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sexta-feira, 8 de novembro de 2013

RISTORANTE GARDEN - ALBERGO DELL'AGENZIA - GASTRONOMIA EM POLLENZO, BRA (ITÁLIA)

Chegamos ao Albergo Dell'Agenzia com muita fome. Foi parar o carro e ir direto para o restaurante, que fica à direita da entrada, com mesas em um puxado com paredes e teto de vidro, com uma espécie de um aquário gigante, o que permite ter uma visão bucólica dos jardins do hotel. O restaurante leva o sugestivo nome Garden, pois está dentro do jardim do hotel, como se fosse uma estufa de vidro.



Endereço: Via Fossano, 21, Pollenzo, Bra, Itália. (www.albergoagenzia.it).

Contato: +39 0172 458600 - info@albergoagenzia.it

Especialidade: culinária piemontesa. Praticamente do movimento Slow Food.

Quando fui: almoço de 27 de outubro de 2013, domingo. Éramos 05 pessoas, sem reserva. O restaurante estava cheio, mas como já eram mais de 14 horas, nos acomodaram rapidamente em uma mesa redonda no fundo do salão de vidro. Ficamos mais de uma hora e meia no local.

Serviço: médio, com garçons robóticos, sem muita sinergia com a clientela. Os pratos demoram um pouco para chegar, pois, seguindo a filosofia Slow Food, são preparados na hora. Afinal, estávamos no local onde ele foi criado. O menu indica os fornecedores da matéria-prima utilizada na elaboração dos pratos.

O que bebemos: água com e sem gás Lurisia (€ 2 cada garrafa de um litro) que acompanhou o vinho tinto Sorano Riserva 2008 (€ 24), produzido em Roero por Filippo Gallino, com 14,5% de álcool. Achei o vinho fraco, mesmo para um risoto mais ameno como foi o que escolhi.

O que comi: aceitamos, como de costume, o coperto, composto por uma cesta de pães e gressinos (cortesia da casa). Como primo piatto, escolhi o risotto di Grumolo delle Abbadesse con zucca e salsicci di Bra (€ 14). O arroz do risoto é produzido na região da cidade de Grumolo delle Abbadesse, localizada no Vêneto. O arroz é mais arredondado. Estava cozido no ponto certo, aquele em que se atinge quando o amido é quebrado. Muito saboroso. A abóbora dá uma cor interessante ao prato, assim como seu sabor suaviza os temperos fortes da ótima linguiça produzida em Bra. Gostei muito do risoto. Neste embalo, resolvi aceitar a sugestão da garçonete, escolhendo a panna cotta con pera moscatto (€ 8), carro chefe da casa, como sobremesa. E não me arrependi, pois o pudim de creme de leite cozido estava sensacional. A pera cozida com uma leve calda de espumante moscatto deu o toque mais doce que o pudim pedia. Muito bom.

risotto di Grumolo delle Abbadesse con zucca e salsicci di Bra 


panna cotta con pera moscatto

Valor que me coube no total da conta: € 30.

Minha avaliação: * * * 1/2. Chegamos ao restaurante sem nenhuma indicação e fomos surpreendidos pelo local e pela qualidade da comida.

Gastronomia Pollenzo, Bra (Itália)

