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terça-feira, 15 de março de 2011

FÉRIAS - DIA 18 - TERÇA-FEIRA - 15/03/2011 - PARIS

Amanheci com muita preguiça, com vontade de ficar na cama, mas tinha que tomar o café da manhã, acabar de arrumar o pouco que faltava da mala, fazer o check out no hotel, pois tínhamos horário marcado para sair de Bruxelas em direção à Paris. O check out foi rápido. Pegamos um táxi na porta do hotel e, em dez minutos, chegamos à Gare du Midi. A corrida ficou em 10 euros, incluindo o suplemento pelo transporte de duas malas. Esperamos em torno de uma hora para embarcar no trem Thalys 9326. Bilhetes de classe Confort 1 (primeira classe), carro 2, assentos 12 e 13. Enquanto subíamos a esteira rolante, vários policiais subiram correndo a esteira que descia. Alguém tinha sido roubado na plataforma e pegaram o ladrão. Entramos no trem. Uma funcionária da companhia, vendo o tamanho da minha bagagem, disse que teria que colocá-la no lugar para grandes malas, ao fundo do vagão. A de Ric coube no compartimento acima de nossos assentos. Coloquei a mala no local indicado. Enquanto o trem esteve parado na estação, com as portas abertas, uma gravação sobre a necessidade de ficar de olho nas malas não parava de ser anunciada pelos auto-falantes do comboio. No horário exato, às 12:13 horas, o trem partiu. Logo na saída, um funcionário passou perguntando quem precisava de um voucher para pegar um táxi em Paris. Pedi um formulário para preencher, que deve ser devolvido com pelo menos uma hora antes da chegada à Gare du Nord. Não é gratuito, pois há um valor entre 11 e 15 euros que se acrescenta ao valor da corrida, mas vale a pena, evitando-se ficar nas enormes filas de táxi que se formam na saída da estação em Paris. Preenchi o formulário e o devolvi ao atendente da empresas Thalys. Na primeira classe, o acesso à internet é gratuito, mediante a inscrição no site da empresa. Fiz esta inscrição rapidamente e comecei a navegar, mas o balanço do trem, a velocidade e o tamanho minúsculo da letra em meu computador me fizeram desistir rapidamente de ficar na internet. Devido à hora, foi servido um almoço com duas opções frias de refeição: salmão defumado e vegetariana. Fiquei com a segunda delas. A viagem dura apenas uma hora e vinte e dois minutos. Funcionários da alfândega belga passaram pelo vagão, mas não questionaram ninguém que ali estava. Chegamos em Paris, na estação Gare du Nord, no horário correto, às 13:35 horas. Ao final da plataforma de desembarque, fica o funcionário da empresa que recebe o voucher do táxi e indica quem é o motorista que nos levará. Um senhor com cara de poucos amigos foi o nosso motorista. O táxi fica estacionado no subsolo da estação, em local exclusivo para os caros reservados. O clima em Paris está mais firme, com sol e pouco frio. Nem precisou usar os dois casacos que tenho usado desde o início da viagem. A corrida ficou em 24,90 euros, já incluído o suplemento da reserva, no caso 11 euros (o valor depende da distância a ser percorrida), além do suplemento pelas duas malas, 1 euro para cada uma. Como o motorista tinha cara amarrada e não ajudou a retirar a mala de seu carro, fiz questão do troco integral, pois paguei com uma nota de 50 euros. No hotel Sofitel Paris Arc de Triomphe (14, Rue Beaujon), o check in foi muito cortês. A atendente começou a falar em inglês, mas como eu respondi em francês, ela passou a falar em sua língua natal. O concierge do hotel que estava de plantão no momento de nossa chegada era português. Assim, enquanto eu acabava os procedimentos do check in, Ric pediu ao concierge a confirmação de uma reserva que temos desde o Brasil no restaurante Spoon, o empreendimento moderno do renomado chef Alain Ducasse. Reserva confirmada para a noite desta terça-feira, às 20:30 horas. Recebi um up grade de quarto, tendo em vista que estou na mais alta categoria do cartão fidelidade da Accor. Tenho o cartão Platinum do A-Club. Deram-nos uma suite junior, recentemente remodelada, segundo informou a recepcionista. A decoração é moderna, com iluminação colorida, dando um aspecto de paz quando apenas as luzes azuis ficam acesas. Também há uma banheira no meio do quarto, um amplo banheiro com sauna interna, cuja temperatura é regulada pelo próprio hóspede. Acesso à internet gratuito. Água, café Nespresso e chá à vontade. O senão fica por conta do vaso sanitário que, seguindo a tradição francesa, está localizado em um cubículo à parte. As luzes de leitura na cabeceira da cama se ascendem com um leve toque em sua base. Como diria meu amigo, um luxo e sofisticação. Amo muito tudo isto! Já que estamos em algo tão chique, porque não começar nossa programação em Paris com uma caminhada sem rumo definido na Avenue des Champs-Elysées, a poucos metros de distância do hotel. Com um sol gostoso, espantando o frio, muitas pessoas lotavam as esplanadas dos cafés localizados nos dois lados desta famosa avenida. Entramos na Fnac, na Sephora, na Louis Vuitton e na Nespresso. Ao passar em frente à Ladurée (75, Avenue des Champs-Elysées), paramos para um café. No meu caso, não podia deixar de experimentar um dos famosos macarons desta casa fundada em 1862. Experimentei o sabor café. Sublime! Voltamos para o hotel, onde recebemos um mimo de boa noite, um mini urso de pelúcia.
