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terça-feira, 3 de dezembro de 2013

ANTIQUARIUS - GASTRONOMIA NO RIO DE JANEIRO (RJ)

Endereço: Rua Aristides Espínola, 19, Leblon, Rio de Janeiro, RJ. 

Contato: +55 21 2294 1049.

Especialidade: culinária portuguesa.

Quando fui: almoço de 17 de novembro de 2013, domingo. Éramos 09 pessoas, sem reserva. Mesmo chegando perto de 15 horas, ficamos por muito tempo na fila de espera. Primeiro em pé, perto do balcão do bar, depois em um apertado sofá no segundo piso. Sei que é difícil acomodar nove pessoas em uma mesa, ainda mais em um local concorrido e em tarde de muita chuva no Rio de Janeiro, mas ficamos em uma mesa muito apertada, o que dificultava, inclusive, o serviço dos garçons. Demoramos quase três horas no restaurante.

Serviço: deixamos o carro com o manobrista, cujo serviço não é cobrado. Quando chegamos, alguns amigos já nos esperavam no bar, onde comiam croquetes enquanto não havia mesa disponível. O vai-e-vem dos garçons era rápido e alguns chegavam a trombar uns nos outros. Quando fomos para o sofá no mezanino, serviram croquetes e bolinhos de bacalhau, além das bebidas que cada um pediu. Já na mesa para o almoço, o serviço desandou. Não anotaram todos os pedidos no mesmo tempo, sendo necessário reclamar para eu ser atendido. Depois, os pratos demoraram quase uma hora para chegar à mesa. E quando chegaram, não vieram todos de uma só vez. Alguns esperaram mais um pouco para começar a comer. No meu caso, que pedi um arroz de pato, este veio frio, sinal de que já estava pronto há muito lá na cozinha. Também não aprecio levarem o que restou do prato que é servido em panelas de cobre para a estufa, pois os garçons não ficam atentos se o cliente quer mais um pouco.

O que bebi: apenas Coca Cola e uma xícara de café espresso ao final da refeição. 

O que comi: compartilhamos o farto couvert da casa, que era reposto constantemente, mas sem um critério definido, pois alguns quitutes só vieram à mesa uma única vez, como o queijo serra da estrela quente e os croquetes de carne. O couvert é variado e muito bom: risoles de camarão, bolinhos de bacalhau, bolinhas de queijo, torradas, pão de alho, manteiga, patê de fígado de ave, berinjela com tomate, croquetes de carne e queijo serra da estrela levemente derretido (R$ 28,00). Como prato principal, escolhi o famoso e tradicional arroz de pato a Antiquarius (R$ 89,00). Demorou para chegar e veio frio, o que matou o sabor do prato. Uma pena, pois já tinha experimentado em outras ocasiões e sempre saí satisfeito com minha escolha.


Valor que me coube no total da conta: R$ 190,00.

Minha avaliação: * * *. Cada vez que tenho ido ao Antiquarius, vou ficando mais decepcionado. Desta vez, achei muito tumultuado o serviço e a comida apenas mediana. A decoração chama a atenção, reproduzindo o ambiente interno da Pousada Santa Luzia, em Portugal.

Gastronomia Rio de Janeiro (RJ)

RISO - GASTRONOMIA NO RIO DE JANEIRO (RJ)

Endereço: Rua Aníbal de Mendonça, 175, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ.

Contato: +55 21 2147 8259.

Especialidade: bistrô especializado em risotos, sob o comando do chef Daniel Kohler.

Quando fui: jantar de 16 de novembro de 2013, sábado. Éramos 08 pessoas, sem reserva. Chegamos após 22 horas e aguardamos no bar por cerca de meia hora, quando fomos acomodados no salão central do restaurante, localizado em um pátio coberto, com várias portas e janelas fechadas viradas para ele. No local também funciona uma galeria de arte. A decoração do bar é escura, com predominância da luz azul, enquanto o pátio de comidas tem o amarelo como o tom dominante. Ficamos mais de duas horas no local.

Serviço: quando chegamos, fomos recebidos por uma esguia e simpática recepcionista, que nos conduziu para o bar, onde os garçons eram muito atenciosos. As bebidas chegaram rapidamente à mesa. Quando passamos para o salão para jantar, o atendimento foi mais distanciado, mas continuou eficiente. Não gostei das cadeiras, baixas e desconfortáveis para quem fica muito tempo sentado.

O que bebi: comecei com uma caipirinha de frutas amarelas (R$ 21,00), adoçada com açúcar. Frutas bem maceradas, o que conferiu boa harmonia com a cachaça. Durante o jantar, preferi beber água mineral com gás Minalba (R$ 5,90).