FOSSANO - UM ERRO, UM ACERTO


Castello dei Principi d'Acaja

Para o domingo, dia 27 de outubro de 2013, não tínhamos nada previamente agendado para a parte da manhã. Tanto Silvia, quanto Sandro, nossos guias nos passeios de sexta-feira e de sábado, nos indicaram conhecer algumas pequenas cidades da região. Entre elas estava Grinzane Cavour, com menos de dois mil habitantes, onde também há um castelo que pode ser visitado, tem uma bela vista da região e em seu interior há um restaurante com uma estrela Michelin. Ainda no sábado, quando retornamos da caça às trufas, tentamos fazer uma reserva no restaurante, o Ristorante Al Castello, do chef Alessandro Doglione, mas estava completo. O concierge do Hotel Calissano nos deu a dica de tentarmos a sorte, chegando lá um pouco mais tarde. Foi o que decidimos. Assim, combinamos de nos encontrar na porta do Hotel I Castelli, pois ele ficava no caminho da saída de Alba. Como não tínhamos pressa, marcamos às 10 horas. Acordei cedo no domingo. Olhei pela janela. O movimento de ônibus e carros no estacionamento público em frente ao hotel não era tão intenso quanto do dia anterior. Desci para o salão do subsolo onde já estavam Emi e Rogério tomando café da manhã. No horário marcado, nós três estávamos prontos, do lado de fora do hotel, aguardando Vera e Cláudia. Assim que elas chegaram e todos estavam acomodados no 500 L, o endereço do Castello di Grinzane Cavour foi colocado no Google Maps. Coordenadas definidas, seguimos nossa viagem. O tempo estava nublado, mas não chovia. O tempo estimado de viagem indicado pelo aplicativo era de 47 minutos. Passamos por várias pequenas vinícolas, por cidades pequenas, até o Google Maps nos comunicar que tínhamos alcançado nosso destino. Achamos estranho, pois a cidade não tinha colina e nem vimos nenhum castelo. Escolhemos um lugar para estacionar no que nos pareceu o Centro da cidade. As ruas estavam desertas. Nenhuma loja, café ou restaurante estavam abertos. Ao longe, vimos um aglomerado de pessoas em frente a uma grande igreja. Fomos para lá. Era a principal praça da cidade, a Piazza Manfredi. A igreja estava aberta, o que nos permitiu conhecer o seu belo interior, com várias pinturas e afrescos. Ao sair, procurei uma placa para saber qual era o seu nome. Ao ler a placa, Cattedrale di Santa Maria e San Giovenale, descobri que não estávamos em Grinzane Cavour, mas sim em Fossano. Já que ali estávamos, fomos conhecer o restante da cidade. A catedral, também conhecida como Duomo di Fossano, data de 1771. Sua fachada é em tom avermelhado, diferente de seu campanário, em cor bem mais clara. Na mesma praça está o imponente Palazzo Comunale, sede da prefeitura local. Seguimos em frente até chegarmos em outra igreja, também com fachada avermelhada. O mesmo pessoal que estava em frente à catedral, agora estava saindo desta igreja. Entramos. Um senhor nos abordou perguntando de onde éramos. Respondi que éramos brasileiros. Ele abriu um largo sorriso, disse que podíamos ver tudo lá dentro, salientando que aquela igreja era particular, não pertencia à diocese. A igreja é a Chiesa della Santissima Trinità, construída entre 1723 e 1728. Seu interior é bem mais claro do que o da catedral. Uma exposição de vestimentas clericais acontecia nos corredores laterais da igreja. Assim que saímos, o senhor fechou as suas portas. Contíguo à igreja fica um hospital, cuja fachada segue o seu estilo. Um belvedere à esquerda da igreja nos permitiu ver uma parte da cidade. Tomamos a direção do hospital, na Via Ospedale Maggiore, virando a primeira à direita, pegando a Via Lancimano, sempre observando as edificações antigas, parando para uma foto aqui e ali. Esta via desemboca em uma praça, a Piazza Castello, onde está o Castello di Fossano ou Castello dei Principi d'Acaja. Não impressiona por fora. Tentamos entrar, mas ele não estava aberto para visitação pública. Conseguimos ver apenas seu primeiro pátio interno. Já conformados que tínhamos chegado em cidade errada, resolvemos voltar, parando para almoçar em um restaurante que Cláudia tinha indicação no vilarejo de Pollenzo. Retornamos para a Via Roma, onde tínhamos deixado o carro, fazendo uma parada estratégica para ir ao banheiro e tomar um providencial café no Caffè Roma. Mais uma cidade no nosso currículo, graças ao erro do Google Maps. Depois, pesquisando na internet, descobri que entre Alba e Fossano são 36,6 Km, percurso que se faz, em média, em 47 minutos, o que demonstra que o Google Maps pode não ter indicado a direção errada. Talvez o endereço digitado tenha sido errado e como nestas cidades as ruas tem o mesmo nome, aí pode estar a confusão. Entre Alba e Grinzane Cavour, para onde queríamos ter ido, a distância é bem menor: 10,3 Km, trecho que se faz em 15 minutos de carro. De qualquer forma, foi um erro com acerto, pois Fossano é uma cidade com construções medievais e muito bem conservada. Entramos no carro, colocamos o endereço do tal restaurante no Google Maps e seguimos na direção indicada. Já passavam das 13:30 horas e a fome dava sinais de existência. Chegamos rápido, pois o restaurante ficava em Pollenzo, vilarejo pertencente à cidade Bra. No endereço indicado não havia nenhum restaurante. Ninguém na rua para perguntarmos. Demos meia volta, quando vimos uma senhora varrendo um quintal. Paramos, perguntamos sobre o restaurante e ela nos disse que ele havia fechado há dois anos. Questionada sobre outro local para almoçar, ela nos respondeu que tinha um restaurante sempre movimentado no hotel que ficava em frente à sua casa. Era o elegante Albergo dell'Agenzia, para onde nos dirigimos. Era hora de almoçar.


Centro de Fossano


Cattedrale di Santa Maria e San Giovenale


Chiesa della Santissima Trinità

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

PIAZZA DUOMO - GASTRONOMIA EM ALBA (ITÁLIA)

Tínhamos reserva confirmada no Piazza Duomo para 20 horas, mesa para cinco pessoas. Eu, Rogério e Emi chegamos na Piazza Risorgimento cinco minutos antes. A praça estava lotada, com muitas barracas de comidas e bebidas debaixo das arcadas da sede da prefeitura de Alba. No centro, colocaram mesas altas, com tampo redondo, que serviam de apoio para quem bebia e conversava. Não havia cadeiras. No centro das mesas, velas iluminavam o ambiente. Um palco montado em um canto da praça indicava que ali haveria um show. Não conseguimos identificar o restaurante. Resolvemos perguntar em um  bar bem próximo da Catedral San Lorenzo e nos indicaram o outro lado da catedral, em sua lateral esquerda, para onde fomos e nada achamos. Nova consulta em outro bar e nos foi apontada a primeira rua à esquerda, mas era mais uma informação errada. Demos uma grande volta pelas ruas ali perto, chegando novamente na Piazza Risorgimento. Um jovem que trabalhava em uma das barracas de comida da praça nos mostrou por onde entrava no restaurante que procurávamos. Embora o endereço seja na praça, o que temos no térreo é um restaurante chamado Piola, do mesmo proprietário do Piazza Duomo, que fica no segundo piso. Há uma entrada privativa para ele na via lateral, na Vicolo dell'Arco, 1, na esquina com a Piazza Risorgimento, por onde entramos. Fomos recebidos na porta por uma jovem atendente que nos conduziu até o segundo piso, onde já estavam sentadas Vera e Cláudia. O Piazza Duomo integra a lista dos 50 melhores restaurantes do mundo, editada anualmente pela revista britânica The Restaurant, figurando no 41º lugar na edição 2013, além de ter três estrelas Michelin.

Endereço: 4, Piazza Risorgimento, Alba, Itália. (www.piazzaduomoalba.it).

Contato: +39 0173 356 167 - info@piazzaduomoalba.it

Especialidade: cozinha piemontesa, com toques contemporâneos, sob o comando do chef Enrico Crippa.

Quando fui: jantar de 26 de outubro de 2013, sábado. Éramos 05 pessoas, com reserva feita com mais de um mês de antecedência pela guia Silvia Aprato da empresa de turismo Tasting Tours. O restaurante ocupa o segundo piso de uma edificação antiga localizada na principal praça de Alba. Em seu interior, nada lembra os prédios antigos que estão do lado de fora. Amplas janelas se abrem para a praça. As paredes são brancas com alguns desenhos como adorno. Iluminação ótima, bem clara. Nas mesas não há nenhum tipo de decoração, apenas uma toalha branca, pois a quantidade de amuse bouche que chega é assustadora, não havendo possibilidade de concorrência com nenhum objeto decorativo. Ficamos por mais de três horas no restaurante.