Às 20:30 horas, conforme reserva, chegamos ao Spoon (12, Rue Marignan). Fomos a pé, gastando pouco mais do que quinze minutos desde o nosso hotel. Fomos acomodados em uma mesa na lateral. Na verdade, eles só ocuparam as mesas centrais depois que todas as laterais já estavam ocupadas. O restaurante fica em um hotel, cujo nome é o mesmo da rua, e pertence ao chef Alain Ducasse, que nele pratica uma cozinha simples, saudável e natural. É verdade. Todas as opções são, a princípio, muito simples, mas feitas com um toque tão diferente que os pratos são únicos. Um garçom francês que falava português nos atendeu (parece que há uma preocupação crescente das lojas, hoteis e restaurantes de Paris em ter algum funcionário que fale português). Como boas vindas, um conjunto de oito pastas com sabores e texturas de ervas, raízes e vegetais, acompanhados de mini mini panquecas. Pedi um creme de tofu com um peixe cortado bem fino que parecia se mexer no prato (era apenas a interação do peixe seco com o molho fazendo a sua hidratação) e cogumelos frescos levemente grelhados. Em seguida, veio o meu prato principal em uma panela de cerâmica. Um cozido de vegetais e frutas que estava maravilhoso. Estavam cortados em finíssimas lâminas e ao serem cozinhados juntos, não se identificava facilmente o que era o que. A doçura das frutas se misturou ao sabor dos vegetais acrescentados das ervas. Antes da sobremesa, um chá digestivo com limão e gengibre foi servido. Claro que pedi uma sobremesa, seguindo a sugestão do garçom, um cheesecake com calda de geleia de laranja. Superbe! Iniciamos bem a temporada parisiense.

segunda-feira, 14 de março de 2011

FÉRIAS - DIA 17 - SEGUNDA-FEIRA - 14/03/2011 - BRUGGE

A segunda-feira amanheceu nublada, permanecendo assim o dia inteiro. Sem pressa, sem horários rígidos sobre nós, tomamos café tranquilamente ao lado de um mesa onde havia um casal de brasileiros com um filho. Diferente do domingo, o salão do café estava tranquilo, bem vazio. Nossa programação para o dia: viagem a Brugge, a 59 minutos de trem de Bruxelas. Pegamos o metrô na estação Bruxelles-Central, localizada atrás do nosso hotel, fizemos uma conexão para chegar à estação Bruxelles-Midi, de onde partem trens de meia em meia hora para a cidade medieval mais conservada da Europa. A estação é grande, mas logo nos localizamos, caminhando a passos largos para a plataforma 16, pois o trem sairia às 11:05 horas. Embora tenhamos chegado ao local de embarque ainda com o trem de portas abertas, o funcionário da companhia de trens não nos deixou entrar, pois já havia soado o sinal da partida daquela composição. De qualquer forma, ele foi muito simpático, se desculpando pelo ocorrido. Deu tempo de perguntar sobre a necessidade de convalidar o bilhete e quando sairia o próximo trem para Brugge. Ele respondeu que a convalidação se dava dentro do trem e que em vinte minutos um outro seguiria para a cidade medieval, saindo da plataforma em frente, o seja, a de número 15. Aproveitamos o tempo que tínhamos para localizar de onde saem os trens para Paris, facilitando nossa vida para o dia seguinte. Realmente às 11:26 horas um novo trem saiu para Brugge. Trem de dois andares, vazio. Fomos no segundo andar. A viagem foi muito silenciosa. Há apenas uma parada no trajeto. Ela fica em Gent, outra cidade que consta dos guias para ser visitada na Bélgica. No meu caso, ficará para uma outra oportunidade. Às 12:25 horas descemos na estação de Brugge, seguindo a pé em direção ao centro da cidade. De cara, achamos o local muito bonito, muito limpo, mas com placas escritas em holandês não há como entender nada. Eu tinha um mapa pequeno. O melhor foi seguir em direção às altas torres das igrejas góticas da cidade. Dizem que a cidade é impraticável no verão, de tão cheia que fica de turistas, especialmente nos finais de semana. Como estamos no inverno e em uma segunda-feira, onde nenhum museu da cidade abre, nem mesmo as principais igrejas estão abertas, a cidade não estava tão cheia, mas nos deparamos, por mais de uma vez, com turmas de brasileiros com máquinas fotográficas nas mãos, perguntando sobre locais baratos para almoçar na cidade. Seguindo pelas ruas