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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

PROJETO MEMÓRIA - DRUMMOND, TESTEMUNHO DA EXPERIÊNCIA HUMANA



Quando li que havia uma exposição sobre Carlos Drummond de Andrade no Centro Cultural do Banco do Brasil de Brasília, marquei na minha agenda como visita obrigatória. A exposição é de responsabilidade da Fundação Banco do Brasil e faz parte do Projeto Memória, que vem resgatando e homenageando importantes personalidades da história brasileira desde 1997. Em 2010, foi a vez de ter início a homenagem a Drummond  e a mostra vem percorrendo cerca de 800 municípios no país desde então. Ela aportou em Brasília e pela primeira vez o local escolhido foi o CCBB. Com entrada franca, fui com grandes expectativas, ainda mais depois de três excelentes exposições montadas no centro cultural que homenageavam importantes personalidades da cultura brasileira: Renato Russo, Clarice Lispector e Pixinguinha. Minhas expectativas foram frustradas. A montagem é bem simples, ocupando um pequeno espaço em frente à biblioteca do prédio. Ela é composta de dezesseis painéis,sendo quatro de cada lado, com ambos os lados contando, de maneira bem resumida, a vida de Drummond. Cada um dos painéis traz uma poesia do escritor mineiro. Além dos painéis, um display localizado no início da exposição tem dois monitores, cada um de um lado, onde um documentário de pouco mais de meia hora traz depoimentos de pessoas ligadas ao escritor, como sua sobrinha, netos, críticos literários e pessoas que conviveram com ele, como Chico Buarque e Ferreira Gullar. Não há nenhum banquinho em frente aos monitores, fazendo com que as pessoas desistam de ver o documentário todo, pois ficar em pé por tanto tempo cansa e dói as pernas, principalmente para pessoas mais idosas. Vi o documentário completo fazendo flexões e alongamentos para não ficar com as costas doendo depois. É muito interessante e informativo, pena que quase ninguém tem paciência para ficar meia hora em pé de frente aos monitores de televisão. Lendo um dos painéis, descobri que há um vasto material impresso deste projeto que é distribuído nas escolas públicas, mas nada estava disponibilizado para o público que comparece à mostra em exibição no CCBB. Pela importância que Drummond tem no cenário da literatura e da cultura brasileira e latino-americana, achei a exposição fraca e desprovida de elementos interativos que estimulassem os mais jovens a conhecerem e apreciarem a obra do escritor mineiro. Uma pena!

