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quarta-feira, 16 de abril de 2014

BERÇO DO BARROCO BRASILEIRO E SEU APOGEU COM O ALEIJADINHO


Domingo, 13 de abril. Depois de um passeio pelo ParkShopping, resolvi dar uma passada na Caixa Cultural para conferir a exposição Berço do barroco brasileiro e o seu apogeu com o Aleijadinho, com curadoria de Marcelo Coimbra, em cartaz na Galeria Principal até o próximo dia 11 de maio. Como sempre acontece, a entrada é gratuita. Não é permitido entrar com mochilas, bolsas e sacolas nos espaços expositivos. Para guardar seus pertences, o local oferece uma série de armários cuja chave fica em nosso poder. A galeria estava com um público atento a todos os detalhes das peças e lendo todos os textos que contam um pouco sobre o barroco e sobre Aleijadinho. A cenografia é um caso à parte, com mobiliário da mesma época das peças, com móveis grandes elaborados com madeira pesada, como é o caso de uma arca que era usada para armazenar grãos. Tais móveis servem de apoio para as peças. Assim, tornam-se coadjuvantes para as esculturas sacras de beleza ímpar. Ao todo, são 140 itens expostos. Logo na entrada estão as imagens de santos datadas do início do barroco brasileiro, com obras de Frei Agostinho de Jesus. Há uma série de imagens que tem feições indígenas, mostrando que os religiosos ensinavam a arte de esculpir imagens sacras em sua catequização no Brasil. Mas a parte que chama mais a atenção são as 47 peças atribuídas a Aleijadinho. A maioria delas está colocada em pedestais que giram lentamente, permitindo ao visitante ver os muitos detalhes das imagens. As características imortalizadas em peças que hoje estão em Ouro Preto e Congonhas, ambas em Minas Gerais, possibilitaram a um especialista a atribuir a Aleijadinho a autoria destas imagens em exposição na Caixa Cultural. Ao fundo, uma reprodução de uma capela, com bancos de madeira, ajuda a manter o clima de reverência a este grande artista plástico brasileiro. Entre as imagens, duas delas são inéditas em exposições públicas, o Cristo Bailarino e a Nossa Senhora das Dores. É permitido fotografar, desde que sem uso do flash. Visita obrigatória para quem gosta de arte.

artes plásticas

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

UMA TARDE NA CAIXA CULTURAL DE BRASÍLIA

Passei uma parte da tarde de sábado, 25 de janeiro de 2014, na Caixa Cultural, onde há quatro exposições em cartaz, todas com entrada franca. Cheguei por volta de 15 horas. Antes de entrar para conferir as obras expostas, passei na bilheteria para saber para quais espetáculos havia venda de ingressos. Comprei entradas para três deles, sendo duas peças e um show para a semana que começaria no dia seguinte. Sem mochila, fui direto para as galerias, vendo as exposições na seguinte ordem:

01) Zona de instabilidade - Galeria Principal. Com curadoria de Júlia Rebouça, a mostra traz onze obras da artista mineira Lais Myrrtha. É um recorte de alguns trabalhos da artista que se utiliza de vários materiais para demonstrar seu conceito de instabilidade. Desenhos, instalações, esculturas em concreto, que mais lembram um projeto arquitetônico, vídeo são alguns de seus recursos para reproduzir o inacabado. Tudo parece em construção, nada é definitivo. Embora sejam apenas onze obras, a exposição ocupa o maior espaço dentre aqueles destinados às artes visuais da Caixa Cultural. É fácil de percorrer as obras, mas é preciso ler as informações na entrada para entender melhor o que a curadora pretendeu ao reunir este conjunto de Myrrtha.

02) Além de um lugar - Galerias Piccola I e II. A curadora Marisa Mokarzel traz um recorte da fotografia paraense cujas fotógrafos integram a Kamara Kó Galeria. São dezesseis artistas que tem trajetórias e estilos distintos, mas são reunidos nesta exposição para mostrar um olhar sobre o espaço, cujo título, Além de um lugar, é muito apropriado, pois não se trata de registrar um local, uma paisagem, uma casa ou uma rua, mas todos estes cenários são captados de forma especial fazendo com que o visitante veja além de uma bela paisagem, de um cenário perfeito. Algumas fotos carregam um tom de emoção muito forte. Destaco a instalação para a fotografia Cerco à memória, única foto de Alexandre Sequeira na exposição. A simbologia do velório com a mata pegando fogo ao fundo, aliado à maneira como a foto é mostrada ao público, já vale a visita. Foi a exposição que mais me agradou naquela tarde.

03) Como se fosse - Galeria Vitrine. Mais uma mostra de fotografia, desta vez da artista paulista Julia Kater, com curadoria de Eder Chiodetto. A artista não se contenta em fotografar. Depois de pronta, ela corta e recorta suas fotos, faz intervenções, usa da técnica de colagem e de sobreposição, inverte a posição das fotografias, coloca-as de cabeça para baixo ou faz uma junção de uma parte de uma foto com a parte de outra. Depois destas intervenções, surgem novas fotografias, novos pontos de vista. Uma simples inversão de foto de uma árvore fez nascer uma nova árvore. Nada é o que parece, tudo depende de como enxergamos a fotografia na nossa frente. Muito interessante.






04) Na Galeria Acervo estão expostas fotografias de projetos ganhadores do programa de sustentabilidade patrocinado pela Caixa. Ao ver cada foto, fiquei sabendo de programas simples que são executados em pequenas localidades ou mesmo em grandes centros, ajudando milhares de famílias a viver melhor, seja na geração de trabalho e renda, seja na educação, seja na saúde, na cultura, no lazer, no esporte. Em cada projeto fotografado, há uma ficha técnica e um breve resumo do que se trata.