medievais, me senti dentro de uma cidade de brinquedo, daqueles tijolinhos que eu brincava na infância. As casas são iguais à desenhadas nos tais tijolinhos de madeira. Como em todas as cidades por que passamos nesta viagem, Brugge também tem vários locais em reformas. Passamos pela principal rua do comércio local, com muitas lojas de chocolates e de rendas, produto típico da cidade, chegando à principal praça, a Markt, onde outrora funcionava o mercado da cidade. Hoje é dominada por prédios históricos nos quais funcionam lojas ou restaurantes. No centro, um obelisco e muitas charretes. Pode-se conhecer a cidade em uma destas charretes. Preferimos a caminhada. Na mesma praça está uma enorme torre na qual se pode subir os seus 366 degraus para se ter uma vista da cidade, além de ver de perto seus mais de quarenta sinos. Nesta viagem, minha cota de escadaria já se esgotou. Quando estávamos caminhando, vi várias placas em restaurantes informando o horário do almoço - de 12 às 14 horas. Olhei o relógio. 13 horas em ponto. Era hora de escolher onde almoçar. Desta vez, estava entregue à sorte, pois não havia pesquisado nenhum restaurante na cidade. Verificamos na praça onde havia mais gente almoçando. Seguimos para o mais lotado, o Le Panier d'Or (Markt, 28), onde encontramos um garçom muito atencioso, que entendia um pouco de português. Embora estivesse fazendo frio, todos os que entravam preferiam ficar nas mesas do lado de fora. Foi o que também fizemos. Almoçamos na principal praça da cidade vendo o movimento intenso de turistas, de micro-ônibus utilizados para um city tour, de charretes, de bicicletas (como tem bicicleta na cidade!). Fiquei no menu de três pratos na categoria "peixes", pois havia um de carne, escolha de Ric, e outro do dia, o mais barato deles. No menu de peixe, há quatro opções de entrada, quatro de prato quente e três de sobremesa. Escolhi comer os famosos croquetes de camarão da região como entrada (são duas unidades grandes, que chegam à mesa fumegante, com mini camarões enfeitando o prato juntamente com mini rúculas - estavam ótimos), e um bacalhau com creme de ovos e batatas cozidas. O bacalhau era fresco, totalmente sem tempero. Não gostei. Para a sobremesa, escolhi o primeiro sorvete nesta viagem: baunilha com calda quente de chocolate. Terminamos com um expresso regular, servido em uma enorme xícara. Depois do almoço, seguimos para outra praça, bem perto da Markt, local onde a cidade foi fundada. Ela se conecta onde estávamos por uma rua somente para pedestres lotada de lojas de souvenirs. Chegamos em dois minutos (como o garçom nos disse quando perguntei em que direção era a praça) na praça Burg. Nela estão prédios de várias épocas, destacando-se o prédio da prefeitura e duas igrejas, ambas abertas para visitação gratuita e no mesmo edifício. Uma fica em cima e a outra no piso térreo. Subimos as escadas de acesso à Heilig Bloedbasiliek (Basílica do Sangue Sagrado). Nas paredes das escadas alguns cartazes me chamaram a atenção. Eles mandavam ficar atentos pois ali havia a ação de trombadinhas. Entramos numa bela igreja, na verdade uma capela, com decoração com predominância do dourado. No fundo de quem entra, está uma espécie de altar onde fica um sacerdote sentado. Vi pessoas subindo as escadas, parando em frente ao padre, colocando a mão em um vidro, ficando alguns minutos. Procurei saber do que se tratava. Uma placa em várias línguas (não havia em português) indicava que ali era um local sagrado, próprio para meditação e devoção para os que professam a fé católica. Dentro do tal vidro, uma ampola contém o que dizem ser o sangue de Cristo (daí o nome da basílica). Exitei em ir, mas acabei indo. Subi as escadas, mirei o padre nos olhos que, com um balanço de cabeça, me acenou a ampola. Coloquei minhas mãos no vidro e senti uma sensação de paz instantânea. Um filme rápido passou pela minha cabeça. Nem sei o que pensei, só sei que saí do local em alguns minutos bem leve. Ric, por sua vez, não quis subir ao altar. Voltamos à praça, entrando na igreja de baixo, a Capela de São Basílio, construída no século XII, mas com imagens com data anterior à sua fundação, pois vimos uma imagem datada