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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

COLEÇÃO BRASILIANA ITAÚ



Há uma exposição no Museu Nacional do Conjunto Cultural da República em Brasília imperdível. Trata-se da mostra "Coleção Brasiliana Itaú", um recorte dentro da coleção com milhares de obras colecionadas pelo banco que dá nome à coleção. Fiquei pouco mais do que uma hora no museu, mas confesso que algumas das obras fiz apenas uma "leitura diagonal". São necessárias, pelo menos, duas horas, para ver tudo. São mapas antigos, da época das grandes navegações, tapeçaria francesa com motivos brasileiros do Século XVII, gravuras e mais gravuras que retratam a fauna, a flora, os habitantes, os costumes, as festas, as cidades do Brasil de tempos remotos. São obras de artistas famosos, como Debret, Rugendas, Frans Post, que mostram toda a beleza de nosso país. Mas a mostra não fica só em gravuras, mapas, tapetes e pinturas. Há uma seção dedicada a documentos oficiais, como o original do único decreto assinado pelo Presidente Tancredo Neves,  além de manuscritos de todos os governantes do Brasil. Também há documentos relacionados à escravidão, como cartas de alforria ou uma curiosa ficha de tratamento dentário de um escravo. Há outra seção dedicada às primeiras edições originais de clássicos da literatura brasileira, como Iracema, de José de Alencar (li seis vezes) e O Quinze, de Rachel de Queiroz. Também há a letra da música Paratodos que Chico Buarque escreveu em um pedaço de papel para alguém, o mesmo valendo para Garota de Ipanema, escrita por Vinícius de Moraes em outro pedaço de papel. Outros itens interessantes são os livros de grandes escritores brasileiros ilustrados por grandes nomes das artes plásticas, como O Alienista, de Machado de Assis, ilustrado por Portinari, ou um poema de Carlos Drummond de Andrade ilustrado Milton Dacosta. Ainda há fotografias e objetos pessoais de Santos Dumont. Enfim, um passeio ilustrado pela história do Brasil. A exposição fica em cartaz em Brasília até o próximo dia 21 de agosto. Depois, fará parte de uma mostra permanente na sede do Itaú Cultural, em São Paulo.


Gravuras extraídas do álbum "Palmeiras Brasileiras", de Carl Friedrich Phillipp von Martius


"D. Pedro II", 1846, de Johann Moritz Rugendas


"D. João VI", obra do escultor português Joaquim Machado de Castro, 1808


Capa de livro de poemas de Carlos Drummond de Andrade ilustrado por Milton Dacosta


