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domingo, 6 de março de 2011

FÉRIAS - DIA 9 - DOMINGO - 06/03/2011 - PROGRAMA ALTERADO

Conforme programação que fiz antes de viajar, o domingo seria dedicado às ruínas de Pompeia, mas para a viagem, deveríamos ter acordado mais cedo. O corpo sentiu o ritmo veloz desta primeira semana de viagem. Não acordamos no horário em que deveríamos levantar. Quando me dei conta, já eram mais de 10 horas da manhã. Primeiro dia sem chuva desde que iniciamos a viagem, mas o frio continua forte. Os termômetros marcaram ao longo do domingo a máxima de 12º C. Depois do café da manhã no hotel, decidi trocar o roteiro do dia, fazendo a programação de segunda-feira. Pegamos um ônibus da empresa City Sightseeing Napoli, daqueles que vemos em várias cidades do mundo com dois andares, com várias paradas e possibilidade de descer, ver o que há na região e pegar o próximo ônibus. O local de saída é muito próximo ao hotel, na Piazza Municipio, no Largo Castello. No inverno, a primeira saída se dá às 10:45 horas. São três roteiros diários, com possibilidade de fazê-los todos com o mesmo bilhete. Aos sábados e feriados, um quarta linha também circula. Como neste domingo os napolitanos comemoravam o carnaval, a quarta linha estava em funcionamento. Cada bilhete é válido por 24 horas e custa 22 euros. As três linhas regulares tem um intervalo entre um ônibus e o outro, de novembro a março, de 75 minutos, tempo de sobra para conferir as atrações turísticas da parada. Pegamos a Linha A - I Luoghi dell'Arte (Os Lugares da Arte), com 12 paradas. Escolhemos esta linha porque queríamos conhecer o acervo do Museo Archeologico Nazionale, parada número 4 do roteiro. O ônibus saiu no horário. Quinze minutos depois, descemos em frente ao museu, pagando 6,50 euros cada ingresso. Não se pode entrar com mochilas. Assim, deixei a minha nos armários individuais logo na entrada. O museu segue a linha da cidade, ou seja, carece de um melhor cuidado e algumas salas estavam fechadas para visita, como a parte do acervo de arte egípcia. Mas o que nos interessava estava aberto: tudo o que conseguiram retirar de Pompeia e Herculano nas escavações no final do século XIX. Começamos pelo piso térreo, onde está a Coleção Farnese, uma interessante exposição de estátuas e bustos provenientes do Palatino e das Termas de Caracala, ambos em Roma. O tamanho das estátuas em mármore impressionam. Nesta ala se encontra a maior escultura intacta que sobreviveu da antiguidade, a chamada "Touro Farnese". Outra peça gigante é a estátua de Hércules descansando. Partimos para o piso superior, onde estão os afrescos, mosaicos, vasos, vidros, objetos do dia a dia encontrados nas casas quando das escavações feitas em Pompeia. Um belíssimo acervo. Há também uma interessante maquete da cidade de Pompeia após as escavações. Fizemos compras de magnetos na loja do museu antes de sairmos. Gastamos pouco mais que uma hora para ver todo o acervo aberto à visitação. Enquanto esperávamos o ônibus, visitamos a Galleria Principe di Napoli, bem em frente ao museu, onde funciona hoje o Banco di Napoli. No horário correto,  entramos no ônibus vermelho e seguimos todo o roteiro sem mais descer, apenas tirando fotos dos prédios e monumentos que estavam no percurso da Linha A. Chegamos ao ponto de partida às 13 horas. Um tímido sol queria aparecer. Era hora de procurar um restaurante para almoçar. O previsto era a Trattoria Ferdinando, na Via Nardones, 117, no famoso Quartieri Spagnoli (Quarteirão Espanhol). Não era longe de onde estávamos. Fomos caminhando observando a grande quantidade de crianças fantasiadas sendo levadas por seus pais na mesma direção. Seguimos estas pessoas. O destino de todos era a imensa Piazza Plebiscito, onde já tínhamos estado no final do dia anterior, mas agora a luminosidade era outra. O Palazzo Reale, todo restaurado, faz um contraponto à igreja San Francesco di Paola, inspirada no Pantheon de Roma, cujas colunas e paredes estão completamente pichadas. O mesmo acontece com a base de duas estátuas que ficam em frente à igreja. Ali naquela praça, as crianças se divertiam, os pais conversavam, vendedores ambulantes ofereciam confete e serpentina, mas não havia nenhuma música. Carnaval sem música? Parece impossível para um brasileiro, mas era esta a cena que presenciamos no início da tarde deste domingo. Continuamos nossa caminhada, entrando no início da Via Nardones. A rua é estreita, uma boa subida, cheia de roupas penduradas nas varandas dos prédios (coisa muito comum em quase toda a cidade). Subimos até o final da rua, sem encontrar o restaurante, nem mesmo o número 117 achamos. Resolvemos descer pela rua paralela, uma rua comercial, a Via Chiaia. Procurávamos onde almoçar, quando vi uma placa indicando uma pizzaria chamada Brandi (Salita S. Anna di Palazzo, 1/2). Lembrei-me vagamente que li algo sobre ela quando preparava o roteiro da viagem. Já que ali estávamos, fomos conferir. Quando chegamos em frente à pizzaria, vendo um cartaz dizendo se tratar da Antica Pizzeria Regina D'Italia, existente no mesmo local desde 1780, resolvemos entrar. Do lado direito de quem sobe a rua, fica a parte para os fumantes, do lado esquerdo, a maior quantidade de mesas, inclusive do lado de fora, o local para nós, os não fumantes. Quando chegamos, só havia uma mesa ocupada. Logo encheu de turistas. Todos querendo conhecer o local onde foi criada a Pizza Margherita. Criada em 1889 pelo proprietário e pizzaiolo da época para oferecer à Rainha Margherita, esposa do Rei de Nápoles, Umberto I. Embora ela tenha experimentado três tipos de pizzas levadas pelo pizzaiolo, a rainha gostou mais da que leva tomate e mussarela. O pizzaiolo aproveitou a deixa e batizou sua criação com o nome da rainha. Hoje, esta pizza simples é consumida com o mesmo nome no mundo inteiro. Obviamente que pedimos para comer a criação da casa, a opção mais barata do cardápio. A casa também produz seu próprio vinho. Resolvemos experimentar uma garrafa do seu vinho tinto, mas não nos agradou, muito ácido. A pizza é gostosa, individual, grande, com fartura de mussarela e molho de tomates frescos, mas a massa é muito parecida com todas aquelas que comemos na Itália, ou seja, difícil de partir com faca. Sem desmerecer, diria que a massa é borrachuda. O senão fica por conta de um cantor italiano que chegou, tocou seu violão, cantou três músicas e passou um pandeiro pedindo alguns euros, muito parecido com os repentistas que lotam as praias nordestinas. Terminado o almoço, voltamos ao Largo Castello, onde pegamos o último ônibus turístico do tipo Hop On Hop Off da Linha C - San Martino, a tal linha que só funciona aos sábados e feriados. São dez paradas, mas como era o último a sair no dia, embora fosse ainda cedo, 15 horas, ninguém descia do ônibus. Neste roteiro, conhecemos a parte da cidade mais rica, onde não há muita sujeira nas ruas, não há roupas penduradas nas varandas dos belos prédios, muitos de frente para o mar, e onde ficam as lojas das maiores grifes mundiais, especialmente as italianas. O ônibus foi subindo um morro, em curvas para lá e para cá, com belas vistas do Golfo de Nápoles. Quanto mais subia, mais frio sentíamos. Quando chegamos ao Largo San Martino, uma vista de toda a cidade apareceu à nossa frente. O ônibus fez uma parada de meia hora, tempo suficiente para um café, ir ao banheiro e tirar fotos tanto da cidade, quanto da fachada do Museo Nazionale San Martino e do Castel Sant'Elmo, ambos no local. Passada a meia hora, voltamos ao ônibus, mas ficamos na parte coberta, pois uma leve chuva ameaçava cair, o que acabou não ocorrendo. Chegamos de volta do passeio perto de 17 horas. Voltamos para o hotel descansar, pois não queremos perder o trem para Pompeia nesta segunda-feira.


"Hércules Descansando" - Coleção Farnese - Museo Archeologico Nazionale - Nápoles


Afresco - Ala dos Retratos encontrados quando das escavações em Pompeia - Museo Archeologico Nazionale - Nápoles


"Touro Farnese" - Coleção Farnese - Museo Archeologico Nazionale - Nápoles


Almoço na Brandi - Antica Pizzeria della Regina D'Italia, onde foi criada a Pizza Margherita - Nápoles




Terminamos a noite jantando perto do nosso hotel. Estávamos cansados e iremos acordar cedo nesta segunda-feira. Assim, preferimos um restaurante nas imediações do hotel. São várias opções, mas a culinária não muda, sempre trattorias e pizzarias. Entramos naquela que nos pareceu melhor: Trattoria e Pizzeria Ciro a Medina (Via Medina, 19). Local simples, com dois pisos. Ficamos no primeiro piso, onde havia algumas mesas ocupadas. Não há carta de vinho. As opções ficam em cima de um balcão. Escolhi um Chianti Classico, sem medo de errar. Era o vinho mais caro das poucas opções (18 euros). Quanto ao jantar, pelo menos conseguimos fugir das pizzas, mas ficamos bem perto delas. Escolhemos comer calzone. O meu era recheado com ricota, tomate, beringela e mussarela. A massa estava deliciosa, levemente salgada e o recheio bem leve. O atendimento também foi muito bom. Ficamos surpresos com a qualidade do local. A conta foi menos de 40 euros para duas pessoas. Nápoles é bem mais barata do que Roma, com certeza.

