Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador Guia Michelin. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Guia Michelin. Mostrar todas as postagens

sábado, 29 de setembro de 2012

GASTRONOMIA EM HONG KONG, CHINA - AMBER



Endereço: 15 Queen’s Road Central, The Landmark, The Landmark Mandarin Oriental, Hong Kong, China (www.amberhongkong.com).

Fone: +852 3172 8006.

Especialidade: alta gastronomia francesa, sob o comando do chef Richard Ekkebus. Pratica a moderna culinária francesa com influências da cozinha praticada em Hong Kong. O menu é trocado a cada três meses.

Quando fui: jantar do dia 21 de setembro de 2012, sexta-feira. Éramos cinco pessoas com reserva previamente feita e confirmada por email com dois meses de antecedência. O restaurante fica no sexto andar do hotel cinco estrelas The Landmark Mandarin Oriental, localizado no chiquérrimo shopping The Landmark.

Serviço: Atendimento impecável, desde a recepção até irmos embora, quando as mulheres receberam uma caixinha com um macarron como cortesia da casa. Maitre atencioso, procurando nos atender da melhor forma possível, consultando o chef sobre possibilidades de alterações no menu degustação da noite. Garçons atentos a todos os movimentos, sempre prontos para auxiliar-nos. Quando alguém se levantava para ir ao toalete, eles dobravam o guardanapo de quem se ausentava da mesa, colocando-o delicadamente na mesa. Pratos não demoram a chegar. Serviço de vinho perfeito. Para preservar o prazer de uma boa conversa em torno de uma excelente refeição, o restaurante não tem serviço de acesso gratuito à internet, mas oferecem para os viciados um acesso pago.

O que bebi: iniciamos nossa noite brindando com a champagne Billecar-Salmon Réserve Rosé (HK$ 1.800 – R$ 474,20 ou U$ 232), produzida na região de Mareuill-sur-Ay, França. Champagne refrescante, em temperatura correta. Fantástico. Quando chegaram nossos pratos, harmonizamos com o excelente vinho tinto espanhol Alion 2007 (HK$ 1.480 – R$ 390,00 ou U$ 191), produzido na região de Ribera Del Duero. Já conhecia o vinho e cada vez que o tomo, o aprecio com mais louvor. Perfeita harmonia com meu prato principal.

O que comi: fiquei interessado no menu degustação, mas ele somente poderia ser ordenado se os cinco integrantes da mesa o escolhessem, o que não foi o caso, pois S não gostou de dois dos oito pratos. Antes de chegar o prato principal, o chef nos brindou com alguns amuse bouche. Eles tinham apresentações lúdicas, brincavam com os olhos e o paladar. Como principal, optei pelo burgaud challandais duck, ou seja, pato assado e glaceado com temperos suaves e mel de lavanda, alecrim polvilhado, acompanhado de nabos kabu. As fatias do pato estavam no ponto certo, quase cruas, bem vermelhas, macias e com um sabor muito suave por causa dos temperos. O doce do mel foi um diferencial do prato. Sensacional. Antes da sobremesa, novo mimo da cozinha para limpar o paladar. Em seguida, um suflê de cointreau acompanhado de sorvete feito também com o licor de laranja. Muito bom. A apresentação do suflê é um caso à parte, pois ele vem em um ramequin, mas a parte que extrapola a vasilha tem o formato de um cilindro, bem chapado na ponta, onde o tostado é visível.


amuse bouche


amuse bouche


amuse bouche


amuse bouche


burgaud challandais duck


amuse bouche


suflê de cointreau


Valor que me coube na conta: HK$ 2.110 (R$ 563,00 ou U$ 272). A divisão da conta não foi feita igualitariamente.

Minha avaliação: * * * * 1/2. Restaurante sofisticado, desde a decoração, passando pela louça e taças, até o perfeito atendimento. Figura em 44º lugar na lista dos melhores restaurantes do mundo, segundo classificação da edição 2012 da respeitada revista britânica The Restaurant. Tem duas estrelas no Guia Michelin. Vale o preço que cobra.