exposição

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

RETROSPECTIVA ARTES PLÁSTICAS - MUSEUS E EXPOSIÇÕES VISITADOS EM 2012


42 - Memorial dos Governadores Republicanos da Bahia - Palácio Rio Branco - Praça Tomé de Souza - Salvador - BA - gratuito - 22/11/2012
41 - Acervo - Convento e Igreja São Francisco - Pelourinho - Salvador - BA - R$ 5,00 - 22/11/2012
40 - Impressionismo: Paris e A Modernidade - Obras-primas do Musée d'Orsay - Curadoria: Guy Gogeval, Caroline Mathieu e Pablo Jimenez Burillo - Centro Cultural Banco do Brasil - Rio de Janeiro - RJ - gratuito - 09/11/2012
39 - Debret - Viagem ao Sul do Brasil - Jean-Baptiste Debret - Galerias Piccola I e II - Caixa Cultural - Brasília - DF - gratuito - 04/11/2012
38 - Pneumática - Paulo Paes - Galeria Vitrine - Caixa Cultural - Brasília - DF - gratuito - 04/11/2012
37 - O Olhar Que Ouve - Carlinhos Brown - Galeria Acervo - Caixa Cultural - Brasília - DF - gratuito - 04/11/2012
36 - Transit - Sindika Dokolo Coleção Africana de Arte Contemporânea - Curadoria: Daniel Rangel e Fernando Alvim - Galeria Principal - Caixa Cultural - Brasília - DF - gratuito - 04/11/2012
35 - Roberto Burle Marx - A Figura Humana na Obra em Desenho - Roberto Burle Marx - Museu Nacional dos Correios - Brasília - DF - gratuito - 04/11/2012
34 - Museu de Dubai - Dubai - Emirados Árabes Unidos - DHS 3 - 25/09/2012
33 - Acervo - Museu de Arte TangBo - Xi'An - China - gratuito - 14/09/2012
32 - Acervo - Museu Paraense Emílio Goeldi - Belém - Pará - R$ 2,00 - 19/08/2012
31 - Acervo - Museu do Forte do Presépio - Núcleo Cultural Feliz Lusitânia - Belém - Pará - R$ 2,00 - 18/08/2012
30 - Acervo - Museu de Arte Sacra - Núcleo Cultural Feliz Lusitânia - Belém - Pará - R$ 4,00 - 18/08/2012
29 - Acervo - Memorial Amazônico da Navegação - Mangal das Garças - Belém - Pará - R$ 3,00 - 17/08/2012
28 - De Chirico o sentimento da arquitetura - Casa Fiat de Cultura - Nova Lima - MG - grátis - 01/07/2012
27 - Caravaggio e seus seguidores - Casa Fiat de Cultura - Nova Lima - MG - grátis - 01/07/2012
26 - Índia! - CCBB - Brasília - DF - grátis - 17/06/2012 e 19/06/2012
25 - Geometria da Transformação: Arte Construtiva Brasileira na Coleção Fadel - Curadoria: Max Perlingueiro - Museu Nacional Honestino Guimarães - Complexo Cultural da República - Brasília - DF - grátis - 28/04/2012
24 - O Egito Sob O Olhar de Napoleão, na Coleção Itaú - Curadoria: Vagner Carvalheiro Porto - Museu Nacional Honestino Guimarães - Complexo Cultural da República - Brasília - DF - grátis - 28/04/2012
23 - Zeróis: Ziraldo na Tela Grande - Museu Nacional Honestino Guimarães - Complexo Cultural da República - Brasília - DF - grátis - 28/04/2012
22 - Acervo - Museu da Resistência (Campo de Concentração de Tarrafal) - Chão Bom - Tarrafal - Cabo Verde - 100$00 - 21/04/2012
21 - Fotografias de Juan Pratginestós - Galeria do Espaço Cena - Brasília - DF - grátis - 25/03/2012
20 - "Pixinguinha" - Curadoria: Lu Araújo - Galeria II e Galeria de Vidro - CCBB - Brasília - DF - grátis - 25/03/2012
19 - "Flávio de Carvalho - A Revolução Modernista no Brasil" - Curadoria: Luzia Portinari Greggio - Galeria Principal e Espaço Multi-uso - CCBB - Brasília - DF - grátis - 25/03/2012
18 - "Daquilo Que Me Habita", de Carla Barth, Tom Lisboa, Studio Public, Eduardo Srur, Lia Chaia, Isabel Caccia, Matias Monteiro e Cabeça Nuvem - Curadoria: Maíra Endo e Samantha Moreira - Jardins e áreas externas do CCBB - CCBB - Brasília - DF - grátis - 25/03/2012
17 - "Guerra e Paz", de Cândido Portinari - Direção e realização: Projeto Portinari - Memorial da América Latina - São Paulo - SP - grátis - 04/03/2012
16 - Acervo - Museu do Futebol - Estádio do Pacaembu - São Paulo - SP - R$ 6,00 - 03/03/2012
15 - "Vestiário", de Felipe Barbosa, Gilberto Perin, VJ Spetto - Curadoria: Leonel Kaz e equipe do Museu do Futebol - Museu do Futebol - Estádio do Pacaembu - São Paulo - SP - R$ 6,00 - 03/03/2012
14 - De Volta a Los 80 II - Museo de La Moda - Santiago - Chile - $ 3.500 - 17/02/2012
13 - Acervo - Casa Museo La Chascona - Santiago - Chile - $ 3.500 - 16/02/2012
12 - Efímero - Maria Angelica Echaverri - Museo Nacional de Bellas Artes - Santiago - Chile - $ 600 - 15/02/2012
11 - Matta 100 - Roberto Matta - Museo Nacional de Bellas Artes - Santiago - Chile - $ 600 - 15/02/2012
10 - Acervo - Museo Nacional de Bellas Artes - Santiago - Chile - $ 600 - 15/02/2012
09 - X Bienal de Videos Y Artes Mediales - Museo Nacional de Bellas Artes - Santiago - Chile - $ 600 - 15/02/2012
08 - Pinturas Recientes - Patricia Vargas Y Rodrigo Verga - Museo Nacional de Bellas Artes - Santiago - Chile - $ 600 - 15/02/2012
07 - Individual de Palolo Valdés - Museo Nacional de Bellas Artes - Santiago - Chile - $ 600 - 15/02/2012
06 - Acervo - Museo Colonial de San Francisco - Santiago - Chile - $ 1.000 - 14/02/2012 -
05 - Color & Vibración - Centro Cultural La Moneda - Santiago - Chile - grátis - 14/02/2012
04 - Matta - Centenário 11.11.11 - Roberto Matta - Centro Cultural La Moneda - Santiago - Chile - grátis - 14/02/2012
03 - Brincar com Arte - O Brinquedo Popular do Nordeste - Museu Afro-Brasil - Parque do Ibirapuera - São Paulo - SP - grátis - 07/01/2012
02 - O Sertão: da Caatinga, dos Santos, dos Beatos e dos Cabras da Peste - Museu Afro-Brasil - Parque do Ibirapuera - São Paulo - SP - grátis - 07/01/2012
01 - Acervo - Museu Afro-Brasil - Parque do Ibirapuera - São Paulo - SP - grátis - 07/01/2012