sábado, 5 de março de 2011

FÉRIAS - DIA 8 - SÁBADO - 05/03/2011 - NÁPOLES

Levantamos cedo, acabamos de arrumar as malas, tomamos um reforçado café da manhã no Sofitel Villa Borghese em Roma, descemos para fazer o check out. Eu queria pagar parte da conta com vouchers que imprimi por ter acumulado pontos no A-Club da Rede Accor, mas eram 17 vouchers e cada um deles tem que ser registrado pela recepção. Como não tínhamos muito tempo, resolvi usá-los em outro hotel durante a viagem. Paguei a conta com cartão de crédito, enquanto aguardava um táxi que havia solicitado logo no início do check out. Não chovia, mas o frio continuava intenso. O hotel fica perto da estação Roma Termini, por isso chegamos meia hora antes do horário da partida do trem para Nápoles, nossa próxima parada. Pela corrida de táxi, pagamos dez euros. O trem rápido encostou na plataforma 9 dez minutos antes do previsto. Andamos quase toda a extensão da plataforma, pois viajamos de primeira classe e nosso bilhete, comprado no Brasil, indicava que nossos assentos estavam no vagão 2. Colocamos as malas em compartimento acima de nossos assentos, ambos na janela, um de frente para o outro, em poltronas individuais. Na primeira classe, há serviço de bordo, quando jornais, revistas, bebidas e lanche são servidos. A viagem durou uma hora e dez minutos. Ao chegarmos na Estação Central de Nápoles chovia e o frio parecia com o de Roma. Ainda dentro da estação, algumas pessoas ofereciam táxi. Preferi seguir para o lado de fora e entrar na fila, que não tinha praticamente ninguém. Muitas opções de táxis, pegamos o primeiro disponível, mostramos o endereço do hotel Mercure Angioino Napoli Centro (Via Agostino Depretis, 123) para o motorista, que acenou com a cabeça afirmativamente. Além da tarifa a pagar, o taxímetro também mostrava a duração da corrida. Demoramos pouco mais do que seis minutos para chegar ao hotel. O que li sobre os motoristas de táxi da cidade já foi confirmado na primeira corrida. No taxímetro, o valor a pagar era menos de seis euros. Dei uma nota de dez euros, o motorista agradeceu e não me deu troco nenhum. Não quis reclamar. Entramos logo no hotel por causa da chuva e do frio. O check in foi muito rápido, cordial e simpático. O recepcionista fez questão de falar conosco somente em italiano, mas falava tão pausadamente que entedia tudo. Ficamos em um quarto no terceiro andar, com vista para a rua. Desfiz a mala naquilo que achava essencial, marquei no mapa que recebemos na recepção do hotel o roteiro da tarde e saímos a caminhar pela cidade. Mais de meio-dia, decidimos almoçar antes de começar as visitas aos locais turísticos. Tinha escolhido duas famosas pizzarias da cidade, ambas situadas na mesma rua: Via dei Tribunale. Caminhamos por cerca de vinte minutos para chegar até esta via. Nela, percebemos como a cidade é suja. Muito lixo pelo chão, muita confusão, muita gente fumando, falando alto. Há uma certa decadência proposital na cidade. Parece ser esta a marca registrada desta terceira mais populosa cidade italiana. Escolhemos a pizzaria que nos pareceu com melhor aparência. Há uma produção de pizzas sem parar. Ao chegarmos, por volta de 13:15 horas, ainda havia lugar, mas logo formou-se uma longa fila de espera. É certo que o local não é grande, mas é famoso tanto entre os locais quanto entre os turistas. Há apenas uma garçonete para atender a todas as mesas. Ela é elétrica, parece que trabalha somente em ritmo acelerado. As pizzas são individuais, em tamanho exagerado. Só vimos quando elas chegaram à mesa. O preço era tão baixo, que achamos que chegaria apenas uma fatia para cada um. Para se ter uma ideia, a pizza Margherita, inventada em Nápoles, custou apenas três euros. Para esquentar um pouco o corpo, resolvi acompanhar Ric em uma garrafa de vinho. Cometi um erro enorme, pois na carta só havia seis opções, sem separação entre branco e tinto. Pedi um dos mais caros do menu (apenas seis euros a garrafa), não percebendo que o vinho escolhido era branco. Só vi depois que a garçonete já tinha aberto a garrafa. A pizza chegou rápido. No meu caso, pedi uma capricciosa, recheada de cogumelos paris, azeitonas pretas, alcachofras, molho de tomate e mussarela. Estava melhor do que a pizza que comi em Roma, mas a massa era difícil de partir. Ao olhar ao redor de nossa mesa, notei que a maioria dos italianos presentes comia as fatias com as mãos. Fiz o mesmo. O restaurante é tão especializado em pizza que nem café vende. Pagamos a menor conta até aqui, 19,50 euros, já incluída a taxa de serviço. A pizzaria se chama Sorbillo (Via dei Tribunale, 38). Devidamente alimentados, começamos nossa peregrinação pelas inúmeras igrejas desta região da cidade, a maioria delas dos séculos XIV, XV e XVI. A mais curiosa de todas é a San Lorenzo Maggiore, com acesso pela própria Via dei Tribunale. Ela foi construída em cima de onde funcionava, durante a Idade Média, o mercado da cidade e parte do teatro de arena. Desta época, ainda resta o poço, localizado hoje no claustro da igreja, e as ruínas no subsolo, que também podem ser visitadas, além do museu com peças antigas da própria igreja e vestígios de objetos, pinturas, mosaicos encontrados nas escavações arqueológicas. Tudo isto pode ser conhecido, pagando-se um único ingresso, ao custo unitário de 9 euros. Saindo desta igreja, damos de cara com outra, a de San Paolo Maggiore, que curiosamente foi construída em cima de um templo dedicado ao Deus da Cura em épocas muito passadas. As colunas de sua fachada pertenceram ao templo. Em seguida, fomos para a Cattedrale San Genaro, a maior e mais bem decorada de todas que vimos nesta tarde de sábado. Nela há uma capela dedicada a San Genaro, o padroeiro da cidade. Nesta capela, há um grande relicário em forma de busto no qual está o crânio deste santo e um vidro com seu sangue coagulado. Diz a lenda local que se o sangue não ficar líquido três vezes ao ano é sinal de má sorte para a cidade. Também na mesma catedral, em sua cripta, está um pote com vários ossos do mesmo santo. Tanto na capela dedicada ao santo padroeiro quanto na cripta, os fieis jogam moedinhas, fazendo os seus pedidos. Há um belíssimo batistério do século V, todo em mármore, logo na entrada da igreja, em seu lado esquerdo. Demos uma parada para um rápido café e seguimos nosso destino, ou seja, mais igrejas. Passamos pela Santa Maria di Donna Regina, que estava fechada, e entramos por ruelas escuras e sujas, até sairmos em frente à igreja San Giovanni a Carbonara, decadente por fora, mas totalmente recuperada por dentro, com belos exemplares de obras de arte da Idade Média. Um casamento estava para começar quando chegamos. Os convidados estavam muito elegantes, mas pareciam estar uniformizados, pois todos usavam sobretudos escuros. Nesta mesma Via Carbonara está o hotel Palazzo Caracciolo, onde inicialmente fiz a reserva, mas desisti depois de ler sobre ele no Trip Advisor. Na verdade, ele é muito elogiado, mas a região é muito criticada, não só pela sujeira, mas também é apontada como ponto de prostituição e de drogas, o que a torna perigosa a partir do final da tarde. Voltamos a pé pela Via dei Tribunale, passando por outras igrejas, até sairmos na Piazza Dante, totalmente pichada. Um descuido da prefeitura ou é a tal decadência proposital? A principal rua de comércio da cidade corta a praça. Descemos, então tal rua, a Via Toledo, em direção ao mar, passando por várias construções antigas, todas elas chamadas de palazzos. Do lado direito da Via Toledo, já chegando perto de onde ela começa, está o famoso Quarteirão Espanhol, cuja característica principal são as roupas penduradas nas janelas e sacadas dos prédios antigos e suas ruas estreitas. Muitos restaurantes estão ali localizados. Chegamos à Galleria Umberto I, belíssimo shopping coberto. Para quem conhece a Galleria Vittorio Emanuelle em Milão, a de Nápoles seria a sua prima pobre, mas não deixa de ter seu esplendor. Saímos pela ala que dá acesso ao suntuoso Teatro San Carlo, palco de inúmeras óperas e balés. Havia filas enormes para entrar. As pessoas estavam muito elegantes. Demos um volta pela região, chegando à enorme Piazza Plebiscito, onde de um lado está o Palazzo Reale e do outro, a igreja San Francesco di Paola. Aqui não há vez para os carros. Digo isto porque em toda a cidade há uma disputa constante entre pedestres e automóveis. Voltamos para o hotel, passando em frente ao Castel Nuovo, parte de um roteiro que faremos em outro dia. A cidade está em obras, ampliando sua linha de metrô, porque em 2013 será sede de uma conferência mundial de cultura. Assim, há vários desvios que devemos fazer, seja em carro, transporte coletivo ou caminhando. No hotel não há internet gratuita como em Roma. Comprei um cartão para usar durante três horas por 3 euros. Acompanha o cartão, um bônus de 24 horas, ou seja, paguei três euros para navegar na internet por 27 horas. Já localizei no mapa todos os demais lugares turísticos a visitar, além dos restaurantes previamente escolhidos. Todos estão a poucos metros de distância do hotel. Caminhadas de, no máximo, quinze minutos. A localização do hotel é excelente.
Para jantar, já tinha reserva confirmada, desde o Brasil, no premiado restaurante La Cantinella (Via Cuma, 42), uma estrela no Guia Michelin, edição Itália. Reserva para 20 horas, sem dress code. Fomos a pé, caminhada pela avenida que corre ao longo do mar. Levamos dez minutos para lá chegar. Não havia ninguém no restaurante, fomos os primeiros, mas logo o restaurante encheu. A decoração é duvidosa, com paredes e tetos forrados de bambus, cadeiras de vime, umas pilastras em V separando o grande salão em três ambientes. Alguns quadros com motivos camponeses completavam o kit. Nem todos os garçons falavam outra língua, mas tivemos um excelente tratamento. Serviço de primeira. Embora estrelado, não há frescuras no menu e nem exigências de todos na mesa (no caso, eu e Ric) terem que optar pelos menus sugeridos, caso um se interessasse pela fórmula montada. Ric escolheu um primo e um secondo piatto, enquanto eu pedi o menu vegetariano. Para beber, escolhemos um vinho tinto da Lombardia, com bom preço e excelente sabor. Assim como nos restaurantes estrelados de Roma, este também ofereceu um amuse bouche. Era um bolinho de peixe, mas como eu tinha pedido a opção vegetariana, meu mimo foi sem o peixe. Veio uma bolinha de batata com mussarela, muito gostosa. Em seguida, veio uma sopa de lentilhas, das menores, que já foi em quantidade suficiente para matar a minha fome. O próximo prato foi um rigatoni muito bem montado no prato de vidro retangular, em forma de uma pirâmide, apenas com molho de tomates frescos. Massa ao dente, com o molho aderindo perfeitamente nos espaços do rigatoni. Ótimo prato. Depois, uma escarola recheada com queijo em leito de creme de abóbora moranga. Muito bom, leve, mas não consegui comer tudo. Era hora da sobremesa, mas não aguentei. Como Ric queria sobremesa, ele ficou com a prevista no meu menu. O garçom arrumou a mesa para os dois, "just in case", disse ele. Um detalhe raro: trocaram os guardanapos para a sobremesa. Retiraram os brancos e trouxeram novos amarelos. Veio duas mini taças com uma espécie de chocolate branco com coco, cobertos com avelãs. Ric comeu tudo, eu nem mexi na minha. Pensávamos que era minha sobremesa, mas era mais um mimo do chefe, um amouse bouche para o sabor doce. Em seguida, foi colocado em frente ao Ric um enorme prato, com vários tipos de doces feitos com chocolate, entre eles um sorvete, um mini petit gateau, uma mousse com menta no fundo. Além deste prato, um outro, com vários mini doces ficou à nossa disposição para acompanhar o café expresso. Ambos pedimos descafeinado. Curto e forte. Depois de duas horas no La Cantinella, chegou a hora de pagarmos a conta, nem tão cara como nos restaurantes em Roma e voltarmos a pé para o hotel, escolhendo um outro caminho, para ver o movimento noturno da cidade. Vimos vários jovens com fantasias, o que nos fez lembrar que é tempo de carnaval.