Edição de "O Alienista", de Machado de Assis, ilustrada por Cândido Portinari


Edição de "O Alienista", de Machado de Assis, ilustrada por Cândido Portinari


sábado, 26 de setembro de 2009

TRIBUTO A JK


Já no bojo das comemorações pelos cinquenta anos de Brasília que serão completados em 21 de abril de 2010, há uma exposição multimídia gratuita montada no Conjunto Cultural da República sobre Juscelino Kubitschek, em cartaz até o próximo dia 30 de setembro. A abertura do evento foi nesta sexta-feira, 25/09/2009, com o nome Tributo a JK. Shows musicais fazem parte da programação oficial nos dias 25 e 26/09. Resolvi conferir os dois shows desta sexta-feira. A exposição ainda vou conferir durante esta semana.
Palco grande montado ao lado do Museu Nacional e um camarote para os convidados dos patrocinadores e apoiadores. Para o público em geral, muitas cadeiras de plástico. Isto está ficando comum em shows gratuitos na área do museu. Fator positivo, pois muitos podem assistir aos shows sentados, permitindo que idosos também tenham acesso aos espetáculos. Cheguei no momento em que um texto sobre JK estava sendo lido pela apresentadora e a Orquestra Sinfônica de Brasília, conduzida pela maestro Ira Levin, já estava a postos. O primeiro show contou com um grande público que ocupou todas as muitas cadeiras brancas e outros tantos de pé. Consegui sentar em um local privilegiado, no centro, bem de frente ao palco, na quinta fileira. O show da orquestra durou cinquenta minutos. O conjunto fez uma homenagem a JK executando a indefectível Peixe Vivo. Também fizeram parte do programa músicas de Luiz Gonzaga, Heitor Villa-Lobos, Cláudio Santoro (o fundador da orquestra), Tom Jobim, Sivuca, entre outros. Repertório eclético e brasileiro. O público apaudia com entusiasmo ao final de cada música. Na plateia, pessoas de todas as idades. Havia um casal próximo ao local em que eu estava com um carrinho com um bebê, que dormia alheio ao que acontecia a sua volta. Ao meu lado, duas mulheres que não pararam um minuto de conversar sobre os respectivos namorados. Fiquei incomodado e perguntei a elas se estavam ali para ver o show ou para botar a conversa em dia. Elas fecharam a cara e saíram. Acabei de ver a apresentação da orquestra mais tranquilo. O show foi bonito, sem grandes firulas. A retirada da parafernália da orquestra foi rápida. Amontoaram tudo ao fundo e o palco girou, quando apareceu um outro praticamente montado para o último show da noite. A apresentadora voltou, falou mais um texto sobre JK e apresentou o próximo show, fazendo uma ligação dos cinquenta anos de Brasília com a bossa nova. Chamou, então, Fernanda Takai e banda para dar início ao espetáculo. Acompanho a carreira de Fernanda há muitos anos, desde os primeiros shows do Pato Fu no bar Paco Pigale, quando este funcionava em um casarão na Rua Bernardo Guimarães, em Belo Horizonte. E ela só evoluiu. O show atual, ainda calcado no repertório de Nara Leão, está lindo. Fernanda tem presença de palco, é simples e domina a plateia. Canta de forma suave as músicas que fizeram sucesso nas décadas de sessenta e setenta. Os arranjos de todas as músicas as trouxeram para um público jovem, com uma linguagem pop, sem, contudo, afastar os fãs de Nara. Ela ainda consegue inserir músicas tão inesperadas para a bossa nova e ter harmonia, como Ben (Michael Jackson), Sinhá Pureza (sucesso na voz de Eliana Pitman), Rehab (Amy Winehouse), Seja O Meu Céu (Robertinho do Recife e Capinam), There Must Be An Angel (Eurithmics), Ordinary World (Duran Duran) e uma de sua lavra, 5 Discos, nunca gravada pelo Pato Fu. Antes de iniciar a música Você Já Me Esqueceu, gravada por Roberto Carlos em 1962, reclama que não foi selecionada para o time de cantoras que homenageou o cantor em seus 50 anos de carreira. Bem humorada, disse que espera ser convidada para os 60 anos de carreira do rei, mas que também participava de uma festa de 50 anos, a de Brasília. Nos intervalos entre uma música e outra, jovens na plateia insistiam em gritar músicas do repertório do Pato Fu. Elegante, ela disse que não se tratava de show de sua banda, mas que havia muitas músicas legais no show. Já no meio da apresentação, ela reclama que o público foi colocado distante do palco. Foi a senha para todos que estavam sentados nas primeiras filas (inclusive eu) carregassem suas cadeiras até a cerca que impedia o acesso ao pé do palco. Ela agradeceu respondendo que o show tinha ficado mais aconchegante. Já no bis, coloca o público para dançar o carimbó de Pinduca (Sinhá Pureza). O show termina perto de meia noite e a apresentadora convida a todos para a noite de sábado, quando a programação inclui Helen Oléria, Roberto Correa e Milton Nascimento. É um pedacinho de Minas no coração de Brasília.

domingo, 13 de setembro de 2009

ENCERRAMENTO FESTIVAL CENA CONTEMPORÂNEA 2009


E a noite fui conferir o encerramento de dois projetos em um único espaço, a Praça do Conjunto Cultural da República (Setor Cultural Sul). Os projetos unificados na noite foram o festival Cena Contemporânea 2009 e o Domingo CCBB - Todos Os Sons. Para este fecho dos citados projetos, quatro atrações musicais, das quais só vi as duas últimas. Cheguei às 19:15 horas, quando estava sendo anunciada a terceira atração do dia, a banda brasiliense In Natura, que fez um show dançante e mexeu com a plateia. Não conhecia a banda e dancei um pouco. O som estava ruim, sobressaindo muito os instrumentos em detrimento das vozes dos vocalistas. Quando a vocalista cantava, em alguns momentos não se compreendia o que ela dizia. O show durou uma hora e em seguida, a grande atração da noite: Angelique Kidjo, africana do Benin e ganhadora do Grammy em 2008. O show também integra o Ano da França no Brasil. Falando em inglês, francês e português, a cantora contagiou a multidão. Cantou, dançou, discursou, desceu no meio do povo e colocou o povo em cima do palco (Ric entre os voluntários). Foi uma festa. A sua música não deixa ninguém ficar parado. Cantou Rolling Stones, Gilberto Gil (Refavela), Peninha (Sozinha, em português com sotaque bem carregado) e músicas africanas de seu extenso repertório. Foi uma hora e meia de show extasiante. A plateia era bem diversificada, com todas as tribos unidas cantando a exaltação à vida. Tinha bebê ainda no colo, crianças, adolescentes, jovens, adultos, idosos, todos cantando e dançando sob o comando da grande dama Angelique. Foi o melhor show que fui neste ano, sem sombras de dúvida. Fechei meu final de semana cultural com chave de ouro (afinal vi quatro peças, três shows, um balé e um filme).