O que comi: compartilhamos duas entradas. 1. ceviche de namorado picante (R$ 31,90), cuja apresentação nos surpreendeu, pois foi servido em uma louça rasa, com um molho mais próximo do pesto e o peixe fatiado em finas lâminas, mais parecendo um sashimi. Estava muito bom. 2. arancini de brie com tomate seco (R$ 29,00), ou seja, bolinhos de arroz arbóreo recheados com queijo brie e tomate seco. Este último ingrediente deixou o bolinho com sabor bem ácido. Não gostei. Como prato principal, não tive dúvidas em escolher a especialidade da casa, um risoto. São cerca de vinte opões, algumas delas bem inusitadas. Resolvi não ousar muito, ficando com o risoto de limão siciliano com filet de namorado grelhado (R$ 62,00). Não fui feliz. O risoto estava bom, mas o namorado grelhado, servido por cima do arroz, acabou com o sabor leve e perfumado do arroz.





Valor que me coube no total da conta: R$ 140,00.

Minha avaliação: * * *. Gostei de ficar no bar, local que considerei melhor do que o ambiente para as refeições. Acho que seria um bom local para ficar bebendo e beliscando umas entradinhas.

Gastronomia Rio de Janeiro (RJ)

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

ALBAMAR - GASTRONOMIA NO RIO DE JANEIRO (RJ)


Endereço: Praça Marechal Âncora, 184, Centro, Rio de Janeiro, RJ (www.albamar.com.br)

Contato: +55 21 2240 8428.

Especialidade: destaque para os peixes e frutos do mar, sob o comando do chef Luis Incao.

Quando fui: almoço de 16 de novembro de 2013, sábado. Éramos 14 pessoas, com reserva para 14:30 horas. Chegamos no horário, sendo imediatamente acomodados em uma grande mesa que já nos aguardava. A vista que se tem de qualquer local do salão do restaurante é para a Baía de Guanabara, com barquinhos de pescadores, grandes navios, a Ponte Rio-Niterói e o skyline da cidade de Niterói. Ficamos por mais de duas horas no restaurante.

Serviço: atendimento primoroso, desde a chegada, com uma simpática recepcionista nos conduzindo para o antigo elevador, que só cabem três pessoas por vez, até o ótimo atendimento dispensado à mesa pelos garçons e pelo maitre.

O que bebemos: compartilhei com algumas pessoas da mesa duas garrafas do vinho branco chileno Anakena Enco Reserve Chardonnay 2012 (R$ 78,00 cada garrafa), com 13% de álcool, produzido no Valle de Leyda. Vinho leve, refrescante, par ideal para o calor que fazia no Rio de Janeiro, harmonizando muito bem com as entradas de frutos do mar e com meu prato principal. Água com gás Minalba (R$ 5,50) foi o acompanhamento constante do vinho. Ao final, uma ótima xícara de café Nespresso (R$ 5,50). Durante a refeição, o barman nos brindou com alguns drinques e coquetéis diferentes.

O que comi: iniciamos com o couvert da casa, fartamente colocado à mesa, com reposição constante: pães, gressinos, pastéis fritos (carne e queijo), manteiga, guacamole e vinagrete de polvo (R$ 15,00). Em seguida, o chef nos brindou com alguns mimos, todos deliciosos: anéis de lula empanados, bolinho de bacalhau, camarões grelhados, molho de pimenta e molho tártaro, e o melhor de tudo, fígado de frango acebolado. O tempero do fígado era divino. Em seguida, o prato principal. No meu caso, escolhi um clássico do restaurante, sucesso absoluto nos 80 anos de sua existência, o arroz marú (R$ 56,00). Tal arroz é molhado, com muito frutos do mar e brócolis cortado de forma bem pequena, misturado com ervas. E ainda vem gratinado com queijo parmesão. Sabor inigualável. Como sobremesa, experimentei a sugestão do maitre, figos flambados com uísque e pimenta verde com sorvete de baunilha (R$ 23,00). O sorvete é dispensável, ou melhor, poderia ser de um sabor mais original, mas a composição dos figos com a pimenta estava sensacional. Bela sugestão.

fígado de frango acebolado


arroz marú


figos flambados com uísque e pimenta verde com sorvete de baunilha

Valor que me coube no total da conta: nada, pois os meus amigos César e Ewerton fizeram a gentileza de nos presentear com este belo almoço em um ótimo restaurante.