Gastronomia Hong Kong, China

sábado, 5 de março de 2011

FÉRIAS - DIA 8 - SÁBADO - 05/03/2011 - NÁPOLES

Levantamos cedo, acabamos de arrumar as malas, tomamos um reforçado café da manhã no Sofitel Villa Borghese em Roma, descemos para fazer o check out. Eu queria pagar parte da conta com vouchers que imprimi por ter acumulado pontos no A-Club da Rede Accor, mas eram 17 vouchers e cada um deles tem que ser registrado pela recepção. Como não tínhamos muito tempo, resolvi usá-los em outro hotel durante a viagem. Paguei a conta com cartão de crédito, enquanto aguardava um táxi que havia solicitado logo no início do check out. Não chovia, mas o frio continuava intenso. O hotel fica perto da estação Roma Termini, por isso chegamos meia hora antes do horário da partida do trem para Nápoles, nossa próxima parada. Pela corrida de táxi, pagamos dez euros. O trem rápido encostou na plataforma 9 dez minutos antes do previsto. Andamos quase toda a extensão da plataforma, pois viajamos de primeira classe e nosso bilhete, comprado no Brasil, indicava que nossos assentos estavam no vagão 2. Colocamos as malas em compartimento acima de nossos assentos, ambos na janela, um de frente para o outro, em poltronas individuais. Na primeira classe, há serviço de bordo, quando jornais, revistas, bebidas e lanche são servidos. A viagem durou uma hora e dez minutos. Ao chegarmos na Estação Central de Nápoles chovia e o frio parecia com o de Roma. Ainda dentro da estação, algumas pessoas ofereciam táxi. Preferi seguir para o lado de fora e entrar na fila, que não tinha praticamente ninguém. Muitas opções de táxis, pegamos o primeiro disponível, mostramos o endereço do hotel Mercure Angioino Napoli Centro (Via Agostino Depretis, 123) para o motorista, que acenou com a cabeça afirmativamente. Além da tarifa a pagar, o taxímetro também mostrava a duração da corrida. Demoramos pouco mais do que seis minutos para chegar ao hotel. O que li sobre os motoristas de táxi da cidade já foi confirmado na primeira corrida. No taxímetro, o valor a pagar era menos de seis euros. Dei uma nota de dez euros, o motorista agradeceu e não me deu troco nenhum. Não quis reclamar. Entramos logo no hotel por causa da chuva e do frio. O check in foi muito rápido, cordial e simpático. O recepcionista fez questão de falar conosco somente em italiano, mas falava tão pausadamente que entedia tudo. Ficamos em um quarto no terceiro andar, com vista para a rua. Desfiz a mala naquilo que achava essencial, marquei no mapa que recebemos na recepção do hotel o roteiro da tarde e saímos a caminhar pela cidade. Mais de meio-dia, decidimos almoçar antes de começar as visitas aos locais turísticos. Tinha escolhido duas famosas pizzarias da cidade, ambas situadas na mesma rua: Via dei Tribunale. Caminhamos por cerca de vinte minutos para chegar até esta via. Nela, percebemos como a cidade é suja. Muito lixo pelo chão, muita confusão, muita gente fumando, falando alto. Há uma certa decadência proposital na cidade. Parece ser esta a marca registrada desta terceira mais populosa cidade italiana. Escolhemos a pizzaria que nos pareceu com melhor aparência. Há uma produção de pizzas sem parar. Ao chegarmos, por volta de 13:15 horas, ainda havia lugar, mas logo formou-se uma longa fila de espera. É certo que o local não é grande, mas é famoso tanto entre os locais quanto entre os turistas. Há apenas uma garçonete para atender a todas as mesas. Ela é elétrica, parece que trabalha somente em ritmo acelerado. As pizzas são individuais, em tamanho exagerado. Só vimos quando elas chegaram à mesa. O preço era tão baixo, que achamos que chegaria apenas uma fatia para cada um. Para se ter uma ideia, a pizza Margherita, inventada em Nápoles, custou apenas três euros. Para esquentar um pouco o corpo, resolvi acompanhar Ric em uma garrafa de vinho. Cometi um erro enorme, pois na carta só havia seis opções, sem separação entre branco e tinto. Pedi um dos mais caros do menu (apenas seis euros a garrafa), não percebendo que o vinho