sexta-feira, 4 de março de 2011

FÉRIAS - DIA 7 - SEXTA-FEIRA - 04/03/2011 - ANTIGUIDADES

Sexta-feira. Último dia da companhia dos amigos de Brasília em nossa viagem. Mais uma vez programa já traçado no Brasil. Café da manhã no hotel. Táxi para o Coliseu, cuja corrida pagamos dez euros. Apesar do frio, a cidade não para. Milhares de turistas se aglomeravam na porta de acesso ao monumento mais famoso de Roma. Não há uma fila organizada. Tal como no Vaticano e em Florença, muita gente tentando ser esperta, fingindo de boba para furar a fila. Os funcionários do local ajudam a tumultuar o que já não é organizado. Em certos pontos parecia haver quatro filas para comprar bilhete na hora (há filas separadas para quem fez reserva antecipada, para grupos e para os que possuem o Roma Pass). Quando chegamos perto da bilheteria, somente três atendentes, ou seja, deveriam ser formadas três filas. Pagamos 10 euros cada ingresso. Demoramos 35 minutos na fila, tendo chegado cedo, às 10:35 horas. Quanto mais tarde se chega, maior o tempo gasto na fila. O ingresso dá direito a entrar no Coliseu, no Palatino e no Foro Romano, desde que no mesmo dia. Dentro do Coliseu, a sensação é de volta ao tempo. Um pouco de cinema na cabeça e com a história que todos estudamos nos colégios, podemos imaginar as lutas dos gladiadores naquele local. O espaço impressiona, onde cabiam 55 mil pessoas. A chuva insistia em cair, mas não atrapalhava o turismo em nada, apenas capas e guarda-chuvas a mais no espaço. Vimos objetos encontrados nas escavações (que continuam até hoje por toda Roma) no subsolo do Coliseu, com pedaços de ossos de animais, como cavalos, felinos, ursos, entre outros. Saindo do Coliseu, paramos em frente ao imponente Arco de Constantino, seguindo para a entrada conjunta do Palatino e do Foro Romano. Optamos em começar pelo Palatino com suas ruínas dos palácios imperiais. O tamanho das edificações impressiona. Muita lama no caminho, pois o chão é de terra. Neste espaço, além da Casa di Adriano, vimos também o Museu Palatino, com estátuas, partes de estátuas e pinturas em paredes e tetos encontrados no local. O local onde se plantavam as parreiras para fazer o vinho é muito bonito, hoje coberto de uma vegetação rasteira. Há uma espécie de belvedere no Palatino onde é possível ter uma vista panorâmica do Foro Romano e do Coliseu. Vale a pena e as fotos ali ficam ótimas. Descemos, em seguida, para o Foro Romano, onde no passado se concentrava a vida política, social e religiosa de Roma. Colunas de templos religiosos, como o dedicado a Saturno, arcos do triunfo, tais como o de Titus, dominam o ambiente e o conjunto de peças e ruínas é de uma beleza ímpar. Gastamos mais de uma hora e meia caminhando pelo Palatino e Foro Romano, parando para fotos, apreciando a beleza de cada pedacinho encontrado pelas escavações arqueológicas. Saímos em uma escada que dá acesso à Piazza Campidoglio, desenhada por Michelangelo. Linda, abre-se para a parte onde começa o Centro Histórico, sendo dominada pelos Museus Capitolinos (Musei Capitolini), onde não entramos (eu já os conhecia quando vim a Roma pela primeira vez). Descemos as escadas em frente à esta praça, chegando ao imponente Monumento a Vittorio Emanuelle II, todo em mármore branco, que muitos acham um horror. Realmente, é um tanto quanto over e não combina com a maravilha das ruínas que estão por todos os lados na região. Já chegava perto de duas horas da tarde e tínhamos fome. Resolvemos procurar um local para almoçar ali perto, pois eu deixara o endereço do restaurante que tinha programado no hotel. Chegamos ao The Glass Bar & Restaurant (Via di S. Eufeia, dentro do Hotel Cosmopolita). São dois pisos, sendo que no piso superior pode-se optar pelo serviço de buffet (dez euros) ou o a la carte. Não gostamos das poucas opções do buffet, fazendo nossos pedidos entre as opções do menu fixo. Escolhi como primo piatto um rigatoni alla carbonara (a massa estava ao dente, o molho não era pesado, mas exageraram na pimenta do reino) e como secondo piatto, um peito de frango grelhado, que veio acompanhado por batatas e brócolis cozidos, ambos totalmente sem sabor. Havia muitos brasileiros no restaurante. Meu amigo, dono de restaurante, disse que os brasileiros adoram a palavra "buffet"! Do restaurante, resolvemos voltar a pé para o hotel, pois estava chegando o momento de nossos amigos seguirem viagem para a Tailândia. No caminho, fomos entrando em pequenas ruas, apreciando os prédios históricos, suas fachadas, portas e janelas. Acabamos chegando na entupida Fontana di Trevi. A quantidade de turistas era um absurdo. Não sei como cabia tanta gente. Tiramos algumas fotos da fonte com a luz do dia (só tínhamos feito fotos à noite), seguindo em direção à Piazza di Spagna, onde outra multidão de turistas estava subindo e descendo a Scalinata di Spagna. Pausa para fotos, com a Chiesa Trinità dei Monti dominando a paisagem ao final da escada. A chuva voltou a cair fina, o que nos motivou a apressar o passo para o hotel. Nossos amigos foram embora por volta de 17 horas. Eu e Ric resolvemos descansar e arrumar as malas, pois na manhã de sábado partiremos para Nápoles. Nesta noite de sexta-feira, despediremos de Roma em grande estilo. Temos reserva confirmada por e-mail, ainda no Brasil, e reconfirmada pelo concierge do hotel quando aqui chegamos, no restaurante Il Pagliaccio (Via dei Banchi Vecchi, 129 A), laureado com duas estrelas no Guia Michelin em sua edição italiana.
O restaurante Il Pagliaccio merece as estrelas que ostenta. Serviço primoroso, garçons falando italiano, francês, inglês, espanhol e até um português castiço. Extensa carta de vinhos. Ficamos com um Chianti Clássico, safra 1999, ao preço de 130 euros. O menu degustação tem, no mínimo, dez pratos, surpresas preparadas pelo chefe. Resolvemos não arriscar e escolher as opções do cardápio, que não são muitas. De início, além de uma variedade considerável de pães produzidos na casa e que são oferecidos sempre, todas as mesas receberam as boas vindas com um amuse bouche de espuma de mussarela, frango cozido e molho de ostras. Escolhi um primo piatto que era uma massa em forma circular, recheada com polvo grelhado, com toques de ervilha, em um caldo ralo, mas saboroso. O melhor foi o secondo piatto, carne de vitela, bem macia, acompanhada de suflê de couve-flor, endívias grelhadas, cebolas cozidas adocicadas. A carne vem com uma crosta de café e baunilha que dão o toque diferenciado no prato. Aprovadíssimo. Ainda experimentei um pedaço do pato glaceado que Ric pediu, muito bom também. Ao terminamos, incluindo o vinho, nos foi oferecido um caldo quente de pato e aipo como digestivo. Não quisemos sobremesa. Pedimos o já tradicional café curto e forte. Gentilmente, enquanto pagávamos a cara conta, chamaram um táxi para nós. Deixamos 10% da conta para os garçons, o que os deixou imensamente satisfeitos, pois nos agradeceram sem parar, levando-nos até a porta do carro. Voltamos para o hotel satisfeitos com a despedida noturna de Roma nesta temporada.

quinta-feira, 3 de março de 2011

FÉRIAS - DIA 6 - QUINTA-FEIRA - 03/03/2011 - FLORENÇA

Acordamos cedo na quinta-feira. Sete horas da manhã já estávamos tomando café, pois o passeio do dia seria em Florença. Pegamos um táxi do hotel até a estação Roma Termini, onde nosso trem sairia às 08:33 horas (de fato, o trem saiu na hora marcada no bilhete). Os bilhetes foram comprados ainda no Brasil. Antes do embarque, foi necessário convalidar o bilhete em uma máquina amarela posicionada em vários cantos da estação. O trem estava lotado. Após uma hora e meia de viagem, chegamos à estação Firenze Santa Maria Novella. Na própria estação, compramos um mapa para nos localizar na cidade. O frio estava de matar. No caminho, Ric teve que parar em uma loja para comprar uma blusa de frio (na verdade um abrigo impermeável, corta vento), uma toca e luvas. Devidamente agasalhados, com um vento que dava uma sensação de frio muito maior, nos dirigimos para a Galleria dell'Accademia, pagando 6,50 euros cada ingresso. A intenção era ver a obra-prima de Michelangelo, a belíssima estátua de David. Passamos rapidamente por outras salas, parando na loja para comprar algumas lembranças estampados com David. Depois de pagar e sair da loja, a mulher que me atendeu foi correndo me procurar. Ela tinha cobrado um lápis que eu havia escolhido e não o tinha colocado em minha sacola. Achei muita gentileza e honestidade da parte dela. Visto o David original, fomos para o famoso Duomo, com exterior belíssimo e um interior muito simples, se compararmos com outras igrejas de Roma e com a sua própria fachada. Lembramos que um amigo tinha falado que a vista do alto do campanário era sensacional. Resolvemos pagar a entrada de 6 euros e encarar o desafio de subir 414 degraus sem elevador. Foi difícil chegar ao topo, mas valeu a pena, a vista realmente é de tirar o fôlego. Vimos uma grande parte da cidade do alto. O vento cortava de tão gelado. Para descer, minhas pernas não queriam obedecer minha mente. Já na rua novamente, a fome apertou, pois tínhamos tomado café da manhã muito cedo. Partimos para o almoço no Antico Ristoranti Paoli (Via del Tavolini, 12 R). Não tinha ninguém nas mesas. O atendimento foi cordial. Nas paredes, várias pinturas murais relembrando uma antiga Florença, da época do Renascimento. As cadeiras não são confortáveis. Pedi como entrada uma salada de alcachofras, alface e queijo grana padano. Simples e deliciosa. Como prato de fundo, uma lasanha de beringela que chegou fumegando e estava deliciosa. É uma das especialidades da casa, que também serve a famosa tripa florentina (dobradinha), que um dos amigos pediu e aprovou. Como sobremesa, comi uma pera cozida, leve e saborosa. Alimentados, fomos conhecer a Piazza della Republica, quando começou a chover. Entramos em uma loja de departamentos para fugir do frio. Demoramos cerca de vinte minutos na loja, voltamos para a praça e saímos andando pelas ruelas, parando no Mercado Nuovo, onde há um chafariz em bronze no formato de um javali que, segundo a lenda, quem toca em seu focinho, terá sorte e voltará à cidade. Continuamos a caminhada a pé até a Piazza della Signoria, onde se destacam a Fontana di Netuno, a cópia da estátua de David, esta muito fotografada, pois a original não é permitido fazê-lo, a Loggia dei Lanzi e o Palazzo Vecchio. Continuamos a caminhada até o Rio Arno, onde tivemos um bela vista da Ponte Vecchio, hoje repleta de joalherias. No caminho até a ponte, vimos um curiosa "instalação": vários cadeados fechados em uma corrente e entre eles, com as iniciais ou nomes de casais. É uma simpatia segundo a qual o casal que ali coloca um cadeado ficará junto e feliz para sempre. Atravessamos a Ponte Vecchio em direção ao Palazzo Pitti, onde decidimos comprar o ingresso de 10 euros que dava acesso ao famoso Giardino di Boboli, além dos museus de porcelana e da prataria. Na bilheteria, tivemos que nos impor, pois um casal de franceses e duas mulheres inglesas tentaram furar a fila (depois dizem que brasileiro é que gosta de fazer isto!). Ao comprar o ingresso, fomos avisados que tínhamos apenas uma hora e meia para vermos tudo, por isso iniciamos pelo íngreme jardim (era nosso dia de exercitar as panturrilhas!). Realmente é muito bonito o jardim, bem cuidado, cheio de estátuas e bustos. Não conseguimos chegar ao belvedere, pois o forte que lhe dá acesso estava fechado. A chuva voltou a cair, motivo pelo qual descemos em direção ao prédio do palácio, mas não houve tempo para conhecermos os museus, já que a última admissão é às 17 horas. Restou-nos voltar a perambular pelas ruas da cidade, passando pelas lojas de grifes, incluindo Gucci e Salvatore Ferragamo, ambas nascidas na cidade (A Pucci também é de Florença, mas não vimos nenhuma loja dela em nosso caminho). Paramos para esquentar o corpo, tomando um cappuccino no Caffè Astra, localizado bem próximo ao Duomo, para onde voltamos para observar as portas de bronze retratando cenas bíblicas do Battistero. Lindo trabalho artístico, todo ele em alto relevo. Já escurecendo, caminhamos até a estação para pegarmos o trem de volta à Roma. Marcado para 19:10 horas, atrasou em cinco minutos. Mesmo com um atraso tão pequeno, os paineis informavam este atraso. Trem lotado, com onze vagões. Praticamente dormi todo o trajeto de volta. Ao sairmos de Roma Termini, pegamos um táxi (há dezenas deles na porta, mas sem muita organização) e voltamos para o hotel, onde tivemos uma hora para tomar um banho relaxante, descansar um pouco, trocar de roupa e sair para comer nossa primeira pizza na cidade desde que chegamos à Itália. Escolhemos a indicação de um guia direcionado aos amantes da arquitetura, o 'Gusto (Piazza Augusto Imperatore, 9), um local cheio, que fecha tarde, com decoração moderna, reunindo no mesmo espaço uma pizzaria, um restaurante, uma loja de queijos, uma livraria e uma enoteca. O atendimento é informal, o local é frequentado por pessoas jovens, há música ao vivo em volume alto, a carta é enxuta, com poucas opções de sabores de pizzas. Para acompanhar a pizza de beringela e mussarela de búfala com molho de tomate que pedi, bebemos um vinho tinto Rosso de Montalcino. Continuei preferindo as feitas no Brasil. Saímos para caminhar a pé até a Piazza del Poppolo, onde pegamos um táxi de volta para o hotel. Fim de um dia longo, cansativo, frio, mas agradabilíssimo.