Minha avaliação: * * * *. O Albamar, além de ser um bom restaurante, está instalado, desde 1933, em um lugar histórico, pois ocupa a única torre de metal que sobrou do mercado municipal que ali funcionava nas primeiras décadas do século passado.

Gastronomia Rio de Janeiro (RJ)

LIMA RESTOBAR - GASTRONOMIA NO RIO DE JANEIRO (RJ)

Endereço: Rua Visconde de Caravelas, 113, Botafogo, Rio de Janeiro, RJ. (www.limarestobar.com.br)

Contato: +55 21 2527 2203 - contato@limarestobar.com.br

Especialidade: culinária peruana, sob o comando do chef Marco Espinoza.


Quando fui: jantar de 15 de novembro de 2013, sexta-feira. Éramos 07 pessoas, sem reserva. Chegamos bem tarde, após 22 horas e ainda assim ficamos em fila de espera. O restaurante estava bem cheio e a dificuldade de acomodar grupos maiores implicou em uma espera de mais de uma hora para sentarmos. Ficamos em uma mesa apertada no também apertado segundo piso. Preferiria ficar no agradável piso térreo, cuja decoração é mais bonita. Saímos do restaurante no início da madrugada, por volta de 01 hora da manhã.

Serviço: o atendimento enquanto esperávamos, acomodados na calçada, foi bom, quando bebemos um drinque. Já nas mesas, o atendimento deixou a desejar, com muita espera para um garçom nos auxiliar. Os pratos vieram em tempo razoável à mesa.

Minha experiência

Bebida: comecei com um pisco souer clássico (R$ 19,80), o drinque típico do Peru. Não estava muito gelado, o que deixou pronunciado o sabor da albumina da clara de ovo, fato que não me agradou muito. Quanto à apresentação, estava convidativo. Depois do drinque, bebi apenas água mineral sem gás Pouso Alto (R$ 3,90).

Entrada: compartilhamos algumas variações de clássicos da culinária peruana antes de jantarmos.

1. anticuchos (R$ 30,00): são quatro unidades de espetinhos de filé mignon temperado com pimentas peruanas, acompanhados por purê de batata com alhos assados, salada quente de milho, alcaparras e molho huancaína. Carne macia, com ótimo tempero. Alcaparras apenas para dar um leve sabor, nada exagerado. Purê de batatas bem leve, com o sabor do alho em evidência. O molho huancaína, feito à base de pimentas sem semente, gema de ovo, leite, queijo, torradas, azeite e sal, era mais para enfeitar, mas dava um sabor diferenciado quando misturado ao purê. Gostei.




2. cebiche chalana (R$ 34,50): peixe, camarões, polvo, lulas crocantes, leche de tigre, pimenta amarela e mandioca. Texturas diferentes em um mesmo prato. Muito bom.








3. causa la Oliva (R$ 32,00): polvo assado na brasa com pimenta biquinho, azeitona e pimentões doces ao forno. Muito bom, com o polvo no ponto certo e os pimentões amenizando o sabor ácido da massa de batata com limão.







4. causa de cangrejo (R$ 34,00): variação do prato anterior, com polpa de carne de caranguejo com alho e óleo, salada de rabanete, tomate e abacate. Achei mais interessante do que o recheado com polvo.





Prato principal: pescado - camarón - mandioca (R$ 59,00): peixe do dia (pescada amarela) grelhado com molho de camarão e pimenta ao açafrão, acompanhado de croquetes de mandioca recheados de queijo gruyère e saladinha criolla. Os croquetes foram o ponto alto deste prato. Sensacionais. Já o peixe, achei mais do mesmo.







Sobremesa: texturas de chocolate e lucuma (R$ 19,00): sou fã de lucuma, uma fruta muito comum no Peru e difícil de achar no Brasil, mas a variação do Lima Restobar não me agradou, pois o sabor do chocolate era muito forte, matando totalmente a lucuma.




Valor que me coube no total da conta: R$ 117,48.

Minha avaliação: * * * 1/2. Vale conhecer, especialmente pelas entradas.

Gastronomia Rio de Janeiro (RJ)

domingo, 1 de dezembro de 2013

MARGUTTA - GASTRONOMIA NO RIO DE JANEIRO (RJ)

Endereço: Avenida Henrique Dumont, 62, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ. (www.margutta.com.br)

Contato: +55 21 2259 3718 - margutta@margutta.com.br.

Especialidade: culinária italiana, sob o comando do chef Paolo Neroni.

