelo. Enfim, consegui acabar de ler o chatíssimo livro que conta a biografia do gênio da pop art, Andy Warhol. Um peso a menos para levar de volta para o Brasil, pois o livro tem quase 500 páginas. Hora de arrumar as malas, pois deixaremos Nápoles bem cedo nesta quarta-feira em direção a Milão. Antes porém, uma despedida em grande estilo, pois temos reserva confirmada por e-mail desde o Brasil no restaurante Palazzo Petrucci (Piazza San Domenico Maggiore, 4), também laureado com uma estrela no Guia Michelin.
Fechamos, mais um cidade de nosso roteiro, com chave de ouro. Restaurante Palazzo Petrucci moderno, cozinha contemporânea, sem se esquecer das raízes napolitanas. Serviço eficiente, sem firulas. Local cheio.


ANDY WARHOL - O GÊNIO DO POP



Livro chatíssimo, embora a vida de Warhol tenha sido interessantíssima.

segunda-feira, 7 de março de 2011

FÉRIAS - DIA 10 - SEGUNDA-FEIRA - 07/03/2011 - POMPEIA - DIA DE SOL

Acordamos cedo nesta segunda-feira, mas deu preguiça de levantar. A princípio, perderíamos novamente a ida para Pompeia. Sem pressa, tomamos o café da manhã mais reforçado, para, em seguida, fazermos uma grande caminhada. A decisão foi pegar um trem mais tarde para a cidade de Pompeia, já que há trens de meia em meia hora no trajeto Nápoles-Sorrento, trecho que inclui as escavações da cidade italiana devastada pelas lavas do vulcão Vesúvio no ano 79 dC. Orientados pela máxima de que a melhor forma de conhecer uma cidade é caminhando, fomos do hotel para a estação Circunvesuviana a pé, em ruas e avenidas nas quais ainda não tínhamos passado. Pela primeira vez na viagem, o céu estava claro, muito azul, com um sol tentando esquentar o dia, mas o vento era tão forte, que parecia mais frio do que os outros dias. Em espaços mais abertos, tínhamos a sensação de que seríamos levados pelo vento. Meu boné voou em um destes espaços. Tive que correr atrás dele para resgatá-lo. Com meia hora, chegamos à estação. Eram 11:05 horas e o próximo trem para Sorrento já estava na plataforma 7, de onde partiria às 11:09 horas. Em quatro minutos, compramos o bilhete válido por 24 horas (pode ser usado durante o dia inteiro, descendo em qualquer das estações e pegando outro trem, em seguida, o que facilita conhecer a região), que custou cada um 4,70 euros, descemos correndo as escadas, passando pelas catracas eletrônicas (a catraca que eu escolhi resolveu recusar meu bilhete e ficou imediatamente fora de serviço, me obrigando a passar em outra catraca), e, finalmente, entrando no trem. Estava cheio, especialmente de turistas. Como a cidade, o trem não prima pela limpeza. Assim que sai de Nápoles, já vistamos o Vesúvio das janelas do trem. Paramos em várias estações, incluindo outra cidade também arrasada pelo vulcão na mesma época chamada Herculano (Ercolano), onde também há escavações a serem visitadas. Preferimos seguir em frente, para ver a maior delas. Após trinta e sete minutos de viagem, chegamos à estação Pompeii-Scavi, situada a poucos metros de uma das entradas para o sítio arqueológico de Pompeia. A entrada se chama Porta Marina. O ingresso custa onze euros cada um. Para quem for visitar mais de um sítio de escavações, como o de Herculano, pode-se comprar um ingresso conjugado ao preço de vinte euros, dando direito a entrar em quatro sítios na região. Optamos pelo ingresso simples, pois sabíamos que andaríamos muito por ali. Depois que compramos os ingressos, temos acesso a um libreto sobre a cidade e um mapa do sítio arqueológico. O local é muito grande. Para se ver tudo, creio que sejam necessárias, pelo menos, três horas de caminhada. Tínhamos três objetivos: ver o anfiteatro, a Casa do Fauno e o local onde estão alguns corpos petrificados com rocha vulcânica. No caminho destas três atrações, vimos uma série de templos, termas, villas (casas enormes, geralmente de propriedade dos mais ricos da cidade), o local onde estavam as tabernas, vários vinhedos, todos em recuperação, um horto, e muitas casas pequenas. Há locais fechados à visitação, pois as escavações continuam. Há muito ainda a ser descoberto no local. Nada indicava onde estavam os tais corpos. Induzi que estariam num local chamado Villa dei Misteri (e acertei!). O templo dedicado a Apolo impressiona pela grandeza e pelas colunas enormes. O anfiteatro também é muito grande e há um templo em frente dominando a cena. Em frente ao teatro, o maior vinhedo, mas fechado à visitação. Dá para ver por alguns buracos nas paredes. Seguindo por ruas e vielas, chegamos à famosa Casa do Fauno, assim conhecida por uma estátua de fauno que foi encontrada intacta na frente da casa, ainda no mesmo lugar. O local é enorme. Há interessantes mosaicos no chão (o mais interessante eles, o que mostra a Batalha de Alexandre, O Grande, está exposto no Museu Arqueológico Nacional, em Nápoles). As pinturas nas paredes também são muito bonitas e impressionam pelo intenso uso da cor vermelha. Continuando nossa caminhada, passamos pela Via dell"Abbondanza, onde funcionavam diversas pousadas. As ruas de pedra são um destaque à parte, mas é preciso tomar cuidado para não torcer o pé. Vi alguns turistas se machucando neste sentido. O melhor é usar um calçado confortável, mas firme no pé. Depois de muito andar, com quase duas horas dentro das ruínas, chegamos à Via delle Tombe, onde funcionava o cemitério local. Ao final da rua, passando por uma guarita, a melhor vista do Vesúvio. Todos param para fotos! Deste local, avistamos a Villa dei Misteri, uma casa enorme, com colunas, mosaicos e pinturas bem preservados e muito bonitos. Neste local estão expostos, dentro de caixas de vidro, dois corpos que viraram pedra após o esfriamento da lava vulcânica. É impressionante, pois tomaram a forma exata dos corpos. Ao sair desta casa, chegamos a uma das saídas do sítio arqueológico. Como já tínhamos visto tudo o que queríamos, resolvemos procurar um local para almoçar. O problema é que todos os restaurantes que víamos pelo caminho já estavam fechados, afinal já passavam das duas horas da tarde, além de ser segunda-feira, um dia de menos movimento no local. A decisão foi tomar o trem de volta para Nápoles. Andamos cerca de 600 metros entre a saída das escavações até a