escolhido era branco. Só vi depois que a garçonete já tinha aberto a garrafa. A pizza chegou rápido. No meu caso, pedi uma capricciosa, recheada de cogumelos paris, azeitonas pretas, alcachofras, molho de tomate e mussarela. Estava melhor do que a pizza que comi em Roma, mas a massa era difícil de partir. Ao olhar ao redor de nossa mesa, notei que a maioria dos italianos presentes comia as fatias com as mãos. Fiz o mesmo. O restaurante é tão especializado em pizza que nem café vende. Pagamos a menor conta até aqui, 19,50 euros, já incluída a taxa de serviço. A pizzaria se chama Sorbillo (Via dei Tribunale, 38). Devidamente alimentados, começamos nossa peregrinação pelas inúmeras igrejas desta região da cidade, a maioria delas dos séculos XIV, XV e XVI. A mais curiosa de todas é a San Lorenzo Maggiore, com acesso pela própria Via dei Tribunale. Ela foi construída em cima de onde funcionava, durante a Idade Média, o mercado da cidade e parte do teatro de arena. Desta época, ainda resta o poço, localizado hoje no claustro da igreja, e as ruínas no subsolo, que também podem ser visitadas, além do museu com peças antigas da própria igreja e vestígios de objetos, pinturas, mosaicos encontrados nas escavações arqueológicas. Tudo isto pode ser conhecido, pagando-se um único ingresso, ao custo unitário de 9 euros. Saindo desta igreja, damos de cara com outra, a de San Paolo Maggiore, que curiosamente foi construída em cima de um templo dedicado ao Deus da Cura em épocas muito passadas. As colunas de sua fachada pertenceram ao templo. Em seguida, fomos para a Cattedrale San Genaro, a maior e mais bem decorada de todas que vimos nesta tarde de sábado. Nela há uma capela dedicada a San Genaro, o padroeiro da cidade. Nesta capela, há um grande relicário em forma de busto no qual está o crânio deste santo e um vidro com seu sangue coagulado. Diz a lenda local que se o sangue não ficar líquido três vezes ao ano é sinal de má sorte para a cidade. Também na mesma catedral, em sua cripta, está um pote com vários ossos do mesmo santo. Tanto na capela dedicada ao santo padroeiro quanto na cripta, os fieis jogam moedinhas, fazendo os seus pedidos. Há um belíssimo batistério do século V, todo em mármore, logo na entrada da igreja, em seu lado esquerdo. Demos uma parada para um rápido café e seguimos nosso destino, ou seja, mais igrejas. Passamos pela Santa Maria di Donna Regina, que estava fechada, e entramos por ruelas escuras e sujas, até sairmos em frente à igreja San Giovanni a Carbonara, decadente por fora, mas totalmente recuperada por dentro, com belos exemplares de obras de arte da Idade Média. Um casamento estava para começar quando chegamos. Os convidados estavam muito elegantes, mas pareciam estar uniformizados, pois todos usavam sobretudos escuros. Nesta mesma Via Carbonara está o hotel Palazzo Caracciolo, onde inicialmente fiz a reserva, mas desisti depois de ler sobre ele no Trip Advisor. Na verdade, ele é muito elogiado, mas a região é muito criticada, não só pela sujeira, mas também é apontada como ponto de prostituição e de drogas, o que a torna perigosa a partir do final da tarde. Voltamos a pé pela Via dei Tribunale, passando por outras igrejas, até sairmos na Piazza Dante, totalmente pichada. Um descuido da prefeitura ou é a tal decadência proposital? A principal rua de comércio da cidade corta a praça. Descemos, então tal rua, a Via Toledo, em direção ao mar, passando por várias construções antigas, todas elas chamadas de palazzos. Do lado direito da Via Toledo, já chegando perto de onde ela começa, está o famoso Quarteirão Espanhol, cuja característica principal são as roupas penduradas nas janelas e sacadas dos prédios antigos e suas ruas estreitas. Muitos restaurantes estão ali localizados. Chegamos à Galleria Umberto I, belíssimo shopping coberto. Para quem conhece a Galleria Vittorio Emanuelle em Milão, a de Nápoles seria a sua prima pobre, mas não deixa de ter seu esplendor. Saímos pela ala que dá acesso ao suntuoso Teatro San Carlo, palco de