artes plásticas

domingo, 11 de novembro de 2012

IMPRESSIONISMO: PARIS E A MODERNIDADE

Estive no Rio de Janeiro e aproveitei para conferir a exposição Impressionismo: Paris e A Modernidade na galeria do primeiro andar do Centro Cultural do Banco do Brasil. A mostra tem entrada gratuita, sendo muito concorrida. O bom é chegar cedo, quando a fila para pegar a senha de entrada é menor. Há uma entrada apenas para a exposição. Cheguei às 11:20 horas, entrando logo na fila. Idosos, gestantes e pessoas com deficiência tem fila separada e prioridade para pegar a tal senha. Enquanto esperava, observava o público. Todas as idades, todas as classe sociais. Todos com paciência para esperar. Logo a fila aumentou e ocupou a calçada do lado de fora da rua. Era sexta-feira, portanto, dia útil. Após aguardar cinquenta e cinco minutos, chegou a minha vez de pegar a senha. Em seguida, fui até a chapelaria do primeiro andar, pois não é permitido entrar com mochilas e bolsas grandes nos espaços da galeria. Assim, comecei a visita à exposição após uma espera de uma hora. Antes de entrar, uma monitora informou as regras, tais como nada de fotos, comida ou bebida no interior da galeria. A exposição traz 85 pinturas do acervo do Musée d'Orsay, localizado em Paris. É a primeira vez que obras deste importante museu francês vem ao Brasil. A mostra já esteve em exibição no CCBB de São Paulo e desde o final de outubro chegou ao Rio de Janeiro, onde permanece até 13 de janeiro de 2013. A curadoria é de responsabilidade de Guy Gogeval, Caroline Mathieu e Pablo Jimenez Burillo. Eles selecionaram pinturas que cobrem o período da segunda metade do Século XIX e o início do Século XX, mostrando o cotidiano de uma Paris que caminhava a passos largos para a modernidade. A mostra tem seis módulos temáticos, com obras de importantes pintores da história da arte mundial, todos eles com características do impressionismo. Obras de Manet, Monet, Van Gogh, Cézanne, Gauguin, Sisley, Toulouse-Lautrec, Renoir, Pissaro, Degas, entre outros, vieram para deleite do público brasileiro. Logo na primeira sala da exposição, um vídeo curto conta em imagens a história do Musée d'Orsay. Como a entrada é limitada nas salas, não há aquela multidão que nos impede de apreciar cuidadosamente os quadros, possibilitando-nos ler todas as informações sobre cada um deles, sem precisar ficar achando um espaço em frente aos quadros. Além das notas ao lado de cada pintura, contextualizando cada módulo, existe um texto nas paredes das salas que abrigam a mostra. Por falar em paredes, elas estão pintadas em cores fortes, escuras, seguindo uma tendência mundial de valorização das pinturas expostas. E realmente os quadros ficam mais evidentes, com mais realce. Li todos os textos, o que me permitiu melhor situar o pintor e o seu quadro. Todas as obras são muito bonitas, sendo difícil indicar as mais mais. A pintura de um garoto do exército tocando flauta, pintada por Edouard Manet em 1866, chamada "Le Fifre", está em local de destaque, além de ser a escolhida para estampar os folhetos, cartazes e alguns souvenirs da exposição. Talvez, por isso, ela tenha ficado mais presente em minha memória, mas o quadro de Van Gogh retratando um interior de uma casa de dança, chamado "La Salle de Danse à Arles", também chamou minha atenção, pois foge um pouco dos traços impressionistas e tem um quê de pintura japonesa. Também destaco as pinturas de Pissaro, um dos meus pintores favoritos da vertente impressionista. Ao final, uma loja com vários produtos inspirados na exposição, além de outros ligados ao mudo das artes. Comprei um lápis alusivo à mostra e uma capa para iPhone com a estampa da obra "Le Fifre", de Manet. Ainda há uma continuação da exposição no segundo andar, onde podemos ver a cronologia do impressionismo e um vídeo sobre esta vertente das artes. Percorri todo o primeiro andar com calma, lendo todos as notas informativas, incluindo os textos nas paredes, não deixando nenhum quadro sem a devida apreciação. Ao todo, permaneci por lá cerca de uma hora e meia. Não cansou, muito antes pelo contrário, pois além de poder apreciar obras de importância incalculável para a humanidade, aprendi mais um pouco sobre o impressionismo, e me diverti. Para aqueles que já foram ao Musée d'Orsay e acham que já conhecem as obras, motivo pelo qual entendem que não precisam ir à exposição, tenho opinião contrária. Já visitei o museu francês quatro vezes e esta minha visita à exposição no CCBB do Rio de Janeiro não foi ver mais do mesmo. Algumas obras não me recordo de as ter visto antes e aquelas já conhecidas, estavam em uma montagem diferente, em contexto específico, o que deu a elas um novo significado. Sempre vale a pena ver os impressionistas. E valeu muito a pena ter esperado uma hora na fila para percorrer a exposição  Impressionismo: Paris e A Modernidade.