Serviço: ótimo atendimento na entrada, bem como eficiente serviço de mesa, incluindo o vinho e a trufa branca. Foram diligentes ao perguntar a cada um de nós se havia alguma intolerância ou restrição alimentar. No meu caso, respondi que não comia espinafre. O restaurante é adepto do movimento Slow Food, com a indicação no menu da procedência de seus produtos e matérias-primas utilizadas na elaboração de seus pratos, todos eles da região do Piemonte. O que não gostei foi da falta de isolamento acústico das janelas. Como acontecia um show de rock na praça, o barulho incomodava, mesmo com as janelas fechadas. Para piorar, como estávamos em época pré-inverno, não havia como esfriar o ambiente com o ar condicionado. Assim, tínhamos que optar entre o barulho e o calor. Emi, sempre em um eterno calor, pedia para abrir a janela a todo instante, mas logo tinham que fechá-la, pois a música alta incomodava.

O que bebemos: pedimos auxílio ao sommelier para fazer uma harmonização com o menu degustação com trufas brancas. Fomos prontamente atendidos, custando-nos € 80 por pessoa (quatro vinhos para seis pratos). A harmonização está descrita na sessão abaixo. Começamos com uma taça (€ 10) do espumante rosé Ettore Germano, brindando nossa amizade e a felicidade de estarmos juntos na viagem. Acompanhou os vinhos água mineral com e sem gás Lauretana. Ao final um forte café espresso Illy.

O que comi: os cinco da mesa não tiveram dúvidas em escolher o menu degustação com trufas brancas, chamado Menu Tartufo (€ 150, sem as trufas, que custava € 7 o grama), já que estávamos na melhor época para apreciar esta iguaria gastronômica. Todos os seis pratos do menu, incluindo a sobremesa, recebem lascas de trufas brancas raladas por sobre o prato na hora, à vista do cliente. Assim que escolhemos o menu degustação, o garçom nos trouxe à mesa uma seleção de trufas brancas e uma balança de precisão. Ele mesmo sugeriu uma delas, o que aceitamos. Pesou em nossa frente, anotando o peso de 61,4 gramas. Paga-se apenas o que se consome, motivo pelo qual o que resta da trufa ao final é pesado novamente e a diferença é o que se deve pagar. No caso, consumimos 49,2 gramas (€ 344,40). Antes do menu, encheram o centro da mesa com inusitados e diferentes mimos do chef. Sempre em porções com cinco unidades cada um, vieram uma espécie de pururuca de arroz, palitos de espaguete assados, flan caramel com missô (o melhor de todos, com a mistura de sabores doce e salgado), azeitonas falsas (a verde era um tartare de vitelo, muito bom, e a preta era um lagostim, que tinha um forte gosto de mar), queijo do Piemonte, minisalgadinhos, gressinos, foie gras com crispy de milho e espuma de campari (outro mimo muito interessante na boca, pois a gordura do foie gras casou bem com o amargo do Campari), entre outras variedades.



flan caramel com missô


pururuca de arroz


seleção de amuse bouche


azeitonas falsas (fake olives)


foie gras com crispy de milho e espuma de campari


a trufa branca escolhida antes de ser ralada em nossos pratos

Em seguida, começou a sequência do menu, todos os seis pratos com bela apresentação:

1. Capesante, radici, nocciola - harmonizado com o vinho branco da região da Alsácia, França, Grand Cru Bruderthal Gewurstraminer 2008. Trata-se de vieiras grelhadas, com avelãs frescas e folhas de baby rúcula. Harmonização meia boca. As vieiras estavam deliciosas sem as trufas. Com elas, acho que o sabor se perdeu.


2. Di razza fassona - harmonizado com o vinho tinto de Abruzzi, Itália, Marina Cveltic Cabernet Sauvignon 1997. Um dos pratos mais típicos do Piemonte, trata-se de uma espécie de tartare de carne bovina da raça fassona. Harmonização excelente. Vinho muito bom. Sabor da carne bem marcante, com e sem as trufas. Aprovado.



 3. Crema di patate, Lasang Souchongharmonizado com o vinho tinto de AbruzziItáliaMarina Cveltic Cabernet Sauvignon 1997. O melhor prato da degustação, sem dúvidas, opinião compartilhada pelos cinco do grupo. É um creme consistente de batatas com um molho do chá chinês Lasang Souchong. Dentro do creme havia um ovo de codorna cuja cor era acinzentada, meio transparente, tipo fumê. Ao morder, uma gema mole e deliciosa, harmonizando perfeitamente com o creme. O molho de chá deu um toque inusitado, alterando o sabor da batata. Ficou bom tanto sem, quanto com a trufa branca. Aprovadíssimo. A harmonização deixou a desejar.



4. Plin di fonduta - harmonizado com o vinho tinto italiano Bernardot Barbaresco 1993, do produtor Bricco Asili, da região de Langhe, no Piemonte. Trata-se de outro prato típico piemontês. É um ravioli de massa fresca feita com ovo e recheado com fondue de queijo da região. Ficou excelente com as trufas, que potencializaram o sabor e o aroma do prato. A harmonização foi fraca, pois o vinho era muito forte para a massa.


 5. Cotornice e foie grasharmonizado com o vinho tinto italiano Bernardot Barbaresco 1993, do produtor Bricco Asili, da região de Langhe, no Piemonte. Originalmente, este prato tem como acompanhamento espinafre refogado, mas no meu caso, como tinha falado sobre esta minha restrição alimentar, eles trouxeram o prato acompanhado por pequenas folhas de couve de bruxelas. Trata-se de uma codorna assada, com pele, e molho de foie gras. A carne da codorna estava dura e sem graça. O molho nada acrescentou, bem como as lascas de trufas brancas, que só lhe deram perfume. Não gostei, muito menos da harmonização.



 6. Monte bianco - bem harmonizado com o vinho de sobremesa Château Rieussec Sauternes 1er Grand Cru Classé 2000, produzido pela vinícola Lafite Rothschild na França. A trufa branca foi um excesso, não harmonizando nenhum um pouco. É um marrom glacê legítimo, feito com castanhas portuguesas, com chantilly em seu topo, o que remonta ao famoso Monte Bianco, monte que fica na fronteira da Itália com a França, onde recebe o nome de Mont Blanc, que também dá nome à versão francesa desta sobremesa. Não aprecio chantilly. Acabei deixando boa parte da sobremesa no prato, embora tenha gostado do marrom glacê.