Quando fui: almoço de 15 de novembro de 2013, sexta-feira. Éramos 05 pessoas, sem reserva. Chegamos por volta de 14:30 horas. O restaurante tinha um bom público, mas não estava lotado. Ficamos em mesa no salão do térreo. Permanecemos por mais de uma hora e meia no local.







Serviço: garçons simpáticos, explicando o cardápio e sugerindo o melhor do dia. Pratos chegam em tempo razoável à mesa. Para os colecionadores, o restaurante integra a Associação da Boa Lembrança.

O que bebi: uma dose de caipirinha de lima da pérsia. Durante a refeição, preferi beber uma lata de Coca Cola. Caipirinha bem feita. Estava adoçada no ponto e com boa maceração das frutas.


O que comi: compartilhei o couvert (coperto) com todos da mesa (R$ 16,00). Era um cesto com pães variados e torradas, acompanhados por couscous marroquino com camarão, pasta de gorgonzola, caponata de berinjela, molho de tomate da casa e manteiga. Nada de surpreendente, mas digno. Caro para o que oferece. Como prato de fundo, escolhi um polpettone alla Terenzio (R$ 49,00). É um prato aparentemente simples, mas se a liga da carne não estiver correta, atrapalha tudo. No caso, a liga era boa, estava bem aromático e chegou quentinho à mesa, ainda saindo fumaça, mas o tempero não me agradou. Era um polpetone gratinado com molho de tomate, encimado por uma pequena quantidade de mussarela de búfala (o queijo poderia ser mais farto). Acompanhou a carne um fettuccine all'Alfredo bem sem graça, com pouco gosto de manteiga, o que o distanciou deste clássico italiano. Não gostei. Não quis experimentar nenhuma das sobremesas do cardápio.





Valor que me coube no total da conta: R$ 116,00.

Minha avaliação: * * 1/2. Esta foi a segunda vez que fui ao Margutta e em ambas as ocasiões tive a mesma impressão. Não deu vontade de voltar.

Gastronomia Rio de Janeiro (RJ)

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

BAR LUIZ - GASTRONOMIA NO RIO DE JANEIRO (RJ) (2)

Assim que chegamos na porta do Bar Luiz notamos um cartaz que informava aos clientes que o restaurante não estava aceitando nenhum tipo de cartão de crédito ou débito. O pagamento poderia ser feito com dinheiro ou cheque. Como eu tinha duas folhas de cheque em minha carteira, coisa que não uso há tempos, resolvemos entrar e almoçar. Eu já conhecia o local, uma vez que lá estive, também na hora do almoço, em 30 de maio de 2012.

Endereço: Rua da Carioca, 39, Centro, Rio de Janeiro, RJ.

Fone: (21) 2262 6900.

Especialidade: culinária alemã em ambiente de bar. Clássico do Centro do Rio, fundado em 1887.

Ambiente: simples, com paredes brancas e algumas fotos antigas retratando o Rio. A porta de entrada é em madeira e vidro que se abre para um amplo salão claro e ruidoso, por que suas mesas estão sempre cheias. Um desenho de Ziraldo pende do teto. Na parede um selo azul informa que o Bar Luiz foi o primeiro a comercializar chope na capital fluminense.

Serviço: garçons atendem com muita cortesia e simpatia, bem ao estilo dos botecos cariocas. Nosso pedido chegou rapidamente à mesa.

Quando fui: almoço do dia 19 de outubro de 2013, sábado. Éramos cinco pessoas, mas havia a possibilidade de chegar mais duas, o que nos fez pedir uma mesa para sete. Fomos acomodados bem ao fundo, onde era possível juntar as mesas com mais facilidade. As duas pessoas acabaram por não aparecer. Ficamos mais de uma hora no restaurante.

O que bebi: uma lata de 350 ml de Coca Cola Zero (R$ 5,00). Quis um café ao final, mas o garçom nos disse que a casa nunca vendeu café de nenhum tipo em toda a sua longa existência e que os proprietários preferiam manter esta tradição.

O que comi: compartilhamos uma porção de bolinho de bacalhau, com 10 unidades (R$ 25,00) . Estavam sequinhos, dourados e bem saborosos. Para o prato principal, fui no tradicional e mais famoso item do cardápio, o prato alemão completo para duas pessoas (R$ 75,00), pois dividi com Karina: uma porção de chucrute, uma porção de salada de batata, duas unidades fritas de salsichão bock, duas também fritas de salsichão branco, um par de kassler (costela de porco defumada) e batata cozida. O prato é generoso, servido com todos os ingredientes na mesma vasilha, com exceção da salada de batatas, em prato separado. O garçom serviu meu prato, colocando um pouco de cada iguaria. Comecei por experimentar o kassler. Ele tem uma cor linda, rosada e estava muito macio, com sal no ponto, bem diferente da primeira vez que estive neste restaurante. O chucrute estava sensacional, não muito ácido, perfeito. Os dois salsichões vem partidos ao meio em corte longitudinal, levemente fritos. O bock, de cor avermelhada, tem sabor mais marcante, enquanto o branco, macio e leve, foi meu preferido. Prato clássico da culinária alemã muito bem feito.