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sábado, 10 de novembro de 2012

DEBRET - VIAGEM AO SUL DO BRASIL


As Galerias Piccola I e II da Caixa Cultural em Brasília abrigam a exposição Debret - Viagem ao Sul do Brasil, em cartaz desde o dia 06 de outubro, permanecendo aberta à visitação pública até o próximo dia 18 de novembro. Entrada gratuita. Gosto muito das obras produzidas pelos artistas europeus que vieram ao Brasil em expedição patrocinada pelo Império. Tais obras, muitas delas em formato de desenho ou aquarela, não só são arte, mas também servem como uma espécie de enciclopédia visual, pois nos permitem ver e saber como era a vida no nosso país naquela época. Os artistas não se preocupavam só em produzir um belo desenho. Eles queriam mostrar para o mundo as paisagens, costumes, vestimentas, alimentos, o dia a dia da população. O francês Jean-Baptiste Debret foi um destes artistas. Na mostra em cartaz na Caixa Cultural, o foco é a viagem que ele fez ao sul do Brasil, em 1827, quando pintou e desenhou as paisagens ainda pouco habitadas da região. São trinta aquarelas e desenhos que mostram cenas de cidades do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Além delas, há mais dez obras que mostram o cotidiano na Corte, no Rio de Janeiro, tanto dos nobres quanto dos escravos. São cenas de barbearia, crianças sendo levadas para a escola, venda de produtos agrícolas nas ruas da cidade, escravas lavadeiras na beira do rio lavando as roupas dos nobres, entre outras. Cada obra exposta tem um pequeno texto que identifica a cena e contextualiza o momento. Não é chato de ler e não cansa. Como a exposição é curta, vale a pena ler cada informação apresentada, pois, desta forma, aprendemos um pouco mais da história de nosso país. As obras pertencem ao acervo dos Museus Castro Maya. Um belo espetáculo visual e histórico. Gostei muito.