inúmeras óperas e balés. Havia filas enormes para entrar. As pessoas estavam muito elegantes. Demos um volta pela região, chegando à enorme Piazza Plebiscito, onde de um lado está o Palazzo Reale e do outro, a igreja San Francesco di Paola. Aqui não há vez para os carros. Digo isto porque em toda a cidade há uma disputa constante entre pedestres e automóveis. Voltamos para o hotel, passando em frente ao Castel Nuovo, parte de um roteiro que faremos em outro dia. A cidade está em obras, ampliando sua linha de metrô, porque em 2013 será sede de uma conferência mundial de cultura. Assim, há vários desvios que devemos fazer, seja em carro, transporte coletivo ou caminhando. No hotel não há internet gratuita como em Roma. Comprei um cartão para usar durante três horas por 3 euros. Acompanha o cartão, um bônus de 24 horas, ou seja, paguei três euros para navegar na internet por 27 horas. Já localizei no mapa todos os demais lugares turísticos a visitar, além dos restaurantes previamente escolhidos. Todos estão a poucos metros de distância do hotel. Caminhadas de, no máximo, quinze minutos. A localização do hotel é excelente.
Para jantar, já tinha reserva confirmada, desde o Brasil, no premiado restaurante La Cantinella (Via Cuma, 42), uma estrela no Guia Michelin, edição Itália. Reserva para 20 horas, sem dress code. Fomos a pé, caminhada pela avenida que corre ao longo do mar. Levamos dez minutos para lá chegar. Não havia ninguém no restaurante, fomos os primeiros, mas logo o restaurante encheu. A decoração é duvidosa, com paredes e tetos forrados de bambus, cadeiras de vime, umas pilastras em V separando o grande salão em três ambientes. Alguns quadros com motivos camponeses completavam o kit. Nem todos os garçons falavam outra língua, mas tivemos um excelente tratamento. Serviço de primeira. Embora estrelado, não há frescuras no menu e nem exigências de todos na mesa (no caso, eu e Ric) terem que optar pelos menus sugeridos, caso um se interessasse pela fórmula montada. Ric escolheu um primo e um secondo piatto, enquanto eu pedi o menu vegetariano. Para beber, escolhemos um vinho tinto da Lombardia, com bom preço e excelente sabor. Assim como nos restaurantes estrelados de Roma, este também ofereceu um amuse bouche. Era um bolinho de peixe, mas como eu tinha pedido a opção vegetariana, meu mimo foi sem o peixe. Veio uma bolinha de batata com mussarela, muito gostosa. Em seguida, veio uma sopa de lentilhas, das menores, que já foi em quantidade suficiente para matar a minha fome. O próximo prato foi um rigatoni muito bem montado no prato de vidro retangular, em forma de uma pirâmide, apenas com molho de tomates frescos. Massa ao dente, com o molho aderindo perfeitamente nos espaços do rigatoni. Ótimo prato. Depois, uma escarola recheada com queijo em leito de creme de abóbora moranga. Muito bom, leve, mas não consegui comer tudo. Era hora da sobremesa, mas não aguentei. Como Ric queria sobremesa, ele ficou com a prevista no meu menu. O garçom arrumou a mesa para os dois, "just in case", disse ele. Um detalhe raro: trocaram os guardanapos para a sobremesa. Retiraram os brancos e trouxeram novos amarelos. Veio duas mini taças com uma espécie de chocolate branco com coco, cobertos com avelãs. Ric comeu tudo, eu nem mexi na minha. Pensávamos que era minha sobremesa, mas era mais um mimo do chefe, um amouse bouche para o sabor doce. Em seguida, foi colocado em frente ao Ric um enorme prato, com vários tipos de doces feitos com chocolate, entre eles um sorvete, um mini petit gateau, uma mousse com menta no fundo. Além deste prato, um outro, com vários mini doces ficou à nossa disposição para acompanhar o café expresso. Ambos pedimos descafeinado. Curto e forte. Depois de duas horas no La Cantinella, chegou a hora de pagarmos a conta, nem tão cara como nos restaurantes em Roma e voltarmos a pé para o hotel, escolhendo um outro caminho, para ver o movimento noturno da cidade. Vimos vários jovens com fantasias, o que nos fez lembrar que é tempo de carnaval.