Quanto me coube na conta: R$ 70,00.

Minha avaliação: * * *. Lugar movimentado, com bom atendimento e boa comida. Para quem gosta, o lugar tem fama de servir um bem tirado chope.

Gastronomia  Rio de Janeiro (RJ)

domingo, 27 de outubro de 2013

ROBERTA SUDBRACK - GASTRONOMIA NO RIO DE JANEIRO


Enfim conheci o aclamado Restaurante Roberta Sudbrack, único carioca a figurar na seleta lista dos 100 melhores restaurantes do mundo, segundo a conceituada revista inglesa The Restaurant. Na lista divulgada em abril de 2013, ele figura na classificação nº 80. Já na primeira lista dos 50 melhores restaurantes da América Latina, organizada pela mesma revista, ele está no décimo lugar. Karina me acompanhou no jantar em uma noite de muita chuva no Rio de Janeiro.

Endereço: Rua Lineu de Paula Machado, 916, Jardim Botânico, Rio de Janeiro, RJ.

Contato:  (21) 3874 0139.

Especialidade: cozinha contemporânea, sob o comando da chef Roberta Sudbrack. O menu é fechado, não existindo uma carta específica. Ele é alterado de acordo com os ingredientes da estação e com as invenções e pesquisas da chef.

Quando fui: noite de 18 de outubro de 2013, sexta-feira. Éramos 02 pessoas, com reserva feita com dez dias de antecedência. O restaurante ocupa um sobrado, onde mesas estão colocadas na varanda externa, em um salão no primeiro andar, além de estarem dispostas em dois salões no andar superior, onde também fica a cozinha, cuja movimentação é possível ver para quem se senta no primeiro ambiente do piso superior, onde ficamos. Fomos acomodados em uma mesa ao centro do salão. O interessante é que a mesa é grande e cabe um grupo grande, mas foi disposta de uma maneira para abrigar duas pessoas de um lado e duas de outro, com uma bela montagem com orquídeas no centro da mesa, como se fosse uma divisória. Fica elegante e preserva a privacidade das conversas de cada lado. De onde sentamos era possível ver a chef e sua equipe em um frenético balé de preparação dos pratos da noite.

Serviço: ótimo serviço de reserva, com atendimento cordial e perfeito. Nossa reserva estava para 21 horas, mas ficamos presos no engarrafamento nas imediações da Lagoa Rodrigo de Freitas, o que me fez ligar para informar de um possível atraso, quando fui muito bem atendido, com a garantia de que minha mesa estava pronta à nossa espera. Assim que chegamos, um funcionário nos buscou no táxi, já que caía uma fina chuva. Na recepção, onde há um lindo bar, confirmaram a reserva, nos encaminhando, de imediato para o piso superior. Os garçons foram atenciosos, explicando o sistema de funcionamento da casa, assim como os itens do menu. Carta de vinhos excelente, com variadas opções de exemplares do novo e do velho mundo. Há três possibilidades de pedidos dentro do menu fechado, chamadas “experiências”. A de número 1 (R$ 195,00) inclui três pratos, sendo que o prato principal, denominado prato do dia, não está descrito no menu. A experiência 2 é composta por 5 pratos + queijo (R$ 295,00), sendo que um dos pratos deve ser escolhido dentre as opções de amuses. Já a experiência 3 é a mais completa, com 9 pratos + queijo (R$ 350,00), ou seja, todos os itens do menu. Houve uma falha no serviço, quando nosso primeiro prato quente chegou antes da amuse por nós escolhida. Assim que percebi o erro, chamei um garçom que perguntou se queríamos devolver o prato, sendo servida a amuse, ou se queríamos comer aquele prato quente e depois vir o prato frio. Achei estranha a segunda alternativa, o que desconstrói toda a lógica da refeição. Obviamente que preferimos seguir o curso normal do menu, iniciando pela amuse, o prato frio da noite. No restante, o serviço funcionou bem, inclusive na hora de ir embora, quando providenciaram um táxi para nós.

