Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador Marília Pera. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Marília Pera. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

ALÔ, DOLLY!


Aproveitando que estava no Rio de Janeiro para ver o show da Madonna, consultei a agenda cultural para o final de semana. Entre as muitas opções estava o musical Alô, Dolly!, em cartaz no Teatro Oi Casa Grande, no Leblon, localizado bem próximo de onde eu estava hospedado. Dois amigos de Brasília que estavam comigo toparam ir. Era sábado, perto de 20 horas. A peça começava às 21 horas. Verifiquei, antes de sair, se havia ingresso disponível para aquela noite. Consultando o site que vende as entradas para o musical, confirmamos que havia lugar disponível. Fomos rapidamente para a bilheteria do teatro, onde encontramos uma pequena fila. Cinco pessoas estavam à nossa frente. Enquanto esperávamos, fui surpreendido por um abraço de um conhecido de Brasília, formado em artes cênicas pela Faculdade Dulcina de Moraes. Ele mora no Rio de Janeiro e trabalha na produção do espetáculo. Ele conseguiu colocar nós três em uma lista chamada lista amiga. Assim, ao invés de pagar R$ 150,00 por cada ingresso, pagamos o mesmo valor por três deles, ao custo unitário de R$ 50,00 e ainda ficamos em local excelente, na sexta fileira, com ótima visão do palco. Faltava meia hora para o início do espetáculo quando entramos. Estava com fome. Aproveitamos o tempo para um lanche rápido na cafeteria que funciona dentro do teatro. O local não ficou completamente lotado, mas recebeu um excelente público, a maioria pessoas com mais de sessenta anos de idade. Gosto de ver espetáculos no Rio e em São Paulo porque nestas cidades o público mais velho costuma sair de casa para conferir as peças teatrais em cartaz. Com dez minutos de atraso as cortinas se abriram. Começava o musical Alô, Dolly!, uma adaptação para a famosa comédia musical Hello, Dolly!, que estreou na Broadway na década de sessenta, ganhando vários prêmios Tony. Teve uma versão para o cinema em 1969, dirigida por Gene Kelly e estrelada por Barbra Streisand e Walter Matthau. Nesta nova adaptação brasileira (já houve outras montagens em solo nacional, inclusive uma com Bibi Ferreira e Paulo Autran no elenco), há o encontro inédito nos palcos de Marília Pêra, vivendo Dolly Levi, com Miguel Falabella, interpretando Horace Vandergelder. A atual versão e a direção ficaram a cargo de Falabella. Ainda no elenco estão os atores Frederico Reuter, Ubiracy Paraná do Brasil, Thiago Machado, Brenda Nadler, Alessandra Verney, Ricardo Pêra, Ester Elias e Patrícia Bueno. Na história, Dolly é contratada por Vandergelder para arranjar uma mulher para ele se casar. Ela até arruma uma pretendente, mas decide que ela própria fisgará o milionário bronco do interior e começa uma série de situações inusitadas e atrapalhadas para conseguir seu objetivo. São duas horas e meia de duração, computados os quinze minutos de intervalo. As trocas de cenários são engenhosas e garantem agilidade ao enredo, não atrapalhando o desenrolar da história. Alguns efeitos cênicos são bem criativos, como o das sombrinhas abertas que os atores rodam de frente para a plateia simulando um trem de ferro se movendo sobre os trilhos. Há predominância de diálogos em relação aos números musicais. O tom do espetáculo é de comédia pastelão, o que me fez lembrar de dois programas da televisão: Sai de Baixo, pois Falabella continua sendo o Caco Antibes, apenas com um sotaque carregado de fazendeiro do interior de Minas Gerais; e Zorra Total, especialmente na segunda parte do musical, quando acontecem as cenas no restaurante Jardim das Delícias. A caracterização do maitre do restaurante, com cabelo arrepiado, tipo cientista maluco, é a expressão máxima do pastelão que se tornou o musical. No frigir dos ovos, o musical é divertido, desopila o fígado. Dei boas risadas, principalmente com as caras e bocas de Marília Pêra. É um espetáculo para ir sem compromissos de encontrar mensagens subliminares ou fazer reflexões filosóficas. É para ir se divertir. Foi o que fiz, me diverti bastante com o musical, mas quando acabou, acabou.

artes cênicas

domingo, 19 de dezembro de 2010

FILMOTECA ESSENCIAL - BRASIL (09)