de 1.127. As colunas da igreja parecem aquelas colunas que vemos em castelos medievais. Mais tarde, ao ler sobre a praça, fiquei sabendo que a primeira construção do local foi um castelo. Na diagonal oposta às igrejas que visitamos, uma construção moderna, uma espécie de pavilhão de vidro e ferro, obra do artista Toyo Ito de 2002 para celebrar o ano em que Brugge foi eleita a capital cultural da Europa. Tal pavilhão está situado onde outrora ficava uma catedral totalmente destruída quando da invasão francesa na cidade. Atravessamos a única passagem em arco da praça, chegando à Blinde Ezelstraat (Rua do Burro Cego), onde tivemos o primeiro contato visual com o belo canal que corta a cidade. Ali, descobri que outra maneira de se conhecer parte da cidade é fazer um passeio de barco pelo canal. Um dos pontos de partida fica justamente debaixo da ponte onde vai dar a tal rua do burro cego. Preferimos continuar o passeio a pé. Seguimos uma turma de turistas japoneses, chegando a uma praça onde havia quatro esculturas de homens montados em cavalos. Estas esculturas representam os quatro cavaleiros do Apocalipse. Estávamos diante do museu Memlingmuseum e Sint-Janshospitaal, que não abre às segundas-feiras. Seguimos adiante. Praças, ruas, espaços abertos, pontes sobre o canal foram os pontos por que passamos. Não tendo muito mais a ver, pois muitas das atrações turísticas fecham às segundas, resolvemos voltar a pé para a estação de trens. Paramos algumas vezes para fotos nas margens do canal. Chegamos à estação, conferimos o próximo trem para Bruxelas. Tínhamos em torno de quinze minutos para um café. O trem partiu no horário exato: 16:35 horas. Descemos diretamente na estação Bruxelles-Central, bem próxima de nosso hotel. Eu comprei os bilhetes de trem ainda no Brasil. Eles são entregues sem data e horário, apenas com validade de um mês (no nosso caso, de 14/03 a 13/04/2011). Este foi o motivo pelo qual pudemos escolher os horários tanto para ir quanto para voltar de Brugge. A cidade é muito legal. Quero voltar, com certeza, numa época mais animada, quem sabe até dormir uma noite e fazer os diversos passeios disponíveis para o turista: bicicleta, micro-ônibus, charrete, barco e a pé. Voltamos para o hotel para descansar antes de nossa despedida da fria noite belga. Nesta terça-feira, seguiremos para Paris.
A despedida tinha que ser em uma das praças mais bonitas do mundo, na Grand'Place. À noite ela tem uma iluminação especial, valorizando os detalhes de seus prédios. Noite fria, mas sem chuva. Muitos turistas tiravam fotos na escura praça. Escolhemos um dos restaurantes instalados na praça, o Le Roy d'Espagne (Grand'Place, 1) para nosso jantar de despedida. Estava cheio. O local é muito frequentado por turistas que querem beber as várias cervejas produzidas na Bélgica. A decoração lembra uma taberna antiga, daquelas que a gente vê em filmes da época medieval. Até cavalo empalhado faz parte da decoração, onde a madeira predomina. No centro, uma lareira aquece o ambiente interno. As mesas são coletivas, podendo sentar pessoas estranhas ao seu grupo, basta sobrar espaço. Tivemos a companhia de três alemães na nossa mesa. Pedi, para encerrar a estadia em Bruxelas, um prato chamado Degustação Belga. São três cumbucas contendo algumas das especialidades do país: carne cozida em molho espesso, peito de frango cozido em molho de legumes e almôndega mista de carne de boi e de porco com bastante molho de tomate. Para acompanhar, pedimos um vinho tinto italiano, um Montepulciano. Os garçons descem e sobrem as escadas em ritmo frenético, mostrando o movimento da casa. O garçom que nos serviu disse que o país mais bonito do mundo, em sua opinião, era o Brasil e que era doido para passar um carnaval no Rio de Janeiro. Ele está juntando dinheiro para fazer esta viagem. Incentivemos este seu desejo. Ele foi muito simpático o tempo inteiro. Ao sair, demos uma volta nas ruas em torno da praça, apreciando as lindas vitrines das lojas de chocolates, já enfeitadas para a Páscoa que se aproxima. E a viagem continua. Nesta terça-feira, seguiremos em trem rápido para a França. Destino: Paris, onde a proposta é um roteiro mais brando.