O que bebemos: três garrafas de água mineral com gás de 350 ml Prata (R$ 4,50), uma garrafa do vinho tinto português Luis Pato Bairrada 2010 (R$ 155,00), que estava bem elegante, com bons taninos que não agrediram o paladar e harmonizou bem com os pratos sem peixe, especialmente com o prato principal. Ao final, um bem tirado café espresso Nespresso (R$ 7,00), que foi acompanhado de uma sinfonia de docinhos maravilhosa.


docinhos que acompanharam o café espresso

O que comemos: tanto eu quanto Karina escolhemos a Experiência 2, com cinco pratos + queijo. Antes da sequência, alguns mimos da chef foram servidos. Primeiro uma porção de uma espécie de salame fresco vindo do Rio Grande do Sul, fatiado de forma muito fina, cuja orientação era para comer com as mãos, sem cortar os pedaços com a faca. Saboroso, mas nada de diferente. Um pão da casa, acompanhado de manteiga, excelente, diga-se de passagem, foi servido em seguida. Uma marmita de alumínio (farnel para os mais finos) foi colocada na mesa. Nela a surpresa da chef: duas unidades de castanha do Pará frescas cobertas por uma farinha de banana, decoradas com mini flores. Também para se comer com as mãos, colocando tudo de uma vez na boca. A farinha de banana é um pouco amarga, o que contrastou com o sabor da castanha e deu um toque inusitado no paladar. Gostei. Em seguida, o melhor dos mimos, gougères, espécies de pequenos pães de queijo que estavam quentinhos e no contato com a língua praticamente derretiam. Depois deste couvert que abriu nosso apetite e aguçou as expectativas, começou a ser servido o menu.

salame fresco fatiado


gougères


castanha do pará com farinha de banana

Prato 1: escolhemos a mesma amuse dentre quatro opções: atum cru, fruta pão cristalizada, cumaru. Uma mistura de sabores fantástica, com o prato sendo completado na nossa frente, quando uma sopa fria regou o atum que estava envolto em uma fina fatia de fruta pão cristalizada, apresentado em forma de um mini vulcão. Disparado foi o melhor prato da sequência.

Prato 2: linguado em vinagrete de ora-pro-nóbis. Achei o linguado cozido um pouco além do ponto, mas seu sabor era tenro e o tal vinagrete deu um toque interiorano, com sabor de casa de vó. Afinal, o ora-pro-nóbis não é verdura fácil de se encontrar por aí.

Prato 3: arroz envelhecido, açafrão e parmigiano. Não gostei do sabor. Realmente o gosto do arroz era de algo velho e o queijo não amenizou isto. A aparência do prato também não me agradou, pois era um amarelo esmaecido, sem muita vivacidade.

Prato 4: ojo de bife na brasa, bérnaise e farinha de banana. Prato com boa aparência, com a carne firme, vermelha. A harmonia do molho bérnaise com o tostado da farinha de banana ao se juntar com a carne me surpreendeu. Gostei bastante.

Queijo: um fatia de queijo (que não me recordo qual era), acompanhada de uma geleia de kinkan servida na própria casca e de uma fatia de broa de milho assada. Não aprecio broas, embora tenha experimentado a que veio neste prato, mas fixei minha atenção na adstringência do queijo misturada com a doçura da geleia. Aprovado.

Prato 5: a sobremesa, chamada de Divino, maravilhoso! Trata-se de uma composição de pele de rapadura, chocolate branco acidificado, framboesa e licuri (fruto de uma palmeira de mesmo nome, típica do cerrado). Muito doce por causa do chocolate branco e da pele de rapadura. Nem a acidez da framboesa, servida fresca, ajudou a amenizar a doçura do prato.

Valor total da conta: R$ 874,50 (só aceita cartões de crédito da bandeira Mastercard).

Minha avaliação: * * * *. Restaurante que deve ser conhecido por quem aprecia a culinária contemporânea, especialmente porque a chef Roberta Sudbrack valoriza os produtos e ingredientes do nosso país, elaborando pratos diferenciados e com combinações inusitadas. Minha nota poderia ser maior, mas a falha no serviço e não ter atingido minhas expectativas pesaram para a avaliação desta noite. Resumindo, os pratos estavam muito bem feitos, mas não me surpreenderam.