sexta-feira, 22 de março de 2013

MARIANA AYDAR - CAVALEIRO SELVAGEM AQUI TE SIGO

Minha amiga Vera me convidou para ver o novo show de Mariana Aydar no Teatro da Caixa Cultural. Foi na noite de quarta-feira, dia 20 de março, às 20 horas. O show tem o mesmo nome do último trabalho gravado da cantora, Cavaleiro Selvagem Aqui Te Sigo. O primeiro sinal tocou ainda com as portas do teatro fechadas. A entrada foi rápida. O teatro ficou cheio, mas nem todas as cadeiras estavam ocupadas, mesmo com a informação da bilheteria que os ingressos estavam esgotados. São as famosas cortesias que os agraciados costumam não usar. Às 20:15 horas as luzes se apagaram, quando anunciaram o show de abertura com uma nova cantora brasiliense. Adriah é o nome dela, que entrou no palco com uma guitarra acompanhada de três músicos. Sua música é rock e seu modo de cantar parece muito com o de Ana Carolina. Ela grita muito durante a interpretação. Ao final da primeira música, a receptividade da plateia não foi das melhores, com palmas protocolares, e assim foi até o final do seu show. Com músicas autorais, sem ser conhecida do público presente, e com muita gritaria, pareceu-me que o show de abertura não agradou. Escalação infeliz da produção, pois o estilo de música e respectivo repertório de Adriah em nada se assemelha ou dialoga com o de Mariana Aydar. E o pessoal estava ali para ver Aydar cantar. Eu gosto de shows de abertura, uma ótima oportunidade para mostrar ao público presente os artistas novos na cena musical da cidade, mas a escolha tem que levar em consideração o perfil da plateia que comprou ingresso. Deve haver um diálogo, mesmo que tênue, entre a atração da abertura com a principal artista da noite. O show de Adriah durou cerca de meia hora. Em seguida, fizeram últimos arranjos no palco. Aydar foi anunciada às 20:50 horas. Ela entrou ostentando um barrigão, onde traz a filha Brisa, suingando muito, em perfeita harmonia com os cinco músicos da banda que a acompanha. O rock de Adriah cedeu espaço para o pop, o samba e o forró de Mariana Aydar. A maioria das canções do setlist fazem parte de seu terceiro disco, o que dá nome ao show. Foi gostoso ouví-la cantar suas composições e embalar o público com versões muito próprias para sucessos como Vai Vadiar, de Zeca Pagodinho, Galope Rasante, de Zé Ramalho, e Nine Out of Ten, de Caetano Veloso; ou com uma tocante homenagem a Dominguinhos quando interpretou Preciso do Teu Sorriso, que no seu terceiro disco tem ele em participação especial. Uma das músicas que mais gosto na voz de Mariana Aydar também fez parte do show: Zé do Caroço, canção também gravada por sua autora, Leci Brandão, e por Seu Jorge. Ao final de uma rasgante interpretação, uma saudação a Leci Brandão. Já no bis, depois de encerrar com Cavaleiro Selvagem, a cantora prestou uma justa homenagem a Emílio Santiago, interpretando o samba Verdade Chinesa (Gilson & Carlos Colla), um de seus sucessos, para, em seguida encerrar cantando um samba, chamando ao palco, Duani Matins, presente na plateia, e um de seus principais parceiros e incentivadores. Ao final de 70 minutos terminava um belo show, sem grandes pirotecnias, apenas com a voz macia de Mariana Aydar e sua competente banda.

música
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sábado, 10 de novembro de 2012

DEBRET - VIAGEM AO SUL DO BRASIL


As Galerias Piccola I e II da Caixa Cultural em Brasília abrigam a exposição Debret - Viagem ao Sul do Brasil, em cartaz desde o dia 06 de outubro, permanecendo aberta à visitação pública até o próximo dia 18 de novembro. Entrada gratuita. Gosto muito das obras produzidas pelos artistas europeus que vieram ao Brasil em expedição patrocinada pelo Império. Tais obras, muitas delas em formato de desenho ou aquarela, não só são arte, mas também servem como uma espécie de enciclopédia visual, pois nos permitem ver e saber como era a vida no nosso país naquela época. Os artistas não se preocupavam só em produzir um belo desenho. Eles queriam mostrar para o mundo as paisagens, costumes, vestimentas, alimentos, o dia a dia da população. O francês Jean-Baptiste Debret foi um destes artistas. Na mostra em cartaz na Caixa Cultural, o foco é a viagem que ele fez ao sul do Brasil, em 1827, quando pintou e desenhou as paisagens ainda pouco habitadas da região. São trinta aquarelas e desenhos que mostram cenas de cidades do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Além delas, há mais dez obras que mostram o cotidiano na Corte, no Rio de Janeiro, tanto dos nobres quanto dos escravos. São cenas de barbearia, crianças sendo levadas para a escola, venda de produtos agrícolas nas ruas da cidade, escravas lavadeiras na beira do rio lavando as roupas dos nobres, entre outras. Cada obra exposta tem um pequeno texto que identifica a cena e contextualiza o momento. Não é chato de ler e não cansa. Como a exposição é curta, vale a pena ler cada informação apresentada, pois, desta forma, aprendemos um pouco mais da história de nosso país. As obras pertencem ao acervo dos Museus Castro Maya. Um belo espetáculo visual e histórico. Gostei muito.

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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

PNEUMÁTICA


Mais uma exposição na Caixa Cultural que visitei no último domingo. Inaugurada em 06 de outubro, as obras do artista plástico Paulo Paes que integram a mostra Pneumática seguem em exibição até o dia 25 de novembro na Galeria Vitrine do espaço cultural. É uma exposição rápida de se ver, pois todas as obras possuem o mesmo foco, o mesmo elemento. O artista pesquisou, no Rio de Janeiro, como mestre baloeiros constroem os balões, especialmente no que diz respeito ao seu preenchimento, para compor obras bonitas, de formatos longilíneos, usando muita cor e as técnicas para inflar as estruturas. Pelas formas de cada uma das obras expostas, fica claro que o objetivo do artista não era fazer balões para voar, mas sim obras para embelezar, embora possam ter uma curta vida, devido à fragilidade do material utilizado na sua confecção. Em algumas delas há uma comparação entre a obra sem ar, chapada na parede, com sua plena forma, devidamente inflada. Nesta exposição é permitido fotografar, desde que sem o uso do flash. Gostei.

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quinta-feira, 8 de novembro de 2012

CARLINHOS BROWN - O OLHAR QUE OUVE


Em cartaz na Galeria Acervo da Caixa Cultural em Brasília a exposição O Olhar Que Ouve. São telas e instalações do músico Carlinhos Brown. A mostra foi inaugurada em 06 de outubro e permanecerá aberta ao público, com entrada gratuita, até o próximo dia 02 de dezembro. Na entrada já há uma instalação, uma espécie de portal para a alegria. Assim que entrei, uma música em volume baixo saía da maior instalação da exposição. Eram marchinhas carnavalescas em performance instrumental. Tal obra se chama Caetanave e traz uma visão do artista sobre o carnaval baiano. Tem música, tem iluminação, parece a traseira de um trio elétrico, tem rede de pescador que para mim simboliza a corda que separa os foliões com abadá daqueles da pipoca, tem latinhas de alumínio em profusão, o que remete ao pessoal que coleta as latinhas de cerveja e refrigerante consumidos no corredor da folia, e tem serpentina. A instalação tem um toque de nostalgia, pois é de seus alto-falantes que saem as marchinhas, além do monte de serpentina que relembra os antigos carnavais pelo país afora. Também tem um toque de final de festa, com a rede percorrendo o mar de gente pelas ruas da cidade, levando consigo as latas de alumínio e as serpentinas caídas no chão. Dá para se sentir em meio ao turbilhão de gente que fervilha nas ruas de Salvador durante os dias de Carnaval. Outra instalação interessante está logo à frente de quem entra. Trata-se de uma pirâmide maia de vidro ou acrílico (não sei direito), com degraus em seus quatro lados. Em cada degrau estão duas plaquinhas brancas com o nome de um ritmo musical escrito nelas. Assim, temos jazz, samba, axé, rumba, choro, forró, reggae, entre outros, que reverenciam um único ritmo, o silêncio, que reina absoluto no topo da pirâmide, em forma de um CD. Crítica ou reverência? Fica a dúvida. As telas não deixam dúvidas de que o autor é Carlinhos Brown, pois a profusão de cores e movimentos está presente em todas elas. São telas abstratas, mas que transmitem um sentimento de alegria, de ritmo, de carnaval. Em um nicho na parede da direita de quem entra está a instalação que mais me chamou a atenção, pois nos faz refletir sobre a importância da água para o planeta. Parece ser o interior de uma casinha pobre, típica do interior do Nordeste, com terra vermelha nas paredes, com poucos móveis, bem rústicos. Mas ao centro, a religiosidade é forte com a presença de um oratório de madeira. No interior do oratório não há nenhuma imagem de santo, mas um copo de água que reverencia a imagem que passa ao fundo. Imagem projetada em uma tela de televisão, onde a água é a única estrela. É um filme curto, que passa desde a gota d'água até a formação de um imenso lago, oceano ou rio. Mais um momento de reflexão. Saí da exposição leve, como se a alegria contida naquelas obras tivesse me contagiado. Gostei muito e fiquei mais fã do artista Carlinhos Brown.