estação Pompeii-Scavi. Convalidamos o nosso bilhete na máquina própria e fomos para o binário 2, onde o trem para Nápoles partiria às 14:22 horas. Um anúncio gravado em italiano, inglês, francês e espanhol anuncia a chegada do trem, na hora prevista. A volta foi mais rápida, pois pegamos um trem que não parou em todas as estações. Não quisemos descer em Herculano, embora tinha programado uma visita quando fiz o roteiro no Brasil, por três motivos: fome (provavelmente teríamos a mesma dificuldade de achar algo aberto para almoçar), cansaço e ver mais do mesmo (embora dizem que em Herculano as construções são mais preservadas, pois o estrago foi menor do que em Pompeia). Descemos na estação Napoli-Garibaldi vinte e cinco minutos depois. A Piazza Garibaldi tem um trânsito louco, com uma disputa constante entre pedestres e automóveis. O interessante daqui é que os pedestres não tem medo. Entram no meio dos carros, obrigando-os a parar imediatamente. Já percebi que realmente todos os carros freiam em cima da hora, mas freiam. Porém, se o pedestre titubear, os motoristas aceleram imediatamente. O negócio é erguer a cabeça e atravessar com confiança, como os napolitanos fazem. Caminhamos em direção ao hotel, procurando um local aberto para almoçar, quando chegamos à Via Duomo e lembrei-me de outra pizzaria indicada por vários guias da cidade. Decidimos ir para lá. O restaurante é o sempre cheio Di Matteo - Antica Pizzeria e Friggitoria (Via dei Tribunale, 94). Quando chegamos, não havia mesa vazia, nem no primeiro piso, nem no térreo. Esperamos cinco minutos até uma mesa vagar no térreo. Sentamos rapidamente nela, mas demoraram a vir tirar os pratos sujos e trocar a tolha (de papel, diga-se de passagem). Não há cardápio. As opções estão em um cartaz na parede com os respectivos preços. Pedi uma pizza Margherita com beringela. Massa igual às demais pizzas que já comemos nestes oito dias na Itália. Além de turistas, várias mesas estavam ocupadas por nativos que devem trabalhar por perto. Foi a conta mais barata até aqui, apenas 12 euros, já incluído o serviço. Seguimos nossa caminhada do dia pelas ruas do bairro, descendo pela Via Armeno, lotada de lojas de artesanato local, especialmente presépios e figuras para presépios. Entrando em outras ruas, chegamos à Piazza San Domenico Maggiore, onde estão alguns restaurantes mais refinados, incluindo um duas estrelas do Guia Michelin para o qual temos reserva na nossa última noite na cidade, e a entrada lateral da igreja que dá nome à praça. Entramos para visitá-la. É linda, bem conservada (a aparência externa pode enganar as pessoas sobre o seu interior), com capelas cheias de obras de arte. Esta igreja foi concluída no século XIV em estilo gótico. Seu interior é riquíssimo. Destaque para o altar, todo em mármore, para o grande órgão atrás deste altar e para a Capellone del Crocifisso na qual está uma obra medieval retratando a crucificação, que teria falado com São Tomás de Aquino (isto está escrito em letras garrafais em um cartaz em frente à capela). Continuamos nossa jornada pelo bairro, passando em frente a várias igrejas pequenas, todas fechadas, até chegarmos à enorme igreja Santa Chiara, outra construção do século XIV, mas com um interior muito diferente. A igreja é austera, escura, e tem pouca coisa original, pois ela foi severamente bombardeada na Segunda Guerra Mundial. Destaque para o altar medieval e para o túmulo de alguns descendentes da dinastia Bourbon em uma as capelas mais suntuosas. A igreja é escura, mas não deixa de ter sua beleza. Já muito cansados, resolvemos nos dirigir para perto do hotel, mas com o frio que fazia, um café era necessário. Embora um pouco distante de onde estávamos, propus andar até o Storico Gran Caffè Gambrinus (Via Chiaia, 1-2), não só por sua importância histórica, mas também pelo seu interior belamente decorado com grandes pinturas do século XIX de artistas italianos. Sentamos no salão interno, com uma espécie de pequeno teatro ao fundo. Pedi um chocolate com leite quente (aqui tem que especificar que se quer com leite, porque se costuma servir com água) e um doce, pois sua doceria é famosa. O doce que pedi se chama Vesúvio (uma homenagem ao dia). Embora bem apresentado, não gostei do doce. Muito seco. Dali, voltamos para o hotel, com muito vento e frio. Dominado pelo cansaço, deitei e dormi por três horas. Já passavam de 21 horas, quando nos arrumamos para enfrentar o frio noturno. Resolvemos jantar em um restaurante perto do hotel, desde que não fosse pizza. Encontramos um chamado Nenè Pizzabistrot (Piazza Municipio, 2). Obviamente que com pizza no nome, o cardápio era dominado por esta unanimidade gastronômica de Nápoles, mas tinha outros pratos. Pedimos a carta de vinho, mas o garçom disse as opções de vinho tinto que havia. O top da casa era um Benito Ferrara, safra 2006. Resolvi experimentar e gostei. Uma grande mesa fazia muito barulho, afinal, eram italianos comemorando alguma coisa. Acatamos a sugestão do garçom em servir um antipasto da casa e um primo piatto. Para nossa surpresa, o antipasto já era uma refeição completa: uma focaccia quente do tamanho das pizzas individuais que temos almoçado, um seleção de presuntos crus, mussarela de búfala (fresquinha, uma delícia) e um saco de papel lotado de bolinhos fritos, cada um diferente do outro. Ao ver aquilo tudo, percebi que tínhamos exagerado no pedido e com o agravante de não termos muita fome. Deixamos mais da metade de tudo o que veio. Preocupado, o garçom perguntou se não tínhamos gostado. Não era isto, mas sim a quantidade era imensa e ainda viria um outro prato com massa, o tal primeiro prato (e último da noite): um papardelle com funghi porcini fresco e nozes. Dei algumas garfadas e deixei tudo no prato. Realmente, não era mais possível comer. Parece que meu estômago se acostumou a comer pouco. Já são sete dias sem os remédios, e continuo no mesmo ritmo, comendo menos. Acho que até emagreci mais um pouco, graças às imensas caminhadas diárias. Ainda bebi um café expresso antes de pagarmos a conta, voltando para o hotel. A previsão do tempo para nosso último dia em Nápoles é muito sol, com um frio mais intenso. Hora de deitar e dormir.