domingo, 13 de março de 2011

FÉRIAS - DIA 16 - DOMINGO - 13/03/2011 - CONHECENDO BRUXELAS

Nada de acordar cedo no domingo. Este foi meu pensamento quando deitei na noite de sábado. Dormi antes de 22:30 horas. Estava tão cansado que dormi direto, sem acordar nenhuma vez, até nove horas da manhã de domingo. Amanheci com o corpo dolorido. Acho que estranhei a cama. Depois de um excelente café da manhã no hotel, fomos conhecer um pouco da cidade. Primeiro a região da Estação Central de trens, a alguns metros do hotel, subindo um belo parque quando nos deparamos com o Musée des Instruments de Musique (Museu de Instrumentos Musicais). Decidimos entrar não só pelo inusitado de seu acervo, mas também pelo interessante prédio em ferro e vidro, no melhor estilo Art Nouveau. Uma senhora muito lerda atendia na bilheteria. Mesmo com uma enorme fila, ela não se importava em fazer o seu serviço bem devagar. Em minha vez, comprei o Brussels Card 24 horas por 24 euros a unidade, com livre acesso a mais de trinta museus, descontos em bares, restaurantes e outras atrações turísticas, além de um cartão válido para dois dias no transporte público da cidade. Não pode entrar com mochila e casaco, motivo pelo qual tivemos que passar na chapelaria antes. Logo na entrada, há um fone de ouvido oferecido gratuitamente para os visitantes do museu. Não é um áudio-guia, mas um dispositivo que toca música quando chegamos perto de um dos muitos instrumentos expostos no museu, cuja área expositiva ocupa o subsolo e os andares 1, 2 e 4. No terceiro andar funciona a loja do museu. O prédio tem dez andares. Vale a pena subir até o último andar, onde funciona um concorrido restaurante (não conseguimos almoçar nele porque não tínhamos reserva prévia) com uma bela vista da cidade, especialmente do centro histórico. O acervo do museu é muito legal. São instrumentos musicais de várias épocas e regiões do mundo, com destaque para os pianos e órgãos. Cada um mais interessante e bonito do que o outro. A parte de instrumentos antigos traz exemplares de cordas e de sopro da África, da Ásia e da Europa. Vi vários tipos de flautas, violões e tambores. Chegar perto do instrumento exposto e ouvir a música que dele se extrai é uma experiência incrível. Vale muito à pena conhecer este museu. Sair, continuamos a subir em direção à igreja Saint-Jacques-sur-Coudenberg, que se impõe na Place Royale. Ela lembra mais um templo romano do que uma igreja católica. Seguimos em direção ao Palácio da Justiça, passando em frente ao mais famoso museu da cidade, na verdade, um conjunto de museus chamado Musées Royaux des Beaux-Arts. Continuando nossa caminhada, chegamos à Place de Petit Sablon, onde há um interessante jardim com 48 estátuas de bronze representando as associações das profissões medievais (chamadas guildas em Bruxelas). Dominando a paisagem está a igreja Notre Dame du Sablon. Aqui, paramos para fotos. Continuamos a subir até chegar  em uma praça circular onde está o Palais de Justice (em reforma), um belvedere onde avistamos os telhados da cidade, um obelisco e uma parada de bonde. Com o Brussels Card, resolvemos pegar um bonde e ver a cidade. Descemos em frente ao Jardim Botânico, pois a fome já apertava. A ideia era almoçar na região da Rue Sainte Catherine, repleta de restaurantes especializados em comida belga, em frutos do mar e em comida asiática. Para chegar na tal rua, ao sair do bonde, entramos em uma estação de metrô e fizemos uma baldeação com um trem urbano, descendo na estação Bourse, a mais próxima de onde queríamos chegar. Andamos um pouco até a Place Sainte Catherine. Seguindo um conselho de uma colega de trabalho, procurei por um restaurante que estive bem cheio de gente, sinal de que o preço não é alto e a comida é boa (esta máxima não vale fast food!). Chegamos, então, ao excelente Le Pré Salé (Rue du Flandre / Vlaamsesteenweg 20). Só havia dois lugares vagos neste pequeno e aconchegante bistrô, especializado em mexilhões e cozidos belgas. Pedimos de entrada um croquete misto (são dois croquetes, um de camarão e um de queijo). Ambos com um tempero especial. Para o prato principal, escolhi uma carne cozida em um molho da casa (na carta constava ser uma das especialidades