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terça-feira, 6 de novembro de 2012

TRANSIT

Nas galerias da Caixa Cultural, em Brasília, há quatro exposições. Uma delas, a que ocupa o maior espaço, é Transit - Sindika Dokolo Coleção Africana de Arte Contemporânea. Está em exibição desde 06 de outubro, ficando até 18 de novembro, com entrada gratuita. As obras, todas de artistas africanos, pertencem à Fundação Sindika Dokolo, sediada em Angola. O recorte do acervo desta fundação que chega a Brasília já passou por Salvador, Bahia, onde esteve em exibição no MAM de março a abril deste ano. São vídeos, instalações, fotografias e vestimentas que não só nos mostram beleza, mas também nos fazem refletir sobre o mundo globalizado. A maioria das obras é concentrada nos vídeos, dispostos em duas paredes, frente a frente, onde uma série de monitores de televisão nos convida para colocar o fone de ouvido e apreciar a obra em movimento. Alguns possuem estética de desenho animado, muito interessantes. Mas o que me chamou mais a atenção foram três obras. A primeira delas é "L'Initiation", de 2004, do artista de Mali, Abdoulaye Konate. Trata-se de um grande painel de tecido onde, em retângulos verticais, há uma silhueta humana. Dentro de cada silhueta, uma visão particular do artista sobre alguns países do mundo e abaixo desta figura, alguns símbolos que traduzem esta visão. A visão para a China é provocativa, pois a silhueta está dividida ao meio, enquanto a bandeira chinesa preenche o espaço das duas metades. Soma-se a isto o fato de que os chineses invadiram, comercialmente falando, o continente africano. Fiz a leitura de que o artista vê a China dividida entre os mundo capitalista e o comunista, ainda mais quando levamos em consideração que entre os países retratados na obra estão os Estados Unidos, o Japão e Israel. Este último, em um visão bem sombria, com a cor negra preenchendo toda a silhueta. A segunda obra a me chamar a atenção foi o tríptico fotográfico "Le Principe de La Faim Nº 4", 1997, do artista de camaronês Bili Bidjocka. As fotografias retratam um monte de bananas em forma de um elegante vestido longo. Na primeira foto, as bananas estão maduras, amarelas, prontas para o consumo, mas não o são, passando por um estágio de decomposição, retratadas nas fotos 2 e 3, quando elas ficam totalmente negras. Uma dura crítica à falta de perspectivas para a fome na África, representando que com o valor de um vestido de grife, pode-se comprar uma quantidade grande de bananas. Uma imagem metafórica que dá um soco no estômago da gente. Momento reflexão total durante a minha passagem pela exposição. A terceira obra que chamou minha atenção ocupa toda a parede do fundo da sala, à direita de quem entra. De longe, vemos uma sombra na parede branca que nos faz lembrar o skyline de New York. A sombra é proveniente de dezenas de caixas de som, de variados tamanhos, que estão colocadas um pouco à frente da parede. Uma luz branca posicionada em frente das caixas é a responsável pela projeção da sombra atrás delas. Para completar, sons das ruas de Manhattan saem destas caixas de som. Assim, ouvimos barulho do trânsito, do metrô, entre outros. A vídeo-som instalação data de 2006, cuja autoria é do marroquino Mounir Fatmi, que deu a ela o sugestivo nome de "Save Manhatten 03". O curioso é que a obra foi feita após o atentado de 11 de setembro, mas a sombra das torres gêmeas ainda permanece intacta. Ao todo são dezesseis artistas africanos que representam os países Mali, África do Sul, Camarões, Angola, Quênia, Marrocos, Nigéria e Argélia. Conhecia poucas obras de artistas africanos. Acho que os vi apenas representados em exposições em uma ou duas Bienais de São Paulo. Achei providencial esta oportunidade de ver obras de artistas contemporâneos africanos em Brasília, especialmente para ver e entender o que cada um vem produzindo, mostrando que a linguagem da arte atual segue a globalização, mas tem um toque especial, um toque regional, uma necessidade de manter uma tradição, um olhar diferenciado sobre todo um continente. Gostei muito e recomendo.

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segunda-feira, 5 de novembro de 2012