quarta-feira, 2 de março de 2011

FÉRIAS - DIA 5 - QUARTA-FEIRA - 02/03/2011 - VATICANO

Acordei mais tarde na manhã desta quarta-feira. Amanheceu com céu parcialmente encoberto. Descemos para o café da manhã um pouco mais tarde, por volta de 10:00 horas. Primeiro dia sem os remédios para emagrecer. Comi o mesmo tanto que vinha comendo. Acho que os remédios tem um efeito depositário. Estou me sentindo muito bem, com as roupas já totalmente soltas em meu corpo (em 45 dias de dieta, emagreci 10 quilos). Quero manter o peso com o qual viajei para retornar ao processo de emagrecimento ao final das férias. Enquanto estávamos ainda no café da manhã, o tempo fechou. Tomamos a decisão mais acertada, ou seja, era o momento de irmos a algum lugar fechado, sem ficar andando pelas ruas como no dia anterior, quando ficamos completamente ensopados. Pegamos um táxi na porta do hotel direto para  ver as várias obras dos Museus do Vaticano (Musei Vaticani). A corrida ficou em 13 euros. Chegamos antes do meio dia. Aconselha-se a chegar neste museu (são vários museus em um único prédio) ainda pela manhã, pois costuma-se formar fila enorme após o almoço. Há passagem obrigatória dos pertences em raio X. A bilheteria para quem vai comprar bilhete individual fica dois níveis acima da entrada. O ingresso único custou 15 euros para cada um. Como o lugar é muito grande, decidimos previamente o que queríamos ver: a Capela Sistina e os aposentos de Júlio II, redecorados por Rafael (Raffaello) no século XVI. Hoje o local destes aposentos se chama Stanze Raffaello. É fácil andar no museu, pois ele é bem sinalizado, principalmente em relação à sua atração principal, ou seja, a Capela Sistina. Começamos por ver parte dos famosos Jardins do Vaticano (Giardini Vaticani) de um dos terraços do museu, para em seguida, entrarmos em um amplo jardim de inverno, chamado Cortile della Pigna. Uma beleza o lugar. A partir dele, seguimos as setas para a famosa capela. Passamos por corredores e ambientes surpreendentes, como a Galleria delle Carte Geografiche, com vários mapas de regiões da Itália nas paredes, em um grande corredor de mais de cem metros. Mas o que mais impressiona neste corredor é o teto. Os mapas também são do século XVI. Logo a seguir a esta galeria, um escuro ambiente, com maravilhosos tapetes do século XVI com motivos religiosos. Não deixamos passar em branco a imensa coleção de estatuária greco-romana, com grandes sarcófagos em mármore, lindamente decorados, até chegarmos à Capela Sistina, um trabalho primoroso de Michelangelo, que demorou quatro anos para ter concluídas suas pinturas. Era a segunda vez que eu ia à esta capela, mas confesso que desta vez ela me impressionou mais. Na primeira, era verão, o museu estava cheio demais e na capela era quase impossível de se andar. Agora, pude ver cada detalhe das pinturas no teto e nas paredes laterais. A famosa pintura de Deus criando Adão é muito pequena e fica no meio de um emaranhado de afrescos no teto. O mais impactante para mim é a parede que retrata o Juízo Final. Impressionante a capacidade deste grande artista do Renascimento italiano. Fizemos uma grande volta para chegarmos às Stanze di Raffaello, incluindo uma passagem por galerias e ambientes já vistos. As pinturas nas paredes e no teto são impressionantes. Não tem como não apreciar "A Escola de Atenas", ou "O Incêndio na Cidade". Raffaello era outro gênio. Fizemos uma passagem meteórica pela coleção de arte contemporânea, a parte mais vazia do museu, com quadros de Marc Chagall, Lucio Fontana, Salvador Dalí, entre outros. A saída é outro ponto forte do museu. A escada que temos que descer é suntuosamente decorada em sua borda, tendo o formato de um caracol. Todos os turistas param para fotografar a escada do alto, fazendo aquele efeito que Hitchcock tornou famoso em seus filmes. Quando saímos, a chuva insistia em cair. A pé, margeando