Para acompanhar o café espresso, uma série de novas amuse bouche, desta feita todas doces. O que mais me chamou a atenção foi a garrafinha com um creme doce à base de leite que tomamos de uma golada só. O pirulito de chocolate também era diferente na boca, onde explodia um sabor azedinho por causa do limão de seu recheio.


seleção de amuse bouche doces

Valor individual da conta: € 345. Foi a conta mais cara que já paguei, individualmente, em um restaurante na minha vida até então.

Minha avaliação: * * *. Mesmo com vários prêmios e integrante de listas dos melhores restaurantes, não tive uma experiência que me surpreendesse positivamente no Piazza Duomo. A harmonização ruim, o prato com codorna, as trufas na sobremesa, o barulho da música externa e o calor do ambiente interno pesaram nesta avaliação.

Gastronomia Alba (Itália)

I PIACERI DEL GUSTO

Assim que chegamos da caça às trufas, resolvemos dar mais uma volta pelas ruas do centro de Alba para ver o movimento. Não havia mais as barracas da feira, mas uma multidão ia e vinha na Via Vittorio Emanuele. Fizemos o mesmo, andando bem devagar, olhando as vitrines, observando as pessoas. Um aglomerado de gente nos chamou a atenção em frente ao número 23/A da rua. Um forte aroma de alho não deixava dúvidas que havia trufas no pedaço. Era uma barraca da delicatessen I Piaceri del Gusto montada na estreita calçada do lado de fora da loja. Trufas negras e brancas, com seus respectivos preços, atraíam curiosos e compradores. Como estávamos procurando o vinho que tínhamos bebido no almoço para comprar, entramos. A loja é uma mistura de delicatessen, livraria com foco na culinária, e adega. Indicaram o subsolo como o local para procurar o vinho. Desci logo atrás de Rogério e Vera. A loja tem uma bem montada adega com vinhos de pequenos produtores da região, especialmente de barolos e barbarescos. Um verdadeiro achado para os apreciadores destes vinhos. O vendedor que nos atendeu era muito simpático e ao saber que éramos brasileiros, perguntou de qual cidade. Vera respondeu que éramos de Brasília e de Belo Horizonte. Ele disse que seu pai tinha morado em BH, quando da construção e inauguração da fábrica da Fiat, em meados dos anos setenta. Logo disse que eu era nascido na capital mineira, mas que morava em Brasília, apontando para Rogério como morador de BH. Procurei Emi para também identificá-lo como morador da cidade mineira. Olhei para trás e vi um homem de costas com a careca parecida com a de Emi. Dei um super tapa na ombro dele, afirmando bem paulatinamente "B E L O   H O R I Z O N T E!". Nem vi o homem virar, continuando a conversar com o vendedor. Nesta altura, Vera já sabia que o vinho que procurava estava em falta, pedindo uma sugestão ao nosso atendente. Cláudia não parava de rir atrás de mim. Eu sem saber o que se passava. O vendedor indicou um vinho para Vera, dizendo que era muito bom. Só havia duas garrafas. Como ainda não tinha comprado nenhuma unidade de vinho até então, resolvi levar esta sugestão, o Carobric Barolo 1998 (€ 82), do produtor Paolo Scavino. Cláudia continuava a rir, mas conseguiu chegar até mim para dizer que eu tinha confundido e dado um tapa em um chinês, pensando que era Emi. Ela viu tudo, mas ria tanto que não conseguia se desculpar com o homem por mim. Olhei para trás e vi o tal chinês que olhava para mim com cara de incrédulo. Ao invés de pedir desculpas, comecei a rir junto com Cláudia. Vera, Rogério e o vendedor nada entendiam. Subimos a escada rindo muito, deixando o chinês atônito no subsolo. Emi estava na parte de cima. Ele nunca descera ao subsolo. Ainda rindo, paguei o vinho, esperamos Vera fazer o mesmo, voltando para a rua, onde dei de cara com a sorveteria Scchero. Os sorvetes italianos são sensacionais, motivo pelo qual entrei para comprar uma bola (€ 1). Escolhi um sabor da terra, ou seja, avelã, do qual gostei muito. Seguimos a via com os copinhos de sorvete nas mãos. Já mais no final da rua, entramos na loja Sisley. Vera e Cláudia resolveram voltar para o hotel, enquanto eu fiquei com Rogério e Emi na loja. Enquanto esperava Emi experimentar roupas e calçados, vi despretensiosamente algumas peças, encontrando um cardigã cinza que achei com o preço muito bom (€ 39,90). Comprei e deixei os meninos para trás, voltando ao hotel, pois tínhamos reserva para 20 horas no aclamado e premiado Piazza Duomo, restaurante integrante da seleta lista dos 50 melhores do mundo, edição 2013, onde ocupa a posição número 41. Demorei menos do que dez minutos para chegar ao hotel. Tinha uns quarenta minutos para estar pronto novamente para sair.