ROBERTO BURLE MARX - A FIGURA HUMANA NA OBRA EM DESENHO

Enfim tive um tempo para conhecer o Museu Nacional dos Correios, localizado no Setor Comercial Sul, em Brasília. Perdi algumas exposições interessantes que tiveram lugar nas salas do museu. E quase perdi mais uma, pois neste domingo, dia em que o conheci, era o último dia da exposição Roberto Burle Marx - A Figura Humana na Obra em Desenho, que estava em cartaz desde o dia 16 de agosto. O movimento era bem pequeno no final de tarde de um domingo com tempo firme. A exposição ocupava o 2º e o 3º andares do local. Eram 120 desenhos, a maioria em nanquim ou carvão. Para mim, foi a primeira vez que vi tanta obra de Burle Marx juntas. Quando ouço o nome dele, o que primeiro vem a minha mente são os jardins por ele projetados. Brasília tem alguns famosos, como o do Palácio do Itamaraty, o da Praça das Fontes no Parque das Cidades, o da Praça dos Cristais, e no Setor Militar Urbano. Também é dele o projeto paisagístico do Centro de Arte Contemporânea Inhotim, em Brumadinho, MG. Já tive oportunidade de ver uma obra dele aqui, outra ali, mas um acervo de mais de cem peças, era inédito para mim. Gostei muito. A mostra no terceiro andar focou nos retratos, incluindo um autorretrato feito quando ele era jovem. São homens e mulheres, alguns de corpo inteiro, com traços perfeitos. Os retratos de nus masculinos me pareceram bem acadêmicos, destes que um modelo fica horas em uma mesma posição, posando para o artista. Há também uma variação de um mesmo retrato de uma negra bem interessante, pois ele vai colocando traços mais fortes, favorecendo, em primeiro plano, o rosto da modelo em uma sequência de três desenhos. No segundo andar, a presença humana continua, mesmo porque é o tema da exposição, mas desta vez integrada com cenas do cotidiano, com forte presença de mesas de bares. De todos os desenhos, apenas um tinha cor, os demais eram traços negros sobre uma folha de papel.
Gastei quase uma hora para ver, com calma, todos os desenhos expostos. Já que estava com tempo e a sala de exposição era praticamente minha, tive tempo de sobra para observar muitos detalhes destas obras.
Gostei do espaço cultural também. Amplo, moderno, com boas instalações. Falta público apenas, pois ao assinar a lista de presença, observei as presenças de dias anteriores. Raramente chegava a vinte pessoas em um dia inteiro. Espero que o Museu Nacional dos Correios se consolide no cenário cultural brasiliense, assim como o fizeram o Centro Cultural Banco do Brasil, a Caixa Cultural e o Museu Nacional da República.
Em tempo: os desenhos pertencem ao acervo do Sítio Roberto Burle Marx, unidade especial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

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sábado, 30 de julho de 2011

DIREITOS HUMANOS IMAGENS DO BRASIL


Ainda na Caixa Cultural conferi a exposição "Direitos Humanos Imagens do Brasil". Esta mostra foi aberta em 21 de julho e permanece em cartaz na Galeria Acervo até o dia 11 de setembro. Em 60 imagens, a curadoria nos mostra a história e a luta pelos direitos humanos no nosso país. Para cada imagem, há um pequeno texto explicativo, nos situando do que acontecia na época. É claro que os textos são superficiais, não aprofundam o tema, mas dão um toque para nossa curiosidade agir, fazendo pesquisas na internet, por exemplo. Há um caminho a ser seguido, obedecendo uma ordem cronológica. Para seguir esta ordem, basta se orientar por setas amarelas pregadas no chão. Os períodos da história do Brasil são divididos em anos, apresentando Brasil Colônia (1500-1822), Brasil Império (1822-1889), República Oligárquica (1889-1930), Revolução de 30 e Governo Vargas (1930-1945), A Volta da Democracia (1945-1964), Golpe e Afirmação da Ditadura (1964-1976), A Luta pela Democracia (1976-1985), Fim da Ditadura, Avanços e Recuos (1985-1997), e A História Não Acaba... (1997-2010). Nestes períodos, relembrei de muita coisa que estudei em livros escolares, o que vi em filmes e o que vivenciei. Foi um interessante passeio pela história brasileira sob o ângulo dos Direitos Humanos. Evoluímos muito, mas como bem lembra o último capítulo exposto, a história não acabou. Ainda há muito pelo que lutar e conquistar.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

TATIANA BLASS

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Quando estive na Bienal de São Paulo, ao final de 2010, uma artista brasileira me chamou a atenção: Tatiana Blass, com sua obra "Metade da fala no chão_piano surdo", produção de 2010, formada por um piano de cauda e cera. A cera tomava os teclados, a parte interna do instrumento e o chão embaixo do piano e do banquinho do pianista. Fiquei curioso em relação a outras obras da artista. Qual foi minha surpresa quando recebi um e-mail com a programação da Caixa Cultural de Brasília no mês de junho e vi que uma exposição desta artista figurava como destaque. Esta individual de Tatiana Blass entrou em cartaz na Galeria Vitrine (2º piso) no dia 21 de junho e permanece em exibição até o próximo dia 31 de julho. Tive a oportunidade de conferir as obras expostas no final de semana passado. Obras em cera fazem parte da mostra, inclusive a que ilustra a capa de seu catálogo. Todas são interessantes e tratam de vida/morte de maneira inusitada. A obra "Quanto menos dorme, quanto menos sono há", de 2010, se olhada de longe, temos a impressão que o cachorro, em tamanho natural, é real e que está morto. De perto, vemos que se trata de um cão feito com parafina. São poucas as obras expostas, mas conseguimos ter uma noção geral do trabalho da artista. Há duas obras com parafina, algumas pinturas, uma vídeo-instalação, cujo filme dura em torno de quatro minutos. Para ouvir, basta colocar o fone de ouvido pendurado ao lado da televisão. O texto que a atriz declama no vídeo trata de ilusão/realidade, enquanto um mágico faz exercícios com uma bola ao seu lado. É um diálogo apropriado com as demais obras expostas. Embora tenha conhecido a artista com uma obra em parafina, nesta sua individual na Caixa Cultural de Brasília a mais impactante para mim foi a denominada "Cerco", um belo faisão taxidermado em pleno voo é preso por uma lâmina de latão. A plástica da instalação é linda e a mensagem de liberdade/prisão veio instantaneamente em minha mente. A imagem da obra ficou em minha cabeça. Bela exposição.