domingo, 6 de março de 2011

FÉRIAS - DIA 9 - DOMINGO - 06/03/2011 - PROGRAMA ALTERADO

Conforme programação que fiz antes de viajar, o domingo seria dedicado às ruínas de Pompeia, mas para a viagem, deveríamos ter acordado mais cedo. O corpo sentiu o ritmo veloz desta primeira semana de viagem. Não acordamos no horário em que deveríamos levantar. Quando me dei conta, já eram mais de 10 horas da manhã. Primeiro dia sem chuva desde que iniciamos a viagem, mas o frio continua forte. Os termômetros marcaram ao longo do domingo a máxima de 12º C. Depois do café da manhã no hotel, decidi trocar o roteiro do dia, fazendo a programação de segunda-feira. Pegamos um ônibus da empresa City Sightseeing Napoli, daqueles que vemos em várias cidades do mundo com dois andares, com várias paradas e possibilidade de descer, ver o que há na região e pegar o próximo ônibus. O local de saída é muito próximo ao hotel, na Piazza Municipio, no Largo Castello. No inverno, a primeira saída se dá às 10:45 horas. São três roteiros diários, com possibilidade de fazê-los todos com o mesmo bilhete. Aos sábados e feriados, um quarta linha também circula. Como neste domingo os napolitanos comemoravam o carnaval, a quarta linha estava em funcionamento. Cada bilhete é válido por 24 horas e custa 22 euros. As três linhas regulares tem um intervalo entre um ônibus e o outro, de novembro a março, de 75 minutos, tempo de sobra para conferir as atrações turísticas da parada. Pegamos a Linha A - I Luoghi dell'Arte (Os Lugares da Arte), com 12 paradas. Escolhemos esta linha porque queríamos conhecer o acervo do Museo Archeologico Nazionale, parada número 4 do roteiro. O ônibus saiu no horário. Quinze minutos depois, descemos em frente ao museu, pagando 6,50 euros cada ingresso. Não se pode entrar com mochilas. Assim, deixei a minha nos armários individuais logo na entrada. O museu segue a linha da cidade, ou seja, carece de um melhor cuidado e algumas salas estavam fechadas para visita, como a parte do acervo de arte egípcia. Mas o que nos interessava estava aberto: tudo o que conseguiram retirar de Pompeia e Herculano nas escavações no final do século XIX. Começamos pelo piso térreo, onde está a Coleção Farnese, uma interessante exposição de estátuas e bustos provenientes do Palatino e das Termas de Caracala, ambos em Roma. O tamanho das estátuas em mármore impressionam. Nesta ala se encontra a maior escultura intacta que sobreviveu da antiguidade, a chamada "Touro Farnese". Outra peça gigante é a estátua de Hércules descansando. Partimos para o piso superior, onde estão os afrescos, mosaicos, vasos, vidros, objetos do dia a dia encontrados nas casas quando das escavações feitas em Pompeia. Um belíssimo acervo. Há também uma interessante maquete da cidade de Pompeia após as escavações. Fizemos compras de magnetos na loja do museu antes de sairmos. Gastamos pouco mais que uma hora para ver todo o acervo aberto à visitação. Enquanto esperávamos o ônibus, visitamos a Galleria Principe di Napoli, bem em frente ao museu, onde funciona hoje o Banco di Napoli. No horário correto,  entramos no ônibus vermelho e seguimos todo o roteiro sem mais descer, apenas tirando fotos dos prédios e monumentos que estavam no percurso da Linha A. Chegamos ao ponto de partida às 13 horas. Um tímido sol queria aparecer. Era hora de procurar um restaurante para almoçar. O previsto era a Trattoria Ferdinando, na Via Nardones, 117, no famoso Quartieri Spagnoli (Quarteirão Espanhol). Não era longe de onde estávamos. Fomos caminhando observando a grande quantidade de crianças fantasiadas sendo levadas por seus pais na mesma direção. Seguimos estas pessoas. O destino de todos era a imensa Piazza Plebiscito, onde já tínhamos estado no final do dia anterior, mas agora a luminosidade era outra. O Palazzo Reale, todo restaurado, faz um contraponto à igreja San Francesco