do restaurante). Todos os pratos pedidos vem acompanhados de batatas fritas. Parece que os franceses conhecem tal restaurante, pois estavam em peso na hora do almoço. O atendimento é cordial, mas distante. Quando da sobremesa, a maioria com sorvete ou chocolate, vi uma que me chamou a atenção pelo nome: "brésilienne". Perguntei do que se tratava. Era um sorvete de baunilha com calda quente de caramelo salpicada com castanhas-do-brasil (a conhecida castanha-do-pará). Preferi ficar com um café expresso, muito parecido com o nosso café e longe do italiano, o forte e curto. Com o corpo ainda dolorido, propus a Ric um city tour no estilo Hop On Hop Off. Ele aceitou. Pegamos então um trem urbano, fazendo conexão com o metrô, chegando na Estação Central, de onde saem os ônibus de dois andares que fazem este tipo de passeio pela cidade. No caso, devido à hora (15 horas), nossa decisão foi em fazer o trajeto completo sem descer em nenhuma das treze paradas do percurso. Neste trajeto, percebi que Bruxelas é muito mais interessante do que falam. Muitas pessoas no Brasil me disseram que dava para fazer a cidade toda em um único dia. Achei injusta esta afirmação (acabei me guiando por ela, deixando apenas um dia e meio na cidade), pois Bruxelas é espalhada. Além de seu centro histórico, ainda tem a parte moderna onde estão as sedes dos principais organismos europeus, além de ser a sede do Parlamento Europeu. Também há enormes parques, mais de quarenta museus, alguns com acervos diferentes (o já citado museu de instrumentos musicais, o de história em quadrinhos, o da cerveja, o do chocolate, o de figurinos criados para a estátua Manneken-Pis, entre outros) e a região onde fica o Atomium, uma enorme estrutura em forma de átomo criada quando a cidade sediou a Expo'58. No mesmo parque que fica esta estrutura, onde se pode subir e apreciar a vista de Bruxelas, ainda há outras atrações imperdíveis (que perdi!) como a mini-Europa, o planetário, a residência real de veraneio, o pavilhão chinês e a torre japonesa. O percurso todo dura noventa minutos. Paguei pelo trajeto 15 euros, utilizando o cupom de desconto que vem no livreto do Brussels Card. Normalmente, o preço de um tour válido para um dia são 20 euros. Cada vez mais cansado do ritmo desta viagem, resolvi voltar para o hotel, alternativa que logo agradou a Ric. Hora de descansar um pouco para só sair quando chegar a hora do jantar.
Depois de um bom descanso, era hora de sair para jantar. Quando chegamos no hall do hotel, percebemos que chovia, mas uma chuva bem fraca. Atravessamos a feira de artesanato em frente, resolvendo entrar na Galerie Saint Hubert, uma elegante galeria, uma das primeiras a serem criadas na Europa. Naã chega a ser chique como a de Milão, mas tem seu charme. Repleta de lojas de chocolate, incluindo uma da famosa Godiva. Percorremos todos os corredores da galeria, saindo do outro lado em uma rua onde uma divertida escultura de uma gata andando de bicicleta contrastava com a arquitetura austera do local. Andamos mais um pouco, chegando a ruelas repletas de restaurantes, um ao lado do outro. Resolvemos percorrer a rua de uma ponta a outra, acabando por escolher o simpático Le Marmiton (Rue des Bouchers, 43A - Galerie de la Reine, 38) para jantarmos. O local é pequeno, com ar decante, mas com elegância. Paredes revestidas de vermelho e guardanapos rasgados ou furados garantiam o ar decadente, enquanto a prataria, taças, copos e afins garantiam a elegância. Pedi um vinho tinto Beauvillage, safra 2008, pois queria algo mais leve para acompanhar as minhas escolhas da noite: salada caprese de entrada, que estava divina, e os onipresentes mexilhões fervidos em molho da casa. Este fruto do mar está presente em todos os menus da cidade. Pedi os moules (como chamados em francês) com molho à base de cenoura, aipo, cebola, manjericão e vinho branco. O prato foi servido em uma panela verde esmaltada que chegou fumegante, cuja tampa serviu de cemitério para as conchas vazias. Nao consegui comer tudo, pois o prato vem muito bem servido. Tinha uns cinquenta mexilhões dentro da panela. Encerrei a noite com uma grande xícara de café expresso descafeinado. Voltamos, ainda com chuva fina, para o hotel.

