Depois de muito tempo, resolvi ver um filme no cinema. A escolha recaiu na comédia brasileira Meu Passado Me Condena: O Filme, que estava em cartaz em uma das salas do Kinoplex do Boulevard Shopping. Fui na última sessão, em um dia útil. A sala recebia um bom público. Nada tinha lido sobre o filme, sabendo apenas que se tratava de uma comédia que tinha como pano de fundo um cruzeiro do Brasil para a Itália. Na direção, a jovem Júlia Rezende, filha do casal ligado ao cinema Sérgio Rezende, também diretor, e Mariza Leão, produtora de sucesso e também diretora. No seu primeiro longa, Júlia já mostra que herdou o talento dos pais, conduzindo com leveza uma comédia que tinha tudo para resvalar no pastelão, mas não o fez. Fábio Porchat (Fábio) e Miá Mello (Miá) tem uma química muito boa, com ótimo timing de comédia. Ele é um comediante nato, como há muito não se via em filmes nacionais, e ela me surpreendeu, pois seu papel é mais dramático, mas segura bem a onda quando está contracenando em cenas hilárias com Fábio. Outro casal excelente é vivido pelos experientes Marcelo Valle (Wilson) e Inez Viana (Suzana Mello), ex-casados, empregados do mesmo navio da Costa Cruzeiros e que adoram tirar proveito da fraqueza dos passageiros para fazer um dinheiro extra. Mesmo separados, mostram que são apaixonados. No contraponto do casal Fábio-Miá está um casal rico, mas infeliz, vividos pelos belos, mas insossos Alejandro Claveaux (Beto) e Juliana Didone (Laura). Fábio e Miá são recém casados e passam a lua de mel no cruzeiro. Beto e Laura também são casados e estão no mesmo navio. Beto é ex-namorado de Miá e Laura, uma antiga colega de sala dos tempos de colégio de Fábio. A confusão se forma, ainda com a forcinha dada por Wilson e Suzana, terminando com tudo se ajeitando, como se prevê, em cenas rodadas na Itália. Algumas participações especiais pontuam o filme, como a de Stepan Nercessian, como o juiz de paz, e a ótima Elke Maravilha (Mirtes), como uma idosa que viaja para se divertir, especialmente bailar com os professores do navio durante as aulas de dança de salão. Ri muito de várias cenas durante a projeção de pouco mais de 100 minutos do filme. Meu Passado Me Condena é leve, sem mensagens subliminares. É uma comédia romântica deliciosa, feita para divertir o público. E consegue. Gostei.
Um pouco de tudo do que curto: cinema, tv, teatro, artes plásticas, enogastronomia, música, literatura, turismo.
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sexta-feira, 29 de novembro de 2013
domingo, 19 de dezembro de 2010
FILMOTECA ESSENCIAL - BRASIL (09)
Pixote - A Lei do Mais Fraco é o filme que vi, pela primeira vez, neste sábado. Entrou imediatamente em minha lista da filmoteca essencial brasileira, obrigatório em qualquer coleção do gênero. Produção nacional de 1981, mostrava o descaso dos governantes e da população para um problema sério, o de meninos envolvidos com toda forma de crimes e ilícitos, tais como roubos, assaltos, assassinatos, tráfico, consumo de drogas, prostituição. O filme é anterior ao Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA, portanto retratou uma época em que reformatórios prisionais eram o destino dos menores que viviam em situação de crime. Pixote é um menino de dez anos que foi pego pela polícia e enviado para um reformatório, onde a crueldade era a tônica. Ali tomou contato com as drogas, com a bandidagem, com a sexualidade (cenas de estupro, de homossexualismo), se enturma, vê dois amigos serem assassinados, foge com mais dois, perambula pelas ruas de São Paulo praticando alguns furtos, embarca para o Rio de Janeiro, onde tem contato mais de perto com o tráfico de drogas e com a prostituição, comete seu primeiro homicídio, terminando só, perambulando pelos trilhos de trem. O menino que fez Pixote, Fernando Ramos da Silva, foi morto a tiros pela polícia em 1987, mostrando que a ficção pode se tornar realidade. A direção é de Hector Babenco que se baseou no livro de José Louzeiro, A Infância dos Mortos, para fazer o filme. Atores famosos tem participações curtas, mas marcantes, como Jardel Filho (Sapato, o bedel do reformatório), Beatriz Segall (a viúva que é chamada para identificar o menor que assassinou seu marido), Rubens de Falco (o juiz de menores), João José Pompeo (Almir, o policial linha dura), Tony Tornado (Cristal, um mau caráter envolvido com drogas e prostituição), Elke Maravilha (Débora, uma prostituta) e Marília Pera (Sueli, outra prostituta). Mas as interpretações de Jorge Julião (Lilica, o homossexual que foge com Pixote), Gilberto Moura (Dito, outro fugitivo do reformatório) e Fernando Ramos da Silva (Pixote) são os pontos fortes no elenco. Uma das cenas finais é muito marcante, quando Pixote mama em um dos seios de Sueli, a prostituta. Inicialmente ela permite, mas em seguida o rejeita por completo. Pixote termina o filme sozinho, sendo rejeitado por todos. Gostei muito.
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