quarta-feira, 2 de março de 2011

FÉRIAS - DIA 5 - QUARTA-FEIRA - 02/03/2011 - VATICANO

Acordei mais tarde na manhã desta quarta-feira. Amanheceu com céu parcialmente encoberto. Descemos para o café da manhã um pouco mais tarde, por volta de 10:00 horas. Primeiro dia sem os remédios para emagrecer. Comi o mesmo tanto que vinha comendo. Acho que os remédios tem um efeito depositário. Estou me sentindo muito bem, com as roupas já totalmente soltas em meu corpo (em 45 dias de dieta, emagreci 10 quilos). Quero manter o peso com o qual viajei para retornar ao processo de emagrecimento ao final das férias. Enquanto estávamos ainda no café da manhã, o tempo fechou. Tomamos a decisão mais acertada, ou seja, era o momento de irmos a algum lugar fechado, sem ficar andando pelas ruas como no dia anterior, quando ficamos completamente ensopados. Pegamos um táxi na porta do hotel direto para  ver as várias obras dos Museus do Vaticano (Musei Vaticani). A corrida ficou em 13 euros. Chegamos antes do meio dia. Aconselha-se a chegar neste museu (são vários museus em um único prédio) ainda pela manhã, pois costuma-se formar fila enorme após o almoço. Há passagem obrigatória dos pertences em raio X. A bilheteria para quem vai comprar bilhete individual fica dois níveis acima da entrada. O ingresso único custou 15 euros para cada um. Como o lugar é muito grande, decidimos previamente o que queríamos ver: a Capela Sistina e os aposentos de Júlio II, redecorados por Rafael (Raffaello) no século XVI. Hoje o local destes aposentos se chama Stanze Raffaello. É fácil andar no museu, pois ele é bem sinalizado, principalmente em relação à sua atração principal, ou seja, a Capela Sistina. Começamos por ver parte dos famosos Jardins do Vaticano (Giardini Vaticani) de um dos terraços do museu, para em seguida, entrarmos em um amplo jardim de inverno, chamado Cortile della Pigna. Uma beleza o lugar. A partir dele, seguimos as setas para a famosa capela. Passamos por corredores e ambientes surpreendentes, como a Galleria delle Carte Geografiche, com vários mapas de regiões da Itália nas paredes, em um grande corredor de mais de cem metros. Mas o que mais impressiona neste corredor é o teto. Os mapas também são do século XVI. Logo a seguir a esta galeria, um escuro ambiente, com maravilhosos tapetes do século XVI com motivos religiosos. Não deixamos passar em branco a imensa coleção de estatuária greco-romana, com grandes sarcófagos em mármore, lindamente decorados, até chegarmos à Capela Sistina, um trabalho primoroso de Michelangelo, que demorou quatro anos para ter concluídas suas pinturas. Era a segunda vez que eu ia à esta capela, mas confesso que desta vez ela me impressionou mais. Na primeira, era verão, o museu estava cheio demais e na capela era quase impossível de se andar. Agora, pude ver cada detalhe das pinturas no teto e nas paredes laterais. A famosa pintura de Deus criando Adão é muito pequena e fica no meio de um emaranhado de afrescos no teto. O mais impactante para mim é a parede que retrata o Juízo Final. Impressionante a capacidade deste grande artista do Renascimento italiano. Fizemos uma grande volta para chegarmos às Stanze di Raffaello, incluindo uma passagem por galerias e ambientes já vistos. As pinturas nas paredes e no teto são impressionantes. Não tem como não apreciar "A Escola de Atenas", ou "O Incêndio na Cidade". Raffaello era outro gênio. Fizemos uma passagem meteórica pela coleção de arte contemporânea, a parte mais vazia do museu, com quadros de Marc Chagall, Lucio Fontana, Salvador Dalí, entre outros. A saída é outro ponto forte do museu. A escada que temos que descer é suntuosamente decorada em sua borda, tendo o formato de um caracol. Todos os turistas param para fotografar a escada do alto, fazendo aquele efeito que Hitchcock tornou famoso em seus filmes. Quando saímos, a chuva insistia em cair. A pé, margeando o grande muro que cerca o Vaticano, chegamos às arcadas da impressionante Piazza San Pietro, projeto de Bernini do século XVII. Mesmo com chuva, não há como não andar por toda a sua extensão, vendo as duas fontes laterais, o grande obelisco, as colunatas de ambos os lados e a enorme Basílica de São Pedro ao fundo. Depois de fotos e mais fotos na praça, entramos em uma desorganizada fila para entrar na Basílica. Tivemos que empurrar algumas pessoas que insistiam em entrar em nossa frente. Embora grande a fila, ela andava rápido. O motivo desta fila é o controle para entrada na Basílica. Os pertences tem que passar pelo raio X. A entrada somente para a Basílica é gratuita. Logo à direita de quem entra, outra obra clássica de Michelangelo, "Pietà", protegida por um vidro, pois já foi alvo de um vândalo. A cena que se vê é parecida com a "Mona Lisa", de Leonardo Da Vinci, no Museu do Louvre, em Paris: muita gente se espremendo e se empurrando para tirar uma foto. Fizemos o mesmo. O interior da Basílica é impressionante e quanto mais se adentra, mais sentimos seu esplendor. Muito mármore no chão, nas paredes e nos nichos. O baldaquino central é de tirar o fôlego de tão belo, mais uma obra de Bernini. Michelangelo é o responsável pela construção da cúpula deste templo religioso. Há muitos detalhes para se ver. O púlpito relicário de bronze que protege o trono de São Pedro é outra obra de Bernini, mas tivemos que apreciar de longe e sem iluminação. Para nossa sorte, enquanto observávamos alguns detalhes, um grupo de freiras teve acesso ao local onde fica o púlpito e as luzes se ascenderam, provocando uma corrida para filmagens e fotos. Realmente é de uma beleza incrível. Outro detalhe são os turistas que colocam a mão no pé direito da estátua medieval de São Pedro. Ric fez o mesmo, fazendo questão de tirar uma foto. Algumas partes da Basílica estão em obras de restauração, oportunidade para se ver o trabalho minucioso destes artesãos que preservam a arte universal. Passando por uma fonte linda com água benta, peguei um pouco e passei no meu rosto. A fome apertou. Eram mais de 15:30 horas. Era hora de sair. Lá fora, mais frio e chuva fina. Descemos pela lateral direita da Basílica, vimos dois guardas da Guarda Suíça, responsável pela segurança local, com seu uniforme característica escondido debaixo de capas de chuva, mas vimos o final das calças justas no corpo com listras verticais nas cores laranja e azul marinho. Na Praça de São Pedro, tiramos mais fotos. Decidimos procurar um restaurante nas redondezas, pois a região é cheia de turistas, assim a possibilidade de achar algo interessante aberto era grande. Andamos um pouco até a movimentada Piazza Risorgimento, onde achamos um café que tinha lugar no interior. Entramos e uma simpática atendente nos colocou em uma mesa. Percebendo que falávamos português, disse que era cunhada de um brasileiro. O restaurante é o Ris Café (Piazza Risorgimento, 16). Foi-nos oferecido dois cardápios, um tradicional e outro dito especial. Ficamos no segundo. Os quatro pediram a mesma entrada, uma simples, mas bela e saborosa, Salada Caprese (a mussarela de búfala estava macia, fresquinha, uma delícia). Cesta de pães veio a mesa. Como prato principal, escolhi um peito de frango grelhado com vegetais, também feitos na grelha. Os vegetais estavam mais saborosos do que o frango, que veio muito branco, mas bem temperado. Os vegetais eram beringela, abobrinha e pimentões. Todos apenas grelhados, quase crus, temperados apenas com azeite e sal. Muito bons, por sinal. O café expresso foi o mais curto e forte que tomamos até aqui. Também foi o restaurante mais barato em que comemos nestes três dias de estadia em Roma. Pegamos um táxi de volta para o hotel, pagando 10 euros pela corrida. Preferimos não mais sair, pois queríamos descansar um pouco para aproveitar o jantar no único restaurante com três estrelas em Roma concedidas pelo Guia Michelin. Fiz a reserva por e-mail, ainda no Brasil, recebendo a confirmação rapidamente. Por via das dúvidas, pedi ao concierge do hotel para reconfirmar, o que foi feito na terça-feira. Inicialmente, somente eu e Ric iríamos, pois nossos amigos não trariam na bagagem nenhum blazer, nem sapatos, exigências do code dress do restaurante. No entanto, eles acabaram trazendo. Pedi na manhã desta quarta-feira ao concierge que consultasse ao restaurante a possibilidade dos amigos se juntarem a nós na reserva e se podiam ir de jeans. Ambas as respostas foram positivas. Todos iremos ao La Pergola (Via Alberto Cadlolo, 101 - Roma Cavalieri Waldorf Astoria Colection Hotel) na noite desta magnífica quarta-feira.
Pegamos um táxi para o restaurante por volta de 20:40 horas. Ele fica em outro ponto da cidade, no alto de um morro, com belíssima vista de Roma e do Vaticano. O La Pergola fica no nono andar do Roma Cavalieri Hotel. Não estava cheio. A decoração é um tanto quanto over, com muito vermelho e dourado, especialmente os talheres e baldes de gelo. São três salões, com uma parede toda envidraçada, com deslumbrante vista da noite romana. Nossa mesa, já reservada, não ficava perto do vidro, mas tínhamos uma boa visão. Serviço impecável, com todos os garçons falando em inglês e tirando todas as nossas dúvidas. Pedi um Brunelo di Montalcino, safra 2008, muito bom, mas não me recordo a vinícola. Lembro-me do preço: 100 euros. Serviram um amuse bouche, o tira gosto de boas vindas do chef, vongole levemente cozido no vapor com croutons, gelatina de aipo e espuma de cenoura. Ótimo sabor. Pães eram oferecidos sem parar. Primeiro restaurante que nos ofereceu junto com os pães uma deliciosa manteiga, azeite especial da Toscana, sal branco do Hawaí e sal negro da Sicília. Molhar o pão no azeite e no sal é uma ótima pedida. Como primeiro prato, pedi flor de abobrinha frita com vongole e caviar ao molho de açafrão. O prato já é belo de se olhar. A delicadeza da flor de abobrinha e a mistura de sabores do caviar e do molho de açafrão foram de comer ajoelhado. Divina experiência. Antes do prato de fundo, o chef nos brindou com um outro primeiro prato, como os italianos costumam chamar. Foi um espaguete ao dente com molho leve de queijo e pimenta do reino, com pequenos camarões marinados em limão siciliano. O prato consta do cardápio, mas não nos foi cobrado. Gentileza do chef. Como viram que eu anotava tudo e tirava fotos dos pratos, talvez tenham pensado que eu era algum gourmet que escrevia sobre gastronomia. Percebi que nossa mesa era a mais paparicada de todas. Esta oferta também estava deliciosa. Como prato de fundo, pedi uma vitela recheada com pinhões secos e cebolas cozidas com radicchio. Carne macia, tenra, cuja harmonia com o sabor forte da cebola e do radicchio ficou perfeito. Há mais de cinquenta dias não comia carne vermelha, nem bebia vinho. Foi uma ótima pedida voltar a provar estas duas iguarias em um restaurante tão bom, além da ótima companhia de Ric e de nossos amigos de Brasília. Ainda pedimos a sobremesa. O meu pedido foi uma surpreendente bola de suco de romã gelado. Uma bola oca, apenas uma casca fina. Fiquei curiosa como a faziam. Embaixo da bola, um creme de avelã. Fechei com chave de ouro a noite. Ainda vieram docinhos variados em uma mini cômoda de metal, cheia de gavetinhas. Em cada gaveta, um docinho diferente. Também nos levaram uma caixa cheia de chocolates variados para acompanhar o café. Pedi um expresso descafeinado. Veio como se bebe em Roma, curto e forte. A conta foi cara, mas valeu a pena ter esta experiência. Ainda tivemos a visita do chef alemão Heinz Beck, muito simpático e cortês, nos desejou uma ótima férias na Itália. Foi o primeiro restaurante três estrela do Guia Michelin que eu fui na minha vida. Voltamos para o hotel de táxi. Mais uma bela jornada encerramos em Roma.