TARDE DE CAÇA ÀS TRUFAS BRANCAS

Sábado, 26/10/2013, 14:30 horas. Era chegado o momento do grande motivo para estarmos no Piemonte: participar de uma caça às trufas brancas. Para tanto, contratamos o serviço com antecedência junto à Tasting Tours, mesma empresa que nos levou para conhecer duas vinícolas no dia anterior. O ponto de encontro foi o Hotel Calissano, onde Vera e Cláudia estavam hospedadas. O nosso guia, Sandro, foi pontual, bem como o motorista com a van que nos levaria até La Casa del Trifulau (www.lacasadeltrifulau.it), local de partida para a tão esperada caçada. A distância entre Alba e Costigliole d'Asti, uma fração da cidade de Asti, onde fica o bosque em que iríamos caçar, é em torno de vinte quilômetros, percurso que fizemos em meia hora. Previamente fomos alertados para duas coisas: a possibilidade de nada encontrarmos na caçada e as eventuais trufas encontradas eram do caçador, jamais nossas. Chegamos ao destino às 15 horas, uma casa branca na encosta de uma colina, de onde se tem uma linda vista dos vinhedos da região. A casa fica na estrada, logo após uma curva, motivo para se ficar atento ao tráfego de carros. O endereço é Strada Canelli, 1. Descemos a escada, chegando a um amplo quintal, onde há uma estrutura para receber turistas. Fomos apresentados ao dono da casa e a um grupo de ingleses que também participaria da caçada. Ao redor de uma mesa de madeira enorme recebemos as boas vindas, ouvimos um pouco da história das tradições locais, especialmente dos produtos da região, a maioria deles oriundos da atividade agrícola, como o cultivo de uvas, os queijos frescos e os embutidos, além da principal atração local, a trufa branca (tartufo bianco). O dono da casa nos mostrou ilustrações da trufa branca e das árvores com as quais elas fazem uma espécie de simbiose para viver. As mesmas árvores que encontraríamos no bosque do outro lado da estrada onde fica a casa. Aprendemos um pouco mais sobre as trufas. As trufas negras são encontradas em qualquer parte do mundo, motivo pelo qual seu preço é bem mais em conta, chegando a custar dez vezes menos do que as brancas. Já a espécie branca somente é encontrada na Itália (Piemonte, Toscana e um pouco na fronteira com a Eslováquia) no período de setembro a janeiro, com o ápice acontecendo entre meados de outubro e meados de novembro. Ou seja, estávamos no local certo, no tempo certo. Um grama de uma trufa branca chega a custar nos restaurantes mais refinados da região até € 7. Assim que retirada da terra, a trufa não resiste muito, devendo ser consumido em até uma semana. Quanto mais fresca, maior o aroma de alho que ela exala. Após estas explicações, era a vez de conhecermos o caçador que nos levaria ao bosque juntamente com os seus cães farejadores. Giorgio era o caçador. Ele nos levou até o canil, apresentando primeiro um pastor alemão, que não era um farejador, mas sim o protetor e guardião dos outros três cães do local, estes sim os verdadeiros cães farejadores de trufas. Na região, todo caçador de trufas, chamados de trifulau (um dialeto local que vem de trifula, como eles chamam a trufa), devem possuir um registro. Com tal registro, eles podem caçar em qualquer área da região, não importando se o terreno é público ou privado. O caçador é o dono da trufa que encontra, não devendo nada ao dono da propriedade. Por causa disto e pelo preço alto desta iguaria culinária, há muitos caçadores e casos de assassinatos de cães não são raros, motivo pelo qual os três farejadores da La Casa del Trifulau tinham um cão guardião. Giorgio nos apresentou seus cães, da raça pointer inglês. Duas fêmeas e um macho. Diana, a mais velha, com sete anos, é mãe de Esferina e de Brio, ambos com três anos de idade. Todos três são muito dóceis e não estranharam a gente. Os ingleses não enturmavam, ficando distantes, só observando, enquanto nós chegamos perto dos cães, acariciando a cabeça deles e até dando comida para Diana. Giorgio escolheu Diana e Brio para a caçada daquela tarde. Antes de deixarmos a casa, ele aconselhou a quem estivesse com sapatos inapropriados a calçar uma das botas de borracha que havia no quintal. Emi e Vera calçaram as botas. Na subida, outro conselho do caçador: pegar um bastão de madeira para ajudar na caminhada no bosque. Peguei um dos bastões. Os dois cães estavam amarrados na mesma corrente e estavam doidos para entrar no meio das árvores. Foi só atravessar a estrada que Giorgio os soltou. Seguimos a trilha morro acima. O bosque é formado por uma árvore conhecida como pioppo, a melhor para encontrar trufas brancas. Paramos em uma pequena clareira, onde Giorgio nos explicou mais um pouco sobre o processo de caça. Os cães não podem seguir em linha reta, pois a direção do vento altera a todo instante no bosque e é pelo vento que chega ao apurado olfato deles o aroma das trufas. Com palavras de ordem, Giorgio instigava Diana e Brio a subir e a descer o morro, até que Diana parou, ficou em posição ereta, mirando um lugar distante, com as narinas bem abertas. Era chegado o momento. Ela correu até uma árvore, com o caçador atrás, e começou a cavar. Ele falava rápido algumas palavras para a cadela. Um aroma de alho dominou o ambiente. Diana tinha achado uma trufa branca. O caçador não deixou o cão ir até o fim. Ele o afastou, jogando ração para o lado e terminou de cavar. Achei estranho que a trufa encontrada não tinha nenhum sinal de raiz, já que na explicação ouvida minutos antes, aprendi que a raiz de uma trufa se entrelaça com a raiz da árvore. Fiquei desconfiado que se tratava de uma farsa, algo para enganar turista. Seguimos em frente, subindo o morro. Estava achando chatérrima aquela sinergia com a natureza. Mais à frente, Diana e Brio começaram a cavar juntos, o que chamou a atenção de Giorgio. O forte cheiro de alho foi bem diferente do primeiro. O caçador afastou os cães, mantendo um sorriso de satisfação no rosto. Ele acabou de desenterrar, e, desta vez, até o barulho de raiz se soltando da terra eu ouvi. Quando peguei esta segunda trufa, vi que tinha pedacinhos de raiz arrancados. Agora sim, era real a caçada. Dei-me por satisfeito naquela aventura na natureza, mas ainda subimos mais um pouco e os cães encontraram mais uma, bem menor, mais igualmente aromática. Era o fim de nosso passeio no bosque. Voltamos para a casa, onde o dono tinha preparado uma mesa com produtos da região: o vinho tinto Matota d'Asti Barbera 2012, do produtor Baldi Pierfranco, salaminho, fatias de queijo robiola (feito com 50% de leite de cabra e 50% de leite de vaca), e lascas de trufas brancas, colhidas em outro dia, raladas na hora por sobre o queijo. Durante este lanche, o dono da casa nos deu uma aula de como fazer um ovo frito com a trufa branca. E ainda fez propaganda de um livro que ele tinha lançado sobre a arte de caçar trufas, à venda no local. Ninguém comprou nada, nem trufas, nem livro. Voltamos para o carro. No trajeto de volta, paramos uma vez para tirar fotos de mais vinhedos e castelos. Chegamos em Alba perto de 18 horas. Tinha gostado da experiência, mas não repetiria.