Gastronomia Rio de Janeiro (RJ)

sábado, 26 de outubro de 2013

BAR PICOTE: TRADIÇÃO NO RIO DE JANEIRO


Saímos do Café Lamas, e seguimos até chegar em outro tradicional endereço do Rio de Janeiro, também no Flamengo, o Bar Picote (Rua Marquês de Paraná, 128, loja C), onde Rose e Tatá são fregueses assíduos. O bar existe desde 1959, com clientela fiel que frequenta o local para jogar conversa fora, assistir a jogos de futebol, comendo petiscos e, para quem gosta, acompanhado de chopp bem tirado e bem gelado (não é o meu caso). Os garçons já conhecem o casal e logo arrumaram uma mesa para nós. Ficamos na calçada, como a maioria das pessoas que enchiam o bar, pois do lado de dentro há apenas duas mesinhas encostadas na parede, já ocupadas. Toldos de plástico protegiam as mesas de uma chuva que prometia cair a qualquer instante. Logo que sentamos, Rose pediu uma batida de coco. Experimentei o drinque assim que chegou à mesa e achei muito bom. Vi que existe uma versão com gengibre no lugar do coco e fiquei curioso em provar em uma próxima estada no Rio de Janeiro. Como tinha acabado de almoçar no Lamas e com reserva no premiado Roberta Sudbrack para o jantar naquela mesma noite, resolvi não compartilhar com os demais da mesa a porção de croquete da Holanda (R$ 13,00, meia porção), que pareciam muito bons, o que foi confirmado por Karina. Eu só tomei um refrigerante. Após uns vinte minutos que lá estávamos, chegou Fernando, sobrinho de Rose, e sentou conosco. A chuva desceu forte, alagando rapidamente a calçada no bar da esquina, fazendo com que as pessoas se levantassem correndo. Não foi o nosso caso, pois a água ficou somente na rua em frente ao Bar Picote, não invadindo a parte da calçada onde estávamos sentados. Precisamos apenas de  arredar a mesa um pouco para frente, fugindo das goteiras da interseção entre a marquise e o toldo. Tínhamos decidido ir de táxi para o hotel, mesmo sabendo que ele estava muito próximo, algo perto de 300 metros, já que a chuva não parava. Nosso limite para saída do bar era 20 horas. Para nossa surpresa, a chuva parou neste horário, o que permitiu que eu e Karina fôssemos a pé para o Hotel Argentina. Fernando, gentilmente, nos acompanhou até o hotel. Tivemos pouco mais do que meia hora para nos aprontarmos para nova saída. Desta vez para o jantar no Roberta Sudbrack.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

CAFÉ LAMAS - GASTRONOMIA NO RIO DE JANEIRO (RJ)

Eu, Karina, Rose e Tatá saímos caminhando do Hotel Argentina até o Café Lamas, restaurante fundado em 04 de abril de 1874, ou seja, em 2013 ele completou 139 anos de funcionamento, sempre no Flamengo. Inicialmente no Largo do Machado e, por causa das obras do metrô, ele se mudou para o atual endereço.

Endereço: Rua Marquês de Abrantes, 18, loja A, Flamengo, Rio de Janeiro, RJ.

Fone: (21) 2556 0799

Especialidade: cozinha internacional, com destaque para os petiscos e para os filés.

Quando fui: almoço de 18 de outubro 2013, sexta-feira. Éramos quatro pessoas. Chegamos bem tarde para o horário do almoço, já no final da tarde, por volta de 17 horas. Mesmo tarde, o restaurante tinha mesas ocupadas. Sentamos em mesa encostada na parede da direita de quem entra, no primeiro salão do lugar. Permanecemos por lá por mais de uma hora.

Serviço: os garçons são antigos, como é comum aos restaurantes mais tradicionais do Rio de Janeiro, com atendimento bem tranquilo. Conhecem muitos frequentadores pelo nome. A comida chega rapidamente à mesa, especialmente os petiscos.

O que bebi: uma lata de Coca Cola Zero (R$ 4,20), 350 ml, em copo com muito gelo, e um café espresso (R$ 3,00) ao final, que estava muito forte para o meu gosto.

O que comi: só eu resolvi almoçar, pois tinha tomado café da manhã bem cedo e mais nada comi até aquela hora. Como já conhecia o restaurante e sei que o filé é bem feito, pedi ½ contra filé à francesa (R$ 38,00). Mesmo sendo meia porção, o prato é muito bem servido, sendo perfeitamente possível compartilhá-lo com duas pessoas. A carne estava macia, apresentada no ponto correto, com sabor de carne mesmo. A guarnição à francesa, com muita batata palha, presunto picado, cebola e ervilhas, era enorme, sobrando mais da metade. Achei a apresentação grosseira, com pedaços de batatas enormes, assim como os de presunto. Não achei graça no tempero da guarnição. Preferi, sem sombras de dúvidas, a carne.