di Paola, inspirada no Pantheon de Roma, cujas colunas e paredes estão completamente pichadas. O mesmo acontece com a base de duas estátuas que ficam em frente à igreja. Ali naquela praça, as crianças se divertiam, os pais conversavam, vendedores ambulantes ofereciam confete e serpentina, mas não havia nenhuma música. Carnaval sem música? Parece impossível para um brasileiro, mas era esta a cena que presenciamos no início da tarde deste domingo. Continuamos nossa caminhada, entrando no início da Via Nardones. A rua é estreita, uma boa subida, cheia de roupas penduradas nas varandas dos prédios (coisa muito comum em quase toda a cidade). Subimos até o final da rua, sem encontrar o restaurante, nem mesmo o número 117 achamos. Resolvemos descer pela rua paralela, uma rua comercial, a Via Chiaia. Procurávamos onde almoçar, quando vi uma placa indicando uma pizzaria chamada Brandi (Salita S. Anna di Palazzo, 1/2). Lembrei-me vagamente que li algo sobre ela quando preparava o roteiro da viagem. Já que ali estávamos, fomos conferir. Quando chegamos em frente à pizzaria, vendo um cartaz dizendo se tratar da Antica Pizzeria Regina D'Italia, existente no mesmo local desde 1780, resolvemos entrar. Do lado direito de quem sobe a rua, fica a parte para os fumantes, do lado esquerdo, a maior quantidade de mesas, inclusive do lado de fora, o local para nós, os não fumantes. Quando chegamos, só havia uma mesa ocupada. Logo encheu de turistas. Todos querendo conhecer o local onde foi criada a Pizza Margherita. Criada em 1889 pelo proprietário e pizzaiolo da época para oferecer à Rainha Margherita, esposa do Rei de Nápoles, Umberto I. Embora ela tenha experimentado três tipos de pizzas levadas pelo pizzaiolo, a rainha gostou mais da que leva tomate e mussarela. O pizzaiolo aproveitou a deixa e batizou sua criação com o nome da rainha. Hoje, esta pizza simples é consumida com o mesmo nome no mundo inteiro. Obviamente que pedimos para comer a criação da casa, a opção mais barata do cardápio. A casa também produz seu próprio vinho. Resolvemos experimentar uma garrafa do seu vinho tinto, mas não nos agradou, muito ácido. A pizza é gostosa, individual, grande, com fartura de mussarela e molho de tomates frescos, mas a massa é muito parecida com todas aquelas que comemos na Itália, ou seja, difícil de partir com faca. Sem desmerecer, diria que a massa é borrachuda. O senão fica por conta de um cantor italiano que chegou, tocou seu violão, cantou três músicas e passou um pandeiro pedindo alguns euros, muito parecido com os repentistas que lotam as praias nordestinas. Terminado o almoço, voltamos ao Largo Castello, onde pegamos o último ônibus turístico do tipo Hop On Hop Off da Linha C - San Martino, a tal linha que só funciona aos sábados e feriados. São dez paradas, mas como era o último a sair no dia, embora fosse ainda cedo, 15 horas, ninguém descia do ônibus. Neste roteiro, conhecemos a parte da cidade mais rica, onde não há muita sujeira nas ruas, não há roupas penduradas nas varandas dos belos prédios, muitos de frente para o mar, e onde ficam as lojas das maiores grifes mundiais, especialmente as italianas. O ônibus foi subindo um morro, em curvas para lá e para cá, com belas vistas do Golfo de Nápoles. Quanto mais subia, mais frio sentíamos. Quando chegamos ao Largo San Martino, uma vista de toda a cidade apareceu à nossa frente. O ônibus fez uma parada de meia hora, tempo suficiente para um café, ir ao banheiro e tirar fotos tanto da cidade, quanto da fachada do Museo Nazionale San Martino e do Castel Sant'Elmo, ambos no local. Passada a meia hora, voltamos ao ônibus, mas ficamos na parte coberta, pois uma leve chuva ameaçava cair, o que acabou não ocorrendo. Chegamos de volta do passeio perto de 17 horas. Voltamos para o hotel descansar, pois não queremos perder o trem para Pompeia nesta segunda-feira.