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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

PNEUMÁTICA


Mais uma exposição na Caixa Cultural que visitei no último domingo. Inaugurada em 06 de outubro, as obras do artista plástico Paulo Paes que integram a mostra Pneumática seguem em exibição até o dia 25 de novembro na Galeria Vitrine do espaço cultural. É uma exposição rápida de se ver, pois todas as obras possuem o mesmo foco, o mesmo elemento. O artista pesquisou, no Rio de Janeiro, como mestre baloeiros constroem os balões, especialmente no que diz respeito ao seu preenchimento, para compor obras bonitas, de formatos longilíneos, usando muita cor e as técnicas para inflar as estruturas. Pelas formas de cada uma das obras expostas, fica claro que o objetivo do artista não era fazer balões para voar, mas sim obras para embelezar, embora possam ter uma curta vida, devido à fragilidade do material utilizado na sua confecção. Em algumas delas há uma comparação entre a obra sem ar, chapada na parede, com sua plena forma, devidamente inflada. Nesta exposição é permitido fotografar, desde que sem o uso do flash. Gostei.

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quinta-feira, 8 de novembro de 2012

CARLINHOS BROWN - O OLHAR QUE OUVE


Em cartaz na Galeria Acervo da Caixa Cultural em Brasília a exposição O Olhar Que Ouve. São telas e instalações do músico Carlinhos Brown. A mostra foi inaugurada em 06 de outubro e permanecerá aberta ao público, com entrada gratuita, até o próximo dia 02 de dezembro. Na entrada já há uma instalação, uma espécie de portal para a alegria. Assim que entrei, uma música em volume baixo saía da maior instalação da exposição. Eram marchinhas carnavalescas em performance instrumental. Tal obra se chama Caetanave e traz uma visão do artista sobre o carnaval baiano. Tem música, tem iluminação, parece a traseira de um trio elétrico, tem rede de pescador que para mim simboliza a corda que separa os foliões com abadá daqueles da pipoca, tem latinhas de alumínio em profusão, o que remete ao pessoal que coleta as latinhas de cerveja e refrigerante consumidos no corredor da folia, e tem serpentina. A instalação tem um toque de nostalgia, pois é de seus alto-falantes que saem as marchinhas, além do monte de serpentina que relembra os antigos carnavais pelo país afora. Também tem um toque de final de festa, com a rede percorrendo o mar de gente pelas ruas da cidade, levando consigo as latas de alumínio e as serpentinas caídas no chão. Dá para se sentir em meio ao turbilhão de gente que fervilha nas ruas de Salvador durante os dias de Carnaval. Outra instalação interessante está logo à frente de quem entra. Trata-se de uma pirâmide maia de vidro ou acrílico (não sei direito), com degraus em seus quatro lados. Em cada degrau estão duas plaquinhas brancas com o nome de um ritmo musical escrito nelas. Assim, temos jazz, samba, axé, rumba, choro, forró, reggae, entre outros, que reverenciam um único ritmo, o silêncio, que reina absoluto no topo da pirâmide, em forma de um CD. Crítica ou reverência? Fica a dúvida. As telas não deixam dúvidas de que o autor é Carlinhos Brown, pois a profusão de cores e movimentos está presente em todas elas. São telas abstratas, mas que transmitem um sentimento de alegria, de ritmo, de carnaval. Em um nicho na parede da direita de quem entra está a instalação que mais me chamou a atenção, pois nos faz refletir sobre a importância da água para o planeta. Parece ser o interior de uma casinha pobre, típica do interior do Nordeste, com terra vermelha nas paredes, com poucos móveis, bem rústicos. Mas ao centro, a religiosidade é forte com a presença de um oratório de madeira. No interior do oratório não há nenhuma imagem de santo, mas um copo de água que reverencia a imagem que passa ao fundo. Imagem projetada em uma tela de televisão, onde a água é a única estrela. É um filme curto, que passa desde a gota d'água até a formação de um imenso lago, oceano ou rio. Mais um momento de reflexão. Saí da exposição leve, como se a alegria contida naquelas obras tivesse me contagiado. Gostei muito e fiquei mais fã do artista Carlinhos Brown.