sábado, 12 de março de 2011

FÉRIAS - DIA 15 - SÁBADO - 12/03/2011 - BRUXELAS

Depois de 12 dias na Itália, chegou a hora de deixar o país. Acordei muito cedo, antes de seis horas da manhã. Aproveitei para colocar as últimas coisas na mala, sempre com a preocupação de ela pesar até 30 quilos (ficou bem próximo, pois ao final, a minha mala pesou 29 quilos e a de Ric, 21 quilos), limite imposto pela Brussels Airlines para não pagar excesso para quem viaja de classe executiva, o nosso caso. Tomamos o café da manhã no hotel em Milão às 07:30 horas, descendo imediatamente para a recepção, onde fiz o check out. Aproveitando que tínhamos tempo, usei os 12 vouchers do A-Club para abater na conta do hotel. O total da conta da nossa estadia ficou em 853,50 euros, dos quais 480 foram pagos com os vouchers. O restante, paguei em dinheiro. Pedimos um táxi, que chegou em 4 minutos. Um carro enorme, confortável, do tipo van, era o nosso táxi. O motorista parecia sair dos filmes americanos pós-guerra no Vietnã, muito semelhante com os motoqueiros do filme Sem Destino. O trajeto hotel-aeroporto Milano Malpensa durou meia hora, custando 85 euros. No aeroporto, descobri que não adianta chegar cedo, pois o check in da companhia belga só abre duas horas antes do horário do voo. Como chegamos às 08:45 horas, tivemos que esperar meia hora em pé nas imediações do balcão do check in, pois o voo estava marcado para sair às 11:15 horas. No horário exato, às 09:15 horas, fomos os primeiros a despachar nossas bagagens e pegar o cartão de embarque. Somente nós dois éramos viajantes de classe executiva no voo. Passamos pelo controle de raio X, quando fizeram Ric voltar à esteira. Acostumado a não observar os cartazes, ele colocou tudo em uma única bandeja. Teve que retornar, pois o funcionário local disse que ele não podia fazer uma montanha. Ele voltou, separando as coisas em outras bandejas. Meu computador teve que ser aberto para checagem de possíveis resíduos. Quando liberados (foi muito rápido), fomos para a sala vip da Lufthansa, uma vez que a Brussels faz parte da Star Alliance (motivo pelo qual pontuaremos no programa de fidelidade da TAM), onde aguardamos o horário do embarque. Aproveitei para organizar as mais de duas mil fotos tiradas nestes dias de férias na Itália. Embarcamos remotamente no horário previsto, em uma rapidez de fazer inveja (fiquei só lembrando dos embarques nos aeroportos brasileiros, principalmente em Brasília e Congonhas-São Paulo, onde a Infraero insiste em ficar alterando os portões de embarque, causando transtornos aos passageiros, fato que não presenciei em nenhum aeroporto na Europa). O avião era pequeno, daqueles com duas turbinas de cada lado. A tal classe executiva é um engodo. Não há diferença nenhuma entre as poltronas. Todas no avião são idênticas. Apenas uma placa a partir da terceira fileira indica a separação das classes. O diferencial fica por conta do serviço de bordo, pois servem uma refeição (era hora do almoço) para os passageiros viajando em executiva (no caso, somente eu e Ric), enquanto para os demais passageiros há venda de lanches. Chegamos perto de 13 horas no aeroporto de Bruxelas. Anda-se muito dentro do aeroporto para pegar as bagagens e sair. Quando chegamos na esteira, vi o chef brasileiro Alex Atala, também esperando sua mala. Nossas bagagens logo apareceram. Assim que as tiramos da esteira, nos dirigimos à alfândega, onde passamos sem parar. Muito movimentado o aeroporto. Procuramos a fila do táxi, embora haja opções de trens saindo de hora em hora em direção à estação Midi, a principal da cidade. Preferimos o táxi, tendo em vista as malas grandes. Fila organizada do lado de fora para entrar no táxi. Foi rápido. Mostrei ao motorista o endereço do Novoltel Brussels off Grand'Place (120, Rue du Marché aux Herbes). O