"O Cerco", 2009 - Tatiana Blass

terça-feira, 31 de maio de 2011

MARINA DE LA RIVA


Final de domingo, início de noite fria. Final de semana intenso, tanto em casa, onde fiz uma série de arrumações de livros e revistas, quanto em atividades culturais. Depois de muita coisa no devido lugar, dei um tempo, deixei várias revistas espalhadas pelo chão e fui para a Caixa Cultural onde acontecia o show de Marina de La Riva. Ingresso comprado com antecedência por R$ 10,00 a meia, mediante a entrega de um quilo de alimento no dia do espetáculo. Aos domingos, os eventos no Teatro da Caixa começam às 19 horas. Saí de casa faltando quinze minutos para as sete, mas como o trânsito no domingo é tranquilo, cheguei em exatos 7 minutos no local. A entrada ao teatro já estava liberada. Fila M, assento 17, bem centralizado. O show começou com apenas cinco minutos de atraso. Seis músicos, todos vestidos em preto, formam a excelente banda que acompanha a carioca com genes cubanos Marina de La Riva. Tenho os dois discos por ela lançados, o de estúdio e a versão ao vivo. Já conhecia também sua performance em palco, quando ela deu um show no hoje Teatro Oi Brasília. Naquela oportunidade, lembro-me que gostei do show, mas preferi o disco. Desta vez foi diferente, o espetáculo foi mais contagiante. Ela estava mais solta no palco, brincando com sua banda, mostrando que tinha uma sinergia peculiar com seus músicos, além de uma empatia com o público instantânea. Por falar em público, embora com ingressos esgotados, o teatro tinha alguns lugares vazios. Sinal de que as famosas cortesias não foram utilizadas. Voltando ao show, ela estava também vestida em negro, como na foto promocional reproduzida acima. Cantou as músicas que integram os dois discos, como as de autores/compositores cubanos. Apresentou também músicas novas que farão parte de seu novo cd. Diferente do primeiro show que vi, este tinha mais músicas de compositores brasileiros, todas com uma roupagem diferente e interpretação singular, remetendo aos ritmos cubanos. Na primeira parte, predominou o climão romântico, com músicas estilo fossa, mas na segunda parte, a maioria do repertório era para cima, alegre, vibrante. Adivinha O Quê? (Lulu Santos), Bloco do Prazer (Moraes Moreira & Fausto Nilo) e Alguém Me Avisou (Dona Ivone Lara), todas músicas de sucesso na voz de outros famosos intérpretes brasileiros, ganharam uma leitura diferente. Gostei de todas elas. Ao voltar para o bis, ela fez uma brincadeira. Disse que tinha feito a mesma coisa na noite anterior e que a galera havia gostado. Falou que faria a mesma pergunta para nós, o público da noite, o que um caixa de supermercado faz quando passamos nossas compras: "Você sentiu falta de algum produto?". Com todos rindo, ela perguntou se sentimos falta de alguma música durante o show. Bastaria falar que ela e banda apresentariam no bis. Gritaram para fazer mais uma de Esnesto Lecuona, o que de pronto ela atendeu, além de Taí , ou Ta-Hí (Noel Rosa) que o público também pediu. Nesta música, ela fez uma interessante junção com La Mulata Chancletera (Lecuona & Galarraga).  Além destas duas, cantou também a música preparada para o bis, a linda Mariposa (Ernesto Lecuona). Belo show, que teve em torno de uma hora e meia de duração. Do teatro, fui para a tradicional pizza de domingo com os amigos na Fratello Uno da Asa Norte. Quando cheguei em casa, já passava de meia-noite, mas ainda arranjei disposição para colocar as revistas deixadas no chão em seus devidos lugares. Fiquei olhando para aquele monte de revistas não lidas, algumas do mês de janeiro e pensei alto: "Porque compro se não tenho tempo suficiente para ler?" Fiquei sem resposta. Fui dormir.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

DI CAVALCANTI DESENHISTA

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Em cartaz na Caixa Cultural de Brasília, em sua Galeria Principal, a exposição "Di Cavalcanti desenhista". Fui conferir na noite da última terça-feira. Não me recordava de ter visto algum desenho deste grande artista brasileiro, apenas pinturas vieram à minha memória. Fiquei curioso. São 120 desenhos dispostos nas paredes do grande retângulo que é a Galeria Principal, ficando fácil ver pacientemente obra a obra, fazendo um percurso único. Segundo informações na parede, reproduzida no folder da mostra, os desenhos chegam pela primeira vez ao grande público. As obras faziam parte do acervo do colecionador Lucien Finkelstein. Há, inclusive, alguns retratos deste joalheiro feitos por Di Cavalcanti na exposição. As mulheres, especialmente, as mulatas e negras, tema recorrente na obra do pintor, estão largamente presentes. Desenhos que lembram os movimentos cubista e surrealista também estão entre os desenhos que vi ontem. A grande maioria dos desenhos é em tom preto, nos quais o artista usou lápis, tinta e/ou aguada sobre papel. O primeiro desenho é um auto-retrato de Di Cavalcanti. Também há um retrato do poeta Vinícius de Moraes com seu inseparável violão e três mulheres semi nuas. Gostei muito de conhecer este lado desenhista de Di Cavalcanti. O senão fica por conta de uma troca das placas que identificam dois desenhos que, transcorridos seis dias de exposição, ainda não foi observada pela equipe da Caixa Cultural. Pedi a um dos vigias do espaço que falasse com algum responsável pela exposição. Vale a pena conhecer e, de quebra, ver as outras expposições que acontecem no mesmo local, como as fotografias de André Cypriano, cuja exposição recebe o título "Capoeira - Luta, Dança e Jogo da Liberdade", em cartaz nas Galerias Píccola I e II. As fotos capturam o universo que envolve a capoeira em diversas cidades no Brasil, sem ficar apenas no momento do jogo em si. Todas as fotos tem pequenos textos que ajudam a compreender a história da capoeira em nosso país.




Quando eram 20 horas, entrei no Teatro da Caixa para acompanhar a última edição do ano do Teste de Audiência, onde mais um filme nacional ainda não finalizado foi mostrado ao público (desta vez a plateia era pequena), seguido de debate com o diretor Marcelo Machado. Como assinei um termo de compromisso para não comentar sobre o filme, apenas informo que é um documentário chamado Tropicália. Tanto as duas exposições quanto o cinema tiveram entrada gratuita. O curador do Teste de Audiência anunciou que o projeto entrará, em 2011, em seu quinto ano na Caixa Cultural de Brasília e em seu terceiro ano no mesmo espaço em Curitiba.


sábado, 4 de setembro de 2010

CENA CONTEMPORÂNEA - DIA 11


E a sexta-feira chegou com mais uma peça do festival Cena Contemporânea. Com ingresso (R$ 8,00 - meia entrada com o cupom Sempre Você do Correio Braziliense) para a peça A Galinha Cega (La Gallina Ciega) fui para o Teatro da Caixa Cultural conferir o espetáculo, na verdade, um monólogo da Corporación Gasshô, grupo colombiano, cuja concepção e dramaturgia coube à dupla Constanza Duque e Ana Toro. A primeira é a atriz, enquanto a segunda dirige a peça. Teatro praticamente lotado, mostrando a força sempre crescente do festival ao longo do período em que está em cartaz. Constanza faz o papel de Saturia, uma menina que tem sonhos e ilusões, mas na medida em que se torna adulta, percebe que a realidade dói. Galinha cega, segundo a sinopse, é uma brincadeira infantil, também presente no Brasil, onde recebe o nome de cabra cega. Na infância, ela ficava perdida, sem noção de direção, quando seus olhos eram vendados para participar da brincadeira. Em fase adulta, já ao final, mesmo sem a venda, ela se sente perdida ao se confrontar com uma realidade dura. Os recursos utilizados pela atriz são criativos, com transformações surpreendentes. Um chapéu pode se transformar em um buquê de noiva ou uma toalha de mesa vira uma saia rodada. Iluminação e efeitos sonoros também são elementos fundamentais. A atriz consegue passar rapidamente de um momento dramático para a comédia, sem perder a performance. Ela consegue passar verdade ao retratar a inocência infantil, a desilusão com a vida, a aflição pelo primeiro encontro com o amado e a decepção com o casamento. O número de dança de salão quando contracena com um manequim com rodas é ótimo. Apesar de todos estes elogios que faço, não gostei do texto. Achei enfadonho, massante, às vezes escorregando para a comédia pastelão. Mais uma vez concluo que não gosto de palhaços. E é exatamente o que vi no palco: uma palhaça, com direito a nariz redondo vermelho em determinada cena. Outro ponto que merece atenção da produção do festival, mas não tem a ver com o espetáculo em si, é a questão da legendagem. Foi um ganho para o Cena apresentar praticamente todas as peças estrangeiras com legendas. O texto de A Galinha Cega é falado em espanhol, com legendas laterais em português. Porém, o local em que a legenda foi colocada (em dois telões nas paredes laterais do palco) é de difícil acompanhamento, pois ou se lê ou se vê a peça. Além disto, a legenda não conseguiu acompanhar a fala da atriz, ora se adiantando, ora se atrasando, conferindo um ar desnecessário de pastelão ao espetáculo. Percebi que uma parcela do público aplaudiu protocolarmente ao final, sem se levantar. Fiquei sentado, sem aplaudir, pois realmente não gostei do que vi.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