"Hércules Descansando" - Coleção Farnese - Museo Archeologico Nazionale - Nápoles


Afresco - Ala dos Retratos encontrados quando das escavações em Pompeia - Museo Archeologico Nazionale - Nápoles


"Touro Farnese" - Coleção Farnese - Museo Archeologico Nazionale - Nápoles


Almoço na Brandi - Antica Pizzeria della Regina D'Italia, onde foi criada a Pizza Margherita - Nápoles




Terminamos a noite jantando perto do nosso hotel. Estávamos cansados e iremos acordar cedo nesta segunda-feira. Assim, preferimos um restaurante nas imediações do hotel. São várias opções, mas a culinária não muda, sempre trattorias e pizzarias. Entramos naquela que nos pareceu melhor: Trattoria e Pizzeria Ciro a Medina (Via Medina, 19). Local simples, com dois pisos. Ficamos no primeiro piso, onde havia algumas mesas ocupadas. Não há carta de vinho. As opções ficam em cima de um balcão. Escolhi um Chianti Classico, sem medo de errar. Era o vinho mais caro das poucas opções (18 euros). Quanto ao jantar, pelo menos conseguimos fugir das pizzas, mas ficamos bem perto delas. Escolhemos comer calzone. O meu era recheado com ricota, tomate, beringela e mussarela. A massa estava deliciosa, levemente salgada e o recheio bem leve. O atendimento também foi muito bom. Ficamos surpresos com a qualidade do local. A conta foi menos de 40 euros para duas pessoas. Nápoles é bem mais barata do que Roma, com certeza.