o grande muro que cerca o Vaticano, chegamos às arcadas da impressionante Piazza San Pietro, projeto de Bernini do século XVII. Mesmo com chuva, não há como não andar por toda a sua extensão, vendo as duas fontes laterais, o grande obelisco, as colunatas de ambos os lados e a enorme Basílica de São Pedro ao fundo. Depois de fotos e mais fotos na praça, entramos em uma desorganizada fila para entrar na Basílica. Tivemos que empurrar algumas pessoas que insistiam em entrar em nossa frente. Embora grande a fila, ela andava rápido. O motivo desta fila é o controle para entrada na Basílica. Os pertences tem que passar pelo raio X. A entrada somente para a Basílica é gratuita. Logo à direita de quem entra, outra obra clássica de Michelangelo, "Pietà", protegida por um vidro, pois já foi alvo de um vândalo. A cena que se vê é parecida com a "Mona Lisa", de Leonardo Da Vinci, no Museu do Louvre, em Paris: muita gente se espremendo e se empurrando para tirar uma foto. Fizemos o mesmo. O interior da Basílica é impressionante e quanto mais se adentra, mais sentimos seu esplendor. Muito mármore no chão, nas paredes e nos nichos. O baldaquino central é de tirar o fôlego de tão belo, mais uma obra de Bernini. Michelangelo é o responsável pela construção da cúpula deste templo religioso. Há muitos detalhes para se ver. O púlpito relicário de bronze que protege o trono de São Pedro é outra obra de Bernini, mas tivemos que apreciar de longe e sem iluminação. Para nossa sorte, enquanto observávamos alguns detalhes, um grupo de freiras teve acesso ao local onde fica o púlpito e as luzes se ascenderam, provocando uma corrida para filmagens e fotos. Realmente é de uma beleza incrível. Outro detalhe são os turistas que colocam a mão no pé direito da estátua medieval de São Pedro. Ric fez o mesmo, fazendo questão de tirar uma foto. Algumas partes da Basílica estão em obras de restauração, oportunidade para se ver o trabalho minucioso destes artesãos que preservam a arte universal. Passando por uma fonte linda com água benta, peguei um pouco e passei no meu rosto. A fome apertou. Eram mais de 15:30 horas. Era hora de sair. Lá fora, mais frio e chuva fina. Descemos pela lateral direita da Basílica, vimos dois guardas da Guarda Suíça, responsável pela segurança local, com seu uniforme característica escondido debaixo de capas de chuva, mas vimos o final das calças justas no corpo com listras verticais nas cores laranja e azul marinho. Na Praça de São Pedro, tiramos mais fotos. Decidimos procurar um restaurante nas redondezas, pois a região é cheia de turistas, assim a possibilidade de achar algo interessante aberto era grande. Andamos um pouco até a movimentada Piazza Risorgimento, onde achamos um café que tinha lugar no interior. Entramos e uma simpática atendente nos colocou em uma mesa. Percebendo que falávamos português, disse que era cunhada de um brasileiro. O restaurante é o Ris Café (Piazza Risorgimento, 16). Foi-nos oferecido dois cardápios, um tradicional e outro dito especial. Ficamos no segundo. Os quatro pediram a mesma entrada, uma simples, mas bela e saborosa, Salada Caprese (a mussarela de búfala estava macia, fresquinha, uma delícia). Cesta de pães veio a mesa. Como prato principal, escolhi um peito de frango grelhado com vegetais, também feitos na grelha. Os vegetais estavam mais saborosos do que o frango, que veio muito branco, mas bem temperado. Os vegetais eram beringela, abobrinha e pimentões. Todos apenas grelhados, quase crus, temperados apenas com azeite e sal. Muito bons, por sinal. O café expresso foi o mais curto e forte que tomamos até aqui. Também foi o restaurante mais barato em que comemos nestes três dias de estadia em Roma. Pegamos um táxi de volta para o hotel, pagando 10 euros pela corrida. Preferimos não mais sair, pois queríamos descansar um pouco para aproveitar o jantar no único restaurante com três estrelas