CENA CONTEMPORÂNEA - DIA 9

O dia foi puxado nesta quarta-feira. Dormi mal, acordei muito cedo e dei aula até 18 horas. Fiquei um bagaço. Tinha ingresso (R$ 16,00) para mais uma peça do Cena Contemporânea em cartaz no Teatro da Caixa Cultural. Grupo de Israel, o ISH Theater, com o espetáculo Odysseus Chaoticus. Como a peça estava marcada para 21 horas, passei em casa antes. Muito cansado deitei para descansar um pouco. Só acordei, com roupas e sapatos, às 4 horas da madrugada. Perdi a peça. Valeu pelo descanso e pela renovação de energias. Ainda há quatro dias de festival para conferir.

domingo, 20 de junho de 2010

MANÉ GOSTOSO


Tinha tudo para ser um ótimo espetáculo: Ballet Stagium, de São Paulo, Quinteto Violado e Luiz Gonzaga. Mas não foi. Paguei R$ 20,00 (inteira) para ver a coreografia Mané Gostoso do quase quarentão Ballet Satagium em curta temporada na Caixa Cultural de Brasília. O público compareceu e quase lotou o teatro. Achei o figurino e o cenário fracos, que poderiam ser compensados pela dança, mas o que vi foram apenas poucos bons momentos. Havia um bailarino visivelmente fora de forma física, fato difícil de ser ver em companhias consagradas, como o é o Stagium. O excesso de alegria no rosto dos bailarinos não se configurava na coreografia, cheia de movimentos de mãos e cabeça parecendo hélices ou o manjado bate cabelo dos shows de transformistas e drag queens nos clubes noturnos das grandes cidades. Outro ponto que me incomodou foi a transpiração excessiva dos bailarinos, bem visível pelo fato de o teatro ser pequeno. O suor que respingava para todos os lados, aliado a uma possível água nos cabelos, chegava a atingir quem estava nas duas primeiras filas. A música é o ponto alto do espetáculo, uma bela homenagem ao Rei do Baião, Luiz Gonzaga. A peça dura apenas quarenta e cinco minutos. Saí decepcionado. No hall do teatro, as opiniões eram divergentes. Uns diziam que acharam maravilhoso e outros tinham opinião semelhante à minha. Meus amigos também concordaram que o espetáculo foi fraco. Já vi coreografias bem superiores do Ballet Stagium.


sexta-feira, 21 de maio de 2010

ITHAMARA KOORAX




Caixa Cultural, quinta-feira, dia 20 de maio de 2010. 20 horas. Ingresso a R$ 20,00 (inteira). Teatro cheio para ver o show Dolores Duran por Ithamara Koorax. Show belíssimo. Interpretação primorosa de dezesseis canções do repertório de Dolores Duran. Foi a segunda vez que vi um show de Ithamara, cantora de voz preciosa pouco conhecida dos brasileiros, irmã da cantora e atriz Soraya Ravenle. Ela tem a maior parte de seus discos gravados e lançados no exterior. Seu timbre de voz e sua performance no palco lembram uma cantora de jazz, destas que chamamos de Diva. Os músicos que a acompanham no show são virtuoses em seus instrumentos: Wilson dos Santos, percussão; Rodrigo Lima, cordas; e Daniel Garcia, sopro. O jovem cantor carioca Marcos Ozelin faz um belo dueto com a cantora em Por Causa de Você, uma das músicas que Dolores compôs juntamente com Tom Jobim e que foi gravada por Frank Sinatra. Ithamara surpreende no dueto ao cantar uma parte da canção em inglês. Ovacionada pelo público, ela volta para o bis para uma interpretação emocionada de A Noite de Meu Bem. Acaba a canção, é aplaudida de pé, desce junto ao público e sai do teatro batendo palmas para todos nós que a assistimos. Saí do teatro flutuando com o belo show. Pena que ela venha tão pouco a Brasília. No foyer as pessoas se acotovelavam para comprar os discos e pegar um autógrafo.