terça-feira, 1 de março de 2011

FÉRIAS - DIA 4 - TERÇA-FEIRA - 01/03/2011 - ANIVERSÁRIO, CAMINHADA, CHUVA, FRIO E CULTURA

Acordei cedo. 7:30 h já estava de pé, desfazendo a mala. Tínhamos combinado de nos encontrar para tomarmos o café da manhã juntos às 9:30 horas. Encontramos com os amigos no horário combinado. Um deles completava 42 anos. Abraços, presente, bolo surpresa, parabéns para você cantado em alta voz e uma vergonha estampada no rosto do aniversariante. O café da manhã do Sofitel Villa Borghese é farto, com muitas opções de frutas, queijos, pães, doces, sucos, iogurtes, croissants, ovos, linguiças, frios, geleias e afins. Pedi um chocolate quente. Veio chocolate diluído em água. Um horror. Pedi para trocar e fui prontamente atendido. O tal chocolate servido inicialmente era feito em máquina. Trouxeram-me uma jarra maior, preparado na hora, com leite. Adorei. Saímos bem agasalhados, com guarda-chuvas, pois o dia seria longo, como o foi, com muito frio e uma insistente chuva após 15 horas. Mas não desistimos, andando a pé pelo centro histórico de Roma conforme havíamos traçado no roteiro do dia. Nossos amigos tiveram que parar para comprar guarda-chuvas quando a chuva apertou. O dia foi cansativo para o corpo, mas foi um banho de cultura para a alma, uma excelente gastronomia tanto no almoço quanto no jantar, ótima companhia, muita diversão, mas momentos de reflexão nos diversos templos religiosos que entramos. Passamos ziguezagueando por ruelas, becos, passagens escuras, praças grandes e pequenas, feiras, igrejas, ruínas seculares, trânsito caótico, apreciando obras de arte de artistas do quilate de Rafael, Michelangelo, Caravaggio e Bernini. Entrei, pela primeira vez na vida, em uma sinagoga, diga-se de passagem, a maior da Europa, pois foi em Roma que os judeus primeiramente se instalaram logo após a tomada de Jerusalém pelos gregos. Detalharei o dia com fotos que aqui postarei. A gastronomia também foi excelente. Almoçamos em um restaurante escondido, próximo ao Rio Tevere e à Sinagoga chamado Piperno (Via Monte dè Cenci, 9), difícil de achar, mas um local que vale a pena conhecer. A sua especialidade são as alcachofras e a culinária é definida como judaica-romana. A decoração é duvidosa, com feltro verde idêntico aos de mesa de sinuca nas paredes e quadros escuros em todos os cantos, mas o atendimento é eficiente, falam inglês, o serviço é rápido. Como todos os restaurantes em Roma, ele fecha cedo, funcionando para almoço de 12:00 às 15:00 horas, mas os pedidos devem ser feitos, no máximo, até 14:30 horas. De entrada, pedimos duas das especialidades da casa: alcachofra à moda judia (são assadas, com pouco tempero e muito macias, a porção vem com duas delas) e flor de abobrinha empanada frita com flor de sal (são cinco na porção). Nunca tinha experimentado esta flor de abobrinha e estava divina, mesmo com a pimenta do reino acima do que gosto. Um toque especial é o queijo que é frito enrolado na abobrinha, dando um sabor diferenciado e sendo uma surpresa para o paladar, já que ele fica por dentro do empanado. Para beber, água San Pellegrino. Aprendemos a pedir uma só garrafa, pois sempre colocam o maior tamanho na mesa. Escolhi um risoto pescatore como prato de fundo. Bem servido, vem com muitos frutos do mar, embora alguns eu não tenha identificado facilmente. Neste prato, a pimenta do reino também era destaque, mas não comprometeu os sabores característicos de lulas e afins. O arroz usado no risoto não era o arbóreo, mas sim o carnelori, mais consistente. Não pedi sobremesa e nem experimentei nada do que os demais pediram. O café expresso, como em todo local na cidade, é curto e bem forte. Para o jantar, já tínhamos, desde o Brasil, reserva confirmada por e-mail, no restaurante Casa Coppelle (Piazza delle Coppelle, 49), também no Centro Histórico. Local cheio, grande, bem movimentado. Um grande quadro negro está na parede do bar, mostrando as especialidades da casa. Um desenho de um coração e as letras R & O servem de assinatura para o cardápio escrito na lousa (iniciais de Rachelle, uma francesa que adotou Roma como lar, e Omar). As paredes são de tijolo à vista, com quadros de fotografias e alguns objetos pendurados, lembrando um pouco a decoração do Gero, em suas três unidades brasileiras. A especialidade da casa são pratos da culinária italiana, sem se esquecer da França, terra natal da proprietária, muito simpática, por sinal. Carta de vinhos italianos extensa e com ótimos preços. Embora ainda sem beber, escolhi um excelente Pio Cesare Dolcetto d'Alba 2008 para os amigos. O aniversariante do dia não bebeu. De entrada, fomos de duas porções de bruschettas (cinco unidades em cada), com diversos recheios, incluindo uma com presunto de Parma. Experimentei a de tomates que estava divina. Os pães oferecidos à mesa são todos de fabricação própria. De prato principal, pedi outro risoto, também com o arroz carnelori, de vinho e orégano. Combinação diferente, mas que harmonizou bem no paladar. Gostei muito. Fiquei, novamente, sem experimentar sobremesa. Pedimos um táxi para voltarmos ao hotel e fomos prontamente atendidos. Terminamos nossa segunda noite na cidade cansados, mas exttremamente felizes com nosso dia, mesmo com toda a chuva que tomamos no final da tarde e com roupas penduradas em todos os pontos possíveis no quarto para secarem. Durante todo o dia conhecemos a Piazza del Parlamento com o Palazzo di Mntecitorio, a Chiesa Sant'Agostino, parcialmente em obras (algo bem comum em Roma), onde um belíssimo quadro na primeira capela à esquerda chama a atenção pela técnica do claro-escuro utilizada. É a obra "A Madona dos Peregrinos", de Caravaggio. Em seguida, visitamos outra igreja, a Chiesa San Luigi dei Francesi, maior do que a primeira, com três quadros de Caravaggio, mas em restauração. Estavam expostas três reproduções destes quadros logo na entrada. Tínhamos que ser rápidos, pois já passava do meio dia e a maioria das igrejas em Roma fecha às 12:30 horas, só reabrindo a partir das 16:00 horas. Seguimos para a Piazza Navona, onde está o Palazzo Pamphili, sede da Embaixada do Brasil (vista apenas da sua fachada). O trânsito estava impedido nas ruas ao redor da praça, onde há várias opções de bares e restaurantes. No centro, sua grande atração, uma grande fonte projetada por Bernini, a Fontana dei Quattro Fiumi (Fonte dos Quatro Rios). São muitos os turistas que fazem inúmeras poses para fotos nos diversos lados desta fonte. Em frente, ao lado da embaixada brasileira, fica a Chiesa de Sant'Agnese in Agone, com belíssimo interior em formato de círculo e um domo dominando a cena. Em uma capela na sacristia está o crânio de Sant'Agnese. Seguimos para outra igreja, desta vez a Chiesa Santa Maria della Pace, mas só a vimos pelo lado de fora, já que estava fechada e não abre todos os dias (às terças, ela não abre). Pelas pequenas ruas do centro, chegamos a uma movimentada avenida, a Corso Vittorio Emanuele II, onde está outra igreja que visitamos só por fora, a Chiesa Nuova. Seguimos em direção ao Rio Tevere, para conhecer o famoso Campo dei Fiori, uma grande praça onde ocorre uma disputada feira de flores e alimentos. Logo ao lado, fica a Piazza Farnese, onde um prédio chama a atenção, embora não tão bonito quanto o da embaixada brasileira. É o Palazzo Farnese, sede da Embaixada da França. Enquanto a do Brasil é em estilo barroco, este prédio tem sua fachada no estilo renascentista e teve como um dos arquitetos, Michelangelo. A fonte desta praça estava em reparos. Parada estratégica para um café no Café Farnese, em uma das esquinas da praça, seguindo nossa caminhada, passando por toda a extensão do Campo dei Fiori, até chegarmos a uma estreita e escura passagem, onde outrora funcionava o Teatro di Pompeo. Mais algumas vias e ruelas, deparamos com a Area Sacra Argentina, ruínas antigas dos tempos dos imperadores, em eterna escavação, e com entrada interditada. É uma grande área retangular que podemos apreciar por todos os lados. O curioso é a quantidade de gatos no local, alguns com defeitos físicos (vimos dois bem alimentados gatos com apenas três patas). Lendo os guias, tive a informação que ali perto funciona uma espécie de orfanato destes bichanos. Seguimos em direção à Piazza della Rotonda, onde uma outra fonte a enfeita, mas seu destaque é o prédio circular datado do ano 118-125, o Pantheon, hoje uma Basílica. Sua abóboda é impressionante e há uma espécie de claraboia no teto que deixa a luz natural entrar. Além de muito mármore no piso e nas laterais, chama atenção também alguns túmulos que ali se encontram. Vimos dois deles que continham os restos mortais dos reis Umberto I e sua mulher, o de Vittorio Emanuelle II. Também estão no local os restos mortais do pintor Rafael, mas este não vimos. Na saída, deparamos com uma sessão de fotos inusitada: mulher vestida de noiva, com os ombros à mostra, mesmo com o frio de dez graus que fazia e dois homens vestidos com roupas de antigos centuriões. A fome apertou, além do horário indicar que era hora de procurar o restaurante que tínhamos escolhido. Piperno, já explicado em texto acima. Ao sair do restaurante, uma fina chuva começou a cair, levando a temperatura mais para baixo. Já que estávamos ao lado do rio, fomos tirar algumas fotos. Saímos bem em frente à única ilha do rio, a Isola Tiberina, mas não atravessamos a ponte. A região conhecida como Trastevere faz parte de outro roteiro. Voltamos em direção à Sinagoga. Toda cercada, com policiamento constante, tive a minha mochila revistada. Paga-se 10 euros para entrar, com direito a visita ao museu hebraico (Museo Ebraico di Roma), com sete salas. O destaque é a maior coleção do mundo de capas e tecidos para guardar o Torha e a Arca Sagrada. O ingresso dá direito a uma visita guiada (há em italiano e em inglês) ao Tempio Spagnolo (Templo Espanhol) e ao Tempio Maggiore (a Sinagoga principal da Itália).  Para entrar em ambos os templos, os homens devem colocar o quipah, aquele círculo de pano na cabeça. Como eu estava de chapéu, fui o único que não precisou colocar. Todos os judeus de Roma são ortodoxos, motivo pelo qual os homens sentam separados das mulheres. Na Sinagoga, que acomodam sentadas 800 pessoas, os homens ficam na parte de baixo e as mulheres nas três galerias superiores. Ao terminar a visita, a chuva era forte. Meus amigos tiveram que parar em uma loja de souvenir para comprar dois. Estávamos diante das ruínas do Teatro di Marcelo e da Porta de Octavia. É uma construção imponente, lembrando o Coliseu, mas em escala menor. Com enxurradas descendo as ruas, carros e pedestres se confundindo nas estreitas vielas, entramos no Centro Histórico novamente, conhecendo a Piazza Campitelli, onde funciona uma biblioteca pública, com várias esculturas antigas em seus vãos. Já escurecendo (embora o relógio marcava 17:00 horas), procuramos a Piazza Mattei, onde fica uma curiosa fonte: Fontana delle Tartarughe. Bem conservada, a curiosa escultura tem quatro pequenas tartarugas em cima, como se estivessem tentando entrar na bacia sustentada por estátuas de mulheres. A nossa próxima parada foi a Chiesa Il Gesù, onde, por sorte, pegamos uma belíssima apresentação gratuita de suas obras, um show de som e imagens. A igreja é a mais bonita que entrei no dia. Belíssimo teto. Há um grande espelho posicionado diagonalmente ao chão, nos permitindo ver detalhes do teto sem ficar forçando a cabeça para cima. Faltava apenas uma igreja para terminar o roteiro do dia. Seguimos para a Piazza Minerva, onde há uma estranha escultura de Bernini ao centro: um elefante sustentando um obelisco. A igreja é a única em estilo gótico na cidade, a Chiesa Santa Maria sopra Minerva, com três destaques. A última capela à direita possui um belíssimo afresco de Filippino Lippi, à esquerda do altar principal, está a escultura Redentore (Cristo), de Michelangelo, sensacional. Ela fica mais nítida se colocamos uma moeda de cinquenta centavos de euro em uma máquina ao lado, pois um foco de luz ilumina a escultura por um minuto. Na capela à esquerda desta obra de Michelangelo, está o túmulo do Beato Angelico, o famoso frei que também pintava, cuja principal obra está no Museu do Prado, em Madri (se não me falha a memória). Ele era conhecido como Fra Angelico. Com esta visita, terminou nosso roteiro. Debaixo de uma chuva torrencial, não achamos táxi, voltando a pé para o hotel, subindo, com pernas e pés cansados, a Scalinata Di Spagna. Descansamos por quase duas horas, quando nos arrumamos para o jantar no restaurante Casa Coppelle, novamente no Centro Histórico, onde comemoramos, mais uma vez, o aniversário de nosso amigo.