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segunda-feira, 5 de novembro de 2012

ROBERTO BURLE MARX - A FIGURA HUMANA NA OBRA EM DESENHO

Enfim tive um tempo para conhecer o Museu Nacional dos Correios, localizado no Setor Comercial Sul, em Brasília. Perdi algumas exposições interessantes que tiveram lugar nas salas do museu. E quase perdi mais uma, pois neste domingo, dia em que o conheci, era o último dia da exposição Roberto Burle Marx - A Figura Humana na Obra em Desenho, que estava em cartaz desde o dia 16 de agosto. O movimento era bem pequeno no final de tarde de um domingo com tempo firme. A exposição ocupava o 2º e o 3º andares do local. Eram 120 desenhos, a maioria em nanquim ou carvão. Para mim, foi a primeira vez que vi tanta obra de Burle Marx juntas. Quando ouço o nome dele, o que primeiro vem a minha mente são os jardins por ele projetados. Brasília tem alguns famosos, como o do Palácio do Itamaraty, o da Praça das Fontes no Parque das Cidades, o da Praça dos Cristais, e no Setor Militar Urbano. Também é dele o projeto paisagístico do Centro de Arte Contemporânea Inhotim, em Brumadinho, MG. Já tive oportunidade de ver uma obra dele aqui, outra ali, mas um acervo de mais de cem peças, era inédito para mim. Gostei muito. A mostra no terceiro andar focou nos retratos, incluindo um autorretrato feito quando ele era jovem. São homens e mulheres, alguns de corpo inteiro, com traços perfeitos. Os retratos de nus masculinos me pareceram bem acadêmicos, destes que um modelo fica horas em uma mesma posição, posando para o artista. Há também uma variação de um mesmo retrato de uma negra bem interessante, pois ele vai colocando traços mais fortes, favorecendo, em primeiro plano, o rosto da modelo em uma sequência de três desenhos. No segundo andar, a presença humana continua, mesmo porque é o tema da exposição, mas desta vez integrada com cenas do cotidiano, com forte presença de mesas de bares. De todos os desenhos, apenas um tinha cor, os demais eram traços negros sobre uma folha de papel.
Gastei quase uma hora para ver, com calma, todos os desenhos expostos. Já que estava com tempo e a sala de exposição era praticamente minha, tive tempo de sobra para observar muitos detalhes destas obras.
Gostei do espaço cultural também. Amplo, moderno, com boas instalações. Falta público apenas, pois ao assinar a lista de presença, observei as presenças de dias anteriores. Raramente chegava a vinte pessoas em um dia inteiro. Espero que o Museu Nacional dos Correios se consolide no cenário cultural brasiliense, assim como o fizeram o Centro Cultural Banco do Brasil, a Caixa Cultural e o Museu Nacional da República.
Em tempo: os desenhos pertencem ao acervo do Sítio Roberto Burle Marx, unidade especial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

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sábado, 1 de janeiro de 2011

RETROSPECTIVA 2010 - EXPOSIÇÕES

Exposições visitadas em 2010:


36 - O Mundo Mágico de Escher - Maurits Cornelis Escher - Curadoria: Pieter Tjabbes - CCBB - Brasília - DF - 26/12/2010
35 - Capoeira: Luta, Dança e Jogo da Liberdade - Fotografias: André Cypriano - Galeria Píccola I e II - Caixa Cultural - Brasília - DF - 14/12/2010
34 - Di Cavalcanti desenhista - Curadoria: Jacqueline Finkelstein e Cláudia Zarvos - Galeria Principal - Caixa Cultural - Brasília - DF - 14/12/2010
33 - Água na Oca - Instituto Sangari - Oca - Parque do Ibirapuera - São Paulo - SP - 04/12/2010
32 - Raymundo Colares - Museu de Arte Moderna (MAM) - Parque do Ibirapuera - São Paulo - SP - 04/12/2010
31 - Dengo - Ernesto Neto - Museu de Arte Moderna (MAM) - Parque do Ibirapuera - São Paulo - SP - 04/12/2010
30 - 29ª Bienal de São Paulo - Prédio da Bienal - Parque do Ibirapuera - São Paulo - SP - 04/12/2010
29 - Museu Rafael Larco Herrera - Pueblo Libre - Lima - Peru - 28/11/2010
28 - Museu das Catacumbas e de San Francisco - Igreja e Convento de San Francisco - Centro - Lima - Peru - 26/11/2010
27 - Museo de Arte Religioso - Catedral Metropolitana de Lima - Plaza Mayor - Centro - Lima - Peru - 26/11/2010
26 - Brasília e O Construtivismo: Um Encontro Adiado - Curador: Fernando Cocchiarale - Área externa e Galeria 2 - CCBB - Brasília - DF - 12/09/2010
25 - Acervo - Museu de Arte Contemporânea de Inhotim - Inhotim - Brumadinho - MG - 17/07/2010
24 - Acervo - A Casa das Onze Janelas - Núcleo Cultural Feliz Lusitânia - Belém - PA - 30/06/2010
23 - Acervo - Museu da Igreja Matriz - Pirenópolis - GO - 26/06/2010
22 - Acervo - MoMA - New York - Estados Unidos - 03/05/2010
21 - The Artist is Present: Marina Abramovic - MoMA - New York - Estados Unidos - 03/05/2010
20 - King Tut - Discovery Times Square Exhibition - New York - Estados Unidos - 02/05/2010
19 - Acervo - Madame Tussauds Wax Museum - New York - Estados Unidos - 01/05/2010
18 - Bodies...The Exhibition - South Street Seaport Exhibition Centre - New York - Estados Unidos - 30/04/2010
17 - Acervo - Metropolitan Museum of Art (MET) - New York - Estados Unidos - 29/04/2010
16 - Acervo - American Museum of Natural History - New York - Estados Unidos - 27/04/2010
15 - Acervo - Solomon R. Guggenheim Museum - New York - Estados Unidos - 25/04/2010
14 - A Bahia de Jorge Amado - Galeria do Instituto Moreira Salles - Unibanco Arteplex - Shopping Frei Caneca - São Paulo - SP - 17/04/2010
13 - Hélio Oiticica - Museu É O Mundo - Itaú Cultural - São Paulo - SP - 17/04/2010
12 - O Deserto Não É Silente - Arte Antiga e Contemporânea da Líbia - Museu Afro Brasil - Parque do Ibirapuera - São Paulo - SP - 16/04/2010
11 - Puras Misturas - Pavilhão das Culturas Brasileiras - Pavilhão Engenheiro Armando Arruda Pereira - Parque do Ibirapuera - São Paulo - SP - 16/04/2010
10 - Roberto Carlos - 50 Anos de Música - Oca do Ibirapuera - Parque do Ibirapuera - São Paulo - SP - 16/04/2010
09 - OSGEMEOS - Vertigem - Curadoria: Gustavo e Otávio Pandolfo - Pavilhão de Vidro - CCBB - Brasília - DF - 11/04/210
08 - Anita Malfatti - 120 Anos de Nascimento - Curadoria: Luiza Portinari Greggio - Galeria 1 - CCBB - Brasília - DF - 11/04/2010
07 - Wifredo Lam - Gravuras - Estação Pinacoteca - São Paulo - SP - 20/03/2010
06 - Andy Warhol Mr. America - Estação Pinacoteca - São Paulo - SP - 20/03/2010
05 - Clarice Lispector - A Hora da Estrela - Curadoria: Júlia Peregrino e Ferreira Gullar - Cenografia: Daniela Thomas - Galeria 2 - CCBB - Brasília - DF - 07/03/2010
04 - Museu do Divino - Pirenópolis - GO - 14/02/2010
03 - Museu do Carmo - Igreja Nossa Senhora do Carmo - Pirenópolis - GO - 14/02/2010
02 - Amílcar de Castro 34 Gravuras - Galeria Vitrine da Paulista - Caixa Cultural - São Paulo - SP - 19/01/2010
01 - Rodin Bahia - Museu Rodin - Palacete das Artes - Salvador - BA - 02/01/2010