domingo, 23 de agosto de 2009

OVERDOSE DE EXPOSIÇÕES

Amanheci sem vontade de ficar em casa. O dia estava lindo e convidativo a ficar fora o dia inteiro. Foi o que fiz e acabei tendo uma overdose de exposições, percorrendo quatro importantes espaços culturais da cidade, pela ordem: Centro Cultural Banco do Brasil - CCBB (SCES, Trecho 2, Conjunto 22), onde almocei, Museu Nacional (Complexo Cultural da República, Esplanada dos Ministérios), Caixa Cultural (SBS, Quadra 4, lote 3/4) e ECCO - Espaço Cultural Contemporâneo (SCN Quadra 03, Bloco C, loja 05). A seguir, cada exposição visitada e um breve comentário sobre elas:
Exposição 01: Saint-Étienne Cité du Design - Centro Cultural Banco do Brasil - exposição que integra o calendário do Ano da França no Brasil. Achei interessante ver objetos que serão difíceis de usar, mas que tem um certo apelo ecológico. O que mais me chamou a atenção foi um móbile de corações de pelúcia no centro da galeria principal. Lúdico e reflexivo ao mesmo tempo.
Exposição 02: Justaposição Polar - Elder Rocha - Centro Cultural Banco do Brasil - mostra de artista brasiliense com grandes pinturas a óleo. O destaque fica para a pintura-instalação feita exclusivamente para a exposição. Fiquei um bom tempo sentado olhando os detalhes desta pintura.
Exposição 03: Amor e Solidariedade - Abelardo da Hora 60 Anos de Arte - Centro Cultural Banco do Brasil - Pavilhão de Vidro e jardins. As esculturas expostas nos jardins são de uma beleza ímpar, a maioria enaltecendo a beleza feminina, mas a que mais chama a atenção é a que retrata uma família de retirantes, a expressão de dor e fome é muito realista. Destaco ainda uma série de gravuras com o título Meninos do Recife: embora feitas no início dos anos 1960, a dureza mostrada ainda é realidade em pleno século XXI.
Exposição 04: Casulos - Darlan Rosa - Centro Cultural Banco do Brasil - jardim - exposição permanente que permite uma interação, especialmente para crianças. Releitura de equipamentos públicos de parques municipais destinados a brincadeiras de crianças.
Exposição 05: Expressões Gráficas - México Contemporâneo - Museu Nacional - presente da Embaixada do México para o público brasileiro, traz acervo importante de gravuras do Museu da Estampa daquele país. Destaque para uma gravura de Orozco, famoso muralista mexicano.
Exposição 06: Tão Longe, Tão Perto - Museu Nacional - exposição montada e patrocinada pela Fundação Telefônica, em comemoração ao seu décimo aniversário no Brasil, conta a história da comunicação, especialmente das telecomunicações com dados curiosos e exibição de aparelhos antigos. Há interatividade. A mais longa de percorrer de todas que visitei neste domingo e a que tinha mais público, especialmente adolescentes. Achei curioso um jovem de 15 anos querer ver uma ficha telefônica, artigo de museu para esta geração.
Exposição 07: A Humanidade em Guerra - Museu Nacional - montada pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha, mostra a crueldade da guerra em fotos antigas e históricas e fotos de conflitos recentes e suas consequências na comunidade local.
Exposição 08: Eternamente Dulcina - Uma Vida Dedicada ao Teatro - Caixa Cultural - linda exposição de objetos pessoais e fotos que relembram a carreira desta grande atriz do teatro brasileiro: Dulcina de Moraes. Pena que faltam informações em algumas fotos. O núcleo de vestidos, chapéus, lenços, bolsas e luvas da atriz é um show a parte. Vale ver o vídeo com depoimentos sobre a atriz de vários personagens da cena teatral brasileira.
Exposição 09: Coletivo Potiguar - Fotografia Contemporânea - Imagens da Esquina do Brasil - Caixa Cultural - nove fotógrafos que se relacionam com o Rio Grande do Norte expondo fotos recentes. Gostei das fotos de Max Pereira, pura poesia visual e Hugo Macedo, com a série O Glamour das Kengas.

Exposição 10: A Linha e O Tempo - Um diálogo com o Acervo Caixa e o convidado Chico Amaral - sempre é bom rever obras de Amílcar de Castro, Wilson Alves, Tomie Otake, ente outros. Aqui, o curador Graça Ramos uniu obras que tinham como característica a utilização da linha, do traço. As obras expostas me deram a sensação de movimento.
Exposição 11: Sur La Route/Na Estrada - ECCO - Espaço Cultural Contemporâneo - exposição integrante do calendário do Ano da França no Brasil - obras dos brasileiros Elyeser Szturm, Galeno, João Angelini, Paulo Faria, Vicente Martinez e Valéria Pena-Costa e dos franceses Assan Smati, Damien Deroubaix, Fabien Souche, Jean-Baptiste Sauvage e Marie Chartron. A faixa com uma cruz do lado de fora do espaço cultural faz parte da exposição. Interessante a cabeça enorme feita com placas de isopor de Assan Smati. Gostei, coisa rara, de quatro vídeoinstalações no segundo andar da galeria, especialmente as de João Angelini. O senão fica por conta das luzes apagadas no segundo andar e como já era final de tarde, a luminosidade externa não clareava o bastante para ver as obras expostas.
Espaços culturais visitados neste domingo: ECCO, Caixa Cultural, Museu Nacional e CCBB.

domingo, 9 de agosto de 2009

O VENENO DO TEATRO


Ricardo ganhou quatro ingressos para a peça O Veneno do Teatro, em cartaz no Teatro da Caixa Cultural (SBS Quadra 4, lotes 3/4, Setor Bancário Sul). Ele convida Emi e Rogério para nos acompanhar. A Caixa Cultural está testando um novo horário para as peças, 20 horas. Chegamos meia hora antes, pois há um sarau com músicas clássicas no foyer do teatro antes do início da peça. O objetivo é entrar no clima e na época da peça que se passa em Paris, em 1784. O texto é do catalão Rodolf Sirera e a peça é encenada pelos atores Bartholomeu de Haro e Beto Matos, da Cia Veneno do Teatro. A direção é de Bartholomeu de Haro. Sempre acho enfadonho peças de época, especialmente as que se passam na França. Esta foi diferente, o texto é interessante: um ator tem que representar uma peça escrita por um marquês. Este ator é envenenado pelo marquês que quer uma representação mais perto do real possível, já que o personagem da peça dentro da peça está morrendo. O marquês tem o antídoto para o veneno, mas só o entregará caso aprove a encenação do ator. O autor do texto discute questões bem atuais, como o jogo de aparências com as quais convivemos no dia a dia e de como nós transfomamos um entendimento errado em verdades absolutas. Nunca tinha visto os atores em cena e gostei de ambos. O teatro estava com menos da metade de sua capacidade. Uma pena.

sábado, 1 de agosto de 2009

DIA DE DOR

Mais uma sexta-feira com dores. São os cálculos renais.
Nada de novo no trabalho, mas as dores eram visíveis na minha fisionomia, pois todos perguntavam se estava tudo bem comigo. Fui levando, tomando muito líquido e torcendo para o cálculo que já está no ureter descer logo de uma vez.
Eu e minha chefe saímos tarde para almoçar e escolhemos o El Paso Texas (SCLN 404, Bloco B, Asa Sul). A minha intenção era comer mais um menu preparado para o Brasília Restaurant Week, mas ao ver o lindo buffet de comida mexicana, com alguns pratos da culinária peruana, preferi me deleitar com burritos, quesadillas e afins. O restaurante estava com bom público e a comida, como sempre, bem feita. O atendimento é um diferencial da casa. Sempre atentos e prestativos os garçons.
Antes de voltar ao trabalho, retornei ao médico e ele me disse que os cálculos são pequenos, que iria doer um pouco, mas que sairiam apenas com líquido. Para aliviar as dores, me receitou analgésico mais forte, vendido com receita especial, daquelas que ficam retidas nas drogarias. O remédio não é barato, R$97,00 a caixa com trinta comprimidos, mas comprei, pois nunca se sabe quando vai doer. No mais, é beber muito líquido. Ele pediu para a tomografia ser repetida daqui a um mês. De qualquer forma, disse que dor é uma coisa subjetiva e se eu não estiver suportando, poderíamos passar para um procedimento cirúrgico para a retirada dos cálculos. Vou esperar a nova tomografia e encher a cara de água...
Durante a tarde no trabalho me dediquei aos preparativos para a reunião de segunda e terça-feira em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.

