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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

AMOR (AMOUR)

Amor (Amour), o mais novo filme dirigido por Michael Haneke, é um dos nove concorrentes ao Oscar 2013 de melhor filme, , mas também concorre na categoria melhor filme estrangeiro, o que me leva a crer que dificilmente ele ganha na principal categoria. É uma co-produção de França, Alemanha e Áustria, lançada em 2012 nos cinemas. Falado em francês e rodado na França, foge um pouco da temática principal de Haneke, a violência, embora podemos fazer uma leitura com este foco de todo o filme, especialmente em seus minutos finais. Um casal de professores de música aposentados vive só em um apartamento e continuam frequentando concertos de música clássica até que a mulher sofre um AVC, paralisando seu lado direito e alterando completamente a sua vida e a de seu marido. A única filha do casal, também musicista, vive em outro país e está em constante viagem em razão de seu trabalho. A dedicação que o marido presta a sua esposa é especial e muito bonita, pois ele também possui suas limitações físicas em razão da idade avançada. A mulher detesta hospital e vai suportando o desenrolar da doença em sua própria casa, aguentando cuidadores nem sempre delicados para lhe auxiliar em um momento mais avançado de seu problema de saúde. O filme tem 127 minutos de duração. Em seu início já sabemos o que vai acontecer, motivo pelo qual acompanhar o desenvolvimento da doença junto com o casal torna-se angustiante e muito triste. Jean-Louis Trintignant e Emmanuelle Riva vivem o casal, enquanto Isabelle Huppert interpreta a filha deles. Riva está excelente no papel da velha doente e por causa de sua interpretação foi indicada ao Oscar de melhor atriz nesta próxima edição. Haneke é um mestre da direção e uma de suas marcas registradas, a falta de trilha sonora no filme, está presente em Amor. A música só aparece quando ela faz parte da cena, nunca há uma música de fundo tocando. A tristeza deste filme aparece num crescendo, o que provoca muitas fungadas dentro da sala de projeção. Como o público que compra ingresso para ver Amor é mais velho, a reação emotiva é mais forte, pois muitos sabem que podem passar pela mesmas dificuldades do casal de idoso da telona. Gostei muito.

filme

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

A FITA BRANCA


Integrando a programação da abertura do XI FIC Brasília, o longa metragem exibido foi o ganhador da Palma de Ouro em Cannes 2009: A Fita Branca (Das Weisse Band), produção conjunta da Áustria, Alemanha, França e Itália. Dirigido por Michael Haneke, a história se passa em uma pequena aldeia na Alemanha pré-Primeira Guerra Mundial. Haneke é conhecido por retratar a violência de maneira crua (vide Funny Games e Caché) e seu novo filme não fica de fora deste retrato. Em A Fita Branca ele optou por retratar a violência de outra forma. Ela não é tão explícita como em Funny Games e nem tão oculta quanto em Caché. A violência está presente durante os 127 minutos de duração do filme, seja no enredo, seja na fotografia em preto e branco (sufocante e opressiva) ou mesmo na falta de música (característica do diretor). Violência de todas as matizes: física, psíquica, sexual, religiosa. A primeira impressão é que todos os personagens são maus, especialmente as crianças e adolescentes. E realmente esta impressão se confirma. Acidentes estranhos e violência gratuita acontecem com adultos e crianças, sem nunca mostrar o verdadeiro culpado. Como se possuídos e unidos pela maldade, a população da aldeia se une para limpar o local dos "impuros", dos que denigrem a sua imagem. E ninguém é polpado: o médico, a criança com deficiência intelectual, a parteira, a rica baronesa, enfim, todos aqueles que podem "sujar" a imagem da aldeia. O filme nos leva a refletir sobre o nascimento do nazismo, já que a história acontece pouco tempo antes do estouro da Primeira Grande Guerra e as crianças são as que estão em todos os locais onde houve um ato violento (seriam elas os dirigentes do nazismo anos depois?). Não é um filme para qualquer um. Isto ficou claro com o número de pessoas que deixou a sala de projeção (local com 2.000 lugares e quase totalmente cheio) no decorrer do filme. A Fita Branca é para se refletir, é para se pensar no ontem e no agora. Gostei.

XI FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA DE BRASÍLIA


Começou em 04 de novembro a maratona de filmes do XI Festival Internacional de Cinema de Brasília - FIC Brasília, na Academia de Tênis José Farani. São mais de 80 filmes programados para as 10 salas de projeção da Academia e para a sala do CCBB até o dia 15 de novembro. Peguei a programação para escolher os filmes que verei.
Para a abertura foram programados dois filmes. Um curta metragem brasileiro, O Teu Sorriso, de Pedro Freire, produção de 2008 e o longa metragem vencedor da Palma de Ouro em Cannes deste ano, A Fita Branca (Das Weisse Band), de Michael Haneke, produção de 2009 da Áustria, Alemanha, França e Itália. O ingresso para a sessão oficial de abertura custou R$30,00 (inteira), com direito a participar do coquetel, que antecedeu aos filmes. O diferencial deste festival é que além dos convidados dos organizadores, patrocinadores e da produção, há venda de ingressos para o público. Fui conferir os dois filmes, cujos comentários estarão em posts distintos.