Palazzo Montecitorio - Piazza del Parlamento


"A Madona dos Peregrinos" - Caravaggio - Chiesa Sant'Agostino


Detalhe na fachada da Chiesa San Luigi dei Francesi


Detalhe da Fontana dei Quattro Fiumi - Piazza Navona


Detalhe do piso da Chiesa Sant'Agnese in Agone - Piazza Navona


Fonte em frente à Embaixada do Brasil - Piazza Navona


Beco no Centro Histórico


Fachada da Chiesa Santa Maria della Pace


Barraca de flores no Campo dei Fiori


Palazzo Farnese - Embaixada da França


Area Sacra Argentina


Pantheon


Brasil e Argentina juntos na lateral de um bonde


Entrada do Restaurante Piperno


Rio Tevere


Teatro di Marcelo


Fontana delle Tartarughe - Piazza Mattei 


Túmulo de Fra Angelico - Chiesa Santa Maria sopra Minerva


"Redentor" - Michelangelo - Chiesa Santa Maria sopra Minerva


Interior do Restaurante Casa Coppelle

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

FÉRIAS - DIA 3 - SEGUNDA-FEIRA - MAU AGOURO

O restante do voo transcorreu tranquilamente. Quanto ao livro, ainda não foi desta vez que consegui terminar a leitura. Tomei o café da manhã, arrumei as minhas coisas, pois a aterrisagem estava próxima. Chegamos à ponte de desembarque em Frankfurt às 15:40 horas, horário local (quatro horas a mais do que no Brasil). Fomos um dos primeiros a sair do avião, já que os passageiros da classe executiva desembarcam na frente. No final da ponte, vários funcionários da TAM com listagens nas mãos. Fui abordado por uma das funcionárias que perguntou qual era minha conexão (a impressão que tive é que a maioria dos que ali desembarcavam não tinham a cidade de Frankfurt como destino final). Respondi que meu voo era o Lufthansa LH 236, com destino a Roma. Ela sorriu, me dizendo que aquele voo acabara de decolar, mas que eu não me preocupasse, pois já estávamos acomodados no próximo voo disponível da mesma companhia aérea. Era o LH 238 e sairia às 16:45 horas daquele mesmo Terminal 1, ala B, portão 12. Perguntei o horário de chegada em Roma, já que tinha contratado um traslado do hotel e teria que avisar das alterações. Parece que dei um nó na cabeça dela, mas ela fez algumas ligações, sempre falando com a Lufthansa, mas não obteve a resposta. Ligou, então, para a TAM e descobriu meu novo horário de chegada em Roma: 18:30 horas. Indicou a direção que deveríamos seguir, orientando-nos para apressar o passo, pois tínhamos que indicar para alguém da Lufthansa no portão de embarque da necessidade de colocar nossa bagagem no novo voo. Perguntei porque a TAM já não tinha feito isto, mas, segundo ela, a responsabilidade era da Lufthansa. Praticamente corremos, seguindo a indicação para a ala B. Chegamos enfim, ao controle de passaportes, onde uma fila nos aguardava. A fila não era grande, mas era lenta. Via de longe que os policiais da imigração faziam muitas perguntas aos passageiros. Achei engraçado que um dos policiais chegou a cheirar o passaporte de uma asiática. A orientação era que fosse um de cada vez. Pedi ao Ric que fosse na minha frente, pois ele não fala nenhuma língua. Caso precisasse, eu estaria em seguida para ajudar. O senhor perguntou a ele qual era o seu destino final. Ele fez cara de paisagem. Respondi, de longe, que era Roma. Ele me perguntou, em inglês, se estávamos juntos. Ao responder afirmativamente, diferente da imigração americana, ele disse que podia passar junto com Ric. Pediu nossa passagem aérea de retorno, verificou-a, carimbou nosso passaporte e nos liberou. O relógio indicava 16:10 horas, faltando apenas dez minutos para o novo embarque. Ao sair do controle de passaportes, ficamos perdidos, assim como outros passageiros, pois não havia mais placa indicando a ala B. As indicações apontavam para as alas A, C e D. Desci as escadas rolantes, vendo a indicação de onde teríamos que ir. Corremos, apresentando nosso cartão de embarque. Uma mulher mal educada nos disse, em um parco inglês, que nosso voo estava encerrado. Eu respondi dizendo que houve uma reacomodação de voo, mas ela foi irredutível, não nos deixando passar com aquele cartão de embarque (veio a pergunta em minha mente: porque a TAM já não tinha providenciado novos cartões de embarque, já sabendo do atraso?). Um outro funcionário, vendo o desespero em meu rosto, me disse para procurar o balcão da Lufthansa, próximo de onde estávamos. Corremos para lá. Havia muitos guichês, quase todos vazios. O primeiro em que vi alguém, fui logo me aproximando, mas fora da área demarcada com aquelas fitas que delimitam as filas. A funcionária da Lufthansa, muito grosseira, disse que estava no local errado. Uma outra moça, também da mesma companhia, indicou-me um outro guichê. Enfim, estávamos no local certo, mas o relógio corria contra nós: 16:30 horas. Tivemos que fazer novo check in. Não achavam nossos nomes no tal voo indicado pela TAM. A atendente não conseguia ler o número do e-ticket no cartão de embarque que entreguei a ela. Foi preciso eu entregar o resumo da viagem, onde tinha o tal número legível. Ela trocou os cartões de embarque, perguntando sobre as nossas bagagens. Disse que fui informado que a Lufthansa teria que adequar o sistema para colocá-las no novo voo. Ela simplesmente pegou as etiquetas de bagagem e passou-as na leitora ótica. Perguntei se daria tempo. Ela disse que sim. Argumentei que tinha remédios na mala que precisava tomar, na esperança de ela pegar um rádio, como se faz no Brasil, para comunicar com alguém do setor de bagagens e alertar para esta troca em cima da hora, mas ela nada fez. Ao contrário, mandou eu me apressar, pois perderia o voo. Corremos para a ala B, em direção ao portão 12. Ainda nos aguardava nova fila, a do raio X. Foram os dez minutos mais longos de minha vida. Tive que tirar cinto, casaco, todas as carteiras do bolso, tirar o notebook da mochila e os líquidos que carregava em saco plástico adequado, para então passar pelo portal. Nenhum apito, mas houve uma certa demora na passagem na esteira de nossos pertences. Vencida esta etapa, corremos até o portão 12. Ainda recebemos uma bronca, novamente das sempre maus humoradas funcionárias da Lufthansa, porque estávamos atrasados. Era embarque remoto. O ônibus nos aguardava para sair. Aproveitei o trajeto para ligar para o hotel em Roma e informar das mudanças. Fui muito bem atendido. O voo LH 238 estava muito vazio. Quando sentei em meu lugar, uma classe executiva bem fraca, sem nenhuma diferença de tamanho ou largura de assento, mas apenas o isolamento do assento central das fileiras (três assentos de cada lado) e um serviço de bordo diferenciado, quando foi servida uma salada fria e uma sobremesa. Confesso que estava muito tenso. Fui relaxando aos poucos. Novamente peguei o livro interminável, mas ainda não consegui por a termo esta leitura. A camisa ao lado me indicava que mais coisas indesejáveis estavam por vir. Pousamos em Roma com chuva e dez minutos de atraso. Longo caminho até a esteira 8, onde estava indicado que sairiam as malas do voo proveniente de Frankfurt. Ficamos quarenta minutos esperando a mala. Quando demos conta, só restavam eu e Ric em frente à esteira. Nossas malas