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domingo, 16 de janeiro de 2011

SUMMER SOUL FESTIVAL - AMY WINEHOUSE

O show mais esperado da noite começou com vinte e cinco minutos de atraso. Eram 23:40 horas quando a banda que acompanha Amy Winehouse entrou em cena. A maioria usava uma vistosa camisa florida e calças brancas. Zalon Thompson, um dos dois backing vocals, é o responsável por chamar a grande estrela da noite. Ela entra com um vestido preto, com detalhes no decote em branco, sua já famosa maquiagem nos olhos e o seu topete. Logo toma um líquido de uma caneca, atiçando a curiosidade e a maledicência da galera. E parecia de propósito o que a cantora fez durante o seu show, pois cada vez que dava um gole do que havia dentro de sua caneca, o público ria, aplaudia, gritava. E ela ainda fez gargarejo com o tal líquido. Quanto ao show, foi muito parecido com o que li sobre os três shows da sua turnê no Brasil. Começou com baladas, mostrando sua voz potente em alguns momentos, enquanto em outros momentos, quase não se ouvia o que ela cantava. No entanto, ela cantou todas as músicas do início ao fim, com pouquíssimos erros na melodia e alguns tropeços aqui e ali na letra, mas nada que sua poderosa voz não resolvesse em seguida. Ela não caiu no palco, não ficou sentada olhando para o infinito. Ela fez seu show, conforme o roteiro. Com meia hora, como nos demais shows, ela saiu do palco, deixando espaço para Zalon Thompson arrasar, cantando duas músicas, aquecendo o público para o grande hit da cantora. Quando ela é chamada novamente ao palco, entra para entoar, em um ritmo mais lento, Rehab. Muitos pareciam estar ali apenas para ouvir esta música. O público acompanhou em plenos pulmões a cantora, mais o refrão no no no era o mais gritado. Amy parava o show ao final de cada música, indo confabular sempre com Thompson e o baixista de sua banda, Dale Davis. Ninguém sabia o que falavam, eles riam bastante. Pareciam se divertir com o show. Ela parecia uma menininha, pulando, imitando um coelho, dando piruetas. Enquanto se reuniam, os demais integrantes da banda ficavam estáticos, apenas esperando. Com uma hora de show, ela deixou o palco, dando adeus à plateia, ao final da canção You Know I'm No Good. A galera pede bis. Ela retorna, interpretando de forma arrasadora Me & Mr. Jones e Love Is A Losing Game. Embora ela ainda esteja visivelmente longe do furacão que era ao lançar Back to Black, este show mostrou que ela está de volta e poderá nos dar mais grandes interpretações em um futuro breve. Gostei do que vi. A seguir, fotos do show, por mim tiradas.


O público se agita quando a banda e a cantora Amy Winehouse sobem ao palco


Amy Winehouse canta uma balada


Luzes na plateia


Me & Mr. Jones na interpretação de Amy Winehouse, já no bis

SUMMER SOUL FESTIVAL - JANELLE MONÁE

Entre o fim do terceiro show e o de Janelle Monáe foram exatos trinta minutos. A cantora americana entrou no horário marcado, com o seu figurino característico, calça preta justa, camisa branca e seu enorme topete. Uma banda formada, em sua maioria, por negros, a acompanhava dando passinhos coreografados ao ritmo de cada música. Ela não falou com a plateia e nem fazia intervalos entre as músicas. Emendava uma na outra, em um show eletrizante. Na primeira música, seu rosto apareceu no telão caracterizado como uma andróide, como na capa de seu segundo disco, ArchAndroid. Em algumas músicas, ela era acompanhada no palco por duas dançarinas. Seu figurino era acrescido de capas diferentes de acordo com o número a ser apresentado. Ela colocou todo mundo para dançar, do início ao fim. Apenas um momento delicado, quando ela interpreta magistralmente Smile, de Charles Chaplin, tema do filme O Garoto. Por falar em filme, cenas de Metrópolis, de Fritz Lang, passavam no telão quando Janelle interpretava canções de seu primeiro cd, Metropolis. Deste cd é a  ótima Sincerely, Jane, que ela interpreta com coreografias que homenageiam Michael Jackson, especialmente o andar dos zumbis no clip de Thriller, além de fazer rapidamente o moonwalk, passo eternizado pelo rei do pop. Ela ainda mostrou seu lado artista plástica ao pintar uma tela ao vivo, enquanto cantava mais um número. O show foi curto, uma hora apenas. O final foi catártico. Janelle ficou literalmente descabelada, com seu topete desfeito, se arrastando pelo chão junto com parte de seus músicos e dançarinos. Saiu aplaudidíssima, mas não houve bis. Ela havia conquistado a plateia. Muitos falavam em comprar o cd no dia seguinte. As fotos a seguir foram tiradas por mim durante o show.