tempo estava ótimo, com um sol brilhando no céu. A temperatura estava em 12º C. Na chegada ao hotel, tivemos que descer afastados da sua porta, pois não há como estacionar nenhum carro na sua entrada. A praça em frente ao Novotel estava cheia de gente, com uma movimentada feira de artesanato. A corrida ficou em 40 euros. O check in foi o mais demorado até aqui, com funcionários secos fazendo o atendimento. Ficamos em um quarto no primeiro andar. O quarto do hotel segue a tradição francesa de ter o vaso sanitário em um cubículo separado do restante do banheiro. Odeio isto. Cansado, olhei a cama, deitei e dormi. Isto era pouco mais do que 14 horas. Só fomos sair após as 17 horas, resolvendo caminhar pelas proximidades. Obviamente que tinha curiosidade imediata de conhecer uma das praças mais bonitas do mundo, segundo vários guias de turismo. No caminho da Grand Place, percebemos o quanto a cidade está cheia de turistas, concentrados especialmente na região ao redor do nosso hotel. Também nas ruas, vimos muitas vitrines mostrando o que o país tem de mais famoso: chocolates, biscoitos, waffles (há uma loja em cada esquina), cristais, tapeçaria, cerveja. Enfim, é uma tentação para olhos, paladar e bolso. Chegamos na linda praça. Achei que realmente ela faz jus ao figurar entre as mais belas do mundo. A arquitetura dos prédios é o destaque. Elegantes bares e restaurantes estão nela instalados, assim como o prédio da prefeitura da cidade. Num canto da praça, em uma das paredes, vimos uma pequena multidão. Fomos até lá para checar. Era a estátua de bronze de Everard't Serclaes, que ali morreu em 1388, em resistência à ocupação flamenga. Diz a lenda que quem passar a mão na estátua terá sorte. Resolvi não desafiar a tradição, passando a mão na tal estátua. Seguimos andando pelas ruas em torno da praça. Parei para experimentar um waffle com nutella, já que vi várias pessoas comendo na rua com a mais das deliciosas caras. Por 2,50 euros, recebi um waffle bem quente. Bom o sabor, mas nada de excepcional. Estávamos ao lado da famosa fonte da criança que urina água, o símbolo da cidade, chamado Manneken-Pis. A estátua é bem pequena, mas atrai uma multidão para tirar fotos. Ainda percorremos outras ruas, passando em frente ao prédio da Bolsa de Valores (La Bourse), em estilo parecendo um templo grego. Muitos músicos de rua animavam o início de noite fria na cidade e ganhavam alguns trocados dos turistas. No meio da rua, casais homossexuais passavam de mãos dadas e jovens ascendiam baseados sem medo de repressão. As cervejarias pipocam em todo o canto e sempre estavam lotadas. Aproximando-se de 19 horas, resolvemos jantar. Fomos em mais um restaurante pesquisado na internet: Chez Patrick (6, Rue des Chapeliers), quase em uma das esquinas da Grand Place. O restaurante tem oitenta anos, sempre no mesmo endereço. Embora vazio quando chegamos, quase todas as mesas tinham placas de reservada, o que nos fez crer que encheria mais tarde, o que de fato ocorreu. Sentamo-nos em uma das poucas opções sem reserva. Atendimento simpático. Escolhemos um vinho tinto da região de Bordeaux. Para comer, uma salada de queijo de cabra quente com mel como entrada e uma das especialidades da casa como prato principal, coelho cozido ao molho de cerveja preta e ameixas. Ambos os pratos estavam muito bons. Ficamos por mais de uma hora e meia no restaurante. Resolvemos voltar para o hotel, pois o cansaço já gritava em nossos corpos. Esta viagem está servindo para eu rever futuras programações (vou ficar mais tempo em cada cidade, conhecendo melhor os lugares, evitando, assim, ficar o dia inteiro atrás das atrações turísticas de cada local. Também vou evitar pegar trem ou avião em horários muito cedo, pois não gosto de acordar antes de oito horas da manhã). Hora de atualizar o blog e deitar.