Valor que total da conta: R$ 100,40.

Minha avaliação: * * *. O peso da tradição e dos 139 anos de idade já valem uma visita. Quando fui das outras vezes, pedi a salada de batatas, que é sensacional.


Gastronomia Rio de Janeiro (RJ)

sábado, 21 de setembro de 2013

RÚSTICO - GASTRONOMIA NO RIO DE JANEIRO (RJ)



Endereço: Rua Paschoal Carlos Magno, 121, Santa Teresa, Rio de Janeiro, RJ.
(facebook/rusticosantateresa)

Contato:  (21) 3497 3579

Especialidade: cozinha de autor.

Quando fui: almoço de 15 de setembro de 2013, domingo. Éramos seis pessoas. Ficamos no quintal debaixo de árvores frondosas. Chegamos perto de 13 horas e ficamos no restaurante por mais de duas horas.

Serviço: informal, bem à vontade. Os garçons foram prestativos, inclusive na questão de não demorar com os pratos, pois tínhamos hora para chegar ao aeroporto. Cardápio enxuto, com duas opções extras sugeridas pelo chef. Há wi-fi grátis, mediante senha fornecida pelo restaurante.

O que bebi: escolhi dentre as opções de suco rústico, cuja lista se encontra no cardápio. Mesmo não sendo fã de morango, pedi um suco com tal fruta misturado com limão e manjericão (R$ 9,50). A cor vermelha do morango não se sobressaiu, e a mistura com o limão conferiu à bebida uma tonalidade puxada para um rosa/laranja. Na boca, é o limão que se sobressai e muito. Precisei colocar pouco adoçante. Refrescante, ajudou a amenizar o calor que fazia na cidade. Ainda pedi uma garrafa de água com gás Nestlé e, ao final, um café espresso Dona Mathilde, muito bem tirado.




O que comi: compartilhamos uma entrada chamada carriocá (R$ 23,50), que consistia em um prato com uma fatia de queijo brie ao forno com chutney de abacaxi (descrição do cardápio). No entanto, foi-nos servido uma fatia generosa de queijo brie ao natural, sem ter passado em forno ou qualquer outro processo quente, coberto com o chutney de abacaxi, lâminas de amêndoas e uma calda de frutas vermelhas. Acompanhou a entrada uma cesta de pães artesanais feitos na casa. Mesmo não sendo servida como descrito, a harmonização do sabor forte do brie com a doçura do chutney e da calda estava bem interessante no paladar. Os pães eram muito bons e acabaram logo. Pedimos uma cesta extra, pagando à parte. Fiquei em dúvida quanto ao prato principal, pois a costela bovina do cardápio é muito convidativa, mas acabei por acatar uma das duas sugestões do dia, uma costela suína assada, servida ao molho barbecue de goiaba e acompanhada por batatas rústicas também assadas com ervas finas (R$ 55,00). O prato é bem servido. O molho barbecue vem com nacos de goiaba, o que deu um sabor inusitado e bem brasileiro à carne suína, que estava bem temperada e muito macia. As batatas, servidas com casca, tinham um tempero salgadinho muito bom. Aprovei. Embora as sobremesas que passavam por nós parecessem apetitosas, não arrisquei experimentar nenhuma das opções do cardápio.




Valor que paguei do total da conta: R$ 67,00.

Minha avaliação: * * * 1/2. Surpresa agradável no movimentado bairro de Santa Teresa. Tínhamos decidido almoçar no bairro, mas sem rumo certo. Paramos o carro no Largo do Guimarães e entramos na Rua Paschoal Carlos Magno apreciando as casas e os restaurantes da região. Fomos até o famoso Bar do Mineiro, mas a fila de espera era desanimadora e tínhamos hora certa para chegar ao aeroporto. Resolvemos voltar e, na mesma calçada, vimos o Rústico, com um movimento de jovens estrangeiros entrando e saindo. Um empregado da casa nos abordou, perguntando se queríamos almoçar. Resposta afirmativa e a indicação para subirmos as escadas, pois no ambiente no primeiro piso funciona um bar para petiscos e lanches rápidos, o Cafecito, onde havia muitas mesas ocupadas. A decoração do restaurante é bem rústica, o que justifica o nome do restaurante: Rústico. Foi um almoço muito bom, com companhias agradáveis em local aprazível e ainda tivemos a visita de dois micos que chegaram sem cerimônia para almoçar. Nem parecia que estávamos em uma metrópole.


Gastronomia Rio de Janeiro (RJ)