O rosto de Janelle Monáe no telão caracterizado como uma andróide


Janelle Monáe interpretando Smile, de Charles Chaplin


Fazendo uma pintura ao vivo


Visão geral do palco durante o show de Janelle Monáe

SUMMER SOUL FESTIVAL - MAYER HAWTHORNE

Mais um breve intervalo e a terceira atração da noite entrou no palco, às 20:15 horas. Era a primeira atração internacional, o desconhecido, pelo menos para mim, americano Mayer Hawthorne. Com visual nerd, mas de terno e com óculos a la Clark Kent, tinha uma banda pequena que o acompanhava. Chamava atenção o cabelo do seu guitarrista, uma grande cabeleira crespa que esvoaçava com o vento. O show esfriou completamente o público perto de mim. Alguns pediam que ele terminasse sua performance ao final de cada número musical. Ele é sem graça, não me atraiu a atenção. Durante o seu fraco show, minhas amigas de Brasília chegaram. Após trocar mensagens pelo celular, nos encontramos e ficamos conversando enquanto rolavam as músicas. Mesmo com um público apático, havia uns poucos que sabiam algumas músicas de Hawthorne, e faziam questão de acompanhar em voz alta, como se fosse um trunfo a diferenciá-los de nós, os ignorantes em relação ao único cd do cantor de Michigan. Quando o show terminou, nada de bis. Foi um alívio. Foi o único show da noite de que não gostei. Mais fotos tiradas por mim na noite de sábado.


Mayer Hawthorne em seu fraco show


O guitarrista com sua vasta cabeleira

SUMMER SOUL FESTIVAL - INSTITUTO & CONVIDADOS

Não esperamos muito para o início do segundo show da noite. A troca dos instrumentos no palco foi muito rápida. O coletivo Instituto entrou em cena mantendo o clima festivo e dançante deixado no ar pelo primeiro show. Um número instrumental deu início a uma catarse dançante, cheia de convidados. A primeira a ser anunciada foi Thalma de Freitas, atriz/cantora, uma das vocalistas da Orquestra Imperial, que vem se apresentando com o Instituto, que não deixou a galera parada. No repertório, uma releitura da música Estrelar, de Marcos e Paulo Valle, sucesso dos anos oitenta. Depois de Thalma, foi a vez do guitarrista Duani Martins. Ele é bem parecido com Tim Maia. O terceiro convidado foi Carlos Dafé, parceiro de Seu Jorge. Kamau e Emicida vieram em seguida, mostrando um rap que animou o público. Depois, mais um integrante da banda, o responsável pela percussão, Augustinho Bocão, cantou e dançou, levantando a plateia. A próxima convidada foi Céu que cantou Onda, uma música do soul man Cassiano, e a sempre dançante Não Vou Ficar, de Tim Maia, grande sucesso na voz de Roberto Carlos. Ao final, todos se juntaram ao palco para deixar a galera ouriçada com mais um exemplar da black music brasileira, de Jorge Benjor, cantaram Umbabarauma, aquele que diz ao final do refrão "homem-goool". Os ânimos ficaram agitados. Gostei muito. Fotos tiradas por mim durante o show.


Integrantes do coletivo Instituto


Thalma de Freitas, a primeira convidada


Thalma de Freitas interpretando Estrelas, dos irmãos Marcos e Paulo Valle


O guitarrista Duani Martins, que me lembrou Tim Maia


Carlos Dafé


Naipe de sopros do Instituto


Augustinho Bocão


Emicida e Kamau


Céu interpreta Onda, de Cassiano

SUMMER SOUL FESTIVAL - MIRANDA KASSIN & ANDRÉ FRATESCHI

O primeiro show do Summer Soul Festival ficou por conta da dupla Miranda Kassim & André Frateschi. Acompanhados de uma grande banda, todos com figurino e visual retrô, remetendo aos anos cinquenta. Todas as músicas executadas foram em inglês. No repertório houve desde músicas das décadas de 50 e 60, até uma performance eletrizante para Toxic, sucesso de Britney Spears. André Frateschi estava elétrico no palco. Corria de um lado para outro, jogava camisetas para o público, dançava muito, brincava com os músicos. A plateia que ia devagar preenchendo os espaços dançava, mostrando que estava pronta para a maratona de shows. Miranda Kassim entrou com um penteado com topete, talvez porque tanto Janelle Monáe quanto Amy Winehouse cantam com seus topetes característicos. Foi uma homenagem às cantoras internacionais que também eram parte da programação da noite. Gostei do show. Foi um ótimo esquenta. Abaixo, fotos tiradas por mim durante o show.