em Roma concedidas pelo Guia Michelin. Fiz a reserva por e-mail, ainda no Brasil, recebendo a confirmação rapidamente. Por via das dúvidas, pedi ao concierge do hotel para reconfirmar, o que foi feito na terça-feira. Inicialmente, somente eu e Ric iríamos, pois nossos amigos não trariam na bagagem nenhum blazer, nem sapatos, exigências do code dress do restaurante. No entanto, eles acabaram trazendo. Pedi na manhã desta quarta-feira ao concierge que consultasse ao restaurante a possibilidade dos amigos se juntarem a nós na reserva e se podiam ir de jeans. Ambas as respostas foram positivas. Todos iremos ao La Pergola (Via Alberto Cadlolo, 101 - Roma Cavalieri Waldorf Astoria Colection Hotel) na noite desta magnífica quarta-feira.
Pegamos um táxi para o restaurante por volta de 20:40 horas. Ele fica em outro ponto da cidade, no alto de um morro, com belíssima vista de Roma e do Vaticano. O La Pergola fica no nono andar do Roma Cavalieri Hotel. Não estava cheio. A decoração é um tanto quanto over, com muito vermelho e dourado, especialmente os talheres e baldes de gelo. São três salões, com uma parede toda envidraçada, com deslumbrante vista da noite romana. Nossa mesa, já reservada, não ficava perto do vidro, mas tínhamos uma boa visão. Serviço impecável, com todos os garçons falando em inglês e tirando todas as nossas dúvidas. Pedi um Brunelo di Montalcino, safra 2008, muito bom, mas não me recordo a vinícola. Lembro-me do preço: 100 euros. Serviram um amuse bouche, o tira gosto de boas vindas do chef, vongole levemente cozido no vapor com croutons, gelatina de aipo e espuma de cenoura. Ótimo sabor. Pães eram oferecidos sem parar. Primeiro restaurante que nos ofereceu junto com os pães uma deliciosa manteiga, azeite especial da Toscana, sal branco do Hawaí e sal negro da Sicília. Molhar o pão no azeite e no sal é uma ótima pedida. Como primeiro prato, pedi flor de abobrinha frita com vongole e caviar ao molho de açafrão. O prato já é belo de se olhar. A delicadeza da flor de abobrinha e a mistura de sabores do caviar e do molho de açafrão foram de comer ajoelhado. Divina experiência. Antes do prato de fundo, o chef nos brindou com um outro primeiro prato, como os italianos costumam chamar. Foi um espaguete ao dente com molho leve de queijo e pimenta do reino, com pequenos camarões marinados em limão siciliano. O prato consta do cardápio, mas não nos foi cobrado. Gentileza do chef. Como viram que eu anotava tudo e tirava fotos dos pratos, talvez tenham pensado que eu era algum gourmet que escrevia sobre gastronomia. Percebi que nossa mesa era a mais paparicada de todas. Esta oferta também estava deliciosa. Como prato de fundo, pedi uma vitela recheada com pinhões secos e cebolas cozidas com radicchio. Carne macia, tenra, cuja harmonia com o sabor forte da cebola e do radicchio ficou perfeito. Há mais de cinquenta dias não comia carne vermelha, nem bebia vinho. Foi uma ótima pedida voltar a provar estas duas iguarias em um restaurante tão bom, além da ótima companhia de Ric e de nossos amigos de Brasília. Ainda pedimos a sobremesa. O meu pedido foi uma surpreendente bola de suco de romã gelado. Uma bola oca, apenas uma casca fina. Fiquei curiosa como a faziam. Embaixo da bola, um creme de avelã. Fechei com chave de ouro a noite. Ainda vieram docinhos variados em uma mini cômoda de metal, cheia de gavetinhas. Em cada gaveta, um docinho diferente. Também nos levaram uma caixa cheia de chocolates variados para acompanhar o café. Pedi um expresso descafeinado. Veio como se bebe em Roma, curto e forte. A conta foi cara, mas valeu a pena ter esta experiência. Ainda tivemos a visita do chef alemão Heinz Beck, muito simpático e cortês, nos desejou uma ótima férias na Itália. Foi o primeiro restaurante três estrela do Guia Michelin que eu fui na minha vida. Voltamos para o hotel de táxi. Mais uma bela jornada encerramos em Roma.