CAFFÈ UMBERTO - GASTRONOMIA EM ALBA (ITÁLIA)

O almoço do sábado, dia 26/10/2013, tinha que ser mais cedo, já que nossa saída para a caçada às trufas brancas estava marcada para 14:00 horas. Escolhemos o Caffè Umberto porque ao passar, na noite anterior, em frente a ele, gostamos da proposta de restaurante + enoteca..

Endereço: Piazza Savona, 4, Alba, Itália(www.caffeumberto.it).

Contato: +39 173 33994.

Especialidade: cozinha tradicional do Piemonte, sob o comando do chef Luca Boffa.

Quando fui: almoço de 26 de outubro de 2013, sábado. Éramos 05 pessoas, sem reserva, o que é uma dificuldade para a hora do almoço de um sábado de outono, quando a cidade é tomada por turistas. Como chegamos cedo, ainda encontramos mesa disponível na calçada em frente à praça, embaixo da arcada onde fica a entrada do restaurante. Chegamos ao meio dia, encontrando as portas ainda fechadas, pois ele começa a funcionar a partir de 12:30 horas. Ficamos perto da mesa apontada pelo garçom até que sentamos, quando vimos um monte de gente ir chegando e se acomodando nas mesas externas. Eram 12:15 horas quando o serviço de atendimento às mesas teve início. Ficamos por mais de uma hora no local. Com o céu parcialmente limpo, o sol incomodou um pouco. 

Serviço: não gostei do atendimento. Distante, frio e sem vontade. É verdade que o restaurante estava bem cheio, com muita gente em pé no balcão e do lado de fora esperando mesa, o que motivava os garçons a despacharem o mais breve possível os clientes das mesas. Nem parecia que estávamos na região onde o movimento Slow Food foi criado. Os pratos chegaram rapidamente à mesa.

O que bebemos: uma garrafa do vinho tinto Barbera d'Alba Azienda Agricola Falletto 2011 (€ 45), do produtor Bruno Giacosa, com 14,5% de álcool. Sensacional o vinho. Procuramos depois para comprar e não encontramos em nenhuma adega da cidade, mas sempre ouvimos dos vendedores elogios a este vinho. Para acompanhar, água mineral com gás Surgiva (€ 2 a garrafa de um litro). Eu ainda pedi uma Coca Cola, que custou a chegar. Ao final, não cobraram pelo refrigerante. Estavam com tanta vontade de liberar a mesa que nem ligaram quando comentei que ele não estava incluído na conta.

 O que comi: compartilhamos uma entrada, o antipasto prosciutto crudo di Parma S.Ilario e insalata russa (€ 12), além do tradicional coperto (€ 2), um cesto de pães, foccacias e gressinos. O presunto é muito bom, mas a tal salada russa, uma maionese de cenoura, é totalmente dispensável. Como primo piatto, pedi um gnocchi di patate di montagna al raschera d'alpeggio (€ 12). Detestei o prato. Dei duas ou três garfadas. Era pura farinha o gosto do nhoque. Nem o queijo raschera conseguiu disfarçar este sabor. Deixei o prato praticamente intocável, coisa raríssima de acontecer. Com tal experiência, recusei compartilhar a sobremesa com os demais da mesa, que pediram um tortino di ricotta al mile d'acacia (€ 6), prato muito comum no Piemonte. Quis saber o que era raschera d'alpeggio e descobri que este queijo recebe o alpeggio quando é produzido a partir de 900 metros acima do nível do mar.


gnocchi di patate di montagna al raschera d'alpeggio

Valor que me coube no total da conta: € 30.

Minha avaliação: * *. Fui o único que não gostou da comida. Cláudia e Rogério pediram o mesmo nhoque que eu e não sentiram o gosto de farinha.

Gastronomia Alba (Itália)