sábado, 5 de março de 2011

FÉRIAS - DIA 8 - SÁBADO - 05/03/2011 - NÁPOLES

Levantamos cedo, acabamos de arrumar as malas, tomamos um reforçado café da manhã no Sofitel Villa Borghese em Roma, descemos para fazer o check out. Eu queria pagar parte da conta com vouchers que imprimi por ter acumulado pontos no A-Club da Rede Accor, mas eram 17 vouchers e cada um deles tem que ser registrado pela recepção. Como não tínhamos muito tempo, resolvi usá-los em outro hotel durante a viagem. Paguei a conta com cartão de crédito, enquanto aguardava um táxi que havia solicitado logo no início do check out. Não chovia, mas o frio continuava intenso. O hotel fica perto da estação Roma Termini, por isso chegamos meia hora antes do horário da partida do trem para Nápoles, nossa próxima parada. Pela corrida de táxi, pagamos dez euros. O trem rápido encostou na plataforma 9 dez minutos antes do previsto. Andamos quase toda a extensão da plataforma, pois viajamos de primeira classe e nosso bilhete, comprado no Brasil, indicava que nossos assentos estavam no vagão 2. Colocamos as malas em compartimento acima de nossos assentos, ambos na janela, um de frente para o outro, em poltronas individuais. Na primeira classe, há serviço de bordo, quando jornais, revistas, bebidas e lanche são servidos. A viagem durou uma hora e dez minutos. Ao chegarmos na Estação Central de Nápoles chovia e o frio parecia com o de Roma. Ainda dentro da estação, algumas pessoas ofereciam táxi. Preferi seguir para o lado de fora e entrar na fila, que não tinha praticamente ninguém. Muitas opções de táxis, pegamos o primeiro disponível, mostramos o endereço do hotel Mercure Angioino Napoli Centro (Via Agostino Depretis, 123) para o motorista, que acenou com a cabeça afirmativamente. Além da tarifa a pagar, o taxímetro também mostrava a duração da corrida. Demoramos pouco mais do que seis minutos para chegar ao hotel. O que li sobre os motoristas de táxi da cidade já foi confirmado na primeira corrida. No taxímetro, o valor a pagar era menos de seis euros. Dei uma nota de dez euros, o motorista agradeceu e não me deu troco nenhum. Não quis reclamar. Entramos logo no hotel por causa da chuva e do frio. O check in foi muito rápido, cordial e simpático. O recepcionista fez questão de falar conosco somente em italiano, mas falava tão pausadamente que entedia tudo. Ficamos em um quarto no terceiro andar, com vista para a rua. Desfiz a mala naquilo que achava essencial, marquei no mapa que recebemos na recepção do hotel o roteiro da tarde e saímos a caminhar pela cidade. Mais de meio-dia, decidimos almoçar antes de começar as visitas aos locais turísticos. Tinha escolhido duas famosas pizzarias da cidade, ambas situadas na mesma rua: Via dei Tribunale. Caminhamos por cerca de vinte minutos para chegar até esta via. Nela, percebemos como a cidade é suja. Muito lixo pelo chão, muita confusão, muita gente fumando, falando alto. Há uma certa decadência proposital na cidade. Parece ser esta a marca registrada desta terceira mais populosa cidade italiana. Escolhemos a pizzaria que nos pareceu com melhor aparência. Há uma produção de pizzas sem parar. Ao chegarmos, por volta de 13:15 horas, ainda havia lugar, mas logo formou-se uma longa fila de espera. É certo que o local não é grande, mas é famoso tanto entre os locais quanto entre os turistas. Há apenas uma garçonete para atender a todas as mesas. Ela é elétrica, parece que trabalha somente em ritmo acelerado. As pizzas são individuais, em tamanho exagerado. Só vimos quando elas chegaram à mesa. O preço era tão baixo, que achamos que chegaria apenas uma fatia para cada um. Para se ter uma ideia, a pizza Margherita, inventada em Nápoles, custou apenas três euros. Para esquentar um pouco o corpo, resolvi acompanhar Ric em uma garrafa de vinho. Cometi um erro enorme, pois na carta só havia seis opções, sem separação entre branco e tinto. Pedi um dos mais caros do menu (apenas seis euros a garrafa), não percebendo que o vinho escolhido era branco. Só vi depois que a garçonete já tinha aberto a garrafa. A pizza chegou rápido. No meu caso, pedi uma capricciosa, recheada de cogumelos paris, azeitonas pretas, alcachofras, molho de tomate e mussarela. Estava melhor do que a pizza que comi em Roma, mas a massa era difícil de partir. Ao olhar ao redor de nossa mesa, notei que a maioria dos italianos presentes comia as fatias com as mãos. Fiz o mesmo. O restaurante é tão especializado em pizza que nem café vende. Pagamos a menor conta até aqui, 19,50 euros, já incluída a taxa de serviço. A pizzaria se chama Sorbillo (Via dei Tribunale, 38). Devidamente alimentados, começamos nossa peregrinação pelas inúmeras igrejas desta região da cidade, a maioria delas dos séculos XIV, XV e XVI. A mais curiosa de todas é a San Lorenzo Maggiore, com acesso pela própria Via dei Tribunale. Ela foi construída em cima de onde funcionava, durante a Idade Média, o mercado da cidade e parte do teatro de arena. Desta época, ainda resta o poço, localizado hoje no claustro da igreja, e as ruínas no subsolo, que também podem ser visitadas, além do museu com peças antigas da própria igreja e vestígios de objetos, pinturas, mosaicos encontrados nas escavações arqueológicas. Tudo isto pode ser conhecido, pagando-se um único ingresso, ao custo unitário de 9 euros. Saindo desta igreja, damos de cara com outra, a de San Paolo Maggiore, que curiosamente foi construída em cima de um templo dedicado ao Deus da Cura em épocas muito passadas. As colunas de sua fachada pertenceram ao templo. Em seguida, fomos para a Cattedrale San Genaro, a maior e mais bem decorada de todas que vimos nesta tarde de sábado. Nela há uma capela dedicada a San Genaro, o padroeiro da cidade. Nesta capela, há um grande relicário em forma de busto no qual está o crânio deste santo e um vidro com seu sangue coagulado. Diz a lenda local que se o sangue não ficar líquido três vezes ao ano é sinal de má sorte para a cidade. Também na mesma catedral, em sua cripta, está um pote com vários