Pixote - A Lei do Mais Fraco é o filme que vi, pela primeira vez, neste sábado. Entrou imediatamente em minha lista da filmoteca essencial brasileira, obrigatório em qualquer coleção do gênero. Produção nacional de 1981, mostrava o descaso dos governantes e da população para um problema sério, o de meninos envolvidos com toda forma de crimes e ilícitos, tais como roubos, assaltos, assassinatos, tráfico, consumo de drogas, prostituição. O filme é anterior ao Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA, portanto retratou uma época em que reformatórios prisionais eram o destino dos menores que viviam em situação de crime. Pixote é um menino de dez anos que foi pego pela polícia e enviado para um reformatório, onde a crueldade era a tônica. Ali tomou contato com as drogas, com a bandidagem, com a sexualidade (cenas de estupro, de homossexualismo), se enturma, vê dois amigos serem assassinados, foge com mais dois, perambula pelas ruas de São Paulo praticando alguns furtos, embarca para o Rio de Janeiro, onde tem contato mais de perto com o tráfico de drogas e com a prostituição, comete seu primeiro homicídio, terminando só, perambulando pelos trilhos de trem. O menino que fez Pixote, Fernando Ramos da Silva, foi morto a tiros pela polícia em 1987, mostrando que a ficção pode se tornar realidade. A direção é de Hector Babenco que se baseou no livro de José Louzeiro, A Infância dos Mortos, para fazer o filme. Atores famosos tem participações curtas, mas marcantes, como Jardel Filho (Sapato, o bedel do reformatório), Beatriz Segall (a viúva que é chamada para identificar o menor que assassinou seu marido), Rubens de Falco (o juiz de menores), João José Pompeo (Almir, o policial linha dura), Tony Tornado (Cristal, um mau caráter envolvido com drogas e prostituição), Elke Maravilha (Débora, uma prostituta) e Marília Pera (Sueli, outra prostituta). Mas as interpretações de Jorge Julião (Lilica, o homossexual que foge com Pixote), Gilberto Moura (Dito, outro fugitivo do reformatório) e Fernando Ramos da Silva (Pixote) são os pontos fortes no elenco. Uma das cenas finais é muito marcante, quando Pixote mama em um dos seios de Sueli, a prostituta. Inicialmente ela permite, mas em seguida o rejeita por completo. Pixote termina o filme sozinho, sendo rejeitado por todos. Gostei muito.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

FILMOTECA ESSENCIAL - BRASIL (01)

ANJOS DA NOITE


Muitos podem estranhar este filme como início da série Filmoteca Essencial - Brasil, pois não foi bem recepcionado pelo público quando lançado há mais de vinte anos atrás. Lembro-me que depois de sair do cinema, fiquei um pouco atordoado. Ainda não conhecia São Paulo e achei estranho toda a fauna notívaga mostrada pelo diretor Wilson Barros em seu longa metragem de estreia Anjos da Noite. Lançado em 1987, tem no elenco Zezé Motta, Antônio Fagundes, Marília Pêra, Chiquinho Brandão, Aida Leirner, a estreia de Guilherme Leme no cinema, Marco Nanini, além de participações relâmpagos de Sérgio Mambertti e Arrigo Barnabé, um pianista em bar de fim de noite sem nenhuma fala. O enredo mistura uma peça de teatro, que às vezes parece a filmagem da história que estamos assistindo, com a própria vida dos envolvidos na tal peça. Durante um dia e uma noite, dois crimes ocorrem, aparentemente sem conexão e sem motivos, mas isto não é o mote deste filme. Neste período, personagens que podem parecer sem nenhuma relação com outros vão se cruzar. Na noite, todos os tipos aparecem, como o travesti, o garoto de programa, a atriz em fase decadente, a atriz que quer um papel importante na peça, o delegado corrupto, o assassino, o amante, a estudante de sociologia, a milionária que herdou uma fortuna e acha que tudo pode, os frequentadores de boate gay, enfim, toda uma pleiade de sujeitos estranhos para a vida diurna. Cenas que podem parecer desconexas num primeiro momento ganham importância no decorrer da fita. Destaco a dublagem de uma drag queen da música Escrito nas Estrelas, na voz de Tetê Espíndola em uma boate gay; o número de Chiquinho Brandão como Lola cantando Ne Me Quite Pas na mesma boate; a dança de Marta Brum (Marília Pêra) em vestido vermelho esvoaçante dançando com Ted (Guilherme Leme) uma coreografia de José Possi Neto baseada em cena de dança do filme A Roda da Fortuna. A cena se passa no vão livre do MASP em plena madrugada. Anjos da Noite ganhou vários prêmios no Festival de Gramado 1987, incluindo melhor filme. Revi este filme para esta postagem e tirei a conclusão de que gosto dele mais hoje do que quando o vi pela primeira vez.