CAMINHANDO NO CENTRO DE ALBA

Assim que acordei na manhã de sábado, abri a cortina para ver o tempo. Estava nublado, mas sem chuva. Para minha surpresa, o estacionamento público em frente ao Hotel I Castelli (*) estava completamente lotado de ônibus, carros e vans. Eram pouco mais do que 8 horas da manhã. Vi grupos de velhinhos saindo dos ônibus e se dirigindo para o centro histórico da cidade. Seria para visitar a 83ª Fiera Internazionale del Tartufo Bianco d'Alba?, foi a pergunta que me veio à mente. Liguei para Rogério, combinando descer em meia hora para o café da manhã, servido no subsolo do hotel. Desci de escada. No térreo havia um intenso movimento de pessoas. Assim que me sentei no salão do café da manhã, perguntei ao garçom porque tamanho movimento. Ele me disse que todos os sábados, até começar o inverno, acontecia uma grande feira nas ruas do centro da cidade, onde se vendia de tudo: alimentos, artesanato, utensílios de cozinha, flores, roupas, bijuterias, discos, livros, antiguidades, trufas brancas e negras, bebidas. Era este o motivo de tanto movimento. Trocamos mensagens por whatsapp com Vera e Cláudia, que já estavam nas ruas passeando, e confirmamos o horário para nosso almoço, ao meio dia, no Caffè Umberto. Por volta de 9:30 horas, eu, Emi e Rogério saímos para conhecer a parte histórica da cidade, mesmo local onde acontecia a feira. Do hotel, seguimos a Corso Torino para a esquerda até a Piazza Garibaldi, uma espécie de porta de entrada para a parte antiga da cidade. Ali já havia barracas vendendo roupas e alimentos, além dos enormes quiosques da Sebaste Gallo D'Alba, vendendo seus doces à base de avelãs, como os torrones. Pegamos a direção da esquerda, parando nas barracas que vendiam legumes, onde havia alguns tipos de tomates que não vejo no Brasil. Chegamos na Piazza Marconi, onde uma estrutura coberta abrigava mais barracas de comidas, roupas e flores. Emi não resistiu e comprou alguns pares de meia. Entramos no emaranhado de ruas pequenas, sempre tomadas por gente e por barracas, chegando na Piazza Pertinace. Nesta praça, as barracas eram diferentes, todas padronizadas, vendendo apenas produtos da região, especialmente alimentos, como queijos, embutidos, mel e trufas. Esta parte da feira se chama Mercati della Terra (Mercados da Terra). Na praça, há dois pontos de interesse turístico, a Chiesa San Giovanni (4) (Igreja de São João), existente no local desde o Séc. XIII, e o Tempio Romano, ruínas do que foi um antigo templo. Tais ruínas foram descobertas quando restauravam o prédio medieval do Palazzo Marro. O interior da igreja está bem conservado, com belas imagens sacras. Saindo desta praça, percorremos novas vias, chegando na Via Cavour, onde está o Palazzo Municipale (12), aberto para visitação pública, mas não quisemos entrar, seguindo direto para a Catedrale San Lorenzo (1) localizada na Piazza Resorgimento. Nesta praça é onde acontece tudo, especialmente à noite, pois tem área grande para abrigar um palco, onde já rolava música mecânica. Desta praça também se vê as torres medievais (6) que sobraram de um tempo em que Alba era conhecida como a cidade das cem torres. Entramos na catedral. Não tem um interior exuberante como outras igrejas italianas, mas tem belas obras de arte, uma urna funerária em formato de armadura de guerreiro romano contendo a ossada de São Fortunato e uma pia batismal do Séc. VI, que pode ser vista a partir de uma estrutura de ferro, bem moderna, montada no piso da catedral. Percorrendo mais ruelas, chegamos na Piazza Vittorio Veneto, onde está a Chiesa di Santa Catarina (Igreja de Santa Catarina), construída no Séc. XVII. Seu interior é pequeno, no qual o dourado domina as paredes. Acontecia uma cerimônia coletiva de batismo, com dois padres conduzindo o evento. Na mesma praça está o Teatro Sociale G. Busca (10) que vimos só por fora. Ao lado do teatro está o Palazzo Govone, onde entramos, conhecendo seu pátio interno. Ali funciona uma escola e acontecia uma aula/degustação de vinhos da região. Mais à frente, na Via T Calissano, está a Chiesa di San Domenico (2) (Igreja de São Domingos), que foi construída a partir de 1292. Nela acontecia uma exposição do artista plástico Verdirosi. Resolvemos entrar, pagando € 2 pelo ingresso, dinheiro utilizado na restauração da igreja. Seu interior é bem claro, com interessantes afrescos recuperados nas capelas ao fundo. O local não funciona mais como igreja, abrigando exposições temporárias de arte, além de ser palco para concertos de música clássica e sacra. Já passavam de 11 horas da manhã quando saímos desta igreja. Resolvemos nos dirigir ao ponto de encontro, passando por novas vielas, até chegar na principal rua do centro, a Via Vittorio Emanuele, onde está concentrado o comércio mais fino da cidade. Alcançamos esta via pela Via Paruzza, onde há duas igrejas localizadas em sentido diagonal. Entramos na Chiesa della Maddalena (3), datada do Séc. XVIII. Estava cheia, pois uma missa ocorria naquele horário. Do outro lado, na esquina com a Via Gioberti, está a Chiesa San Damiano (5), onde não entramos. Pegamos a Via Vittorio Emanuele em direção à Piazza Savona, local de nosso encontro. Tinha locais quase impossíveis de se passar, pois as barracas são montadas no meio da rua e um aglomerado de gente andava de um lado para o outro, parando nestas barracas ou entrando nas diversas lojas da via. Na Piazza Savona, há um parque de diversões. Tínhamos combinado com Cláudia e Vera de esperá-las em frente ao carrossel. Chegamos às 11:45 horas e, cinco minutos depois, elas apareceram. O sol resolveu dar as caras, possibilitando bonitas fotos do local. O restaurante que escolhemos para almoçar era o Caffè Umberto, que fica em uma das arcadas da praça onde estávamos. Além de restaurante, ele também é uma enoteca. Estava fechado, mas um garçom apareceu, informou que só abria às 12:30 horas, perguntando se tínhamos reserva. Com a resposta negativa, ele disse que somente havia lugar ali fora, onde as mesas já estavam montadas, mas não podíamos sentar antes da abertura do restaurante. Mais gente foi chegando, o que nos fez "apossar" de uma mesa logo. Começaram a atender as mesas quinze minutos antes do previsto. Assim que terminamos de almoçar, fomos caminhando até o Hotel Calissano, ponto de encontro e de partida para a caça às trufas brancas. Como tínhamos tempo, conhecemos as dependências do hotel. Sandro, o nosso guia para a caçada, chegou antes do horário agendado, que era 14:30 horas. Estávamos prontos para uma nova aventura.


quarta-feira, 6 de novembro de 2013

LE TORRI - GASTRONOMIA EM CASTIGLIONE FALLETTO (ITÁLIA)


O Le Torri fica em um hotel de mesmo nome. Fazer reserva, especialmente para o almoço, é recomendável. Este restaurante foi uma indicação da guia que no conduziu no tour de sexta-feira, 25/10/2013.

Endereço: Piazza V. Veneto, 10. (www.ristoranteletorri.it)

Contato: +39 173 62849 - info@ristoranteletorri.it

Especialidade: culinária regional de Langhe, Piemonte, sob o comando da chef Maria Cristina, que utiliza somente ingredientes produzidos na região, respeitando a sua sazonalidade.

Quando fui: jantar de 25 de outubro de 2013, sexta-feira. Éramos 05 pessoas, com reserva feita durante o dia, por telefone. O restaurante tem dois salões internos, além do terraço, que não estava aberto naquela noite. Todas as mesas estavam ocupadas. Ficamos na mesa que garantia mais privacidade. A decoração local abusa de mobiliário antigo, livros e objetos da região. O hall de entrada mais parece uma espécie de biblioteca, sendo difícil identificar que estamos entrando em um restaurante. Permanecemos por quase duas horas no local.