não apareceram. Como tive este pressentimento ainda em solo alemão, quando cheguei no aeroporto de Roma, ao checar a esteira onde retiraria a mala, verifiquei também a indicação de uma possível reclamação. Qualquer problema, deveria procurar o balcão da Flight Care Italia, em frente à esteira 6. Ric ficou, por via as dúvidas, aguardando no mesmo lugar, caso as malas aparecessem, enquanto eu fui até o balcão da companhia indicada para registrar a ocorrência de bagagem extraviada. Uma simpática atendente me acolheu, pegou os tíquetes de bagagem, fez uma única ligação, recebendo a notícia que nossas malas ainda estavam em Frankfurt e tinham previsão de chegada em Roma à meia noite. Fiquei transtornado. Ric chegou ao balcão no momento em que eu perguntava à senhora se ela acreditava em energia negativa. Ela me disse que sim. Tentando quebrar a tensão, pedi a ela uma tesoura. Ela ficou espantada. Respondi que queria picotar a camisa que Ric usava, pois ela emanava mau agouro. Em italiano, um outro atendente disse a ela que só entregariam a mala no hotel onde nós estávamos na manhã de terça-feira. Ela, pensando que eu não entenderia italiano, respondeu a ele que nós éramos passageiros de classe executiva, devendo a entrega ser feita assim que as malas chegassem. Em inglês, me disse que a previsão de entrega era para depois de meia noite e que eu deveria dar o número do segredo da mala, caso fosse necessário abrir na alfândega. Se eu não desse o número, eles não poderiam entregar a bagagem no hotel e a responsabilidade por buscar a mala no aeroporto passaria para mim. Mais que depressa informei o número do segredo das malas. Por fim, perguntei se eles não tinham um kit de sobrevivência, com pasta de dente e afins. Não tinham. Quando tive o mesmo problema, também com conexão em Frankfurt, há alguns anos atrás, recebi o tal kit. Depois de preencher um formulário com meu endereço permanente no Brasil e receber um comprovante de minha ocorrência, agradeci o bom atendimento que recebi. Eu e Ric fomos em direção à saída. Eu estava visivelmente nervoso. Ric disse que não confiava em conexões. então explodi e joguei toda a culpa pelos transtornos de nossa viagem até aquele momento à camisa que ele usava, uma camisa que não joguei fora porque achei que ele daria para algum parente. Saímos, encontramos o motorista que nos aguardava há mais de uma hora e fomos para o carro. O frio era intenso, 8º C. No carro, fui discutindo com Ric sobre a camisa. Ele percebeu que eu estava muito nervoso. Disse a ele que não entraria no quarto do hotel com ele usando a tal camisa. Num ato cênico, ele tirou a blusa que usava, puxou a camisa com força, arrebentando todos os botões e, em seguida, rasgou a camisa toda. O motorista deve ter pensado que éramos loucos, pois seus olhos ficaram arregalados, olhando tudo pelo retrovisor. Chegamos ao hotel Sofitel Villa Borghese (Via Lombardia, 47), onde já éramos aguardados. Expliquei o que ocorrera e os recepcionistas se prontificaram a me ajudar junto à cia aérea. Disse que não era preciso, pois houve uma promessa de entrega das malas após a meia noite. Nesta altura, Ric já havia jogado a camisa em algum cesto de lixo na recepção. Rapidamente me entregaram as chaves do quarto, indicaram o apartamento que meus amigos de Brasília estavam e nos desejaram uma ótima estadia no hotel e na cidade. Bom início de viagem, agora sem os fluidos negativos que nos acompanhavam. No apartamento, dois mimos da rede Sofitel para quem tem o status gold no cartão fidelidade A-Club da Accor. Ganhamos dois famosos sabonetes fabricados artesanalmente em Florença. Foi o tempo de um bom banho, o que ajudou a relaxar a tensão, trocar de roupa (salve salve a muda de roupa que cada um tinha na mochila), utilizar os mimos da classe executiva, especialmente pasta de dente, encontrar com os nossos amigos e sair para caminhar nas proximidades do hotel até o restaurante programado em nossa planilha. Descemos a famosa Scalinata di Spagna (Escada de Espanha), onde Ric levou um tombo, batendo a coluna no degrau, nos preocupando um pouco pelas feições de dor em sua face. Mas ele disse que estava tudo bem. Noite fria, chuva fina, mas alguns turistas tirando fotos. Entramos na famosa Via Condotti, onde estão as lojas das mais famosas grifes italianas e internacionais. Passando por ruas históricas, chegamos ao restaurante Da Mario (Via della Vite, 55), indicado em alguns dos vários guias da cidade que pesquisei. Restaurante antigo, com garçons mais velhos. Comida tipicamente italiana, decoração simples, cardápio enxuto, mas com opções do melhor da culinária do país. Carta de vinho extensa, com preços bem baratos, se comparados aos praticados no Brasil. Pedimos o antipasto da casa. Somente dois queriam beber vinho. Eu ainda estou tomando remédios, assim, tenho a possibilidade de beber somente a partir da noite de 01º de março. Pediram para eu escolher. Fui de Chianti Classico Geografico, safra 2007, ao preço de 20 euros. Pedi a famosa água San Pellegrino, com gás, e a Panna, do mesmo grupo, sem gás. Duas garrafas de um litro cada vieram à mesa. O antipasto da casa vale a pena. Uma mistura de vegetais grelhados com muito azeite: beringela, abobrinha, alcachofra, tomate, tudo delicioso, acompanhados de pequenas bolas de mussarela de búfala. Como prato principal, escolhi um penne com alcachofra. Os pratos são bem servidos. O meu prato estava muito bom, mas como exagerei no antipasto, comi só a metade. Ainda pedimos sobremesa, dois tiramissú com quatro colheres. Muito bom o doce, um dos meus preferidos, embora preferi ser prudente e cauteloso, comendo apenas duas colheradas (que eram minúsculas, destas que mexemos o café). A conta para quatro ficou em 126 euros. Deixamos 140 euros, pois incluímos o serviço. Do restaurante, fomos a pé até a famosa Fontana di Trevi, eternizada no filme de 1960 La Dolce Vita, de Federico Fellini, onde uma belíssima Anita Ekberg se banha de roupa em uma noite quente de verão. A iluminação noturna da fonte dá um tom especial às suas esculturas. É um local que vive cheio, mesmo com chuva, estava repleto de turistas e de indianos querendo tirar fotos, tipo polaroid, e vendê-las aos incautos. Quando Ric estava tirando uma foto minha, um deles perguntou se queria que ele tirasse, com nossa máquina, uma foto de nós dois. Ric, com toda sua inocência, deixou. Logo meus pensamentos voaram, pois sabia que viria o troco. O indiano entregou a máquina, dizendo que nós deveríamos retribuir o favor, comprando uma foto de sua máquina. Agradeci e fui saindo logo. Voltamos a pé para o hotel, numa bela caminhada, com direito a subir a íngreme Scalinata di Spagna. Chegamos ao hotel com a certeza que faremos uma bela jornada juntos em Roma. Resolvi atualizar o blog, mesmo que a madrugada já se avizinhasse, pois sabia que só dormiria quando as malas chegassem. Elas foram entregues por volta de 01:30 horas, lacradas pela companhia responsável por trazê-las até o hotel. Como as malas chegaram, finalizo este post. Vou checar se está tudo dentro delas e dormir. A terça-feira vai ser longa.