ossos do mesmo santo. Tanto na capela dedicada ao santo padroeiro quanto na cripta, os fieis jogam moedinhas, fazendo os seus pedidos. Há um belíssimo batistério do século V, todo em mármore, logo na entrada da igreja, em seu lado esquerdo. Demos uma parada para um rápido café e seguimos nosso destino, ou seja, mais igrejas. Passamos pela Santa Maria di Donna Regina, que estava fechada, e entramos por ruelas escuras e sujas, até sairmos em frente à igreja San Giovanni a Carbonara, decadente por fora, mas totalmente recuperada por dentro, com belos exemplares de obras de arte da Idade Média. Um casamento estava para começar quando chegamos. Os convidados estavam muito elegantes, mas pareciam estar uniformizados, pois todos usavam sobretudos escuros. Nesta mesma Via Carbonara está o hotel Palazzo Caracciolo, onde inicialmente fiz a reserva, mas desisti depois de ler sobre ele no Trip Advisor. Na verdade, ele é muito elogiado, mas a região é muito criticada, não só pela sujeira, mas também é apontada como ponto de prostituição e de drogas, o que a torna perigosa a partir do final da tarde. Voltamos a pé pela Via dei Tribunale, passando por outras igrejas, até sairmos na Piazza Dante, totalmente pichada. Um descuido da prefeitura ou é a tal decadência proposital? A principal rua de comércio da cidade corta a praça. Descemos, então tal rua, a Via Toledo, em direção ao mar, passando por várias construções antigas, todas elas chamadas de palazzos. Do lado direito da Via Toledo, já chegando perto de onde ela começa, está o famoso Quarteirão Espanhol, cuja característica principal são as roupas penduradas nas janelas e sacadas dos prédios antigos e suas ruas estreitas. Muitos restaurantes estão ali localizados. Chegamos à Galleria Umberto I, belíssimo shopping coberto. Para quem conhece a Galleria Vittorio Emanuelle em Milão, a de Nápoles seria a sua prima pobre, mas não deixa de ter seu esplendor. Saímos pela ala que dá acesso ao suntuoso Teatro San Carlo, palco de inúmeras óperas e balés. Havia filas enormes para entrar. As pessoas estavam muito elegantes. Demos um volta pela região, chegando à enorme Piazza Plebiscito, onde de um lado está o Palazzo Reale e do outro, a igreja San Francesco di Paola. Aqui não há vez para os carros. Digo isto porque em toda a cidade há uma disputa constante entre pedestres e automóveis. Voltamos para o hotel, passando em frente ao Castel Nuovo, parte de um roteiro que faremos em outro dia. A cidade está em obras, ampliando sua linha de metrô, porque em 2013 será sede de uma conferência mundial de cultura. Assim, há vários desvios que devemos fazer, seja em carro, transporte coletivo ou caminhando. No hotel não há internet gratuita como em Roma. Comprei um cartão para usar durante três horas por 3 euros. Acompanha o cartão, um bônus de 24 horas, ou seja, paguei três euros para navegar na internet por 27 horas. Já localizei no mapa todos os demais lugares turísticos a visitar, além dos restaurantes previamente escolhidos. Todos estão a poucos metros de distância do hotel. Caminhadas de, no máximo, quinze minutos. A localização do hotel é excelente.
Para jantar, já tinha reserva confirmada, desde o Brasil, no premiado restaurante La Cantinella (Via Cuma, 42), uma estrela no Guia Michelin, edição Itália. Reserva para 20 horas, sem dress code. Fomos a pé, caminhada pela avenida que corre ao longo do mar. Levamos dez minutos para lá chegar. Não havia ninguém no restaurante, fomos os primeiros, mas logo o restaurante encheu. A decoração é duvidosa, com paredes e tetos forrados de bambus, cadeiras de vime, umas pilastras em V separando o grande salão em três ambientes. Alguns quadros com motivos camponeses completavam o kit. Nem todos os garçons falavam outra língua, mas tivemos um excelente tratamento. Serviço de primeira. Embora estrelado, não há frescuras no menu e nem exigências de todos na mesa (no caso, eu e Ric) terem que optar pelos menus sugeridos, caso um se interessasse pela fórmula montada. Ric escolheu um primo e um secondo piatto, enquanto eu pedi o menu vegetariano. Para beber, escolhemos um vinho tinto da Lombardia, com bom preço e excelente sabor. Assim como nos restaurantes estrelados de Roma, este também ofereceu um amuse bouche. Era um bolinho de peixe, mas como eu tinha pedido a opção vegetariana, meu mimo foi sem o peixe. Veio uma bolinha de batata com mussarela, muito gostosa. Em seguida, veio uma sopa de lentilhas, das menores, que já foi em quantidade suficiente para matar a minha fome. O próximo prato foi um rigatoni muito bem montado no prato de vidro retangular, em forma de uma pirâmide, apenas com molho de tomates frescos. Massa ao dente, com o molho aderindo perfeitamente nos espaços do rigatoni. Ótimo prato. Depois, uma escarola recheada com queijo em leito de creme de abóbora moranga. Muito bom, leve, mas não consegui comer tudo. Era hora da sobremesa, mas não aguentei. Como Ric queria sobremesa, ele ficou com a prevista no meu menu. O garçom arrumou a mesa para os dois, "just in case", disse ele. Um detalhe raro: trocaram os guardanapos para a sobremesa. Retiraram os brancos e trouxeram novos amarelos. Veio duas mini taças com uma espécie de chocolate branco com coco, cobertos com avelãs. Ric comeu tudo, eu nem mexi na minha. Pensávamos que era minha sobremesa, mas era mais um mimo do chefe, um amouse bouche para o sabor doce. Em seguida, foi colocado em frente ao Ric um enorme prato, com vários tipos de doces feitos com chocolate, entre eles um sorvete, um mini petit gateau, uma mousse com menta no fundo. Além deste prato, um outro, com vários mini doces ficou à nossa disposição para acompanhar o café expresso. Ambos pedimos descafeinado. Curto e forte. Depois de duas horas no La Cantinella, chegou a hora de pagarmos a conta, nem tão cara como nos restaurantes em Roma e voltarmos a pé para o hotel, escolhendo um outro caminho, para ver o movimento noturno da cidade. Vimos vários jovens com fantasias, o que nos fez lembrar que é tempo de carnaval.