Serviço: achei o serviço confuso, sem uma dedicação à mesa. Os garçons não entendiam muito bem o inglês, o que gerou uma certa confusão no prato de Rogério, que tinha pedido um cordeiro e recebeu um prato com uma degustação de queijos. Ele não quis que trocassem, pois a demora na chegada de nosso pedido foi grande. O menu é enxuto, com indicação dos fornecedores locais de todos os ingredientes e matéria-prima utilizada na elaboração de cada prato.

O que bebemos: água mineral Lurisia,  bolle e stille (com e sem gás), (€ 3 a garrafa de um litro) e uma garrafa do vinho tinto Borgogno Barolo Riserva 2004 (€ 74), com 13,5% de álcool, produzido por Giacomo Borgogno & Figli. Um bom vinho.

O que comi: aceitamos o coperto, gratuito, com pães, gressinos e foccacias artesanais feitos na casa seguindo a antiga tradição de Langhe. Estavam muito bons, especialmente a foccacia, que embebida em azeite ficou sensacional. Como amuse bouche, a casa nos ofertou com uma espécie de bolo de fígado de frango com cebola crocante com um molho amarelo por cima, que não consegui identificar o que era. Não me apeteceu. Só provei e não achei bom. Deixei de lado os antepastos, escolhendo logo o primo e o secondo piatti. Como primo piato, pedi um risoto de queijo Castelmagno (€ 13), que vem servido com um ragu de carne. Estava cozido no ponto, aromático e saboroso. Como secondo, um envelope de cogumelos porcini frescos, cogumelos chanterelle, lascas de trufas negras e batatas assadas (€ 15). O prato era aromático, devido às trufas negras, mas faltava-lhe sabor. Parece que não havia tempero, com exceção de ervas salpicadas. Talvez a intenção fosse deixar o sabor natural dos cogumelos reinaram no envelope. Não gostei. Pulei a sobremesa.


gressinos, foccacias e pães artesanais


amuse bouche


risoto de queijo Castelmagno 


envelope de cogumelos porcini frescos, cogumelos chanterelle, lascas de trufas negras e batatas assadas

Valor que me coube no total da conta: € 50.

Minha avaliação: * * 1/2. Apesar dos elogios da guia, bem como das avaliações de clientes no Trip Advisor, não gostei da experiência. Talvez um almoço com a linda vista enquadrando o ambiente e eu estando menos cansado de um dia intenso de turismo, esta impressão possa ser desfeita.


Gastronomia Castiglione Falletto (Itália)

CASTIGLIONE FALLETTO - MAIS UMA CIDADE NO PIEMONTE

Estávamos a postos, na entrada do Hotel I Castelli, em Alba, aguardando Cláudia e Vera chegarem para irmos jantar. Tínhamos combinado de nos encontrar às 20 horas. As meninas estavam com um 500L alugado, carro que cabia nós cinco com razoável conforto. Elas chegaram dez minutos após o horário marcado. Todo mundo estava bem agasalhado, já que a previsão do tempo indicava que a noite seria fria. E foi. Já no carro, ligaram o wi-fi portátil, carinhosamente chamado de Rachel (com grafia bem italiana!), para que o aplicativo do Google Maps para iPad pudesse ser nosso GPS. Com endereço digitado, o trajeto foi traçado, indicando, inclusive, o tempo médio que gastaríamos, algo em torno de 20 minutos. Nosso destino era a pequena cidade Castiglione Falletto, localizada em uma colina distante 14 quilômetros de Alba. Nosso jantar seria no Le Torri, restaurante reservado pela guia Silvia da Tasting Tours durante nosso passeio durante o dia. Ela elogiou bastante o restaurante, dizendo que ele ficava no alto, com uma bela vista da região. Não tivemos dificuldades em chegar. Assim que saímos da estrada principal que liga Alba a Castiglione Falletto, começamos a subir uma estreita rua cheia de curvas para a esquerda e para a direita, até alcançarmos o seu ponto máximo, que era o centro da cidade, mais uma no Langhe com menos de 700 habitantes. Não havia ninguém nas ruas. Como as vias são muito estreitas, a dificuldade de estacionar é real. O melhor local é parar ao redor do Castello di Castiglione Falleto, uma edificação muito antiga iluminada com uma luz amarela durante a noite, o que valoriza suas paredes de pedra. Achamos uma vaga e Cláudia parou o carro, mas quando saímos, notei que não era uma vaga, mas o local para retirada de água em caso de incêndio. Vimos um outro lugar mais à frente e Cláudia resolveu mudar o carro de lugar. Vera e Rogério desceram a via lateral do castelo e desapareceram, enquanto eu, Cláudia e Emi fomos ver de onde vinha o barulho de caminhão. Eram trabalhadores da Casa Vinícola Vietti, produtora de ótimos vinhos, que ainda carregavam uvas em um caminhão-trator. Era a sede da vinícola. Pausa para fotos. Em seguida, contornamos o muro do castelo. São paredes muito altas, bem conservadas. Ao redor, algumas casas e a Parrocchia di San Lorenzo. Uma curiosidade sobre o castelo, que pesquisei na internet na volta ao hotel, é que em junho acontece em seu interior um festival que tem a alcaparra como estrela. Isto porque pés desta planta nasceram espontaneamente nas paredes e encostas do castelo. Terminado este pequeno tour, fomos para o restaurante, onde Vera e Rogério já estavam sentados. O Le Torri fica em um hotel de mesmo nome e o terraço de onde se tem a tal vista incrível não estava aberto naquela noite por causa do frio. De toda sorte, a vista só é apreciável durante o dia. Terminado o jantar, cujas impressões constam de postagem específica, retornamos pelo mesmo caminho para o hotel. As meninas nos deixaram no I Castelli. Já passavam das 23 horas. O dia tinha sido puxado e o sábado prometia ser no mesmo ritmo. Combinamos de nos ver ao meio dia para almoçarmos antes de encontrar com o guia que nos levaria para a caça às trufas brancas. Fui direto para o meu quarto, onde só me lembro de colocar um pijama e apagar na cama.