FÉRIAS - DIA 2 - DOMINGO - 27/02/2011 - DE MALAS PRONTAS

O domingo foi rápido, pois fiquei por conta de arrumar a mala. Quanto maior a mala, mais coisa a gente coloca. Esta tendência nunca muda. Aproveitando que tinha espaço, fui colocando roupa, algumas ficarão no meio do caminho, pois já estão muito velhas e surradas. Pedimos comida em casa, China in Box. Não queria sair para nada, somente na hora de irmos para o aeroporto. Arrumei a mala de mão, na verdade uma pequena mochila, onde coloquei, como sempre faço, uma muda de roupa, o notebook, a documentação da viagem, remédios do dia a dia, agendas, cadernetas e dois guias de Roma, nossa primeira parada. Ainda separei todos os cadernos de cultura do Correio Braziliense e da Folha de São Paulo do período de 21 a 27 de fevereiro, pois ainda não tinha lido nada, algumas revistas e o livro que estou lendo há meses e não consigo terminar, arrumando-os em uma ecobag novinha que havia comprado na última vez que fui a São Paulo. Ric ligou para a sobrinha pedindo-a para nos levar ao aeroporto. Ela só poderia se fosse às 16:30 horas. Aceitamos, mesmo chegando mais cedo do que devíamos. Aproveitamos para solicitar à TIM, operadora da qual Ric tem um celular iPhone, a liberação para roaming internacional. Perto de 16 horas, com a mala pronta, pesando 32 quilos, fui tomar um banho relaxante, quando aproveitei e tirei a barba toda. Quando saí do banheiro, Ric estava pronto, usando uma camisa que era minha, presente de uma pessoa que não mais faz parte do meu círculo de amizades. Eu tinha pedido para ele dar para algum dos seus irmãos há uns oito, nove meses, mas ele a escondeu, pois achava a camisa bonita. Sempre acreditei em maus fluidos e energia negativa e aquela camisa me dava uma sensação estranha. Na hora marcada, a sobrinha de Ric estava nos esperando na entrada do bloco onde moramos. Uma chuva fina começou a cair. No aeroporto, despachamos as malas no atendimento para Classe Executiva, classe que voaremos toda a viagem (passagens emitidas com milhagem da TAM). A mala de Ric pesou 17 quilos e a minha os tais 32 que eu já havia pesado em casa. Elas foram etiquetadas até Roma, destino final de nossa longa viagem. Embarcamos no horário previsto, em voo vazio, com praticamente todos os passageiros iniciando uma viagem internacional. Ao chegarmos em São Paulo, também no horário previsto, às 20:35 horas, caía uma chuva torrencial. Para piorar, o avião não se posicionou nas pontes de desembarque. Faríamos um desembarque remoto, em ônibus. Logo que parou os motores, uma escada foi colocada para descermos até o ônibus, que já esperava em sua posição. Um funcionário da TAM totalmente molhado subiu a escada, que não tinha proteção contra chuva, e disse que não havia guarda-chuva disponível. Tínhamos que descer debaixo de um temporal, com malas e casacos (afinal, vamos para um local onde ainda é inverno), nos molhando todo. Um passageiro desceu correndo, com riscos de cair e se machucar. O comandante da aeronave mandou fechar as portas e só abrí-las quando uma escada coberta chegasse. Esperamos por quase meia hora. A escada chegou, mas não havia mais ônibus nos aguardando. Foram mais quinze minutos. Nisto, a hora de embarque no voo para Frankfurt, onde faríamos uma conexão com a Lufthansa, se aproximava. Enfim, escada coberta e ônibus posicionados, mas sem nenhum guarda-chuva. Molhamos um pouco entre a saída da escada e a entrada no ônibus. Ao chegar no saguão do desembarque, apressamos o passo, pois já passava de 21:30 horas, horário marcado para o embarque. Nossa surpresa foi enorme com a fila imensa que se formava para o embarque internacional. A fila andava rápido, mas de repente, tudo ficou parado. Ainda nem tínhamos chegado à porta de entrada. Comecei a ficar preocupado. Dezenas de adolescentes estavam uniformizados, embarcando para os Estados Unidos, onde participariam de uma competição de informática. Eles eram a causa da fila ter parado. a maioria era menor de idade e os responsáveis por acompanhá-los não estavam todos no aeroporto. Todos os guichês da Polícia Federal que atendem passageiros brasileiros ficaram parados, pois os tais jovens ocupavam todas as posições. Parece que, enfim, alguém responsável pelo setor, orientou aos funcionários que parassem de atender aqueles jovens e fizessem a fila andar. Ainda demoramos uns vinte minutos para passar pelo raio X e pela imigração, correndo para o portão de embarque 13, onde praticamente fomos um dos últimos a entrar. Ficamos em um local ótimo na classe executiva, na primeira fila, nas duas poltronas do lado direito da aeronave. Atendimento de primeira pelos comissários da TAM. A poltrona reclina bem, dá para ficar praticamente deitado. O horário da decolagem era 22:35 horas, mas houve um prolongado atraso sem explicações. Quando tínhamos quase uma hora de atraso, perguntei ao comissário o motivo da demora. Ele disse que faltava um passageiro, mas que já íamos partir, uma vez que o faltoso tinha acabado de embarcar. Mas ainda demoramos mais meia hora, quando o comandante avisou que o mau tempo e o intenso tráfego aéreo nos faria esperar até meia noite. Decolamos às 00:10 horas. Atraso de uma hora e quarenta. Já sabia, previamente, que a conexão em Frankfurt estava comprometida, pois o intervalo entre nossa chegada e a saída do voo com destino a Roma era de uma hora e meia.  Li os jornais velhos enquanto o sono não veio. Neste meio tempo, o jantar foi servido, com ótimas opções preparadas pelos gêmeos espanhóis donos dos restaurantes Eñe em São Paulo e Rio de Janeiro. Quando o sono chegou, reclinei a poltrona ao máximo, arrumei o travesseiro e dormi, só acordando com um mau cheiro estranho. Era o passageiro que estava na poltrona atrás da minha se mexendo, exalando um cecê horrível. Quando acordei, peguei o livro que nunca termino para tentar acabar a leitura. Já era segunda-feira, 28/02/2011, meu terceiro dia de férias. Olhei para o lado. Ric dormia. Usava a camisa com maus fluidos.

FÉRIAS - DIA 1 - SÁBADO - 26/02/2011

Enfim, férias! Depois de uma ótima noite na companhia de amigos no El Paso, Texas da Asa Sul, de onde só saí quase duas horas da manhã, acordei mais tarde na manhã de sábado, sem a pressão do trabalho, mas ainda com algumas pequenas pendências na programação da viagem, como as últimas reservas em alguns restaurantes em Milão, o roteiro completo de um dia inteiro em Verona e um último check list de toda a documentação, reservas de hoteis, restaurantes, shows, passagens de trens e avião em trechos internos na Europa. Ric já estava com sua mala praticamente fechada, enquanto eu ainda nem tinha pensado o que levar, o que colocar na mala. Por falar em mala, estava com uma emprestada, mas ela não me agradava muito. Era pesada sem nada dentro. Na última hora, resolvi comprar um iPhone 4. Fomos para o ParkShopping. Já era de tarde. Praça de alimentação lotada. Resolvemos conhecer o Giappa, novo restaurante de Gil Guimarães, no mesmo local onde funcionou por pouco tempo a Forneria Bacco. Os proprietários resolveram juntar a culinária italiana com a japonesa. No almoço, por R$ 39,90 aos sábados, um amplo serviço de buffet, com sushis e sashimis, além de tempurás, e outros pratos quentes. Da Itália, as opções eram bruschetta, foccacia e risoto de camarões. O serviço continua devagar como antes. Falta atenção às mesas. A comida é a mesma que encontramos no dia a dia em restaurantes com sistema self service livre, sem balança. Nada demais. O café chegou frio à mesa, pois deveria ter ficado pronto e nenhum garçom se dignou a nos levar. Pagamos a conta e fomos fazer uma verdadeira via sacra nas lojas e quiosques das operadoras TIM, Claro, Vivo, além de lojas conveniadas com a Vivo e que vendem o aparelho da Apple: Fujioka, Fnac e iPlace. Nenhuma delas tem o celular que eu queria. O pior é que nem previsão de chegada os vendedores informavam. Já que estávamos no shopping, demos uma volta e vi que abriu uma loja da Granado, que comprou a também centenária marca Phebo. Atendimento de primeira. Saí com alguns produtos para a viagem, especialmente um gel  para pernas e pés cansados, já pensando no tanto que irei caminhar nos vinte dias na Europa. Procurei uma loja que vendesse sandálias Havaianas, encontrando a cor que queria, azul com a bandeira do Brasil na alça, nas Lojas Americanas. Ao sair desta loja, deparei com a Le Postiche, onde acabei comprando duas malas da Primicia, ambas pretas, uma grande e outra média, deste material levíssimo. Chegando em casa, Ric refez toda a mala, pois preferiu viajar com a nova mala preta média. Eu fiquei com a grande, mas não quis arrumá-la no sábado. Fiquei ainda pesquisando informações sobre as cidades que visitarei até o sono bater. Dia longo, mas sem stress do trabalho.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

MÚSICA QUE OUÇO LIV



Se ainda não ouviu, não perca tempo e corra para conhecer. Voz pequena, cheia de jovialidade. Sopro de novidade. É o que mais ouço no momento

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

ENFIM, FÉRIAS

Depois de uma intensa semana de trabalho, fecho sexta-feira, às 21:25 horas, meu expediente no trabalho. Enfim, estou de férias. Descansarei a alma e a mente, cansando o corpo, em fascinante viagem de 20 dias pela Itália, Bélgica e França. Farei um diário de bordo neste blog.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

CISNE NEGRO


Depois de três tentativas frustradas e de ouvir muitos elogios ao filme, consegui ver Cisne Negro (Black Swan), dirigido por Darren Aronofsky e estrelado pela bela Natalie Portman (Nina) e Vincent Cassel (Thomas). A produção é americana de 2010 e concorre ao Oscar 2011 de melhor filme, melhor atriz, entre outros. O filme acompanha a obsessão de Nina, uma bailarina do corpo de balé de uma importante companhia de balé clássico, na busca para ser escolhida a protagonista do balé "Cisne Negro", onde ela desempenhará o papel tanto do cisne branco quanto o do cisne negro. Em magnífica atuação, Portman faz inicialmente uma tímida, recatada, dedicada, técnica e virginal bailarina que vai sendo provocada pelo diretor da companhia, o francês Thomas, até incorporar de vez todo o lado negro da personagem que ela precisava interpretar, o cisne negro. A transformação de Nina vem acompanhada de vários surtos e alucinações e ainda ela tem que conviver com uma mãe frustrada por ter abandonado a carreira para criá-la e transfere para a filha toda a responsabilidade do sucesso que não teve, tem que lidar com a disputa pelo papel, pelo ciúme da ex-primeira bailarina da companhia e com uma enigmática nova colega de balé. Nestas alucinações (ou seria realidade?, podem perguntar alguns), ela se solta, experimenta ecstasy, tem uma relação homoerótica com sua enigmática colega, se mutila, e vê crescer penas negras em suas costas. A trilha sonora é um caso à parte e os números de dança são muito bem filmados. O final, surpreendente, é lindo. É perfeito! Quem viu o filme, entende o que escrevo, quem não viu, precisa ver urgentemente e entenderá. Se tivesse que apostar, o Oscar de melhor atriz já está nas mãos de Natalie Portman. Até agora, entre os filmes concorrentes a melhor película que já vi, prefiro Cisne Negro, disparado, mas acho que não leva a estatueta, pois é muita alucinação para os conservadores que votam no maior prêmio da indústria cinematográfica mundial. Vi o filme na noite desta segunda-feira, na última sessão do Embracine CasaPark Shopping, pagando meia entrada, no valor de R$ 6,00. Tinha um bom público, mas nem todos gostaram. Ouvi gente dizendo que nada entendeu. Eu entendi muito bem e adorei o filme. Recomendo. Além de ser um ótimo filme, seu cartaz também é belíssimo.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

SÓ SE FOR A DOIS - CAZUZA - DISCOTECA ESSENCIAL (09)


Mais um disco que considero essencial na discoteca de um colecionador nacional: Só Se For A 2, segundo trabalho solo de Cazuza, lançado pela Polygram em 1987. Com certeza não é o mais lembrado da breve discografia deste grande poeta do rock Brasil, mas é o que mais me chama a atenção. Tem o hit "O Nosso Amor A Gente Inventa (Estória Romântica", parceria de Cazuza com Rogério Meanda e João Rebouças, mas tem canções lindas que não tocaram nas rádios, uma espécie de lado B das músicas gravadas pelo jovem carioca. Destaco "Balada do Esplanada", poema de Oswald de Andrade lindamente musicado por Cazuza, "Quarta-Feira", parceria com Zé Luís, e a música que empresta seu título ao cd, "Só Se For A 2", mais uma parceria com Rogério Meanda. A que mais gosto é "Solidão, Que Nada", parceira com George Israel e Nilo Romero. Para mim, é uma música para sempre se ouvir quando bate uma angústia, uma deprê, uma solidão, mesmo que rodeado de pessoas. Estimula a encarar a vida de frente, com muita alegria, afinal, viver é bom! Reproduzo abaixo a letra desta bela canção:


Solidão, Que nada (Cazuza, George Israel & Nilo Romero)
Cada aeroporto
É um nome num papel
Um novo rosto
Atrás do mesmo véu

Alguém me espera
E adivinha no céu
Que meu novo nome é
Um estranho que me quer

E eu quero tudo
No próximo hotel
Por mar, por terra
Ou via Embratel

Ela é um satélite
E só quer me amar
Mas não há promessas, não
É só um novo lugar

Viver é bom
Nas curvas da estrada
Solidão, que nada
Viver é bom
Partida e chegada
Solidão, que nada



CAZUZA - SÓ SE FOR A 2 - 1987