sexta-feira, 4 de março de 2011

FÉRIAS - DIA 7 - SEXTA-FEIRA - 04/03/2011 - ANTIGUIDADES

Sexta-feira. Último dia da companhia dos amigos de Brasília em nossa viagem. Mais uma vez programa já traçado no Brasil. Café da manhã no hotel. Táxi para o Coliseu, cuja corrida pagamos dez euros. Apesar do frio, a cidade não para. Milhares de turistas se aglomeravam na porta de acesso ao monumento mais famoso de Roma. Não há uma fila organizada. Tal como no Vaticano e em Florença, muita gente tentando ser esperta, fingindo de boba para furar a fila. Os funcionários do local ajudam a tumultuar o que já não é organizado. Em certos pontos parecia haver quatro filas para comprar bilhete na hora (há filas separadas para quem fez reserva antecipada, para grupos e para os que possuem o Roma Pass). Quando chegamos perto da bilheteria, somente três atendentes, ou seja, deveriam ser formadas três filas. Pagamos 10 euros cada ingresso. Demoramos 35 minutos na fila, tendo chegado cedo, às 10:35 horas. Quanto mais tarde se chega, maior o tempo gasto na fila. O ingresso dá direito a entrar no Coliseu, no Palatino e no Foro Romano, desde que no mesmo dia. Dentro do Coliseu, a sensação é de volta ao tempo. Um pouco de cinema na cabeça e com a história que todos estudamos nos colégios, podemos imaginar as lutas dos gladiadores naquele local. O espaço impressiona, onde cabiam 55 mil pessoas. A chuva insistia em cair, mas não atrapalhava o turismo em nada, apenas capas e guarda-chuvas a mais no espaço. Vimos objetos encontrados nas escavações (que continuam até hoje por toda Roma) no subsolo do Coliseu, com pedaços de ossos de animais, como cavalos, felinos, ursos, entre outros. Saindo do Coliseu, paramos em frente ao imponente Arco de Constantino, seguindo para a entrada conjunta do Palatino e do Foro Romano. Optamos em começar pelo Palatino com suas ruínas dos palácios imperiais. O tamanho das edificações impressiona. Muita lama no caminho, pois o chão é de terra. Neste espaço, além da Casa di Adriano, vimos também o Museu Palatino, com estátuas, partes de estátuas e pinturas em paredes e tetos encontrados no local. O local onde se plantavam as parreiras para fazer o vinho é muito bonito, hoje coberto de uma vegetação rasteira. Há uma espécie de belvedere no Palatino onde é possível ter uma vista panorâmica do Foro Romano e do Coliseu. Vale a pena e as fotos ali ficam ótimas. Descemos, em seguida, para o Foro Romano, onde no passado se concentrava a vida política, social e religiosa de Roma. Colunas de templos religiosos, como o dedicado a Saturno, arcos do triunfo, tais como o de Titus, dominam o ambiente e o conjunto de peças e ruínas é de uma beleza ímpar. Gastamos mais de uma hora e meia caminhando pelo Palatino e Foro Romano, parando para fotos, apreciando a beleza de cada pedacinho encontrado pelas escavações arqueológicas. Saímos em uma escada que dá acesso à Piazza Campidoglio, desenhada por Michelangelo. Linda, abre-se para a parte onde começa o Centro Histórico, sendo dominada pelos Museus Capitolinos (Musei Capitolini), onde não entramos (eu já os conhecia quando vim a Roma pela primeira vez). Descemos as escadas em frente à esta praça, chegando ao imponente Monumento a Vittorio Emanuelle II, todo em mármore branco, que muitos acham um horror. Realmente, é um tanto quanto over e não combina com a maravilha das ruínas que estão por todos os lados na região. Já chegava perto de duas horas da tarde e tínhamos fome. Resolvemos procurar um local para almoçar ali perto, pois eu deixara o endereço do restaurante que tinha programado no hotel. Chegamos ao The Glass Bar & Restaurant (Via di S. Eufeia, dentro do Hotel Cosmopolita). São dois pisos, sendo que no piso superior pode-se optar pelo serviço de buffet (dez euros) ou o a la carte. Não gostamos das poucas opções do buffet, fazendo nossos pedidos entre as opções do menu fixo. Escolhi como primo piatto um rigatoni alla carbonara (a massa estava ao dente, o molho não era pesado, mas exageraram na pimenta do reino) e como secondo piatto, um peito de frango grelhado, que veio acompanhado por batatas e brócolis cozidos, ambos totalmente sem sabor. Havia muitos brasileiros no restaurante. Meu amigo, dono de restaurante, disse que os brasileiros adoram a palavra "buffet"! Do restaurante, resolvemos voltar a pé para o hotel, pois estava chegando o momento de nossos amigos seguirem viagem para a Tailândia. No caminho, fomos entrando em pequenas ruas, apreciando os prédios históricos, suas fachadas, portas e janelas. Acabamos chegando na entupida Fontana di Trevi. A quantidade de turistas era um absurdo. Não sei como cabia tanta gente. Tiramos algumas fotos da fonte com a luz do dia (só tínhamos feito fotos à noite), seguindo em direção à Piazza di Spagna, onde outra multidão de turistas estava subindo e descendo a Scalinata di Spagna. Pausa para fotos, com a Chiesa Trinità dei Monti dominando a paisagem ao final da escada. A chuva voltou a cair fina, o que nos motivou a apressar o passo para o hotel. Nossos amigos foram embora por volta de 17 horas. Eu e Ric resolvemos descansar e arrumar as malas, pois na manhã de sábado partiremos para Nápoles. Nesta noite de sexta-feira, despediremos de Roma em grande estilo. Temos reserva confirmada por e-mail, ainda no Brasil, e reconfirmada pelo concierge do hotel quando aqui chegamos, no restaurante Il Pagliaccio (Via dei Banchi Vecchi, 129 A), laureado com duas estrelas no Guia Michelin em sua edição italiana.
O restaurante Il Pagliaccio merece as estrelas que ostenta. Serviço primoroso, garçons falando italiano, francês, inglês, espanhol e até um português castiço. Extensa carta de vinhos. Ficamos com um Chianti Clássico, safra 1999, ao preço de 130 euros. O menu degustação tem, no mínimo, dez pratos, surpresas preparadas pelo chefe. Resolvemos não arriscar e escolher as opções do cardápio, que não são muitas. De início, além de uma variedade considerável de pães produzidos na casa e que são oferecidos sempre, todas as mesas receberam as boas vindas com um amuse bouche de espuma de mussarela, frango cozido e molho de ostras. Escolhi um primo piatto que era uma massa em forma circular, recheada com polvo grelhado, com toques de ervilha, em um caldo ralo, mas saboroso. O melhor foi o secondo piatto, carne de vitela, bem macia, acompanhada de suflê de couve-flor, endívias grelhadas, cebolas cozidas adocicadas. A carne vem com uma crosta de café e baunilha que dão o toque diferenciado no prato. Aprovadíssimo. Ainda experimentei um pedaço do pato glaceado que Ric pediu, muito bom também. Ao terminamos, incluindo o vinho, nos foi oferecido um caldo quente de pato e aipo como digestivo. Não quisemos sobremesa. Pedimos o já tradicional café curto e forte. Gentilmente, enquanto pagávamos a cara conta, chamaram um táxi para nós. Deixamos 10% da conta para os garçons, o que os deixou imensamente satisfeitos, pois nos agradeceram sem parar, levando-nos até a porta do carro. Voltamos para o hotel satisfeitos com a despedida noturna de Roma nesta temporada.