Miranda Kassin e seu topete


O telão era uma telinha e chegou a apresentar problemas durante os shows


O performático André Frateschi


A dupla Miranda Kassin e André Frateschi durante a performance de Toxic


André Frateschi durante seu show

SUMMER SOUL FESTIVAL


Saí do Holiday Inn Parque Anhembi um pouco antes das 18 horas. O hotel é bem próximo da Arena Anhembi, localizada na dispersão do sambódromo de São Paulo. Este foi o principal motivo para eu ter me hospedado nele. Não precisaria de ir atrás de táxi na saída do show. Havia um movimento civilizado no lado de fora. Sem tumultos nas entradas. Gastei R$ 619,00 (entrada + taxa de conveniência + sedex) para ficar na área mais próxima do palco, na Pista Premium. Levei uma bolsa pequena com uma blusa de manga comprida, capa de chuva, máquina fotográfica e binóculos. A revista da bolsa e dos meus bolsos foi rápida. Quando estávamos chegando perto do palco, começou o primeiro show dos cinco programados para o Summer Soul Festival. Li críticas desfavoráveis em relação à pista normal, mas para quem ficou na Pista Premium era fácil a circulação, filas pequenas nas portas dos banheiros químicos, vários pontos de venda de cerveja, água e refrigerante, embora ouvi reclamações de que a cerveja estava quente. A certa altura, longe ainda do término, faltou água para vender em alguns destes pontos. Uma equipe de limpeza passava, enquanto deu, catando os copos descartáveis e garrafas de água do chão. Na mesma área, colocaram uma espécie de deque destinado aos cadeirantes, possibilitando a eles ter uma visão tranquila do palco. Com exceção do show de Amy Winehouse, todos os outros praticamente começaram no horário previsto na programação. O show da estrela principal da noite, a inglesa Amy, atrasou vinte e cinco minutos. Os ingressos estavam esgotados. Trinta mil pessoas estavam ali para se divertir com o som de cinco atrações. São Pedro colaborou, pois não caiu nenhuma gota de chuva durante as quase oito horas de duração do festival. Azar dos vendedores de capas de chuva do lado de fora, pois não conseguiram vender o produto. Na pista, vi vários rostos famosos, entre eles Mel Lisboa e Mariana Ximenes. O público era bastante eclético. Vi gente de todas as idades, todos os tipos de casais, famosos, anônimos. Nos intervalos entre os shows, sentava-me no chão, observando como se vestiam as pessoas ao meu redor. Tinha de tudo um pouco. A maré de baseado também enchia o ar de tempos em tempos. A saída foi, para mim, bem tranquila, embora um mar de gente andava em direção aos seus carros ou a procura de táxis, que eram raros no local. Voltei para o hotel muito contente com o que vi. O corpo pedia descanso, mas estava com fome. Eu e meus amigos pedimos um lanche para comermos no quarto deles. O tempo de entrega era em torno de uma hora, pois havia muitos famintos no hotel que faziam o mesmo. Confiram as minhas impressões de cada show nos respectivos posts.


O hotel Holiday Inn Parque Anhembi visto da Arena Anhembi


Um dos presentes na plateia. Uma homenagem a Salvador Dalí?