Já de noite, eu, Ro e Emi (Ric viajou para Palmas, Tocantins, a meu contragosto) fomos ao espetáculo teatral Educação Sentimental do Vampiro, texto de Dalton Trevisan, encenado pelos atores Duda Mamberti, Erica Migon, Guilherme Weber, Jorge Emil, Magali Biff, Maureen Miranda e Zeca Cenovicz, que integram a Sutil Companhia de Teatro, nascido em Curitiba, Paraná. A direção é de Felipe Hirsch e a cenografia de Daniela Thomas. São 18 contos de Dalton Trevisan que foram adaptados para a peça. Como são muitas as esquetes, o tempo de espetáculo é de aproximadamente 120 minutos. O teatro da Caixa Cultural (SBS Quadra 4, lotes 3/4) não tinha um bom público (ainda não consigo entender porque as peças neste teatro não enchem, enquanto no CCBB, mesmo mais longe, sempre estão com ingressos esgotados. Não pode ser o preço dos ingressos, pois são muito parecidos). Paguei R$10,00 o ingresso (meia entrada para assinantes do Correio Braziliense). Todas as esquetes da peça se passam em um clima noir, meio underground, meio submundo, com forte apelo sexual, como são os textos de Trevisan. No início, alguns do elenco pareciam estar nervosos, mesmo a peça já tendo estreado há dois anos, com erros no texto. Alguns esquetes são bem superiores aos outros e o que os une é o elemento sexual. Os atores e atrizes despem-se com muita naturalidade em cena. O universo pop é o inspirador de Felipe Hirsch, que optou por interpretações marcadas, lembrando um desenho animado ou uma história em quadrinhos. Elementos de filme noir são claramente identificáveis. A própria cenografia remete ao universo pop, com um grande painel de fundo lembrando os grafites dos centros urbanos. Destaco duas esquetes: a transa em um quarto de hotel em plena Sexta-Feira da Paixão e os solitários e pervertidos urbanos em uma sessão de cinema em pleno Natal. Há altos e baixos, tendo em vista a profusão de esquetes. Algumas são muito longas e acabam cansando, enquanto outras parecem mais do mesmo já encenado em outro momento da peça. Gosto do trabalho da Sutil Cia de Teatro, mas continuo preferindo A Vida é Cheia de Som & Fúria, encenada em 2000, e de Não Sobre O Amor, de 2008.

Para terminar a noite com chave de ouro, mesmo com uma dor insistente, mas não dilacerante, fomos nós três conhecer o mais recente restaurante de Dudu Camargo, inaugurado na última segunda-feira, 27 de julho de 2009. Chama-se Fatto (QI 9/11, Bloco C, loja 56, Lago Sul). Como já esperado, chegamos às 22:30 horas e não havia lugar. Muito cheio, especialmente do beautiful people, com suas roupas e acessórios de grife, ficamos na fila de espera por quarenta minutos. A maioria da galera jovem prefere ficar no lounge externo, enquanto os apreciadores de um bom prato e um bom vinho, se sentam na parte interna do restaurante. Decoração em tons de vermelho e preto predominam o ambiente interno. Serviço ainda ruim, com muitos garçons trombando uns nos outros. Ouvimos uma quebradeira de copos e louças no subsolo e isto desestabilizou o staff. Ficamos um bom tempo na mesa sem atendimento, o que foi feito somente depois que Emi chamou um garçon. Pedimos uma entrada de atum semi cru crocante com uma espécie de mousse de ervas, que estava perfeito, mas que custou muito a chegar à mesa. Tivemos que perguntar pelo garçon sobre o nosso pedido. Como prato principal, pedi um nhoque de batata baroa com linguiça, filé e javali. Simplesmente divino. Para acompanhar a comida, bebemos o vinho Caldas de Alves Souza, um tinto português, safra 2005, da região do Douro. O vinho se perdeu quando da harmonização com o meu prato (a mesma escolha de Ro). O prato de Emi tinha um aroma especial, pois era trufado (picadinhon de vitelo, acompanhado de uma massa). Ele elogiou bastante o prato. O contraponto da casa, que anuncia em seu letreiro ser um lugar para alquimia mediterrânea, com a outra casa de sucesso de Dudu Camargo, o Unanimità, é o tamanho de cada prato. Enquanto na casa já estabelecida vale a fartura, nesta nova casa, os pratos são diminutos, lembrando os restaurantes de comida francesa e de comida contemporânea. Um ponto negativo, difícil de solução a curto prazo, é o tamanho dos banheiros. Pequeno para o número de comensais que cabem no restaurante. E o pior é que como, pelo que parece da amostra desta sexta-feira, será adotado pela juventude abonada de Brasília, os banheiros ficam intransitávies depois de uma certa hora. Mictórios entupidos com papel, lixeiras servindo de vaso sanitário, chicletes jogados pelo chão e pilhas e pilhas de papeis jogados fora do cesto. Esta observação não foi só de nossa mesa. Percebi que uma senhora também reclamava com o gerente (pelo menos pareceu que o era) da situação de ambos os banheiros. Este gerente estava percorrendo todas as mesas perguntando sobre a impressão dos frequentadores e o que não havia saído a contento. Em nossa mesa, reclamamos da demora no atendimento, inclusive na hora de pagar a conta. Ro pediu a Nota Legal, mas não estavam emitindo, pois ainda não conseguiram as máquinas de emissão. Anotaram os dados para envio pelo correio. Aguardemos. Uma casa deve abrir com tudo em funcionamento, especialmente itens de obrigação legal, como a emissão de nota fiscal. Espero que os problemas apontados nestes primeiros dias sejam logo resolvidos, pois o cardápio é interessante e o sabor dos pratos é especial.





terça-feira, 7 de julho de 2009

TESTE DE AUDIÊNCIA

Depois de uma pausa de um dia, volto a escrever aqui. E volto falando do projeto Teste de Audiência, evento mensal que ocorre na Caixa Cultural (Setor Bancário Sul, Quadra 4, lote 3/4, Edifício Anexo à Matriz da Caixa), com entrada franca. O evento consiste em exibição de um filme nacional ainda não finalizado com um debate franco com a plateia e diretor ao final. Logo de entrada, os que comparecem ao teatro assinam um termo de compromisso que não expressarão nenhuma opinião sobre o filme, motivo pelo qual não direi nada aqui.
Fui com Ro e Emi e gostei do que vi. A maioria dos presentes também gostou.

Ao sair, nós três fomos conhecer um novo espaço gastronômico na cidade, o Grão Contemporâneo (SCLN 103, Bloco A, loja 52, Asa Norte), um café super simpático. Fica no mesmo local onde outrora foi uma champanheria. Acolhedor, com uma decoração com muita madeira nas paredes externas e um amplo espaço externo, com teto de vidro. O cardápio é variado de opções rápidas, próprias para lanches, tais como sanduíches quentes e frios, saladas, sopas e bruschettas. Pedi um sanduíche quente de frango, que estava ótimo. Carece apenas de melhoria nas opções de vinho, pois somente há dois vinhos tintos e mais dois em meia garrafa. O atendimento é ótimo, muito prestativo e eficiente. O garçon soube responder a todas as perguntas que fizemos. Gostei muito e vou voltar mais vezes.