sábado, 15 de janeiro de 2011

FEIJOADA & SAMBA

Meus amigos chegaram ao hotel no início da tarde. Depois de se acomodarem no respectivo quarto, resolvemos almoçar no restaurante do próprio hotel, chamado Camauê, pois não queríamos enfrentar trânsito em São Paulo na tarde de sábado, sabendo que muita gente iria se deslocar para a Arena Anhembi, local do Summer Soul Festival, a partir de 15 horas, horário previsto para a abertura dos portões. Ao fundo do restaurante há um imenso painel de Romero Britto. Por falar neste artista plástico, em todos os andares, no hall dos elevadores, há gravuras de sua autoria. Para confirmar a tradição, o restaurante promove aos sábados um buffet com feijoada. Neste sábado não foi diferente, ou melhor, foi, pois uma grande parte das mesas estava reservada para integrantes e simpatizantes da Escola de Samba Mocidade Alegre. Quando chegamos, das caixas de som, em volume alto, o samba enredo de 2011 da escola ecoava por todo o saguão do hotel, incluindo o restaurante. Mulatas com corpos esculturais recebiam os convidados, além dos hóspedes que também escolheram o restaurante para almoçar. Na área destinada aos hóspedes batia sol. Pedimos para nos sentar em outra posição. Fomos prontamente atendidos. Ficamos em uma mesa inicialmente destinada aos membros da escola de samba. Na mesa havia um folheto com a letra do samba enredo, "Carrossel de Ilusões", além de um óculos 3D que ficamos sem saber o que seria visto com ele. Pegamos alguns quitutes para beliscar, mas deixamos quase todos no prato, pois estavam muito frios. Comer bolinho de bacalhau gelado não é recomendável. Comecei com as opções de salada fria, colocando um pedaço pequeno de costelinha defumada de porco. Não quis a feijoada, pois além de estar me preparando para uma nova dieta (sim, mais uma!), desta vez com remédios, era uma opção muito pesada para quem iria ficar mais de cinco horas, no mínimo, em pé nos shows da noite. Como prato de fundo, fui até a ilha de massas, escolhendo um penne ao molho bolognesa. Nada mais simples e certeiro. As sobremesas estavam inclusas no preço do buffet livre - R$ 42,00 por pessoa. Não resisto quando vejo um quindim com boa aparência. Coloquei no prato, além do quindim, um pedaço de uma torta de frutas secas, um pouquinho de cocada branca e um pouquinho de doce de banana. Diria que os doces não fizeram feio, sem nada espetacular. Enquanto isto, o salão foi enchendo de gente com as cores verde e branco da escola. O som mecânico foi deixado de lado, o batuque passou a ser ao vivo, com os puxadores da escola cantando o samba enredo de 2011. A parte ao vivo foi bem melhor do que o som mecânico. Gostei do samba enredo. A galera parecia animada. Finalizei com um café expresso. Voltamos para o quarto para descansar para a maratona noturna. Não consegui dormir, mas fiquei lendo. De vez em quando, olhava pela janela para avaliar o tempo, com sol, diga-se de passagem, e ver o movimento de quem já se dirigia aos portões da Arena Anhembi. Verifiquei na internet os horários previstos para o início de cada atração. As que me interessam - Janelle e Amy - só devem subir no palco já perto de 22 horas. Continuei a ouvir músicas das duas para chegar afiado ao festival.


Painel (plotagem) de Romero Britto ao fundo do restaurante Camauê - Holiday Inn Parque Anhembi


Escultura "Coração", de Romero Britto, no saguão do Holiday Inn Parque Anhembi

MANHÃ DE SÁBADO NO HOTEL

Dormi muito bem a noite de sexta-feira para sábado. Acordei cedo. Desci para tomar café. O restaurante do Holiday Inn Parque Anhembi é enorme, com um gigantesco painel de Romero Britto ao fundo. Café da manhã farto, muito bom. As pilhas do meu mouse sem fio acabaram, mas não encontrei local no hotel para comprar novas, tendo que usar o minúsculo mouse redondo no centro do teclado. Está muito chato e difícil usar o computador com tal mouse. A internet banda larga da Claro está muito lenta e instável. Tentei a internet sem fio do hotel, mas também a velocidade não é boa. Fiquei com a minha banda larga móvel, mesmo com sua instabilidade, navegando pela internet. Como sempre caía, resolvi ler o livro que trouxe, uma biografia de Andy Warhol. Confesso que já passei da metade do livro de mais de quatrocentos páginas, mas não estou gostando nada. A escrita logo me dá sono. Largo o livro e volto a dormir. Acordei com o celular tocando. O relógio apontava quase uma hora da tarde. Eram meus amigos de BH que acabavam de chegar a São Paulo para o Summer Soul Festival. Enquanto os aguardo no hotel, fico ouvindo nitidamente a passagem de som da banda de Janelle Monáe, pois o hotel é muito próximo do local onde os shows ocorrerão logo mais à noite. Parece que Janelle fará um show muito dançante. As músicas são ótimas. Vou ouví-las novamente em meu iPod para esquentar para a noite. Não chove em São Paulo, mas há nuvens carregadas no céu. Já preparei a capa de chuva...